sexta-feira, agosto 12, 2005

Desprezo II


«Os incêndios são preocupantes quando há pessoas e bens afectados, mas a situação não é de uma enorme gravidade do ponto de vista da conservação da natureza»

Humberto Rosa, secretário de estado do ambiente, referindo-se aos 15.500 Ha de área "protegida" ardida, no rescaldo dos incêndios deste ano.

Desprezo I

"...O Ministério dos Negócios Estrangeiros (...) não é uma agência de viagens..."

Resposta de Carneiro Jacinto, porta voz do MNE, dada hoje quando inquirido sobre que ajuda e diligências por parte dos serviços da Embaixada de Portugal em Londres podiam os portugueses retidos em Heathrow contar.


«As embaixadas e os consulados existem para dar aquilo que nós chamamos protecção consular às pessoas. Significa pessoas que estão com dificuldades, de saúde ou outras. Não significa que são para resolver problemas de pessoas que estão em turismo e ou em viagens de negócios e que apanham com uma greve pela frente»

Como na Tailândia após o tsunami de 24 de Dezembro de 2004. Certo?

quinta-feira, agosto 11, 2005

Doze de Agosto






A "época dos incêndios" está mais que a meio, quase perto do fim. Cento e vinte mil hectares ardidos depois, a discussão estéril, a recriminação desabafante, a co-irresponsabilidade total dos senhores do poder está bem patente no cinzeiro nacional, na desolação da paisagem, na desertificação resultante da chacina pueril a que foi submetida a floresta, a paisagem, a fauna natural, a alma de todos os portugueses.
O ministro António Costa, após se ter reunido com os vários "responsáveis" (esta coisa dos fogos é complexa, há que haver vários, senão mesmo muitos "responsáveis") pelos vários pelouros que dirigem nos diversos e variados "combates" que travam contra as "chamas". O mais tecnológico dos quais foi o do Bloco de Esquerda, apelando ao combate às chamas na origem, leia-se, na sua divulgação.
Medindo áreas ardidas com fita métrica, os senhores do poder da república chegaram à sossegantemente provisória cifra de 68 mil hectares ardidos. Mas a Europa (a que todos reclamam que Portugal pertence) mercê do recurso a meios tecnológicamente chocantes, incuindo o rastreio por satélite, chegou a uma cifra bem maior: 120 mil hectares ardidos. Até agora.
Não é culpa deste ou daquele partido.
É, isso sim, culpa do regime, porra.
A república está morta. E fede.
Se fede.
Real! Real! Por El-Rei de Portugal!

terça-feira, agosto 09, 2005

Lambada nas tasquinhas

Santos populares ainda duram na Figueira da Foz.

S. Pedro
e Nada envolvem-se em em cenas de pancadaria

O caso mais flagrante aconteceu no sábado à noite, quando o candidato do PS à Junta de Freguesia de Marinha das Ondas, Manuel Rodrigues Nada, foi visitar as tasquinhas da ExpoOndas, certame da localidade, encontrando o actual presidente da Junta e recandidato pelo PSD, São Pedro Almeida. Foi então que começaram os insultos e seguiram-se agressões físicas.

Futurologia II

Quando os pelouros da REN e da RAN, implementados pelos monárquicos a seguir ao 25 de Abril de 1974, cairem nas mãos dos autarcas que, assim, poderão "planear" a seu belprazer, definindo o que pode ou não ser área urbanizável, o que deve ou não ser protegido, os incêndios provavelmente diminuirão e a República terá conseguido mais um objectivo: a regionalização que não conseguiu com o referendo, obteve-a com o fogo.
Como em 1908: O que não conseguiram pela via democrática, conseguiram-no a tiro.

O Sol, o sal, a praia e outras merdas

- Rui Miguel chegas aqui imediatamente fazes o favor? - ruge a megera.

