terça-feira, fevereiro 26, 2008

T.P.C.

A cadeia das doze palavras aterrissou cá no terreiro via Dragoscópio.
Mercê dessa manobra o número de visitas diárias aqui ao estabelecimento disparou estando prestes a ultrapassar o mágico número das três dezenas. É obra. Republicana ainda por cima, ou seja, por total demérito da minha parte.
Adiante.
Como agradecimento pela escolha listo de seguida doze palavras de cuja fonética gosto, numa abordagem, que é uma homenagem, ao estilo do inacabado Dicionário Shelltox Concise do Dragão.

Cáfila,
s. f. Caravana de mercadores; grande quantidade de camelos que transportam mercadorias. Fig. Bando; súcia; corja; conjunto de deputados.

Delapidar, v. tr. Gastar muito; dissipar; prática corrente do regime republicano.

Escaramuça, s. f. Combate insignificante, briga; debate na assembleia da república.

Gabiru, s. m. e adj. Fam. Velhaco; finório; patife; ministro; secretário de estado; director geral.

Cagaréu, s. m. Som alto; barulho; som resultante de peidos de rajada em grande recinto fechado, tipo pavilhão industrial.

Pastar, v. tr. e int. Comer o pasto; comprazer-se; nutrir-se; acto que se processa nos corredores do poder.

Saramago, s. m. Bot. Planta crucífera comestível, vulgar em quase todo o país e que cresce sem cultura; criatura compulsiva; apátrida.

Lambisgóia, s. f. Mulher delambida; mexeriqueira; apresentadora de televisão.

Tupinamba, s. f. Espécie de batata americana; crítico literário; intelectual.

Sinecura, s. f. Emprego remunerado de pouco ou nenhum trabalho; deputado; comentador televisivo.

Micrococo, s. m. Bactéria de ínfimo tamanho; eleitor; contribuinte.

Falcípede, adj. De pés curvos em forma de foice; legislador; cobrador de impostos.

Chegada a hora de repassar a praga, recorro ao método turbo democrático conhecido por roleta kosovar e que consiste na escolha aleatória de doze vítimas extraída da lista de blogs linkados:
Cão com Pulgas. A Toca do Gato. A Origem das Espécies. Bic Laranja. Inflexão.Eterna Descontente. O Velho da Montanha. Blog se vê. Musinema. Minha Rica Casinha. Nau Catrineta. Blogame Mucho.

sábado, fevereiro 23, 2008

Tabus

Muito comentada a entrevista de Sócrates na SIC, reduzida por Vasco Pulido Valente no Público a mera sessão de propaganda.
Angustiaram-se as hostes(*) com a "falta de futuro" que persistiu na referida entrevista.
Desenganem-se, oh hostes. Se há coisa que não faltará é futuro. Com Sócrates, claro.
E isto porque o tabu da recandidatura de Sócrates não existe.
Ele aparecerá, acreditem, ufano, sorridente e confiante, autor intérprete e realizador da sua própria grande obra: O futuro sou eu.
Quanto a Cavaco, poderá ficar na recente história de Portugal como o primeiro presidente da república a não se recandidatar a um segundo mandato.


(*) Teresa de Sousa e o gajo que a plagiou no Público mas de que me não lembro o nome e não tenho paciência de procurar e que jogava ping-pong com a Helena de Matos.

Fumo II

É discriminatória, e portanto inconstitucional, a medida que se traduz na proibição de se fumar em centros comerciais sem existir um espaço no seu interior destinado a fumadores.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Independência q.b.

A recentemente auto proclamada independência do Kosovo é mais uma farsa montada à volta do que tem movimentado mais massa e tropa nas últimas décadas: petróleo.
A proliferação de bandeiras dos Estados Unidos nas manifestações de júbilo que os albaneses encenaram, comemorando em frenesim a aquisição de mais um Estado para a União, mais uma estrela na bandeira, expõe o que vem sendo a política externa norte americana: Estados Unidos à revelia das Nações Unidas.
Lamentável a hesitação do governo português em não reconhecer a independência unilateralmente declarada pelo parlamento kosovar , mascarada de falta de pressa de inspiração metodicamente amanuense e burocrata.
De salientar o silêncio e contenção da esquerdalha, para não mencionar a condenação da iniciativa por parte do aznarento governo castelhudo, normalmente tão pródiga em manifestações de solidariedade para com movimentos independentistas por esse mundo fora, sempre tão activa na promoção de independências várias ao longo do século XX.
Sinais dos tempos.

sábado, fevereiro 16, 2008

Motor Electromagnético

Muitas das soluções energéticas alternativas ao petróleo e derivados têm sido patenteadas e compradas pelas companhias perolíferas que rápidamente se encarregam de as engavetar devotando-as ao esquecimento.
São, inclusivamente, referidos casos em que os seus inventores desaparecem misteriosamente juntamente com os planos das respectivas invenções. Como o daquele que sacava hidrogénio e oxigénio da água segundo um processo de turbo hidrólise qualquer e que os utilizava como combustível e comburente respectivamente tendo conseguindo construir um motor que funcionava.
O que dá título a este post foi um video que recebi por email em Maio de 2007. Perdido o mail, fartei-me de procurar o tal video no youtube, no shetube no wetube etc. Népias.
Noutro dia, cansado de ouvir as invectivas da Sancha referindo amíude e em sucessão aleatória as palavras farta, desarrumação, impossível, que chatice, preta de serviço, entricheirei-me na arrecadação cá do Castelo e acabei por encontrá-lo, ao cabrão do mail perdido com o vídeo devidamente anexado, esquecido e abandonado na caixa das ciberferramentas.
Ei-lo:

terça-feira, fevereiro 12, 2008

À distância e com cuidado


Nuno da Câmara Pereira aproveitou o centenário de um acto terrorista, o regicídio, para publicar o seu livro intitulado O Usurpador.
O Público leu-o e escreveu sobre. Concluiu ter sido o mesmo escrito à pressa, com pontuação desregrada e uma revisão descuidada.
Como referiu Vasco Pulido Valente na sua recente picardia com Miguel Sousa Tavares, pior que ler um livro mau é escrever sobre um livro mau.
Eu ainda não o li. Mas quando o fizer será com cautelas cirúrgicas e devidamente munido de pinças de ourives entre lâmina e lamela. E , acrescento, seguramente imunizado com vacinas como esta.

