terça-feira, junho 06, 2006

Da Hipocrisia


Percebo que o tabaco possa fazer mal à saúde. A feira do cavalo na Golegã também pode fazer e não é por isso que é proibida. Nem as corridas de toiros (eufemísticamente apelidadas de touradas por aqueles que, vítimas de miopia genética, confundem gatos pretos e brancos com vacas, ao longe). Os ralis também têm o seu quê de pernicioso para a saúde. Basta revermos as varreduras que, a talho de foice, ceifam os Domingos a tantos incautos nas bermas do Reino.
A última lei persecutória da república nativa proclama a inimputabilidade dos proprietários de estabelecimentos de comes-e-bebes cá do reino face à proibição de se fumar em locais públicos.
A culpa e responsabilidade recai apenas e só sobre os prevaricadores, ou seja, no lombo de quem for apanhado a fumar em tais estabelecimentos.
A hipocrisia é tanto maior quando se constata que uma fracção significativa da receita dos produtos e derivados do tabaco vai para aos cafundós da tesouraria do Reino, perdão, da República.
Por um lado taxam-se os que fumam. Pelo outro perseguem-nos porque fumam.
Ou seja:
Na génese da legislatura republicana, o que é taxável é persecutável, ou seja, o que é colectável é, à partida ilegal, criminoso e, portanto, passível de perseguição.
Depois venham-me falar de esquizofrenia e tal e coiso e o caralho.
Face a mais este tique pombalino republicano cócó, anuncio em primeira mão a iniciativa que conduzirá à criação da Associação Portuguesa dos Fumadores de Tabaco.
Mais informo que só fumo tabaco de enrolar, Amsterdamer de preferência, servido em mortalhas Smoking Azuis Duplas, devidamente entubadas com filtro Rizla +, slimline 6mm, ou seja dos verdes.
E só a partir do fim da tarde, enquanto piloto os comandos do grelhador que espera a picanha, uruguaia de preferência, e outras iguarias preparadas com ternura e primor pela sempre presente Sancha, mulher D'Armas e Ofícios a quem devo o ainda viver agora.

P.S. Tentei postar os dois desenhos de contracapa dos livros de Lucky Luke, o antes e depois da limpeza Stalinista que substituiu o Lukcy Luke verdadeiro, o que fuma, por esta versão metrossexual que chupa palhinhas em formato tridente.
O cabrão do Blogger não deixou. Amanhã tentarei de novo. De qualquer maneira aqui fica a dica, à laia de treoria da conspiração: se repararem bem, é técnicamente impossível que a sombra da palhinha se localize do lado oposto do coldre. A sério. Reparem bem.

segunda-feira, junho 05, 2006

sábado, junho 03, 2006

Dias Nacionais vs Dias Mundiais

Sempre me chateou a ideia do dia mundial disto ou daquilo. Os dias nacionais disto ou daquilo são uma abordagem nacional do tema, ou melhor, uma nacionalização da ideia, certos que estão os portugueses de não terem sido criadores de nada que mereça ter um dia mundial.
Como só há 365 dias por ano, logo só podem existir 365 objectos ou razões merecedoras de dia mundial. A criação do dia nacional duplica as hipóteses. Mais para a frente surgirá certamente a peregrina ideia do dia regional. Mais para a frente não. Agora mesmo; a ideia foi minha e dou-a de barato.
O PSD achou por bem a criação do Dia Nacional do Cão. Seria em 6 de Junho. E ao cão? Perguntaram-lhe alguma coisa? E de que raça é o cão? Um cão não é uma entidade abstracta. Não é um conceito provisório à mercê das diatribes intelectuais de filósofos de pacotilha. Um cão, senhores, é um cão. Se fosse o Dia Nacional dos Cães, estaria assegurada a diversidade e acautelada a não discriminação. Mas sendo proposto o Dia Nacional do Cão já não. Talvez alguém se lembre de pedir ao Presidente da República que tome posição sobre o assunto, o analize, disseque, debata e, após profunda reflexão e consulta constitucional, sobre ele debite o que por bem entenda debitar.
Uma coisa é mais que certa: os cães, esses, estão-se bem cagando para o assunto. Os que venham atrás e lhes seguram a trela que apanhem.

quinta-feira, junho 01, 2006

Ai Timor...

