segunda-feira, janeiro 30, 2006

A República Em Debate

Ontem morreu O Eleito. Assim foi designado o blog arespublicaemdebate.blogspot.com
Notabilizou-se ao criar um espaço de debate, de troca de ideias e opiniões de discussão, tendo inclusive sido "eleito" pela revista Visão como o blogue sobre as presidenciais mais isento da blogosfera.
Pela iniciativa da sua criação e pelo espaço que ocupou na B.L.U.S.A. (blogosfera lusa) estão os seus proprietários, e também os seus colaboradores, de parabéns. Eu inclusive, claro.
No entanto a coisa(*) não pára, e a vontade de lhe zurzir ainda menos.
A República tem agora dois Presidentes. Portugal tem agora dois chefes de Estado. Como se não bastasse o pouco à vontade com que Presidentes e Palácios se têm entendido ao longo destes 96 anos, multiplicaram o problema por dois. Um em Belém e outro em Queluz.
Os Dr (ou seja Dons da República) que nada têm de aristocrático dispõem de dois Palácios para o exercício das suas superiores funções.
O ideal republicano é aqui mais uma vez contradito pela prática.
Extraordinário.
Lá diz o povo: Quem desdenha quer comprar.

(*)
República
do Lat. re + publica, coisa pública

s. f., negócios públicos;
regime em que que se tem em vista o interesse geral de todos os cidadãos e em que o Chefe de Estado é eleito, exercendo um mandato temporário;
esc., conjunto de estudantes que vivem em comum;
deprec., fig., anarquia;
agremiação sem chefe e sem disciplina.
(Definição do Priberam - Dicionário online)





A Promessa

Por tu graal saúda a promessa da chegada de VPV à blogosfera via O Espectro.
Nada ficará como dantes. De certeza. Agarrem-se às amuradas, ó dragões, tripulantes de Abruptos, evolucionistas e quejandos, pois que se adivinham impiedosas abordagens, tinir de sabres e saques vários.

Diz o povo

- Foi preciso Cavaco ganhar as Presidenciais para nevar no Algarve...!

Os tais vinte vírgula qualquer coisa por cento

Que fazer com o "capital" político que representam?
A ser verdade o que se diz , foram votos "roubados" à esquerda e à direita.
Perante o capital, as posições da esquerda e direita são distintas: a esquerda defende a distribuição dos lucros e consequente aniquilação do capital, a direita defende o re investimento e consequente multiplicação do capital.
O destino político de Manuel Alegre estará definitivamente ligado ao destino que vier a ser dado ao capital acumulado de mais de um milhão de votos. E da forma de lidar com isso também.
Ironia q.b.: se o Movimento perdurar, será porque foi escolhida uma abordagem de direita para lidar com o fenómeno. Se a mentalidade de esquerda prevalecer, o Movimento estará condenado à extinção a breve prazo.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Até à próxima


Foi com gosto que fui acompanhando e participando no debate sobre a res publica, iniciativa dos Dolos Eventuais David Afonso e Pedro Santos Cardoso proprietários do estabelecimento por eles crismado de O Eleito.
Agradeço a oportunidade que me foi dada de ter feito parte da tripulação desse cargueiro de opiniões diversas, por vezes díspares e frequentemente antagónicas, um espaço muito próprio, plural nas convicções e democráticamente abrangente. Uma iniciativa (esta sim) fixe.
Bem hajam.

Memorável


A evocação ontem à noite na RTPM de um dos programas da série Raios e Coriscos de Manuela Moura Guedes mostrando como, com o tempo, as coisas mudam.
Nem sempre para melhor, entenda-se.
Galgos convidados: Adolfo Luxúria Canibal, Vera Lagoa, Paulo Portas, Herman José, Vasco Pulido Valente e um gajo com cara de merceeiro que não percebi quem era.
Lebre do dia: Zita Seabra.
Memorável.

terça-feira, janeiro 24, 2006

"Wicked" Pickett


Wilson Pickett - 1941 - 2006

Mustang Sally e In the Minight Hour foram dois dos temas que o celebrizaram, juntamente com a sua versão do tema que Paul McCartney dedicou a Julian Lennon: Hey Jude.

É normal

Mais extraordinário que a onda de apoio manifestada pela direita chineleira em torno de Sócrates após o faux pas cometido quando interrompeu as declarações de Manuel Alegre (*), é a naturalidade com que é encarado o destaque dado a Mário Soares e aos seus 14 e pouco por cento.
Ou não fosse isto Portugal.
Como teria dito Artur Jorge naquela manhã no Estádio Nacional depois de ter levado uns sopapos de Ricardo Sá Pinto: É normal, em Portugal, é normal...

(*) Afinal, ó tribunos do regime, sempre se tratavam das declarações do segundo candidato mais votado nas eleições para a Presidência da República.

domingo, janeiro 22, 2006

O Eleito

Muitos portugueses têm mau perder. Gostam de apostar em vencedores porque gostam de ganhar. A ideia de perder é insuportável, mais ainda num país que é um poço onde se cai, um cu de onde não se sai como dizia João César Monteiro, o inventor do cinema cego.
Quanto mais destacado nas sondagens está um partido ou um candidato presidencial maior é a probabilidade desse partido ou candidato presidencial vir a ganhar eleições.
Muitos portugueses não gostam de ver maus resultados no Domingo à noite, na véspera de mais uma semana de trabalho. Não gostam de arriscar votar em alguém que sabem não ter hipóteses de ganhar. A ideia draconiana de um sorteio eleitoral para a Presidência da República não é tão irrealista como possa parecer à primeira vista. Ou à primeira volta. Só que é um sorteio à portuguesa. Um sorteio com batota, em que se viciam com entusiástica alegria os próprios resultados. A mentalidade do jogo e do sorteio, última esperança para quem quer resolver a sua vida sem esforço, o síndroma Euromilhões é parte integrante da mentalidade autóctone seja na forma de eternos subsídios a fundo perdido seja no preenchimento frenético de boletins de jogo, ou de voto. Tudo menos dispender esforço na procura de soluções para os problemas que importa resolver. Eles, os políticos, são eleitos para isso. Nós, os eleitores, incumbimo-los dessa árdua tarefa, dizem. Mesmo que se trate da eleição de uma figura meramente representativa como é o Presidente da República. O único super poder que tem é o de dissolver a A.R. ou demitir o Primeiro Ministro. E mesmo esse super poder, a Bomba Atómica como alguns lhe chamam, longe de ser uma decisão solitária, só tem sido aplicado com sucesso até agora porque tem tido a esmagadora maioria do apoio popular quando é exercido. Apenas uma vez o General Ramalho Eanes se serviu dele sem o apoio incondicional de todas, ou quase todas, as forças políticas em acção na altura e o preço que pagou foi o mais alto: a implosão do Eanismo.
Cavaco sabia isso antes de ganhar as eleições e terá isso em conta agora, mantendo Sócrates à frente das medidas impopulares que ele, enquanto 1º Ministro refém da sua pusilanimidade, jamais conseguiu concretizar.
O retumbante 2º lugar de Manuel Alegre, escandalosamente à frente de todas as sondagens feitas, mostra o receio que muitos têm de, publicamente, criticarem César, ou seja Mário Soares, com medo de virem a sofrer represálias incalculáveis, acabando na arena, pasto das feras.
Soares está definitivamente acabado, apunhalado pelas costas no silêncio das cabines de voto.
Lamentável o destaque dado pelas estações televisivas, em conjunto, às justificações dadas por um Primeiro Ministro pela derrota do candidato do seu partido enquanto o segundo candidato discursava. O timing disso não foi inocente. A República é assim, pequenina e vingativa.
Quanto aos resultados irrisórios dos candidatos do PCP do BE e do MRPP, esses resultados falam por si: Os eleitores mobilizaram-se sim. Mas não por eles.
A grande percentagem de abstencionistas neste acto eleitoral também tem um significado. E, quanto a isso, a República tem razões de sobra para continuar o que começou a fazer ontem: reflectir.

Publicado em O Eleito

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Procura-se (?)

