terça-feira, janeiro 31, 2006

O Regicídio


Esta é a primeira imagem que surge no Google (pt) quando se pesquisam imagens sobre regicídio.
É uma ilustração de um cromo, feita por Carlos Alberto, e que pertence à colecção História de Portugal.
Podia ser a "Heróis Lendários", "Epopeia do Oeste", "Branca de Neve" ou outra coisa qualquer. É triste. Reuzidos a uma colecção de cromos.
Amanhã será descerrada uma lápide no Terreiro do Paço assinalando o evento. Noventa e oito anos depois, a República digna-se reconhecer a importância da tagédia que aconteceu nessa manhã de 1 de Fevereiro de 1908 e que enlutou Portugal. Até hoje. Noventa e oito anos depois.
Incapaz de ganharem as eleições que estavam marcadas para Maio desse ano ( os 7% que o Partido Republicano vinha conseguindo nas urnas era manifestamente insuficiente à criação de massa crítica necessária para implementar as reformas que, achava, deviam ser tomadas em Portugal) os republicanos optaram pela solução radical.
Todos sabemos o que isso significou. Soluções radicais não faltaram nos anos subsequentes. De Estaline a Hitler.
Até hoje, noventa e oito anos depois.
VIVA O REI, CARAGO!



segunda-feira, janeiro 30, 2006

A República Em Debate

Ontem morreu O Eleito. Assim foi designado o blog arespublicaemdebate.blogspot.com
Notabilizou-se ao criar um espaço de debate, de troca de ideias e opiniões de discussão, tendo inclusive sido "eleito" pela revista Visão como o blogue sobre as presidenciais mais isento da blogosfera.
Pela iniciativa da sua criação e pelo espaço que ocupou na B.L.U.S.A. (blogosfera lusa) estão os seus proprietários, e também os seus colaboradores, de parabéns. Eu inclusive, claro.
No entanto a coisa(*) não pára, e a vontade de lhe zurzir ainda menos.
A República tem agora dois Presidentes. Portugal tem agora dois chefes de Estado. Como se não bastasse o pouco à vontade com que Presidentes e Palácios se têm entendido ao longo destes 96 anos, multiplicaram o problema por dois. Um em Belém e outro em Queluz.
Os Dr (ou seja Dons da República) que nada têm de aristocrático dispõem de dois Palácios para o exercício das suas superiores funções.
O ideal republicano é aqui mais uma vez contradito pela prática.
Extraordinário.
Lá diz o povo: Quem desdenha quer comprar.

(*)
República
do Lat. re + publica, coisa pública

s. f., negócios públicos;
regime em que que se tem em vista o interesse geral de todos os cidadãos e em que o Chefe de Estado é eleito, exercendo um mandato temporário;
esc., conjunto de estudantes que vivem em comum;
deprec., fig., anarquia;
agremiação sem chefe e sem disciplina.
(Definição do Priberam - Dicionário online)





A Promessa

Por tu graal saúda a promessa da chegada de VPV à blogosfera via O Espectro.
Nada ficará como dantes. De certeza. Agarrem-se às amuradas, ó dragões, tripulantes de Abruptos, evolucionistas e quejandos, pois que se adivinham impiedosas abordagens, tinir de sabres e saques vários.

Diz o povo

- Foi preciso Cavaco ganhar as Presidenciais para nevar no Algarve...!

Os tais vinte vírgula qualquer coisa por cento

Que fazer com o "capital" político que representam?
A ser verdade o que se diz , foram votos "roubados" à esquerda e à direita.
Perante o capital, as posições da esquerda e direita são distintas: a esquerda defende a distribuição dos lucros e consequente aniquilação do capital, a direita defende o re investimento e consequente multiplicação do capital.
O destino político de Manuel Alegre estará definitivamente ligado ao destino que vier a ser dado ao capital acumulado de mais de um milhão de votos. E da forma de lidar com isso também.
Ironia q.b.: se o Movimento perdurar, será porque foi escolhida uma abordagem de direita para lidar com o fenómeno. Se a mentalidade de esquerda prevalecer, o Movimento estará condenado à extinção a breve prazo.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Até à próxima


Foi com gosto que fui acompanhando e participando no debate sobre a res publica, iniciativa dos Dolos Eventuais David Afonso e Pedro Santos Cardoso proprietários do estabelecimento por eles crismado de O Eleito.
Agradeço a oportunidade que me foi dada de ter feito parte da tripulação desse cargueiro de opiniões diversas, por vezes díspares e frequentemente antagónicas, um espaço muito próprio, plural nas convicções e democráticamente abrangente. Uma iniciativa (esta sim) fixe.
Bem hajam.