Lorosae tem a ver com a decapitação de inimigos ao nascer do dia.
Não sonhei isto. Li algures.
A autoridade com que Jorges Coelhos e Pachecos Pereiras da vida regurgitam cerrtezas sobre o assunto é vómito. Só possível na impossibilidade técnica chamada Quadratura do Círculo.
Onde estavam em 1975 quando a Indonésia lá pôs a pata abençoada por Washington?
Eu digo-vos onde estavam os Timorenses em 1910 quando a República foi proclamada nestas paragens:
Com o Rei de Portugal. (*)

(*) O povo de Timor nunca reconheceu a República implantada em 1910 em Portugal.
Que vos doa isto onde pior vos sinta.

1,2, Esquerda, Direita

A NKN (Nomenklatura Kultural Nativa) achou por bem criar um organismo não sei dos quantos encimado por uma Comissão de Honra com o confesso objectivo de providenciar a criação de hábitos de leitura nas hostes cá do Reino. Vasco Pulido Valente foi um dos convidados mas declinou o convite. E disse porquê.
Entre outras razões, o convite era escrito num português arrazoado, com erros ortográficos e tudo.
Entre ainda outras razões, o convite era a despropósito porque, segundo ele, nunca se lera tanto em Portugal como nos últimos tempos. Basta ver os números de vendas do Código e do Equador.
Escusada iniciativa portanto, é a opinião do autor de Os Devoristas.
Do outro lado da barricada assentou armas o laureado Saramago. Pronunciando-se com a douta autoridade que é conferida aos cágados pelas ervas do pasto por onde deambula, Saramago afirmou que iniciativas deste tipo são tudo menos úteis porque a sua inutilidade é manifestamente irrefutável. Segundo Saramago, o evangelista, a leitura é, e continuará a ser, um hábito de minorias imune a quaisquer tentativas que objectivem a sua divulgação. Todavia aceitou o convite. Ou seja, aceitou ser parte da inutilidade tornando-se parte dela.
A vida tem destas coisas. E ainda há quem se babe quando lhe aperta a mão. À vida, claro.

quarta-feira, maio 31, 2006

Cinema

O último filme da realizadora de Lost in Translation foi apupado em Cannes.
A visão de Sofia Coppola de uma Maria Antonieta a ouvir rock enquanto deambula um corpo adolescente de 14 anos pelos corredores de Versailles foi insuportável para a nomenklatura republicana francesa.
O reaccionarismo progressista da velha esquerda europeia em choque.
A não perder.

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A estreia de O Código de Da Vinci, numa sala perto de si, no passado dia 18 de Maio, foi o sinal de partida para que a inteligentsia cá do Reino desarvorasse num frenesim opinativo sobre o assunto, suas causas, implicações e consequências.
Nem o Bouillon de Culture indígena, a.k.a. Francisco José Viegas, resistiu ao estampido.
É vê-los, senhores, perorando e opinando sobre um livro que, até há muito pouco tempo, era por eles considerado desprezível, um mero romance de aeroporto. VPV dixit.