Recebido por email

domingo, janeiro 08, 2006

RUSSia vs Ucrânia

A recente questão da guerra do gás natural fornecido pela Rússia à Europa via Ucrânia é perigosa.
O ressabiamento da Rússia face à opção Ucraniana pelo ocidente (Victor Yushchenko (um Yushchenko quase irreconhecível pela infecção facial com que o contaminaram, lembram-se?) e a revoada laranja) só não poderia ser tolerado por uma Rússia permanentemente insegura das suas fronteiras se essa mesma Rússia, por seu lado, não estivesse mergulhada numa depressão nostálgica de uma URSS que caiu de podre.
Ao garantir o fornecimento de gás natural pela extracção que é feita no Turquestão e Cazaquistão (regiões muçulmanas da ex-URSS) a um preço (90 US$) que é uma fracção daquilo que, publicamente anunciado, se propunha cobrar à Ucrânia (200 e...US$) a realidade é que, de uma assentada e com o apoio estratégico da Europa Ocidental, Moscovo conseguiu três coisas:

- Manter a Ucrânia dependente. Entalada entre a Europa Ocidental e o emergente fervilhanço das regiões maioritáriamente muçulmanas do sul da ex-URSS.

- Acabar com o desgastante compromisso de abastecer "directamente" o Ocidente com gás natural.

- Envolver directamente a Europa Ocidental no processo de manutenção de regimes políticos viáveis no Turquestão e Cazaquistão, regiões pró muçulmanas da ex-URSS, que lhe garantam o normal abastecimento de gás natural.

Em Portugal, dizem, o problema não se coloca porque o gás natural com que somos abastecidos provém da Argélia e da Nigéria. Pois.

sábado, janeiro 07, 2006

Arruada

Arruada é um termo que tem sido abundantemente utilizado pelos OCS (Orgãos de Comunicação Social) quando se referem às passeatas a pé pelas ruas das aldeias, vilas e cidades cá do Reino, promovidas pelos candidatos à Presidência da República.
Fui tirar a limpo o seu significado no Priberam, Dicionário on line. Eis o resultado:

Foram detectadas 2 formas.


sing. part. pass. de arruar
fem. sing. de arruado
arruar

Conjugar


de rua

v. tr., dividir, dispor em ruas;
distribuir por ruas;
alinhar;
fam., divulgar pelas ruas;
v. int., vadiar;
passear com ostentação.

do Lat. hip. rugitare

v. int., grunhir (o javali);
mugir (o touro).

quarta-feira, janeiro 04, 2006

O Fim Da República

Quando os governos em Portugal, de direita ou de esquerda, apregoam medidas e iniciativas que consideram excelentes e adoptam posições de crítica relativamente às mesmas matérias quando os partidos a que pertencem se encontram na oposição, reflectem a caducidade do regime em que estão inseridos: a República. À preocupação com o país sobrepõe-se a estratégia partidária da conquista do poder. Veja-se o caso do TGV/OTA e as posições do PS e do PSD.
Ainda por cima, a questão estratégica da OTA/TGV, quando analisada à luz da região Ibérica, faz todo um sentido que, sob o ponto de vista estritamente português, é quase um absurdo. Por exemplo: para quê fazer uma ligação Lisboa-Porto por TGV e ao mesmo tempo desencadear a construção de um novo mega-aeroporto? Um deles ficará, decerto, com menos passageiros.
Se o objectivo do regime em vigor em Portugal é promover a criação de vias de comunicação que benefeciarão em primeiro lugar a estratégia expansionista económica da vizinha Espanha, então esse regime, a República, não serve Portugal.

A questão da ingerência estratégicamente promovida da Iberdrola na EDP através da criação de um Conselho Consultivo em que a eléctrica espanhola (e concorrente assumida) terá assento permanente e acesso contínuo a informação priveligiada é puro inside trading, razando o incesto.
Se o regime em vigor em Portugal a República, está na disposição de alienar de barato o poder de decisão em empresas tão estratégicas como o são a GALP e a EDP, é porque não serve Portugal.

O Partido Socialista propõe que sejam atribuídas isenções fiscais às doações a partidos políticos.
Se o partido no poder está na disposição de facultar incentivos fiscais às doações a partidos políticos cortando essas mesmas isenções ao esforço de poupança de cada cidadão (caso dos PPR) e os partidos na oposição pactuarem pelo silêncio com essa estratégia de angariação de fundos, o regime em que estão inseridos, a República, não serve Portugal.

O cansaço dos portugueses, mais do que tudo, contribuirá para que Cavaco Silva venha a ser o próximo Presidente da República. Sem esforço, consegue pôr todos os outros candidatos no mesmo saco sem fazer nada para isso. Basta abrir a boca e assistir às reacções de todos os outros, unidos contra ele.
Mesmo, e sobretudo, quando afirma não ter o apoio de partidos políticos. O povo simples é assim. Gosta de ser enganado.

Publicado em O Eleito

sábado, dezembro 31, 2005

2005 morreu. Viva 2006!


O ano de 2005 acabou.
Não faço balanços porque não sou merceeiro. Nem destaques tão pouco.
Desejo, isso sim, um 2006 espectacular aos indefectíveis leitores deste espaço que, teimosamente, têm contribuido para manter em cima o moral deste Afonso Henriques extemporâneo e a notável média de visitas a este Blog.

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A fúria de Soares contra a comunicação social é sintomática. Não que ela lhe tenha dado pouco destaque, a ele que se considera sempre o rei da festa. Mas, provavelmente, pelo relato que vem fazendo das suas gaffes e trocadilhos os quais, face à provecta idade do seu autor, deixaram de fazer parte do seu charme. Definitivamente. Em sua opinião, o factor Garcia Pereira, o sexto candidato a presidente , deveria determinar por si só nova ronda de debates inter-candidatos à Presidência da República. Este desespero em ter sempre que dizer alguma coisa, seja o que for, a propósito de tudo e mais alguma coisa, seja o que for, acaba por fartar.

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Nos primeiros tempos a seguir à imposição do regime republicano em Portugal, o jacobinismo imperava ao ponto de se querer acabar com o Bolo Rei e substitui-lo pelo Bolo Presidente. Não se riam. O mais grave é que este tipo de arremedos alucinados, sugestões descabeladas, propostas esclerosadas eram sempre levadas a sério quer por quem as fazia quer por quem as discutia. O regime actual em Portugal é o herdeiro directo, e natural, disso.

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Muito da História de Portugal está ainda por conhecer.

Em 1986, um grupo de sábios passou uma semana em Belmonte com o objectivo de tentar definir, de uma vez por todas, a origem do enigmático monumento conhecido como Centum Cellas (*), localizado no desvio da EN18 para a povoação de Colmeal da Torre, antes de se chegar a Belmonte quando se vem da Guarda.
Sem resultado.
O regime resignou-se a classificá-lo como uma ruína romana, e assim é apresentado hoje em dia.
Mesmo que a flagrante semelhança com a arquitectura pré-colombiana (América do Sul) seja por demais evidente. Mas isso, é claro, não faz nenhum sentido. Como também não faz sentido preservar a casa onde viveu Almeida Garrett.

(*) Foto no topo do post.

domingo, dezembro 25, 2005

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Famintos vs Satisfeitos

Estava eu em amena cavaqueira com a Sancha sobre aparência, sexo, corpos e isso (a Sancha atravessa um período fragilizante e vulnerável a sugestões descabeladas. Está tentada em artilhar-se, através do implante de extensões cabeludas e outros atavios inqualificáveis promovidos à tripa forra por Manuelas Moura Guedes e outras harpias semelhantes), quando chegámos ambos a brilhante conclusão. O mundo divide-se, não em ricos e pobres, em justos e cruéis, em estúpidos e inteligentes mas, isso sim, em famintos e satisfeitos. De um lado refastelam-se os satisfeitos, os que comem o que lhes apetece, bebem o que lhes dá na real gana, fodem por tudo e por nada, acompanhando o festim com sonoros peidos de regozijo entremeados de não menos sonoras gargalhadas vitoriosas.
Do outro acoitam-se infelizes os famintos, criaturas nocturnas, atoladas em crises existenciais, embrenhados em raciocínios estéreis, presos de sofismas irresolúveis e atascados em dietas e privações inconcebíveis.
Aos satisfeitos pertence o mundo, as coisas e a alegria. Aos outros resta-lhes a falta disso tudo.
É a vida.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

A Pré campanha

Está quase a acabar.
A seguir é a campanha.
Depois as eleições (e toda a gente sabe quem vai ganhar).
A seguir? Mais sete anos de Quadro Comunitário de Apoio, com 10% de retenção na fonte, a bem da indigência nativa.
Haja paciência.