Memorável


A evocação ontem à noite na RTPM de um dos programas da série Raios e Coriscos de Manuela Moura Guedes mostrando como, com o tempo, as coisas mudam.
Nem sempre para melhor, entenda-se.
Galgos convidados: Adolfo Luxúria Canibal, Vera Lagoa, Paulo Portas, Herman José, Vasco Pulido Valente e um gajo com cara de merceeiro que não percebi quem era.
Lebre do dia: Zita Seabra.
Memorável.

terça-feira, janeiro 24, 2006

"Wicked" Pickett


Wilson Pickett - 1941 - 2006

Mustang Sally e In the Minight Hour foram dois dos temas que o celebrizaram, juntamente com a sua versão do tema que Paul McCartney dedicou a Julian Lennon: Hey Jude.

É normal

Mais extraordinário que a onda de apoio manifestada pela direita chineleira em torno de Sócrates após o faux pas cometido quando interrompeu as declarações de Manuel Alegre (*), é a naturalidade com que é encarado o destaque dado a Mário Soares e aos seus 14 e pouco por cento.
Ou não fosse isto Portugal.
Como teria dito Artur Jorge naquela manhã no Estádio Nacional depois de ter levado uns sopapos de Ricardo Sá Pinto: É normal, em Portugal, é normal...

(*) Afinal, ó tribunos do regime, sempre se tratavam das declarações do segundo candidato mais votado nas eleições para a Presidência da República.

domingo, janeiro 22, 2006

O Eleito

Muitos portugueses têm mau perder. Gostam de apostar em vencedores porque gostam de ganhar. A ideia de perder é insuportável, mais ainda num país que é um poço onde se cai, um cu de onde não se sai como dizia João César Monteiro, o inventor do cinema cego.
Quanto mais destacado nas sondagens está um partido ou um candidato presidencial maior é a probabilidade desse partido ou candidato presidencial vir a ganhar eleições.
Muitos portugueses não gostam de ver maus resultados no Domingo à noite, na véspera de mais uma semana de trabalho. Não gostam de arriscar votar em alguém que sabem não ter hipóteses de ganhar. A ideia draconiana de um sorteio eleitoral para a Presidência da República não é tão irrealista como possa parecer à primeira vista. Ou à primeira volta. Só que é um sorteio à portuguesa. Um sorteio com batota, em que se viciam com entusiástica alegria os próprios resultados. A mentalidade do jogo e do sorteio, última esperança para quem quer resolver a sua vida sem esforço, o síndroma Euromilhões é parte integrante da mentalidade autóctone seja na forma de eternos subsídios a fundo perdido seja no preenchimento frenético de boletins de jogo, ou de voto. Tudo menos dispender esforço na procura de soluções para os problemas que importa resolver. Eles, os políticos, são eleitos para isso. Nós, os eleitores, incumbimo-los dessa árdua tarefa, dizem. Mesmo que se trate da eleição de uma figura meramente representativa como é o Presidente da República. O único super poder que tem é o de dissolver a A.R. ou demitir o Primeiro Ministro. E mesmo esse super poder, a Bomba Atómica como alguns lhe chamam, longe de ser uma decisão solitária, só tem sido aplicado com sucesso até agora porque tem tido a esmagadora maioria do apoio popular quando é exercido. Apenas uma vez o General Ramalho Eanes se serviu dele sem o apoio incondicional de todas, ou quase todas, as forças políticas em acção na altura e o preço que pagou foi o mais alto: a implosão do Eanismo.
Cavaco sabia isso antes de ganhar as eleições e terá isso em conta agora, mantendo Sócrates à frente das medidas impopulares que ele, enquanto 1º Ministro refém da sua pusilanimidade, jamais conseguiu concretizar.
O retumbante 2º lugar de Manuel Alegre, escandalosamente à frente de todas as sondagens feitas, mostra o receio que muitos têm de, publicamente, criticarem César, ou seja Mário Soares, com medo de virem a sofrer represálias incalculáveis, acabando na arena, pasto das feras.
Soares está definitivamente acabado, apunhalado pelas costas no silêncio das cabines de voto.
Lamentável o destaque dado pelas estações televisivas, em conjunto, às justificações dadas por um Primeiro Ministro pela derrota do candidato do seu partido enquanto o segundo candidato discursava. O timing disso não foi inocente. A República é assim, pequenina e vingativa.
Quanto aos resultados irrisórios dos candidatos do PCP do BE e do MRPP, esses resultados falam por si: Os eleitores mobilizaram-se sim. Mas não por eles.
A grande percentagem de abstencionistas neste acto eleitoral também tem um significado. E, quanto a isso, a República tem razões de sobra para continuar o que começou a fazer ontem: reflectir.