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Paul Auster ganhou hoje o prémio Príncipe das Astúrias.
A SIC esteve lá. No set onde têm decorrido as filmagens de The Inner Life Of Martin Frost, nos arredores de Lisboa.
A TV do governo Sócrates nem por isso. No jornal da 2, nada.
Ou muito me engano ou a esta hora está reunido o conselho superior para os Altos-Assuntos-de-Carácter-Cultural especialmente
criado pelo aparatchik PS com o objectivo de dar uma resposta condigna a eventos desta natureza.
Parabéns à equipe que tem trabalhado neste filme, trazendo The Inner Life of Martin Frost até aqui, à distância de um abraço. Mesmo que a inteligentsia nativa não ligue pevas ao assunto. Como vem sendo hábito por parte de quem considera o próprio umbigo um postigo para o Universo.

domingo, maio 21, 2006

Ás de Trunfo

Foi o que jogou o PS ao propor que a Igreja Católica deixasse de estar representada no protocolo de Estado em Portugal.
Era uma ideia engatilhada, há muito, para o caso de, um dia,a esquerda vir a perder a Pesidência da República. O facto de tal proposta de lei nunca ter sido avançada enquanto Jorge Sampaio foi Presidente e ainda na época Guterres é sintomático e revela um certo revanchismo à Carrilho, criando um facto político ao pretender encostar à parede o mais alto magistrado da Nação. Se Cavaco deixar passar a lei trai o seu eleitorado católico. Se vetar a lei, coloca-se numa posição delicada face ao ideário ateu republicano de que se assumiu como mais alto representante ao aceitar ser Presidente da República.
A hipocrisia deste tipo de iniciativas legislativas está bem patente se considerarmos que já houve muito tempo e oportunidade para o poder republicano de esquerda avançar com legislação neste domínio. Mas isso não foi feito por uma razão muito simples: um ás de trunfo tem o seu tempo para ser jogado.
E esse tempo chegou.

sexta-feira, maio 19, 2006

Amanhã

Completam-se 500 anos que morreu Cristóvão.
Cristóbal, afirmam os castelhanos, esses sempre em pé arvorados em tusa ibérica.
Já encomendaram, visionaram e pagaram não sei quantos filmes e documentários que vendessem a ideia de que o tipo era espanhol.
O caralho (*).

(*) O que significa caralho? Segundo a Academia Portuguesa de Letras, caralho é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas e de onde os vigias, essa espécia de suricatas, perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra. O caralho, dada a sua situação ou seja, localizado numa área de muita instabilidade (no alto do mastro), é o lugar onde se manifesta com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral de um barco. Também era considerado um lugar de castigo, punição e tortura para os que, marinheiros ou não, cometiam alguma infração a bordo. O castigado era enviado para cumprir horas e até dias inteiros no caralho e quando descia, ficava tão enjoado que se mantinha sossegado por um bom par de dias. Daí vem a célebre expressão: mandar para o caralho. Caralho é o termo comparativo que se usa para definir toda uma gama de sentimentos humanos e quase todos os estados de alma. Quantas vezes, ao apreciar uma coisa que é boa ou que nos agrade, não exclamámos, mesmo que em voz baixa, inaudível, pensamento mudo mas intenso: isto é do caralho! Se nos chateamos com alguém, manda-mo-lo para o caralho. Rápidamente e em força. Se alguma coisa não nos interessa, nem por um caralho. Mas, se alguma coisa, por muito aparentemente insignificante aos olhos de terceiros, nos interessa muito, então é do caralho. Também são comuns as expressões: Essa é boa p'ra caralho. Esse gajo é do caralho. Isso é longe pra caralho. CARALHO! E não há nada que não se possa definir, explicar ou enfatizar sem juntar um caralho. Se um merceeiro (**) se sente deprimido pela situação actual do seu negócio vocifera: estamos a ir para o caralho! Quando se encontra alguém que há muito tempo não se vê, onde caralho te meteste, caralho?! (caralho usado como pontuação, algumas vezes enfatizado por um rotundo foda-se). É por isso que envio esta saudação do caralho, e se vomecês não são do caralho, espero que este texto vos saiba bem e agrade pra caralho. É chique e fica bem poderemos dizer caralho ou mandar alguém para o caralho imbuídos de um espírito com mais de cultura e autoridade académica.
E que tenhais um fim de semana feliz. Um dia fim de semana do caralho.

