quinta-feira, março 16, 2006

quarta-feira, março 08, 2006

Hoje Fui Benfiquista

- I do beg your pardon...

Or how to shut up forty five thousand jerks at their own playground.

Parabéns Benfica!


terça-feira, março 07, 2006

Todos Diferentes, Todos Iguais

Há uns anos atrás, Prado Coelho e Boaventura Sousa Santos davam as mãos em ataques alternados a Maria Filomena Mónica no Público.
Esta semana Vasco Pulido Valente, de mãos postas porque não tem a quem as dar, ataca Clara Ferreira Alves pelo que escreveu na última ÚNICA, do Expresso.
De facto, a misogenia não tem cor. Mas cheira mal.

sábado, março 04, 2006

Dos Tempos Que Correm





Algumas mercearias do III milénio, como o Carrefour, e retrosarias sofisticadas como a Bershka, cada uma por razões diferentes, sentiram necessidade de intervir na forma de fazer marketing para não só não hostilizar os



seguidores do Islão, como também para criar uma onda de simpatia para com os seus produtos. A pressão do dinheiro, a contagem de tostões, o desejo de bons negócios leva a repensar o marketing, a justificar boicotes por parte de grupos económicos europeus aos produtos de países membros da Europa comunitária.

Segundo li aqui, as autoridades do Dubai não gostaram da imagem que a Bershka usou para publicitar a sua campanha para 2006. A Bershka alterou a imagem nas 368 lojas que detém no mundo inteiro, pedindo desculpas pelo acontecido.

****************************************************************

A Carrefour, por seu lado, publicita orgulhosamente no Egipto o seu boicote aos produtos dinamarqueses.
O políticamente correcto é sempre bom para o negócio. Seja ele a venda de trapos ou hortaliça.
É indiferente que o boicote da Carrefour se limite ao interior das fronteiras de países islâmicos; a hipocrisia será sempre politicamente correcta e, por isso, benvinda; enquanto o Ocidente precisar de petróleo e o petróleo estiver onde está, os pedidos de desculpa serão os que forem precisos, e a lambujice subserviente dos que, de parte a parte, dele precisam para manter o poder será omnipresente.
O resto é conversa.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Brinca, brinca...

"Ele dizia de Barroso o que Maomé não diz do toucinho".

Isaltino de Morais sobre Marques Mendes, em entrevista ao Jornal de Notícias de hoje.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Rome

Daqui a meia hora. Na 2.

O Insurgente


Ao Insurgente.
Um blog que faz um ano, mas que eu pensei que fosse muito mais antigo. De séculos.
Parabéns, pelas insurgências, pelas palavras and the awareness.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

A República no seu "melhor"

A atribuição de quotas em alternativa à meritocracia sempre me pareceu de uma injustiça extrema. Seja o caso das mulheres em cargos públicos seja o da avaliação de desempenhos no marasmo indígena que comodamente se acoita na administração pública.
O Governo da República portuguesa resolveu estipular que, no vasto e extenso oceano pútrido da incompetência nativa, deveria ser estipulada uma quota mínima e obrigatória de 25% (vinte e cinco por cento) em excelência de desempenho. Ou seja, numa sala com cem funcionários públicos, vinte e cinco deles são obrigatoriamente, por força de lei portanto, excelentes. Nada mais errado. Em primeiro lugar porque jamais se conseguiria aglutinar tamanha quantidade de asneiras numa sala só. No máximo dos máximos oitenta e três. E isto porque ou estavam doentes uns, ou tinham ido tomar a bica outros ou estavam na casinha, ou tinham ido buscar o tabaco ao carro, ou tinham sido chamados pela chefia, ou estavam a comer a Francelina das cópias no economato. Uma impossibilidade técnica, essa dos tais 25%.
No entanto, ao que consta, o Conselho Superior de Magistratura atribuiu no Verão passado o qualificativo de excelente desempenho a 95% dos juízes. 95% meus amigos. É obra!
Portugal tem assim o maior ratio de excelentes juízes por m2 de justiça. Só igualado pelo ratio de campos de golfe por m2 de terra queimada.
O critério da atribuição arbitrária de quotas, seja qual for o número e área em que seja aplicado, não é critério coisa nenhuma. É uma desculpa esfarrapada de incompetentes e, por isso, natural e endemicamente incapazes de avaliar o que desconhecem por completo: competência.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

