domingo, janeiro 28, 2007

Agora a sério...

...escrever blogue em vez de blog é o mesmo que escrever vólquesseváguéne em vez de volkswagen.
Vai uma aposta?

sábado, janeiro 27, 2007

Seamus

seamus

Para quem gosta de cães, blues e de desenhar.
Dos Pink Floyd.
Revolution

Para a esquerdalha ouvir com muita atenção....

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Vem aí


Mais uma vaga de frio pl'o ar.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Variedades I

Concorrência

A TvCabo anuncia com pompa e circunstância uma novidade de mercearia: 3 em 1.
Telefone, Net e TV num pacote por 60 € (sessenta euros) mensais.
Para concorrer directamente com a PT. De que faz parte.
É a concorrência nacional: o cú compete com as calças o tamanho e a medida.

Época de caça

Às multas. Com início previsto para Abril, inaugura-se nova modalidade de caça (grossa).
Os comedouros e portas já estratégicamente distribuídos pelas principais artérias da capital da república.
As presas : os contribuintes que decidam circular a mais do que 5% da velocidade autorizada.
Os caçadores: os do costume.

Hipocrisia

MST no Expresso passado revela: A Partners, empresa de publicidade, é responsável pela campanha dos apoiantes do Não. A mesma Partners foi a autora da campanha da TV Cabo em que um cara de cú desgraçado chega a casa todos os dias para saber que, em cada dia, um membro da sua família partiu porque não havia TV Cabo em casa. Até a sopeira abalou, de armas e bagagens, a caminho de Espanha e a cavalo numa aranha.

Espanto

A inteligentsia nativa indigna-se, arrepela-se, descabela-se e espuma de raiva com a co-habitação Salazar/Cunhal nos dez finalistas da última corrida de parvos patrocinada por Homo lava mais bronco.
Porquê? Afinal foi do melhor que a república produziu.

Polícia I

Um polícia agrediu à coronhada um suspeito em fuga. Como tinha disparado para o ar antes das coronhadas, tinha a arma destravada e acidentalmente matou o suspeito com um tiro na cabeça, entre duas coronhadas. Pena: uma multa.

Polícia II

Outro polícia conduzindo um Audi A6 ao efectuar uma ultrapassagem pela direita (leia-se berma) atropela um desgraçado que mudava um pneu. Duas senhoras dentro do carro terão dito olha lá acho que atropelaste o gajo.
Naaa... Terá dito o polícia que se entregou seis dias depois ao ler a notícia nos jornais.
António Costa, entre dois sorrisos, afirma que foi um caso isolado.
Graças a Deus.

Tendências

Consta que a frequência com que condutores de provecta idade insistem em aceder às autoestradas em contramão não tem nada a ver com tendências suicidas mas sim com impulsos homicidas em massa.






quarta-feira, janeiro 17, 2007

Figura do ano 2006

Foi quem a Time Magazine elegeu para figura do ano de 2006.
Eduardo Prado Coelho, que não lê blogs, ficou de fora.


terça-feira, janeiro 09, 2007

Aborto

É mau. Muitas mullheres o sabem.
Persegui-las criminalmente por isso é um tique inquisitorial, quiçá pombalino.
Sim à despenalização.
Não ao aborto.
Agora aguentem-se.

Então é assim


António Costa no jornal da 2 diz a propósito de qualquer coisa em 2006: Isso foi no ano passado. Agora, ano novo vida nova.
Pois sim.
Depois ainda se admiram que, no curso superior de História, alunos se refiram a D. Nuno Álvares Pereira como o Conde Estável.

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O
governo da república laica socialista preconiza a extinção de consulados que, por essa Europa fora, obrigará os remetentes de mais de mil milhões e meio de Euros (de Janeiro a Setembro de 2006) a percorrerem mais de 500 km para pagarem os emolumentos que rendem à supracitada república cerca de 12 milhõees de euros a tilintarem em saco azul (TSF- hoje).
Em compensação temos embaixador em Malta.
O Jaime, o traste que por ignomínia do destino é meu irmão, tinha um amigo que tinha uma perna mais curta do que a outra. Em compensação a outra era mais comprida.

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Cavaco avisou no Natal: a partir de 2008 é a doer.
Quem tiver ouvidos que oiça.

