quarta-feira, junho 08, 2005

Contra factos não há argumentos.

Há um post no Nova Floresta que, além de excelente, deita por terra um dos maiores argumentos dos defensores do regime republicano, nomeadamente o da "mais que certa onerosa sumptuosidade de uma família real" argumento preferido por alguns dos Afonsos Costas de bolso que por cá vêm parasitando o reino. A ler aqui.

segunda-feira, junho 06, 2005

Viva a República...

Os termos em que o Presidente do Governo Regional da Madeira se referiu aos seus críticos, as palavras utilizadas e a postura arrogante mais uma vez adoptada são corolários inevitáveis de uma carreira política baseada no insulto, no recurso sistemático à provocação, que sabe incólume, e que, com assento permanente no Conselho de Estado, diz bem que tipo de regime é este que permite que entre os membros do seu Conselho de Estado se encontrem espécimes deste calibre. Qual ébrio acometido de irresistíveis impulsos urinários, a criatura asperge onde calha, para cima, para baixo e para os lados, feito rafeiro incontinente em frenética marcação territorial.
Ah, carago. Houvesse Rei nesta terra e esse carroceiro era corrido à bofetada.

sexta-feira, junho 03, 2005

A caminho de Olivença

O Dragão, incontornável figura da B.L.U.S.A., (blogosfera lusa) através de mais uma flamejante invectiva escrita, exorta as hostes de forma eloquente, dramática e decisiva, sobre a melhor estratégia para a recuperação de Olivença, essa terra de (...) olivenses (ou olivenceses, ou olivedosos, ou lá o que são)(...). Mesmo que os ditos cujos se arremelguem de espanto, desconforto e negação, e (... nos presentearem com umas lúgubres trombas cravejadas de olhos de carneiro mal morto absolutamente remelosos...). Afinal, (...) Depois do polícia global americano, esse bandalho inoxidável, chegou a hora do GNR global português, esse enigma biodegradável.(...). Cá por mim, só pararei Poitiers, carago!
Atente-se no entanto no seguinte: independentemente do sucesso ou insucesso de semelhante missão reconheça-se, e de uma vez por todas, que o Dragoscópio é do melhor que orbita a blogosfera cá do Reino.

quarta-feira, junho 01, 2005

Referendo

Aos franceses seguem-se os holandeses: mais um Não à vista.
Por cá, a pouco e pouco, a inteligentsia do Reino vai-se sentindo atraída pelo Não, essa aposta em coisa nenhuma, opção niilista, redutora e terminal. Mas se n Nãos ganharem, o que está feito continua feito; o Tratado de Nice manter-se-á em vigor, as decisões que afectarão cada membro da União continuarão a ser tomadas. Só que tudo isso mais lentamente. Com a velocidade a que a China e a Índia se preparam para tomar de assalto a economia mundial, essa lentidão de reflexos, que se prevê europeia, não augura nada de bom; nunca há nada de bom do lado do Dr. Louçã e do lado do Sr. Le Pen. Ainda por cima quando ambos estão do mesmo lado. Só mais uma coisa: acreditem que a China jamais estará disposta a continuar a pagar tão caro o petróleo de que necessita para cilindrar económicamente o Ocidente. Mal acabem os Olímpicos de 2008, barriquem-se.

Post Scriptum: A verdadeira razão do Não francês e Holandês é esta: Ma$$a. Os gajos já deram para o peditório dos pobres do Sul, e não querem continuar a dar para o peditório dos pobres do Leste. O resto é retórica.

segunda-feira, maio 30, 2005

Segunda, a seguir ao almoço

.......
Provérbio Capadócio:

"Os franceses às vezes têm medo dos chineses"


Provável tradução Google:

"Les françois aux fois ont peur des chinois"