Publicado em O Eleito

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Procura-se (?)

Recebido por email

domingo, janeiro 08, 2006

RUSSia vs Ucrânia

A recente questão da guerra do gás natural fornecido pela Rússia à Europa via Ucrânia é perigosa.
O ressabiamento da Rússia face à opção Ucraniana pelo ocidente (Victor Yushchenko (um Yushchenko quase irreconhecível pela infecção facial com que o contaminaram, lembram-se?) e a revoada laranja) só não poderia ser tolerado por uma Rússia permanentemente insegura das suas fronteiras se essa mesma Rússia, por seu lado, não estivesse mergulhada numa depressão nostálgica de uma URSS que caiu de podre.
Ao garantir o fornecimento de gás natural pela extracção que é feita no Turquestão e Cazaquistão (regiões muçulmanas da ex-URSS) a um preço (90 US$) que é uma fracção daquilo que, publicamente anunciado, se propunha cobrar à Ucrânia (200 e...US$) a realidade é que, de uma assentada e com o apoio estratégico da Europa Ocidental, Moscovo conseguiu três coisas:

- Manter a Ucrânia dependente. Entalada entre a Europa Ocidental e o emergente fervilhanço das regiões maioritáriamente muçulmanas do sul da ex-URSS.

- Acabar com o desgastante compromisso de abastecer "directamente" o Ocidente com gás natural.

- Envolver directamente a Europa Ocidental no processo de manutenção de regimes políticos viáveis no Turquestão e Cazaquistão, regiões pró muçulmanas da ex-URSS, que lhe garantam o normal abastecimento de gás natural.

Em Portugal, dizem, o problema não se coloca porque o gás natural com que somos abastecidos provém da Argélia e da Nigéria. Pois.

sábado, janeiro 07, 2006

Arruada

Arruada é um termo que tem sido abundantemente utilizado pelos OCS (Orgãos de Comunicação Social) quando se referem às passeatas a pé pelas ruas das aldeias, vilas e cidades cá do Reino, promovidas pelos candidatos à Presidência da República.
Fui tirar a limpo o seu significado no Priberam, Dicionário on line. Eis o resultado:

Foram detectadas 2 formas.


sing. part. pass. de arruar
fem. sing. de arruado
arruar

Conjugar


de rua

v. tr., dividir, dispor em ruas;
distribuir por ruas;
alinhar;
fam., divulgar pelas ruas;
v. int., vadiar;
passear com ostentação.

do Lat. hip. rugitare

v. int., grunhir (o javali);
mugir (o touro).

quarta-feira, janeiro 04, 2006

O Fim Da República

Quando os governos em Portugal, de direita ou de esquerda, apregoam medidas e iniciativas que consideram excelentes e adoptam posições de crítica relativamente às mesmas matérias quando os partidos a que pertencem se encontram na oposição, reflectem a caducidade do regime em que estão inseridos: a República. À preocupação com o país sobrepõe-se a estratégia partidária da conquista do poder. Veja-se o caso do TGV/OTA e as posições do PS e do PSD.
Ainda por cima, a questão estratégica da OTA/TGV, quando analisada à luz da região Ibérica, faz todo um sentido que, sob o ponto de vista estritamente português, é quase um absurdo. Por exemplo: para quê fazer uma ligação Lisboa-Porto por TGV e ao mesmo tempo desencadear a construção de um novo mega-aeroporto? Um deles ficará, decerto, com menos passageiros.
Se o objectivo do regime em vigor em Portugal é promover a criação de vias de comunicação que benefeciarão em primeiro lugar a estratégia expansionista económica da vizinha Espanha, então esse regime, a República, não serve Portugal.