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Ratzinger welcomes Turkey to Europe Community, after all.
Muito antes dele já a bifalhada o instituira como prato de Natal.



segunda-feira, janeiro 08, 2007

A trapalhada continua ou um post à arquitecto Saraiva

Não vale a pena parar de postar, esperar por novos ares, que as coisas mudem etc e o camandro.
Durante os últimos meses, acometido por ímpetos introspectivos impulsionados pelas partes nórdicas do meu complexo ADN, decidi pensar menos, escrever pouco e ler ao acaso. As notícias, os posts doutros blogs, os comentários, etc e tal.
Mas não.
Não vale a pena.
Mesmo agora oiço um camurço de marca registada a arengar na SIC sobre as vantagens ou não de existir um psicólogo em áreas balneárias.
O futebol, portanto.
Ainda o futebol: FJV exorta as hostes a comemorarem em alcântara (porquê em alcântara caralho) a derrota do FCP na saga da Taça de Portugal.
Um portista ferrenho, como ele, a comemorar a derrota do seu próprio clube é o quê senão um suicida sazonal? Um verdadeiro espingarda de rolha, é o que é.
Em boa hora o post do Dragão sobre a arrogância da pena de morte: do melhor que alguma vez foi escrito sobre a matéria; estudiosos, lê-de, estudai e assimilai, se conseguirdes, foda-se
A propósito de foda-se registo duas coisas:
A primeira é que o Sítio Do Foda-se tem servido de porta aviões priveligiado às andorinhas de arribação que aterram cá no terreiro.
A segunda é que a opção pelo calão vernáculo em muita da minha escrita tem servido para dizer a muita gente que não tenho blog nenhum.
Ele há coisas do caralho.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Redacção

Há duas alturas do ano em que se nota mais que Portugal está parado; uma é em Agosto, a outra é entre o Dia de Natal e o Dia de Ano Novo.
Em Agosto é melhor porque se pode ir à praia e isso. Entre o Dia de Natal e o Dia de Ano Novo é pior porque está mais frio e é mais chato porque só há neve na Serra da Estrela mas em compensação há presentes e coisas boas para comer. É por isso que se diz que além das quatro estações Portugal tem também dois apeadeiros: um no Verão e outro no Inverno. No resto do ano Portugal também está parado mas nota-se menos. Há um grande esforço do governo, do presidente da república e de muitas pessoas que aparecem na televisão para nos convencer a todos que isto mexe.
Só que não mexe. Está parado. O que passa ao lado com muita mecha é o tempo, e é isso que nos dá a ilusão de movimento.
Um Bom Ano Novo para todos e, como disse o Micróbio II, que 2007 seja mesmo um ano ímpar.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

domingo, novembro 26, 2006

Ai Portugal Portugal...

À medida que o tempo vai passando, a N.R.P. (*) vai inventando novos processos e aprimorando outros com o objectivo mal dissimulado de, em dificultando a vida de toda a gente, para usar um eufemismo, rebentar com o resto que resta disto. Podem dizer o que quiser, citar os peritos do costume, apresentar as mais elaboradas e ininteligíveis dissertações, evocar os mais altos desígnios, mas...TLEBS é uma treta.
Vou citar o estafado exemplo do cão, para quem até já foi proposto um dia nacional, mal sabendo o bicho que teimam em reciclar-lhe a designação. Os defensores do dia do cão deveriam promover uma manifestação do tipo "passeio do isso-é-que-era-bom" em que se juntasse o maior número de canídeos possível na Baixa Pombalina (chama-se assim por causa da chusma de pombos que a infestam) seguidos pelo seus defensores devidamente munidos de saquinhos de plástico, que enquanto se descabelavam aos urros e uivos iam recolectando os seus dejectos da via pública, dando assim o exemplo.

Mas há mais.

Enquanto em todo o país igrejas, capelas, conventos e castelos se vão degradando de ano para ano, a NRP promove e contribui para mais uma Maior Árvore de Natal da Europa, objecto de peregrinação para os basbaques e, quiçá, motivo para mais um almejado registo no Guiness Book of Records, inicialmente uma promoção de marca de cerveja irlandesa e que se tornou em mais uma obsessão nativa, a par dos Pais Natais enforcados nas janelas acompanhados por esfarrapadas bandeiras da República.
Das forças que dão vida a uma Nação, a Língua, o Território e o Património têm o destino traçado.
Quanto ao Povo, é o que se vê.

