quinta-feira, dezembro 01, 2005

1º de Dezembro

Completam-se hoje 365 anos que Portugal recuperou o estatuto de nação independente, pondo termo a 60 anos de domínio castelhano.
Seguiram-se 28 anos de guerra contra as pretensões de Castela de recuperar o trono de Portugal.
O duque de Bragança, futuro rei D. João IV, era na altura comandante supremo das forças armadas compostas por portugueses e castelhanos ao serviço do rei de Castela. A Casa de Bragança era a mais rica e abastada casa nobiliárquica de Portugal (décima terceira da Península Ibérica). A decisão do Duque em aceitar encabeçar a revolta e tornar-se rei de Portugal colocou a sua cabeça a prémio durante o resto da sua vida. Para essa sua decisão contribuiu decisivamente o carácter determinado da duquesa, D. Luísa de Gusmão, autora da célebre frase "antes Rainha por um dia do que duquesa toda a vida".
Nascia assim a 4ª e última dinastia, de Bragança, que terminou após o regicídio de 1908 com a imposição da República em 1910.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Os zelotas

De quando em vez, a nomenklatura republicana fundamentaliza-se, exagera e espeta-se.
Em assomos assíncronos de patrioteira actividade doutrinária, os guardiões da pureza do estado laico e republicano decidem de vez em quando e extemporaneamente ressuscitar cadáveres ideológicos, práticas de intolerância e comportamentos pombalinos, perseguindo crucifixos e outros símbolos cristãos "ignobilmente expostos nos espaços públicos da república". Quais dráculas de bolso, vituperam com argumentos carregados de religiosa laicidade, acusando com fervor insuspeito todos os que não cumprem os preceitos da doutrina laica republicana: há que retirar os símbolos religiosos (leia-se crucifixos) das escolas. Instalou-se a caça à cruz.
Pois então, ó senhores da república, não se esqueçam de a arrancarem também das comendas e condecorações com que anualmente ataviam Bonos e outros que tais.
Amputem também, e já agora, os bracinhos ao Cristo Rei.
A seguir, presume-se, seguem-se as salgas às hortas de alhos e o encerramento das minas de prata, não vá aparecer por aí algum Lone Ranger a fazer companhia à chusma de Tontos que esbracejam e estrubucham em inquietudes congénitas, pelas pradarias, vales e montanhas cá do Reino. Singui gai ai upi upi ai...

Texto publicado em O Eleito

quinta-feira, novembro 24, 2005

Soares vs Cavaco

O ano está perto do fim. É o fim do Ano Velho. Desde sempre se associou velhice, decrepitude e morte ao ano que se aproxima do seu termo. Ao Ano Novo, também chamado de Ano Bom, correspondia uma imagem de rejuvenescimento, de recomeçar de vida, de esperança.
É nesse sentido e, pelo facto de, sendo Sagitário, ser um entusiasta inabalável de causas perdidas, que Mário Soares está tramado. Muito provavelmente, e na área dos arquétipos publicitários, chavões de marketing ou mensagens subliminares de carácter colectivo, é natural constatar que a sua provecta idade numa disputa eleitoral que se realiza em plena passagem de ano, não lhe será favorável. O seu esforço no entanto, e a vitalidade que aparenta, contribuirão decisivamente para manter a imagem de competidor e de guerreiro a que foi habituando os portugueses nos ultimos trinta anos, constituindo um exemplo sério de combatividade e de dedicação ao poder. Por outro lado, nem a sua indignação com o facto de a corrida à Presidência da República estar constitucionalmente aberta a todos os portugueses recenseados, maiores de 35 anos, nem o pavor das insónias que terá se o Prof. Cavaco ganhar, lhe granjearão mais simpatias. Antes pelo contrário. Por muito que simpatizem com o "O Bochechas", os portugueses execram o seu ar de dono-disto-tudo.
A postura de Cavaco, essa sim, é a do arqueiro. O silêncio que produz contrasta com o ruído à sua volta, constituindo uma carapaça invisível mas opaca, por detrás da qual se faz adivinhar um potencial de acção indesmentível tal como a corda do arco que se vai esticando à medida que é puxada. O arqueiro não fala, não ouve, o seu olhar trespassante está concentrado num ponto para além do alvo, no objectivo que só ele vê mas que todos adivinham, como adivinham que será o estalido da corda de couro e o silvo da flecha num instante que todos sabem que vai acontecer mas que ninguém consegue precisar ao certo.

Texto publicado em O Eleito

Na zona das bilheteiras, dia de ante estreia de Elizabethtown(*)



- Então? que é que achaste ?

- Do quê?
- Do blog!
- Ahh...achei giro, achei giro. Tem piada. Só que...quer dizer...acho que...é pá como é que hei-de dizer...
- O quê merda! Achas o quê caraças?
- Acho que, para blog monárquico, ou lá o que é, tem muitos palavrões. Acho que o tipo usa muitos palavrões.
- Palavrões ? Palavrões como ?
- É pá palavrões! Palavrões...Sei lá...caralhadas e isso.
- ...-

(*) Elizabethtown rima com Lynard Skynard

quinta-feira, novembro 10, 2005

Brandos e acostumados

Os portugueses sorvem a "pré campanha para as presidenciais" como se de mais uma telenovela se tratasse. É como se fosse uma espécie de "Quinta das celebridades" ataviada a rigor. Agora a sério:
Quem é que no seu perfeito juízo quer ser Presidente desta merda? Quem é que no seu perfeito juízo aceitaria ser Rei desta merda? Brandos e acostumados, os portugueses resignam-se ao seu futuro permanentemente adiado. A História dos seus antepassados, de que todos somos herdeiros e descendentes dos seus protagonistas, fala tão alto, grita tão forte que até um dos candidatos se arroga qualidades únicas para, encostado a 800 de monarquia, se julgar como único candidato viável ao mais alto cargo da Nação. E quem são eles? Os outros ? Cavaco Silva, o mastigador, que gere silêncios como uma gaja boa gere as partes do corpo que mostra ou esconde. Manuel Alegre, entalado entre a realidade e a poesia, é o cavaleiro solitário, o D. Quixote romântico que brande o montante na defesa de absurdos como a fidelidade à palavra dada, a coragem e o desassombro.
Jerónimo de Sousa, em peixeiradas de sopeira alucinada e mal fodida quer o quê? As conquistas de Abril ? Outravez? E frei Louçã, o seminarista, sempre a pregar, a pregar, a pregar, a pregar.
Foda-se.
E são estes os candidatos à Presidência da República ? Mas que merda vem a ser esta?

Os filhos da Revolução

A Revolução Francesa é tida como o grande marco da história contemporânea. Com tudo o que implicou, desde a execrar a aristocracia, passando pela guilhotina qualquer garganta dissidente ou dissonante, culminando na Civilização actual regida por merceeiros sem escrúpulos que apregoam aos quatro ventos a javardeira que pretentem impingir ao mundo como sendo a salvação suprema.
O consumo adquire foros de religião, a medianização é alcandorada a objectivo máximo, a mediocridade é promovida aos quatro ventos, a ecologia constitui-se ciência e o Homem é reduzido ao número; de identidade, de contribiunte, de cheque.
É a glorificação da República.
A Idade Contemporânea fede por todos os lados, é ameaçada à porrada no berço que a viu nascer.
A França, mais uma vez, exemplifica a asneira, ergue-a como farol e sintetiza em três semanas de vandalismo o erro de décadas de ignorância e altaneira estupidez.

terça-feira, novembro 01, 2005

Foi há 250 anos



O texto que se segue foi-me enviado pela Sancha por email e é transcrito do livro de João Duarte Fonseca "1755 O Terramoto de Lisboa."

"Uma curiosa carta proveniente de Mazagão (El Jadita) relata os efeitos do tsunami naquela praça portuguesa do Norte de África, dizendo que após a maior atribulação causada pelo sismo, "o mar com um movimento horroroso, subindo pelas rochas, e arrombando os portos, entrou dentro do terreiro da Praça, onde quando se retirou deixou muitos peixes...
O alcaide-mor desta Praça, que o mar arrebatou e levou consigo... O tornou a meter vivo dentro da Praça por um postigo.
Administraram-se-lhe logo os sacramentos dentro de oito dias, depois de haver vomitado areia, búzios, conchinhas e algum sangue pisado, convalesceu por mercê de Deus".

segunda-feira, outubro 31, 2005

Felicitações

Por tu graal felicita Espanha pelo nascimento de Leonor de Borbon, herdeira do Trono Espanhol.
Nasceu à 1:46 da madrugada, de cesariana, com 3,450 Kg e 47 cm.