A questão da ingerência estratégicamente promovida da Iberdrola na EDP através da criação de um Conselho Consultivo em que a eléctrica espanhola (e concorrente assumida) terá assento permanente e acesso contínuo a informação priveligiada é puro inside trading, razando o incesto.
Se o regime em vigor em Portugal a República, está na disposição de alienar de barato o poder de decisão em empresas tão estratégicas como o são a GALP e a EDP, é porque não serve Portugal.

O Partido Socialista propõe que sejam atribuídas isenções fiscais às doações a partidos políticos.
Se o partido no poder está na disposição de facultar incentivos fiscais às doações a partidos políticos cortando essas mesmas isenções ao esforço de poupança de cada cidadão (caso dos PPR) e os partidos na oposição pactuarem pelo silêncio com essa estratégia de angariação de fundos, o regime em que estão inseridos, a República, não serve Portugal.

O cansaço dos portugueses, mais do que tudo, contribuirá para que Cavaco Silva venha a ser o próximo Presidente da República. Sem esforço, consegue pôr todos os outros candidatos no mesmo saco sem fazer nada para isso. Basta abrir a boca e assistir às reacções de todos os outros, unidos contra ele.
Mesmo, e sobretudo, quando afirma não ter o apoio de partidos políticos. O povo simples é assim. Gosta de ser enganado.

Publicado em O Eleito

sábado, dezembro 31, 2005

2005 morreu. Viva 2006!


O ano de 2005 acabou.
Não faço balanços porque não sou merceeiro. Nem destaques tão pouco.
Desejo, isso sim, um 2006 espectacular aos indefectíveis leitores deste espaço que, teimosamente, têm contribuido para manter em cima o moral deste Afonso Henriques extemporâneo e a notável média de visitas a este Blog.

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A fúria de Soares contra a comunicação social é sintomática. Não que ela lhe tenha dado pouco destaque, a ele que se considera sempre o rei da festa. Mas, provavelmente, pelo relato que vem fazendo das suas gaffes e trocadilhos os quais, face à provecta idade do seu autor, deixaram de fazer parte do seu charme. Definitivamente. Em sua opinião, o factor Garcia Pereira, o sexto candidato a presidente , deveria determinar por si só nova ronda de debates inter-candidatos à Presidência da República. Este desespero em ter sempre que dizer alguma coisa, seja o que for, a propósito de tudo e mais alguma coisa, seja o que for, acaba por fartar.

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Nos primeiros tempos a seguir à imposição do regime republicano em Portugal, o jacobinismo imperava ao ponto de se querer acabar com o Bolo Rei e substitui-lo pelo Bolo Presidente. Não se riam. O mais grave é que este tipo de arremedos alucinados, sugestões descabeladas, propostas esclerosadas eram sempre levadas a sério quer por quem as fazia quer por quem as discutia. O regime actual em Portugal é o herdeiro directo, e natural, disso.

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Muito da História de Portugal está ainda por conhecer.

Em 1986, um grupo de sábios passou uma semana em Belmonte com o objectivo de tentar definir, de uma vez por todas, a origem do enigmático monumento conhecido como Centum Cellas (*), localizado no desvio da EN18 para a povoação de Colmeal da Torre, antes de se chegar a Belmonte quando se vem da Guarda.
Sem resultado.
O regime resignou-se a classificá-lo como uma ruína romana, e assim é apresentado hoje em dia.
Mesmo que a flagrante semelhança com a arquitectura pré-colombiana (América do Sul) seja por demais evidente. Mas isso, é claro, não faz nenhum sentido. Como também não faz sentido preservar a casa onde viveu Almeida Garrett.

(*) Foto no topo do post.

domingo, dezembro 25, 2005

 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!