sábado, julho 09, 2005

Contra factos não há argumentos.

(...) A área total ardida naquela região espanhola (50.617 hectares - Andaluzia) durante todo este período (1995-2003) chega a ser inferior àquela que se perdeu em Portugal em menos de 24h de alguns dos dias de Agosto do ano passado. (2003) (...)

(...) Ou então que seja o luso fadário o responsável pelos fogos terem varrido, desde 1995, uma área equivalente a 15 por cento do território português, enquanto na Andaluzia essa cifra não atingiu sequer os 0,6 por cento.(...)

(...) Em 1991, perante um balanço final “catastrófico”, a Junta da Andaluzia decidiu acabar com a dispersão de competência e o amadorismo da gestão florestal.(...)

(...) naquele ano arderam na Andaluzia somente 65 mil hectares - ou seja, cerca de um terço daquilo que foi dizimado, nesse período, no nosso país. (...)

(...) medidas drásticas. A primeira foi centralizar toda a gestão florestal – desde a prevenção até ao combate, passando pela vigilância – para uma única e nova entidade : a Consejería do Medio Ambiente, a entidade homóloga do Ministério do Ambiente português. (...)

(Em Portugal) (...)Depois de, no ano passado (2003) terem ardido 480 mil hectares, à dispersão nacional que já existia, juntou-se ainda a criação da Agência de Prevenção dos Incêndios Florestais, as Comissões Municipais de Defesa da Floresta contra Incêndios e o Conselho Nacional e Comissões Regionais das Áreas Ardidas.(...)

(...)“Ter poucos focos de incêndio e que sejam atacados rapidamente, de modo a que os fogachos não se transformem em grandes fogos. Para isso apostamos numa boa gestão preventiva, numa vigilância apertada e numa intervenção rápida nos primeiros minutos, com meios adequados”(...)

(...) Enquanto em Portugal são os autotanques e a água que são os meios de combate – por vezes demorando mais de meia hora a chegar ao local-, na Andaluzia são as moto-serras, as enxadas, os machados e outros utensílios, que diríamos agrícolas, os instrumentos mais usados na primeira fase de combate pelas brigadas de extinção.(...)

(...) O equipamento de protecção é um “detalhe” minuciosamente controlado: cada membro da brigada tem de estar vestido com roupa protectora, óculos e máscara com filtro especial anti-partículas, não esquecendo água para beber e um pequeno kit de primeiros socorros.(...)

(...) Na Andaluzia não há espaço para voluntarismos nem desvarios. “Os bombeiros portugueses são loucos”, diz Carlos Rey, quando lhe pedimos opinião sobre o facto de em Portugal ser habitual os nossos “heróis” irem para a frente de combate sem máscaras nem equipamewnto térmico, por vezes de manga curta. (...)

(...) nos casos mais bicudos ou em focos de incêndio de difícil acesso, o Plano Infoca conta com quatro brigadas de reforço de elite – as BRICA -, cada uma constituída por 11 elementos escolhidos de entre os melhores especialistas em extinção. Estes elementos têm profundos conhecimentos em tácticas de cartografia, sobrevivência, estratégia e combate – como, por exmplo, a colocação de “bombas de extinção” e de execução de contrafogos além de uma forte preparação física. (...)

(...) Para isso, os treinos são diários e acompanhados por um preparador físico. (...)

(...) No meio desta azáfama, há também tempo para a descontracção, mas sem bebidas alcoólicas à mistura nem ausências para o café mais próximo. (...)

(...) Observando uma simulação das técnicas de combate destes homens – durante os dias em que a GR esteve na Andaluzia não houve incêndios, apesar de alguns períodos de intenso calor -, facilmente se constata que por mais heróicos que sejam os nossos bombeiros, eles estão a “anos-luz” da eficácia e preparação técnica e física dos “bombeiros” andaluzes. (...)

(...) no Plano Infoca não se querem actos heróicos, por isso, e só em situações excepcionais se chegam às 14 horas ininterruptas de combate, (...)

(...) tudo isto só é possível porque o sistema é profissional, bem organizado e relativamente bem pago para os padrões nacionais. O salário mais baixo – por exemplo, de um vigilante – ronda os 800 euros por mês,

(...) remuneração de um elemento de brigada BRICA ascende aos 1200 euros e a dos outros “bombeiros” pouco menos (...)

(...) a Junta da Andaluzia está preocupada com a “ovelha negra” da sua floresta: o eucalipto. “As importações da América do Sul tiraram a rentabilidade económica dos eucaliptais que estão a ser abandonados e que estão a transformar-se num autêntico barril de pólvora” (...)

(...) as intervenções em caso de incêndio são parcialmente pagas pelos proprietários afectados, independentemente da causa e início dos incêndios. Por exemplo, num incêndio maior do que mil hectares, essa taxa – que será paga de modo proporcional pelos proprietários, o que implica um cadastro actualizado, aspecto que em Portugal não existe – pode atingir um máximo de 12 mil euros. Mesmo que seja apenas um fogacho, o proprietário terá de arcar com uma factura de 120 euros.(...)

Contra factos não há argumentos. Só a estupidez, a teimosia e a aldrabice.

Ler o artigo completo aqui.

Despedida



O Dragão andou em obras, a remodelar o estabelecimento.
Prepara-se para hibernar. Vão dizer-lhe até já.

sexta-feira, julho 08, 2005

Perto do fim

Li uma vez, num sítio qualquer, que, dias antes do 11 de Setembro de 2001, Ossama Bin Laden dera ordem de venda de todas as acções que possuía em companhias de seguros. Dias depois do massacre voltou a comprar o que vendera. A manobra ter-lhe-á rendido perto de sessenta milhões de dólares.
O destino desses milhões de dólares terá sido o recrutamento de pessoas e meios e o financiamento de mais actos terroristas.
Com os recursos petrolíferos do planeta perto do fim, mesmo que o actual preço do barril, em permanente e imparável subida, seja um argumento de peso para que se opte por processos de extracção que, com o barril a 25 dólares não compensariam, e com a procura a atingir níveis inconcebíveis há dois anos atrás, a luta pelo controle da produção acentuar-se-á de forma violenta. Prevê-se que, perto de 2015, o preço do barril atinja os 380 dólares.
O objectivo dos terroristas islâmicos é o dinheiro. Seja ele obtido pelo controle da produção do petróleo nos países árabes, ou pelo controle da produção de papoila de ópio no Afeganistão.
Quanto mais alto estiver o preço do petróleo, mais motivados estarão para a prossecução das suas acções vingativas e de terror. Os países em vias de desenvolvimento, com o crescimento dos PIB na ordem dos 10% ao ano, como a China e a Índia, dificilmente estarão na disposição de pagar cada vez mais caro por aquilo que não produzem: petróleo; e que tão caro e indispensável é ao seu desenvolvimento. Daí à tentação de "anexar" países produtores, vizinhos de preferência, vai um pequeno passo. A recente eleição no Irão do ultraconservador
Mahmud Ma Ahmadinejad, partidário do não aumento de produção de barris de petróleo por parte do Irão, não augura nada de bom a um mundo viciado no ouro negro que, em vez de o injectar nas veias, extrai-o, processa-o e consome-o sem cessar, sem se preocupar com a extinção dos stocks.
Pela primeira vez na história da humanidade, começando na era industrial, os habitantes deste planeta dedicam-se, com a intensidade de famintos mamíferos recém nascidos, a consumir desenfreadamente os recursos naturais do planeta mãe, útero cósmico, que os pariu.
O capital inicial, seja ele a pesca, a água potável, a fertilidade do solo, as florestas, os recursos petrolíferos, etc., é consumido com uma voracidade larvar como se Deus, a uma dada altura do processo evolutivo, dissesse: "Matai-vos e comei-vos uns aos outros."
Pela primeira vez na história da humanidade, o anti-capitalismo antropófago globalizou-se, espalhando a sua sanha vingativa pelos quatro cantos do mundo, empenhando a humanidade na delapidação, consumo e esbanjamento dos recursos naturais de um planeta criado há milhões de anos para lhe servir de repasto, de carcaça.
É estafar e deitar fora.
Com a geração "tásse" à beira do poder, provida de polegares hiperdesenvolvidos, inteligência atrofiada e memória inexistente, será em poucos anos que se servirá a caldeirada final, com molho de cogumelos e polvilhada com enxofre.


terça-feira, julho 05, 2005

A barrela metrossexual


"A candidatura [de Manuel Maria Carrilho] tem mais nível, tem mais classe, tem mais elegância e, sobretudo, dá garantias de poder defender essa mais valia sem preço que se chama inteligência!"

Assim falou o maestro da bengala, sogro de Henry Miller.
No Público de hoje.

Ensinança de virar o bico ao prego, em toda a tábua.

"(...) O PS tem consideráveis problemas para as autárquicas: O Porto parece perdido, uma vez que não se conseguiu encontrar um candidato à altura: Francisco Assis é um homem inteligente , mas sem o menor carisma. (...) Coimbra nem se fala. E em Lisboa tem havido alguns erros estratégicos dispensáveis.(...)

Assim escrevia Eduardo Prado Coelho.
No Público de hoje.

A Inveja é como a República : pequenina, mentirosa e incompetente.