Números

€: 2.694.539.529,00 É a verba atribuida pelo Orçamento Geral do Estado para os Serviços de Apoio, Estudos e Coordenação da Presidência do Conselho de Ministros...
É quase tanto como o custo do aeroporto da OTA, orçamentado para ser gasto em um ano.
Lê-se assim: dois mil milhões seiscentos e noventa e quatro milhões, quinhentos e trinta nove mil quinhentos e vinte e nove Euros.
O que será que se faz, o que é produzido, que actividades extraordinárias serão realizadas pelos referidos serviços da República que justifiquem tal gasto? E porque é que ninguém chamou a atenção para isso ? Hum ?
Tirado daqui.

sábado, outubro 29, 2005

Aniversário II

Parabéns ao Frangos para Fora, um blog politicamente incorrecto, pouco dado a pandemias.
Fez ontem dois anos.

Aniversário

Dia 27 o Rua da Judiaria fez 2 anos.
Dele escolhi este post. Pela sua actualidade e pelo seu significado.
Parabéns Nuno Guerreiro.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Deprimente

É como facilmente se adivinha que virá a ser a próxima campanha para a Presidência da República.
As confusões de Mário Soares, relatadas no Público de ontem, não são compatíveis com uma figura que se queira para chefe de Estado, a não ser na República Portuguesa.E isso diz muita coisa.
A insistente identificação do Partido Socialista com este candidato, reafirmada insistente e publicamente por Jorge Coelho nos últimos dias, diz o resto.

Responde Outro Dos Monárquicos de Serviço

Em resposta ao repto lançado pelo Pedro Santos Cardoso: a possibilidade de a monarquia alguma vez voltar a ser o regime em vigor em Portugal, não significa que não o possa ser num Estado laico. Muito antes pelo contrário. No entanto, não se deve confundir Estado laico com Estado persecutório, que foi o que caracterizou o arranque do Estado republicano em Portugal, e que, pelos vistos, ainda se mantém hoje em dia graças a alguma empenhada militância republicana fundamentalista.
Neste ponto, inteiramente de acordo com JMO.
No que diz respeito à amplitude dos poderes do Rei, estes obedeceriam a um quadro legal, formulado dentro dos princípios de uma monarquia constitucional: chefia do Estado e das forças armadas, primeira figura representante de Portugal em qualquer acto oficial quer em território nacional quer no estrangeiro, constituindo uma referência nacional suprapartidária.
Neste aspecto, também de acordo com JMO.
As duas questões levantadas por Pedro Santos Cardoso, ao inquirirem da laicidade do Estado e da limitação dos poderes do Rei, são muito bem escolhidas e reflectem claramente a essência de grande parte do argumentário republicano na sua génese. Falta uma: a questão da pertinência ou não do direito à propriedade. O regime republicano em Portugal nunca foi capaz de reconhecer em absoluto o direito à propriedade. O quadro legal do arrendamento, seja ele urbano ou rural, é um reflexo disso mesmo. Mas isso fica para outro dia.

Publicado em O Eleito

terça-feira, outubro 25, 2005

Foi há 858 anos

........................................O Cerco de Lisboa, por Roque Gameiro

Hoje terá lugar em Lisboa, mais propriamente no Castelo de S. Jorge, uma reconstituição histórica do cerco e conquista de Lisboa protagonizada por mim e pelas minhas tropas há uma porrada de anos atrás, culminando com a entrada solene na cidade em 25 de Outubro de 1147.

(...) É então que, por sua vez, os nossos se empenham mais no trabalho e se lançam a escavar um fosso subterrâneo entre a Torre e a Porta de Ferro, com o fim de deitarem abaixo a muralha. Porque estava demasiado acessível aos inimigos, ao ser descoberta depois de iniciado o cerco (...)

Como vêem, já naquela altura a panca por túneis eufemísticamente designados por "fossos subterrâneos" dominava a mente lusa obcecando povos e alcaides...

A quem possa interessar o acontecimento, pode ler mais aqui.

Velhos Hábitos

Quase sempre que se põe em causa a república, ou seja, o regime político em vigor em Portugal desde 1910, que se eleva um coro surdo de protestos a meia voz, nada de grande gritaria, como se o simples facto de questionar o regime conduzisse a inéditos esforços intelectuais conducentes a rebuscadíssimos argumentos e contra pontos, cansativos portanto, para os quais as mentes indígenas além de não se encontrarem devidamente treinadas e preparadas, não têm a menor atracção ou vocação; os portugueses habituaram-se a ser republicanos. Ponto. São como os velhos hábitos: temo-los sem saber muito bem porquê mas achamos difícil largá-los.
Isso de questionar o regime é "voltar para trás", a monarquia é "coisa do passado", temos é que andar para a frente e o resto é conversa. Mesmo que o andar para a frente tenha conduzido Portugal a um quase beco sem saída, há que manter inquestionável a natureza do regime.
No entanto, se isto tresanda a antolhos, cuidai-vos que vos tomam por bestas.
Questionar o regime tornou-se impensável. Mesmo com o exemplo flagrante de Espanha, que em 1975 estava em muito piores condições económicas e sociais do que Portugal e que, em trinta anos, recuperou de um atraso carregado de atavismos com uma determinação e fé tais que isso tem indiscutivelmente que nos obrigar a pensar. É que, quer se queira quer não, uma grande diferença separa de facto as duas democracias ibéricas. E essa diferença, é o regime.
A abordagem dos mesmos problemas, sejam eles o combate aos incêndios, a divulgação cultural ou/e a projecção internacional como partes integrantes de uma estratégia concertada de desenvolvimento económico, tem sido feita de modo completamente diferente nos dois países.
E, para cúmulo, há por aí muito republicano bem instalado no poder e descaradamente partidário da passagem para Espanha de importantes, senão vitais, centros de decisão fundamentais para o desenvolvimento do nosso país. Para não falar dos desesperados que sonham com a anexação pura e simples, renunciando em definitivo à independência e soberania nacionais.

publicado hoje em O Eleito

segunda-feira, outubro 24, 2005

Solidariedade emplumada

Face à escabrosa escalada de violência histérica e intempestiva, acompanhada de não menores manifestações descontroladas de verborreia compulsiva e incontinente escabeche que vem assolando o planeta em toda a extensão do seu perímetro alado, daqui envio um sincero e honesto abraço solidário aos Pássaros, ao Frangos para Fora e ao Pombo Incontinente.

Contradições da República

Em Janeiro de 2006, mais uma vez, os portugueses serão chamados às urnas para elegerem o chefe de Estado de Portugal. Desde as primeiras eleições para a Presidência da República, após o pronunciamento militar de 25 de Abril de 1974, que os candidatos eleitos são-no invariavelmente pela segunda vez, cumprindo segundo mandato.
Provavelmente sê-lo-iam de novo se existisse a possibilidade de um terceiro mandato, e por aí fora. E isto porque, na sua essência, os portugueses são profundamente monárquicos. Durante anos, todavia, a propaganda republicana encarregou-se de explicar que isso era mau. Mesmo durante a II República, os tais famosos 48 anos de ditadura foram-no em República.
No entanto, se até agora e após (repito) o pronunciamento militar de 25 de Abril de 1974, um simples presidente de câmara podia ser eleito e re-eleito as vezes que se quisesse, o mesmo nunca foi possível com o mais alto magistrado da nação. Porquê? Porque o regime republicano é, em si mesmo e acima de tudo, profundamente contraditório.

