segunda-feira, janeiro 31, 2005

O ácaro

Algo se passa.
Não é só o Expresso que dispõe da boa vontade de canideos sobredotados na produção de escrita, como eu já referi aqui.
O Público também dispõe de um valioso contributo alimário. Trata-se de um ácaro mutante e xenófobo que ora perorando sobre isto ora opinando sobre aquilo se vai enchendo e inchando dia após dia qual carraça vampirizadora, à custa da verborreia compulsiva e gráficamente expulsa de que é acometido sempre que se dispõe a imitar o que de mais nobre o homem faz: escrever.
Eis alguns excertos que extraí e cuidadosamente separei do monte de asneiras que a criatura achou por bem pendurar do seu nome no Público de hoje:

(...)Deve ter sido um daqueles brasileiros que o orientam na campanha e lhe fazem hinos de menino e guerreiro.(...)

Outra :

(..)Ou desses que põem nos cartazes coisas como "este sim, sabe quem é".(...)

Outra ainda:

Há dois ou três dias, o mesmo brasileiro, vindo directamente do Bois de Boulogne ou da floresta da Tijuca, descobriu que o grande tema que dividia a sociedade portuguesa...(...)

Encontram aqui o artigo completo no qual o ácaro xenófobo dá largas ao seu racismo viperino acompanhado de um azedume biliar de dimensão tal que faria passar por santa uma hidra dos infernos com sete dias de menstruada.


domingo, janeiro 30, 2005

Alentejo II

O fim de tarde ia acontecendo, com sol forte e sem vento, sobre as searas de trigo a perder de vista. A hora era de Alentejo em ponto. Atravessando essa paisagem, salpicada por azinheiras e sobreiros centenários, arrastavam-se devagar e silenciosos dois pastores conduzindo sem pressas o rebanho aos currais do Monte, que ficava aí a uns dois quilómetros para poente.
De olhos postos no chão, que o sol estava áspero e encadeante, um deles repara em uma ponta de charuto caída entre a erva seca, na berma do caminho. Pára, baixa-se lentamente e segura a beata de charuto com cuidado. Enquanto se endireita, com o vagar e perplexidade de quem tem todo o tempo do mundo mas acabou de fazer uma descoberta súbita, rola lentamente a beata de charuto entre o polegar e o indicador da mão direita. Diz:

- Sabes uma coisa Zé? Isto, isto é que é fumar. Olha bem p'ra isto. Igualzinho aos do Engenheiro.

Metendo a mão esquerda no bolso das calças, por debaixo dos safões encardidos, retira um velho isqueiro a gasolina com que acende a beata de charuto. Após inspirar profundamente duas longas fumaças, deixa sair o fumo devagarinho por entre os dentes descarnados pela piorreia e os beiços entreabertos. Observa por instantes o morrão aceso, as sobrancelhas arqueadas e, pensativo, diz:

- Um gajo pranta uma merda destas nas beiças e sente-se logo rico, pôceras!-
- Ah é? - respondeu o outro.
- É pois. Tás vendo além aquele olival entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva?
- Tou. Que é que tem?-
- Amanhã vou comprá-lo. Todinho.
- Porra, pá. passa-me aí essa merda e deixa-me cá experimentar também pra ver como é que é.-

O outro passa-lhe a beata de charuto e ele dá duas fumaças curtas seguidas de uma longa e bem puxada. Enquanto solta o fumo devagarinho, semicerra os olhos na direcção do olival entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva. Diz:

-É verdade Tói tu tens razão. Um gajo sente-se logo outro. Mas dizias tu...
- Disse que vou comprar aquele olival além, entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva.
-Nããã. Não me parece.
-Então porquê?
- Porque não to vendo.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Parabéns !

Ao Tugir que faz um ano hoje, já anda e já fala!

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Time Machine



Viajar no tempo é possível. Foi assim que aqui cheguei, claro. Mas isso é assunto para outro dia.
Para hoje convido-vos a viajar no tempo da blogosfera, e não só.
Lembram-se do yahoo em 1996 ? Ou do sapo em 1997 ? E do Aviz ou do Contra a Corrente em 2003 ?
Basta escrever o web site que quiserem. Eis a Máquina. Boa viagem.

