quinta-feira, março 30, 2006

Da Paridade À Força E Outros Tiques

A paridade de quotas por sexo na participação da vida política, agora com força de lei, é paternalista, anti-democrática e machista.
Passo a explicar:
Genericamente, as mulheres portuguesas com cargos públicos/políticos não se sentem descriminadas por isso. As que os ocupam fazem-no por que querem. Foi esse o caminho que escolheram, a vocação que sentiram. Os homens idem. Ninguém obrigou ninguém a coisa nenhuma. A partir do momento em que uma lei obriga ao cumprimento de quotas mínimas de participação na vida pública/política por parte das mulheres, essa lei, sendo de autoria predominantemente masculina dado que a maioria dos deputados na AR são homens, acaba por colidir com o direito inalienável de todo e qualquer cidadão seja homem ou mulher, de não querer (repito: de não querer) participar na vida pública/política do seu país. A partir do momento em que a lei obriga, a opção deixa de existir e, consequentemente, a democracia sai a perder. O argumento de José Sócrates segundo o qual se não fôr à força de lei nunca mais lá se chega (à tal almejada paridade) é mais uma demonstração da abundância de tiques pombalinos de que padece a classe política portuguesa. Mas há mais: o não reconhecimento do direito à propriedade, consagrado por escrito na última lei do arrendamento, em que demagógicamente se protegem inquilinos quando na realidade se está a endividar aos bancos gerações inteiras de portugueses obrigados à compra da primeira habitação por falta de alternativas é outra. Com a agravante de promover o crescimento desordenado das periferias dos centros urbanos, condenando-as, e aos seus habitantes, a uma existência sem qualquer tipo de qualidade de vida, transformando ciclópicas aglomerações de betão em tocas e dormitórios. Os centros urbanos, por seu lado, continuam entregues à voracidade dos bancos, companhias de seguros e grandes empresas, que disfrutam, esses sim, de espaços de qualidade a custos baixos, mercê de rendas ridículas. A resistência à descentralização efectiva, não por decreto, e o consequente despovoamento de largas áreas do território de Portugal são o resultado desse tipo de medidas que na realidade acabam por atentar contra a capacidade de mobilidade dos cidadãos, resultando num crescimento económico atrofiado e inconsequente.
A intenção do governo de querer pegar de novo no famigerado tema da regionalização à socapa, pretendendo reduzir a cinco as áreas de decisão administrativa do território sem que isso passe por uma revisão constitucional, é ainda outro exemplo de tique pombalino. A exigência histérica de um referendo-à-regionalização-outravez-já manifestada pelo PSD é o grito impotente de uma oposição hipócrita que, tendo tido de mão beijada a oportunidade de inverter o curso das coisas aquando da primeira fuga do PM (Guterres) deitou tudo a perder quando, na sequência da segunda fuga do PM (Barroso), não soube colocar os interesses reais do país acima das quezílias feudais internas tão caras a uma classe política de formação republicana e cariz oportunista.

quarta-feira, março 29, 2006

Ben' OO' Bar

Penalti ? Onde ? Lá estão vocês a reclamar do árbitro...

terça-feira, março 28, 2006

Apelo

Pelo Dragão soube disto.
A quem possa interessar e queira alinhar, aqui fica o apelo.

