segunda-feira, outubro 24, 2005

Solidariedade emplumada

Face à escabrosa escalada de violência histérica e intempestiva, acompanhada de não menores manifestações descontroladas de verborreia compulsiva e incontinente escabeche que vem assolando o planeta em toda a extensão do seu perímetro alado, daqui envio um sincero e honesto abraço solidário aos Pássaros, ao Frangos para Fora e ao Pombo Incontinente.

Contradições da República

Em Janeiro de 2006, mais uma vez, os portugueses serão chamados às urnas para elegerem o chefe de Estado de Portugal. Desde as primeiras eleições para a Presidência da República, após o pronunciamento militar de 25 de Abril de 1974, que os candidatos eleitos são-no invariavelmente pela segunda vez, cumprindo segundo mandato.
Provavelmente sê-lo-iam de novo se existisse a possibilidade de um terceiro mandato, e por aí fora. E isto porque, na sua essência, os portugueses são profundamente monárquicos. Durante anos, todavia, a propaganda republicana encarregou-se de explicar que isso era mau. Mesmo durante a II República, os tais famosos 48 anos de ditadura foram-no em República.
No entanto, se até agora e após (repito) o pronunciamento militar de 25 de Abril de 1974, um simples presidente de câmara podia ser eleito e re-eleito as vezes que se quisesse, o mesmo nunca foi possível com o mais alto magistrado da nação. Porquê? Porque o regime republicano é, em si mesmo e acima de tudo, profundamente contraditório.

Publicado hoje em O Eleito

quinta-feira, outubro 20, 2005

20 x 20 x 20

Acabada a época dos incêndios, que vai de 14 de Maio a 14 de Outubro, e o semestre das aparições em Fátima, de 13 de Maio a 13 de Outubro (o cuidado e esmero com que a República se apropria de certas datas de forma insinuante e promíscua é digno de nota. Nem a porcaria do dia da implantação da República escapou de ser pespegado em cima do dia da Fundação do Reino de Portugal. Mas adiante) como eu dizia, acabado definitivamente o Verão, por decreto, com as autárquicas a chocalhar e o Sporting a implodir, eis que o país se suspende da hora mágica: as 20:00h de 20 de Outubro; o momento escolhido por Cavaco Silva, aluno de vintes segundo VPV, anunciar o que toda a gente sabe: a sua candidatura à Presidência da República. O que é espantoso nesta história em que o facto vem ao encontro de quem o espera, o que tem de notável é, precisamente, a gestão da sua previsibilidade. Tornar a expectativa realidade é, por si só, merecedor de confiança.
É por isso que Cavaco Silva vai ganhar as eleições. Alimentando e gerindo com habilidade a expectativa manteve igualmente a esperança na sua própria candidatura, e ao cumprir com o que prometeu (só anunciar a sua decisão após as autárquicas, seja ela qual for) devolve aos portugueses que o irão eleger um bem precioso nos conturbados dias que correm: a ilusão de que são donos do seu destino. Devolve, com juros, a segurança ilusória que caracteriza a previsibilidade. Quando Cavaco ganhar, todos os que votaram nele sentirão que ganharam também. E, por isso, ele vai ganhar.
Não porque possa fazer muito mais do que os seus predecessores, a Constituição não deixa, mas porque parece que pode. Quem cumpre aquilo que promete, ainda por cima sendo político, torna-se a excepção, arrastando com a simpatia dos eleitores mesmo que, posteriormente como agora, o que quer que venha a prometer e a cumprir seja irrelevante.
A oposição a Cavaco é, e será, inexistente; Louçã e Jerónimo de Sousa cumprem calendário à custa dos contribuintes, e tanto Alegre como Soares não passam de duas facções a abater dentro do próprio PS. A partir de Janeiro, após as eleições, o governo de Sócrates sairá reforçado graças à conclusão da limpeza interna no aparelho do partido com a garantia de que Cavaco não quererá outra coisa senão manter no poder um governo que, mantendo uma política impopular, procurará corrigir o deficit, conter a despesa pública, aumentar a receita fiscal, preparando o terreno para um regresso triunfal do PSD, sufragado por maioria por um povo farto de crise e de apertar o cinto . Nessa altura, provavelmente, será Rui Rio quem pedirá a palavra para concluir o que começou a dizer a José Sócrates no fim do passado dia 9 de Outubro.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Segunda feira....