........................................................*****

A propósito de rimas parvas e outras coisas, lembrei-me de uma história passada com o cretino do meu irmão Jaime, quando andávamos na 3ª classe. Eu com oito anos, ele com onze.
A certa altura a professora de Língua Portuguesa sugeriu que a aula inventasse uma rima; cada um deveria pensar numa rima, escrevê-la no caderno de rascunho e passá-la a limpo com caneta de tinta permanente para o caderno de Língua Portuguesa. Vinte minutos depois a professora de Língua Portuguesa pedia ao Abel, que era sempre o primeiro a responder a tudo dado que o nome dele começava por Ab, tipo matrícula de carro dos anos 30, que lesse em voz alta a rima que escrevera. E o Abel leu:
- O passarinho dorme no ninho.-
- Muito bem, Abel.- condescendeu a professora sorrindo. - Agora tu.- disse, apontando com uma unha encarnada para o Carlos, à minha direita.
- O gato está no sapato.- leu devagar o Carlos enquanto corava e se levantava.
- Bravo!- soltou a professora de Língua Portuguesa. - Agora tu, Jaime.
A aula inteira, éramos sete, voltou-se em simultâneo para o fundo da sala. O Jaime levantou-se e ouviu-se:
- O canguru tem pêlos no cú.- Silêncio. Um silêncio breve e ensurdecedor atafulhou a sala enquanto 13 olhos se cravavam na professora. O Carlos usava óculos e tinha uma daquelas merdas côr de pele a tapar uma lente por dentro para endireitar a vista.
- Jaime! Francamente! Vais lá para fora escrever uma rima. Uma não, duas. Duas rimas como deve de ser e voltas aqui antes de acabar a aula. E ai de ti que voltes a entrar sem teres feito o que te mandei.- O meu irmão reuniu os cadernos e o estojo, levantou-se, saiu da sala devagar e fechou a porta devagarinho.
Minutos depois batia à porta e entrava com ar triunfante. Eu já sabia que aquela expressão desvairada na cara dele só podia significar uma coisa.
- Já acabaste ? - inquiriu a Professora com surpresa.
- Já. Posso ler?- respondeu o Jaime. A professora anuiu e o meu irmão leu:
- O canguru tem pêlos na bochecha, porque no cú a Professora não deixa.

Segunda de manhã

O Não ganhou em França. O que significa isso? Significa que os franceses estão com medo.
Quando se prefere coisa nenhuma a qualquer coisa que seja é porque se está com muito, muito medo. E o medo é mau conselheiro. Qualquer país que tenha assinado o Tratado de adesão deu um passo decisivo numa caminhada que não se compadece com desistências e que cobra caro atrasos.
Seguir-se-á o Não da Holanda, com medo da Turquia europeia e da imigração. E Portugal? terá medo de quê? Cutileiro tinha razão: Há demasiados soldados desconhecidos nesta Europa que se pretende Federada. Cá para mim tenho que, ao ver Le Pens e Louçãs de braços dados a apelarem ao Não é razão suficiente para eu votar Sim.

..................................................* * * * *

O Vitória de Setúbal ganhou a Taça de Portugal frente a um Benfica desorientado, cansado, desmotivado e ressacado. Nem o empurrãozinho do árbitro ao assinalar um penalty inexistente conseguiu demover o empenho sadino. E o silêncio e calma que esta vitória verde e branca trouxe às nossas casas, ruas e avenidas: nem um piu, nem uma buzinadela, nem nada.


..................................................* * * * *

O comboio inter-cidades entre Lisboa e Évora paga-se mas não existe; faz escala em Casa Branca, perto de Vimieiro, de onde se tem que mudar para uma Automotora de 1950 que demora 30m a fazer os 27 km que faltam até Évora. Tremo só de pensar no TGV.

domingo, maio 29, 2005

quinta-feira, maio 26, 2005

Hipocrisias

A milícia laica e republicana, com os seus tiques inquisitoriais e persecutórios, empenhada até aos sovacos em militantes iniciativas que contemplam a remoção de crucifixos das paredes das salas de aula das escolas públicas, espreguiça-se obesa, disforme e diletante, entupindo estradas e sujando praias, usufruindo mais um dia feriado nacional: o dia do Corpo de Deus.

Outros sítios

Ele há Sítios do Sim e Sítios do Não.
Recém criado, há também o Sítio do Foda-se.

6,83 % ?

Não sei porquê mas aquele "3" do "83" faz-me uma espécie do camandro. Tresanda a rigor mais que suspeito. Lembra-me os preços marcados pelos proprietários de estabelecimentos de comércio tradicional, vulgo mercearias, que afinfam uns modestos "8,99/Kg" ou uns tímidos "3,98/Kg" escritos a lápis em papel manteiga com caligrafia tipo Vivenda das Andorinhas e que sorrindo, de lápis aparado entalado na orelha, esfregam as mãos uma na outra, envolvendo a mão esquerda com a direita e a mão direita com a esquerda, numa sucessão espasmódica de estertores de varejeira, enquanto tecem babosos cumprimentos de circunstância à clientela que por lá perpassa.
Se o relatório apresentado pela inefável Comissão Constâncio apresenta uma estimativa que não contempla os orçamentos das autarquias é porque não está bem feito, está incompleto, é falso e, por isso, cagativo. Rasgue-se pois e lixo com ele. O tiquezinho ridículo do empreiteiro aldrabão, que consiste em aproximar uma estimativa às centésimas para esconder os chorudos ganhos que prevê nos chamados trabalhos-a-mais, adoptado pela República Portuguesa é sintomático. O que esconde na manga hoje, será exposto, mostrado e oferecido mais tarde, embrulhado como promessa eleitoral em Outubro. É a falcatrua alcandorada a rigor orçamental, o elogio do pechisbeque, a sentença de morte em verso.