sábado, março 25, 2006

Histórias de encantar VIII

O meu irmão Jaime, no seu percurso alucinado a que os nossos pais eufemisticamente chamavam vida e que, segundo eles, ele devia mudar o mais depressa possível sob pena de se ver em severos apuros existenciais e, quiçá, a contas com a justiça, tinha um amigo cujo nome nem ele nem nós jamais soubemos mas que era conhecido pelo Rôsca.
O Rôsca aparecia lá em casa de vez em quando, normalmente nas vésperas de programas mais ou menos obscuros com objectivos inconfessáveis mas que eram considerados pelo meu irmão Jaime como rituais necessários à inevitável passagem à idade adulta.
Certa noite os meus pais tinham ido ao cinema e, bem depois de jantarmos, o Rôsca apareceu num estado lastimável. Parecia que tinha sido atropelado por uma enceradora a diesel, tal não era a quantidade de rasgões na roupa e feridas sangrando, tudo embrulhado num fedor nauseabundo a gasóleo e naftalina.
- Então pá? Que foi que te aconteceu? - indagou meio assustado e meio irritado o meu irmão Jaime perante a frustrante perspectiva de não ter sido convidado para mais um programa de culto viril mas simultaneamente vergonhosamente satisfeito por não ter tido que partilhar com o Rôsca violência semelhante.
- Foi há bocado..-começou o Rôsca em voz baixa.
- Fui ao armazém do outro lado da praceta, nas traseiras dos prédois, e como vi que tinham deixado a janela aberta tentei escapulir-me lá para dentro a ver se conseguia sacar alguma coisa.
Assim que pus os pés no chão ouvi uma vozinha esganiçada a dizer-me assim: "jesus está-te a ver, jesus está-te a ver".
Fui habituando os olhos à escuridão e a vozinha continuava "jesus está-te a ver, jesus estáte a ver".
- Jesus está-te a ver ?- perguntou o meu irmão Jaime aos urros, reforçando com desdém o está-te.- Jesus está a ver-te, caralho! Nem sabes falar português, meu cabrão!- rematou triunfante, ciente como estava que o facto de não ter participado em tal raid, obviamente fracassado, lhe dava um ascendente imediato sobre a condição de macho derrotado que transparecia em todo o quadro visual e auditivo apresentado pelo malogrado Rôsca.
- Olha lá ó esperto: eras tu que estavas lá?- retorquiu o Rôsca de semblante carregado.
- Caga no gajo. Continua lá a contar. - disse-lhe eu.
- Bom. Então foi assim. A certa altura consigo perceber que a vozinha vinha de dentro dum papagaio que estava empoleirado num poleiro daqueles que parecem um T, estão a ver, com uma cena de zinco em cada ponta, uma com comida numa ponta e uma com água na outra ponta e o gajo estava empoleirado, estão a ver, ao meio do T, em cima daquela merda e a dizer-me aquilo do Jesus e tal. E eu disse-lhe assim:
- Olha lá. O teu dono deve ser um grandessissimo paneleiro para chamar Jesus a um papagaio.-disse-lhe eu.
- Isso não é nome de papagaio nem é nada. E o que é que tu queres? Queres levar com esta vassoura pelos cornos abaixo?- disse-lhe eu outravez enquanto agarrava numa vassoura que estava ali ao pé. E vai o papagaio e vira-se para mim e diz:
- Não me chamo Jesus. Chamo-me Jacob. Jesus é como o meu dono chama ao rottweiler que está deitado aí atrás de ti.
- A próxima coisa que me lembro é de estar a tocar à campainha da vossa porta.

Parabéns

A O Pasquim da Reacção, pilotado pelo Corcunda, e a O Micróbio II, metamorfose bioesférica de O Micróbio.
Pelos respectivos aniversários, na semana que hoje acaba.

