quarta-feira, julho 20, 2005

Never say never



Diogo Freitas do Amaral assume-se como putativo candidato às eleições presidenciais de 2006.
Referindo-se a Cavaco Silva sublinha que há um prolongado silêncio destinado a criar as condições, não para uma eleição democrática e pluralista, mas para um plebiscito unanimista. Afirma ainda que seria pouco habitual se deixasse o governo para se candidatar às presidenciais, mas não seria estranho.
Ora, considerando-se extremamente pouco habitual que o fundador de um partido democrata cristão viesse algum dia a ser membro de um governo socialista, é legítimo que se considere abundantemente estranho que, após uma entrevista destas, a sua candidatura a presidente da república não se torne realidade.
Em entrevista ao DN de hoje.

- Never say never.- said the bishop to the actress.
- But you just said it! Twice! - she replied.

terça-feira, julho 19, 2005

E vão cinco

Nunca percebi a equivalência entre six feet under e sete palmos de terra.
Talvez por isso nunca tenha sido fã da série que acabou ontem.
Nos episódios que fui vendo, não pude deixar de reparar numa coisa : é que não se aproveitava ninguém.
...............................................******....................................................................
A reforma da lei do arrendamento é uma treta. Alguém imagina ser possível que a renda de um T2 comprado há cinco anos por trinta mil contos e avaliado pelas Finanças em quinze mil contos seja de cinquenta contos por mês? Pois...habituem-se.

...............................................******....................................................................
O Presidente da república julga que se se unir aos restantes portugueses, todos juntos conseguirão fazer coisas belas por Portugal. Por favor, não o acordem.

...............................................******...........

Eduardo Prado Coelho é o 17º na lista de Carrilho à CML.
Não tem hipótese.

...............................................******...........

Autofagia republicana militante - Processo opinativo de cariz verborreico / incontinente dirigido a próprio ou ao seu semelhante. Exemplo: A recente troca de galhardetes entre VPV e António Barreto a propósito das elites.



segunda-feira, julho 18, 2005

O Príncipe Perfeito



«Foi el-rei D.João homem de corpo, mais grande que pequeno, mui bem feito e em todos os seus membros mui proporcionado; teve o rosto mais comprido que redondo e de barba em boa conveniência povoado. Teve os cabelos da cabeça castanhos e corredios e porém em idade de trinta e sete anos na cabeça e na barba era já mui cão, de que se mostrava receber grande contentamento pela muita autoridade que à sua dignidade real suas cãs acrescentavam; e os olhos de perfeita vista e às vezes mostrava nos brancos deles umas veias e mágoas de sangue, com que nas coisas de sanha, quando era dela tocado, lhe faziam aspecto mui temeroso. E porém nas coisas de honra, prazer e gasalhado, mui alegre e de mui real e excelente graça; o nariz teve um pouco comprido e derrubado. Era em tudo mui alvo, salvo no rosto, que era corado em boa maneira. E até idade de trinta anos foi mui enxuto das carnes e depois foi nelas mais revolto. Foi príncipe de maravilhoso engenho e subida agudeza e mui místico para todas as coisas; e a confiança grande que disso tinha muitas vezes lhe fazia confiar mais de seu saber e creu conselhos de outrem menos do que devia. Foi de mui viva e esperta memória e teve o juízo claro e profundo; e porém suas sentenças e falas que inventava e dizia tinham sempre na invenção mais de verdade, agudeza e autoridade que de doçura nem elegância nas palavras, cuja pronunciação foi vagarosa, entoada algum tanto pelos narizes, que lhe tirava alguma graça. Foi rei de mui alto, esforçado e sofrido coração, que lhe fazia suspirar por grandes e estranhas empresas, pelo qual, conquanto seu corpo pessoalmente em seus reinos andasse para as bem reger como fazia, porém seu espírito sempre andava fora deles, com desejo de os acrescentar. Foi príncipe mui justo e mui amigo de justiça e nas execuções dela mais rigoroso e severo que piedoso, porque, sem alguma excepção de pessoas de baixa e alta condições, foi dela mui inteiro executor, cuja vara e leis nunca tirou de sua própria seda, para assentar nela sua vontade nem apetites, porque as leis que a seus vassalos condenavam nunca quis que a si mesmo absolvessem.»