Publicado hoje em O Eleito

quinta-feira, outubro 20, 2005

20 x 20 x 20

Acabada a época dos incêndios, que vai de 14 de Maio a 14 de Outubro, e o semestre das aparições em Fátima, de 13 de Maio a 13 de Outubro (o cuidado e esmero com que a República se apropria de certas datas de forma insinuante e promíscua é digno de nota. Nem a porcaria do dia da implantação da República escapou de ser pespegado em cima do dia da Fundação do Reino de Portugal. Mas adiante) como eu dizia, acabado definitivamente o Verão, por decreto, com as autárquicas a chocalhar e o Sporting a implodir, eis que o país se suspende da hora mágica: as 20:00h de 20 de Outubro; o momento escolhido por Cavaco Silva, aluno de vintes segundo VPV, anunciar o que toda a gente sabe: a sua candidatura à Presidência da República. O que é espantoso nesta história em que o facto vem ao encontro de quem o espera, o que tem de notável é, precisamente, a gestão da sua previsibilidade. Tornar a expectativa realidade é, por si só, merecedor de confiança.
É por isso que Cavaco Silva vai ganhar as eleições. Alimentando e gerindo com habilidade a expectativa manteve igualmente a esperança na sua própria candidatura, e ao cumprir com o que prometeu (só anunciar a sua decisão após as autárquicas, seja ela qual for) devolve aos portugueses que o irão eleger um bem precioso nos conturbados dias que correm: a ilusão de que são donos do seu destino. Devolve, com juros, a segurança ilusória que caracteriza a previsibilidade. Quando Cavaco ganhar, todos os que votaram nele sentirão que ganharam também. E, por isso, ele vai ganhar.
Não porque possa fazer muito mais do que os seus predecessores, a Constituição não deixa, mas porque parece que pode. Quem cumpre aquilo que promete, ainda por cima sendo político, torna-se a excepção, arrastando com a simpatia dos eleitores mesmo que, posteriormente como agora, o que quer que venha a prometer e a cumprir seja irrelevante.
A oposição a Cavaco é, e será, inexistente; Louçã e Jerónimo de Sousa cumprem calendário à custa dos contribuintes, e tanto Alegre como Soares não passam de duas facções a abater dentro do próprio PS. A partir de Janeiro, após as eleições, o governo de Sócrates sairá reforçado graças à conclusão da limpeza interna no aparelho do partido com a garantia de que Cavaco não quererá outra coisa senão manter no poder um governo que, mantendo uma política impopular, procurará corrigir o deficit, conter a despesa pública, aumentar a receita fiscal, preparando o terreno para um regresso triunfal do PSD, sufragado por maioria por um povo farto de crise e de apertar o cinto . Nessa altura, provavelmente, será Rui Rio quem pedirá a palavra para concluir o que começou a dizer a José Sócrates no fim do passado dia 9 de Outubro.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Segunda feira....

O Sporting perdeu com a Académica em Alvalade. É a terceira derrota consecutiva. Está na altura de atirar alguém aos leões.

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José Sócrates, o estratega, prepara-se para festejar em Janeiro a derrota definitiva de Mário Soares, o dono do PS. Pelo caminho ficam António Guterres, Ferro Rodrigues, João Soares, Manuel Alegre e Manuel Maria Carrilho.

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João Carlos Espada, no último Expresso, festeja a vitória de Sócrates e Marques Mendes nas eleições autárquicas mostrando, mais uma vez, que existe na direita um contraponto a Eduardo Prado Coelho que, por sua vez, é o contraponto à esquerda de Luís Delgado e por aí fora, cumprimentando, en passant, Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares.

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Parece que é este mês que António Lobo Antunes recebe da Academia Sueca o prémio persistência por ter tantas vezes concorrido ao Nobel da literatura sem sucesso. A Suécia, entre outros encantos, é conhecida pelo famoso jogo de cartas - a sueca - uma espécie de bisca alta e loura, pela ginástica sueca e pela Academia Sueca, que anualmente sorteia prémios Nobel por diversos concorrentes em variadas modalidades.
Por outro lado a vaca, além de cornos, também possui pernas compridas que mantêm as tetas fora do alcance das formigas e outros insectos rastejantes, bem como uma pele preta e branca que serve para a manter toda junta.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Ressaca

Estado pré comatoso de empastelamento existencial caracterizado por sede avassaladora e absoluta intolerância ao ruído acompanhados de embaciamento persistente de toda e qualquer actividade, sensata ou não, produzida por qualquer dos dois hemisférios cerebrais.
É assim que que se encontra Portugal no momento.
Desde o pretenso descomprometimento do PM (José Sócrates) para com os catastróficos resultados eleitorais obtidos pelo PS (Partido de Soares), até aos dislates ilegais proferidos pelo próprio Soares à boca das urnas, passando pela ajardinada exuberância de Valentim Loureiro e pelo desalento cabalístico de Avelino, perpassa uma imagem de fim de festa que ninguém percebe muito bem que acontecimentos pretendeu celebrar. A festa pela festa tornou-se o objectivo último das desorientadas populações deste país queimado, seco, alegremente à beira da bancarrota.
Estamos quase quase a ser o Brasil da Europa. O que nos falta em área, clima e gente sobra-nos em diversidade paisagística, secura e imaginação. Dizer bicha em vez de fila é politicamente incorrecto. Noventa e nove por cento das frases começam por é assim. Seja quem for que as diga.
O cinco de Outubro é a data da implantação do vinte cinco de Abril.
À asneira sucede a asneira, a
pessegada, o disparate.
Vale a pena dar uma vista de olhos à escolha de cartazes feita pelos Dolos Eventuais.
Depois dos sorrisos e/ou gargalhadas de que certamente serão acometidos, vejam os cartazes outra vez e pensem: Isto é a República portuguesa. Se conseguirem olhar para os cartazes segunda vez sem desatarem a chorar de raiva lembrem-se da exibição da selecção nacional frente à merda do Lichtenstein. Se, mesmo assim, as lágrimas não vos saltarem dos olhos como pulgas alucinadas esmagando-se contra os écrans, das duas uma: ou estão grossos, ou estão grossos. Ainda. A ressaca virá depois.

sábado, outubro 08, 2005

Há qualquer coisa que não está bem...

...quando um Primeiro Ministro se recusa a interomper férias numa altura em que o país que é suposto governar arde de norte a sul e, no entanto, dois meses depois não se poupa a esforços para acudir às autarquias em tempo de campanha eleitoral, saltando frenéticamente de paróquia em paróquia, qual bonecreiro alucinado.

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...quando um Presidente da República só a cinco meses de completar dez anos de presidência é que se "lembra" de sugerir a inversão do ónus da prova para os crimes económicos.

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...quando a República, nas comemorações do seu 95º aniversário em plena Praça do Município em Lisboa, só pôde contar com cinco cromos empunhando cartazes onde se lia não sei o quê sobre Olivença.

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...quando o regime em vigor em Portugal, a República, tolera os impropérios, os dislates e a paranóia de Alberto João Jardim aderindo por isso, e promovendo a adesão, a uma cafrealização descabelada que é pronta e afanosamente seguida por criaturas tão díspares como o trio Ino (Isaltino, Avelino e "Valentino") e a senhora D.Fátima de Felgueiras.

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...quando as medidas de combate ao flagelo dos incêndios insistem em basear-se no apagamento com bombardeiros de água em vez de, a montante, tornarem prioritário o ataque aos fogos no seu início.

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...quando os polícias têm que comprar a própria farda.

quarta-feira, outubro 05, 2005

5 de Outubro. À noite.


"(...) E o regimen está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados mentais, nos serve de bandeira nacional - trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português - o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, devem alimentar-se.
Este regimen é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos de seu o ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada, nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto que a república veio a ser."
Fernando Pessoa, "Da República"

Trecho retirado do Dragoscópio, um blog incendiário por natureza. Leiam lá o resto.

5 de Outubro


Há quem comemore o dia de hoje como sendo o do 95º aniversário da implantação do regime republicano que, já em 3ª edição (corrigida e ilustrada), tem conduzido Portugal, com retumbante êxito e inquestionável sucesso, ao beco fétido e ressequido onde hoje se encontra. Noventa e cinco anos foi o tempo que demorou a escaqueirar oito séculos de crescimento.
E ainda por cima comemoram a coisa.

Mas há outros, como eu, para quem esta data tem um significado diferente: o 862º aniversário da fundação do Reino de Portugal, primeira nação europeia. E eu prefiro lembrar-me disso.

quinta-feira, setembro 29, 2005

E vão 7

Apesar da crescente subida de preço do petróleo e da crise económica nacional, Portugal é dos poucos países do mundo, senão o único na Europa, que proibe o estacionamento de veículos GPL em parques de estacionamento subterrâneos. Os governantes nacionais contribuem assim para que não haja o menor perigo de que o abastecimento em combustível da frota de veículos ligeiros cá do reino seja feita a 50% do seu custo actual.

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A candidatura de Manuel Alegre é um grande serviço prestado ao PS. É a melhor maneira de garantir a vitória de Cavaco Schwarzie Silva, O Mastigador, logo à primeira volta. O que, no fundo, é o que Sócrates quer. Por muito estranho que pareça. Tudo menos Soares na Presidência a ditar-lhe bitaites e em frenético output de postas de pescada.