sábado, maio 21, 2005

O homem das campainhas

No passado dia 19 de Maio foi encontrado no centro histórico de Oeiras, completamente encharcado e manifestando evidentes sinais de desorientação, um homem vestindo um fato aos quadrados e ostentando uma gravata côr de laranja, relativamente baixo, gordo, com cabelo, bigode e pêra grisalhos, aparentando notáveis semelhanças com Isaltino de Morais. Chamada a PSP, o referido indivíduo foi de pronto transportado e recolhido por um centro de caridade local.
Mantendo um silêncio absoluto, incapaz de responder à sucessão de perguntas que lhe eram feitas, foi-se encolhendo, encolhendo e encolhendo à medida que o interrogavam, abanavam e pressionavam.
A certa altura, um talhante do bairro que assistira a tudo, berrava a pés juntos que o indivíduo era nem mais nem menos que um dos totalistas do Euromilhões, desaparecido havia uns meses atrás. Mas o comandante dos Bombeiros locais de pronto o reduziu ao silêncio bramando um ensurdecedor "Cale-se! Não diga disparates". Alguém então sugeriu que lhe dessem um papel e um lápis.

Desenho elaborado pelo homem encontrado a deambular pelo centro histórico de Oeiras.
Tendo-lhe sido fornecidos papel e uma caneta ballpoint, de pronto o homem desenhou, de forma assaz elaborada, um conjunto de campainhas de porta.
Perante este resultado inesperado o indivíduo foi conduzido e largado na praça do centro histórico de Paço de Arcos onde permaneceu durante largas horas, tocando alternadamente nas campainhas dos diferentes prédios, encetando graciosas e ligeiras corridinhas de prédio em prédio sempre que a sucessão dos acordes conseguidos a isso o obrigava, provocando o assomo à janela dos diversos habitantes da pequena praça os quais, por falta de ramos de flores, lhe atiravam com tudo o que tinham à mão, desde bibelots a maços de revistas e algum calçado, tudo acompanhado dos mais rasgados elogios.

sexta-feira, maio 20, 2005

Futurologia

Na próxima 4ª feira, o 1º Ministro irá anunciar a subida de alguns impostos e a extinção de algumas SCUT. Como é véspera de fim de semana prolongado, a "malta" ligará pouco ao assunto encontrando-se como está, a caminho das miniférias e em busca do primeiro bronze.

quarta-feira, maio 18, 2005

Internerds

À procura de uma biografia de Raúl Lino encontrei esta página. Em inglês, claro.

No final da mesma este texto:

There are more than 45,000 articles in The Grove Dictionary of Art. To access the rest of this article, including the bibliography, subscribe to www.groveart.com. To find out more about this subject, click on a related article below and subscribe to www.groveart.com

Cliquei na opção Traduzir esta página e saiu isto:

Há mais de 45.000 artigos no dicionário do bosque da arte . Alcançar o descanso deste artigo, including a bibliografia, subscreve a www.groveart.com . Para encontrar para fora mais sobre este assunto, estale sobre um artigo relacionado abaixo e subscreva a www.groveart.com

Hilariante? Só à estalada.

Claude Lelouch

A recente candidatura de José Sá Fernandes à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa veio agitar as águas estagnadas onde se acoitam, deslizam e caçam os saúrios da esquerda hipócrita, missionária e inquisitorial provocando, inclusive, tropismos de sanguessuga na esquerda caviar.
A chiadeira, exposição oral ou escrita de sentimentos de indignação face à menor possibilidade de perturbar o sono narcoléptico e anestesiante a que os referidos répteis porfiadamente se entregam, já começou.
Do outro lado da barricada, a direita de chinela e alguidar, beta e baeta, que partilha com a esquerda missionária e inquisitorial uma atracção endémica e visceral pela estagnação, a inacção mascarada de arraial festivo, o conluio de interesses e a prostituição descarada do património natural, histórico e construído deste país antigo de séculos, acoita-se e aposta na vitória por exclusão de partes.
Que se lixem.
Les uns et les autres.

terça-feira, maio 17, 2005

Por Decreto

No passado dia 15 de Maio foi oficialmente inaugurada a época de incêndios.
Só para chatear, caiu um nevão na Serra da Estrela.
Apesar de toda a gente envolvida no processo de prevenção e combate aos incêndios reconhecer que o investimento na prevenção foi inexistente, alardeiam-se como se de benesses se tratassem, os milhões gastos a juzante na compra, aluguer e sub-aluguer de equipamento vário a ser utilizado na extinção de fogos. Para justificar isso só é preciso que os fogos aconteçam.
Mais uma vez a República despreza o património natural herdado, mais uma vez atira areia na cara dos seus cidadãos, mais um vez demonstra a incompetência total do regime da coisa-pública que, sendo de todos, não é de ninguém.
Não é preciso inventar a roda: aqui ao lado, na Andaluzia, uma área florestal idêntica à de Portugal continental vem sendo cuidada e protegida há mais de dez anos, com um custo mínimo e resultados garantidos.
É em casos como este, excelcíssimos senhores do poder, extremosos senadores da República, caríssimos deputados mentecaptos, cretinos e idiotas, que vale a pena olhar para o lado.

