Porque o treinador da equipa que hoje se sagrou campeã de Inglaterra é competente, é português e foi considerado, na época 2004/2005, o melhor treinador de futebol do mundo.
Chama-se José Mourinho.
Parabéns.
sábado, abril 30, 2005
Autárquicas, Europeias e Presidenciais
A coisa começa a aquecer.
Isaltino exalta-se.
Contra tudo e contra todos vai-se candidatar à Câmara Municipal de Oeiras numa jogada de homem só, de pistoleiro solitário. Há sempre fases na vida em que nos sentimos um bocadinho Clint Eastwood: duros, inflexíveis, com olhos de aço chispando ódio. Esta é a jogada da vida de Isaltino. O tudo ou nada. Ou ganha e é uma chatice, porque não está à espera disso. Ou perde e se reforma definitivamente da vida política activa, abrindo em sociedade com Alberto João Jardim um Lar para ex-líderes compulsivos do PSD.
Em Lisboa, capital do Império, a coisa também não está famosa para o candidato do PS.
Carrilho, o filósofo, disserta sobre o pontilhismo das reformas da vereação actual, mas não tem alternativas. Promete surpresas. As surpresas são a nova moeda de troca eleitoral. Vai lá vai.
Confrontado com o erro crasso escarrapachado nos seus cartazes eleitorais, em que a vista de
Lisboa que aparece é simétrica da realidade, desculpa-se dizendo que fica melhor assim porque "(...)fica mais bonita: (...) não se vêm as gruas das obras (...)" disse ele. Imagine-se! Um filósofo metido em obras, a cagar a roupa toda de pó.
Quanto ao referendo sobre a Constituição Europeia, talvez estivesse na hora de se começar a debater a coisa, não? Ou não vale a pena porque se mais de 70% dos espanhóis votaram a favor nós, para chatear, vamos chegar aos 80%?
Relativamente às presidenciais, o PS continua sem candidato. Sim, porque se puserem o Manuel Alegre a avançar contra Cavaco Silva é porque querem uma co-habitação pacífica com o PSD para os próximos anos; S. Bento e Belém entendem-se sem PS nem PSD, certo?
Não sei porquê, ainda tenho esperança que Freitas do Amaral, um dos meus biógrafos, se chegue à frente.Veremos.
Isaltino exalta-se.
Contra tudo e contra todos vai-se candidatar à Câmara Municipal de Oeiras numa jogada de homem só, de pistoleiro solitário. Há sempre fases na vida em que nos sentimos um bocadinho Clint Eastwood: duros, inflexíveis, com olhos de aço chispando ódio. Esta é a jogada da vida de Isaltino. O tudo ou nada. Ou ganha e é uma chatice, porque não está à espera disso. Ou perde e se reforma definitivamente da vida política activa, abrindo em sociedade com Alberto João Jardim um Lar para ex-líderes compulsivos do PSD.
Em Lisboa, capital do Império, a coisa também não está famosa para o candidato do PS.
Carrilho, o filósofo, disserta sobre o pontilhismo das reformas da vereação actual, mas não tem alternativas. Promete surpresas. As surpresas são a nova moeda de troca eleitoral. Vai lá vai.
Confrontado com o erro crasso escarrapachado nos seus cartazes eleitorais, em que a vista de
Lisboa que aparece é simétrica da realidade, desculpa-se dizendo que fica melhor assim porque "(...)fica mais bonita: (...) não se vêm as gruas das obras (...)" disse ele. Imagine-se! Um filósofo metido em obras, a cagar a roupa toda de pó.
Quanto ao referendo sobre a Constituição Europeia, talvez estivesse na hora de se começar a debater a coisa, não? Ou não vale a pena porque se mais de 70% dos espanhóis votaram a favor nós, para chatear, vamos chegar aos 80%?
Relativamente às presidenciais, o PS continua sem candidato. Sim, porque se puserem o Manuel Alegre a avançar contra Cavaco Silva é porque querem uma co-habitação pacífica com o PSD para os próximos anos; S. Bento e Belém entendem-se sem PS nem PSD, certo?
Não sei porquê, ainda tenho esperança que Freitas do Amaral, um dos meus biógrafos, se chegue à frente.Veremos.
sexta-feira, abril 29, 2005
Data histórica

Hoje, dia 29 de Abril de 2005, pelas 14:59:22, o número de downloads do Firefox atingirá o record de 50.000.000 (cinquenta milhões...!), segundo previsões aqui feitas.