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Dentro de dois anos, a Europa irá assistir a um rápido crescimento económico.
Com as novas refinarias de petróleo a entrarem em pleno funcionamento e a manter-se a actual suspensão das cotas de produção decretada pela OPEP, viver-se-à uma verdadeira festa, um último e derradeiro fartar vilanagem. Mas será de curta duração e a ressaca adivinha-se dolorosa, quiçá insuportável.

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Não há dia de campanha para as autárquicas em que não se veja José Sócrates a dar uma mãozinha à malta do PS. Isto de se ser 1º Ministro em Portugal o que tem de bom é haver tempo para tudo.

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Quando há dois anos Francisco de Assis foi agredido em Felgueiras, caiu o Carmo, a Trindade e o Camandro.
Face ao que se passou no Porto com Rui Rio, as mesmas cortesãs e virgens ofendidas olham para o lado e assobiam. Fracas ladies à mesa, e pouco putas na cama.

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Uma vez que a época de incêndios passou a ter calendarização oficial e os próprios incêndios são passíveis de previsão diária, como se de fenómeno meteorológico se tratasse mas só e apenas durante a época consignada na calendarização oficial (a estupidez desta merda toda tolhe-me as mãos, quase não consigo escrever e a vontade de emigrar é quase irresitível) presume-se que a tal parte da prevenção, que deveria estar a ser tratada agora, seja puramente cagativa.

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Sonho azul: Vi um tipo passar pelo mercado de Cascais, comprar um peixe espada preto pouco fresco, embrulhá-lo num jornal regional com uma foto do recentemente inaugurado e pomposamente designado Centro de Interpretação da Costa do Sol, dirigir-se à Câmara Municipal de Cascais, entrar no gabinete do presidente da Câmara, anunciar-lhe "Interpreta lá isto" e pespegar-lhe com o peixe espada preto recém comprado e pouco fresco em cima da secretária, voltar-lhe as costas e vir-se embora a cantar A Menina das Tranças Pretas.

sexta-feira, setembro 23, 2005

"Felgueiras tentou desviar avião com laca"

Título de uma "notícia" da autoria de Mário Botequilha (MB) na página 5 do suplemento Inimigo Público do jornal Público de hoje e que tem o seguinte desenvolvimento:

Fátima Felgueiras arrependeu-se a meio da viagem de regresso a Portugal e tentou desviar o avião novamente para o Brasil. A autarca entrou na cabine aos gritos: "Deus é grande e eu sou a sua profeta!" e ameaçou os pilotos com duas embalagens de laca. Acabou por ser dominada por dois passageiros que odeiam autarcas, dirigentes desportivos e Artur Albarran, ou seja, agentes da Judiciária. Fátima foi recebida em Felgueiras pela população em delírio que, pela força do hábito, lhe entregou as carteiras, jóias e orçamento camarário para 2006.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Candidatura ou a ditadura da candura

No Portugal republicano e democrático de hoje, uma candidatura é O estado de graça por definição.
O(A) Candidato(a) é uma espécie de santo, monge ou asceta, liberto da tentação e do pecado, que se reveste de camadas constituidas por auras de insuspeição, candura e inimputabilidade sobrepostas umas às outras como as saias das nazarenas ou, menos prosaicamente, a casca da cebola comum.
Ao atingir o estatuto ou estado de candidato, o cidadão comum é alcandorado a semi-deus, qual atleta grego, rodeando-se de uma corte de aduladores peritos na lambidela compulsiva que se desenvolve desde o tacão da bota até aos entrefolhos do cu, and beyond.
No Portugal republicano e democrático de hoje, O(A) Candidato(a) usufrui de imunidade judicial excepto se for apanhado em flagrante a cometer um crime doloso por cuja pena possa ser preso por três ou mais anos. Ou seja, qualquer candidato a eleições tem ao seu dispôr um quadro legal que lhe permite executar, participar ou instigar a prossecução de atropelos, crimes e ilegalidades que lhe apeteça desde que cumpra as regras, ou seja, não se deixe apanhar em flagrante.
O climax do absurdo acontece quando o candidato deixa de o ser; quer ganhe ou perca as eleições, O(A) Candidato(a) deixa automáticamente de gozar da imunidade de ser candidato, atente-se na lógica demolidora, uma vez que deixa de o ser. Esta mudança súbita de estado de graça para desgraça permite ao aparelho judicial desempenhar a sua função ordenando a detenção do(a) ex-Candidato(a) pespegando-o(a) nos canfundós de um qualquer fedorento calabouço atapetado e revestido a musgo e desespero. Não sem que, durante a campanha eleitoral, tenha tido todo o tempo e todos os meios à disposição para propagandear as vantagens que o povo teria votando nele.
Esta é a democracia na República portuguesa.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Incubadoras

Os partidos políticos em Portugal transformaram-se em apocalípticas incubadoras de criaturas populistas, extrovertidas, agitando os ares com a razão que lhes é dada pela popularidade de que dispõem, adoradas pela populaça e temidas pelos poderes instituídos.
Os mais mediáticos são a dona Fátima e os três inos: Avelino, Isaltino e Valentino.
Depois de evoluirem do estado larvar à categoria de criaturas aladas no seio das comunidades onde se encontram, alimentados pela propaganda produzida durante anos pela chusma de insectos obreiros que infestam as máquinas partidárias que lhes serviram de hospedeiro, acolhendo-os, amamentando-os e promovendo-os junto das populações que eram supostos servir, ei-los que se proclamam de uma independência absoluta em arremedos de ingratidão para com os ventres que os geraram.
Uns ingratos, é o que são.

Parabéns à Laurindinha

............................."Pastora con pecore" - Eugenio Prati

Por cada um dos trezentos e sessenta e cinco dias de existência do seu Abrigo de Pastora.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Histórias de encantar VI

Era uma vez um coelho que vivia do lado A da autoestrada. O seu único sonho, ambição suprema, atração irresistível e almejado destino era conseguir atravessar para o outro lado.
O lado B.
No entanto, abundante registo de parentes atapetando a rodovia tinha sido argumento suficiente para adianços consecutivos de uma travessia que , enquanto pulsão vital de natureza obsessiva, se tornava cada vez mais distante no tempo, que não na distância.
Até que um dia a vontade de atravessar foi maior que todos os medos, avisos, presságios e augúrios ouvidos, escutados, com atenção, da sua curta existência de roedor compulsivo. De salto curto em salto curto foi-se aproximando do rail mais perto. Olhou com atenção, sentiu a paragem das vibrações das rodas pretas e rápidas no asfalto sob as patas e ...catapum! catapum! catapum! aventurou-se até ao estreito, seco e desmesuradamente longo canteiro de rodoendros entre os rails que separavam os dois sentidos de circulação viária da autoestrada. Aguardou. Do outro lado, uma pequena manada de gado charolês pastava no sossego do tempo e das certezas bovinas. De novo o silêncio se fez sentir. Só uma muito leve vibração existia, como que se de uma distante trovoada se tratasse. De novo o coelho se aventurou na travessia. Catapum!...catapum a trovoada aproximava-se com uma celeridade inaudita. Não era uma trovoada. Era um camião TIR carregado de móveis e proveniente de Paços de Ferreira. Tarde de mais. Ao chegar à berma, junto ao rail, o impacto sentiu-se, a autoestrada ficou uma fita preta ao longe, fina e silenciosa, ar e vento morno por todo o lado e o chão verde de pasto a aproximar-se a velocidade desaconselhável. Olhos bovinos assistiram ao impacto e projecção do roedor. Após a aterrissagem, o coelho abriu os olhos, sacudiu a cabeça, olhou para cima e viu o olhar pensativo, ruminante e habitualmente absorto do touro charolês.
- Isto é que tu és uma granda besta.- disse, ruminando, o touro charolês. -
-...?!*#..!!....- respondeu o coelho.
- Foda-se pá! Então com umas orelhas desse tamanho não ouviste o cabrão do camião a aproximar-se ? -
O coelho lembrou-se daquilo da trovoada a aproximar-se, que tinha sido a seguir áquilo da primeira travessia. Olhando o touro nos olhos respondeu:
- E tu ? Com uns tomates desse tamanho já viste a parelha de cornos que tens ?

quarta-feira, setembro 14, 2005

O perfil possível

Mário Soares diz que Cavaco Silva não tem perfil para ser Presidente da República.
É magro demais, segundo os marretas.
Soares não se lembra do que disse (basta!) desdiz o que diz («é o adversário possível, forte e de respeito com quem vai travar um combate leal, forte e de ideias») e não sabe o que há-de dizer.
Três condições sine qua non para se ser candidato à Presidência desta República.

terça-feira, setembro 13, 2005

" Aqui d'el-rei! "

Medeiros Ferreira escreve hoje no DN , comparando os incêndios em Portugal com o furacão Katrina nos EUA.
Basta a ideia, comparar uma coisa com a outra, para que a surpresa perante o exercício demagógico de afirmações como (...) Em Portugal, hoje em dia, tanto se reclama cortes no número de funcionários públicos e de servidores do Estado como se exige novos guardas florestais e jovens bombeiros profissionais quando há fogo na serra.(...) se desvaneça rapidamente.