-...-

- Tu ouvistes o que te acabei de dizer Rui Miguel?-

-...-

(sssuoooshh sssuooosh sssuooosh (passos na areia))

(ZZZTRASSSHHH...(tonc) )

_ Para a próxima já sabes.-

- estúpida -

domingo, julho 31, 2005

O Template

- Vou mudar o template desta merda.
- Não faças isso. Já mudaste uma vez, lembras-te?
- E depois? Posso mudar de template as vezes que me apetecer.
- Então tiveste uma trabalheira enorme, perdeste uma data de links e não ganhaste nada com isso.
- Não quero saber. Vou mudar o template desta merda, foda-se.
- Não faças isso. A sério. Olha, come antes uma peça de fruta.

sábado, julho 30, 2005

O Papagaio

Quando mo ofereceram não cabia em mim de contente. Um papagaio verde, que falava. Antes que me fosse entregue, fui a correr comprar um poleiro próprio para papagaios na primeira loja de animais que encontrei: um T com uma corrente e dois recipientes em cada ponta do traço do T.
No primeiro dia, não dizia nada. "Olha que o gajo fala pelos cotovelos" garantira-me o casal meu amigo de partida para a Austrália. "E às vezes até diz um palavrãozito ou dois", gracejou a medo a Joana.
- Ah é? - respondi eu. Vindo de quem vinha, dificilmente imaginaria que as provocações em vernáculo da palradora ave fossem muito além de sonoros "ó louro dá cá o pé" ou então "olha lá ó paspalho!", ou, na mais escabrosa das hipóteses um "desolha, ó pintas!". Mal sabia eu.
É sempre ao terceiro dia que ocorrem fenómenos determinantes na existência humana.
Foi então que o papagaio resolveu dissertar em velocidade e variedade sobrepondo as mais alarves e inconcebíveis avaliações sobre anatomia humana com classificações multigeracionais
de género tipo e feitio sobre todo e qualquer transeunte que passasse.
O rol de impropérios incluia mimos do tipo "tens cá uma máquina de cagar!" e "pokeralhopókeralho...!croac!....dassse....!croac!...vaituókamelovaitu...!croac!" , etc.