Digo que é uma data histórica, para bloggers e internautas do planeta, porque é mais um dia em que a hegemonia monopolista do chato do internet explorer sofrerá um abalo tremendo, quiçá decisivo, graças ao empenho que muitos tiveram na divulgação do Firefox como browser alternativo.
De download gratuito, mais seguro e em open source, ou seja, beneficiando da contribuição permanente de milhares de voluntários em todo o mundo que, nos seus computadores, vão desenvolvendo soluções abrangendo temas, extensões, plugins e resolução de bugs, para o benefício da comunidade planetária, o Firefox afirmar-se-á no decurso deste ano de 2005, como o browser preferido por particulares e empresas em todo o mundo.
Quem já o instalou e experimentou a sua velocidade de acesso, a simplicidade com que se abrem "pastas" para navegar na net, a personalização de dezenas de configurações, etc., sabe a quantos anos luz este se encontra face ao chato, lento e pouco seguro internet explorer.
Além do mais, a sua instalação não implica que nos desfaçamos do internet explorer. Pelo contrário: além de podermos importar para o Firefox a nossa lista de favoritos do internet explorer, ambos os browsers coabitam no mesmo computador podendo o utilizador escolher utilizar qualquer um deles em qualquer altura.
O verdadeiro espírito da NET. Em contagem crescente.
quinta-feira, abril 28, 2005
terça-feira, abril 26, 2005
26 de Abril de 2005
"Certamente a comunidade internacional, nomeadamente as Nações Unidas, a CPLP e a CEDEAO, ainda não percebeu que as autoridades do país não têm o poder e a força necessária por forma a implementar por si só a indispensável e urgente reforma das forças armadas tribalizadas e constituídas por gente que apenas aprendeu a matar como o único meio de conseguir a sua promoção e ocupar os lugares de suas vítimas, ex-camaradas, e depois vem descaradamente impor a amnistia para os crimes praticados a sangue frio.(...)"
Extracto de um texto, a meia página, da autoria de Fernando Ka, dirigente da Associação Guineense de Solidariedade Nacional, publicado na página 11 do Público de hoje, 26 de Abril de 2005.
segunda-feira, abril 25, 2005
domingo, abril 24, 2005
sexta-feira, abril 22, 2005
O fascismo continua
31 anos após o 25 de Abril de 1974, o regime em vigor em Portugal é o de uma república corporativa com inegáveis contornos fascistas. Desde o espancamento até à morte de detidos em esquadras da PSP, passando pela prisão de mulheres que se sujeitam ao sofrimento do aborto, até à prisão preventiva por tempo indeterminado, muitas das vezes em resultado de denúncias anónimas, o panorama é esclarecedor. Então, no próximo dia 25, os meus amigos e amigas vão comemorar o quê?
A república fascista e corporativa em que se tornou Portugal, com os seus representantes lutando desesperadamente pela manutenção de tratamento privilegiado, como se subitamente tivessem sido alcandorados à categoria de barões e viscondes com feudos próprios, delambendo-se gulosamente e usufruindo de probendas e sinecuras, privilégios e excepções que consideram como direitos adquiridos, está empenhada em destruir Portugal não só económicamente como físicamente, através da delapidação permanente e impune de um património florestal e hídrico em muitos casos irrecuperável, em nome da santificação do betão e da beatificação da criação suinicola.
A impunidade dos interesses corporativos, directamente transitados do Estado Novo, essa II República de eunucos, faz frente de forma descarada a qualquer tipo de reforma que ameace minimamente os seus interesses. Desde a impunidade total de que beneficiam os corpos clinico e administrativo dos hospitais civis, à arrogância dos magistrados que vendem barata uma guerra contra o governo se a redução das férias judiciais for uma realidade, passando pelo desplante com que o representante do sector de restauração ameaçou publicamente cobrar idas aos sanitários e copos de água aos frequentadores de cafés e restaurantes se os proprietários dos mesmos fossem "obrigados" a passar facturas, até às ameaças de perigo levantadas pelos representantes dos farmacêuticos face à posibilidade de venda de medicamentos sem receita médica em espaços que não sejam farmácias, o fascismo corporativo está entranhado até ao tutano dos ossos carcomidos desta III República em que se tornou Portugal.