(Da Crónica de D.João II, de Rui de Pina)

sexta-feira, julho 15, 2005

Um milhão

De Euros pede há dois anos João Pinto de Sousa pelo conjunto de oito mil registos de fado desde 1904 até à 2ª Guerra Mundial. Quase meio século de história desconhecida do Fado.
Senão o espólio será vendido ao estrangeiro.
Isto em vésperas de o Fado se tornar património mundial.

Assunto abordado por
Pedro Bidarra no Público de hoje. Página 9.

quarta-feira, julho 13, 2005

Portugal a arder visto do espaço



Imagem recolhida aqui.

Redacção - As minhas férias

O cão era pequeno e malhado, mais ao menos entre o Jack Russel de Jim Carrey em The Mask e o Flag do Umberto D. do Vitorio De Sica.
Nos dias de chuva a neura, o tédio, o fartanço e a parvoeira apossavam-se, insinuantes, de cada um dos habitantes da casa. O cão aproveitava para dormitar perto da grande janela de sacada da sala.
Se por acaso alguém passasse lá fora, um gato miasse, uma folha de jornal de há três dias fosse espalmada pelo vento contra o vidro, acto contínuo o cão desatava a ladrar começando, invariávelmente, por se levantar e esticar as quatro patas com toda a força, olhar para o tecto e para aí dirigir uma sucessão de latidos ensurdecedores até que alguém lhe atirasse um calado! acompanhado de um pontapé ou cachação.
O meu irmão Jaime não perdia a oportunidade para, nessas alturas, acrescentar um pouco mais de educação ao cão socorrendo-se para o efeito de um banco de cozinha e de um pequeno galho de figueira que, como todos os galhos de figueira, não era aproveitado para queimar na lareira. Como quem punha a mesa para o almoço todos os dias, Jaime transportava o banco para junto do animal e poisava-o no chão. De seguida acocorava-se ao pé do cão e enquanto lhe dizia "Tu-és-um-cão-muito-feio" preenchia os intervalos entre as palavras com pequenas mas irritantes traulitadas executadas com o galho de figueira na cabeça do canídeo o qual, escusado será dizer, suportava a coisa com pouca ou nenhuma paciência. Geralmente começava por dar a sua opinião sobre o que estava a suceder a seguir à terceira ou quarta traulitada expondo, numa brancura cintilante e silenciosa, as protuberâncias ósseas com que a natureza se encarregara de lhe ornamentar as fauces.
A passagem ao segundo andamento era subtil e consistia em acompanhar as traulitadas que recebia com rosnadelas a meio gás que, ritmicamente, se acentuavam no momento preciso em que a traulitada era executada.
À medida que o repertório do meu irmão se ia extinguindo, a improvisação tomava o lugar do bom senso, sugestões e conselhos arrastavam-se, alongando-se e decompondo-se silabicamente em frases absurdas que para ninguém faziam sentido muito menos para o cão que, de olhos vítreos, encetara o terceiro andamento iniciando uma série de sinistras roncadelas aspiradas, como quem diz "tás quase, meu cabrão, tás quase". Era então que algo de muito mais estranho acontecia. O cão, que até então olhara o banco de cozinha de solslaio, passou a encará-lo como uma ameaça silenciosa, incompreensível mas real. O arrastar daquele banco de cozinha iniciando esta cena miserável e fazendo parte integrante do espaço cénico onde se desenrolava a acção tinha que ter algum sentido, alguma intenção. Para o cão era óbvio que se tratava de mais um instrumento de agressão e tortura, fruto pérfido do sadismo do meu irmão Jaime. Para nós, que assistiamos vagamente ao que se passava, era só uma questão de tempo até vermos que, inevitávelmente, Jaime se sentaria lá em em cima. Nesse momento, enquanto ele dissertava sobre as contrariedades quotidianas e a importância, ou não, da resignação proferindo frases como "es-ta-mos-to-dos-far-tos-des-ta-chu-va" traulitando a cabeça do cão com suavidade, toda a atenção do cão se encontrava concentada no banco. Quando o nível decibélico a que chegavam as rosnadelas, então soluçadamente aspiradas e expelidas com uma frequência de sprint final, se tornava definitivamente ameaçador para além de qualquer parcela de dúvida, Jaime virava-se de súbito para o banco de cozinha, balouçava-o repetida e rápidamente, numa tosca imitação do que poderia ser um galope Calvinesco, berrando em simutâneo um formidável kiai. O cão, acto contínuo, apoteose final e encerramento, desatava a correr pela sala, alucinação tridimensional completa, com as orelhas esticadas para trás, o rabo entre as pernas a lingua pendente de lado, curvando em slide em volta da mesa grande, pulverizando as garras das patas na tijoleira do chão enquanto recebia aplausos carinhosos e suaves cachações no lombo por parte da assistência.
Era sempre a seguir a este ritual que a chuva parava e o sol aparecia.