domingo, fevereiro 10, 2008

portugalinho dos pequenininhos ou a república dos implantes em 3 Actos

O portugalinho dos pequenininhos é o estado a que um regime republicano, em três actos, reduziu a mais antiga Nação Europeia.
O primeiro acto desenrolou-se em 16 fumegantes e sanguinolentos anos, dois anos após o atentado bárbaro e cobarde que o regime actual reconhece como estando na sua génese, e que consistiu no assassinato do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro D. Luiz Filipe na tarde do dia 1 de Fevereiro de 1908.
Durante os dezasseis anos que decorreram entre a "implantação" da república e o golpe de estado republicano de 28 de Maio de 1926 que, por sua vez, "implantou" uma ditadura militar de seis anos como preâmbulo do 2º Acto da tragédia a que se resume esta república em 3 Actos, inúmeras foram as medidas progressistas e profundamente democráticas que catapultaram Portugal para a vizinhança perigosamente próxima da cauda da Europa, ou melhor, da cloaca da Civilização, local de onde, de resto, jamais sairia no século seguinte. Tais medidas consistiram na "implantação" da censura, no roubo do direito de voto a grande parte da população, na "implantação" de um regime de partido único - o Partido Republicano- de que o actual PS se reclama herdeiro nos objectivos e ambições, tudo devidamente acompanhado pelo assobiar de balas, cacetada, facada e estourar de bombas. Quando a salganhada, a desordem e o desnorte atingiram proporções tais (era-se esfaqueado por engano na rua em pleno dia, ouvindo-se pedidos de desculpa pelo engano...) que nem os piores facínoras eram levados a sério dá-se a "implantação" da Ditadura entre 1926 e 1932, seguindo-se a "implantação" da 2ª República ou Estado Novo, regime que herdou do anterior tudo o que tivesse a ver com supressão de direitos cívicos, repressão, governo de partido único, censura, perseguição política e pobreza generalizada.
Contabilista exímio, Oliveira Salazar conseguiu devolver ao regime republicano alguma da credibilidade perdida endireitando as finanças e planeando um futuro possível mas que ruiu com a 2ª Guerra mundial. Seis anos após a sua morte política em 1968, novo pronunciamento militar ocorre no seio do regime republicano em vigor desde 1910, desta feita com a tropa chateada com as sucessivas comissões em África, enfiada numa guerra que durava há 14 anos e que parecia sem fim à vista. Dá-se então a 25 de Abril de 1974 o 3.º Acto da república dos implantes, com a "implantação" de um regime pseudo-democrático, que se pretendia à semelhança dos que existiam lá fora. Por destino ou acaso, em 1975 os nossos vizinhos castelhanos devolvem a monarquia a Espanha, dando-se início a uma das maiores transformações de um país europeu atrasado num dos mais influentes da actualidade.
Por isso mesmo, nunca a independência de Portugal esteve tão ameaçada como agora, mas isso é assunto para outro dia.
Quase trinta e quatro anos volvidos após a sua "implantação", a 3ª república tem no seu currículo uma vasta gama de "conquistas" de onde se destacam, além da aparente devolução de um regime parlamentar e das liberdades cívicas sonegadas em 1910, o culto de uma superficialidade confrangedora no modo de lidar com os reais problemas do país, sem coragem para proceder a reformas de fundo, refém que está de um sistema económico baseado na subserviência subsidiária de uma Europa cada vez maior e mais fraca empenhada no arrebanhamento para o seu seio das inúmeras nações periféricas que, quase todas, pertenciam à esfera de influência da URSS, que, por sua vez, caiu de podre na penúltima década do século passado.
Ultimamente, quer as tomadas públicas de posição na Assembleia da República face à História de Portugal, de onde se destacam a canonização de Aquilino Ribeiro e a recusa de um voto de pesar pelo assassinato de um Chefe de Estado e do seu filho, quer na ausência de medidas tomadas pelos sucessivos governos na preservação do património, histórico e natural, entregando regiões inteiras a uma exploração turística sem qualidade nem escrúpulos, facilitando e promovendo a destruição irreversível de paisagens e lugares únicos no mundo, asfixiando cidades inteiras em subúrbios-dormitórios sem condições nem qualidade, abandonando e desertificando os centros urbanos, promovendo o endividamento aos bancos de gerações sucessivas de portugueses por não quererem alterar em definitivo uma lei do arrendamento atentatória do direito à propriedade e, com isso, impondo a paralisia de milhares de pessoas na periferia das grandes cidades, condicionando a mobilidade e asfixiando a economia anulando, por isso, a possibilidade de combater a desertificação generalizada do país, quer na quebra unilateral das condições contratuais no caso dos certificados de aforro e afectando com isso as poupanças de milhares de portugueses descredibilizando em definitivo o Estado e o regime, são exemplos mais que suficientes do portugalinho dos pequenininhos em que as sucessivas repúblicas dos implantes transformaram Portugal, a mais antiga Nação europeia.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!