NRP - Nomenklatura Republicana no Poder

terça-feira, novembro 14, 2006

À vossa!

A teimosia da média de 14 visitas diárias a este terreiro, que o sitemeter mecanicamente me garante existirem, dá-me a vontade de continuar que não existiria se não as houvesse.

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O tempo encarregou-se da árdua tarefa de me fazer crescer semi acompanhado pela tragédia ambulante chamada Jaime que, por cruel opção de meus pais ou travessura ignóbil do destino, era o meu irmão. Chegada a altura da escolha por um curso superior entrei em profunda depressão sem conseguir ter a mínima dose de coragem que me fizesse dizer em voz alta e ao jantar: Não faço ideia do que fazer com o futuro da puta da minha vida.
O meu irmão Jaime, pelo contrário, optara pelo curso de Engenharia Civil, embasbacado como andava com os à vontades do Engenheiro do 2º Esquerdo com a filha do médico do 1º Dto.
Quando num país pobremente envelhecido como este, Engenharia Civil rima com patobravice assanhada, o futuro apresentava para o meu irmão os contornos volúveis de uma qualquer actividade envolvendo as palavras construção civil com pejo, enlevo e carinho.
Daí à criação da sua própria micro empresa de assentamento de tijolo enquanto frequentava o 3º ano do Técnico foi uma bufa.
Os operários, esses, recrutava-os em plena Marginal, a qualquer dia da semana. Bastava-lhe abrandar o Golf TDI podre e entrar nos recessos ao longo das praias de Carcavelos e Caxias enquanto apregoava: Carpinteiro...Pedreiro...Serralheiro... e as cabeças voltavam-se, recolhendo as linhas de pesca e acenando com os bonés na mão.
Mas o negócio correu mal ao meu irmão, essa chaga ambulante, e a parte dos trabalhos a mais, idêntica à fase de nulos ou positivos no King, veio provar que até aí o fracasso lhe dava o braço solidariamente.
Até que um dia o Jaime se passou. Foi à lota de Cascais e comprou uma dúzia de robalos pouco frescos, 2 Kg de lulas em estado pré-comatoso, uma dúzia e meia de anchovas do Yemen e 4 Kg de pescada de Cascais. Juntou tudo numa grande sacada e atacou. Começou por Carcavelos, abrandando o carro ao longo do recesso da Marginal e bombardeando as fronhas dos pescadores, esses eternos pescadores da Marginal, com o conteúdo da saca, distribuído sorteado e à discrição.
Calões!, berrava ele, cambada de calões! Vão mas é trabalhar, corja de malandros!
Um dos pescadores, atingido por sinal por uma potra em adiantado estado de decomposição, resolveu reagir rugindo: Foda-se-caralho-que-merda-é-esta?!
É o que tu pescas, grandessíssimo cabrão! É o que tu pescas! -
retorquia rindo à gargalhada.
Depois chateou-se e foi para África.

domingo, outubro 22, 2006

Bush is drinking again! (Late Late Show)

quarta-feira, outubro 04, 2006

Os Herdeiros

Fogos queimaram 72 mil hectares em 2006

Uma mudança do comportamento cívico dos portugueses e alterações no
modelo de combate aos incêndios, agora assente no comando único,
explicam, na opinião do ministro da Agricultura, Jaime Silva, que em
2006 as chamas tenham consumido 72 mil hectares, ou seja, abaixo da meta
dos 100 mil estabelecida pelo Governo a partir de 2012.
Os números actualizados da área destruída pelos fogos florestais foram
ontem apresentados aos deputados da Comissão Parlamentar de Economia.
Houve um aumento de dois mil hectares relativamente ao que tinha sido
divulgado a 20 de Setembro, que se explicam pela verificação dos dados
que entretanto foi feita, uma vez que não se registaram mais ocorrências
desde essa altura.
Os deputados não deixaram, porém, de criticar que a meta do Governo se
situe nos 100 mil em vez dos 44 mil propostos pelos técnicos e
questionaram se o investimento financeiro que tem sido feito no combate
compensa face aos resultados. O ministro anunciou ainda que nenhuma mata
gerida pelo Estado foi afectada este ano pelas chamas.


