sábado, janeiro 31, 2009

1 de Fevereiro de 2009 - 101ª Despedida

Amanhã decorrerá mais um aniversário sobre a data do regicídio de 1908. Provavelmente o cheiro a naftalina exalado de peles e samarras guardadas o ano inteiro voltará a pairar no ar no Terreiro do Paço. Cada vez mais os monárquicos que se juntam no local da efeméride pouco ou nada têm a ver com o povo seu antepassado, o que foi buscar o Mestre à Ordem de Aviz e o fez Rei, o que deu a vida e o sangue numa guerra que durou 28 anos, o tempo que demorou a resgatar Portugal do domínio castelhano, o que correu com os franceses há duzentos anos. Os monárquicos em Portugal transformaram-se em membros de um clube elitista de entrada condicionada a pergaminhos e brazões, coisa de tias, percebe? dando-se ao luxo de alimentarem entre si tricas de comadres e partidinhos de bairro, desperdiçando no entretém o tempo útil disponível para o relançamento de uma verdadeira Causa, como a defendida por Barrilaro Ruas. Pois: A ordem é rica e os frades são poucos.
Gonçalo Ribeiro Telles terá dito um dia: "Se pudesse tomar uma bica com cada português, restaurava a monarquia em Portugal".
Miguel Esteves Cardoso terá dito um dia: "Os monárquicos em Portugal constituem o maior partido clandestino que existe". Esses dias estão cada vez mais longe.
Hoje é o dia em que Miguel Sousa Tavares escreve no Expresso: "Eu penso que Portugal não vale muito como nação e como povo - aquilo que nos separa da inviabilidade não é tanto como, por inércia, nos habituámos a pensar." Não descortino o que haverá de comemorável no centenário a 5 de Outubro de 2010 a não ser a ignorância colectiva, o desprezo pelo passado, a vergonha da História e o triunfo da propaganda fónix.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

As vacas do Bloco, oTGV, os ATM e outras actualidades da República

O Bloco de Esquerda tem um fraquinho por vacas que pastam nas zonas verdes do tecido urbano lisboeta, nomeadamente na Praça de Espanha, e que julga serem açorianas mas não são.
A sua preocupação com o bem-estar físico e emocional de tais animais é tão comovente tão comovente que eu sei lá. As vacas, por seu lado, provavelmente têm o Bloco em tanta consideração como o resto do espectro político da república que vai desde o Bloco, lui même, ao PNR. Ou seja: estão-se ruminantemente cagando.
Por outro lado, é fundamental o TGV Lisboa <-> Porto para facilitar o acesso dos Madrilenos à Invicta, assim como o dos galegos a Madrid. Sendo Portugal a pagar, ainda melhor. No que diz respeito à retirada dos ATM dos tribunais para evitar que sejam furtados, verifica-se mais uma vez o síndroma do Outão. Aliás, o síndroma do Outão é uma prática administrativa compulsiva da República portuguesa no estado actual; cimenteira do Outão, exames de Matemática, Freeport, etc. Há umas semanas queixava-se a Marinha que Portugal não dispunha de meios suficientes para defender a sua zona económica exclusiva (ZEE). A solução, segundo os preceitos do sindroma do Outão, passará provavelmente pela alienação da ZEE em nome de uma qualquer outra potência marítima Atlântica, quiçá o Triângulo das Barbudas, pelouro de Alberto João Jardim.
Depois da recomendação de D. José Policarpo no sentido de as portuguesas pensarem bem antes de cometerem matrimónio contra muçulmanos, surge no horizonte o Nobel Saramago recomendando que as mulheres do mundo civilizado, a começar pela secretária de Estado norte americana Hilária, se agarrem com unhas e dentes aos apelidos de nascença que lhes foram transmitidas pelo protagonista masculino no acto da concepçao.
Admirável mundo novo este em que, enquanto a economia cai de podre, milhares de pessoas morrem de fome e as gentes do planeta se interrogam sobre o seu futuro nele e com ele, a brigada geriátrica avisa, avisa e avisa.

Blog Anónimo

Este blog não é anónimo; chama-se Por Tu Graal. O seu autor também não é anónimo. É de carne e osso e usa o pseudónimo de Afonso Henriques. Já agora, e não digo a talho de foice para não ferir canelas, aproveito para agradecer a referência no Dragoscópio e que fez disparar em flecha o rating de audiências no contador cá do estabelecimento.
No que respeita às actualidades na República, acho estranho que uma Procuradora dela diga que não há suspeitos nem arguidos no caso Feeport horas depois de ter sido feita uma busca a um escritório de advogados. Também acho estranho o maradona implicar tanto com a pontuação dos textos de alguns colegas, mas isso é outra conversa e fica para outro dia. Há muitas coisas que acho estranho mas isso deve-se ao facto de eu ser um tipo esquisito. Pelo sim pelo não aqui vai uma caterva de vírgulas e pontos para o caso de me esquecer de usar de tais temperos em cozinhados futuros.
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domingo, janeiro 25, 2009

O regresso da abetarda (*)