Mais à frente podemos ler: Amanhã, se houver inundações, esquecer-se-ão os guardas florestais mas querer-se-á fuzileiros e equipamentos anfíbios em todas as bacias hidrográficas. Em ambas as situações não estou a ver as populações afectadas apreciarem a chegada de elementos com mais de 60 anos… Mas, com a normalidade restaurada, voltará a discussão teórica sobre o bom tamanho do Estado sem se ter em conta estas curiosas variações práticas. E veremos os órgãos de comunicação social transmitirem, impávidos, como é seu dever, aspirações tão desencontradas.

O que se passa em Portugal, à nossa escala, adquire agora nos EUA a dimensão de um apocalipse anunciado.

Desculpar a incúria e o desleixo a que o regime republicano votou o património florestal e hídrico em Portugal, negligenciando a prevenção dos incêndios e dispendendo avultadas quantias no seu combate a posteriori, de forma desorganizada, numa das mais pungentes demonstrações de amadorismo governativo de que há memória em qualquer parte do mundo e compará-lo a catástrofes da dimensão do furacão Katrina é, por si só, tristemente revelador do calibre de alguns dos opinion makers autóctones mais conceituados.
Ao querer falar de uma data de coisas ao mesmo tempo, desde o problema dos incêndios à história das reformas antecipadas, do racismo e da incompatibilidade entre liberalismo e catástrofes, Medeiros Ferreira dá a ideia de um percursionista destrambelhado a zurzir nas peles a torto e a direito produzindo uma cacofonia ininteligível ao comum dos mortais mas que, certamente, calará fundo no âmago da esquerda nacional.
A escolha do título para tal exercício demagógico, vindo de um dos pilares de um Partido Socialista que se reclama sucessor do Partido Republicano de Afonso Costa, é significativa.
É que Mário Soares será sempre Dom Mário I para muito Afonso Costa de bolso cá da santa terrinha.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Bolha especulativa

De visita a Portugal, SAR o Principe Khalid Al-Faisal bin Abdul Aziz Al-Saud da Arábia Saudita, país que é só e apenas o primeiro produtor mundial de petróleo, afirmou que não há razão, em termos de produção, para o petróleo estar acima dos 40 dólares por barril.
A única razão para isso acontecer, segundo o príncipe, é a escassez de refinarias, nomeadamente norte americanas.
Ou seja, as mesmas refinarias que, há dois anos, processavam
x crude a 30 dólares o barril fazem-no agora a mais do dobro do preço.
Alguém está a ganhar uma pipa de massa com isto.




O treze de Setembro

Se, como afirma o Expresso, avançar a manifestação de militares convocada para amanhã e proibida pelo Governo, este será o "último episódio de um conflito que opõe militares e Governo e que alguns oficiais (...) consideram ser o mais grave desde o 25 de Abril".

domingo, setembro 11, 2005

"Mr. Cheney, go fuck yourself..."








Ouviu-se, por duas vezes, na reportagem que mostrava Dick Cheney em visita ao estado do Louisiana.

Segundo o Público de hoje, pelo menos duas grandes empresas, associadas aos interesses de Joe Allbaugh, que foi o anterior responsável de campanha do Presidente George W. Bush e antigo director da Federal Emergency Management Aagency (FEMA), a agência de protecção civil, foram já contactadas para começar os trabalhos de reconstrução ao longo da costa do Golfo do México. Uma das grandes companhias é a Shaw Group Inc. e a outra é a Halliburton Co., subsidiária da Kellog Brown and Root. O vice presidente Dick Cheney já foi director da Halliburton.

Depois de terem participado na reconstrução do Iraque, as mesmas companhias começam agora a trabalhar nos estados afectados pelo furacão Katrina.
Nada mais natural. A vocação missionária destas empresas é sobejamente conhecida. Depois de estagiarem no Iraque onde foram parar por causa do terrorismo e onde adquiriram experiência na resolução dos problemas causados por ele viram-se agora para o Louisiana que, como se sabe, foi vítima de um atentado terrorista desta feita perpertrado pelo mão vingativa do próprio Allah num assomo de fúria assassina como esclarecem os imãs, os ayatolas e outros madrassos. O facto de terem sido na sua esmagadora maioria pretos e pobres os atingidos é irrelevante. Allah quando se passa dos carretos arreia onde calha.
Agora que Bush fez um excelente negócio ao ser re-eleito, lá isso é verdade.
Quanto às virgens ofendidas, cortesãs vilipendiadas e outra gente dessa que confunde direita com Seguidismo Bushista ou que baralha anti-Bushismo com anti-Americanismo das duas uma: ou são retardados mentais ou são parte interessada, accionistas portanto, das empresas que têm empochado alcavalas, prebendas e sinecuras com a presidência de George W. Bush.
.......................Primeira página do Record de hoje.

sábado, setembro 10, 2005

Homenagem

A todos os bombeiros de Portugal, e às suas famílias, que prestaram o serviço possível pondo as suas próprias vidas em risco no combate aos fogos em Portugal resultado inequívoco do desleixo e incúria a que o regime republicano votou o património florestal deste país.
Obrigado.



Mae West por Salvador Dali

Dali visage de Mae West pouvant être utilizé comme appartement.

A propósito da "cadeira Bocca" enaltecida por JRD em La Pipe.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Sócrates by ACME


Afinal aconteceu! A discrepância de tempo entre o movimento do 1º Ministro a accionar o detonador e a implosão das torres de Tróia foi realidade. Soube-o aqui em primeira mão e confirmei-o em seguida aqui.
A associação imediata que senti ao ver a preparação da coisa e os funestos resultados dos ACME supplies nos gags do beep-beep e do coyote ganhou os contornos de uma verosimilhança indesmentível.
Uma vez que não passou tudo de uma grandessissima treta, presume-se que a simulação poderia ter sido feita de mil maneiras imagináveis (*) . Ou seja, barrete por barrete, Sócrates poderia ter

1. Soprado as velas de um bolo de anos.
2. Dado um salto pró ar.
3. Arreado um estalo na fronha do Belmiro.
4. Exibido um monumental manguito em directo.
5. Tapado a cara.
6. Osculado efusiva e repenicadamente as emaciadas faces de Belmiro.
7. Soltado uma sinistra gargalhada.
8. Saltado para o colo do ex-Presidente da República, general Ramalho Eanes. (**)

no preciso instante em que as torres implodiam.

Ou seja, poderia ter associado ao acto da implosão das torres uma qualquer actividade lúdica momentânea, um gesto inesperado e prenhe de significados ocultos que servisse de pasto
às bestas pactuantes da nossa imprensa e comunicação social, sempre carentes de actos simbólicos onde possam dar largas às suas necessidades locubrativas, especulativas, adivinhas de conspirações maquiavélicas secretas. Mas não. Preferiu, deliberadamente, tentar enganar as gentes do país que se comprometeu governar. Saiu-lhe o tiro pela culatra. Sócrates e os pactuantes "profissionais" da comunicação social indígena revelaram-se autênticos produtos ACME. Que se exportem de imediato, ouso sugerir, e de preferência para o feudo de George W., ele próprio grande apreciador de perús de plástico.

(*) Aceitam-se sugestões por parte de eventuais leitores.
(**) Continuam-se a aceitar sugestões por parte de eventuais leitores.

"Candidatura de ex-PR preocupa tartarugas das Seychelles"

Da edição de hoje do jornal Público, destaque para o seguinte artigo do suplemento Inimigo Público, com o título supra, da autoria de RC. Link indisponível.