segunda-feira, julho 11, 2005

sábado, julho 09, 2005

Contra factos não há argumentos.

(...) A área total ardida naquela região espanhola (50.617 hectares - Andaluzia) durante todo este período (1995-2003) chega a ser inferior àquela que se perdeu em Portugal em menos de 24h de alguns dos dias de Agosto do ano passado. (2003) (...)

(...) Ou então que seja o luso fadário o responsável pelos fogos terem varrido, desde 1995, uma área equivalente a 15 por cento do território português, enquanto na Andaluzia essa cifra não atingiu sequer os 0,6 por cento.(...)

(...) Em 1991, perante um balanço final “catastrófico”, a Junta da Andaluzia decidiu acabar com a dispersão de competência e o amadorismo da gestão florestal.(...)

(...) naquele ano arderam na Andaluzia somente 65 mil hectares - ou seja, cerca de um terço daquilo que foi dizimado, nesse período, no nosso país. (...)

(...) medidas drásticas. A primeira foi centralizar toda a gestão florestal – desde a prevenção até ao combate, passando pela vigilância – para uma única e nova entidade : a Consejería do Medio Ambiente, a entidade homóloga do Ministério do Ambiente português. (...)

(Em Portugal) (...)Depois de, no ano passado (2003) terem ardido 480 mil hectares, à dispersão nacional que já existia, juntou-se ainda a criação da Agência de Prevenção dos Incêndios Florestais, as Comissões Municipais de Defesa da Floresta contra Incêndios e o Conselho Nacional e Comissões Regionais das Áreas Ardidas.(...)

(...)“Ter poucos focos de incêndio e que sejam atacados rapidamente, de modo a que os fogachos não se transformem em grandes fogos. Para isso apostamos numa boa gestão preventiva, numa vigilância apertada e numa intervenção rápida nos primeiros minutos, com meios adequados”(...)

(...) Enquanto em Portugal são os autotanques e a água que são os meios de combate – por vezes demorando mais de meia hora a chegar ao local-, na Andaluzia são as moto-serras, as enxadas, os machados e outros utensílios, que diríamos agrícolas, os instrumentos mais usados na primeira fase de combate pelas brigadas de extinção.(...)

(...) O equipamento de protecção é um “detalhe” minuciosamente controlado: cada membro da brigada tem de estar vestido com roupa protectora, óculos e máscara com filtro especial anti-partículas, não esquecendo água para beber e um pequeno kit de primeiros socorros.(...)

(...) Na Andaluzia não há espaço para voluntarismos nem desvarios. “Os bombeiros portugueses são loucos”, diz Carlos Rey, quando lhe pedimos opinião sobre o facto de em Portugal ser habitual os nossos “heróis” irem para a frente de combate sem máscaras nem equipamewnto térmico, por vezes de manga curta. (...)

(...) nos casos mais bicudos ou em focos de incêndio de difícil acesso, o Plano Infoca conta com quatro brigadas de reforço de elite – as BRICA -, cada uma constituída por 11 elementos escolhidos de entre os melhores especialistas em extinção. Estes elementos têm profundos conhecimentos em tácticas de cartografia, sobrevivência, estratégia e combate – como, por exmplo, a colocação de “bombas de extinção” e de execução de contrafogos além de uma forte preparação física. (...)

(...) Para isso, os treinos são diários e acompanhados por um preparador físico. (...)

(...) No meio desta azáfama, há também tempo para a descontracção, mas sem bebidas alcoólicas à mistura nem ausências para o café mais próximo. (...)