Publicado em O Eleito

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Presidenciais 2006

Estratégia de campanha
Na sequência dos insultos e agressão no braço de que foi vítima Mário Soares em Barcelos, o staff da C.O.S. (candidatura oficial socialista) teme que o sucedido tenha sido o primeiro de futuros episódios semelhantes inseridos numa nova estratégia da candidatura de Cavaco Silva.
Ao garantir todo o respeito pelas candidaturas adversárias recusando-se peremptóriamente a responder a insultos e provocações, o staff Cavaquista terá optado por um tipo de resposta que consiste na distribuição de atrasados mentais, retardados e imbecis inimputáveis em vários pontos do país, estratégicamente colocados no trajecto da campanha soarista. A esses caberá a tarefa de insultar e provocar a caravana soarista beneficiando do estatuto de inimputabilidade que lhes é reconhecido.

Obviamente, demito-o.
Francisco Louçã afirmou que, no caso de ser eleito presidente da República, ponderará sériamente na demissão do Governo Regional da Madeira caso existam perturbações graves no funcionamento das instituições.
Ao contrário do insulto e murro no braço, Louçã preconiza o puxão de orelhas protagonizado pelo próprio presidente da República na pessoa do governador regional prevaricador.
O evento, incluindo a perseguição preliminar, o agarrar do governante e execução da punição, será transmitido ao vivo a partir do átrio do palácio de justiça de cada cidade sede de governo regional ou civil. Uma proposta da ala mais radical do Bloco sugere que esse tipo de punição seja alargado a outros orgãos dos responsáveis por outros orgãos do poder político.

Expulsão
Manuel Alegre irá anunciar em breve a expulsão do Partido Socialista.
Segundo círculos próximos do candidato poeta, as recentes declarações de Soares preconizando a sua saída do Partido Socialista deixam-lhe pouco espaço de manobra, tendo Alegre optado pela expulsão de todo o Partido de uma só vez. Os principais dirigentes socialistas ficarão provisoriamente alojados em cabines de portagem da Brisa munidos de laptops com internet sem fios.

Câmara persegue pedintes.
Como é habitual na época de Natal,o número de pedintes nas ruas, estações e avenidas da capital, com predominância de cegos, aumenta exponencialmente. Este ano, por se tratar de ano de eleições presidenciais, e satisfazendo um desejo secreto e muito antigo dos próprios lisboetas, fartos de assistir às mesmas lengalengas protagonizadas pela chusma de pedintes que diariamente infestam, ano após ano consecutivamente desde há décadas as ruas, carruagens de metro, estações ferroviárias e fluviais desta cidade , bem como os cegos que, em hordas crescentes, há anos consecutivos tocando sempre as mesmas músicas desafinadas, sem a menor preocupação em diversificar os reportórios, melhorar a qualidade das suas performances ou progredir nas carreiras, cientes da promoção automática que lhes é concedida pela indiferença do cidadão que passa, a câmara municipal decidiu perseguir os pedintes contratando para o efeito outros pedintes que irão pedir, e expôr as suas maleitas aos primeiros, em turnos ininterruptos de 24 horas.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Histórias de encantar VII

Era uma vez uma aldeia perto de Macedo de Cavaleiros, há muitos anos atrás. O pároco da aldeia, criatura espartana, seco de carnes e de hábitos sóbrios, nutria um estonteante, desmesurado e profundo ódio pelos vizinhos castelhanos. Ódio esse que nada tinha de surdo. Antes pelo contrário. Em cada palestra, em cada homilia, fosse em latim ou em português, o pároco da aldeia não perdia a oportunidade para demonstrar com a irrefutabilidade própria da obsessão, a certeza característica das grandes fés e a objectividade inegável do senso comum que a grande culpa dos males na terra, sobretudo na parte do reino d'el-Rei que circunscrevia Macedo de Cavaleiros, era do castelhano. Umas vezes disfarçado de mafarrico, outras de cabra montês, houve inclusive quem o tivesse vislumbrado encarnando um onagro entesado e enlouquecido perseguindo virgens p'las enconstas das serranias, o castelhano era em si mesmo a criatura mais abjecta que, por artes de distração, vingança ou ironia, Deus alguma vez pusera neste mundo, numa punição feroz a homens e natureza.
Esta estima avessa pelo castelhano, avatar do demo, chegou aos ouvidos do bispo que, além de remotos laços de parentesco com castelhanos ainda colectava rendas em olivais da Galiza. Indignado, o bispo resolveu ir, ele próprio, assistir a uma prelecção do pároco na primeira missa do mês seguinte, visto terem-lhe dito que na primeira missa de cada mês a expressão do ódio insano do pároco ao castelhano, que o consumia e que, simultâneamente, o equipava com uma inabalável energia e vontade de viver, adquiria foros de exorcisão catártica tal não era a verborreia ininterrupta devidamente acompanhada por exuberante pantomina e enquadrada em modesta cenografia montada a preceito pelo sacristão, figura sinistra e omnipresente.
Se hoje em dia acautelar segredos é difícil, naquela altura em que ainda não haviam debates para as presidenciais na televisão e o Vitória de Setúbal era um homossexual chamado Henrique que explorava um bordel montado nas ruínas romanas de Tróia onde não faltavam um frigidarium um tepidarium e, inclusive um caldarium sobre hipocaustum, naquela altura, dizia eu, agir em segredo era proeza ao alcance apenas de grandes estrategas militares. Resumindo: o sempre bem informado sacristão soube da marosca, disseram-lhe que o bispo iria assistir, ele próprio, à próxima missa disfarçado de ceifeira alentejana. O sacristão disse logo que isso era uma estupidez porque o bispo assim disfarçado seria imediatamente descoberto. O staff do bispo optou assim por disfarçá-lo de artesão. O pároco, avisado, tomou todas as providências para que em tudo o que dissesse e fizesse não deixasse transparecer o menor vestígio que pudesse conduzir a uma acusação de difamação contra os vizinhos castelhanos. Estava fora de questão qualquer manifestação cénica a acompanhar a homilia desse dia.
A certa altura da missa, dita de forma sóbria e irrepreensível, o pároco dissertava sobre a última ceia e tudo o que se passaria a seguir. As suas palavras, proferidas com uma fortíssima pronúncia bracarense, foram estas: "E Jesus, de semblante carregado, olhando em torno da mesa onde partilhava o pão e o vinho com os seus apóstolos disse:
- Em verdade, em verdade vos digo, que esta noite serei preso, torturado, humilhado, insultado e crucificado.
- Nunca! Nunca! Nunca!- bradaram desesperados, repetidamente e em uníssono os apóstolos. - Jamais o permitiremos!- gritaram.
- Calem-se, estúpidos! Deixem-me falar! - retorquiu o senhor, visivelmente agastado.
Nesta altura o bispo não se conteve e murmurou esconjuras em surdina enquanto se remexia inquieto no banco corrido da primeira fila. Jesus a chamar estúpidos aos apóstolos! Onde é que já se viu!
"- E tudo isso acontecerá - continuou Jesus olhando em volta da mesa na cara de cada um dos seus atónitos apóstolos, - porque um de entre vós me traiu. Sim! um de entre vós, por um miserável punhado de moedas de prata, cometeu a infâmia de me trair. Serei entregue por um de vós. - E com estas palavras calou-se Jesus, com os olhos marejados de lágrimas fixos em Judas.
Ao ver-se confrontado com o semblante triste de Jesus, o torpe, indigno e infame Judas, essa criatura dos infernos, indigna de viver, de respirar o nosso ar e de partilhar esta terra connosco, não se conteve e perguntou-lhe: - Pero Jesús, por que me miras así?"