sexta-feira, março 24, 2006

Fogos 2006


Há dois dias a televisão noticiava, com pompa e circunstância, as medidas que o governo adoptou para o combate aos incêndios na open season que se avizinha. A mobilização da GNR em grupos helitransportados não me pareceu má ideia. Tem algumas semelhanças com a abordagem que as autoridades andaluzas fizeram do problema, como eu referi aqui. No entanto, a "passagem de comando após a primeira intervenção" cheira a desmultiplicação de esforços e à diluição de responsabilidades, correndo-se o risco dispensável de mais uma abordagem ineficaz do problema. Mais uma vez.
No Público de hoje podia ler-se que o grande objectivo do governo, com o inevitável recurso a um "sobressalto cívico", consiste na redução, até 2007, da depredação resultante do flagelo anual de incêndios em Portugal para a espantosa cifra de cem mil hectares de Portugal ardido/ano (?).
É pouco ambicioso, e é pena. A instalação de postos de vigia, munidos de câmaras de vigilância e a sua articulação com a utilização instantânea de brigadas de intervenção rápida helitransportadas constituídas por profissionais exclusivamente treinados para o efeito seria um meio eficaz para se conseguir o objectivo: a erradicação do flagelo incendiário em definitivo.
A solução adoptada na Andaluzia é eficaz há mais de doze anos.
Por cá continua-se a inventar a roda.
Definitivamente, a postura perante o património das duas nações da Península Ibérica é consequência da diferente na leitura que os regimes políticos dele fazem. Eficazmente defendido em monarquia. Displicentemente abandonado em república.
Os factos falam por si.

sábado, março 18, 2006

Os Blogs E Isso

De vez em quando analiso a coisa. Reflicto. Penso. Etc.
Isto dos Blogs por exemplo. Os que escrevem e o que lêem. Confesso que tenho negligenciado de forma imperdoável a assiduidade dos que vêm cá a casa e se dão ao trabalho de lerem/verem o que por cá se vai escrevendo/fazendo. O caso mais recente de Barragem foi O Espectro. Fulminante como um raio que parta o que lhe apeteça, O Espectro apareceu disse e foi-se.
Com ele arrastou aproximadamente 15.345 comentários em qualquer coisa como dois meses, facto suficiente para deixar um Abrupto saudável numa caganeira quinzenal.
Os Blogs indígenas são de extremos.
Referi O Espectro como Barragem a propósito de um post do Dragão que referia o serviço comunitário prestado por tais Blogs que, fruto do seu inoxidável desempenho, das cascatas de luz emergentes da omnisapiência dos seus autores, filtravam naturalmente a blogosfera purificando-a dos lixos e dejectos que, sem a sua presença, dariam inevitavelmente à costa de Blogs decentes e equilibrados como o ar. Como o Atmosfera. E outros. Esses Blogs, como o Murcon, o Abrupto e outros, desempenhavam o papel de rins cibernáuticos, autênticos fígados virtuais, contribuindo para uma Blogosfera saudável e desvampirizada.
Amanhã faço os links. Hoje não me apetece. É 6ªfeira e a Sancha está cheia de saudades minhas.

sexta-feira, março 17, 2006

Conivências

Perante os impropérios, diatribes, insultos e básica falta de educação de grande parte dos deputados regionais do PSD-Madeira e do seu líder Alberto João Jardim, o PSD e o Poder Central só têm duas posções possíveis: a condenação ou a conivência. Dado o lapso longo de tempo em que vêm decorrendo as degradantes cenas protagonizadas por essa gentalha sem que medida alguma tenha sido tomada para combater a situação é legítimo considerar que se optou pela conivência. E tudo isso sob o estandarte da República.

Propaganda

Provavelmente no próximo Dia Mundial da Árvore o governo da República fará anunciar, com pompa e circunstância, a plantação de cerca de 100.000 (cem mil) árvores. Bestial, dirá o povo, contente com o seu governo. Cem mil árvores é muita árvore carago! (*)

(*) Cem mil árvores reflorestarão cerca de 100 ha (Cem hectares).
Só no ano passado arderam em Portugal mais de 300.000 ha (Trezentos mil hectares).
Uma gota de esperança num oceano de trapalhice?

quinta-feira, março 16, 2006

quarta-feira, março 08, 2006

Hoje Fui Benfiquista

- I do beg your pardon...

Or how to shut up forty five thousand jerks at their own playground.