O Sporting perdeu com a Académica em Alvalade. É a terceira derrota consecutiva. Está na altura de atirar alguém aos leões.

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José Sócrates, o estratega, prepara-se para festejar em Janeiro a derrota definitiva de Mário Soares, o dono do PS. Pelo caminho ficam António Guterres, Ferro Rodrigues, João Soares, Manuel Alegre e Manuel Maria Carrilho.

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João Carlos Espada, no último Expresso, festeja a vitória de Sócrates e Marques Mendes nas eleições autárquicas mostrando, mais uma vez, que existe na direita um contraponto a Eduardo Prado Coelho que, por sua vez, é o contraponto à esquerda de Luís Delgado e por aí fora, cumprimentando, en passant, Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares.

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Parece que é este mês que António Lobo Antunes recebe da Academia Sueca o prémio persistência por ter tantas vezes concorrido ao Nobel da literatura sem sucesso. A Suécia, entre outros encantos, é conhecida pelo famoso jogo de cartas - a sueca - uma espécie de bisca alta e loura, pela ginástica sueca e pela Academia Sueca, que anualmente sorteia prémios Nobel por diversos concorrentes em variadas modalidades.
Por outro lado a vaca, além de cornos, também possui pernas compridas que mantêm as tetas fora do alcance das formigas e outros insectos rastejantes, bem como uma pele preta e branca que serve para a manter toda junta.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Ressaca

Estado pré comatoso de empastelamento existencial caracterizado por sede avassaladora e absoluta intolerância ao ruído acompanhados de embaciamento persistente de toda e qualquer actividade, sensata ou não, produzida por qualquer dos dois hemisférios cerebrais.
É assim que que se encontra Portugal no momento.
Desde o pretenso descomprometimento do PM (José Sócrates) para com os catastróficos resultados eleitorais obtidos pelo PS (Partido de Soares), até aos dislates ilegais proferidos pelo próprio Soares à boca das urnas, passando pela ajardinada exuberância de Valentim Loureiro e pelo desalento cabalístico de Avelino, perpassa uma imagem de fim de festa que ninguém percebe muito bem que acontecimentos pretendeu celebrar. A festa pela festa tornou-se o objectivo último das desorientadas populações deste país queimado, seco, alegremente à beira da bancarrota.
Estamos quase quase a ser o Brasil da Europa. O que nos falta em área, clima e gente sobra-nos em diversidade paisagística, secura e imaginação. Dizer bicha em vez de fila é politicamente incorrecto. Noventa e nove por cento das frases começam por é assim. Seja quem for que as diga.
O cinco de Outubro é a data da implantação do vinte cinco de Abril.
À asneira sucede a asneira, a
pessegada, o disparate.
Vale a pena dar uma vista de olhos à escolha de cartazes feita pelos Dolos Eventuais.
Depois dos sorrisos e/ou gargalhadas de que certamente serão acometidos, vejam os cartazes outra vez e pensem: Isto é a República portuguesa. Se conseguirem olhar para os cartazes segunda vez sem desatarem a chorar de raiva lembrem-se da exibição da selecção nacional frente à merda do Lichtenstein. Se, mesmo assim, as lágrimas não vos saltarem dos olhos como pulgas alucinadas esmagando-se contra os écrans, das duas uma: ou estão grossos, ou estão grossos. Ainda. A ressaca virá depois.

sábado, outubro 08, 2005

Há qualquer coisa que não está bem...

...quando um Primeiro Ministro se recusa a interomper férias numa altura em que o país que é suposto governar arde de norte a sul e, no entanto, dois meses depois não se poupa a esforços para acudir às autarquias em tempo de campanha eleitoral, saltando frenéticamente de paróquia em paróquia, qual bonecreiro alucinado.

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...quando um Presidente da República só a cinco meses de completar dez anos de presidência é que se "lembra" de sugerir a inversão do ónus da prova para os crimes económicos.

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...quando a República, nas comemorações do seu 95º aniversário em plena Praça do Município em Lisboa, só pôde contar com cinco cromos empunhando cartazes onde se lia não sei o quê sobre Olivença.