(**) Negociantes, vendedores, ciganagem e liberais neoconas que vêm infestando o planeta em chusmas ininterruptas, autênticas catadupas de inúteis que almejam impingir uns aos outros mercadoria inútil, vulgo lixo, enquanto declamam poemas neoliberais como quem caga postas de pescada.


sexta-feira, maio 12, 2006

IRS

Último dia para entrega da declaração via internet.
O sujeito B não está inscrito nas declarações electrónicas.
Fiquei lixado.

Próximo filme de Ron Howard

Chamar-se-à Sob O Signo Da verdade e é baseado no último livro de Manuel Maria Carrilho.
Howard confessou ter estado indeciso por segundos entre esta obra e o livro de Rosa Casaco, uma edição de autor ininteligível que teve até agora uma única crítica, da autoria de Ricardo Araújo Pereira, saída na Visão da semana passada.

Aviso

Avisam-se os enlatados motorizados e motoqueiros cá do Reino que a ausência de sinal de mudança de direcção quando se efectua uma mudança de direcção é sinónimo de desorientação crónica ou estupidez intensa.

O quê?

Depois de Portugal ter ardido de Norte a Sul várias vezes por ano e com grande intensidade nos últimos cinco anos o pessoal de combate aos fogos, para treinar, achou por bem criar um simulacro de incêndio em Sesimbra. Mas estes gajos são parvos ou quê?

quarta-feira, maio 03, 2006

De 25 Abril a 1de Maio

O povo é quem mais ordena.
O povo é que manda.
O povo é soprano.

sexta-feira, abril 28, 2006

Da Actualidade

Isto vai mal. O intervalo entre posts vai-se dilatando e o conteúdo dos mesmos empobrecendo galopantemente, acompanhando a subida do preço do petróleo.
Isto de se ter um computador a diesel só tem desvantagens.
Segundo o Inimigo Público de hoje, o presidente da república apareceu às tropas portugueseas acantonadas na Bósnia provido de um Bolo-Rei de plástico. Para além de não ter sobrado nada, tal não foi a determinação e voracidade com que se lhe dedicou no intuito de evitar responder em inglês às perguntas que os jornalistas bósnios lhe dirigiram, não consta que alguém se tenha interrogado sobre a extemporaneidade de semelhante pitéu.
Quanto a facto de ser de plástico, é puramente cagativo.

sábado, abril 15, 2006

Nada É Por Acaso


Nestas duas últimas semanas falou-se e viu-se muito sobre o Evangelho de Judas. Descoberto por um pastor no Egipto em 1978, consiste em um papiro escrito há cerca de 1700 anos relatando episódios da vida de Jesus sob uma luz diferente da quem vem sendo vertida sobre o assunto pelos quatro Evengelhos, ditos Canónicos, ou seja, com força de lei, da autoria de Marcos, Lucas, Mateus e João. O documentário, feito pela National Geographic Society e apresentado ontem na 2, revela não só que Judas afunal não traiu Jesus como se limitou a cumprir ordens suas para que fosse entregue aos romanos. Vamos direitos ao assunto: Se a Igreja Católica vigente, que se assume com única herdeira da palavra de Cristo, quiser condenar alguém por suicídio deverá fazê-lo na pessoa de Jesus, que planeeou a sua própria prisão, julgamento e condenação mas nunca Judas Iscariotes. Segundo os ditos textos, tidos como apócrifos e coisa de gnósticos, Judas limitou-se a cumprir o que Jesus lhe pedira. O timing era o mais certo. Para isso e para o resto, que incluia a sua remoção da cruz, ainda vivo, e posterior fuga para terras da Gália onde daria origem à linhagem dos Saint-Clair, ou Sinclair, segundo afirma quem inspirou Dan Brown. Vem também remover o fardo da culpa da condenação à morte de Jesus atribuída aos Judeus, amiúde referidos como pencudos, e outros mimos do género, ao longo de centenas de anos. Os mesmos que, certamente por ignorância visto a estupidez nunca lhes ter sido reconhecida, nunca perceberam que Jesus, ele próprio, lui-même, himself, era Judeu.
Ao apresentar a salvação do homem como resultado do conhecimento e da meditação e não como a ressurreição pura e simples do corpo feito cadáver, o Evangelho de Judas vem devolver ao cristianismo um significado e uma origem há muito usurpados por sacerdotes de púrpura com relacões de grande à vontade com o poder instituído, num mundo excessivamente material.
Enfim.
Uma Páscoa diferente, esta, com revelações que dão que pensar a quem tem cabeça e não se importa com isso.
Bem hajam.