Precipitei-me para a varanda e consegui arrancar o conjunto poleiro/papagaio para dentro da sala, entornando no acto sementes de girassol e água na alcatifa no exacto momento em que uma chusma de aleivosias eram cuspidas envolvendo as dimensões do aparelho genital do Sr. Barros, sapateiro aposentado, e a indiscrição da dona Lurdes, do lugar.. Olhei a ave fixamentemente no olho direito, era o que estava a olhar para mim na altura, reparei nas penas encrespadas no pescoço e mumurei-lhe em surdina entredentes : "Ouve uma coisa, ó meu grandessissimo papagaio dum cabrão. Se voltas a dizer um palavrão, caralho, UM PALAVRÃO que seja, garanto-te que te enfio no frigorífico durante uma semana.
"Tábémtábém !croac!" respondia desdenhoso. "OUVISTE???", berrei encostando os dentes semicerrados à fronha do pássaro. Ele disse que sim que sim que tinha ouvido.
Saí para trabalhar descansado. Quando voltei não queria acreditar. À entrada do prédio tinha um comité de recepção constituido por dois policias, a porteira do lado e o administrador do meu prédio. Duas freiras e um cauteleiro fechavam o conjunto. Resumindo:
Após a minha saída, o papagaio voltou à carga e despejou durante horas todo o tipo de impropérios possíveis e imaginários. As freiras, conduzindo um grupo de crianças órfãs a caminho da praia, decidiram chamar a polícia face às bestialidades gritadas pelo pássaro, as quais, além de dissertações alucinantes sobre a anatomia dos personagens do presépio, incluiam detalhadas descrições dos hábitos sodomitas de certos pinguins.
O cauteleiro, que passava por ali por acaso, ficou pregado ao chão a ouvir o papagaio. "O papagaio é seu?" perguntou-me. Respondi-lhe que sim. "Juro-lhe" afiançou-me ele, "que nunca ouvi um papagaio berrar palavrões daquela maneira! E o que ele dizia... E se eu tenho viajado pelo mundo!" disse olhando com espanto as copas das árvores do outro lado da rua.
Forneci os meus elementos de identificação à Polícia para "dar provimento à queixa".
"De quem", perguntei eu? "De toda a gente", repondeu o polícia olhando-me com ar triunfant
e.
Pedi desculpa a toda a gente, garantindo que aquilo jamais voltaria a acontecer após o que subi devagar os degraus da escada até ao meu apartamento, no 1º andar. Meti a chave à porta devagar, possuído por um sentimento de ódio gelado e sede de vingança como nunca na vida sentira. Fechei a porta atrás de mim com cuidado, como se não quisesse acordar ninguém e dirigi-me furtivamente à varanda. Agarrei no papagaio/poleiro e trouxe o conjunto para dentro.
Nem me atrevi a olhar para baixo, de onde vários pares de olhos me fitavam.
Corri as cortinas, agarrei no papagaio, soltei-o da corrente que o prendia ao poleiro e, enquanto me encaminhava para a cozinha dizia-lhe, martelando sincopadamente cada sílaba: "Es-tás-fo-di-do-meu-ca-brão"
"No frigorifico? Nãããã. Vais mas é para o congelador!" Abri a porta da arca vertical escolhi a gaveta menos cheia, enfiei lá o papagaio fechei a gaveta com força e bati com a porta gritando" É PARA APRENDERES".
Servi-me de uma dose generosa de Bushmills, juntei-lhe um pouco de água fria, acendi um cigarro e fui calmamente até à sala. Liguei a televisão e decidi alienar-me do mundo durante o tempo daquele cigarro.
À medida que os minutos passavam, o cigarro e o whiskey desapareciam, a calma regressava devagar, como folhas secas a poisar no chão a seguir a uma inexplicável rabanada de vento.
Comecei a sentir um ligeiro desconforto ao imaginar o papagaio trancado no congelador. O desconforto transformou-se rápidamente num saco de remorsos pesadíssimo. Levantei-me e libertei o bicho do seu castigo, trazendo-o para a sala embrulhado numa toalha de cozinha.
Comecei a enxugá-lo devagar e, a pouco e pouco, as tremuras de frio foram desaparecendo, enquanto conversava com ele e lhe tentava explicar que não se pode andar a dizer palavrões a toda a gente, a insultar as pessoas que passavam na rua, que era muito feio, enfim as parvoeiras que se costumam dizer a um papagaio de que se gosta e que se portou mal. A tudo ele dizia que sim, acenando com a cabeça e evitando, a todo o custo, olhar-me nos olhos. De seguida poisei-o no chão e observei-lhe as penas exofradas da nuca enquanto ele se afastava bamboleante, como um pirata de perna de pau. De um salto poisou no braço da poltrona à minha direita e ali se deixou ficar, encolhido. Minutos depois, poucos, dois ou três, salta para o chão e dirige-se na minha direcção. Mantive-me quieto, na expectativa. De súbito senti que me estava a puxar pela bainha das calças. Soergui o tronco e olhei para baixo. O papagaio acenou-me com a cabeça como que a dizer para me aproximar. Debrucei-me na sua direcção e ele, acenando com a cabeça em direcção à cozinha, perguntou-me com voz rouca e muito baixinho: "O que é que fez o frango?"

sexta-feira, julho 29, 2005

Passar palavra


«Alguma imprensa – com particular atenção de um semanário – sempre atento a tudo quanto seja polémico neste assunto – tem dado inusitada relevância aos que apelidam de monárquicos, confundindo-os com o PPM agora com visibilidade mediática graças ao seu actual Presidente e, creio que, sobretudo ao seu Vice-Presidente saído da popularucha "Quinta das Celebridades" para a política pêpemista. Ora nem o PPM representa os monárquicos – a esmagadora maioria ou milita ou vota noutros partidos – nem o actual PPM representa mais do que a cúpula que o tomou e uns tantos incautos que votaram nela.»

«O PPM nasceu de um grupo de monárquicos que se opunham ou discordavam do Estado Novo e que com o 25 de Abril quiseram marcar a diferença daqueles que na Causa Monárquica – onde já tinham ocorrido dissidências antes de 1974 – apoiavam o regime autoritário de Salazar, o supremo manipulador, que foi sempre alimentando a ideia de uma restauração a troco do apoio de monárquicos formados numa doutrina mal assimilada que os fez preferir a ordem a qualquer preço, sobre a liberdade dos que proclamavam que "o nosso Rei é livre e nós somos livres". Cumpriu a sua missão. Devia ter morrido aí.»