Uma lei do arrendamento arcaica e desactualizada que defende os interesses de bancos e companhias de seguros, obrigando os jovens que se encontram à procura da 1ª habitação a endividarem-se até aos 60 ou 70 anos pagando uma renda a um banco por uma casa que não é sua, fez com que a procura de habitação encontrase resposta na construção desenfreada na periferia dos grandes centros urbanos, destruindo para sempre os concelhos periféricos da grande Lisboa e grande Porto, impossibilitando um planeamento urbano racional e cuidado com enfoque na qualidade de vida e na sustentabilidade ambiental.
O fascismo republicano não caiu, continua. Não desapareceu; reproduziu-se, alastrou e encasquetou-se na cornamenta do homem da rua, do português comum, fanático e clubista, que enquanto se considera do Benfica jamais vestirá uma peça de roupa de cor verde, enquanto se diz de direita jamais dirá que um dia teve um poster do Guevara e que enquanto se afirma de esquerda jamais dirá que foi baptizado ou que fez a 1ª Comunhão.
O fascismo republicano continua a sua propaganda nas escolas, na educação dos nossos filhos e netos, fazendo com que se sintam envergonhados do seu povo e dos seus antepassados. Gloriosos e inimitáveis empreendimentos como o dos Descobrimentos foram timidamente comemorados, tanto em 1998, como em 2000.
É este regime republicano, fascista e corporativo, responsável pelo estado actual em que se encontra Portugal, que oferece e mantém lugar cativo no seu Conselho de Estado a criaturas do calibre de Alberto João Jardim, que vai ser celebrado neste país quando o povo sair à rua, comemorando, no próximo dia 25 de Abril de 2005.
A república fascista e corporativa em que se tornou Portugal, com os seus representantes lutando desesperadamente pela manutenção de tratamento privilegiado, como se subitamente tivessem sido alcandorados à categoria de barões e viscondes com feudos próprios, delambendo-se gulosamente e usufruindo de probendas e sinecuras, privilégios e excepções que consideram como direitos adquiridos, está empenhada em destruir Portugal não só económicamente como físicamente, através da delapidação permanente e impune de um património florestal e hídrico em muitos casos irrecuperável, em nome da santificação do betão e da beatificação da criação suinicola.
A impunidade dos interesses corporativos, directamente transitados do Estado Novo, essa II República de eunucos, faz frente de forma descarada a qualquer tipo de reforma que ameace minimamente os seus interesses. Desde a impunidade total de que beneficiam os corpos clinico e administrativo dos hospitais civis, à arrogância dos magistrados que vendem barata uma guerra contra o governo se a redução das férias judiciais for uma realidade, passando pelo desplante com que o representante do sector de restauração ameaçou publicamente cobrar idas aos sanitários e copos de água aos frequentadores de cafés e restaurantes se os proprietários dos mesmos fossem "obrigados" a passar facturas, até às ameaças de perigo levantadas pelos representantes dos farmacêuticos face à posibilidade de venda de medicamentos sem receita médica em espaços que não sejam farmácias, o fascismo corporativo está entranhado até ao tutano dos ossos carcomidos desta III República em que se tornou Portugal.
Uma lei do arrendamento arcaica e desactualizada que defende os interesses de bancos e companhias de seguros, obrigando os jovens que se encontram à procura da 1ª habitação a endividarem-se até aos 60 ou 70 anos pagando uma renda a um banco por uma casa que não é sua, fez com que a procura de habitação encontrase resposta na construção desenfreada na periferia dos grandes centros urbanos, destruindo para sempre os concelhos periféricos da grande Lisboa e grande Porto, impossibilitando um planeamento urbano racional e cuidado com enfoque na qualidade de vida e na sustentabilidade ambiental.
O fascismo republicano não caiu, continua. Não desapareceu; reproduziu-se, alastrou e encasquetou-se na cornamenta do homem da rua, do português comum, fanático e clubista, que enquanto se considera do Benfica jamais vestirá uma peça de roupa de cor verde, enquanto se diz de direita jamais dirá que um dia teve um poster do Guevara e que enquanto se afirma de esquerda jamais dirá que foi baptizado ou que fez a 1ª Comunhão.
O fascismo republicano continua a sua propaganda nas escolas, na educação dos nossos filhos e netos, fazendo com que se sintam envergonhados do seu povo e dos seus antepassados. Gloriosos e inimitáveis empreendimentos como o dos Descobrimentos foram timidamente comemorados, tanto em 1998, como em 2000.