O Guerra

Era velho e tinha barbas grandes. Diziam que tinha lido a Bíblia de uma vez só e que, depois disso, tinha fugido para a serra da Jordana e por lá ficara, enjaulado em monólogos, pasto do silêncio e a comer o que apanhava. Gafanhotos, diziam. Um ano ou dois, pelo menos. Sozinho como um profeta.Um ermita.
Depois desceu da serra e apareceu lá no Monte.
O Guerra andava curvado, a empurrar um carrinho de mão encarnado com quatro argolas onde levava bilhas de alumínio com leite lá dentro. Não falava. Usava um chapéu de feltro castanho sujo, umas calças de fazenda cinzentas grossas e olhava para nós lá de cima, sem falar, com uns olhos que, diziam, metiam medo. Depois ia-se embora, curvado, a arrastar as botas curtas na poeira do chão. Um dia morreu. Ninguém sabe quando.

Interlúdio

-Mas porque é que escreves isso?
-Eu escrevo isto porque me apetece escrever o que me apetece, que é o que escrevo quando escrevo isto.
-Egoísta.

Histórias de encantar VIII

Numa tasca à tarde, no largo de uma aldeia alentejana, um velho enrola-se e esfrega as mãos em volta dos cotovelos nus encostado ao balcão.
- Mais um...!- urrou para a porta escura entreaberta na parte detrás do balcão. Outro velho menos velho que o primeiro assomou-se à porta e disse:
- Pôceras ti Jaquim! Vomecê hoje tá danado! Olhe que ainda tem que ir para casa e da maneira que está despachando bagaços tem que ter cuidado. É o quarto e último!
- Cala-te e avia-me mas é...- rosnou o velho enquanto insistia em retirar um estreitíssimo Definitivos do maço encardido e amachucado. -...que esta vida é uma puta e um gajo tem que se arrimar a ela enquanto tiver tesão. Depois acabou-se!
- Atão mas diga lá o que se passa, homem! Vomecê sempre bem disposto e agora anda para aí com uma cara que até parece sei lá o quê.
- Eh pá. É a nha Maria, pôceras. Já não me consigo chegar a ela a tempo. As mais das vezes quando estamos no campo e sinto vir aquela febre que dá vontade de agarrá-la toda e deitá-la ao chão, tás a perceber, quando a chamo e ela vem ter comigo já a puta da tesão se me foi.
- Mas olha que isso tem remédio.- ouviu-se dizer do fundo mais escuro da tasca.
Ti Jaquim rodou lentamente o corpo franzindo a fronha e prescrutando o ar carregado de cheiros vários e aromas abrangentes que iam do presunto no fumeiro às cebolas passando pelo tabaco, álcool, suor, merda, e ervas de cheiro de onde se destacavam os orégãos.
- Agarras na espingarda e combinas c'a m'lher que quando ela ouvir um tiro está na hora. Verás vê-la aos saltos e cangochas por essas arceadas de saias arregaçadas na pressa de ir ter contigo.
Ti Jaquim ergueu o copo na direcção da voz e tragou o quarto e último bagaço. - Não é tarde nem é cedo. Vou-me embora que amanhã é outro dia.
O tempo foi passando e Ti Jaquim tardava em aparecer, ocupado como andava aos tiros pr'ó ar na caça da sua Maria.
O Outono chegou à tasca e com ele o Ti Jaquim.
- Avia-me um penalte de bagaço e é para já!- vociferou batendo com força com a palma da mão esquerda no balcão.
- Eh pá, ó Jaquim! Então agora é todo duma vez por modos dos que não bebeste, não? E a Ti Maria? Tá boazinha de sal ou nem por isso?
- Atão e não é que a coisa resultou mesmo? - respondeu o velho. -Havia dias que me deitava sem ceia, tão derreado que ficava.
- Atão e agora? acabaram-se a pilhas?
-Não pôrra! A gaita é que abriu a caça, tás a perceber? e o raio da m'lher não pára em casa!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

E agora uma coisa completamente diferente

O escritor australiano Patrick Wilcken falou do seu último livro Império à deriva no programa Pessoal e...transmissível transmitido no passado dia 8 de Fevereiro na TSF. O livro relata-nos os acontecimentos que ocorreram na altura da partida da família real portuguesa para o Brasil em 1808 e no seu regresso em 1821, 13 anos depois. Um dos episódios relatados foi o da carradinha de piolhos que infestou o barco onde viajava D. Carlota Joaquina acabando a Raínha e suas acompanhantes por desembarcarem em S. Salvador da Bahia com as cabeças completamente rapadas. Para além do facto assaz relevante, mas nem por isso abonatório, de se tratar do primeiro desembarque conhecido de skinheads em terras de Vera Cruz, o que tornou o acontecimento inesquecível é o facto de o traje das Baianas conservar até aos nossos dias um pequeno, mas determinante, apontamento que evoca esses tempos de outrora: o lenço na cabeça. Bom fim de semana.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

