sexta-feira, abril 28, 2006

Da Actualidade

Isto vai mal. O intervalo entre posts vai-se dilatando e o conteúdo dos mesmos empobrecendo galopantemente, acompanhando a subida do preço do petróleo.
Isto de se ter um computador a diesel só tem desvantagens.
Segundo o Inimigo Público de hoje, o presidente da república apareceu às tropas portugueseas acantonadas na Bósnia provido de um Bolo-Rei de plástico. Para além de não ter sobrado nada, tal não foi a determinação e voracidade com que se lhe dedicou no intuito de evitar responder em inglês às perguntas que os jornalistas bósnios lhe dirigiram, não consta que alguém se tenha interrogado sobre a extemporaneidade de semelhante pitéu.
Quanto a facto de ser de plástico, é puramente cagativo.

sábado, abril 15, 2006

Nada É Por Acaso


Nestas duas últimas semanas falou-se e viu-se muito sobre o Evangelho de Judas. Descoberto por um pastor no Egipto em 1978, consiste em um papiro escrito há cerca de 1700 anos relatando episódios da vida de Jesus sob uma luz diferente da quem vem sendo vertida sobre o assunto pelos quatro Evengelhos, ditos Canónicos, ou seja, com força de lei, da autoria de Marcos, Lucas, Mateus e João. O documentário, feito pela National Geographic Society e apresentado ontem na 2, revela não só que Judas afunal não traiu Jesus como se limitou a cumprir ordens suas para que fosse entregue aos romanos. Vamos direitos ao assunto: Se a Igreja Católica vigente, que se assume com única herdeira da palavra de Cristo, quiser condenar alguém por suicídio deverá fazê-lo na pessoa de Jesus, que planeeou a sua própria prisão, julgamento e condenação mas nunca Judas Iscariotes. Segundo os ditos textos, tidos como apócrifos e coisa de gnósticos, Judas limitou-se a cumprir o que Jesus lhe pedira. O timing era o mais certo. Para isso e para o resto, que incluia a sua remoção da cruz, ainda vivo, e posterior fuga para terras da Gália onde daria origem à linhagem dos Saint-Clair, ou Sinclair, segundo afirma quem inspirou Dan Brown. Vem também remover o fardo da culpa da condenação à morte de Jesus atribuída aos Judeus, amiúde referidos como pencudos, e outros mimos do género, ao longo de centenas de anos. Os mesmos que, certamente por ignorância visto a estupidez nunca lhes ter sido reconhecida, nunca perceberam que Jesus, ele próprio, lui-même, himself, era Judeu.
Ao apresentar a salvação do homem como resultado do conhecimento e da meditação e não como a ressurreição pura e simples do corpo feito cadáver, o Evangelho de Judas vem devolver ao cristianismo um significado e uma origem há muito usurpados por sacerdotes de púrpura com relacões de grande à vontade com o poder instituído, num mundo excessivamente material.
Enfim.
Uma Páscoa diferente, esta, com revelações que dão que pensar a quem tem cabeça e não se importa com isso.
Bem hajam.

quinta-feira, abril 13, 2006

O Festival Da Asneira

O que se passou ontem na Assembleia da República, ou melhor, o que não se passou devido à falta de quórum, enquadra-se perfeitamente no perfil da classe política republicana, em que a falta de respeito pelos votos de confiança recebidos e que os alcandorou à posição de deputados do regime, a falta de vergonha total para com o dever de tratar a tempo e horas dos assuntos de Estado que, mais uma vez, ficaram por resolver devido a diplomas que não foram publicados por falta de quórum para uma votação, tudo isto junto passa e passará impune num país em que a conivência corporativa se empenha, cada vez mais, numa inconfessável campanha para desacreditar a democracia.
O regime republicano está podre.
Haja quem o sepulte.

Estive a reler o que escrevi aí em cima, não que seja alguma coisa de especial ou tenha conteúdo que preste ou seja novidade. Estive a reler porque me apeteceu. E cheguei a uma conclusão: num país em que dois terços dos habitantes nunca acedeu à internet, a fracção de nativos que se dedica a deambular pela B.LU.S.A. - odiosa designação para a blogosfera lusa - é tão ínfima, tão minúscula, tão rara e insignificante que constitui, por si só, uma relíquia de valor incalculável.

segunda-feira, abril 10, 2006

10 de Abril

A Coroa Espanhola correu com os corruptos da Edilidad de Marbella. Em três tempos, sem apelo nem agravo: demitidos em bloco.
A diferença de tratamento que levam os autarcas corruptos em Espanha e em Portugal é sintomática.
O facto, incontestável, de o regime espanhol ser uma monarquia e o português ser uma república não tem nada a ver. Ou terá ?

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O jogging de Sócrates na marginal de Luanda cercado de guarda costas enquanto pretendia demonstrar que não há insegurança em Angola também é sintomático. Mostra que a distância entre a compra de ouro alemão pelo governo de Salazar durante a II Guerra Mundial e a apetência negocial da classe político/empresária portuguesa da actualidade em Angola não se mede em unidades de tempo. A memória é curta. Sobretudo quando dá jeito.

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O preço do petróleo atingiu hoje em Londres novo valor record: 68 US$ por barril. Tudo porque alguém se lembrou de repetir em voz alta o que muitos pensam baixinho: a intervenção norte americana no Irão está para breve; contra o nuclear ou com ele. Mais uma vez a economia mundial refém dos senhores do petróleo. Sejam árabes ou se chamem Bush.

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Ninguém sabe quantos bombeiros existem em Portugal.
Num país cujo património natural tem sido ano após ano, consecutivamente, delapidado pelas chamas, o poder indígena encara com naturalidade o facto de o número de bombeiros, entre sapadores e voluntários dever andar à volta dos quarenta mil.
Nada de certezas.
Espantoso.

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Quando inquirido pelo jornalista da TSF sobre a ideia da criação de um partido do Papa, no rescaldo das últimas eleições em Itália, o bispo português Saraiva Martins, há mais de meio século a viver em Itália, esclareceu, para sossego dos nativos cá da terra, que não havia o menor perigo de isso acontecer. A Igreja não se envolve na política.

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A recente, e provavelmente impune, descoberta da atribuição de casas a funcionárois da câmara de Oeiras em 2003 vem na linha do primeiro post de hoje: em república, o Estado é da república.
Tem sido assim desde 1910. Até quando?

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Só para terminar: é falso que eu tenha tido as pernas coladas acima dos joelhos, como afirma a escritora Agustina Bessa Luís, tendo por isso sido incapaz de pelejar ou montar em ginete.
Isso só aconteceu quando me borrei todo na sequência duma paella feita com marisco podre, confecionada pela chefe de cozinha de minha malograda mãe. Tinha oito anos na altura e a caganeira foi fulminante. Até à próxima.


 
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