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...quando o regime em vigor em Portugal, a República, tolera os impropérios, os dislates e a paranóia de Alberto João Jardim aderindo por isso, e promovendo a adesão, a uma cafrealização descabelada que é pronta e afanosamente seguida por criaturas tão díspares como o trio Ino (Isaltino, Avelino e "Valentino") e a senhora D.Fátima de Felgueiras.

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...quando as medidas de combate ao flagelo dos incêndios insistem em basear-se no apagamento com bombardeiros de água em vez de, a montante, tornarem prioritário o ataque aos fogos no seu início.

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...quando os polícias têm que comprar a própria farda.

quarta-feira, outubro 05, 2005

5 de Outubro. À noite.


"(...) E o regimen está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados mentais, nos serve de bandeira nacional - trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português - o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, devem alimentar-se.
Este regimen é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos de seu o ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada, nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto que a república veio a ser."
Fernando Pessoa, "Da República"

Trecho retirado do Dragoscópio, um blog incendiário por natureza. Leiam lá o resto.

5 de Outubro


Há quem comemore o dia de hoje como sendo o do 95º aniversário da implantação do regime republicano que, já em 3ª edição (corrigida e ilustrada), tem conduzido Portugal, com retumbante êxito e inquestionável sucesso, ao beco fétido e ressequido onde hoje se encontra. Noventa e cinco anos foi o tempo que demorou a escaqueirar oito séculos de crescimento.
E ainda por cima comemoram a coisa.

Mas há outros, como eu, para quem esta data tem um significado diferente: o 862º aniversário da fundação do Reino de Portugal, primeira nação europeia. E eu prefiro lembrar-me disso.

quinta-feira, setembro 29, 2005

E vão 7

Apesar da crescente subida de preço do petróleo e da crise económica nacional, Portugal é dos poucos países do mundo, senão o único na Europa, que proibe o estacionamento de veículos GPL em parques de estacionamento subterrâneos. Os governantes nacionais contribuem assim para que não haja o menor perigo de que o abastecimento em combustível da frota de veículos ligeiros cá do reino seja feita a 50% do seu custo actual.

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A candidatura de Manuel Alegre é um grande serviço prestado ao PS. É a melhor maneira de garantir a vitória de Cavaco Schwarzie Silva, O Mastigador, logo à primeira volta. O que, no fundo, é o que Sócrates quer. Por muito estranho que pareça. Tudo menos Soares na Presidência a ditar-lhe bitaites e em frenético output de postas de pescada.

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Dentro de dois anos, a Europa irá assistir a um rápido crescimento económico.
Com as novas refinarias de petróleo a entrarem em pleno funcionamento e a manter-se a actual suspensão das cotas de produção decretada pela OPEP, viver-se-à uma verdadeira festa, um último e derradeiro fartar vilanagem. Mas será de curta duração e a ressaca adivinha-se dolorosa, quiçá insuportável.

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Não há dia de campanha para as autárquicas em que não se veja José Sócrates a dar uma mãozinha à malta do PS. Isto de se ser 1º Ministro em Portugal o que tem de bom é haver tempo para tudo.

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Quando há dois anos Francisco de Assis foi agredido em Felgueiras, caiu o Carmo, a Trindade e o Camandro.
Face ao que se passou no Porto com Rui Rio, as mesmas cortesãs e virgens ofendidas olham para o lado e assobiam. Fracas ladies à mesa, e pouco putas na cama.

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Uma vez que a época de incêndios passou a ter calendarização oficial e os próprios incêndios são passíveis de previsão diária, como se de fenómeno meteorológico se tratasse mas só e apenas durante a época consignada na calendarização oficial (a estupidez desta merda toda tolhe-me as mãos, quase não consigo escrever e a vontade de emigrar é quase irresitível) presume-se que a tal parte da prevenção, que deveria estar a ser tratada agora, seja puramente cagativa.