O Barril No Horizonte II


Blues inspirado na barba esférica que diáriamente parasita o PÚBLICO e que (se) assina Eduardo Prado Coelho:

É sempre com cautelas de ourives que aborda temas da actualidade. Temas e assuntos que ainda não tiveram tempo para se tornarem objecto de estudo por parte de intelectuais de renome. Franceses, de preferência.
Enquanto espera dispersa-se.
Ora se socorre de lucubrações melancólicas que o saudosismo lhe suscita, ora salta para o terreiro brandindo a pena em defesa do indefensável.
Mas a tentação da abordagem pessoal está lá! Pequenina, nervosa, inquieta.
Ineficaz mas exigente; a dúvida metódica: O que será uma caricatura? Interroga-se inquieto, na edição do PÚBLICO de hoje, fremente, ansioso.
Enquanto as doutas frases dos provectos sábios e intelectuais, franceses de preferência, não são publicadas, traduzidas comentadas e criticadas, ao dispôr do vácuo voraz da sua mente oca, para prontamente serem sugadas para o interior do vazio escuro que é a sua caixa craniana, ele disserta. Ensimesma-se. Interroga-se. Arrisca-se a responder. É legítimo caricaturar o sagrado? Questiona angustiado para logo responder. Choque de culturas, afirma Prado.
De um lado Maomé e a realidade religiosa. Do outro a cultura ocidental, que vai além de todos os valores e é cada vez mais um universo onde tudo é possível e estamos à mercê da deriva sem limites (sic).
Com a delicadeza relojoeira de um “gourmand” a dissecar acepipes milimétricos, o espesso e barbudo barril opina, diz, escreve, sugere, impõe, massacra, desdenha, elogia, regurgita enfim enfastiado aquilo que acha por bem pendurar do seu nome.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Reflexões

Tenho para mim que grande parte das razões, causas e consequências dos males que abundam por este Reino afora, e fora dele, se devem à entrega do poder nas mãos da Estupidez, da Ignorância e da Teimosia. A Estupidez, mais do que ausência de inteligência, caracteriza-se pela glorificação do absurdo, defesa intransigente do autismo pavloviano e total incapacidade de reconhecimento de alternativas. A Ignorância, alcandorada a condição divina e repetidas vezes rebaptizada de Inocência, manifesta-se pela ausência total de qualquer fragmento de conhecimento e consequente incapacidade de reflexão sobre a existência, suas razões e objectivos.
A Teimosia, sendo a mais básica de todas, não é a menos maléfica. Perante a falta de lógica da Estupidez e a ausência de conhecimentos da Ignorância, reduz as razões da existência a meros Porque Sim ou Porque Não, ciente que está da inutilidade argumentativa face ao statuos quo diáriamente comprovado da vida como algo que não vale a pena entender porque as coisas são como são, assim como são, desde sempre e ad eternum.


..................................................***********************

Há muito que se sabe que o fundamentalismo (político e/ou religioso) se caracteriza pela total ausência de sentido de humor. Há três ou quatro anos atrás na sequência da última Intifada em Israel, a Autoridade Palestiniana apresentou queixa formal das autoridades Israelitas, nomeadamente da Mossad, por estarem alegadamente por detrás de uma campanha de anedotas, chistes e piadas que tinham como principal objectivo denegrir e ridicularizar os activistas palestinianos, nomeadamente o seu líder, Arafat. Umas das anedotas referia o pedido que fora feito ao líder palestino pelas autoridades israelitas no sentido de instruir os seus seguidores para estarem quietos e não prosseguirem na Intifada, ao que o líder palestiniano terá respondido "Eu ? Pois se eu nem os meus beiços consigo manter quietos..."

..................................................***********************

A recente polémica levantada pelos cartoons de Maomé deve-se, entre outras razões, à simultaneidade da coisa. Ao aparecer em diferentes publicações europeias, em diferentes países e ao mesmo tempo, terá tido a aparência de uma conspiração ocidental concertada para desacreditar e ridicularizar a religião islâmica. A reacção dos fundamentalistas islâmicos (religiosos e políticos) não se fez esperar. A ausência de sentido de humor, e a célebre postura de que "Com Coisas Sérias Não Se Brinca" pretende trazer para primeiro plano a seriedade de conceitos como a legitimidade de chacinar inocentes em nome da fé e a presença expectante de 70 virgens no céu para cada muçulmano mártir, relegando como pouco sérios assuntos como a paridade sexual, a liberdade de expressão e de religião.
Não me lembro de ter havido ruído comparável na Europa quando os Monty Python produziram, realizaram e levaram a um cinema perto de si "A Vida de Brian".