«A candidatura de Mário Soares às próximas eleições presidenciais está a perturbar o modo de vida habitualmente pacato das tartarugas gigantes das Ilhas Seychelles. De acordo com Francis Pierre, biólogo responsável pela conservação das tartarugas do atol de Aldabra, "os animais têm-se mostrado nervosos e irritadiços desde o anúncio da candidatura, e pensamos que possa haver uma ligação. É preciso encontrar uma solução antes que seja tarde demais. Uma tartaruga irritada é uma visão aterradora". Recorde-se que Soares visitou as Seychelles enquanto Presidente da República numa das mais inusitadas visitas presidenciais da história, só comparável à visita de Américo Tomás e de uma comitiva de 36 pessoas a um urinol público de Coimbra em 1967. Durante a visita, da qual resultaram importantes tratados bilaterias relativos à poda de palmeiras e ao cultivo de areia da praia, o então presidente sentou-se na carapaça de uma tartaruga, que morreu pouco tempo depois vítima de depressão profunda.»
Play back
Ontem, na transmissão directa da implosão das torres de Tróia, pareceu-me ver um ligeiro desfasamento entre a 1ª explosão e o accionamento do detonador por parte do 1º Ministro.
Se calhar foi só impressão minha. Coisas da idade, é o que é.

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republicanices...
Permanece um mistério o estado de saúde do Presidente da República francesa. Pelos vistos, para a forma de regime republicano, até a "sucessão" faz parte do problema e não da solução.

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O síndroma do Outão (*)
O problema da má ou boa qualidade do serviço de self-service da cafetaria do aeroporto de Lisboa deixou de existir: não tem qualidade. Nem boa, nem má.

(*) Enquanto Ministro do Ambiente, José Sócrates resolveu o problema da pedreira a céu aberto instalada em plena área protegida da Serra da Arrábida desafectando-a do Parque Natural da Serra da Arrábida.

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Sondagens
A diferença percentual das intenções de voto entre Cavaco e Soares só são tranquilizantes para Soares.

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Muito Bom negócio
Foi o que conseguiu George W ao conseguir ser re-eleito presidente dos EUA. Para ele, bem entendido.

terça-feira, setembro 06, 2005

A referência

(...) Não tivesse nascido D. Afonso Henriques e não haveria qualquer "factor democrático" capaz de nos desancorar da meseta. Foi à vontade de poder desse homem que nascemos. Agora, como em tudo, é impossível voltar atrás. Seguimos em frente, ganhámos consciência, desenvolvemos uma língua prodigiosa e belíssima que emparceira com as maiores do planeta.(...)

de Miguel Castelo-Branco em Combustões

Salada de polvo

Segundo Joaquim Vieira, director da Grande Reportagem, «(...) com Soares, já não há moral para criticar Ferreira Torres, Isaltino, Valentim ou Felgueiras (...)».
Num texto intitulado O Polvo (1) inserido na rubrica "Os passos em volta", publicado no Nº 243 da GR de 3/9/2005, Vieira socorre-se do conteúdo do livro Contos Proibidos - Memórias De Um PS Desconhecido da autoria de Rui Mateus e publicado no fim do 2º mandato presidencial de Mário Soares para referir que após ganhar as presidenciais em 1986, Soares e um grupo de amigos políticos fundou um grupo empresarial destinado a usar os fundos remanescentes da campanha, canalizando fundos monetários com o objectivo de financiar a sua re-eleição. Soares terá ainda colocado amigos seus como testas de ferro, não podendo presidir ao grupo por razões óbvias. No exercício das suas funções como presidente da República, terá convocado «...alguns magnatas internacionais tais como Rupert Murdoch, Silvio Berlusconi, Robert Maxwell e Stanley Ho para o visitarem na Presidência da República e se associarem ao grupo a troco de avultadas quantias que pagariam para facilitação dos seus investimentos em Portugal...»
Ainda segundo Vieira, pela relevância do tema, ficará para próximo desenvolvimento.
Presume-se que o Polvo venha a ser o prato forte das presidenciais 2006.

segunda-feira, setembro 05, 2005

5 de Setembro

Alguém acredita que Jerónimo de Sousa tenha a mais tangencial possibilidade de ganhar as eleições presidenciais em 2006 ? Alguém acredita que Francisco Louçã possa vir a ser o futuro presidente da república? Então ? Está tudo a dormir ou quê ?

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O vómito : A SIC Notícias autopromovendo-se à custa das imagens de New Orleans submersa.


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É natural que Sócrates, à semelhança do binómio votos vs. SCUT sem portagens nas legislativas, venha a baixar o IVA para ganhar votos para Soares. Preparem-se.

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Os descendentes do povo rural povoam as praias, as cidades, o litoral, os centros comerciais.
Sem referências, sem valores, com vergonha dos seus antepassados, vivem aterrorizados com a possibilidade de serem confundidos com os saloios que tanto abominam, que tanto desprezam.
Por isso se prostituem por ideais de plástico, por telemóveis 3G, por roupas de marca já que, pensam eles, o nome que têm não vale dois peidos.

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O peregrino olha deslumbrado a Basílica de S. Pedro. Um mar de gente espraia-se a perder de vista. O peregrino sorri. Uma vozinha que mal se ouve insiste: "Qual é coisa qual é ela, que é branca e vai à janela".

sexta-feira, setembro 02, 2005

Colocação de professores

De acordo com as últimas notícias referentes à colocação de professores, generalizam-se as queixas relativamente às colocações longe das áreas de residência.
Por este motivo, a protecção civil pede que se divulguem os seguintes procedimentos:
No caso altamente provável de se deparar com um professor colocado repentinamente na sala, cozinha ou outra dependência da sua casa, a qualquer hora do dia ou da noite, não entre em pânico. Ofereça-lhe um copo de água fresca enquanto lhe sugere com firmeza suave que se sente.
Telefone para o 112 e diga que está a ser assaltado por um toxicodependente armado com uma seringa de repetição. Se disser que lhe colocaram um professor em casa, provavelmente não acreditarão.
Calmamente dirija-se para a porta da rua, saia e feche a porta à chave.

terça-feira, agosto 30, 2005

Combate aos incêndios


Segundo o especialista chileno Carlos Weber Bonte,

"Gasta-se demasiada água a combater os fogos em Portugal quando a aposta devia ser na utilização de ferramentas que destruam o combustível que faz propagar as chamas". O que, diga-se de passagem, é redobradamente custoso em ano de seca: desperdiçar tantos milhares de litros de água no meio dos fogos enquanto o gado morre à fome e à sede.

No entanto, houve quem já tivesse percebido isso há algum tempo; parece que aqui ao lado, na Andaluzia, o problema já foi resolvido. O ano passado? Não. Há mais de doze anos.


(...) Entre 1995 e 2003, por exemplo, a Andaluzia perdeu menos floresta e mato do que Portugal em 24h de alguns dias de Agosto do ano passado. (...) (*)

(*) Excerto do trabalho da autoria de Pedro Almeida Vieira publicado na Grande Reportagem de 24 de agosto de 2004 .



O zurzido do Dragão

Todos, quase todos pois que, aconselharam-nos, há que salvaguardar vetustas minorias para tempos de míngua e pouca fé, sabem do zunir da melga, do zumbir da mosca. Pois aqui vos chamo para escutardes e, quiçá, se puderdes, pordes vossos lombos para lá do desabrigo. Deixo-vos com o zurzir do Dragão. Mas como e em quem zurzirá o Dragão ? perguntais vós, ansiosas criaturas. Pois que "É gente rústica, cerdosa, se bem que armada de espaventoso pingarelho" o alvo do seu zurzir.
E ele zurze que zurze, que se farta e se faz tarde.

domingo, agosto 28, 2005

O Bar

Versão minimal:

Acabara o último cigarro há um quarto de hora. Lembrara-se na altura que tinha que comprar mais. Sem pensar, pegou no maço vazio e procurou lá dentro um cigarro.
Não havia nem um.
- Querida, disse, vou lá abaixo num instantinho comprar cigarros e volto já.
Até hoje, nunca mais apareceu.