quinta-feira, abril 13, 2006

O Festival Da Asneira

O que se passou ontem na Assembleia da República, ou melhor, o que não se passou devido à falta de quórum, enquadra-se perfeitamente no perfil da classe política republicana, em que a falta de respeito pelos votos de confiança recebidos e que os alcandorou à posição de deputados do regime, a falta de vergonha total para com o dever de tratar a tempo e horas dos assuntos de Estado que, mais uma vez, ficaram por resolver devido a diplomas que não foram publicados por falta de quórum para uma votação, tudo isto junto passa e passará impune num país em que a conivência corporativa se empenha, cada vez mais, numa inconfessável campanha para desacreditar a democracia.
O regime republicano está podre.
Haja quem o sepulte.

Estive a reler o que escrevi aí em cima, não que seja alguma coisa de especial ou tenha conteúdo que preste ou seja novidade. Estive a reler porque me apeteceu. E cheguei a uma conclusão: num país em que dois terços dos habitantes nunca acedeu à internet, a fracção de nativos que se dedica a deambular pela B.LU.S.A. - odiosa designação para a blogosfera lusa - é tão ínfima, tão minúscula, tão rara e insignificante que constitui, por si só, uma relíquia de valor incalculável.

segunda-feira, abril 10, 2006

10 de Abril

A Coroa Espanhola correu com os corruptos da Edilidad de Marbella. Em três tempos, sem apelo nem agravo: demitidos em bloco.
A diferença de tratamento que levam os autarcas corruptos em Espanha e em Portugal é sintomática.
O facto, incontestável, de o regime espanhol ser uma monarquia e o português ser uma república não tem nada a ver. Ou terá ?

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O jogging de Sócrates na marginal de Luanda cercado de guarda costas enquanto pretendia demonstrar que não há insegurança em Angola também é sintomático. Mostra que a distância entre a compra de ouro alemão pelo governo de Salazar durante a II Guerra Mundial e a apetência negocial da classe político/empresária portuguesa da actualidade em Angola não se mede em unidades de tempo. A memória é curta. Sobretudo quando dá jeito.

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O preço do petróleo atingiu hoje em Londres novo valor record: 68 US$ por barril. Tudo porque alguém se lembrou de repetir em voz alta o que muitos pensam baixinho: a intervenção norte americana no Irão está para breve; contra o nuclear ou com ele. Mais uma vez a economia mundial refém dos senhores do petróleo. Sejam árabes ou se chamem Bush.

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Ninguém sabe quantos bombeiros existem em Portugal.
Num país cujo património natural tem sido ano após ano, consecutivamente, delapidado pelas chamas, o poder indígena encara com naturalidade o facto de o número de bombeiros, entre sapadores e voluntários dever andar à volta dos quarenta mil.
Nada de certezas.
Espantoso.

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Quando inquirido pelo jornalista da TSF sobre a ideia da criação de um partido do Papa, no rescaldo das últimas eleições em Itália, o bispo português Saraiva Martins, há mais de meio século a viver em Itália, esclareceu, para sossego dos nativos cá da terra, que não havia o menor perigo de isso acontecer. A Igreja não se envolve na política.