À bruta

Pacheco Pereira mostra aqui que o que o move nesta sua cruzada contra o seu próprio partido é uma crise de gerações. Apenas e só.
Tem mais quatro semanas para dar cacetada. Depois acabou-se.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Brincar com o fogo

O sequestro do embaixador guineense na Rússia de Putin ameaça ficar fora de controlo.
Sabendo-se a visceral indisposição provocada em Putin e os acessos de mau génio de que é acometido quando se verificam sequestros em terras do czar, prevê-se desgraça.
Os sequestradores no entanto, habituados na infância a banhos com crocodilos e tubarões, proferiram declarações sobre as razões que os levaram a agir que ficarão na história, pela sua infantilidade e justeza. A acompanhar mais logo. Na RTP, provávelmente.

Histórias de encantar I

Era uma vez um naufrágio. A ele sobreviveram dois tipos, ambos feridos: um ficara totalmente cego e o outro ficara cego de um olho e só via pelo cantinho do outro olho.

Tendo conseguido trepar para um escaler equipado com um par de remos e um leme à popa, o que via pelo cantinho do olho decidiu que o melhor para ambos seria ir ele ao leme e o cego que remasse. E assim foi. Ao fim de uma semana porém, o cego manifestava evidentes sinais de cansaço pelo que decidiram trocar. Passou o cego para o leme e o que via pelo cantinho do olho pegou nos remos. Os tubarões escoltavam a desgraça. De vez em quando o que via pelo cantinho do olho olhava com isso para trás e ia dando orientações ao cego sentado na popa do escaler, ao leme.

“Mais para a esquerda” ou “mais para a direita” berrava o remador que isso de “bombordo” e “estibordo” era conversa de navegantes e eles não passavam de meros candidatos a 1º Ministro, sobreviventes de umas férias num cruzeiro. A certa altura, num intervalo entre duas olhadelas, o escaler embateu em qualquer coisa o que fez com que o punho de um remo saltasse da mão e acertasse precisamente no cantinho do olho são do remador cegando-o por completo. “É o fim!!” berrou o remador. O cego pensou que tinham chegado à costa, e de pronto saltou do barco berrando “Boa! Boa!”.

Os tubarões mostraram-lhe quão errado estava.

O que via pelo cantinho do olho, com aquilo tudo de remar e olhar para trás, do impacto, do remo a saltar, a acertar-lhe no cantinho do olho e a cegá-lo ficou sem perceber patavina do que se passava. Ao ouvir o cego saltar para a água gritando “Boa!” julgou que tinham chegado à costa e saltou. Segundo e derradeiro esclarecimento por parte dos tubarões.

Silêncio no oceano.

terça-feira, janeiro 25, 2005

Enter O Melenas

João Soares, antes de enlouquecer, quando percebeu que ia perder a Câmara de Lisboa organizou um comício dramático no Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa onde até Vasco Lourenço, entre outros, marcaram passo e presença. Os pais também foram. Parecia a história do saudoso Egas Moniz, mas ao contrário.
De nada lhe serviu.
Três anos depois, Sócrates e sus muchachos acharam por bem abrilhantar a pré-campanha e, conseqentemente a própria campanha das Legislativas-2005, com a presença discreta de O Melenas, mais conhecido por António Guterres.
O Melenas, que em 2002 batera em retirada em passo acelerado e de cauda recolhida na sequência de uma monumental derrota do PS nas autárquicas, regressa agora ciente da amnésia colectiva que, julga ele, ciclicamente acomete o eleitorado nativo. Enquanto Durão Barroso saiu de 1ºMinistro de Portugal para ser Presidente da Comissão Europeia, António Guterres apenas saiu. Chateou-se e foi-se embora.
Bateu com a porta. Deu de frosques. Bute. Bazou. E agora voltou como se nada tivesse acontecido, dando palmadinhas nas costas de Sócrates soltando graçolas tipo "e com maioria absoluta precisamos de 2 mandatos" seguidas de gargalhadinhas de hiena.
É extraordinário.

!!! Parabéns !!!



A Sancha faz anos hoje !!! Parabéns !!!

segunda-feira, janeiro 24, 2005

20.000.000



> take back the web <

Com vinte milhões de downloads atingidos, este browser espectáculo constitui uma séria ameaça
ao internet explorer.