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Sonho azul: Vi um tipo passar pelo mercado de Cascais, comprar um peixe espada preto pouco fresco, embrulhá-lo num jornal regional com uma foto do recentemente inaugurado e pomposamente designado Centro de Interpretação da Costa do Sol, dirigir-se à Câmara Municipal de Cascais, entrar no gabinete do presidente da Câmara, anunciar-lhe "Interpreta lá isto" e pespegar-lhe com o peixe espada preto recém comprado e pouco fresco em cima da secretária, voltar-lhe as costas e vir-se embora a cantar A Menina das Tranças Pretas.

sexta-feira, setembro 23, 2005

"Felgueiras tentou desviar avião com laca"

Título de uma "notícia" da autoria de Mário Botequilha (MB) na página 5 do suplemento Inimigo Público do jornal Público de hoje e que tem o seguinte desenvolvimento:

Fátima Felgueiras arrependeu-se a meio da viagem de regresso a Portugal e tentou desviar o avião novamente para o Brasil. A autarca entrou na cabine aos gritos: "Deus é grande e eu sou a sua profeta!" e ameaçou os pilotos com duas embalagens de laca. Acabou por ser dominada por dois passageiros que odeiam autarcas, dirigentes desportivos e Artur Albarran, ou seja, agentes da Judiciária. Fátima foi recebida em Felgueiras pela população em delírio que, pela força do hábito, lhe entregou as carteiras, jóias e orçamento camarário para 2006.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Candidatura ou a ditadura da candura

No Portugal republicano e democrático de hoje, uma candidatura é O estado de graça por definição.
O(A) Candidato(a) é uma espécie de santo, monge ou asceta, liberto da tentação e do pecado, que se reveste de camadas constituidas por auras de insuspeição, candura e inimputabilidade sobrepostas umas às outras como as saias das nazarenas ou, menos prosaicamente, a casca da cebola comum.
Ao atingir o estatuto ou estado de candidato, o cidadão comum é alcandorado a semi-deus, qual atleta grego, rodeando-se de uma corte de aduladores peritos na lambidela compulsiva que se desenvolve desde o tacão da bota até aos entrefolhos do cu, and beyond.
No Portugal republicano e democrático de hoje, O(A) Candidato(a) usufrui de imunidade judicial excepto se for apanhado em flagrante a cometer um crime doloso por cuja pena possa ser preso por três ou mais anos. Ou seja, qualquer candidato a eleições tem ao seu dispôr um quadro legal que lhe permite executar, participar ou instigar a prossecução de atropelos, crimes e ilegalidades que lhe apeteça desde que cumpra as regras, ou seja, não se deixe apanhar em flagrante.
O climax do absurdo acontece quando o candidato deixa de o ser; quer ganhe ou perca as eleições, O(A) Candidato(a) deixa automáticamente de gozar da imunidade de ser candidato, atente-se na lógica demolidora, uma vez que deixa de o ser. Esta mudança súbita de estado de graça para desgraça permite ao aparelho judicial desempenhar a sua função ordenando a detenção do(a) ex-Candidato(a) pespegando-o(a) nos canfundós de um qualquer fedorento calabouço atapetado e revestido a musgo e desespero. Não sem que, durante a campanha eleitoral, tenha tido todo o tempo e todos os meios à disposição para propagandear as vantagens que o povo teria votando nele.
Esta é a democracia na República portuguesa.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Incubadoras

Os partidos políticos em Portugal transformaram-se em apocalípticas incubadoras de criaturas populistas, extrovertidas, agitando os ares com a razão que lhes é dada pela popularidade de que dispõem, adoradas pela populaça e temidas pelos poderes instituídos.
Os mais mediáticos são a dona Fátima e os três inos: Avelino, Isaltino e Valentino.
Depois de evoluirem do estado larvar à categoria de criaturas aladas no seio das comunidades onde se encontram, alimentados pela propaganda produzida durante anos pela chusma de insectos obreiros que infestam as máquinas partidárias que lhes serviram de hospedeiro, acolhendo-os, amamentando-os e promovendo-os junto das populações que eram supostos servir, ei-los que se proclamam de uma independência absoluta em arremedos de ingratidão para com os ventres que os geraram.
Uns ingratos, é o que são.