Parabéns Benfica!


terça-feira, março 07, 2006

Todos Diferentes, Todos Iguais

Há uns anos atrás, Prado Coelho e Boaventura Sousa Santos davam as mãos em ataques alternados a Maria Filomena Mónica no Público.
Esta semana Vasco Pulido Valente, de mãos postas porque não tem a quem as dar, ataca Clara Ferreira Alves pelo que escreveu na última ÚNICA, do Expresso.
De facto, a misogenia não tem cor. Mas cheira mal.

sábado, março 04, 2006

Dos Tempos Que Correm





Algumas mercearias do III milénio, como o Carrefour, e retrosarias sofisticadas como a Bershka, cada uma por razões diferentes, sentiram necessidade de intervir na forma de fazer marketing para não só não hostilizar os



seguidores do Islão, como também para criar uma onda de simpatia para com os seus produtos. A pressão do dinheiro, a contagem de tostões, o desejo de bons negócios leva a repensar o marketing, a justificar boicotes por parte de grupos económicos europeus aos produtos de países membros da Europa comunitária.

Segundo li aqui, as autoridades do Dubai não gostaram da imagem que a Bershka usou para publicitar a sua campanha para 2006. A Bershka alterou a imagem nas 368 lojas que detém no mundo inteiro, pedindo desculpas pelo acontecido.

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A Carrefour, por seu lado, publicita orgulhosamente no Egipto o seu boicote aos produtos dinamarqueses.
O políticamente correcto é sempre bom para o negócio. Seja ele a venda de trapos ou hortaliça.
É indiferente que o boicote da Carrefour se limite ao interior das fronteiras de países islâmicos; a hipocrisia será sempre politicamente correcta e, por isso, benvinda; enquanto o Ocidente precisar de petróleo e o petróleo estiver onde está, os pedidos de desculpa serão os que forem precisos, e a lambujice subserviente dos que, de parte a parte, dele precisam para manter o poder será omnipresente.
O resto é conversa.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Brinca, brinca...

"Ele dizia de Barroso o que Maomé não diz do toucinho".

Isaltino de Morais sobre Marques Mendes, em entrevista ao Jornal de Notícias de hoje.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Rome

Daqui a meia hora. Na 2.

O Insurgente


Ao Insurgente.
Um blog que faz um ano, mas que eu pensei que fosse muito mais antigo. De séculos.
Parabéns, pelas insurgências, pelas palavras and the awareness.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

A República no seu "melhor"

A atribuição de quotas em alternativa à meritocracia sempre me pareceu de uma injustiça extrema. Seja o caso das mulheres em cargos públicos seja o da avaliação de desempenhos no marasmo indígena que comodamente se acoita na administração pública.
O Governo da República portuguesa resolveu estipular que, no vasto e extenso oceano pútrido da incompetência nativa, deveria ser estipulada uma quota mínima e obrigatória de 25% (vinte e cinco por cento) em excelência de desempenho. Ou seja, numa sala com cem funcionários públicos, vinte e cinco deles são obrigatoriamente, por força de lei portanto, excelentes. Nada mais errado. Em primeiro lugar porque jamais se conseguiria aglutinar tamanha quantidade de asneiras numa sala só. No máximo dos máximos oitenta e três. E isto porque ou estavam doentes uns, ou tinham ido tomar a bica outros ou estavam na casinha, ou tinham ido buscar o tabaco ao carro, ou tinham sido chamados pela chefia, ou estavam a comer a Francelina das cópias no economato. Uma impossibilidade técnica, essa dos tais 25%.
No entanto, ao que consta, o Conselho Superior de Magistratura atribuiu no Verão passado o qualificativo de excelente desempenho a 95% dos juízes. 95% meus amigos. É obra!
Portugal tem assim o maior ratio de excelentes juízes por m2 de justiça. Só igualado pelo ratio de campos de golfe por m2 de terra queimada.
O critério da atribuição arbitrária de quotas, seja qual for o número e área em que seja aplicado, não é critério coisa nenhuma. É uma desculpa esfarrapada de incompetentes e, por isso, natural e endemicamente incapazes de avaliar o que desconhecem por completo: competência.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