Desafio aceite

Obrigado ao sapo.

sábado, janeiro 22, 2005

Quem escreve o quê


"Porque, perante o desnorte que tomou conta dos sociais-democratas, muitos votantes tradicionais do PSD poderiam ser tentados a votar no PS."

Este parágrafo, extraído da edição de o Expresso de 22 de Janeiro de 2005 e assinado pelo seu Director - Arquitecto, foi a prova real, para a equipa de investigadores da recém criada Unidade de Investigação da Comunicação e Linguagem, de que os textos publicados no Expresso e assinados pelo seu Director são, na realidade, da autoria de Giraldo, um cão rafeiro alentejano sobredotado encontrado à porta de uma tasca numa rua de Serpa.
O carácter óbvio de satisfação fisiológica de que se reveste o acto de votar tal como é manifestamente exposto no referido parágrafo (como se o acto de votar fosse, de algum modo, resultado de uma urgência orgânica de qualquer tipo) , demonstra à saciedade que o autor do mesmo só consegue associar à expressão de uma acção ou seja a um verbo, uma necessidade fisiológica básica e comezinha óbviamente relacionada com actividades básicas do tipo alimentação, dessedentação, sono, defecação ou reprodução.
A suspeita de que o Expresso dispunha da colaboração de canideos sobredotados na elaboração de alguns dos seus artigos de fundo e crónicas de opinião fora já levantada há uma semana quando um conhecido cão de água, também sobredotado e de nome Alqueva, fora considerado, à boca pequena, o verdadeiro autor do novo espaço posto à disposição de João Carlos Espada na última página do Suplemento Actual intitulado Mar Aberto.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Notícia parva III

O conhecido colunista do Público Eduardo Prado Coelho foi encontrado esta manhã sentado à porta de casa do Dr. João Salgueiro manifestando sinais de profundo desnorte.

Quando inquirido por um cívico de serviço sobre qual a razão de tal desalinho em actor tão conhecido, Prado Coelho balbuciou frases desconexas enquanto coçava com determinação os testículos com a mão esquerda. Na mão direita segurava um molho de folhas A4 reconhecendo-se perfeitamente em uma delas a sua própria fotografia.

Perante a expressão decidida da porteira tipo não quero merdas destas aqui à porta do prédio do Senhor Doutor, o cívico de serviço, apertando-lhe simultâneamente o interrogatório e o hiperactivo braço esquerdo, enquanto o conduzia à esquadra local foi-lhe arrancando a pouco e pouco uma atabalhoada explicação que abrangia dissertações ininteligíveis sobre romances franceses e putativas listas de candidatos da SEDES nas próximas eleições legislativas, das quais ele faria parte como cabeça de lista.

À hora do fecho desta edição a esquadra local encontrava-se cercada por uma unidade de comandos parquedistas sabendo-se que no seu interior os guardas de serviço se tinham entregue a cenas degradantes de choro, ranger de dentes e ensurdecedora flatulência após terem escutado uma dissertação sobre estruturalismo da parte do reputado professor.

Desafio

Seria interessante que o Serviço de Apontadores de Portugal, vulgo sapo, abrisse uma "caixa" no seu site dedicada às eleições onde se pudessem encontrar os diferentes programas eleitorais dos diferentes partidos, já que não temos círculos uninominais, bem como a constituição dos governos propostos para além das calixtas votações tipo "Acha que Sócrates deveria ter aceite o pedido de desculpas de Santana?" Fica aqui o desafio.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

O Arquitecto que se tornou Pintor



Porta de Estação - Manuel Amado

Apelo

O Presidente da Causa Real ao apelar aqui aos monárquicos para não votarem nem no PPM nem no MPT nas eleições do próximo dia 20 de Fevereiro presta um mau serviço a Portugal.

Num momento em que todas as baterias estão assestadas contra um governo que em 4 meses arrancou com medidas inadiáveis que tantos outros nem se atreveram a pensar ao longo de 30 anos, a divisão que o Sr. António Sousa Cardoso pretende criar entre os monárquicos é inadmissível mas comprensível quando vem da parte de quem tão pouco ou nada tem contribuído para a divulgação das inegáveis vantagens que um regime monárquico teria para Portugal. António Sampayo e Mello fez mais por isso num único artigo de opinião publicado no Expresso há cerca de um mês do que o Sr. Cardoso num ano como Presidente da Causa Real.