É este regime republicano, fascista e corporativo, responsável pelo estado actual em que se encontra Portugal, que oferece e mantém lugar cativo no seu Conselho de Estado a criaturas do calibre de Alberto João Jardim, que vai ser celebrado neste país quando o povo sair à rua, comemorando, no próximo dia 25 de Abril de 2005.
No fim da semana
Maria Filomena Mónica prova no Público de hoje que a divisão entre sim e não à descriminalização do aborto não é tão redutora como a esquerda pretende que seja. Afirmar que quem é pelo sim à descriminalização é de Esquerda e que quem é contra é de Direita mostra uma grave ignorância da realidade portuguesa.
Da mesma forma que quem pensa que pelo PS ter tido a maioria absoluta a esquerda está em maioria no Parlamento. A realidade é que se o governo de José Sócrates conseguir pôr em prática dois terços das reformas que prometeu, ficará na História como o governo mais à direita que houve em Portugal desde o 25 de Abril. Por muito paradoxal que pareça.
Da mesma forma que quem pensa que pelo PS ter tido a maioria absoluta a esquerda está em maioria no Parlamento. A realidade é que se o governo de José Sócrates conseguir pôr em prática dois terços das reformas que prometeu, ficará na História como o governo mais à direita que houve em Portugal desde o 25 de Abril. Por muito paradoxal que pareça.
"Teoria geral da mine"
Uma excelente dissertação sobre a mine, inventada cá no Reino, esse estado intermédio da cerveja entre imperial ou fino (conforme se está abaixo ou acima de Aveiro) e engarrafada (33cl ).
A ler aqui.
A ler aqui.
quarta-feira, abril 20, 2005
A lista de Malaquias
Segundo o Público de hoje, antes de se saber o resultado do conclave, um site já divulgara o nome do novo Papa.
Arcebispo de Armagh, Irlanda, por volta de 1139, S. Malaquias O'Morgair fez uma lista com os nomes de 112 futuros Papas.
O facto de a lista conter só 112 Papas e os Papas Nº 109 e Nº110 corresponderem a João Paulo I e a João Paulo II fez com que crescesse a curiosidade sobre ela.
O artigo completo, da autoria de Ronald L. Conte Jr., encontra-se aqui disponível.
Arcebispo de Armagh, Irlanda, por volta de 1139, S. Malaquias O'Morgair fez uma lista com os nomes de 112 futuros Papas.
O facto de a lista conter só 112 Papas e os Papas Nº 109 e Nº110 corresponderem a João Paulo I e a João Paulo II fez com que crescesse a curiosidade sobre ela.
O artigo completo, da autoria de Ronald L. Conte Jr., encontra-se aqui disponível.
terça-feira, abril 19, 2005
Histórias de encantar III
Eu tenho um irmão três anos mais velho que, quando éramos putos, era um traquinas do caralho. Um capricho da natureza fizera com que toda a brutidade e falta de inteligência da família se tivesse concentrado numa só geração e numa só pessoa, o meu irmão Jaime, em vez de se ter diluído ao longo de vários membros em várias gerações. Fartava-se de fazer asneiras, o cabrão. Misturava o leite com o café na cozinha, enfiava peúgas na cabeça do gato, distribuia com esmero e dedicação bilhetinhos obscenos nas caixas de correio do prédio, atirava cubos de gelo ao cão da porteira deixando-o a ladrar furiosamente o que iniciava de pronto uma caldeirada de caralhadas e impropérios por parte da mesma, acompanhados pelo voo picado das botas do marido que era bombeiro. Eu sei lá.
Um dia foram lá jantar a casa uns tios. É claro que durante o jantar o Jaime (é assim que se chama o meu irmão) fartou-se de fazer merda; interrompia as conversas, fazia perguntas parvas, tossia altíssimo, dava peidos inacreditáveis, mexia nas pernas da criada e, sempre que podia e ninguém via, pontapeava-me nas canelas e nos joelhos. A certa altura, enquanto acontecia a segunda volta do rosbife com batata palha e esparregado, a tia, inspirada pela alucinante sucessão de asneiras que testemunhara durante o jantar, sugeriu aos meus pais que o Jaime passasse a frequentar a catequese.
- Fazia-lhe lindamente.- insistia ela perante a incredulidade da minha mãe e a indiferença do meu pai.