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Na praia

É sempre com espanto que o puto olha para trás e vê as pegadas dele próprio que o perseguem sempre na areia húmida da maré que vaza. O puto devolve o olhar dele ao horizonte longínquo do fim da praia, esperando ver mais coisas que o façam andar para a frente, para além dos restos das armações da apanha da conquilha, redes velhas cheias de limo, conchas vazias, areia e água salgada, das carcaças de caranguejo ocas, da areia, do sol e do mar.
"Aqui é o fim do meu país" pensa o puto imaginando um mapa de Portugal com a fronteira água-terra muito bem definida, geométricamente delineada separando a terra de um mar parado, morto, imóvel, sem marés, sem correntes, sem nada.
O puto tem quinze anos, feitos hoje, e na mão leva amarrotada a carta que o pai lhe escreveu de França a congratulá-lo por esse dia que era importante. O puto continua o seu caminho, perseguido pelas pegadas que vai fazendo na areia húmida da maré que vaza. Olha para a direita e vê o ondular das dunas que o vêm acompanhando neste passeio solitário. Guina à direita e escolhe um sítio. Abre um buraco fundo, do tamanho do seu braço direito magro, queimado do sol e manchado de sal. Segura na carta e memoriza-a. Não o texto mas a textura. O papel amarrotado, manchado de tinta borrada da água salgada. Deposita a carta no fundo do buraco e vai tapando tudo com areia seca, macia e branca. No fim tem a certeza que se voltar à ilha dali a um ano, dez, vinte, jamais achará o lugar onde a carta escrita pelo pai, importante portanto, estará guardada. Assim tem a certeza de que jamais a poderá rasgar.

1º de Dezembro

Completam-se hoje 365 anos que Portugal recuperou o estatuto de nação independente, pondo termo a 60 anos de domínio castelhano.
Seguiram-se 28 anos de guerra contra as pretensões de Castela de recuperar o trono de Portugal.
O duque de Bragança, futuro rei D. João IV, era na altura comandante supremo das forças armadas compostas por portugueses e castelhanos ao serviço do rei de Castela. A Casa de Bragança era a mais rica e abastada casa nobiliárquica de Portugal (décima terceira da Península Ibérica). A decisão do Duque em aceitar encabeçar a revolta e tornar-se rei de Portugal colocou a sua cabeça a prémio durante o resto da sua vida. Para essa sua decisão contribuiu decisivamente o carácter determinado da duquesa, D. Luísa de Gusmão, autora da célebre frase "antes Rainha por um dia do que duquesa toda a vida".
Nascia assim a 4ª e última dinastia, de Bragança, que terminou após o regicídio de 1908 com a imposição da República em 1910.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Os zelotas

De quando em vez, a nomenklatura republicana fundamentaliza-se, exagera e espeta-se.
Em assomos assíncronos de patrioteira actividade doutrinária, os guardiões da pureza do estado laico e republicano decidem de vez em quando e extemporaneamente ressuscitar cadáveres ideológicos, práticas de intolerância e comportamentos pombalinos, perseguindo crucifixos e outros símbolos cristãos "ignobilmente expostos nos espaços públicos da república". Quais dráculas de bolso, vituperam com argumentos carregados de religiosa laicidade, acusando com fervor insuspeito todos os que não cumprem os preceitos da doutrina laica republicana: há que retirar os símbolos religiosos (leia-se crucifixos) das escolas. Instalou-se a caça à cruz.
Pois então, ó senhores da república, não se esqueçam de a arrancarem também das comendas e condecorações com que anualmente ataviam Bonos e outros que tais.
Amputem também, e já agora, os bracinhos ao Cristo Rei.
A seguir, presume-se, seguem-se as salgas às hortas de alhos e o encerramento das minas de prata, não vá aparecer por aí algum Lone Ranger a fazer companhia à chusma de Tontos que esbracejam e estrubucham em inquietudes congénitas, pelas pradarias, vales e montanhas cá do Reino. Singui gai ai upi upi ai...

Texto publicado em O Eleito

quinta-feira, novembro 24, 2005

Soares vs Cavaco

O ano está perto do fim. É o fim do Ano Velho. Desde sempre se associou velhice, decrepitude e morte ao ano que se aproxima do seu termo. Ao Ano Novo, também chamado de Ano Bom, correspondia uma imagem de rejuvenescimento, de recomeçar de vida, de esperança.
É nesse sentido e, pelo facto de, sendo Sagitário, ser um entusiasta inabalável de causas perdidas, que Mário Soares está tramado. Muito provavelmente, e na área dos arquétipos publicitários, chavões de marketing ou mensagens subliminares de carácter colectivo, é natural constatar que a sua provecta idade numa disputa eleitoral que se realiza em plena passagem de ano, não lhe será favorável. O seu esforço no entanto, e a vitalidade que aparenta, contribuirão decisivamente para manter a imagem de competidor e de guerreiro a que foi habituando os portugueses nos ultimos trinta anos, constituindo um exemplo sério de combatividade e de dedicação ao poder. Por outro lado, nem a sua indignação com o facto de a corrida à Presidência da República estar constitucionalmente aberta a todos os portugueses recenseados, maiores de 35 anos, nem o pavor das insónias que terá se o Prof. Cavaco ganhar, lhe granjearão mais simpatias. Antes pelo contrário. Por muito que simpatizem com o "O Bochechas", os portugueses execram o seu ar de dono-disto-tudo.
A postura de Cavaco, essa sim, é a do arqueiro. O silêncio que produz contrasta com o ruído à sua volta, constituindo uma carapaça invisível mas opaca, por detrás da qual se faz adivinhar um potencial de acção indesmentível tal como a corda do arco que se vai esticando à medida que é puxada. O arqueiro não fala, não ouve, o seu olhar trespassante está concentrado num ponto para além do alvo, no objectivo que só ele vê mas que todos adivinham, como adivinham que será o estalido da corda de couro e o silvo da flecha num instante que todos sabem que vai acontecer mas que ninguém consegue precisar ao certo.

Texto publicado em O Eleito

Na zona das bilheteiras, dia de ante estreia de Elizabethtown(*)



- Então? que é que achaste ?

- Do quê?
- Do blog!
- Ahh...achei giro, achei giro. Tem piada. Só que...quer dizer...acho que...é pá como é que hei-de dizer...
- O quê merda! Achas o quê caraças?
- Acho que, para blog monárquico, ou lá o que é, tem muitos palavrões. Acho que o tipo usa muitos palavrões.
- Palavrões ? Palavrões como ?
- É pá palavrões! Palavrões...Sei lá...caralhadas e isso.
- ...-

(*) Elizabethtown rima com Lynard Skynard

quinta-feira, novembro 10, 2005

Brandos e acostumados

Os portugueses sorvem a "pré campanha para as presidenciais" como se de mais uma telenovela se tratasse. É como se fosse uma espécie de "Quinta das celebridades" ataviada a rigor. Agora a sério:
Quem é que no seu perfeito juízo quer ser Presidente desta merda? Quem é que no seu perfeito juízo aceitaria ser Rei desta merda? Brandos e acostumados, os portugueses resignam-se ao seu futuro permanentemente adiado. A História dos seus antepassados, de que todos somos herdeiros e descendentes dos seus protagonistas, fala tão alto, grita tão forte que até um dos candidatos se arroga qualidades únicas para, encostado a 800 de monarquia, se julgar como único candidato viável ao mais alto cargo da Nação. E quem são eles? Os outros ? Cavaco Silva, o mastigador, que gere silêncios como uma gaja boa gere as partes do corpo que mostra ou esconde. Manuel Alegre, entalado entre a realidade e a poesia, é o cavaleiro solitário, o D. Quixote romântico que brande o montante na defesa de absurdos como a fidelidade à palavra dada, a coragem e o desassombro.
Jerónimo de Sousa, em peixeiradas de sopeira alucinada e mal fodida quer o quê? As conquistas de Abril ? Outravez? E frei Louçã, o seminarista, sempre a pregar, a pregar, a pregar, a pregar.
Foda-se.
E são estes os candidatos à Presidência da República ? Mas que merda vem a ser esta?