As suas conhecidas posições anti-europeístas são mais próprias de uma direita salazarista, retrógrada e bafienta que se revê apenas nos jantares anuais de conjurados ou nas missas de 5 de Fevereiro na Igreja de S. Vicente de Fora.

A monarquia que se pretende para Portugal nunca será a dos talassas arrogantes de cachucho no dedo e de autocolante na traseira do carro. A monarquia que se pretende para Portugal é a que põe os interesses do País à frente das intrigas palacianas de quem tem pouco que fazer e muito que comer.

Portugal não tem tempo a perder.

Faço-lhe aqui um apelo, Sr. Cardoso: preste um último serviço à Causa que diz defender. Demita-se.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Reformas precisam-se

Qualquer reforma da administração pública deveria contemplar uma saudável purga de funcionários públicos.
Há funcionários públicos a mais.
Estão em todo o lado. São candidatos aos concursos de TV, sempre que há um inquérito de rua aparecem logo dezassete, estão sempre à nossa frente nas bichas para os balcões dos bancos, nas farmácias e nos supermercados. Têm sempre opinião sobre tudo e mais umas botas e são incompetentes.
Acima de tudo são incompetentes. E porquê ? Pergunto eu.
Porque, respondo eu, são muitos e ganham pouco. Há sempre uns 2 ou 3 livres em cada serviço ou secção para "ir à bica" nas horas de expediente.
Além disso enchem os transportes públicos disseminando odores infestantes e fragrâncias de vómito que vão da bufa traiçoeira ao desodorizante para cão passando por nuances várias, de sovacos assestados nas narinas do conterrâneo mais próximo. O suplício de suportar funcionários públicos a caminho do serviço agudiza-se a partir de meio da semana. A meio da semana o pivete adensa-se na razão directa da intensidade com que se telemovem uns aos outros contando as mais inconcebíveis parvoíces sendo que todas começam por "É assim..."
Um verdadeiro inferno.
Chegando o fim de semana o pesadelo toma formas e proporções rodoviárias. Atafulham as avenidas, ruas e rotundas com o carro que só usam ao fim de semana saindo e entrando do perímetro urbano como rendeiras de bilros no cio. E isto se não se envolvem em
acidentes dos quais 96% são resultado da sua inépcia ao volante e total desconhecimento do código da estrada e da prática da condução.
Os outros 4% são intencionais.
Com tão grandes reservas de ouro, Portugal bem poderia pôr algum de parte para negociar reformas antecipadas com a maioria dos funcionários públicos.
Os restantes , reduzidos ao mínimo essencial, aí uns 15% do número actual, seriam principescamente bem pagos, o que os tornaria à prova de corrupção bem como extremamente dedicados no seu trabalho do dia a dia. É que se não fossem eficientes e competentes, ao nível do que a mais antiga Nação da Europa tem o direito de exigir, seriam sumariamente postos no olho da rua.

terça-feira, janeiro 18, 2005

A República no seu melhor

O Eng. José Sócrates que , enquanto Ministro do Ambiente do Governo de António Guterres desanexou do Parque Natural da Arrábida, por despacho, as pedreiras que esventram as encostas da Serra, é candidato a 1º Ministro da República.

O Eng. José Sócrates que, enquanto ministro de António Guterres, doou para sede da DECO um imóvel público no valor de um milhão de Euros, é candidato a 1º Ministro da República.


segunda-feira, janeiro 17, 2005

!SPAM!

O estrondo surdo do choque tecnológico.
Uma nova abordagem em comunicação.
Um encontrão com o eleitor.
Uma sugestão de Jorge Coelho ?
Hadem ver que sim.

domingo, janeiro 16, 2005

Curiosidade

O destaque que vinha sendo dado a Absolut Sócrates na 1ª página de várias edições do Expresso deixou de acontecer com esta edição. Exactamente após Sócrates ter declarado que iria propor um referendo sobre a despenalização do aborto antes mesmo do referendo sobre a constituição europeia.

Ora toda a gente sabe.
A posição .
Que o Arquitecto, Director do Expresso tem.
Sobre este assunto.
E como a manifesta.
Assim.
Aos socalcos.

Mas deve ser só coincidência, claro.

 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!