(...) Observando uma simulação das técnicas de combate destes homens – durante os dias em que a GR esteve na Andaluzia não houve incêndios, apesar de alguns períodos de intenso calor -, facilmente se constata que por mais heróicos que sejam os nossos bombeiros, eles estão a “anos-luz” da eficácia e preparação técnica e física dos “bombeiros” andaluzes. (...)

(...) no Plano Infoca não se querem actos heróicos, por isso, e só em situações excepcionais se chegam às 14 horas ininterruptas de combate, (...)

(...) tudo isto só é possível porque o sistema é profissional, bem organizado e relativamente bem pago para os padrões nacionais. O salário mais baixo – por exemplo, de um vigilante – ronda os 800 euros por mês,

(...) remuneração de um elemento de brigada BRICA ascende aos 1200 euros e a dos outros “bombeiros” pouco menos (...)

(...) a Junta da Andaluzia está preocupada com a “ovelha negra” da sua floresta: o eucalipto. “As importações da América do Sul tiraram a rentabilidade económica dos eucaliptais que estão a ser abandonados e que estão a transformar-se num autêntico barril de pólvora” (...)

(...) as intervenções em caso de incêndio são parcialmente pagas pelos proprietários afectados, independentemente da causa e início dos incêndios. Por exemplo, num incêndio maior do que mil hectares, essa taxa – que será paga de modo proporcional pelos proprietários, o que implica um cadastro actualizado, aspecto que em Portugal não existe – pode atingir um máximo de 12 mil euros. Mesmo que seja apenas um fogacho, o proprietário terá de arcar com uma factura de 120 euros.(...)

Contra factos não há argumentos. Só a estupidez, a teimosia e a aldrabice.

Ler o artigo completo aqui.

Despedida



O Dragão andou em obras, a remodelar o estabelecimento.
Prepara-se para hibernar. Vão dizer-lhe até já.

sexta-feira, julho 08, 2005

Perto do fim

Li uma vez, num sítio qualquer, que, dias antes do 11 de Setembro de 2001, Ossama Bin Laden dera ordem de venda de todas as acções que possuía em companhias de seguros. Dias depois do massacre voltou a comprar o que vendera. A manobra ter-lhe-á rendido perto de sessenta milhões de dólares.
O destino desses milhões de dólares terá sido o recrutamento de pessoas e meios e o financiamento de mais actos terroristas.
Com os recursos petrolíferos do planeta perto do fim, mesmo que o actual preço do barril, em permanente e imparável subida, seja um argumento de peso para que se opte por processos de extracção que, com o barril a 25 dólares não compensariam, e com a procura a atingir níveis inconcebíveis há dois anos atrás, a luta pelo controle da produção acentuar-se-á de forma violenta. Prevê-se que, perto de 2015, o preço do barril atinja os 380 dólares.
O objectivo dos terroristas islâmicos é o dinheiro. Seja ele obtido pelo controle da produção do petróleo nos países árabes, ou pelo controle da produção de papoila de ópio no Afeganistão.
Quanto mais alto estiver o preço do petróleo, mais motivados estarão para a prossecução das suas acções vingativas e de terror. Os países em vias de desenvolvimento, com o crescimento dos PIB na ordem dos 10% ao ano, como a China e a Índia, dificilmente estarão na disposição de pagar cada vez mais caro por aquilo que não produzem: petróleo; e que tão caro e indispensável é ao seu desenvolvimento. Daí à tentação de "anexar" países produtores, vizinhos de preferência, vai um pequeno passo. A recente eleição no Irão do ultraconservador
Mahmud Ma Ahmadinejad, partidário do não aumento de produção de barris de petróleo por parte do Irão, não augura nada de bom a um mundo viciado no ouro negro que, em vez de o injectar nas veias, extrai-o, processa-o e consome-o sem cessar, sem se preocupar com a extinção dos stocks.
Pela primeira vez na história da humanidade, começando na era industrial, os habitantes deste planeta dedicam-se, com a intensidade de famintos mamíferos recém nascidos, a consumir desenfreadamente os recursos naturais do planeta mãe, útero cósmico, que os pariu.
O capital inicial, seja ele a pesca, a água potável, a fertilidade do solo, as florestas, os recursos petrolíferos, etc., é consumido com uma voracidade larvar como se Deus, a uma dada altura do processo evolutivo, dissesse: "Matai-vos e comei-vos uns aos outros."
Pela primeira vez na história da humanidade, o anti-capitalismo antropófago globalizou-se, espalhando a sua sanha vingativa pelos quatro cantos do mundo, empenhando a humanidade na delapidação, consumo e esbanjamento dos recursos naturais de um planeta criado há milhões de anos para lhe servir de repasto, de carcaça.
É estafar e deitar fora.
Com a geração "tásse" à beira do poder, provida de polegares hiperdesenvolvidos, inteligência atrofiada e memória inexistente, será em poucos anos que se servirá a caldeirada final, com molho de cogumelos e polvilhada com enxofre.