Hoje apetece-me escrever sobre o Expresso. Noutro dia apeteceu-me fazer umas aguarelas, mas hoje é mais sobre o Expresso. Uma das notícias do último Expresso refere que o presidente do IGESPAR Elísio Summavielle garante cara lavada em três anos ao património edificado que se tem aceleradamente degradado nos últimos vinte anos. O mesmo Summavielle que teceu elevadíssimas considerações à grua idealizada por João Soares para se aceder ao Castelo de S. Jorge. Acho extraordinário o prazo de degradação do património ser definido pelo intervalo de tempo decorrido entre 1989 e 2009. Também acho extraordinário que o presidente do IGESPAR considere vinte anos muito tempo.
Outra notícia refere que à banca não convém executar uma penhora de oitocentos milhões de euros sobre Joe Berardo porque isso se reflectiria em perdas que teriam que ser publicadas nas contas anuais dos bancos credores e a última coisa que os bancos hoje em dia querem é dar a sensação que estão à rasca. Mas se um tipo se atrasa numa puta duma prestação da casa são capazes de rapar todas as contas com o seu nome, mesmo que abertas com terceiros como primeiros titulares. Belmiro e Amorim, por seu lado, perderam dois mil milhões. Assim mesmo.
Imagino os dois a encontrarem-se num Posto de Abastecimento da Petrolífera Nacional:
- Então pá, ó Belmiro, como vai isso ?- pergunta o Amorim enquanto abastece o Daimler.
- Eh pá, ó Américo, isto está uma beca mal, dasse. Perdi dois mil milhões, tás a ver.
- Fogo meu! Também eu ólhó caralho!-
E pronto.
Outra notícia curiosa tem a ver com a doçura com que o Exresso fala da descarada cartelização das companhias petrolíferas em Portugal. Por cima de um gráfico onde se demonstra à saciedade a coincidência no tempo e no valor das subidas e descidas dos preços da gasolina e do gasóleo das quatro principais (GALP, CEPSA, BP e REPSOL) pode ler-se "Petrolíferas com preços alinhados". Alinhados? Quanto à obrigatoriedade de afixação de um painel com os preços dos combustíveis nos postos de abastecimento nas Auto-Estradas, subsiste aquela irritante e completamente inútil placa amarela onde se lê "Brevemente indicação de preços". É de uma inutilidade absoluta, ao nível da placa informativa nas saídas das Auto-Estradas indicando "Outros destinos". A estupidez é como as ervas: cresce com a chuva.

(*) Título que o último Expresso dá a uma série de notícias que vão desde a alegada corrupção de um engenheiro da Câmara de Góis que deu por concluída uma obra de pavimentação de uma estrada que nem sequer tinha começado, ao número de chamadas do Centro Social de Castelo Branco aberto há um mês, passando pelos dois milhões de prejuízo causados pelo apagão que "atingiu Moita, Martingança e Maceira". Ah, é verdade, o número de abetardas passou de 1150 em 2001 para 1600 em 2008, 80% das quais na zona de campo Branco em Castro Verde.


sexta-feira, janeiro 23, 2009

Paradoxo ou impossibilidade técnica

É ao que se resume esta história do casamento homossexual. E isto porque um casamento pressupõe um casal o que, na definição do Priberam é:

s. m.,
pequeno povoado;
lugarejo;
granja;
herdade;
conjunto das propriedades de uma família;
conjunto de pequenas propriedades rústicas;
par composto de macho e fêmea;
marido e mulher;

Tratando-se de par composto por dois machos ou duas fêmeas será um parelhamento, na melhor das hipóteses. Que tenham os mesmos direitos no que respeita à legalização de benefício ou usufruto de heranças e que um dos membros tenha a isso pleno direito na sequência da morte do outro, tudo bem. Mas não lhe chamem casamento. Não sejam preguiçosos. A Língua Portuguesa é suficientemente rica para fornecer um termo que defina a união homossexual legalmente assistida. Quem chama orçamento suplementar a um orçamento rectificativo decerto que não encontrará dificuldades de maior em encontrá-lo.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Reparem bem

O Ministro Manuelinho aparenta uma preocupação genuína com as trafulhices de que são vítimas os consumidores portugueses nomeadamente as praticadas pelo cartel das petrolíferas na República Portuguesa. As petrolíferas estão-se pura e simplesmente a cagar para a obrigação de afixação de preços na aproximação das áreas de serviço nas auto estradas em vigor desde meados 2008. Também se estão completamente cagando para o facto de serem um cartel porque sabem que estão acima da lei. Eu também sei que o Ministro Manuelinho não se chama assim mas é assim que soa quando falam dele na TSF. A tia Manuela, por outro lado, indignada com o facto de Gonçalo Amaral ter sido escolhido para se candidatar a presidente da Câmara de Olhão e isto porque não passou tempo suficiente entre a execução de funções na polícia e a candidatura a um cargo político de forma a afastar a sombra sempre desagradável da promiscuidade, não percebeu que o lugar do líder da oposição é no Parlamento e não nos estúdios de televisão. Mas isso também não percebeu o Pacheco Pereira, que não percebe uma data de coisas como por exemplo o que escreve o Vasco Pulido Valente. E é em português. Nem quero pensar no que seria a cara do Pacheco Pereira se o Vasco desatasse a escrever as crónicas em inglês. Em tempo de mudanças e de Ano Novo, é de referir a excelente troca que o PÚBLICO fez despachando o Rui Tavares e convidando o Miguel Esteves Cardoso. Para já porque um shot diário de MEC é sempre preferível a uma caneca de xerfexa cuxida servida dia sim dia não pelo Rui Tavares. Mas o MEC, ao contrário das petrolíferas instaladas na República Portuguesa, não está acima da lei. Neste caso a da gramática. Chamar D. Policarpo ao Cardeal Patriarca é como chamar D. Ximenes ao bispo de Timor Leste ou D. Bragança ao pretendente ao trono de Portugal. MEC corre o sério risco de se transformar a pouco e pouco num José Rodrigues dos Santos ou isso.

 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!