O Jaime, que julgava que a catequese era uma espécie de recreio santificado em que se entrava para se poder massacrar mais alguém para além da família e dos colegas da escola, seguia a conversa com a atenção de um cão sentado em frente de alguém a comer pão com manteiga.
Quando as visitas se foram embora, a decisão estava tomada. O Jaime iria para a catequese.
Eu iria com ele, para prevenir males dobrados.
Quando chegámos ao sítio da catequese, que era numa sala pequena numa dependência da Basílica da Estrela, o Jaime escolheu de imediato um lugar na primeira fila de cadeiras, abrindo caminho à pisadela e ao encontrão. Eu acabei por ficar lá atrás.
Estávamos todos sentados, quando entra o senhor Padre.
Subindo a um estrado que ficava à nossa frente, atira com uma pasta enorme para cima da mesa e lança um olhar fulminantemente periférico, cuja intensidade jamais esquecerei, àquela plateia de putos sentados e cheios de sono.
De súbito, adivinhando no meu irmão Jaime a candura de um novato, fita-o nos olhos e atira-lhe berrando:
- Onde está Deus?-
Fez-se um silêncio escuro, frio e profundo.
- Onde está Deus ?- insistiu o senhor Padre, sem desfitar o meu irmão.
Quando cheguei a casa, a minha mãe perguntou-me:
- O teu irmão ? Não veio contigo?-
- Não.- respondi.- Ele saiu primeiro.
Depois de virarmos a casa do avesso encontrámos o Jaime no quarto, dentro do armário.
- Que é que estás aí a fazer?- berrou o meu pai furioso por ter tido que largar o cigarro, o jornal a televisão e o camandro para aderir ao pequeno grupo de caçadores de broncos.
- É que... É que... - balbuciava o cabrão, trémulo e lacrimejante.
O meu pai segurou-o por um braço e arrastou-o para fora.
- É que o quê? Hein ? Responde imediatamente. Ouviste?
- É que Deus desapareceu e o senhor Padre pensa que fui eu.
Um dia foram lá jantar a casa uns tios. É claro que durante o jantar o Jaime (é assim que se chama o meu irmão) fartou-se de fazer merda; interrompia as conversas, fazia perguntas parvas, tossia altíssimo, dava peidos inacreditáveis, mexia nas pernas da criada e, sempre que podia e ninguém via, pontapeava-me nas canelas e nos joelhos. A certa altura, enquanto acontecia a segunda volta do rosbife com batata palha e esparregado, a tia, inspirada pela alucinante sucessão de asneiras que testemunhara durante o jantar, sugeriu aos meus pais que o Jaime passasse a frequentar a catequese.
- Fazia-lhe lindamente.- insistia ela perante a incredulidade da minha mãe e a indiferença do meu pai.
O Jaime, que julgava que a catequese era uma espécie de recreio santificado em que se entrava para se poder massacrar mais alguém para além da família e dos colegas da escola, seguia a conversa com a atenção de um cão sentado em frente de alguém a comer pão com manteiga.
Quando as visitas se foram embora, a decisão estava tomada. O Jaime iria para a catequese.
Eu iria com ele, para prevenir males dobrados.
Quando chegámos ao sítio da catequese, que era numa sala pequena numa dependência da Basílica da Estrela, o Jaime escolheu de imediato um lugar na primeira fila de cadeiras, abrindo caminho à pisadela e ao encontrão. Eu acabei por ficar lá atrás.
Estávamos todos sentados, quando entra o senhor Padre.
Subindo a um estrado que ficava à nossa frente, atira com uma pasta enorme para cima da mesa e lança um olhar fulminantemente periférico, cuja intensidade jamais esquecerei, àquela plateia de putos sentados e cheios de sono.
De súbito, adivinhando no meu irmão Jaime a candura de um novato, fita-o nos olhos e atira-lhe berrando:
- Onde está Deus?-
Fez-se um silêncio escuro, frio e profundo.
- Onde está Deus ?- insistiu o senhor Padre, sem desfitar o meu irmão.
Quando cheguei a casa, a minha mãe perguntou-me:
- O teu irmão ? Não veio contigo?-
- Não.- respondi.- Ele saiu primeiro.
Depois de virarmos a casa do avesso encontrámos o Jaime no quarto, dentro do armário.
- Que é que estás aí a fazer?- berrou o meu pai furioso por ter tido que largar o cigarro, o jornal a televisão e o camandro para aderir ao pequeno grupo de caçadores de broncos.