Os filhos da Revolução

A Revolução Francesa é tida como o grande marco da história contemporânea. Com tudo o que implicou, desde a execrar a aristocracia, passando pela guilhotina qualquer garganta dissidente ou dissonante, culminando na Civilização actual regida por merceeiros sem escrúpulos que apregoam aos quatro ventos a javardeira que pretentem impingir ao mundo como sendo a salvação suprema.
O consumo adquire foros de religião, a medianização é alcandorada a objectivo máximo, a mediocridade é promovida aos quatro ventos, a ecologia constitui-se ciência e o Homem é reduzido ao número; de identidade, de contribiunte, de cheque.
É a glorificação da República.
A Idade Contemporânea fede por todos os lados, é ameaçada à porrada no berço que a viu nascer.
A França, mais uma vez, exemplifica a asneira, ergue-a como farol e sintetiza em três semanas de vandalismo o erro de décadas de ignorância e altaneira estupidez.

terça-feira, novembro 01, 2005

Foi há 250 anos



O texto que se segue foi-me enviado pela Sancha por email e é transcrito do livro de João Duarte Fonseca "1755 O Terramoto de Lisboa."

"Uma curiosa carta proveniente de Mazagão (El Jadita) relata os efeitos do tsunami naquela praça portuguesa do Norte de África, dizendo que após a maior atribulação causada pelo sismo, "o mar com um movimento horroroso, subindo pelas rochas, e arrombando os portos, entrou dentro do terreiro da Praça, onde quando se retirou deixou muitos peixes...
O alcaide-mor desta Praça, que o mar arrebatou e levou consigo... O tornou a meter vivo dentro da Praça por um postigo.
Administraram-se-lhe logo os sacramentos dentro de oito dias, depois de haver vomitado areia, búzios, conchinhas e algum sangue pisado, convalesceu por mercê de Deus".

segunda-feira, outubro 31, 2005

Felicitações

Por tu graal felicita Espanha pelo nascimento de Leonor de Borbon, herdeira do Trono Espanhol.
Nasceu à 1:46 da madrugada, de cesariana, com 3,450 Kg e 47 cm.

Números

€: 2.694.539.529,00 É a verba atribuida pelo Orçamento Geral do Estado para os Serviços de Apoio, Estudos e Coordenação da Presidência do Conselho de Ministros...
É quase tanto como o custo do aeroporto da OTA, orçamentado para ser gasto em um ano.
Lê-se assim: dois mil milhões seiscentos e noventa e quatro milhões, quinhentos e trinta nove mil quinhentos e vinte e nove Euros.
O que será que se faz, o que é produzido, que actividades extraordinárias serão realizadas pelos referidos serviços da República que justifiquem tal gasto? E porque é que ninguém chamou a atenção para isso ? Hum ?
Tirado daqui.

sábado, outubro 29, 2005

Aniversário II

Parabéns ao Frangos para Fora, um blog politicamente incorrecto, pouco dado a pandemias.
Fez ontem dois anos.

Aniversário

Dia 27 o Rua da Judiaria fez 2 anos.
Dele escolhi este post. Pela sua actualidade e pelo seu significado.
Parabéns Nuno Guerreiro.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Deprimente

É como facilmente se adivinha que virá a ser a próxima campanha para a Presidência da República.
As confusões de Mário Soares, relatadas no Público de ontem, não são compatíveis com uma figura que se queira para chefe de Estado, a não ser na República Portuguesa.E isso diz muita coisa.
A insistente identificação do Partido Socialista com este candidato, reafirmada insistente e publicamente por Jorge Coelho nos últimos dias, diz o resto.

Responde Outro Dos Monárquicos de Serviço

Em resposta ao repto lançado pelo Pedro Santos Cardoso: a possibilidade de a monarquia alguma vez voltar a ser o regime em vigor em Portugal, não significa que não o possa ser num Estado laico. Muito antes pelo contrário. No entanto, não se deve confundir Estado laico com Estado persecutório, que foi o que caracterizou o arranque do Estado republicano em Portugal, e que, pelos vistos, ainda se mantém hoje em dia graças a alguma empenhada militância republicana fundamentalista.
Neste ponto, inteiramente de acordo com JMO.
No que diz respeito à amplitude dos poderes do Rei, estes obedeceriam a um quadro legal, formulado dentro dos princípios de uma monarquia constitucional: chefia do Estado e das forças armadas, primeira figura representante de Portugal em qualquer acto oficial quer em território nacional quer no estrangeiro, constituindo uma referência nacional suprapartidária.
Neste aspecto, também de acordo com JMO.
As duas questões levantadas por Pedro Santos Cardoso, ao inquirirem da laicidade do Estado e da limitação dos poderes do Rei, são muito bem escolhidas e reflectem claramente a essência de grande parte do argumentário republicano na sua génese. Falta uma: a questão da pertinência ou não do direito à propriedade. O regime republicano em Portugal nunca foi capaz de reconhecer em absoluto o direito à propriedade. O quadro legal do arrendamento, seja ele urbano ou rural, é um reflexo disso mesmo. Mas isso fica para outro dia.

Publicado em O Eleito

terça-feira, outubro 25, 2005

Foi há 858 anos

........................................O Cerco de Lisboa, por Roque Gameiro

Hoje terá lugar em Lisboa, mais propriamente no Castelo de S. Jorge, uma reconstituição histórica do cerco e conquista de Lisboa protagonizada por mim e pelas minhas tropas há uma porrada de anos atrás, culminando com a entrada solene na cidade em 25 de Outubro de 1147.

(...) É então que, por sua vez, os nossos se empenham mais no trabalho e se lançam a escavar um fosso subterrâneo entre a Torre e a Porta de Ferro, com o fim de deitarem abaixo a muralha. Porque estava demasiado acessível aos inimigos, ao ser descoberta depois de iniciado o cerco (...)

Como vêem, já naquela altura a panca por túneis eufemísticamente designados por "fossos subterrâneos" dominava a mente lusa obcecando povos e alcaides...

A quem possa interessar o acontecimento, pode ler mais aqui.

Velhos Hábitos

Quase sempre que se põe em causa a república, ou seja, o regime político em vigor em Portugal desde 1910, que se eleva um coro surdo de protestos a meia voz, nada de grande gritaria, como se o simples facto de questionar o regime conduzisse a inéditos esforços intelectuais conducentes a rebuscadíssimos argumentos e contra pontos, cansativos portanto, para os quais as mentes indígenas além de não se encontrarem devidamente treinadas e preparadas, não têm a menor atracção ou vocação; os portugueses habituaram-se a ser republicanos. Ponto. São como os velhos hábitos: temo-los sem saber muito bem porquê mas achamos difícil largá-los.
Isso de questionar o regime é "voltar para trás", a monarquia é "coisa do passado", temos é que andar para a frente e o resto é conversa. Mesmo que o andar para a frente tenha conduzido Portugal a um quase beco sem saída, há que manter inquestionável a natureza do regime.
No entanto, se isto tresanda a antolhos, cuidai-vos que vos tomam por bestas.
Questionar o regime tornou-se impensável. Mesmo com o exemplo flagrante de Espanha, que em 1975 estava em muito piores condições económicas e sociais do que Portugal e que, em trinta anos, recuperou de um atraso carregado de atavismos com uma determinação e fé tais que isso tem indiscutivelmente que nos obrigar a pensar. É que, quer se queira quer não, uma grande diferença separa de facto as duas democracias ibéricas. E essa diferença, é o regime.
A abordagem dos mesmos problemas, sejam eles o combate aos incêndios, a divulgação cultural ou/e a projecção internacional como partes integrantes de uma estratégia concertada de desenvolvimento económico, tem sido feita de modo completamente diferente nos dois países.
E, para cúmulo, há por aí muito republicano bem instalado no poder e descaradamente partidário da passagem para Espanha de importantes, senão vitais, centros de decisão fundamentais para o desenvolvimento do nosso país. Para não falar dos desesperados que sonham com a anexação pura e simples, renunciando em definitivo à independência e soberania nacionais.

publicado hoje em O Eleito

segunda-feira, outubro 24, 2005

Solidariedade emplumada

Face à escabrosa escalada de violência histérica e intempestiva, acompanhada de não menores manifestações descontroladas de verborreia compulsiva e incontinente escabeche que vem assolando o planeta em toda a extensão do seu perímetro alado, daqui envio um sincero e honesto abraço solidário aos Pássaros, ao Frangos para Fora e ao Pombo Incontinente.