"Criada no reinado de D. João V, após a construção do Convento, como um parque para lazer do monarca e da corte, a Tapada Nacional de Mafra constitui hoje um património natural de características únicas. Numa área de mais de oitocentos hectares, veados, gamos, javalis, raposas, aves de rapina e muitas outras espécies coexistem num cenário de flora invulgarmente rica e diversificada. Local de eleição dos soberanos de Portugal para o lazer e para a caça, a Tapada de Mafra ganhou por isso um cunho próprio de nobreza que ainda hoje é preservado e continuado."

segunda-feira, julho 04, 2005

Monárquicos côr de rosinha...

Terá o Partido Popular Monárquico sofrido uma hostile takeover tendo sido adquirido por um punhado de republicanos com refinado sentido do ridículo? Receio bem que sim.
A seguir à candidatura de Elsa Raposo à Câmara Municipal de Cascais quem se seguirá em Lisboa e Sintra? José Cid e João Braga?

domingo, julho 03, 2005

Esfodaçanso cósmico

Perpetrado por uma sonda terrestre contra o núcleo de um cometa.
A seguir aqui.

sexta-feira, julho 01, 2005

The times, they are a changin'

Em Espanha, a partir de ontem, instituiu-se o casamento entre homossexuais.
Passou a ser possível, legal e portanto recomendável, a adopção de crianças por "casais" homossexuais.
Para todos os homossexuais?
Não.
Os padres homossexuais, esses, continuam condenados ao celibato.

terça-feira, junho 28, 2005

Divagações III

Quase a perfazer 894 anos, há alturas em que, de facto, não me consigo aturar nem a mim nem a esta terra mai-las sua gentes, caralho.
Para onde quer que me vire, só vejo asneiras, bestas, aldrabões e emproados. Também há gajas boas, prados verdes alguns bosques e alguma caça. Coisa pouca, é certo. Mas ainda assim lá vão sobrevivendo. Há que dizê-lo. Mas não chega.
Lembro-me de caçar coelhos à paulada no bosquedo de Sintra, já junto à várzea, tantos que eles eram. Agora os coelhos são "animais de estimação". Há quem os apaparique e com eles conviva entre dois golos de cerveja e um cigarro enquanto na televisão um anormal qualquer vende carros aos peidos. E os cabrões a semearem esferas de composto pelo cómodos da habitação. É a laparagem em vias de alcançar o patamar evolutivo de canídeos e felinos, é o que é.
Mas apesar de tudo, o mais extraordinário é a metamorfose por que atravessam certos e determinados mamíferos desta terra quando abrem a porta da frente do lado esquerdo das suas viaturas e se passam lá para dentro fechando a porta em seguida. Assim que o fazem, das duas uma: ou se convencem que ficam invisíveis, ou se persuadem em definitivo que entraram numa latrina, entregando-se às mais variadas actividades que o senso comum impede de fazer em público.
Enquanto os machos desta espécie de mamíferos automobilizados se dedica à prospecção geológica das suas próprias fossas nasais, com uma dedicação, intensidade e virtuosismo tais que acabam por conseguir extrair pedaços dos próprios cérebros que depois fitam com uma curiosidade infantil, as fêmeas optam pela make up, exibindo toda uma variada gama de expressões e esticanços da derme facial enquanto finalizam os acabamentos: rimmel, bâton, base, pó-de-arroz, etc, etc, etc., que, em última análise e como o próprio nome indica, tem como objectivo fazer subir algo.
Mas é com as referidas viaturas em movimento que se operam as transformações mais extraordinárias. O pálido, pacífico, anónimo, incompetente e excedentário funcionário público assume posturas de patrão impiedoso, esbracejando e gesticulando com o frenesim próprio de um primata em marcação de território. O facies distorcido por um incomensurável ódio furibundo espelha uma guerra total, de vida ou de morte, entre ele próprio e o resto do mundo, que se resume a literalmente tudo o que se encontra no exterior da caixa de lata em que se desloca. Relva e pássaros incluídos. O volante, por exemplo, deixa de servir para a execução de manobras de mudança de direcção para se tornar num misto de balcão de bar onde apoia as patas roliças e papudas e um par de rédeas com as quais opera de surpresa súbitas guinadas ora para a esquerda ora para a direita, qual Messala alucinado quadrigando-se contra uma chusma de Ben-Hurs no Coliseu de Roma.
Os pequenos farolins de cor amarelada ou laranja, os chamados pisca-pisca que, quando utilizados com calma e oportunidade, emitem uma luz intermitente com o objectivo de comunicar o sentido de uma mudança de direcção que se avizinha, são coisa de paneleiros: " Um gajo vira quando quer, olha o caralho, e quer que se foda".
A Sancha é da opinião que os besuntas automobilizados o que querem é poupar os piscas para os usarem nas árvores de Natal. Talvez.
Conheço um tipo que um dia, num cruzamento qualquer em Lisboa e prestes a ser cilindrado por um besunta destes, estacou o carro, saiu e dirigiu-se em passos rápidos à guarita do alarve que o ia abalroando. Num tom ríspido e autoritário que não admitia contestação berrou: " A carta!" . O besunta, persuadido de que se encontrava perante uma autoridade, de pronto lha apresentou. O tipo abriu a carta (nesse tempo era um desdobrável em cartolina cor de rosa), confirmou que a fotografia era a do assassino que quase o rebentara, voltou a fechá-la e rasgou-a em quatro devolvendo-a em seguida. Diz ele que jamais se esqueceu da expressão do outro, imóvel no cruzamento enquanto ele arrancava rindo à gargalhada.

segunda-feira, junho 20, 2005

Meteoropirologia

É uma nova forma de meteorologia que inclui a previsão de incêndios no território de Portugal ao classificar determinadas zonas como de "risco máximo", "alto risco" e "em risco".
Este serviço, pasme-se, é fornecido pelo Instituto Nacional de Meteorologia.
Como a canícula ou os nevões, os incêndios passaram a ser um fenómeno meteorológico natural previsível e sazonal.



quarta-feira, junho 15, 2005

Perante a crescente onda de contestação às reformas embrionárias deste governo, Sócrates manobra à esquerda decretando hoje, o dia do funeral de Álvaro Cunhal, dia de luto nacional.
Coincidência ou não, eis que se calam as cortesãs ofendidas aquando do último dia de luto nacional: o dia do funeral da Irmã Lúcia.

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Sai de cena quem não é de cena, diz mecânicamente sorrindo António Guterres quando questionado sobre a sua saída de líder da Internacional Socialista. Provávelmente a frase que ele mais ouviu na última campanha eleitoral em Portugal.

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Boato 1 : Por exclusão de partes à esquerda, Mário Soares vai-se candidatar a Presidente da República.

Boato 2 : Por reflexo, Freitas do Amaral candidata-se também.

Boato 3 : Por fastio, Mário Soares desiste da sua candidatura a Belém.

Boato 4 : Por arrastão, Nino Vieira aparece na corrida.

segunda-feira, junho 13, 2005

Razoávelmente improvável

A existência de uma campanha para a beatificação imediata de Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal.

domingo, junho 12, 2005

Post mortem

Quando releio as opiniões da nomenklatura republicana sobre quem foi Vasco Gonçalves relembro que tanto Salazar como Hitler, Estaline e Fidel Castro (este ainda moribundo) foram pessoas coerentes de convicções determinadas e que acreditavam em ideais fortes.

sexta-feira, junho 10, 2005

10 de Junho de 2005



Homenagem do último Presidente da República portuguesa ao primeiro Rei de Portugal.

quinta-feira, junho 09, 2005

Verão quente de 2005

1. Diogo Freitas do Amaral prepara a sua candidatura a Belém, sendo acusado de protagonismo por sublinhar o óbvio: que este Tratado para uma Constituição Europeia é inviável.

2. Por causa disso António Vitorino irritou-se, percebendo que jamais será candidato às presidenciais de 2006.

3. Sócrates manobra à direita recorrendo a medidas drásticas para a redução da despesa pública. Os deputados republicanos do PS não gostaram. Ao ponto de alguns deles estarem dispostos a pôr os lugares à disposição.

4. O reconhecimento da inevitabilidade sazonal dos incêndios comprova em definitivo o que se suspeitava há muito: que os fogos em Portugal dão de comer a muita gente.