E é assim que os herdeiros de 1910, embalados pelo putsch de 25 de Abril de 1974, se apresentam à Nação na véspera de mais um cinco-de-Outubro.
Uma questão de mais mil ou menos mil hectares, afinal de contas que merda é essa num país de analfabetos e de morangos com açucar? Cagativo, meus amigos, cagativo.
O sururu do Beato provocado pelos fasssistas do Compromisso Portugal agitou as hostes e, ó senhores , se agitou. Serviu até para que a bola semiótica, aka Prado Coelho, proclamasse pelos quatro costados aos quatro ventos a morte da direita, sem se aperceber, o pobre coitado, quão alquebrado de costas e, espanto dos espantos, direito ele é. Quadrado mesmo, numa perspectiva geométrica completa.
O cinzentismo socratiano e a sua política populista é o mais parecido com o salazarismo desde que Salazar morreu.
A glorificação da nomenclatura do pensamento único anima estertores de última hora pela boca de Helena Roseta.
A terceira via de Anthony Giddeons, que começou na prática com Blair, arrasta a sua baba retardadora na terra de Camões. Em Londres os ventos estão em vésperas de mudar. Em Portugal, as vontades são mortas à nascença.
Cinco de Outubro ? Sempre. Mas o de 1143.
Que o de 1910 está podre e cheira mal.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Histórias de Encantar IX

O jornalista abrandou e encaracolou o carro no pequeno largo com laranjeiras da vila, encostando-o de topo contra o lancil do passeio. As janelas escancaradas e o tecto de abrir do velho Renault eram inúteis contra o braseiro parado daquelas sete horas da tarde em Beja.

Abriu a porta e descolou o cu das calças da napa encharcada do assento, enquanto arrastava para fora do carro uma pasta com um portátil, um bloco, algumas canetas e um transformador.

Com a mão em pala sobre os olhos, rodou lentamente sobre si próprio à procura das fitas de plástico multicolores penduradas de alguma porta, sinónimo regional de tasca e possível cerveja fresca. Avistou-as e para lá se dirigiu, devagar e pela sombra.

Afastadas as tiras de plástico atirou um “boa tarde” lá para dentro, enquanto habituava os olhos à escuridão, como quem atira um osso para dentro de um escuro canil de galgos quando lhes quer encher as malgas com água fresca.

Devolveram-lhe alguns b’tard que ouviu em semiuníssono enquanto descia os dois degraus em direcção ao balcão.

- Uma Imperial se faz favor.- pediu, enquanto deitava a pasta sobre o balcão.

- A imperial hoxe extá um’ocadinho cuxida. - desculpou-se o homem por detrás do balcão sibilando correntes de ar a custo por entre as laterais da língua, das bochechas e o palato, tudo isto acompanhado de um esgar como se padecesse de cólicas crónicas.

– Mas temos fresquinha engarrafada.

- Pode ser.

Enquanto aguardava a fresquinha engarrafada, o jornalista perscrutou o ambiente, agora que os olhos por detrás das lentes encardidas de um par de óculos sem aros se iam habituando à pouca luz que boiava sobre o ar parado. Ao fundo, dois velhos apostavam sobre o tampo de uma mesa dividido em quatro por dois traços feitos com giz. O jogo era simples: cada um detinha a propriedade de dois quadrados em diagonal, o mais próximo do lado esquerdo e o mais afastado do lado direito. E vice-versa. Quando uma mosca pousasse num dos quadrados, o seu proprietário tinha direito a uma “renda” paga pelo outro. As moscas eram tantas e a falta de asseio do tabuleiro de jogo era tal que se perderam nas contas entregando-se, calmamente e com dedicação, a uma discussão parva e sem sentido nenhum. Duas mesas mais à direita estava sentado um cantoneiro beberricando uma gasosa e fumando em silêncio. O jornalista dirigiu-se para lá e disse:

- Boa tarde, posso sentar-me aqui a conversar um bocadinho com o senhor?