terça-feira, julho 05, 2005

A barrela metrossexual


"A candidatura [de Manuel Maria Carrilho] tem mais nível, tem mais classe, tem mais elegância e, sobretudo, dá garantias de poder defender essa mais valia sem preço que se chama inteligência!"

Assim falou o maestro da bengala, sogro de Henry Miller.
No Público de hoje.

Ensinança de virar o bico ao prego, em toda a tábua.

"(...) O PS tem consideráveis problemas para as autárquicas: O Porto parece perdido, uma vez que não se conseguiu encontrar um candidato à altura: Francisco Assis é um homem inteligente , mas sem o menor carisma. (...) Coimbra nem se fala. E em Lisboa tem havido alguns erros estratégicos dispensáveis.(...)

Assim escrevia Eduardo Prado Coelho.
No Público de hoje.

A Inveja é como a República : pequenina, mentirosa e incompetente.



"Criada no reinado de D. João V, após a construção do Convento, como um parque para lazer do monarca e da corte, a Tapada Nacional de Mafra constitui hoje um património natural de características únicas. Numa área de mais de oitocentos hectares, veados, gamos, javalis, raposas, aves de rapina e muitas outras espécies coexistem num cenário de flora invulgarmente rica e diversificada. Local de eleição dos soberanos de Portugal para o lazer e para a caça, a Tapada de Mafra ganhou por isso um cunho próprio de nobreza que ainda hoje é preservado e continuado."

segunda-feira, julho 04, 2005

Monárquicos côr de rosinha...

Terá o Partido Popular Monárquico sofrido uma hostile takeover tendo sido adquirido por um punhado de republicanos com refinado sentido do ridículo? Receio bem que sim.
A seguir à candidatura de Elsa Raposo à Câmara Municipal de Cascais quem se seguirá em Lisboa e Sintra? José Cid e João Braga?

domingo, julho 03, 2005

Esfodaçanso cósmico

Perpetrado por uma sonda terrestre contra o núcleo de um cometa.
A seguir aqui.

sexta-feira, julho 01, 2005

The times, they are a changin'

Em Espanha, a partir de ontem, instituiu-se o casamento entre homossexuais.
Passou a ser possível, legal e portanto recomendável, a adopção de crianças por "casais" homossexuais.
Para todos os homossexuais?
Não.
Os padres homossexuais, esses, continuam condenados ao celibato.