5. Segundo a Única da semana passada, prevê-se uma mudança radical nas cores da bandeira nacional, nomeadamente a substituição do verde/vermelho pelo azul, obedecendo assim ao princípio universal que estipula uma mudança de logo quando se quer melhorar a performance de uma marca no mercado...

quarta-feira, junho 08, 2005

Mais do mesmo, servido a quente

A elevação da desgraça miserável dos incêndios em Portugal à categoria de acontecimento sazonal inevitável pressupõe a sua eternização em forma de fado recorrente sendo, por isso, perigosa.
Em Agosto de 2004, a revista Grande Reportagem publicou um excelente trabalho de Pedro Almeida Vieira sobre as diferenças de abordagem do problema dos incêndios em Espanha e em Portugal. Num post de 30 de Dezembro de 2004 reproduzi, na íntegra, o texto desse trabalho.
Dar a conhecer essa diferença de abordagens de um mesmo problema grave é importante.
Uma coisa é o poder republicano convencer as suas hostes que, pobres coitadas jamais conheceram outra realidade, todo o trabalho possível está a ser feito, que os investimentos na prevenção e combate aos incêndios são muitos e por demais evidentes, e que a crise económica que Portugal agora atravessa não dá para mais.
Outra coisa é as hostes cá do reino terem acesso a informação que lhes mostre e prove, por a + b , que o regime republicano mente com quantos dentes tem nas fauces, interessado como está em perpetuar um status quo que favorece a especulação imobiliária e a degradação gradual e permanente de um património que é de todos inviabilizando uma qualidade de vida a que todos temos direito.
Agora a sério. Encham-se de paciência e leiam o trabalho de investigação que o Pedro Almeida Vieira levou a cabo na Andaluzia "(...)
território com uma dimensão geográfica idêntica à de Portugal Continental e com uma área florestal de cerca de 4,3 milhões de hectares, há mais de uma década que os incêndios deixaram de ser uma fatalidade. Entre 1995 e 2003, por exemplo, a Andaluzia perdeu menos floresta e mato do que Portugal em 24h de alguns dias de Agosto do ano passado. (...)

Contra factos não há argumentos.

Há um post no Nova Floresta que, além de excelente, deita por terra um dos maiores argumentos dos defensores do regime republicano, nomeadamente o da "mais que certa onerosa sumptuosidade de uma família real" argumento preferido por alguns dos Afonsos Costas de bolso que por cá vêm parasitando o reino. A ler aqui.

segunda-feira, junho 06, 2005

Viva a República...

Os termos em que o Presidente do Governo Regional da Madeira se referiu aos seus críticos, as palavras utilizadas e a postura arrogante mais uma vez adoptada são corolários inevitáveis de uma carreira política baseada no insulto, no recurso sistemático à provocação, que sabe incólume, e que, com assento permanente no Conselho de Estado, diz bem que tipo de regime é este que permite que entre os membros do seu Conselho de Estado se encontrem espécimes deste calibre. Qual ébrio acometido de irresistíveis impulsos urinários, a criatura asperge onde calha, para cima, para baixo e para os lados, feito rafeiro incontinente em frenética marcação territorial.
Ah, carago. Houvesse Rei nesta terra e esse carroceiro era corrido à bofetada.

sexta-feira, junho 03, 2005

A caminho de Olivença

O Dragão, incontornável figura da B.L.U.S.A., (blogosfera lusa) através de mais uma flamejante invectiva escrita, exorta as hostes de forma eloquente, dramática e decisiva, sobre a melhor estratégia para a recuperação de Olivença, essa terra de (...) olivenses (ou olivenceses, ou olivedosos, ou lá o que são)(...). Mesmo que os ditos cujos se arremelguem de espanto, desconforto e negação, e (... nos presentearem com umas lúgubres trombas cravejadas de olhos de carneiro mal morto absolutamente remelosos...). Afinal, (...) Depois do polícia global americano, esse bandalho inoxidável, chegou a hora do GNR global português, esse enigma biodegradável.(...). Cá por mim, só pararei Poitiers, carago!
Atente-se no entanto no seguinte: independentemente do sucesso ou insucesso de semelhante missão reconheça-se, e de uma vez por todas, que o Dragoscópio é do melhor que orbita a blogosfera cá do Reino.

quarta-feira, junho 01, 2005

Referendo

Aos franceses seguem-se os holandeses: mais um Não à vista.
Por cá, a pouco e pouco, a inteligentsia do Reino vai-se sentindo atraída pelo Não, essa aposta em coisa nenhuma, opção niilista, redutora e terminal. Mas se n Nãos ganharem, o que está feito continua feito; o Tratado de Nice manter-se-á em vigor, as decisões que afectarão cada membro da União continuarão a ser tomadas. Só que tudo isso mais lentamente. Com a velocidade a que a China e a Índia se preparam para tomar de assalto a economia mundial, essa lentidão de reflexos, que se prevê europeia, não augura nada de bom; nunca há nada de bom do lado do Dr. Louçã e do lado do Sr. Le Pen. Ainda por cima quando ambos estão do mesmo lado. Só mais uma coisa: acreditem que a China jamais estará disposta a continuar a pagar tão caro o petróleo de que necessita para cilindrar económicamente o Ocidente. Mal acabem os Olímpicos de 2008, barriquem-se.

Post Scriptum: A verdadeira razão do Não francês e Holandês é esta: Ma$$a. Os gajos já deram para o peditório dos pobres do Sul, e não querem continuar a dar para o peditório dos pobres do Leste. O resto é retórica.

segunda-feira, maio 30, 2005

Segunda, a seguir ao almoço

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Provérbio Capadócio:

"Os franceses às vezes têm medo dos chineses"


Provável tradução Google:

"Les françois aux fois ont peur des chinois"


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A propósito de rimas parvas e outras coisas, lembrei-me de uma história passada com o cretino do meu irmão Jaime, quando andávamos na 3ª classe. Eu com oito anos, ele com onze.
A certa altura a professora de Língua Portuguesa sugeriu que a aula inventasse uma rima; cada um deveria pensar numa rima, escrevê-la no caderno de rascunho e passá-la a limpo com caneta de tinta permanente para o caderno de Língua Portuguesa. Vinte minutos depois a professora de Língua Portuguesa pedia ao Abel, que era sempre o primeiro a responder a tudo dado que o nome dele começava por Ab, tipo matrícula de carro dos anos 30, que lesse em voz alta a rima que escrevera. E o Abel leu:
- O passarinho dorme no ninho.-
- Muito bem, Abel.- condescendeu a professora sorrindo. - Agora tu.- disse, apontando com uma unha encarnada para o Carlos, à minha direita.
- O gato está no sapato.- leu devagar o Carlos enquanto corava e se levantava.
- Bravo!- soltou a professora de Língua Portuguesa. - Agora tu, Jaime.
A aula inteira, éramos sete, voltou-se em simultâneo para o fundo da sala. O Jaime levantou-se e ouviu-se:
- O canguru tem pêlos no cú.- Silêncio. Um silêncio breve e ensurdecedor atafulhou a sala enquanto 13 olhos se cravavam na professora. O Carlos usava óculos e tinha uma daquelas merdas côr de pele a tapar uma lente por dentro para endireitar a vista.
- Jaime! Francamente! Vais lá para fora escrever uma rima. Uma não, duas. Duas rimas como deve de ser e voltas aqui antes de acabar a aula. E ai de ti que voltes a entrar sem teres feito o que te mandei.- O meu irmão reuniu os cadernos e o estojo, levantou-se, saiu da sala devagar e fechou a porta devagarinho.
Minutos depois batia à porta e entrava com ar triunfante. Eu já sabia que aquela expressão desvairada na cara dele só podia significar uma coisa.
- Já acabaste ? - inquiriu a Professora com surpresa.
- Já. Posso ler?- respondeu o Jaime. A professora anuiu e o meu irmão leu:
- O canguru tem pêlos na bochecha, porque no cú a Professora não deixa.

Segunda de manhã

O Não ganhou em França. O que significa isso? Significa que os franceses estão com medo.
Quando se prefere coisa nenhuma a qualquer coisa que seja é porque se está com muito, muito medo. E o medo é mau conselheiro. Qualquer país que tenha assinado o Tratado de adesão deu um passo decisivo numa caminhada que não se compadece com desistências e que cobra caro atrasos.
Seguir-se-á o Não da Holanda, com medo da Turquia europeia e da imigração. E Portugal? terá medo de quê? Cutileiro tinha razão: Há demasiados soldados desconhecidos nesta Europa que se pretende Federada. Cá para mim tenho que, ao ver Le Pens e Louçãs de braços dados a apelarem ao Não é razão suficiente para eu votar Sim.

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O Vitória de Setúbal ganhou a Taça de Portugal frente a um Benfica desorientado, cansado, desmotivado e ressacado. Nem o empurrãozinho do árbitro ao assinalar um penalty inexistente conseguiu demover o empenho sadino. E o silêncio e calma que esta vitória verde e branca trouxe às nossas casas, ruas e avenidas: nem um piu, nem uma buzinadela, nem nada.


..................................................* * * * *

O comboio inter-cidades entre Lisboa e Évora paga-se mas não existe; faz escala em Casa Branca, perto de Vimieiro, de onde se tem que mudar para uma Automotora de 1950 que demora 30m a fazer os 27 km que faltam até Évora. Tremo só de pensar no TGV.

domingo, maio 29, 2005

quinta-feira, maio 26, 2005

Hipocrisias

A milícia laica e republicana, com os seus tiques inquisitoriais e persecutórios, empenhada até aos sovacos em militantes iniciativas que contemplam a remoção de crucifixos das paredes das salas de aula das escolas públicas, espreguiça-se obesa, disforme e diletante, entupindo estradas e sujando praias, usufruindo mais um dia feriado nacional: o dia do Corpo de Deus.

Outros sítios

Ele há Sítios do Sim e Sítios do Não.
Recém criado, há também o Sítio do Foda-se.

6,83 % ?