Contradições da República

Em Janeiro de 2006, mais uma vez, os portugueses serão chamados às urnas para elegerem o chefe de Estado de Portugal. Desde as primeiras eleições para a Presidência da República, após o pronunciamento militar de 25 de Abril de 1974, que os candidatos eleitos são-no invariavelmente pela segunda vez, cumprindo segundo mandato.
Provavelmente sê-lo-iam de novo se existisse a possibilidade de um terceiro mandato, e por aí fora. E isto porque, na sua essência, os portugueses são profundamente monárquicos. Durante anos, todavia, a propaganda republicana encarregou-se de explicar que isso era mau. Mesmo durante a II República, os tais famosos 48 anos de ditadura foram-no em República.
No entanto, se até agora e após (repito) o pronunciamento militar de 25 de Abril de 1974, um simples presidente de câmara podia ser eleito e re-eleito as vezes que se quisesse, o mesmo nunca foi possível com o mais alto magistrado da nação. Porquê? Porque o regime republicano é, em si mesmo e acima de tudo, profundamente contraditório.

Publicado hoje em O Eleito

quinta-feira, outubro 20, 2005

20 x 20 x 20

Acabada a época dos incêndios, que vai de 14 de Maio a 14 de Outubro, e o semestre das aparições em Fátima, de 13 de Maio a 13 de Outubro (o cuidado e esmero com que a República se apropria de certas datas de forma insinuante e promíscua é digno de nota. Nem a porcaria do dia da implantação da República escapou de ser pespegado em cima do dia da Fundação do Reino de Portugal. Mas adiante) como eu dizia, acabado definitivamente o Verão, por decreto, com as autárquicas a chocalhar e o Sporting a implodir, eis que o país se suspende da hora mágica: as 20:00h de 20 de Outubro; o momento escolhido por Cavaco Silva, aluno de vintes segundo VPV, anunciar o que toda a gente sabe: a sua candidatura à Presidência da República. O que é espantoso nesta história em que o facto vem ao encontro de quem o espera, o que tem de notável é, precisamente, a gestão da sua previsibilidade. Tornar a expectativa realidade é, por si só, merecedor de confiança.
É por isso que Cavaco Silva vai ganhar as eleições. Alimentando e gerindo com habilidade a expectativa manteve igualmente a esperança na sua própria candidatura, e ao cumprir com o que prometeu (só anunciar a sua decisão após as autárquicas, seja ela qual for) devolve aos portugueses que o irão eleger um bem precioso nos conturbados dias que correm: a ilusão de que são donos do seu destino. Devolve, com juros, a segurança ilusória que caracteriza a previsibilidade. Quando Cavaco ganhar, todos os que votaram nele sentirão que ganharam também. E, por isso, ele vai ganhar.
Não porque possa fazer muito mais do que os seus predecessores, a Constituição não deixa, mas porque parece que pode. Quem cumpre aquilo que promete, ainda por cima sendo político, torna-se a excepção, arrastando com a simpatia dos eleitores mesmo que, posteriormente como agora, o que quer que venha a prometer e a cumprir seja irrelevante.
A oposição a Cavaco é, e será, inexistente; Louçã e Jerónimo de Sousa cumprem calendário à custa dos contribuintes, e tanto Alegre como Soares não passam de duas facções a abater dentro do próprio PS. A partir de Janeiro, após as eleições, o governo de Sócrates sairá reforçado graças à conclusão da limpeza interna no aparelho do partido com a garantia de que Cavaco não quererá outra coisa senão manter no poder um governo que, mantendo uma política impopular, procurará corrigir o deficit, conter a despesa pública, aumentar a receita fiscal, preparando o terreno para um regresso triunfal do PSD, sufragado por maioria por um povo farto de crise e de apertar o cinto . Nessa altura, provavelmente, será Rui Rio quem pedirá a palavra para concluir o que começou a dizer a José Sócrates no fim do passado dia 9 de Outubro.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Segunda feira....

O Sporting perdeu com a Académica em Alvalade. É a terceira derrota consecutiva. Está na altura de atirar alguém aos leões.

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José Sócrates, o estratega, prepara-se para festejar em Janeiro a derrota definitiva de Mário Soares, o dono do PS. Pelo caminho ficam António Guterres, Ferro Rodrigues, João Soares, Manuel Alegre e Manuel Maria Carrilho.

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João Carlos Espada, no último Expresso, festeja a vitória de Sócrates e Marques Mendes nas eleições autárquicas mostrando, mais uma vez, que existe na direita um contraponto a Eduardo Prado Coelho que, por sua vez, é o contraponto à esquerda de Luís Delgado e por aí fora, cumprimentando, en passant, Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares.

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Parece que é este mês que António Lobo Antunes recebe da Academia Sueca o prémio persistência por ter tantas vezes concorrido ao Nobel da literatura sem sucesso. A Suécia, entre outros encantos, é conhecida pelo famoso jogo de cartas - a sueca - uma espécie de bisca alta e loura, pela ginástica sueca e pela Academia Sueca, que anualmente sorteia prémios Nobel por diversos concorrentes em variadas modalidades.
Por outro lado a vaca, além de cornos, também possui pernas compridas que mantêm as tetas fora do alcance das formigas e outros insectos rastejantes, bem como uma pele preta e branca que serve para a manter toda junta.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Ressaca

Estado pré comatoso de empastelamento existencial caracterizado por sede avassaladora e absoluta intolerância ao ruído acompanhados de embaciamento persistente de toda e qualquer actividade, sensata ou não, produzida por qualquer dos dois hemisférios cerebrais.
É assim que que se encontra Portugal no momento.
Desde o pretenso descomprometimento do PM (José Sócrates) para com os catastróficos resultados eleitorais obtidos pelo PS (Partido de Soares), até aos dislates ilegais proferidos pelo próprio Soares à boca das urnas, passando pela ajardinada exuberância de Valentim Loureiro e pelo desalento cabalístico de Avelino, perpassa uma imagem de fim de festa que ninguém percebe muito bem que acontecimentos pretendeu celebrar. A festa pela festa tornou-se o objectivo último das desorientadas populações deste país queimado, seco, alegremente à beira da bancarrota.
Estamos quase quase a ser o Brasil da Europa. O que nos falta em área, clima e gente sobra-nos em diversidade paisagística, secura e imaginação. Dizer bicha em vez de fila é politicamente incorrecto. Noventa e nove por cento das frases começam por é assim. Seja quem for que as diga.
O cinco de Outubro é a data da implantação do vinte cinco de Abril.
À asneira sucede a asneira, a
pessegada, o disparate.
Vale a pena dar uma vista de olhos à escolha de cartazes feita pelos Dolos Eventuais.
Depois dos sorrisos e/ou gargalhadas de que certamente serão acometidos, vejam os cartazes outra vez e pensem: Isto é a República portuguesa. Se conseguirem olhar para os cartazes segunda vez sem desatarem a chorar de raiva lembrem-se da exibição da selecção nacional frente à merda do Lichtenstein. Se, mesmo assim, as lágrimas não vos saltarem dos olhos como pulgas alucinadas esmagando-se contra os écrans, das duas uma: ou estão grossos, ou estão grossos. Ainda. A ressaca virá depois.

sábado, outubro 08, 2005

Há qualquer coisa que não está bem...

...quando um Primeiro Ministro se recusa a interomper férias numa altura em que o país que é suposto governar arde de norte a sul e, no entanto, dois meses depois não se poupa a esforços para acudir às autarquias em tempo de campanha eleitoral, saltando frenéticamente de paróquia em paróquia, qual bonecreiro alucinado.

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...quando um Presidente da República só a cinco meses de completar dez anos de presidência é que se "lembra" de sugerir a inversão do ónus da prova para os crimes económicos.

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...quando a República, nas comemorações do seu 95º aniversário em plena Praça do Município em Lisboa, só pôde contar com cinco cromos empunhando cartazes onde se lia não sei o quê sobre Olivença.