«A partir de então passou a ser um grupúsculo com ideias políticas de sinal contrário e ultimamente serviu para fazer, aqui e acolá, coligações com os grandes partidos, na convicção de que ascenderia ao poder, autárquico ou nacional. O PPM se já não era nada, hoje ainda o é menos, com tiradas do seu Presidente que se considera mais herdeiro dos Reis de Portugal do que o Senhor Dom Duarte de Bragança, por descender de uma Infanta casada com um Duque de Loulé e ou do seu Vice-Presidente que tendo tido a brilhante ideia de candidatar à Câmara de Cascais uma das celebridades de tal quinta, teve esta saída brilhante "Neste país pode-se ser homossexual, mas uma mulher solteira não pode ser candidata só porque teve vários homens"!»

«A defesa da monarquia é uma coisa muito diferente desta exposição mediática por más razões, muito diferente da defesa inglória e ridícula de uma pretensão à representação dos Reis de Portugal que a quase totalidade dos monárquicos vê com uma gargalhada, senão com comiseração pelos protagonistas atirados para a frente de guerras pessoais. É a defesa de um regime em que a Chefia do Estado e da Nação coincidem, em que o seu detentor não está dependente e prisioneiro dos votos dos partidos, em que a sua independência é garantia da estabilidade política, em que a representação exterior do País ganha outra visibilidade e outra credibilidade.»

«Para essa luta contribuíram e contribuem muitos portugueses de relevo, com formação ideológica e política, com convicções, no anonimato muitas vezes, sem parangonas nos jornais das intrigas políticas e da vida social, que só lhes interessa o apoucamento de luta pela Monarquia ou o seu lado "folclórico", das celebridades e dos aristocratas do "socialite".»

«A defesa da Monarquia é uma coisa séria. Não uma brincadeira de quem, sem saber como, se apanhou na ribalta política e dela fez trampolim para as suas "causas" pessoais.»

João Mattos e Silva

Texto retirado daqui

Euro English



(...) "This will make words like fotograf 20% shorter. "(...)

No Só Palpites .

Em roda livre

Portugal não recorreu a um fundo de 17.832.000 Euros (mais de 3,5 milhões de contos) a que poderia ter recorrido para minimizar os resultados da seca.

Este fundo não carecia da aprovação da Comissão Europeia.

terça-feira, julho 26, 2005

Monarquia ? Sim, por favor.







A quase candidatura de Mário Soares à presidência da República reflecte a falência do regime republicano em três frentes distintas: na sua
essência, no seu futuro e na sua credibilidade.

Na sua essência porque desde o 25 de Abril de 1974 e em todas as eleições presidenciais, todos os presidentes da república eleitos exerceram dois mandatos consecutivos única e simplesmente porque constitucionalmente não puderam exercer um terceiro. Não que isso não fosse um desejo legítimo dos eleitores. Se a lei o permitisse, o Chefe de Estado em Portugal, sendo um presidente da República, seria permanentemente re-eleito. Seria um quase Rei.
A permanência em funções de criaturas como Alberto João Jardim e a complacente condescendêndia para com as suas diatribes, acessos de arrogância e grosserias, concedendo-lhe assento permanente no Conselho de Estado reflecte bem que tipo de Estado é este.

No futuro porque um partido (PS) embora se reclame herdeiro do partido republicano, não consegue descortinar nas suas hostes ninguém ao nível de candidato a Chefe de Estado sem ser o seu próprio fundador. para os repblicanos do PS, ninguém está tão bem colocado para disputar umas presidenciais do que um presidente com dez anos consecutivos de exercício. Mesmo que tenha oitenta anos de idade. E depois logo se vê.
O outro partido (PSD) tem para oferecer como candidato o homem da regisconta. Os candidatos a chefe de Estado são apresentados como produtos de feira, elixires milagrosos, banha da cobra, só eles capazes de conduzir Portugal na senda do futuro. Seja ele qual for.