Não sei porquê mas aquele "3" do "83" faz-me uma espécie do camandro. Tresanda a rigor mais que suspeito. Lembra-me os preços marcados pelos proprietários de estabelecimentos de comércio tradicional, vulgo mercearias, que afinfam uns modestos "8,99/Kg" ou uns tímidos "3,98/Kg" escritos a lápis em papel manteiga com caligrafia tipo Vivenda das Andorinhas e que sorrindo, de lápis aparado entalado na orelha, esfregam as mãos uma na outra, envolvendo a mão esquerda com a direita e a mão direita com a esquerda, numa sucessão espasmódica de estertores de varejeira, enquanto tecem babosos cumprimentos de circunstância à clientela que por lá perpassa.
Se o relatório apresentado pela inefável Comissão Constâncio apresenta uma estimativa que não contempla os orçamentos das autarquias é porque não está bem feito, está incompleto, é falso e, por isso, cagativo. Rasgue-se pois e lixo com ele. O tiquezinho ridículo do empreiteiro aldrabão, que consiste em aproximar uma estimativa às centésimas para esconder os chorudos ganhos que prevê nos chamados trabalhos-a-mais, adoptado pela República Portuguesa é sintomático. O que esconde na manga hoje, será exposto, mostrado e oferecido mais tarde, embrulhado como promessa eleitoral em Outubro. É a falcatrua alcandorada a rigor orçamental, o elogio do pechisbeque, a sentença de morte em verso.

sábado, maio 21, 2005

O homem das campainhas

No passado dia 19 de Maio foi encontrado no centro histórico de Oeiras, completamente encharcado e manifestando evidentes sinais de desorientação, um homem vestindo um fato aos quadrados e ostentando uma gravata côr de laranja, relativamente baixo, gordo, com cabelo, bigode e pêra grisalhos, aparentando notáveis semelhanças com Isaltino de Morais. Chamada a PSP, o referido indivíduo foi de pronto transportado e recolhido por um centro de caridade local.
Mantendo um silêncio absoluto, incapaz de responder à sucessão de perguntas que lhe eram feitas, foi-se encolhendo, encolhendo e encolhendo à medida que o interrogavam, abanavam e pressionavam.
A certa altura, um talhante do bairro que assistira a tudo, berrava a pés juntos que o indivíduo era nem mais nem menos que um dos totalistas do Euromilhões, desaparecido havia uns meses atrás. Mas o comandante dos Bombeiros locais de pronto o reduziu ao silêncio bramando um ensurdecedor "Cale-se! Não diga disparates". Alguém então sugeriu que lhe dessem um papel e um lápis.

Desenho elaborado pelo homem encontrado a deambular pelo centro histórico de Oeiras.
Tendo-lhe sido fornecidos papel e uma caneta ballpoint, de pronto o homem desenhou, de forma assaz elaborada, um conjunto de campainhas de porta.
Perante este resultado inesperado o indivíduo foi conduzido e largado na praça do centro histórico de Paço de Arcos onde permaneceu durante largas horas, tocando alternadamente nas campainhas dos diferentes prédios, encetando graciosas e ligeiras corridinhas de prédio em prédio sempre que a sucessão dos acordes conseguidos a isso o obrigava, provocando o assomo à janela dos diversos habitantes da pequena praça os quais, por falta de ramos de flores, lhe atiravam com tudo o que tinham à mão, desde bibelots a maços de revistas e algum calçado, tudo acompanhado dos mais rasgados elogios.

sexta-feira, maio 20, 2005

Futurologia

Na próxima 4ª feira, o 1º Ministro irá anunciar a subida de alguns impostos e a extinção de algumas SCUT. Como é véspera de fim de semana prolongado, a "malta" ligará pouco ao assunto encontrando-se como está, a caminho das miniférias e em busca do primeiro bronze.

quarta-feira, maio 18, 2005

Internerds

À procura de uma biografia de Raúl Lino encontrei esta página. Em inglês, claro.

No final da mesma este texto:

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Hilariante? Só à estalada.

Claude Lelouch

A recente candidatura de José Sá Fernandes à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa veio agitar as águas estagnadas onde se acoitam, deslizam e caçam os saúrios da esquerda hipócrita, missionária e inquisitorial provocando, inclusive, tropismos de sanguessuga na esquerda caviar.
A chiadeira, exposição oral ou escrita de sentimentos de indignação face à menor possibilidade de perturbar o sono narcoléptico e anestesiante a que os referidos répteis porfiadamente se entregam, já começou.
Do outro lado da barricada, a direita de chinela e alguidar, beta e baeta, que partilha com a esquerda missionária e inquisitorial uma atracção endémica e visceral pela estagnação, a inacção mascarada de arraial festivo, o conluio de interesses e a prostituição descarada do património natural, histórico e construído deste país antigo de séculos, acoita-se e aposta na vitória por exclusão de partes.
Que se lixem.
Les uns et les autres.

terça-feira, maio 17, 2005

Por Decreto

No passado dia 15 de Maio foi oficialmente inaugurada a época de incêndios.
Só para chatear, caiu um nevão na Serra da Estrela.
Apesar de toda a gente envolvida no processo de prevenção e combate aos incêndios reconhecer que o investimento na prevenção foi inexistente, alardeiam-se como se de benesses se tratassem, os milhões gastos a juzante na compra, aluguer e sub-aluguer de equipamento vário a ser utilizado na extinção de fogos. Para justificar isso só é preciso que os fogos aconteçam.
Mais uma vez a República despreza o património natural herdado, mais uma vez atira areia na cara dos seus cidadãos, mais um vez demonstra a incompetência total do regime da coisa-pública que, sendo de todos, não é de ninguém.
Não é preciso inventar a roda: aqui ao lado, na Andaluzia, uma área florestal idêntica à de Portugal continental vem sendo cuidada e protegida há mais de dez anos, com um custo mínimo e resultados garantidos.
É em casos como este, excelcíssimos senhores do poder, extremosos senadores da República, caríssimos deputados mentecaptos, cretinos e idiotas, que vale a pena olhar para o lado.

quarta-feira, maio 11, 2005

Histórias de encantar IV

Já a viver no Brasil há um bom par de anos, o meu tio Henrique e a mulher foram convidados para o casamento do filho de um importante cliente. O meu tio Henrique, mulherengo incorrigível e incompetente profissional, herdara uma pequena fábrica no Brasil e para lá se deslocara com o objectivo de endireitar a vida, estragando-a o menos possível. Dirigir uma pequena fábrica de componentes industriais, em perfeito funcionamento, com um rendimento mensal certo e razoável, dirigida por uma administração competente e de confiança foi o melhor que lhe poderia ter acontecido em toda a puta da sua vida.
O local onde se realizaria o casamento era uma fazenda grande e muito antiga, na família do noivo havia várias gerações, bem no interior do pantanal. A viagem seria longa e por isso iam preparados para lá pernoitarem. A sogra do meu tio Henrique também ia.
A certa altura da viagem, a minha tia e a mãe dela ressonavam profunda e alternadamente, dando a impressão que o carro se transformara num barco, subindo e descendo imensos vagalhões invisíveis à medida que o ronco delas se intensificava e alternava. Com os movimentos que fizera enquanto dormia, a sogra do meu tio Henrique descalçara um sapato que, com outros movimentos seguintes mas ainda a dormir, fora empurrando para debaixo do banco do meu tio Henrique. A certa altura, o meu tio Henrique sentiu que o seu pé tocara em qualquer coisa. Enfiando a mão por debaixo do banco sentiu, e adivinhou de imediato, os contornos e textura inconfundíveis de um sapato feminino de cetim e salto alto. Aquilo só poderia ter sido esquecimento de uma das últimas parceiras de regabofe e fodilhanço a quem ele dera boleia.
Da última vez quase tinha sido descoberto quando a mulher, ao baixar a pala para se ver ao espelho, levara nas trombas com um par de cuecas de renda pretas.
- Aquele cabrão-, vociferara de imediato o meu tio Henrique arrancando as cuecas da cara da mulher e aventando-as pela janela fora.
- Aquele mecânico de um cabrão, é a terceira vez que arruma ali a puta da camurça dos vidros. Filho da puta.
- A camurça dos vidros ? - , repetira a mulher tentando recompôr-se do cagaço que aquela cegueira súbita seguida de impropérios e corrente de ar lhe provocara.
- Sim, filha. A camurça que eles usam para limpar os vidros do carro por dentro. É diferente das que usam do lado de fora.-
- Ahh..Suspirou sossegada a mulher. - Se calhar devias mudar de mecânico.-
Mas agora era diferente. Nenhum mecânico, por muito paneleiro que fosse, usaria sapatos de cetim e salto alto. Certificando-se que a mulher dormia profundamente, olhou no retrovisor e confirmou que a sogra também dormia. Muito devagar abriu o vidro e, acto contínuo, arremessou fora o dito sapato.
Suspirando de alívio, fechou o vidro até meio, recostou-se no banco, acendeu um cigarro e, confiante, sorriu. Estava safo.
Chegados ao local do casamento assistiu, impávido e sereno, à maior descompostura que alguma vez presenciara a mulher dar em alguém, na pessoa da sua própria sogra.

terça-feira, maio 10, 2005

Parecenças

Parece que na 1ª página do Público de Domingo vinha garantido que a estratégia de Sá Fernandes para se candidatar a Presidente da Câmara Municipal de Lisboa se vinha desenrolando há largos meses, em conluio com o Bloco de Esquerda.
Parece até que, segundo o mesmo número do Público, Sá Fernandes e Francisco Louçã eram amigos de infância.
No Público de hoje, Sá Fernandes desmente tudo. O Público só reconhece ter-se enganado naquela história sobre a amizade de infância.
Parece que a sonae, a que pertence o Público, está interessada em tirar do caminho do candidato côr de rosa, o filósofo marido de Bárbara Guimarães, todo e qualquer resquício de sombra ou concorrência.
Da mesma forma que, há meses atrás, se interessou em convencer os leitores do Público de que Cavaco Silva estaria a favor de uma maioria do PS.
Parece que Belmiro pensa que Portugal é parvo.