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...quando o regime em vigor em Portugal, a República, tolera os impropérios, os dislates e a paranóia de Alberto João Jardim aderindo por isso, e promovendo a adesão, a uma cafrealização descabelada que é pronta e afanosamente seguida por criaturas tão díspares como o trio Ino (Isaltino, Avelino e "Valentino") e a senhora D.Fátima de Felgueiras.

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...quando as medidas de combate ao flagelo dos incêndios insistem em basear-se no apagamento com bombardeiros de água em vez de, a montante, tornarem prioritário o ataque aos fogos no seu início.

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...quando os polícias têm que comprar a própria farda.

quarta-feira, outubro 05, 2005

5 de Outubro. À noite.


"(...) E o regimen está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados mentais, nos serve de bandeira nacional - trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português - o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, devem alimentar-se.
Este regimen é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos de seu o ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada, nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto que a república veio a ser."
Fernando Pessoa, "Da República"

Trecho retirado do Dragoscópio, um blog incendiário por natureza. Leiam lá o resto.

5 de Outubro


Há quem comemore o dia de hoje como sendo o do 95º aniversário da implantação do regime republicano que, já em 3ª edição (corrigida e ilustrada), tem conduzido Portugal, com retumbante êxito e inquestionável sucesso, ao beco fétido e ressequido onde hoje se encontra. Noventa e cinco anos foi o tempo que demorou a escaqueirar oito séculos de crescimento.
E ainda por cima comemoram a coisa.

Mas há outros, como eu, para quem esta data tem um significado diferente: o 862º aniversário da fundação do Reino de Portugal, primeira nação europeia. E eu prefiro lembrar-me disso.

quinta-feira, setembro 29, 2005

E vão 7

Apesar da crescente subida de preço do petróleo e da crise económica nacional, Portugal é dos poucos países do mundo, senão o único na Europa, que proibe o estacionamento de veículos GPL em parques de estacionamento subterrâneos. Os governantes nacionais contribuem assim para que não haja o menor perigo de que o abastecimento em combustível da frota de veículos ligeiros cá do reino seja feita a 50% do seu custo actual.

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A candidatura de Manuel Alegre é um grande serviço prestado ao PS. É a melhor maneira de garantir a vitória de Cavaco Schwarzie Silva, O Mastigador, logo à primeira volta. O que, no fundo, é o que Sócrates quer. Por muito estranho que pareça. Tudo menos Soares na Presidência a ditar-lhe bitaites e em frenético output de postas de pescada.

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Dentro de dois anos, a Europa irá assistir a um rápido crescimento económico.
Com as novas refinarias de petróleo a entrarem em pleno funcionamento e a manter-se a actual suspensão das cotas de produção decretada pela OPEP, viver-se-à uma verdadeira festa, um último e derradeiro fartar vilanagem. Mas será de curta duração e a ressaca adivinha-se dolorosa, quiçá insuportável.

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Não há dia de campanha para as autárquicas em que não se veja José Sócrates a dar uma mãozinha à malta do PS. Isto de se ser 1º Ministro em Portugal o que tem de bom é haver tempo para tudo.

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Quando há dois anos Francisco de Assis foi agredido em Felgueiras, caiu o Carmo, a Trindade e o Camandro.
Face ao que se passou no Porto com Rui Rio, as mesmas cortesãs e virgens ofendidas olham para o lado e assobiam. Fracas ladies à mesa, e pouco putas na cama.

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Uma vez que a época de incêndios passou a ter calendarização oficial e os próprios incêndios são passíveis de previsão diária, como se de fenómeno meteorológico se tratasse mas só e apenas durante a época consignada na calendarização oficial (a estupidez desta merda toda tolhe-me as mãos, quase não consigo escrever e a vontade de emigrar é quase irresitível) presume-se que a tal parte da prevenção, que deveria estar a ser tratada agora, seja puramente cagativa.

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Sonho azul: Vi um tipo passar pelo mercado de Cascais, comprar um peixe espada preto pouco fresco, embrulhá-lo num jornal regional com uma foto do recentemente inaugurado e pomposamente designado Centro de Interpretação da Costa do Sol, dirigir-se à Câmara Municipal de Cascais, entrar no gabinete do presidente da Câmara, anunciar-lhe "Interpreta lá isto" e pespegar-lhe com o peixe espada preto recém comprado e pouco fresco em cima da secretária, voltar-lhe as costas e vir-se embora a cantar A Menina das Tranças Pretas.

sexta-feira, setembro 23, 2005

"Felgueiras tentou desviar avião com laca"

Título de uma "notícia" da autoria de Mário Botequilha (MB) na página 5 do suplemento Inimigo Público do jornal Público de hoje e que tem o seguinte desenvolvimento:

Fátima Felgueiras arrependeu-se a meio da viagem de regresso a Portugal e tentou desviar o avião novamente para o Brasil. A autarca entrou na cabine aos gritos: "Deus é grande e eu sou a sua profeta!" e ameaçou os pilotos com duas embalagens de laca. Acabou por ser dominada por dois passageiros que odeiam autarcas, dirigentes desportivos e Artur Albarran, ou seja, agentes da Judiciária. Fátima foi recebida em Felgueiras pela população em delírio que, pela força do hábito, lhe entregou as carteiras, jóias e orçamento camarário para 2006.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Candidatura ou a ditadura da candura

No Portugal republicano e democrático de hoje, uma candidatura é O estado de graça por definição.
O(A) Candidato(a) é uma espécie de santo, monge ou asceta, liberto da tentação e do pecado, que se reveste de camadas constituidas por auras de insuspeição, candura e inimputabilidade sobrepostas umas às outras como as saias das nazarenas ou, menos prosaicamente, a casca da cebola comum.
Ao atingir o estatuto ou estado de candidato, o cidadão comum é alcandorado a semi-deus, qual atleta grego, rodeando-se de uma corte de aduladores peritos na lambidela compulsiva que se desenvolve desde o tacão da bota até aos entrefolhos do cu, and beyond.
No Portugal republicano e democrático de hoje, O(A) Candidato(a) usufrui de imunidade judicial excepto se for apanhado em flagrante a cometer um crime doloso por cuja pena possa ser preso por três ou mais anos. Ou seja, qualquer candidato a eleições tem ao seu dispôr um quadro legal que lhe permite executar, participar ou instigar a prossecução de atropelos, crimes e ilegalidades que lhe apeteça desde que cumpra as regras, ou seja, não se deixe apanhar em flagrante.
O climax do absurdo acontece quando o candidato deixa de o ser; quer ganhe ou perca as eleições, O(A) Candidato(a) deixa automáticamente de gozar da imunidade de ser candidato, atente-se na lógica demolidora, uma vez que deixa de o ser. Esta mudança súbita de estado de graça para desgraça permite ao aparelho judicial desempenhar a sua função ordenando a detenção do(a) ex-Candidato(a) pespegando-o(a) nos canfundós de um qualquer fedorento calabouço atapetado e revestido a musgo e desespero. Não sem que, durante a campanha eleitoral, tenha tido todo o tempo e todos os meios à disposição para propagandear as vantagens que o povo teria votando nele.
Esta é a democracia na República portuguesa.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Incubadoras

Os partidos políticos em Portugal transformaram-se em apocalípticas incubadoras de criaturas populistas, extrovertidas, agitando os ares com a razão que lhes é dada pela popularidade de que dispõem, adoradas pela populaça e temidas pelos poderes instituídos.
Os mais mediáticos são a dona Fátima e os três inos: Avelino, Isaltino e Valentino.
Depois de evoluirem do estado larvar à categoria de criaturas aladas no seio das comunidades onde se encontram, alimentados pela propaganda produzida durante anos pela chusma de insectos obreiros que infestam as máquinas partidárias que lhes serviram de hospedeiro, acolhendo-os, amamentando-os e promovendo-os junto das populações que eram supostos servir, ei-los que se proclamam de uma independência absoluta em arremedos de ingratidão para com os ventres que os geraram.
Uns ingratos, é o que são.