terça-feira, janeiro 31, 2006

O Regicídio


Esta é a primeira imagem que surge no Google (pt) quando se pesquisam imagens sobre regicídio.
É uma ilustração de um cromo, feita por Carlos Alberto, e que pertence à colecção História de Portugal.
Podia ser a "Heróis Lendários", "Epopeia do Oeste", "Branca de Neve" ou outra coisa qualquer. É triste. Reuzidos a uma colecção de cromos.
Amanhã será descerrada uma lápide no Terreiro do Paço assinalando o evento. Noventa e oito anos depois, a República digna-se reconhecer a importância da tagédia que aconteceu nessa manhã de 1 de Fevereiro de 1908 e que enlutou Portugal. Até hoje. Noventa e oito anos depois.
Incapaz de ganharem as eleições que estavam marcadas para Maio desse ano ( os 7% que o Partido Republicano vinha conseguindo nas urnas era manifestamente insuficiente à criação de massa crítica necessária para implementar as reformas que, achava, deviam ser tomadas em Portugal) os republicanos optaram pela solução radical.
Todos sabemos o que isso significou. Soluções radicais não faltaram nos anos subsequentes. De Estaline a Hitler.
Até hoje, noventa e oito anos depois.
VIVA O REI, CARAGO!



segunda-feira, janeiro 30, 2006

A República Em Debate

Ontem morreu O Eleito. Assim foi designado o blog arespublicaemdebate.blogspot.com
Notabilizou-se ao criar um espaço de debate, de troca de ideias e opiniões de discussão, tendo inclusive sido "eleito" pela revista Visão como o blogue sobre as presidenciais mais isento da blogosfera.
Pela iniciativa da sua criação e pelo espaço que ocupou na B.L.U.S.A. (blogosfera lusa) estão os seus proprietários, e também os seus colaboradores, de parabéns. Eu inclusive, claro.
No entanto a coisa(*) não pára, e a vontade de lhe zurzir ainda menos.
A República tem agora dois Presidentes. Portugal tem agora dois chefes de Estado. Como se não bastasse o pouco à vontade com que Presidentes e Palácios se têm entendido ao longo destes 96 anos, multiplicaram o problema por dois. Um em Belém e outro em Queluz.
Os Dr (ou seja Dons da República) que nada têm de aristocrático dispõem de dois Palácios para o exercício das suas superiores funções.
O ideal republicano é aqui mais uma vez contradito pela prática.
Extraordinário.
Lá diz o povo: Quem desdenha quer comprar.

(*)
República
do Lat. re + publica, coisa pública

s. f., negócios públicos;
regime em que que se tem em vista o interesse geral de todos os cidadãos e em que o Chefe de Estado é eleito, exercendo um mandato temporário;
esc., conjunto de estudantes que vivem em comum;
deprec., fig., anarquia;
agremiação sem chefe e sem disciplina.
(Definição do Priberam - Dicionário online)





A Promessa

Por tu graal saúda a promessa da chegada de VPV à blogosfera via O Espectro.
Nada ficará como dantes. De certeza. Agarrem-se às amuradas, ó dragões, tripulantes de Abruptos, evolucionistas e quejandos, pois que se adivinham impiedosas abordagens, tinir de sabres e saques vários.

Diz o povo

- Foi preciso Cavaco ganhar as Presidenciais para nevar no Algarve...!

Os tais vinte vírgula qualquer coisa por cento

Que fazer com o "capital" político que representam?
A ser verdade o que se diz , foram votos "roubados" à esquerda e à direita.
Perante o capital, as posições da esquerda e direita são distintas: a esquerda defende a distribuição dos lucros e consequente aniquilação do capital, a direita defende o re investimento e consequente multiplicação do capital.
O destino político de Manuel Alegre estará definitivamente ligado ao destino que vier a ser dado ao capital acumulado de mais de um milhão de votos. E da forma de lidar com isso também.
Ironia q.b.: se o Movimento perdurar, será porque foi escolhida uma abordagem de direita para lidar com o fenómeno. Se a mentalidade de esquerda prevalecer, o Movimento estará condenado à extinção a breve prazo.

domingo, janeiro 29, 2006

De Monsanto a Sintra, a nevar


Esta tarde, saindo de Monsanto a caminho de Sintra.












Na Estefânia, a caminho da Vila.




 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!