Venham eles!



A rugir até à vitória final!

sábado, maio 07, 2005

Movimentos de cidadãos

Os cidadãos movimentam-se. Arranjam candidatos. Arrastam apoios.
Para a CML, Sá Fernandes está quase.
Para a Presidência da República? "É que é já a seguir!" grunhe o besunta alcandorado a vedeta nacional pelo Montepio Geral.
Eleições, Referendos e Convenções. Tudo serve para manter o Bloco de Esquerda ocupado como um cão com três pilas.

quinta-feira, maio 05, 2005

Next, please.


Sporting 6...........................AZ Alkmaar 5

terça-feira, maio 03, 2005

Divagações II

Esta história dos blogs acaba sempre por fazer com que mais tarde ou mais cedo, quem tem blogs fale disso. Dos blogs, claro. O Abrupto, por exemplo, faz dois anos depois de depois de amanhã. Quem diria ? Quando penso no Abrupto tenho a ideia que é estabelecimento para estar a comemorar dez anos.
Além de ser o blog mais citado e publicitado cá do Reino, deve a sua imensa fama a quê? A isso mesmo: ao facto de ser o blog mais citado e publicitado. Conteúdo? Nicles. Controverso ? Tanto como a polémica que pode despertar um elefante a ressonar.
Até o espírito Diário Popular dos Pequeninos está presente naquela rubrica a que JPP chama o Abrupto feito pelos seus leitores.
O próprio aspecto de um blog revela muito sobre o seu autor. No caso do Abrupto, JPP revela-se um puto egoista, mimado, quiçá cruel (além de ser desprovido de links e de caixa de comentários, a escolha da imagem do Sá de Miranda engaiolado é sintomática) mas que precisa tanto de brincar com outros meninos como de pão para a boca. Apesar de ser o gordo da turma, arrogante e malcriado, tem uma casa grande e com muitos brinquedos. O apelo que faz aqui e aqui para irmos todos à festa de aniversário do seu blog seria comovente não fosse o caso de raiar o absurdo.


Outro caso de fama assinalável é o Aviz. Mas este por razões diversas. O Aviz lembra-me sempre aquelas tias duplas, gordas e anafadas que aterravam lá em casa para lanchar aos Sábados à tarde. Digo duplas porque além de minhas tias e do meu irmão Jaime também o eram dos meus pais. Chegavam sempre com um ar cansado como o caralho, tiravam os casacos com grande esforço acompanhado pela emanação de aromas vários e afundavam-se nos sofás da sala com
suspiros profundos como pachachas suecas. Este era o sinal para o Jaime e eu acometermos, de forma subtil porém persistente, as suas enormes e bojudas carteiras. O que se encontrava por lá era assombroso.
O Aviz é assim. Tem uma das maiores colecções de links que já vi e de que me servi sem parcimónia como guia para os primeiros passos nas minhas deambulações pelo blogos cá do Reino. Por vezes, a própria postura do autor, pespegando-nos com um poema qualquer durante três quinze dias, como quem põe uma musiquinha no telefone enquanto vai cagar, tipo "Volto já", tem o seu quê de atençãozinha provinciana.
Há poucos meses, na sequência de uma mudança de layout, foi restituído por momentos, dias, aos seus leitores o acesso à caixa de comentários. Pura e breve distracção, de resto.

Depois há os blogs "políticos", que são como os blogs de futebol: eu sou de direita, tu és de esquerda, eu sou do Sporting, tu és da puta que te pariu. A capacidade de dissertar que estas bestas têm sobre um mundo cuja visão é condicionada pela auto-aplicação de antolhos estreitíssimos é deveras assombrosa. Quando a capacidade de argumentação das referidas alimárias se esgota em si mesma, procede-se ao arremesso mútuo de volumes culturais : cuidado, baixa a mona que vem aí uma citação do Karl Popper acompanhada de três reflexões do Aron. Espera aí que eu já lhe amando com uma colecção de citações do Sartre que o cabrão há-de ir para casa com os cornos a arder. Enfim.

segunda-feira, maio 02, 2005

3 - secos - 3


Não houve cá penalties não sei quê, nem foras de jogo não sei como, nem fifis nem gaitinhas.
Houve, isso sim, 3 secos do Maurício Pinillla. Sem resposta.

domingo, maio 01, 2005

As minhas desculpas, os meus cumprimentos


Ao notável Dragão, personagem vertebrado, incendiário e incontornável da blogosfera cá do Reino que, em resposta a um email algo exacerbado que lhe enviei criticando-o duramente por ter optado pela remoção da caixa de comentários, me concedeu honras de 1ª página no seu estabelecimento, o Dragoscópio.
Bem haja.

sábado, abril 30, 2005

Orgulhoso? Claro!

Porque o treinador da equipa que hoje se sagrou campeã de Inglaterra é competente, é português e foi considerado, na época 2004/2005, o melhor treinador de futebol do mundo.
Chama-se José Mourinho.
Parabéns.

Autárquicas, Europeias e Presidenciais

A coisa começa a aquecer.
Isaltino exalta-se.
Contra tudo e contra todos vai-se candidatar à Câmara Municipal de Oeiras numa jogada de homem só, de pistoleiro solitário. Há sempre fases na vida em que nos sentimos um bocadinho Clint Eastwood: duros, inflexíveis, com olhos de aço chispando ódio. Esta é a jogada da vida de Isaltino. O tudo ou nada. Ou ganha e é uma chatice, porque não está à espera disso. Ou perde e se reforma definitivamente da vida política activa, abrindo em sociedade com Alberto João Jardim um Lar para ex-líderes compulsivos do PSD.
Em Lisboa, capital do Império, a coisa também não está famosa para o candidato do PS.
Carrilho, o filósofo, disserta sobre o pontilhismo das reformas da vereação actual, mas não tem alternativas. Promete surpresas. As surpresas são a nova moeda de troca eleitoral. Vai lá vai.
Confrontado com o erro crasso escarrapachado nos seus cartazes eleitorais, em que a vista de
Lisboa que aparece é simétrica da realidade, desculpa-se dizendo que fica melhor assim porque "(...)fica mais bonita: (...) não se vêm as gruas das obras (...)" disse ele. Imagine-se! Um filósofo metido em obras, a cagar a roupa toda de pó.

Quanto ao referendo sobre a Constituição Europeia, talvez estivesse na hora de se começar a debater a coisa, não? Ou não vale a pena porque se mais de 70% dos espanhóis votaram a favor nós, para chatear, vamos chegar aos 80%?


Relativamente às presidenciais, o PS continua sem candidato. Sim, porque se puserem o Manuel Alegre a avançar contra Cavaco Silva é porque querem uma co-habitação pacífica com o PSD para os próximos anos; S. Bento e Belém entendem-se sem PS nem PSD, certo?
Não sei porquê, ainda tenho esperança que Freitas do Amaral, um dos meus biógrafos, se chegue à frente.Veremos.

sexta-feira, abril 29, 2005

Data histórica


Hoje, dia 29 de Abril de 2005, pelas 14:59:22, o número de downloads do Firefox atingirá o record de 50.000.000 (cinquenta milhões...!), segundo previsões aqui feitas.

Digo que é uma data histórica, para bloggers e internautas do planeta, porque é mais um dia em que a hegemonia monopolista do chato do internet explorer sofrerá um abalo tremendo, quiçá decisivo, graças ao empenho que muitos tiveram na divulgação do Firefox como browser alternativo.
De download gratuito, mais seguro e em open source, ou seja, beneficiando da contribuição permanente de milhares de voluntários em todo o mundo que, nos seus computadores, vão desenvolvendo soluções abrangendo temas, extensões, plugins e resolução de bugs, para o benefício da comunidade planetária, o Firefox afirmar-se-á no decurso deste ano de 2005, como o browser preferido por particulares e empresas em todo o mundo.
Quem já o instalou e experimentou a sua velocidade de acesso, a simplicidade com que se abrem "pastas" para navegar na net, a personalização de dezenas de configurações, etc., sabe a quantos anos luz este se encontra face ao chato, lento e pouco seguro internet explorer.
Além do mais, a sua instalação não implica que nos desfaçamos do internet explorer. Pelo contrário: além de podermos importar para o Firefox a nossa lista de favoritos do internet explorer, ambos os browsers coabitam no mesmo computador podendo o utilizador escolher utilizar qualquer um deles em qualquer altura.
O verdadeiro espírito da NET. Em contagem crescente.