- É que... É que... - balbuciava o cabrão, trémulo e lacrimejante.
O meu pai segurou-o por um braço e arrastou-o para fora.
- É que o quê? Hein ? Responde imediatamente. Ouviste?
- É que Deus desapareceu e o senhor Padre pensa que fui eu.
segunda-feira, abril 18, 2005
Pesadelo
Alberto João Jardim tem um pesadelo recorrente que é assim:
Todas as noites, no quase quase adormecer, ouve ao longe os ecos de uma melodia : "...a plaina corre ligeira, sharia sharia shariaôôô, tornando lisa a madeira..."
Todas as noites, no quase quase adormecer, ouve ao longe os ecos de uma melodia : "...a plaina corre ligeira, sharia sharia shariaôôô, tornando lisa a madeira..."
Conclave
Em 1268, na sequência da morte de Clemente IV, reunem-se em Viterbo 18 cardeais, 11 italianos e 7 franceses, para elegerem o próximo Papa.
Dois anos decorridos sem que a escolha tivesse sido feita enfureceram a população de Viterbo que achou por bem fechar à chave (con clavis) os ditos cardeais numa igreja até que a eleição se efectuasse.
Para apressar a decisão dos cardeais a população de Viterbo acabou por destelhar a igreja onde se encontravam, expondo-os às inclemencias do tempo.
Acabou por ser eleito o que ficaria para a História como Gregório X.
Em 1274, no Concílio de Lyon, o conclave (acto de fechar à chave cardeais com o objectivo de elegerem entre eles um Papa) passou a ter força de lei, sendo obrigatório.
Até hoje.
Dois anos decorridos sem que a escolha tivesse sido feita enfureceram a população de Viterbo que achou por bem fechar à chave (con clavis) os ditos cardeais numa igreja até que a eleição se efectuasse.
Para apressar a decisão dos cardeais a população de Viterbo acabou por destelhar a igreja onde se encontravam, expondo-os às inclemencias do tempo.
Acabou por ser eleito o que ficaria para a História como Gregório X.
Em 1274, no Concílio de Lyon, o conclave (acto de fechar à chave cardeais com o objectivo de elegerem entre eles um Papa) passou a ter força de lei, sendo obrigatório.
Até hoje.
domingo, abril 17, 2005
A república e o poder III
Comparar o Alberto João Jardim e os seus tiques de presidente sul americano com um suposto Rei Alberto I, como faz Bernardo Motta no Afixe, mostra o quão profunda, devastadora e alastrante pode ser a desvitalização neuronial provocada por décadas de propaganda republicana.
A república e o poder II
Os permanentemente tolerados insultos do presidente da região “autónoma” da Ilha da Madeira aos representantes da república (que, para o bem ou para o mal, é o regime que vigora em Portugal) e o seu lugar cativo no Conselho de Estado revelam uma esquizofrenia intolerável de uma parte e uma passividade bovina da outra.
A república e o poder I
Em 2005, sec. XXI, 31 anos decorridos sobre o pronunciamento militar de 25 de Abril de 1974, a III República reconhece não saber quanto tempo deverão ter os cargos políticos executivos.
8 anos, 10 anos ou 12 anos? De quanto tempo deverão e poderão dispôr os presidentes das autarquias para poderem "executar os seus projectos", como eufemizava Marques Mendes.
Durante 31 anos, o regime republicano português contradisse-se, criando condições para a existência de mandatos vitalicios, ad aeternum,concedidos aos governadores regionais e aos presidentes de Câmara, quando ao próprio Chefe de Estado só é permitida a execução de dois mandatos consecutivos de cinco anos cada um.
Durante os últimos 31 anos, o regime republicano foi clamorosamente incoerente com os princípios que defende.
8 anos, 10 anos ou 12 anos? De quanto tempo deverão e poderão dispôr os presidentes das autarquias para poderem "executar os seus projectos", como eufemizava Marques Mendes.
Durante 31 anos, o regime republicano português contradisse-se, criando condições para a existência de mandatos vitalicios, ad aeternum,concedidos aos governadores regionais e aos presidentes de Câmara, quando ao próprio Chefe de Estado só é permitida a execução de dois mandatos consecutivos de cinco anos cada um.
Durante os últimos 31 anos, o regime republicano foi clamorosamente incoerente com os princípios que defende.
quinta-feira, abril 14, 2005
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