terça-feira, junho 28, 2005

Divagações III

Quase a perfazer 894 anos, há alturas em que, de facto, não me consigo aturar nem a mim nem a esta terra mai-las sua gentes, caralho.
Para onde quer que me vire, só vejo asneiras, bestas, aldrabões e emproados. Também há gajas boas, prados verdes alguns bosques e alguma caça. Coisa pouca, é certo. Mas ainda assim lá vão sobrevivendo. Há que dizê-lo. Mas não chega.
Lembro-me de caçar coelhos à paulada no bosquedo de Sintra, já junto à várzea, tantos que eles eram. Agora os coelhos são "animais de estimação". Há quem os apaparique e com eles conviva entre dois golos de cerveja e um cigarro enquanto na televisão um anormal qualquer vende carros aos peidos. E os cabrões a semearem esferas de composto pelo cómodos da habitação. É a laparagem em vias de alcançar o patamar evolutivo de canídeos e felinos, é o que é.
Mas apesar de tudo, o mais extraordinário é a metamorfose por que atravessam certos e determinados mamíferos desta terra quando abrem a porta da frente do lado esquerdo das suas viaturas e se passam lá para dentro fechando a porta em seguida. Assim que o fazem, das duas uma: ou se convencem que ficam invisíveis, ou se persuadem em definitivo que entraram numa latrina, entregando-se às mais variadas actividades que o senso comum impede de fazer em público.
Enquanto os machos desta espécie de mamíferos automobilizados se dedica à prospecção geológica das suas próprias fossas nasais, com uma dedicação, intensidade e virtuosismo tais que acabam por conseguir extrair pedaços dos próprios cérebros que depois fitam com uma curiosidade infantil, as fêmeas optam pela make up, exibindo toda uma variada gama de expressões e esticanços da derme facial enquanto finalizam os acabamentos: rimmel, bâton, base, pó-de-arroz, etc, etc, etc., que, em última análise e como o próprio nome indica, tem como objectivo fazer subir algo.
Mas é com as referidas viaturas em movimento que se operam as transformações mais extraordinárias. O pálido, pacífico, anónimo, incompetente e excedentário funcionário público assume posturas de patrão impiedoso, esbracejando e gesticulando com o frenesim próprio de um primata em marcação de território. O facies distorcido por um incomensurável ódio furibundo espelha uma guerra total, de vida ou de morte, entre ele próprio e o resto do mundo, que se resume a literalmente tudo o que se encontra no exterior da caixa de lata em que se desloca. Relva e pássaros incluídos. O volante, por exemplo, deixa de servir para a execução de manobras de mudança de direcção para se tornar num misto de balcão de bar onde apoia as patas roliças e papudas e um par de rédeas com as quais opera de surpresa súbitas guinadas ora para a esquerda ora para a direita, qual Messala alucinado quadrigando-se contra uma chusma de Ben-Hurs no Coliseu de Roma.
Os pequenos farolins de cor amarelada ou laranja, os chamados pisca-pisca que, quando utilizados com calma e oportunidade, emitem uma luz intermitente com o objectivo de comunicar o sentido de uma mudança de direcção que se avizinha, são coisa de paneleiros: " Um gajo vira quando quer, olha o caralho, e quer que se foda".
A Sancha é da opinião que os besuntas automobilizados o que querem é poupar os piscas para os usarem nas árvores de Natal. Talvez.
Conheço um tipo que um dia, num cruzamento qualquer em Lisboa e prestes a ser cilindrado por um besunta destes, estacou o carro, saiu e dirigiu-se em passos rápidos à guarita do alarve que o ia abalroando. Num tom ríspido e autoritário que não admitia contestação berrou: " A carta!" . O besunta, persuadido de que se encontrava perante uma autoridade, de pronto lha apresentou. O tipo abriu a carta (nesse tempo era um desdobrável em cartolina cor de rosa), confirmou que a fotografia era a do assassino que quase o rebentara, voltou a fechá-la e rasgou-a em quatro devolvendo-a em seguida. Diz ele que jamais se esqueceu da expressão do outro, imóvel no cruzamento enquanto ele arrancava rindo à gargalhada.

segunda-feira, junho 20, 2005

Meteoropirologia

É uma nova forma de meteorologia que inclui a previsão de incêndios no território de Portugal ao classificar determinadas zonas como de "risco máximo", "alto risco" e "em risco".
Este serviço, pasme-se, é fornecido pelo Instituto Nacional de Meteorologia.
Como a canícula ou os nevões, os incêndios passaram a ser um fenómeno meteorológico natural previsível e sazonal.



quarta-feira, junho 15, 2005

Perante a crescente onda de contestação às reformas embrionárias deste governo, Sócrates manobra à esquerda decretando hoje, o dia do funeral de Álvaro Cunhal, dia de luto nacional.
Coincidência ou não, eis que se calam as cortesãs ofendidas aquando do último dia de luto nacional: o dia do funeral da Irmã Lúcia.

.............................................................****

Sai de cena quem não é de cena, diz mecânicamente sorrindo António Guterres quando questionado sobre a sua saída de líder da Internacional Socialista. Provávelmente a frase que ele mais ouviu na última campanha eleitoral em Portugal.

.............................................................****

Boato 1 : Por exclusão de partes à esquerda, Mário Soares vai-se candidatar a Presidente da República.

Boato 2 : Por reflexo, Freitas do Amaral candidata-se também.

Boato 3 : Por fastio, Mário Soares desiste da sua candidatura a Belém.

Boato 4 : Por arrastão, Nino Vieira aparece na corrida.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!