O Guerra

Era velho e tinha barbas grandes. Diziam que tinha lido a Bíblia de uma vez só e que, depois disso, tinha fugido para a serra da Jordana e por lá ficara, enjaulado em monólogos, pasto do silêncio e a comer o que apanhava. Gafanhotos, diziam. Um ano ou dois, pelo menos. Sozinho como um profeta.Um ermita.
Depois desceu da serra e apareceu lá no Monte.
O Guerra andava curvado, a empurrar um carrinho de mão encarnado com quatro argolas onde levava bilhas de alumínio com leite lá dentro. Não falava. Usava um chapéu de feltro castanho sujo, umas calças de fazenda cinzentas grossas e olhava para nós lá de cima, sem falar, com uns olhos que, diziam, metiam medo. Depois ia-se embora, curvado, a arrastar as botas curtas na poeira do chão. Um dia morreu. Ninguém sabe quando.

Interlúdio

-Mas porque é que escreves isso?
-Eu escrevo isto porque me apetece escrever o que me apetece, que é o que escrevo quando escrevo isto.
-Egoísta.

Histórias de encantar VIII

Numa tasca à tarde, no largo de uma aldeia alentejana, um velho enrola-se e esfrega as mãos em volta dos cotovelos nus encostado ao balcão.
- Mais um...!- urrou para a porta escura entreaberta na parte detrás do balcão. Outro velho menos velho que o primeiro assomou-se à porta e disse:
- Pôceras ti Jaquim! Vomecê hoje tá danado! Olhe que ainda tem que ir para casa e da maneira que está despachando bagaços tem que ter cuidado. É o quarto e último!
- Cala-te e avia-me mas é...- rosnou o velho enquanto insistia em retirar um estreitíssimo Definitivos do maço encardido e amachucado. -...que esta vida é uma puta e um gajo tem que se arrimar a ela enquanto tiver tesão. Depois acabou-se!
- Atão mas diga lá o que se passa, homem! Vomecê sempre bem disposto e agora anda para aí com uma cara que até parece sei lá o quê.
- Eh pá. É a nha Maria, pôceras. Já não me consigo chegar a ela a tempo. As mais das vezes quando estamos no campo e sinto vir aquela febre que dá vontade de agarrá-la toda e deitá-la ao chão, tás a perceber, quando a chamo e ela vem ter comigo já a puta da tesão se me foi.
- Mas olha que isso tem remédio.- ouviu-se dizer do fundo mais escuro da tasca.
Ti Jaquim rodou lentamente o corpo franzindo a fronha e prescrutando o ar carregado de cheiros vários e aromas abrangentes que iam do presunto no fumeiro às cebolas passando pelo tabaco, álcool, suor, merda, e ervas de cheiro de onde se destacavam os orégãos.
- Agarras na espingarda e combinas c'a m'lher que quando ela ouvir um tiro está na hora. Verás vê-la aos saltos e cangochas por essas arceadas de saias arregaçadas na pressa de ir ter contigo.
Ti Jaquim ergueu o copo na direcção da voz e tragou o quarto e último bagaço. - Não é tarde nem é cedo. Vou-me embora que amanhã é outro dia.
O tempo foi passando e Ti Jaquim tardava em aparecer, ocupado como andava aos tiros pr'ó ar na caça da sua Maria.
O Outono chegou à tasca e com ele o Ti Jaquim.
- Avia-me um penalte de bagaço e é para já!- vociferou batendo com força com a palma da mão esquerda no balcão.
- Eh pá, ó Jaquim! Então agora é todo duma vez por modos dos que não bebeste, não? E a Ti Maria? Tá boazinha de sal ou nem por isso?
- Atão e não é que a coisa resultou mesmo? - respondeu o velho. -Havia dias que me deitava sem ceia, tão derreado que ficava.
- Atão e agora? acabaram-se a pilhas?
-Não pôrra! A gaita é que abriu a caça, tás a perceber? e o raio da m'lher não pára em casa!
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!