quarta-feira, maio 11, 2005

Histórias de encantar IV

Já a viver no Brasil há um bom par de anos, o meu tio Henrique e a mulher foram convidados para o casamento do filho de um importante cliente. O meu tio Henrique, mulherengo incorrigível e incompetente profissional, herdara uma pequena fábrica no Brasil e para lá se deslocara com o objectivo de endireitar a vida, estragando-a o menos possível. Dirigir uma pequena fábrica de componentes industriais, em perfeito funcionamento, com um rendimento mensal certo e razoável, dirigida por uma administração competente e de confiança foi o melhor que lhe poderia ter acontecido em toda a puta da sua vida.
O local onde se realizaria o casamento era uma fazenda grande e muito antiga, na família do noivo havia várias gerações, bem no interior do pantanal. A viagem seria longa e por isso iam preparados para lá pernoitarem. A sogra do meu tio Henrique também ia.
A certa altura da viagem, a minha tia e a mãe dela ressonavam profunda e alternadamente, dando a impressão que o carro se transformara num barco, subindo e descendo imensos vagalhões invisíveis à medida que o ronco delas se intensificava e alternava. Com os movimentos que fizera enquanto dormia, a sogra do meu tio Henrique descalçara um sapato que, com outros movimentos seguintes mas ainda a dormir, fora empurrando para debaixo do banco do meu tio Henrique. A certa altura, o meu tio Henrique sentiu que o seu pé tocara em qualquer coisa. Enfiando a mão por debaixo do banco sentiu, e adivinhou de imediato, os contornos e textura inconfundíveis de um sapato feminino de cetim e salto alto. Aquilo só poderia ter sido esquecimento de uma das últimas parceiras de regabofe e fodilhanço a quem ele dera boleia.
Da última vez quase tinha sido descoberto quando a mulher, ao baixar a pala para se ver ao espelho, levara nas trombas com um par de cuecas de renda pretas.
- Aquele cabrão-, vociferara de imediato o meu tio Henrique arrancando as cuecas da cara da mulher e aventando-as pela janela fora.
- Aquele mecânico de um cabrão, é a terceira vez que arruma ali a puta da camurça dos vidros. Filho da puta.
- A camurça dos vidros ? - , repetira a mulher tentando recompôr-se do cagaço que aquela cegueira súbita seguida de impropérios e corrente de ar lhe provocara.
- Sim, filha. A camurça que eles usam para limpar os vidros do carro por dentro. É diferente das que usam do lado de fora.-
- Ahh..Suspirou sossegada a mulher. - Se calhar devias mudar de mecânico.-
Mas agora era diferente. Nenhum mecânico, por muito paneleiro que fosse, usaria sapatos de cetim e salto alto. Certificando-se que a mulher dormia profundamente, olhou no retrovisor e confirmou que a sogra também dormia. Muito devagar abriu o vidro e, acto contínuo, arremessou fora o dito sapato.
Suspirando de alívio, fechou o vidro até meio, recostou-se no banco, acendeu um cigarro e, confiante, sorriu. Estava safo.
Chegados ao local do casamento assistiu, impávido e sereno, à maior descompostura que alguma vez presenciara a mulher dar em alguém, na pessoa da sua própria sogra.

terça-feira, maio 10, 2005

Parecenças

Parece que na 1ª página do Público de Domingo vinha garantido que a estratégia de Sá Fernandes para se candidatar a Presidente da Câmara Municipal de Lisboa se vinha desenrolando há largos meses, em conluio com o Bloco de Esquerda.
Parece até que, segundo o mesmo número do Público, Sá Fernandes e Francisco Louçã eram amigos de infância.
No Público de hoje, Sá Fernandes desmente tudo. O Público só reconhece ter-se enganado naquela história sobre a amizade de infância.
Parece que a sonae, a que pertence o Público, está interessada em tirar do caminho do candidato côr de rosa, o filósofo marido de Bárbara Guimarães, todo e qualquer resquício de sombra ou concorrência.
Da mesma forma que, há meses atrás, se interessou em convencer os leitores do Público de que Cavaco Silva estaria a favor de uma maioria do PS.
Parece que Belmiro pensa que Portugal é parvo.

Venham eles!



A rugir até à vitória final!
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!