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A recente, e provavelmente impune, descoberta da atribuição de casas a funcionárois da câmara de Oeiras em 2003 vem na linha do primeiro post de hoje: em república, o Estado é da república.
Tem sido assim desde 1910. Até quando?

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Só para terminar: é falso que eu tenha tido as pernas coladas acima dos joelhos, como afirma a escritora Agustina Bessa Luís, tendo por isso sido incapaz de pelejar ou montar em ginete.
Isso só aconteceu quando me borrei todo na sequência duma paella feita com marisco podre, confecionada pela chefe de cozinha de minha malograda mãe. Tinha oito anos na altura e a caganeira foi fulminante. Até à próxima.


quinta-feira, março 30, 2006

Da Paridade À Força E Outros Tiques

A paridade de quotas por sexo na participação da vida política, agora com força de lei, é paternalista, anti-democrática e machista.
Passo a explicar:
Genericamente, as mulheres portuguesas com cargos públicos/políticos não se sentem descriminadas por isso. As que os ocupam fazem-no por que querem. Foi esse o caminho que escolheram, a vocação que sentiram. Os homens idem. Ninguém obrigou ninguém a coisa nenhuma. A partir do momento em que uma lei obriga ao cumprimento de quotas mínimas de participação na vida pública/política por parte das mulheres, essa lei, sendo de autoria predominantemente masculina dado que a maioria dos deputados na AR são homens, acaba por colidir com o direito inalienável de todo e qualquer cidadão seja homem ou mulher, de não querer (repito: de não querer) participar na vida pública/política do seu país. A partir do momento em que a lei obriga, a opção deixa de existir e, consequentemente, a democracia sai a perder. O argumento de José Sócrates segundo o qual se não fôr à força de lei nunca mais lá se chega (à tal almejada paridade) é mais uma demonstração da abundância de tiques pombalinos de que padece a classe política portuguesa. Mas há mais: o não reconhecimento do direito à propriedade, consagrado por escrito na última lei do arrendamento, em que demagógicamente se protegem inquilinos quando na realidade se está a endividar aos bancos gerações inteiras de portugueses obrigados à compra da primeira habitação por falta de alternativas é outra. Com a agravante de promover o crescimento desordenado das periferias dos centros urbanos, condenando-as, e aos seus habitantes, a uma existência sem qualquer tipo de qualidade de vida, transformando ciclópicas aglomerações de betão em tocas e dormitórios. Os centros urbanos, por seu lado, continuam entregues à voracidade dos bancos, companhias de seguros e grandes empresas, que disfrutam, esses sim, de espaços de qualidade a custos baixos, mercê de rendas ridículas. A resistência à descentralização efectiva, não por decreto, e o consequente despovoamento de largas áreas do território de Portugal são o resultado desse tipo de medidas que na realidade acabam por atentar contra a capacidade de mobilidade dos cidadãos, resultando num crescimento económico atrofiado e inconsequente.
A intenção do governo de querer pegar de novo no famigerado tema da regionalização à socapa, pretendendo reduzir a cinco as áreas de decisão administrativa do território sem que isso passe por uma revisão constitucional, é ainda outro exemplo de tique pombalino. A exigência histérica de um referendo-à-regionalização-outravez-já manifestada pelo PSD é o grito impotente de uma oposição hipócrita que, tendo tido de mão beijada a oportunidade de inverter o curso das coisas aquando da primeira fuga do PM (Guterres) deitou tudo a perder quando, na sequência da segunda fuga do PM (Barroso), não soube colocar os interesses reais do país acima das quezílias feudais internas tão caras a uma classe política de formação republicana e cariz oportunista.

quarta-feira, março 29, 2006

Ben' OO' Bar

Penalti ? Onde ? Lá estão vocês a reclamar do árbitro...

terça-feira, março 28, 2006

Apelo

Pelo Dragão soube disto.
A quem possa interessar e queira alinhar, aqui fica o apelo.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!