Soma e segue


Sporting 2...........................AZ Alkmaar 1

quinta-feira, abril 28, 2005

Feitiço



! croac !


(El-rei foi embruxado. Pede-se a quem conheça um antídoto, a gentileza de o providenciar.)

50.000.000



Quase, quase a chegar aos 50.000.000 de downloads....
Contagem crescente AQUI.

terça-feira, abril 26, 2005

26 de Abril de 2005


"Certamente a comunidade internacional, nomeadamente as Nações Unidas, a CPLP e a CEDEAO, ainda não percebeu que as autoridades do país não têm o poder e a força necessária por forma a implementar por si só a indispensável e urgente reforma das forças armadas tribalizadas e constituídas por gente que apenas aprendeu a matar como o único meio de conseguir a sua promoção e ocupar os lugares de suas vítimas, ex-camaradas, e depois vem descaradamente impor a amnistia para os crimes praticados a sangue frio.(...)"

Extracto de um texto, a meia página, da autoria de Fernando Ka, dirigente da Associação Guineense de Solidariedade Nacional, publicado na página 11 do Público de hoje, 26 de Abril de 2005.

segunda-feira, abril 25, 2005

25 de Abril de 1974


31º Aniversário

domingo, abril 24, 2005

Hubble


Assinala-se hoje o 15º aniversário do lançamento do telescópio espacial Hubble.
Em órbita da Terra, a 600 km de distância, tem proporcionado imagens espectaculares do universo próximo. Para ver aqui.

sexta-feira, abril 22, 2005

O fascismo continua

31 anos após o 25 de Abril de 1974, o regime em vigor em Portugal é o de uma república corporativa com inegáveis contornos fascistas. Desde o espancamento até à morte de detidos em esquadras da PSP, passando pela prisão de mulheres que se sujeitam ao sofrimento do aborto, até à prisão preventiva por tempo indeterminado, muitas das vezes em resultado de denúncias anónimas, o panorama é esclarecedor. Então, no próximo dia 25, os meus amigos e amigas vão comemorar o quê?
A república fascista e corporativa em que se tornou Portugal, com os seus representantes lutando desesperadamente pela manutenção de tratamento privilegiado, como se subitamente tivessem sido alcandorados à categoria de barões e viscondes com feudos próprios, delambendo-se gulosamente e usufruindo de probendas e sinecuras, privilégios e excepções que consideram como direitos adquiridos, está empenhada em destruir Portugal não só económicamente como físicamente, através da delapidação permanente e impune de um património florestal e hídrico em muitos casos irrecuperável, em nome da santificação do betão e da beatificação da criação suinicola.
A impunidade dos interesses corporativos, directamente transitados do Estado Novo, essa II República de eunucos, faz frente de forma descarada a qualquer tipo de reforma que ameace minimamente os seus interesses. Desde a impunidade total de que beneficiam os corpos clinico e administrativo dos hospitais civis, à arrogância dos magistrados que vendem barata uma guerra contra o governo se a redução das férias judiciais for uma realidade, passando pelo desplante com que o representante do sector de restauração ameaçou publicamente cobrar idas aos sanitários e copos de água aos frequentadores de cafés e restaurantes se os proprietários dos mesmos fossem "obrigados" a passar facturas, até às ameaças de perigo levantadas pelos representantes dos farmacêuticos face à posibilidade de venda de medicamentos sem receita médica em espaços que não sejam farmácias, o fascismo corporativo está entranhado até ao tutano dos ossos carcomidos desta III República em que se tornou Portugal.
Uma lei do arrendamento arcaica e desactualizada que defende os interesses de bancos e companhias de seguros, obrigando os jovens que se encontram à procura da 1ª habitação a endividarem-se até aos 60 ou 70 anos pagando uma renda a um banco por uma casa que não é sua, fez com que a procura de habitação encontrase resposta na construção desenfreada na periferia dos grandes centros urbanos, destruindo para sempre os concelhos periféricos da grande Lisboa e grande Porto, impossibilitando um planeamento urbano racional e cuidado com enfoque na qualidade de vida e na sustentabilidade ambiental.
O fascismo republicano não caiu, continua. Não desapareceu; reproduziu-se, alastrou e encasquetou-se na cornamenta do homem da rua, do português comum, fanático e clubista, que enquanto se considera do Benfica jamais vestirá uma peça de roupa de cor verde, enquanto se diz de direita jamais dirá que um dia teve um poster do Guevara e que enquanto se afirma de esquerda jamais dirá que foi baptizado ou que fez a 1ª Comunhão.
O fascismo republicano continua a sua propaganda nas escolas, na educação dos nossos filhos e netos, fazendo com que se sintam envergonhados do seu povo e dos seus antepassados. Gloriosos e inimitáveis empreendimentos como o dos Descobrimentos foram timidamente comemorados, tanto em 1998, como em 2000.
É este regime republicano, fascista e corporativo, responsável pelo estado actual em que se encontra Portugal, que oferece e mantém lugar cativo no seu Conselho de Estado a criaturas do calibre de Alberto João Jardim, que vai ser celebrado neste país quando o povo sair à rua, comemorando, no próximo dia 25 de Abril de 2005.

No fim da semana

Maria Filomena Mónica prova no Público de hoje que a divisão entre sim e não à descriminalização do aborto não é tão redutora como a esquerda pretende que seja. Afirmar que quem é pelo sim à descriminalização é de Esquerda e que quem é contra é de Direita mostra uma grave ignorância da realidade portuguesa.
Da mesma forma que quem pensa que pelo PS ter tido a maioria absoluta a esquerda está em maioria no Parlamento. A realidade é que se o governo de José Sócrates conseguir pôr em prática dois terços das reformas que prometeu, ficará na História como o governo mais à direita que houve em Portugal desde o 25 de Abril. Por muito paradoxal que pareça.

"Teoria geral da mine"

Uma excelente dissertação sobre a mine, inventada cá no Reino, esse estado intermédio da cerveja entre imperial ou fino (conforme se está abaixo ou acima de Aveiro) e engarrafada (33cl ).
A ler aqui.

quarta-feira, abril 20, 2005

A lista de Malaquias

Segundo o Público de hoje, antes de se saber o resultado do conclave, um site já divulgara o nome do novo Papa.
Arcebispo de Armagh, Irlanda, por volta de 1139, S. Malaquias O'Morgair fez uma lista com os nomes de 112 futuros Papas.

O facto de a lista conter só 112 Papas e os Papas Nº 109 e Nº110 corresponderem a João Paulo I e a João Paulo II fez com que crescesse a curiosidade sobre ela.
O artigo completo, da autoria de Ronald L. Conte Jr., encontra-se aqui disponível.

terça-feira, abril 19, 2005

Histórias de encantar III

Eu tenho um irmão três anos mais velho que, quando éramos putos, era um traquinas do caralho. Um capricho da natureza fizera com que toda a brutidade e falta de inteligência da família se tivesse concentrado numa só geração e numa só pessoa, o meu irmão Jaime, em vez de se ter diluído ao longo de vários membros em várias gerações. Fartava-se de fazer asneiras, o cabrão. Misturava o leite com o café na cozinha, enfiava peúgas na cabeça do gato, distribuia com esmero e dedicação bilhetinhos obscenos nas caixas de correio do prédio, atirava cubos de gelo ao cão da porteira deixando-o a ladrar furiosamente o que iniciava de pronto uma caldeirada de caralhadas e impropérios por parte da mesma, acompanhados pelo voo picado das botas do marido que era bombeiro. Eu sei lá.
Um dia foram lá jantar a casa uns tios. É claro que durante o jantar o Jaime (é assim que se chama o meu irmão) fartou-se de fazer merda; interrompia as conversas, fazia perguntas parvas, tossia altíssimo, dava peidos inacreditáveis, mexia nas pernas da criada e, sempre que podia e ninguém via, pontapeava-me nas canelas e nos joelhos. A certa altura, enquanto acontecia a segunda volta do rosbife com batata palha e esparregado, a tia, inspirada pela alucinante sucessão de asneiras que testemunhara durante o jantar, sugeriu aos meus pais que o Jaime passasse a frequentar a catequese.
- Fazia-lhe lindamente.- insistia ela perante a incredulidade da minha mãe e a indiferença do meu pai.
O Jaime, que julgava que a catequese era uma espécie de recreio santificado em que se entrava para se poder massacrar mais alguém para além da família e dos colegas da escola, seguia a conversa com a atenção de um cão sentado em frente de alguém a comer pão com manteiga.
Quando as visitas se foram embora, a decisão estava tomada. O Jaime iria para a catequese.
Eu iria com ele, para prevenir males dobrados.
Quando chegámos ao sítio da catequese, que era numa sala pequena numa dependência da Basílica da Estrela, o Jaime escolheu de imediato um lugar na primeira fila de cadeiras, abrindo caminho à pisadela e ao encontrão. Eu acabei por ficar lá atrás.
Estávamos todos sentados, quando entra o senhor Padre.
Subindo a um estrado que ficava à nossa frente, atira com uma pasta enorme para cima da mesa e lança um olhar fulminantemente periférico, cuja intensidade jamais esquecerei, àquela plateia de putos sentados e cheios de sono.
De súbito, adivinhando no meu irmão Jaime a candura de um novato, fita-o nos olhos e atira-lhe berrando:
- Onde está Deus?-
Fez-se um silêncio escuro, frio e profundo.
- Onde está Deus ?- insistiu o senhor Padre, sem desfitar o meu irmão.