Versão completa:

Acabara o último cigarro há um quarto de hora. Lembrara-se na altura que tinha que comprar mais. Sem pensar, pegou no maço vazio e procurou lá dentro um cigarro.
Não havia nem um.
- Querida, disse, vou lá abaixo num instantinho comprar cigarros e volto já.
Abriu a porta e desceu os 17 degraus a correr e de seguida. Chegado ao café, desilusão. Já estava fechado.
- Lá ao fundo desta rua, à sua direita, há um bar que ainda deve de estar aberto. – retorquiu o dono do café à sua pergunta enquanto fechava a porta.
A noite estava fria e ele estava com pressa. Dirigiu-se na direcção indicada a passo rápido. Quando chegou ao bar, entrou e apeteceu-lhe um trago de qualquer coisa forte e que aquecesse. Chegou-se ao balcão, e sentou-se ao lado de uma loira que falava ao telemóvel.
- Um Cutty Sark só com gelo, por favor. – Enquanto o empregado lhe servia o whisky pediu dois maços de cigarros.
A loira acabara o telefonema e fizera dos seus gestos e da sua cara o alvo da sua atenção nos segundos seguintes. De seguida abriu a carteira, retirando dela um estreito maço de Slims e, enquanto se voltava para ele cruzando as pernas, pediu-lhe, com voz rouca, semicerrando os olhos:

- Do you have a light? –
Meteu a mão no bolso direito das calças e retirou um pequeno isqueiro Bic. Enquanto lhe acendia o cigarro, olhou a cara dela com atenção e sorriu.
- Obrigada.
Não o tenho visto por aqui. – disse ela com ar casual enquanto expirava o fumo e guardava na carteira o estreito maço de Slims.
Palavra puxa palavra e meia hora depois estavam os dois em casa dela.
Algum tempo depois, ele olhou para o relógio que trazia no pulso esquerdo e disse:
- Meu Deus, distrai-me completamente... a minha mulher vai-me matar!
A loira sorgueu as sobrancelhas enquanto, distraidamente, apertava o roupão.
- A menos que... tens por acaso pó de talco ?- perguntou-lhe
- Pó de talco?- inquiriu a loira soerguendo ainda mais as sobrancelhas,
- A-acho que sim. Porquê?-
- Vai-mo buscar, por favor. Rápido.-
A loira desapareceu e voltou calmamente segundos depois segurando uma embalagem de talco Johnson´s com que ele polvilhou um pouco as palmas das mãos, esfregando-as uma na outra de seguida.

Regressado a casa, muito devagarinho introduziu a chave na porta e abriu-a silenciosamente.
A luz e o som provenientes da sala prenunciavam a tempestade que, dali a nada, iria desabar. Estava f-o-d-i-d-o. Entrou na sala pé ante pé e perguntou-lhe, por entre os flashes da TV Shop e os do olhar dardejante dela:
- Querida, ainda está a pé? Mas é tardíssimo.-
- Tu tens cá um descaramento...Francamente! Onde é que estiveste até agora?
- Mas é que tu nem sabes o que me aconteceu.
- Ah pois não. E estou mortinha por saber. Ora vamos lá a ouvir a história que inventaste desta vez. Desembucha!
- Estou-te a dizer! Fui lá abaixo ao café para comprar cigarros como te disse antes de sair, só que o café estava fechado. Disseram-me que ao fundo da rua havia um bar que costumava ficar aberto até tarde e fui até lá. Acabei por conhecer uma rapariga loira muito simpática e fomos até casa dela beber um copo. Palavra puxa palavra e....
- Tu tens é uma grandessissima lata. Mostra-me as tuas mãos imediatamente. Ah-ha! Com que então uma loira hein?! Mas tu pensas que me enganas, meu sacana? Tu estiveste foi outra vez no bowling com os cabrões dos teus amigos!

sábado, agosto 27, 2005

Ignorância "Encartada"

A História ensina-nos que no dia 14 de Agosto de 1385 se deu a batalha de Aljubarrota, na qual as forças de Portugal, em minoria absoluta, infligiram pesadíssima derrota às tropas de Castela.
Após a vitória e cumprindo uma promessa que fizera, Dom João I, Mestre de Aviz, mandou então edificar o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha.

No entanto, segundo o Expresso, a última edição da enciclopédia digital Encarta da Microsoft atribui a construção do referido Mosteiro de Santa Maria da Vitória respectivamente a Dom João I de... Castela e a sua propriedade aos castelhanos! Segundo a Encarta, a sua construção teria sido iniciada em 1388, e «O mosteiro, igreja e capela octogonal são exemplos extraordinários da arquitectura gótica espanhola».
Qualquer dia ainda se lembram de atribuir a autoria da casa Milá, em Barcelona, a Siza Vieira.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Retórica republicana

Em Portugal quando há desgoverno a culpa é dos "ricos". Desde que a república se arvorou em libertadora e equalizadora dos portugueses, pretendendo libertá-los do jugo opressor dos proprietários, renovando os votos disso pela última vez há trinta e um anos atrás, que é genéricamente bem aceite a descarga das culpas em cima das vítimas. Ao ameaçar os proprietários florestais com a aplicação de medidas coercivas, na linha das obras coercivas a serem executadas em prédios urbanos alugados há dezenas de anos por meia dúzia de euros, acorrentados a contratos de arrendamento ridículos, o presidente da república opta, em fim de mandato, por uma retórica populista e demagógica própria de uma república terceiro mundista, a braços com problemas graves de corrupção e traficância vária.
As consequências do laxismo irresponsável do Estado em Portugal é sempre pago pelos que por ele são mais prejudicados. Para se fazer ouvir, para se fazer respeitar, para ser levado a sério, qualquer Estado tem que dar o exemplo daquilo que entende ser o que deve ser feito.
Não é o caso em Portugal: em três anos a Tapada de Mafra, por exemplo, ardeu por duas vezes, a primeira das quais destruindo mais de 50% do seu património. Não consta que tenham sido aplicadas quaisquer medidas coercivas. Nem de qualquer outro tipo. Até hoje.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Presidenciais 2006

Afinal o candidato do PCP é Jerónimo de Sousa. Não sei quem, não sei quando, referiu que poderia ser uma mulher.
Que se calhar seria uma mulher. Quem ? O Jerónimo de Sousa ? Não. O candidato do PCP.

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O Sr. Aníbal Silva já tomou uma decisão: manter a indecisão até Outubro.

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O Sr. Alberto Lopes também já tomou uma decisão: anunciar a sua decisão dia 31 deste mês.

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Falta alguém ? Ah! o Sr. Fernando Rosas. Este ainda não anunciou coisa nenhuma. Não consta, por isso, que tenha tomado alguma decisão.

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P.S. - O facto do Sr. Alberto Lopes anunciar que só se candidata para preencher um vazio à esquerda significa, obrigatóriamente, que o Sr. Manuel Alegre é oco ?

quarta-feira, agosto 24, 2005

Parabéns à Lolita e ao Besugo!

Pelo dia 24 de Agosto de 2003, dia em que nasceu o Blogame mucho!

Encontrões imediatos do 3º degrau

O autor do blog A Barriga de um Arquitecto , paragem que muitas vezes escolho durante as minhas deambulações pelos blogs do reino, pegou num comentário meu a um post que escrevera intitulado Por amor de Deus no qual ele tecia considerações, mais ou menos politicamente correctas, sobre criacionismo e evolucionismo, recortou-o e destacou um trecho que pespegou à laia de introdução de um texto seu com 61 linhas intitulado O centro do mundo.
Um verdadeiro tratado.
Presumo que tanta atenção tenha sido a razão para o disparo alucinante de visitas aqui ao terreiro nos últimos três dias.

Foto: Supernova Remnant N 63A Menagerie, daqui.


Assim sendo retribuo a sua atenção com este post, devidamente equipado e artilhado em conformidade com imagem, links, linques, itálicos, bolds e o camandro, no qual transcrevo o comentário que lá lhe deixei sobre aquilo que escreveu.

Caro Daniel Carrapa,

1.«É compreensível que alguns achem discutível o facto de que somos descendentes dos macacos. Suponho que essas pessoas nunca tenham visto o “Fiel ou Infiel” na TVI.» Esta frase é sua. Presumo que inclua no grupo a chusma de primatóides que se baba e delicia com semelhantes programas de TV.

2."Esta gente..." como você se refere a determinadas pessoas que não pensam como você, nem como eu, é uma forma de discurso há muito adoptado pelos escravos do pensamento único. Neste pequeno planeta, como você diz, tem que haver espaço para outras opiniões que não a sua. Ou a minha.

3. Que Darwin tenha demonstrado com sucesso que os ingleses descendem dos macacos, não me obriga a mim nem a ninguém a deixar de questionar, com isenção, espírito crítico e sem aceitar nada como "garantido", qual a verdadeira origem da Humanidade. Talvez aí, meu caro, ao descobrir-se a verdadeira origem do Humanidade se vislumbre uma réstea de esperança sobre a previsão do seu destino, como dizia Carl Sagan. Nesta Terra ou noutra qualquer.

