Esta merda, um verdadeiro cagalhão antropomórfico, está em vias de ser construída no alto do Restelo. O pretexto é tratar-se de uma igreja cujo projecto foi aprovado após a análise minuciosa do projecto por diligentes funcionários da Câmara Municipal de Lisboa conferindo cérceas e lugares de estacionamento. Com o beneplácito de João Soares e Santana Lopes. Só não percebo como é que o Patriarcado embarca numa caravela destas... Troufa Real, o arquitecto autor do projecto, que se afirma católico e maçon, diz ter-se inspirado no quadro de Hieronymus Bosch "As Tentações de Santo Antão", assim como em José Saramago quando projectou aquilo. Além de chamar talibans da arquitectura aos seus detractores reclama pelo seu direito de arquitectar o que lhe apetece em liberdade. O bezerro dourado em todo o seu esplendor.
O que é verdadeiramente extraordinário e transcende de maneira incompreensível o limiar do que é racionalmente inteligível é, para além do novo anúncio do Pingo Doce e da grandessíssima merda que é o MEO, a não contratação de Villa Boas pelo Sporting.
Uma fracção do que foi arrecadado nos cofres leoninos com a transferência de Cristiano Ronaldo do Manchester United para o Real Madrid daria para pagar o que a Académica pedia pelo Billas Voas e ainda sobrava uma pipa de massa. A consequência seria o Sporting ganhar quase de mão beijadaou em bandeja, o que soa parecido, o melhor treinador europeu da próxima década. O Carvalhal não tem culpa nenhuma desta merda até porque o mais certo é ainda nem sequer ter percebido onde se foi meter.
O facto do presidente Bettencourt a falar soar cada vez mais como o Ricardo Araújo Pereira a imitar o Paulo Bento é puramente cagativo embora seja aceitável pensar que possa ter tido a ver com a escolha do Carvalhal derivado ao timing da coisa.
O Pinto Monteiro também acha cagativo aquela merda das escutas. Ele até disse que se servisse para sossegar a malta por ele até divulgava aquilo, ou coisa parecida. Enfim, o regime agradece, apodrece, fenece. O que significa que, mais tarde ou mais cedo, estamos todos fodidos. Agora vir dizer, como o Francisco José Viegas no Correio da Manhã de hoje a propósito das comemorações do centenário da república, que o século XIX em Portugal foi maioritáriamente passado em guerra civil exceptuando o constitucionalismo (período esse que, segundo ele, os republicanos execram) e ainda por cima mandar a malta estudar um pouco de história faz-me lembrar de repente o Carlos Malato a receitar filosofia para o lumbago.
E das duas uma: ou chuta para fora e assobia para o lado, ou deixa cair a bomba atómica e dissolve a Assembleia da República. Seja como for, é cada vez mais improvável que esta Legislatura chegue ao fim. A bravata de provocar eleições antecipadas a pretexto da ingovernabilidade da república, ameaça velada proferida pelos paladinos do PS há menos de uma semana, esfuma-se a cada dia que passa, a cada escuta divulgada, a cada sucateiro posto a descoberto. Com a face oculta a chegar à Câmara de Lisboa, a hipótese de António Costa suceder a Sócrates tornou-se insustentável. O regime republicano perde credibilidade a cada hora que passa. Junte-se a isto a expressão de agressividade latente que perpassa na cara das gentes que têm que ir trabalhar todos os dias para pagar os juros de dívidas que parece não terem fim, enquanto lêem nos jornais que milhões são perdoados aos alcandorados do costume e, meus amigos, temos a receita para um caldinho de bernarda como não se via há muito tempo. Vai uma aposta?
Ao contrário do que afirmam os meus biógrafos, nasci em 1111. A minha simpatia pelo Ideal Templário não foi no entanto suficiente para que na Ordem me filiasse. No entanto insistiram na aposição sobre o meu túmulo de um par de luvas de cota de malha, à boa maneira da homenagem Templária. Como resultado da maldição que acompanha cada Rei Fundador de uma Nação, tenho vindo a acompanhar o desenrolar da história destas gentes, com cujos antepassados tive o orgulho de poder contar, nas pelejas várias em que me aventurei, quer contra a moirama quer contra as desmedidas ambições de meu primo, El Castellaño. Consegui a certa altura que parte do pecúlio a cargo de Jacques de Molay viesse ter a estas paragens,por alturas do meu tetraneto Diniz O Trovador, tendo contribuído de forma decisiva para o empreendimento Descobrimentos. O nome mudou, de Ordem do Templo passou a Ordem de Cristo, mas o objectivo manteve-se. O objectivo, mantém-se. Portugal (ainda) está por cumprir.