Parabéns à Laurindinha

............................."Pastora con pecore" - Eugenio Prati

Por cada um dos trezentos e sessenta e cinco dias de existência do seu Abrigo de Pastora.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Histórias de encantar VI

Era uma vez um coelho que vivia do lado A da autoestrada. O seu único sonho, ambição suprema, atração irresistível e almejado destino era conseguir atravessar para o outro lado.
O lado B.
No entanto, abundante registo de parentes atapetando a rodovia tinha sido argumento suficiente para adianços consecutivos de uma travessia que , enquanto pulsão vital de natureza obsessiva, se tornava cada vez mais distante no tempo, que não na distância.
Até que um dia a vontade de atravessar foi maior que todos os medos, avisos, presságios e augúrios ouvidos, escutados, com atenção, da sua curta existência de roedor compulsivo. De salto curto em salto curto foi-se aproximando do rail mais perto. Olhou com atenção, sentiu a paragem das vibrações das rodas pretas e rápidas no asfalto sob as patas e ...catapum! catapum! catapum! aventurou-se até ao estreito, seco e desmesuradamente longo canteiro de rodoendros entre os rails que separavam os dois sentidos de circulação viária da autoestrada. Aguardou. Do outro lado, uma pequena manada de gado charolês pastava no sossego do tempo e das certezas bovinas. De novo o silêncio se fez sentir. Só uma muito leve vibração existia, como que se de uma distante trovoada se tratasse. De novo o coelho se aventurou na travessia. Catapum!...catapum a trovoada aproximava-se com uma celeridade inaudita. Não era uma trovoada. Era um camião TIR carregado de móveis e proveniente de Paços de Ferreira. Tarde de mais. Ao chegar à berma, junto ao rail, o impacto sentiu-se, a autoestrada ficou uma fita preta ao longe, fina e silenciosa, ar e vento morno por todo o lado e o chão verde de pasto a aproximar-se a velocidade desaconselhável. Olhos bovinos assistiram ao impacto e projecção do roedor. Após a aterrissagem, o coelho abriu os olhos, sacudiu a cabeça, olhou para cima e viu o olhar pensativo, ruminante e habitualmente absorto do touro charolês.
- Isto é que tu és uma granda besta.- disse, ruminando, o touro charolês. -
-...?!*#..!!....- respondeu o coelho.
- Foda-se pá! Então com umas orelhas desse tamanho não ouviste o cabrão do camião a aproximar-se ? -
O coelho lembrou-se daquilo da trovoada a aproximar-se, que tinha sido a seguir áquilo da primeira travessia. Olhando o touro nos olhos respondeu:
- E tu ? Com uns tomates desse tamanho já viste a parelha de cornos que tens ?

quarta-feira, setembro 14, 2005

O perfil possível

Mário Soares diz que Cavaco Silva não tem perfil para ser Presidente da República.
É magro demais, segundo os marretas.
Soares não se lembra do que disse (basta!) desdiz o que diz («é o adversário possível, forte e de respeito com quem vai travar um combate leal, forte e de ideias») e não sabe o que há-de dizer.
Três condições sine qua non para se ser candidato à Presidência desta República.

terça-feira, setembro 13, 2005

" Aqui d'el-rei! "

Medeiros Ferreira escreve hoje no DN , comparando os incêndios em Portugal com o furacão Katrina nos EUA.
Basta a ideia, comparar uma coisa com a outra, para que a surpresa perante o exercício demagógico de afirmações como (...) Em Portugal, hoje em dia, tanto se reclama cortes no número de funcionários públicos e de servidores do Estado como se exige novos guardas florestais e jovens bombeiros profissionais quando há fogo na serra.(...) se desvaneça rapidamente.

Mais à frente podemos ler: Amanhã, se houver inundações, esquecer-se-ão os guardas florestais mas querer-se-á fuzileiros e equipamentos anfíbios em todas as bacias hidrográficas. Em ambas as situações não estou a ver as populações afectadas apreciarem a chegada de elementos com mais de 60 anos… Mas, com a normalidade restaurada, voltará a discussão teórica sobre o bom tamanho do Estado sem se ter em conta estas curiosas variações práticas. E veremos os órgãos de comunicação social transmitirem, impávidos, como é seu dever, aspirações tão desencontradas.

O que se passa em Portugal, à nossa escala, adquire agora nos EUA a dimensão de um apocalipse anunciado.

Desculpar a incúria e o desleixo a que o regime republicano votou o património florestal e hídrico em Portugal, negligenciando a prevenção dos incêndios e dispendendo avultadas quantias no seu combate a posteriori, de forma desorganizada, numa das mais pungentes demonstrações de amadorismo governativo de que há memória em qualquer parte do mundo e compará-lo a catástrofes da dimensão do furacão Katrina é, por si só, tristemente revelador do calibre de alguns dos opinion makers autóctones mais conceituados.
Ao querer falar de uma data de coisas ao mesmo tempo, desde o problema dos incêndios à história das reformas antecipadas, do racismo e da incompatibilidade entre liberalismo e catástrofes, Medeiros Ferreira dá a ideia de um percursionista destrambelhado a zurzir nas peles a torto e a direito produzindo uma cacofonia ininteligível ao comum dos mortais mas que, certamente, calará fundo no âmago da esquerda nacional.
A escolha do título para tal exercício demagógico, vindo de um dos pilares de um Partido Socialista que se reclama sucessor do Partido Republicano de Afonso Costa, é significativa.
É que Mário Soares será sempre Dom Mário I para muito Afonso Costa de bolso cá da santa terrinha.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Bolha especulativa

De visita a Portugal, SAR o Principe Khalid Al-Faisal bin Abdul Aziz Al-Saud da Arábia Saudita, país que é só e apenas o primeiro produtor mundial de petróleo, afirmou que não há razão, em termos de produção, para o petróleo estar acima dos 40 dólares por barril.
A única razão para isso acontecer, segundo o príncipe, é a escassez de refinarias, nomeadamente norte americanas.
Ou seja, as mesmas refinarias que, há dois anos, processavam
x crude a 30 dólares o barril fazem-no agora a mais do dobro do preço.
Alguém está a ganhar uma pipa de massa com isto.




O treze de Setembro

Se, como afirma o Expresso, avançar a manifestação de militares convocada para amanhã e proibida pelo Governo, este será o "último episódio de um conflito que opõe militares e Governo e que alguns oficiais (...) consideram ser o mais grave desde o 25 de Abril".

domingo, setembro 11, 2005

"Mr. Cheney, go fuck yourself..."








Ouviu-se, por duas vezes, na reportagem que mostrava Dick Cheney em visita ao estado do Louisiana.

Segundo o Público de hoje, pelo menos duas grandes empresas, associadas aos interesses de Joe Allbaugh, que foi o anterior responsável de campanha do Presidente George W. Bush e antigo director da Federal Emergency Management Aagency (FEMA), a agência de protecção civil, foram já contactadas para começar os trabalhos de reconstrução ao longo da costa do Golfo do México. Uma das grandes companhias é a Shaw Group Inc. e a outra é a Halliburton Co., subsidiária da Kellog Brown and Root. O vice presidente Dick Cheney já foi director da Halliburton.

Depois de terem participado na reconstrução do Iraque, as mesmas companhias começam agora a trabalhar nos estados afectados pelo furacão Katrina.
Nada mais natural. A vocação missionária destas empresas é sobejamente conhecida. Depois de estagiarem no Iraque onde foram parar por causa do terrorismo e onde adquiriram experiência na resolução dos problemas causados por ele viram-se agora para o Louisiana que, como se sabe, foi vítima de um atentado terrorista desta feita perpertrado pelo mão vingativa do próprio Allah num assomo de fúria assassina como esclarecem os imãs, os ayatolas e outros madrassos. O facto de terem sido na sua esmagadora maioria pretos e pobres os atingidos é irrelevante. Allah quando se passa dos carretos arreia onde calha.
Agora que Bush fez um excelente negócio ao ser re-eleito, lá isso é verdade.
Quanto às virgens ofendidas, cortesãs vilipendiadas e outra gente dessa que confunde direita com Seguidismo Bushista ou que baralha anti-Bushismo com anti-Americanismo das duas uma: ou são retardados mentais ou são parte interessada, accionistas portanto, das empresas que têm empochado alcavalas, prebendas e sinecuras com a presidência de George W. Bush.
 
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