Cumprimentos

Estrago da Nação

É o nome do blog de Pedro Almeida Vieira, autor deste texto que, teimosamente, tenho vindo a divulgar na blogosfera desde final do ano passado.
Descobri-o ontem, através deste post no Nova Floresta.
Bem haja.

terça-feira, agosto 23, 2005

Actos Políticos I

Nos últimos tempos, a interrupção das férias tornou-se o acto político por excelência. O acto de entrar em férias, aliás, passou a ter todo um outro significado a partir do momento em que a classe política descobriu o potencial de merchandising directamente relacionado com essoutro acto sublime, de altruismo incondicional e nobre amor à pátria que consiste em Interromper as Férias.
A própria sonoridade da expressão, aliás, tem um je ne sait quoi de pré-parto, relação vaga com o romper das águas. A classe política passou a encarar o acto de partir para férias, tão caro, quiçá sagrado, para a generalidade de todos nós, portugueses, como uma antecâmara de estadia provisória ou preparação iniciática para a entrada triunfal em todo um outro iluminado estado de consciência, prenhe de tiques de liderança e impulsos de auto-sacrifício que é revelado precisamente no acto de interromper essas mesmas férias.
O arranque para esta nova abordagem terá partido do próprio Mário Soares, no dia do seu aniversário, ao anunciar públicamente a sua retirada da vida política activa vociferando um rotundo e ensurdecedor Basta!, dado não se sentir com fôlego suficiente para apagar as oitenta e três velas do seu bolo de aniversário. (Diz-se à boca pequena, nos soturnos e sombrios corredores do poder, que alguém da facção Socrática terá acrescentado mais uma vela ao bolo sem saber que outra facção, a de Alegre, já teria acrescentado outras duas velas por seu lado. Só para chatear.)
Eis que poucos meses decorridos interrompe o seu afastamento da vida política activa, leia-se férias, para se apresentar como O Candidato presidencial da esquerda unida.
No entanto, curiosamente, a utilização e manuseamento deste novo potencial denominado Interromper as Férias, não é encarado unânimemente por todos os intervenientes. Há, por exemplo, quem encontre mais força na mensagem contida na opção de Não Interromper as Férias do que no acto sublime de interrompê-las. José Sócrates concluiu que o Acto Político mais forte, com mais potencial de merchandising, seria providenciar para que o cargo de 1º Ministro fosse exercido por António Costa durante o período dos incêndios em Portugal, visto ter preferido não interromper as suas férias.
Já Jorge Sampaio não.
O presidente da república optou claramente pelo auto sacrifício ao interromper as suas férias para melhor se inteirar, in loco, dos arrasadores resultados provocados pelos incêndios na mancha verde do território nacional, já que os seu dez anos/dez verões de Portugal ardendo foram insuficientes para que, como Chefe de Estado que foi e é, diligenciasse tomar medidas definitivas para acabar com esta tragédia.
Até o próprio presidente da Comissão Europeia, a passar o fim das suas férias no norte do país, não hesitou em interromper as suas férias, fazendo questão inclusive em mencioná-lo, para assim poder dar um pulinho ao incêndio mediáticamente mais relevante e geográficamente mais próximo onde, subliminarmente, assinalou a importância de se ter um dos nossos no poder europeu para que a ajuda internacional no combate aos fogos nacionais se processe com rapidez.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Faz hoje um mês

O Movimento 560 tem como objectivo promover a compra de produtos portugueses por portugueses. Para isso "descodificou" o código de barras concluindo que são de origem portuguesa ou distribuídos por Portugal todos os produtos que tenham associados ao código de barras um número começado por 560. Descobri isto ao ler este post d'O Sexo dos Anjos.
Mas o melhor é irem até .

Bombardeiros de água

Plenamente convencido da generosidade europeia, da sua capacidade inesgotável em repetir os mesmos erros e perdoar os dos países membros prevaricadores, o ministro da Administração Interna de Portugal sugere a construção de um bombardeiro de água europeu, custeado pelos contribuintes europeus, para apagar os fogos europeus. Leia-se fogos portugueses, uma vez que os restantes países europeus têm o problema dos incêndios em adiantado estado de resolução.

sexta-feira, agosto 19, 2005

De partida

Eis a última foto conhecida de Pedro Lomba, Pedro Mexia e Francisco José Viegas precisamente quando começavam a ser tele transportados, beamed up, as they say, de Fora do Mundo para um outro planeta qualquer da blogáctica.
Prova irrefutável desta partida é, igualmente, o fim do Aviz.
- Hasta la pasta!- said the bishop to the actress.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Parabéns

Ao Eclético e ao A Causa Foi Modificada, pelos dois anos de travessia nos vastíssimos e surpreendentes oceanos da blogos. Que o diga o maradona (com minúscula) após recente pesquisa no Google Images.

terça-feira, agosto 16, 2005

Reformas

Face à iminência de falência total do regime partidocrático republicano, surge a ideia peregrina do PS de avançar com uma proposta que visa a criação de círculos eleitorais uninominais. Sendo a melhor forma de abortar processos de reformas em Portugal controlar o processo do seu desenvolvimento desde o início, do seu anúncio à sua concretização, esta iniciativa é contranatura por partir dos que se auto reclamam herdeiros do republicanismo puro e duro de 1910, este sim, responsável pela extinção dos círculos uninominais criados na 2ª metade do século XIX, no tempo em que o General António Maria Fontes Pereira de Melo era Ministro da Fazenda.
Esta ideia do PS é tão contranatura como, nos anos 80, a criação do Partido Ecologista "Os Verdes" pelo PCP, filiado da URSS onde na altura agonizava um regime que fez da indústria extractiva e transformadora o baluarte de um desenvolvimento a todo o preço que tinha tanto de ecologia como água tem o deserto. Ao criar essa melancia chamada PEV, o PCP retirou espaço de manobra a qualquer outro tipo de grupo ou associação que, emergindo, se reclamasse da ecologia procurando afirmar-se no espectro político de então.
Só o PPM já moribundo na altura se reclamava, e bem, como partido ecologista.

Controlando o processo da criação de círculos uninominais, o PS tudo fará para que as regalias e benesses conseguidas para a nomenklatura partidocrática em pouco ou nada sejam atingidas, puxando para uma regionalização que, embora negada em referendo, se avizinha cada vez mais como reforma inevitável. Um dos argumentos que se farão ouvir na rentrée será o da falência do actual regime de ordenamento do território (leia-se RAN e REN) "provada à saciedade pela calamidade anual dos incêndios", dirão.
A criação dos círculos uninominais mais não será do que a redacção legislativa das regras da regionalização que se avizinha.

segunda-feira, agosto 15, 2005

Histórias de encantar V

Era uma vez um cego que tinha um cão.
O cego ia a vários sítios na cidade com o cão. Um dia chegou ao lado de cá da Av. da Liberdade que é o lado do S. Jorge e do Odéon. Resolveu ali e então que era altura de atravessar para o outro lado.
Aproximou-se da beira do passeio com o cão pela trela. Percebeu pelo som dos carros a abrandar e pelo disparar do sinal sonoro que era altura de atravessar. Deu um passo e estacou. O cão permanecia quedo, imóvel. O cego puxou pela trela, puxou, puxou e o cão nada. Assim que a cor do semáforo mudou para verde os carros arrancaram e o cão idem, arrastando o cego aflito para o meio do trânsito enquanto se faziam ouvir buzinas, chiar de pneus e impropérios. Chegados ao pimenteiro e saleiro a meio da avenida o cão estacou. Os carros também. De novo se ouviu o sinal sonoro indicando ser o momento seguro para a travessia do resto da avenida. E o cego puxou o cão e o cão nada. Imóvel, teimosamente parado. Nova mudança na cor dos semáforos e o cão relança o dono cego na alucinante travessia pelo meio do trânsito. Chegados finalmente ao outro lado, o cego parou e, trémulo, tirou um pacote de bolachas Maria de um saco de plástico azul cueca.
- Toma toma... - balbuciava o cego para o cão enquanto este, esticando a trela, tentava desesperadamente manter-se o mais afastado possível do dono. Um transeunte que passava e testemunhara a alucinante travessia e o obstruso comportamento do cão não se conseguiu conter de espanto e inquiriu o cego:
- Então o senhor vai dar bolachas a esse cão de um cabrão que quase o ia matando ?-
- Eu ? Nããã. Só quero saber onde está a cabeça do gajo para lhe dar um valente chuto nos tomates.

domingo, agosto 14, 2005

Tu também? (*)

Agosto à tarde. Esplanada em Lisboa. Pouco trânsito, ar quente, turistas.
- Então pá? Vais ver os U2 ?
- Quem ? Eu? -
- ... -
- Tás parvo ou quê? Eu não dou vinte contos para ir às putas e pagava quarenta para ver esses picolhos dum tinhoso?
- Eh eh. Pois.

(*) U2 = U too = You too?
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!