Parabéns à Laurindinha

............................."Pastora con pecore" - Eugenio Prati

Por cada um dos trezentos e sessenta e cinco dias de existência do seu Abrigo de Pastora.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Histórias de encantar VI

Era uma vez um coelho que vivia do lado A da autoestrada. O seu único sonho, ambição suprema, atração irresistível e almejado destino era conseguir atravessar para o outro lado.
O lado B.
No entanto, abundante registo de parentes atapetando a rodovia tinha sido argumento suficiente para adianços consecutivos de uma travessia que , enquanto pulsão vital de natureza obsessiva, se tornava cada vez mais distante no tempo, que não na distância.
Até que um dia a vontade de atravessar foi maior que todos os medos, avisos, presságios e augúrios ouvidos, escutados, com atenção, da sua curta existência de roedor compulsivo. De salto curto em salto curto foi-se aproximando do rail mais perto. Olhou com atenção, sentiu a paragem das vibrações das rodas pretas e rápidas no asfalto sob as patas e ...catapum! catapum! catapum! aventurou-se até ao estreito, seco e desmesuradamente longo canteiro de rodoendros entre os rails que separavam os dois sentidos de circulação viária da autoestrada. Aguardou. Do outro lado, uma pequena manada de gado charolês pastava no sossego do tempo e das certezas bovinas. De novo o silêncio se fez sentir. Só uma muito leve vibração existia, como que se de uma distante trovoada se tratasse. De novo o coelho se aventurou na travessia. Catapum!...catapum a trovoada aproximava-se com uma celeridade inaudita. Não era uma trovoada. Era um camião TIR carregado de móveis e proveniente de Paços de Ferreira. Tarde de mais. Ao chegar à berma, junto ao rail, o impacto sentiu-se, a autoestrada ficou uma fita preta ao longe, fina e silenciosa, ar e vento morno por todo o lado e o chão verde de pasto a aproximar-se a velocidade desaconselhável. Olhos bovinos assistiram ao impacto e projecção do roedor. Após a aterrissagem, o coelho abriu os olhos, sacudiu a cabeça, olhou para cima e viu o olhar pensativo, ruminante e habitualmente absorto do touro charolês.
- Isto é que tu és uma granda besta.- disse, ruminando, o touro charolês. -
-...?!*#..!!....- respondeu o coelho.
- Foda-se pá! Então com umas orelhas desse tamanho não ouviste o cabrão do camião a aproximar-se ? -
O coelho lembrou-se daquilo da trovoada a aproximar-se, que tinha sido a seguir áquilo da primeira travessia. Olhando o touro nos olhos respondeu:
- E tu ? Com uns tomates desse tamanho já viste a parelha de cornos que tens ?

quarta-feira, setembro 14, 2005

O perfil possível

Mário Soares diz que Cavaco Silva não tem perfil para ser Presidente da República.
É magro demais, segundo os marretas.
Soares não se lembra do que disse (basta!) desdiz o que diz («é o adversário possível, forte e de respeito com quem vai travar um combate leal, forte e de ideias») e não sabe o que há-de dizer.
Três condições sine qua non para se ser candidato à Presidência desta República.

terça-feira, setembro 13, 2005

" Aqui d'el-rei! "

Medeiros Ferreira escreve hoje no DN , comparando os incêndios em Portugal com o furacão Katrina nos EUA.
Basta a ideia, comparar uma coisa com a outra, para que a surpresa perante o exercício demagógico de afirmações como (...) Em Portugal, hoje em dia, tanto se reclama cortes no número de funcionários públicos e de servidores do Estado como se exige novos guardas florestais e jovens bombeiros profissionais quando há fogo na serra.(...) se desvaneça rapidamente.

Mais à frente podemos ler: Amanhã, se houver inundações, esquecer-se-ão os guardas florestais mas querer-se-á fuzileiros e equipamentos anfíbios em todas as bacias hidrográficas. Em ambas as situações não estou a ver as populações afectadas apreciarem a chegada de elementos com mais de 60 anos… Mas, com a normalidade restaurada, voltará a discussão teórica sobre o bom tamanho do Estado sem se ter em conta estas curiosas variações práticas. E veremos os órgãos de comunicação social transmitirem, impávidos, como é seu dever, aspirações tão desencontradas.

O que se passa em Portugal, à nossa escala, adquire agora nos EUA a dimensão de um apocalipse anunciado.

