sexta-feira, dezembro 07, 2007

Histórias de Encantar XI

Era uma vez um urso que entrou p'lum bar adentro, que se sentou ao balcão e pediu:
- Uma Imperial!-
O criado, um tipo magro e fumador, de cabelo oleoso e cheio de tiques, nem queria acreditar. Ele ali sózinho na merda do bar, sem ninguém à vista e logo então lhe entra um cabrão de um urso pelo bar a dentro a pedir uma imperial. Mal tinha reflectido o supra exposto e já o gesto mecânico fechava a torneira babando espuma por fora do copo. Num lance temerário, mas quiçá habituado, arremessou o copo cheio ao longo da chapa de inox do balcão na direcção do plantígrado. O urso segurou o copo como quem fila um salmão pelo cachaço e em dois tragos rápidos deu sumiço ao conteúdo.
- Outra!- berrou enquanto estremecia as beiças na espectativa do fenomenal arroto que se avizinhava.

-
Foda-se!- murmurou o criado enquanto aviava o pedido. Esta agora... eu a servir imperiais a um cabrão de um urso e ninguém a ver, sem testemunhas, nada.

- A conta! - berrou o urso enquanto limpava as beiças frementes nas costas da pata esquerda.
Agora é que te vou lixar! pensou o criado, agora em registo normal embora com uma expressão de malícia mal disfarçada a escorrer-lhe pelo avental abaixo.
- São quarenta Euros...- disse o criado enquanto estendia um papel poisado em um pratinho de cobre.
O urso, por segundos, deu um chá de sumiço à pata direita que logo reapareceu com uma nota de cinquenta Euros a florescer-lhe por entre as garras. Atirou com a nota para cima do papel que estava sobre o pratinho de cobre, rodou cento e oitenta graus no banco do balcão, levantou-se e caminhou em direcção à porta.
O criado, entre o antónito e o estupefacto, raiando laivos de embasbacanço total, porque genético, balbuciou:
- Desculpe mas... posso fazer-lhe uma pergunta ? é que, sabe..., é muito raro virem aqui ursos beber copos e eu...
- Raro? Foda-se. Ao preço que vocês levam pela Imperial!

O Circo

Afirmar num dia, em anúncios de página, o apoio ao uso de minas antipessoais e exigir dois dias depois que os países colonizadores paguem indemnizações aos países colonizados é obra. É mais que obra: é espectáculo.
O circo assentou arraiais. Como é costume por esta data.

sábado, dezembro 01, 2007

1º de Dezembro


Bandeira de Portugal (retirada daqui) adoptada no reinado de D. Pedro II, após 28 anos de guerra com Espanha iniciada no dia 1º de Dezembro de 1640 quando um grupo de revoltosos tendo como cabecilhas João Pinto Ribeiro e D. Antão Vaz de Almada desencadeia uma série de tumultos em várias zonas do país pondo fim a "sessenta annos de jugo castelhano".
É importante lembrar que embora para república a Estória de Portugal tenha começado no dia 5 de Outubro de 1910, a História de Portugal começou de facto em 5 de Outubro, mas de 1143.
Para o regime republicano, o 1.º de Dezembro de 1640 foi apenas mais um episódio ocorrido num tempo que lhe é estranho e pertença de um passado de que se envergonha.
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