O regime republicano está ferido de morte na sua credibilidade porque ao querer promover junto do povo candidatos com provas dadas do que fizeram, não se livra de que esses mesmos candidatos também tenham provas dadas do que não fizeram, como por exemplo, a falta de empenho pessoal na criação de uma estratégia de combate aos incêndios à semelhança do que foi implementado há 12 anos na Andaluzia com provas mais que dadas e resultados exemplares. À semelhança, aliás, do que o actual presidente também não fez.
Ou, no caso do candidato do PSD, chefe de goveno por dez anos consecutivos, a falta de coragem para avançar com profundas reformas internas, desde a administração pública, à revisão da lei do arrendamento, contribuindo assim para o descalabro e o caos urbanístico nas periferias das grandes cidades, obrigando gerações e gerações de portugueses a endividarem-se para com os bancos, verdadeiros senhorios incontestados, pagando rendas astronómicas por apartamentos que serão seus ao fim de trinta anos.

A partidocracia republicana vigente, herança dos republicanos do início do século passado que suprimiram os círculos uninominais criados no tempo de Fontes Pereira de Melo, na segunda metade do sec. XIX, que fomenta a eleição para a Assembleia da República de deputados que nem sequer conhecem o seu próprio círculo eleitoral, quanto mais os seus eleitores, é o expoente máximo de um regime em que os interesses corporativos e o compadrio descarado entre meia dúzia de senhores feudais se sobrepõe descaradamente ao interesse do país.

Em conclusão, refira-se que a noção de património se encontra definitivamente arredada do modus operandi do regime republicano. Seja esse património de origem natural ( florestal, hídrico e marítimo) ou edificado (pontes, estradas, monumentos ,etc.,). O que ainda existe é para ser negligenciado, saqueado ou negociado. A complacência do poder republicano para com a praga cíclica e anual dos incêndios e a sua promoção a fenómeno "meteorológico" sazonal, previsível e inevitável é um insulto à inteligência de todos os portugueses. Quando os pelouros da RAN e da REN forem definitivamente depostos nas mãos dos caciques autárquicos, que promoverão a sua rápida delapidação e substituição por monstros de betão, será tarde.
A regionalização que não foi conseguida com o referendo será obtida pelo fogo.



Agradecimentos

Ao The Antoninos, ao Xanel 5 pelas referências.
A O Velho da Montanha e ao blogame mucho pelos links.
Parabéns, ainda que atrasados, pelo 2º aniversário ao blogame mucho, um Blog caliente, carregado de sensibilidade e bom senso.

domingo, julho 24, 2005

Presidenciais 2006

O gráfico com que o Expresso resolveu acompanhar mais uma das suas sondagens, desta feita relativa a umas eleições presidenciais que se realizarão daqui a seis meses, é em si próprio expressivo e digno de nota. Senão repare-se:

1. Cavaco Silva, aparece numa atitude despreocupada, de mão no bolso, como quem caminha seguro do que quer, sem dúvidas, poucos enganos e nenhum Bolo-rei. Mas atenção! O que é que ele leva na mão? Um jornal. Ele leva um jornal na mão. Para quem se gabava de nunca ler jornais, há contradição que chegue.

2. Em seguida aparece Mário Soares. Aparece não. Acontece. Mário Soares acontece de repente, vindo de parte nenhuma, como uma bailarina acabando um pas de deux. Ou como um génio cuja lamparina foi inadvertidamente esfregada. Nada na mão esquerda. Nada na mão direita. Eis-me.

3. Manuel Alegre parece ter sido tele transportado por engano. Enganaram-se nas coordenadas e em vez de se ver calmamente a deambular pelos corredores de S. Bento, dá consigo em cima dum 42 a olhar, pasmado, para as evoluções dançantes de Soares perante a calma intranquila do Sr. Aníbal.

4. Por fim, Freitas do Amaral surge sobraçando os complicados dossiers que terá que estudar para quando arrancar com a campanha eleitoral, enquanto que a mão direita se presta a largar a pasta dos Negócios Estrangeiros, aguardando para isso um momento em que ninguém esteja a olhar. Se alguém olhar, pode sempre abanar a pasta, como quem chama um táxi.

sábado, julho 23, 2005

Domingo à tarde


(c) Manuel Amado


quinta-feira, julho 21, 2005

PPM muda para PCP (f m)

O Partido Popular Monárquico vai mudar de nome. Passará a chamar-se Partido dos Câmara Pereira (f m - fadistas militantes) .
O logotipo será um cavalo ruço cavalgado por uma raposa chamada Elsa.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!