Desculpar a incúria e o desleixo a que o regime republicano votou o património florestal e hídrico em Portugal, negligenciando a prevenção dos incêndios e dispendendo avultadas quantias no seu combate a posteriori, de forma desorganizada, numa das mais pungentes demonstrações de amadorismo governativo de que há memória em qualquer parte do mundo e compará-lo a catástrofes da dimensão do furacão Katrina é, por si só, tristemente revelador do calibre de alguns dos opinion makers autóctones mais conceituados.
Ao querer falar de uma data de coisas ao mesmo tempo, desde o problema dos incêndios à história das reformas antecipadas, do racismo e da incompatibilidade entre liberalismo e catástrofes, Medeiros Ferreira dá a ideia de um percursionista destrambelhado a zurzir nas peles a torto e a direito produzindo uma cacofonia ininteligível ao comum dos mortais mas que, certamente, calará fundo no âmago da esquerda nacional.
A escolha do título para tal exercício demagógico, vindo de um dos pilares de um Partido Socialista que se reclama sucessor do Partido Republicano de Afonso Costa, é significativa.
É que Mário Soares será sempre Dom Mário I para muito Afonso Costa de bolso cá da santa terrinha.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Bolha especulativa

De visita a Portugal, SAR o Principe Khalid Al-Faisal bin Abdul Aziz Al-Saud da Arábia Saudita, país que é só e apenas o primeiro produtor mundial de petróleo, afirmou que não há razão, em termos de produção, para o petróleo estar acima dos 40 dólares por barril.
A única razão para isso acontecer, segundo o príncipe, é a escassez de refinarias, nomeadamente norte americanas.
Ou seja, as mesmas refinarias que, há dois anos, processavam
x crude a 30 dólares o barril fazem-no agora a mais do dobro do preço.
Alguém está a ganhar uma pipa de massa com isto.




O treze de Setembro

Se, como afirma o Expresso, avançar a manifestação de militares convocada para amanhã e proibida pelo Governo, este será o "último episódio de um conflito que opõe militares e Governo e que alguns oficiais (...) consideram ser o mais grave desde o 25 de Abril".

domingo, setembro 11, 2005

"Mr. Cheney, go fuck yourself..."








Ouviu-se, por duas vezes, na reportagem que mostrava Dick Cheney em visita ao estado do Louisiana.

Segundo o Público de hoje, pelo menos duas grandes empresas, associadas aos interesses de Joe Allbaugh, que foi o anterior responsável de campanha do Presidente George W. Bush e antigo director da Federal Emergency Management Aagency (FEMA), a agência de protecção civil, foram já contactadas para começar os trabalhos de reconstrução ao longo da costa do Golfo do México. Uma das grandes companhias é a Shaw Group Inc. e a outra é a Halliburton Co., subsidiária da Kellog Brown and Root. O vice presidente Dick Cheney já foi director da Halliburton.

Depois de terem participado na reconstrução do Iraque, as mesmas companhias começam agora a trabalhar nos estados afectados pelo furacão Katrina.
Nada mais natural. A vocação missionária destas empresas é sobejamente conhecida. Depois de estagiarem no Iraque onde foram parar por causa do terrorismo e onde adquiriram experiência na resolução dos problemas causados por ele viram-se agora para o Louisiana que, como se sabe, foi vítima de um atentado terrorista desta feita perpertrado pelo mão vingativa do próprio Allah num assomo de fúria assassina como esclarecem os imãs, os ayatolas e outros madrassos. O facto de terem sido na sua esmagadora maioria pretos e pobres os atingidos é irrelevante. Allah quando se passa dos carretos arreia onde calha.
Agora que Bush fez um excelente negócio ao ser re-eleito, lá isso é verdade.
Quanto às virgens ofendidas, cortesãs vilipendiadas e outra gente dessa que confunde direita com Seguidismo Bushista ou que baralha anti-Bushismo com anti-Americanismo das duas uma: ou são retardados mentais ou são parte interessada, accionistas portanto, das empresas que têm empochado alcavalas, prebendas e sinecuras com a presidência de George W. Bush.
.......................Primeira página do Record de hoje.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!