Quando cheguei a casa, a minha mãe perguntou-me:
- O teu irmão ? Não veio contigo?-
- Não.- respondi.- Ele saiu primeiro.
Depois de virarmos a casa do avesso encontrámos o Jaime no quarto, dentro do armário.
- Que é que estás aí a fazer?- berrou o meu pai furioso por ter tido que largar o cigarro, o jornal a televisão e o camandro para aderir ao pequeno grupo de caçadores de broncos.
- É que... É que... - balbuciava o cabrão, trémulo e lacrimejante.
O meu pai segurou-o por um braço e arrastou-o para fora.
- É que o quê? Hein ? Responde imediatamente. Ouviste?
- É que Deus desapareceu e o senhor Padre pensa que fui eu.

segunda-feira, abril 18, 2005

Pesadelo

Alberto João Jardim tem um pesadelo recorrente que é assim:
Todas as noites, no quase quase adormecer, ouve ao longe os ecos de uma melodia : "...a plaina corre ligeira, sharia sharia shariaôôô, tornando lisa a madeira..."

Conclave

Em 1268, na sequência da morte de Clemente IV, reunem-se em Viterbo 18 cardeais, 11 italianos e 7 franceses, para elegerem o próximo Papa.
Dois anos decorridos sem que a escolha tivesse sido feita enfureceram a população de Viterbo que achou por bem fechar à chave (con clavis) os ditos cardeais numa igreja até que a eleição se efectuasse.
Para apressar a decisão dos cardeais a população de Viterbo acabou por destelhar a igreja onde se encontravam, expondo-os às inclemencias do tempo.
Acabou por ser eleito o que ficaria para a História como Gregório X.

Em 1274, no Concílio de Lyon, o conclave (acto de fechar à chave cardeais com o objectivo de elegerem entre eles um Papa) passou a ter força de lei, sendo obrigatório.
Até hoje.

domingo, abril 17, 2005

A república e o poder III

Comparar o Alberto João Jardim e os seus tiques de presidente sul americano com um suposto Rei Alberto I, como faz Bernardo Motta no Afixe, mostra o quão profunda, devastadora e alastrante pode ser a desvitalização neuronial provocada por décadas de propaganda republicana.

A república e o poder II

Os permanentemente tolerados insultos do presidente da região “autónoma” da Ilha da Madeira aos representantes da república (que, para o bem ou para o mal, é o regime que vigora em Portugal) e o seu lugar cativo no Conselho de Estado revelam uma esquizofrenia intolerável de uma parte e uma passividade bovina da outra.

A república e o poder I

Em 2005, sec. XXI, 31 anos decorridos sobre o pronunciamento militar de 25 de Abril de 1974, a III República reconhece não saber quanto tempo deverão ter os cargos políticos executivos.
8 anos, 10 anos ou 12 anos? De quanto tempo deverão e poderão dispôr os presidentes das autarquias para poderem "executar os seus projectos", como eufemizava Marques Mendes.
Durante 31 anos, o regime republicano português contradisse-se, criando condições para a existência de mandatos vitalicios, ad aeternum,concedidos aos governadores regionais e aos presidentes de Câmara, quando ao próprio Chefe de Estado só é permitida a execução de dois mandatos consecutivos de cinco anos cada um.
Durante os últimos 31 anos, o regime republicano foi clamorosamente incoerente com os princípios que defende.

quinta-feira, abril 14, 2005

"Another one bites the dust"


Sporting 4...................Newcastle 2

Filosofia I

Se toda a regra tem excepção, e se isso for uma regra, qual é a excepção a essa regra?

Demolidor

(...) Por isso, aquilo que o Consumidor/gastador - na sua epilepsia recorrente, espumante e renovadora-, verdadeiramente anseia e perpreta é a morte do Passado; a erradicação das raízes, o parricídio das Origens. A sua, é uma fúria novo-rica, presunçosa, arrogante. O Passado é o supremo lixo que importa varrer para debaixo do tapete; os antepassados são porcaria inútil que convém despejar da janela, à noite, sem que ninguém veja; as tradições não passam de abcessos chagosos (...)

Este post no Dragoscópio, do qual extraí esta amostra.

"Estamos safos"

Murmuraram em coro milhares de funcionários públicos excedentários e incompetentes ao tomarem conhecimento da aprovação pelo Parlamento Europeu do envio de verbas e meios para o combate à seca e prevenção dos incêndios em Portugal.

Inquérito de rua II

- Está familiarizado com a arquitectura portuguesa ?
- Sim, mais ou menos, quer-se dizer...-
- O que lhe ocorre quando ouve falar em Siza Vieira ?
- Siza Vieira... Siza Vieira... não é aquele imposto novo que se paga quando se constrói na orla marítima?

Inquérito de rua I

- Boa tarde. Sabe que se inaugura hoje a Casa da Música?
- Sim. Julgo ter ouvido dizer.
- Sabe quem é Rem Koolhaas?
- Quem?-
- Sim.
- Não.

Inauguração

Hoje, da casa da Música.
Projecto do atelier do holandês Rem Koolhaas, o mesmo que esta semana ganhou o maior prémio de Arquitectura Europeu:O Mies van der Rohe.
Com um custo inicial de cerca de 3 milhões de contos, re-orçamentada em 2004 para 20 milhões de Euros, o custo final da obra rondou os 100 milhões de Euros.
Será que a nomenklatura kultural autóctone estará à altura do acontecimento?

Culto dos mortos

Ele há Blogs que, na barra de links, dispõem de uma secção de necrologia, tipo R.I.P.
Outros há que nem isso.

Mais vale tarde do que nunca

O presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, tinha um objectivo muito concreto na sua deslocação a terras de França.
Segundo Eduardo Prado Coelho afirma hoje no Público, o presidente foi devolver a auto estima aos portugueses residentes em França.

quarta-feira, abril 13, 2005

À Bomba

Esta é a resposta, ponto por ponto, à reacção do Flávio, autor do Blog A Bomba, a um comentário meu sobre a divulgação de uma montagem em video que "cola" declarações de Fátima Lopes relativamente ao uso de peles de animais com a exibição gratuita de violência sobre animais, incluindo o acto de esfolar um animal vivo.
Quando tomei conhecimento do referido video o meu primeiro sentimento foi de repulsa pelo mesmo.
Apercebi-me, no entanto, que o seu objectivo se confundia com o ataque dirigido a uma pessoa em particular, sob a aparente denúncia de maus tratos a animais, culminando no acto horrível de esfolar um animal vivo.
Publiquei um post sobre o assunto na altura.
Passo a responder, ponto por ponto, às absurdas acusações que me são feitas no supracitado Blog.

a) É paradoxal que condenes o sofrimento dos mais fracos e ao mesmo tempo te solidarizes com aqueles que o promovem.

Não há paradoxo algum entre condenar o que é exibido no vídeo e constatar que o que se pretende é manipular a opinião pública. Segundo os especialistas, que eu não sou seguramente, é muito mais difícl esfolar um animal vivo do que fazê-lo com ele morto. Caso o caro Flávio não saiba, todas as carcaças animais que acabam em bifes, costeletas, ensopados e etc., são de animais esfolados depois de mortos. Não o vejo a insurgir-se contra a possibilidade de degustar um suculento bife ou um ensopado de borrego.

b) Dizes que o video é manipulador, mas esqueces-te que a dita Lopes não só conhece perfeitamente a realidade denunciada pelas imagens, como também a defende publicamente.

A realidade denunciada pelas imagens qual é? É a de um grupo de cabrões a maltratar animais a pedido para ilustrar uma campanha contra o uso de peles. Presumo que os sapatos que o caro Flávio calça sejam de plástico ou de alpaca. Quando não está de ténis, bem entendido. E mesmo esses, hoje em dia também os há em pele.
Concordar com o uso de peles de animais não significa concordar com o sofrimento gratuito e maus tratos atrozes infligidos aos mesmos. Mais uma vez refiro a gratuidade da violência presente na exibição de uma animal a ser esfolado vivo.

c) Falas em ataque pessoal, quando na realidade a Animal apenas criticou as declarações públicas da Lopes, que foram vertidas na Imprensa.

Se a Animal pretendesse contestar o uso de peles, e está no seu pleno direito de o fazer, não se teria ficado pela montagem tosca de declarações públicas de uma pessoa com a exibição obscena de violência gratuita. Teria sido mais abrangente. Teria apresentado argumentos sólidos.

d) E a Fátima Lopes não é uma pessoa qualquer, mas sim a maior representante da nossa indústria da vaidade e uma personalidade que defende publicamente a barbárie.

Repito, mais uma vez: concordar com o uso de peles de animais não significa concordar que seja infligido sofrimento aos mesmos. Associar o uso de peles de animais com barbárie é um tique demagógico de quem não tem argumentos. Então e os sapatos, botas, cintos e "estofos de couro" ? Não são feitos com pele de animais ?
Fátima Lopes pode ser o que bem quiser e entender que eu me estou bem cagando para isso. Eu nem a conheço, calha bem.
O facto de ser uma portuguesa de renome internacional (mulher de sucesso, portanto) não significa, no entanto, que tenha que passar a ser um alvo a abater por parte das invejazinhas provincianas que proliferam como fungos por este país afora.

e) Pelos vistos, o que te incomoda não é a existência do sofrimento, mas sim a sua denúncia pública. Ou seja, tudo estará bem desde que se esconda a porcaria debaixo do tapete.

O que me incomoda é a facilidade com que pessoas que considero inteligentes se deixam manipular tão facilmente, bastando para isso apelar ao voyeurismo endémico que existe em tanto português. O mesmo voyeurismo que empanca o trânsito nas estradas e autoestradas na perspectiva de se poder ver um pouco de sangue e sofrimento sempre que há um acidente.

f) Pretendes desacreditar a Animal quando não tens provas para tanto e invocas um acto de terceiros e com mais de duas décadas de idade.

Pelos vistos não sou o único a questionar a idoneidade da associação Animal. A frase : (...)
Concordo que a origem do controverso video e a forma da sua obtenção deveriam ser esclarecidas pela Animal: até aqui, tudo bem. (...) não é minha.
Relativamente ao acto repugnante perpetrado pela Greenpeace em 1978 que consistiu no pagamento a um caçador de focas para esfolar uma foca bébé viva e ser filmdo a fazê-lo, cuidas tu que o decorrer do tempo sobre a selvajaria é razão suficiente para que a mesma adquira foros de candura ?

g) Condenar o lucro a todo o preço e a tortura é um acto de lucidez e inteligência, que transcende as ideologia políticas. Aliás, a Animal é uma organização plural que reúne membros de todas as cores partidárias, credos e nacionalidades.

Concordo com a condenação da tortura e do lucro a todo o preço. No entanto, se a Animal é uma organização plural que reúne membros de todas as cores partidárias, como afirmas, então tem que ter cuidado redobrado na forma como dá a conhecer os seus objectivos.


Ao Afixe!

Parabéns!

terça-feira, abril 12, 2005

Histórias de encantar II

Era uma vez um cão-lobo e um urso-formigueiro.
Embora vivessem na mesma floresta, nunca se dera o acaso de se encontrarem.
Á medida que os anos decorriam, as probabilidades de isso acontecer cresciam de forma assustadora. Um dia encontraram-se.
O urso-formigueiro, de indole aprazível e comunicativa, encetou as apresentações:
- Ora viva! Quem és tu e como te chamas, que nunca te vi por aqui?- inquiriu o urso-formigueiro exibindo num esgar um olhar de vaca alucinada.
- Eu ? - disse incrédulo o cão-lobo. - Eu sou um cão-lobo .
- Um cão-lobo? E porque carga de água te chamas assim, ó cão-lobo? - retorquiu, berrando confuso e impaciente, o urso formigueiro aproximando as fauces descarnadas e babantes a dois centímetros do focinho do cão-lobo, que permanecia impassível.
- Ora, porque o meu pai era um cão e a minha mãe era uma loba. E tu, como te chamas?- retorquiu o cão-lobo.
- Eu ? Eu cá sou um urso-formigueiro! - afirmou com orgulho, endireitando-se, o urso -formigueiro.
- Estás a gozar...? - retorquiu-lhe o cão-lobo, virando-lhe as costas e partindo.
A confusão permanece, até hoje, no espírito do urso-formigueiro.
Anos decorridos, nunca mais se encontraram.

Reflexões II

Um dia, todos os acordes terão sido descobertos, todas as combinações musicais experimentadas e a música será um imenso replay de milhões de anos de evolução instantânea.

Reflexões I

Alturas há em que a essência do que sou é tão densa e pesada que, ao vislumbrar isso, dificilmente posso comigo, sendo a custo que avanço.

Toby


É um coelho doméstico que se encontra sequestrado pelo seu dono que ameaça matá-lo e comê-lo em 30 Junho se ... não lhe pagarem 50.000 USD.
A sério. Ver aqui.

A lista de Arnaut

Treze dias antes das comemorações do putsch militar que derrubou o regime autoritário de Marcello Caetano, abrindo definitivamente caminho à democracia em Portugal, é tornado público que uma lista com 3600 nomes, entre ex-agentes e informadores da P.I.D.E./D.G.S., se encontra nas mãos da direcção do GOL, ou seja , da Maçonaria. Para quê?

O sucessor



Considerado um dark horse pelo The Guardian, Dom José Policarpo, apesar de fumador compulsivo, mantém-se como um dos favoritos na corrida para o próximo pontificado.
Será durante o pontificado do sucessor de João Paulo II que Ron Howard concluirá o filme inspirado no livro de Dan Brown O Código Da Vinci.
A própria acção do livro, de resto, decorre durante o pontificado do próximo Papa.
A propósito da recente tomada de posição oficial da Santa Sé, relativamente a este livro de Dan Brown, lembrei-me de uma outra polémica, desta feita tendo como questão central o santo sudário de Turim.
Na década de 90, a Santa Sé deu o seu acordo à realização de testes de carbono 14 que provassem a idade real do sudário de Turim. Durante cerca de duas semanas, o santo sudário foi observado, analisado e datado para se concluir que teria entre 700 e 800 anos de idade.
Não era de forma alguma,- aos olhos da ciência isso seria impossível-, o sudário que envolvera o corpo de Cristo após a sua morte na cruz. Mas, até hoje, a fé dos fiéis manteve viva a crença de que se tratava do sudário que envolvera o corpo de Cristo após a sua morte.


sábado, abril 09, 2005

Casamento Real



De Charles of Windsor, herdeiro do trono de Inglaterra com Camilla Parker Bowles, amantes há 30 anos.Casamento contestado por muitos e olhado com indiferença por outros tantos tem a particularidade de o ser entre um protestante e uma católica.
Politicamente falando terá, a seu tempo, muito que se lhe diga.
Este casamento lembra-me um episódio decorrido durante outro casamento real em que também um Charles esteve envolvido.Este outro, Charles Stuart, era católico e foi Rei entre 1660 e 1685.
Ficaria na História como Charles II. Nunca D. Carlos II, como escreveu Miguel de Sousa Tavares em O Equador. Adiante. De indole leviana e vingativa, não se coibiu, por exemplo, de mandar desenterrar o cadáver do republicano Oliver Cromwell para que se procedesse ao ritual executório que para o mesmo foi considerado o necessário: enforcamento seguido de decapitação. O mesmo Cromwell que providenciara a decapitação do seu pai, Charles I.

Enfim...

Destinada a partilhar a mesa, o trono e a cama desta criatura gentil, atenta e tolerante, foi escolhida a princesa Dona Catarina de Bragança, filha de Dom João IV, Rei de Portugal.
Tratando-se de um casamento eminentemente político, e não estando o Rei Inglês minimamente interessado na noiva, nos convidados ou na cerimónia em si, resolveu manifestar esse seu sentimento prolongando o mais que pôde o atraso com que chegou à cerimónia a que se seguiria grandioso banquete, como seria de esperar, dada a real importância dos noivos.
Apercebendo-se do mal estar causado pelo atraso do Príncipe, Dona Catarina de Bragança decidiu mandar servir chá, por forma a mitigar, por pouco que fosse, a fome que já se fazia sentir e a consequente indisposição generalizada por parte dos convidados e do muito povo que, na rua, aguardava a cerimónia.
Foi a partir deste dia, e em memória solidária com esse gesto da princesa portuguesa, que em Inglaterra se instituiu o ritual diário do chá, ficando de tal forma enraizado na maneira de ser britânica que se tornou um estereótipo do ser inglês.

quinta-feira, abril 07, 2005

Indignação consensual

É o que existe entre esquerda e direita no que respeita à utilização do Falcon como meio de transporte oficial pelos governantes lusos.
Nesta ultima viagem até o Prof. Diogo Freitas do Amaral transportou.
Consenso maior é impossível.

Recomendo

A leitura desta descrição do regresso de Isaltino de Morais à vida política activa.

quarta-feira, abril 06, 2005

06:35



Morreu Rainier Grimaldi.
Os negligenciados duzentos hectares do principado do Mónaco transformaram-se, durante os cinquenta e seis anos do reinado de Rainier III, num dos mais prestigiados estados europeus.
As monarquias europeias estão de luto.
Com o tratado assinado com a França em 1918, o Principado do Mónaco manter-se-á independente enquanto houver um Grimaldi pretendente ao trono.

terça-feira, abril 05, 2005

Desafio

Desafio a Blogosfera a desencadear uma revolução:
Exigir que Diogo Freitas do Amaral se candidate à Presidência da República.
Fora do circuito partidário e dos mass-mérdia.
Um movimento genuíno de apoio à candidatura do Professor à Presidência.
É só passar palavra.

(Portugraal, sendo um blog monárquico, jamais se resignará a que o mais alto cargo da Nação seja ocupado por alguém que, enquanto mastiga bolo-rei de boca aberta, se arroga ares de quem não lê jornais, nunca tem dúvidas e raramente se engana.)
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!