O cantoneiro olhou o desconhecido com desconfiança. Aquilo das duas uma: ou eram modos de pide, o que não fazia sentido nenhum, já lá iam tantos anos, ou era um daqueles paneleiros de Lisboa com profissões esquisitas e que acabavam sempre por arranjar lugares de mando nas Câmaras onde eles, velhos cantoneiros, trabalhavam há tanto tempo.

Permita que me apresente, chamo-me Paulo e sou jornalista de Lisboa. Tenho andado aqui pelo Alentejo a fazer um trabalho de pesquisa sobre o impacto que a regionalização poderá vir a ter, caso venha a ser votada favoravelmente no referendo que se aproxima.

Ahhh...- retorquiu o cantoneiro após o doloroso esforço de se decidir sobre que tipo de mamífero se lhe sentara na mesa e qual as verdadeiras intenções do mesmo.

Então, continuou o jornalista, vamos começar pelo senhor que é um habitante de Beja, não é verdade ?

Sou sim senhores. Sou de Beja desde que nasci. Já lá vão...

Então diga-me cá uma coisa, se souber. Enquanto os habitantes de Évora se chamam Eborenses, ou os de Estremoz Estremocenses, ou mesmo os de Santarém, imagine-se, Escalabitanos, como se chamam então os habitantes de Beja?

Um silêncio profundo caiu sobre a mesa, arrastando-se às outras mesas e subindo pelas paredes até ao tecto imundo, até que a pouca actividade existente e diálogo que havia cessaram por completo. Só o zumbido das moscas certificava que ninguém ensurdecera de repente.

- Como se chamam os habitantes de Beja? – repetiu incrédulo o cantoneiro. – Mas o quê? Todos ?-

domingo, agosto 13, 2006

Mais um post

Há já largos dias, diametralmnte gigantescos, que tenho poupado a blogosfera em geral e certos hábitos particulares deste simulacro de democracia a que pomposamente os senhores do poder, e seus indefectíveis seguidores, teimam em chamar de república.
Comecemos pela retirada de cena de Fidel. Então não é que ouço e vejo Miguel Sousa Tavares comentando na TVI a tecer-lhe admirações como quem desenvolve tapetes de Arraiolos, "que era uma pessoa com convicções, que nunca se quis servir do poder para enriquecimento próprio que, enfim, nutria uma certa admiração por pessoas deste tipo, que quando comparados como a classe política de agora marcam uma diferença ...." etc, etc,. Não tivesse eu percebido que dissertava sobre Fidel e juraria que o discurso se aplicaria que nem uma luva ao velho botas, que massacrou estas gentes durante mais de quarenta anos, mercê precisamente das suas fortíssimas convicções e do seu desapego a fortuna própria. Ele há coisas do camandro.

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Passou a lei da paridade, e com ela mais um atestado paternalista de incompetência foi passado às mulheres portuguesas.

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Os fogos continuam. Postos por mão criminosa mas de imediato localizados os culpados: os aldeões que, com os foguetes que lançam nas suas festas de verão, são eles afinal os grandes responsáveis pela calamidade anual que assola o país.

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Curioso também que o coro dos que gritavam e berravam pelas ruas "Portugaliiiii ti ti ti pó pó pó",
tenha sido o mesmo que se ergueu indignado com a possível e justa isenção do pagamento de IRS sobre os prémios dos jogadores. O povo é assim: uma besta que vai para onde se lhe aponta o aguilhão. Se ao menos estivessem atentos às mudanças anuais de frota automóvel dos que falam em solidariedade perante a crise...

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Hove um avião israelita a caminho do Médio Oriente carregado de material não ofensivo (provavelmente panelas de pressão, esfregões bravo, revistas "Maria" e terços) que se serviu do aeroporto das Lajes para reabastecer. O Governo disse que foi um acontecimento de carácter excepcional. Exacto.

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Eduardo Prado Coelho afirma que não lê blogues. Faz mesmo questão de o repetir. Também afirmou, na Visão e com orgulho, que não faz a barba desde 1972. Para Taliban também já lhe falta muito pouco.

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Sobre o recente movimento "Não apaguem a memória" só tenho isto a dizer: A memória foi e é apagada diariamente neste país. Quer com a delapidação constante do património nacional, em que as armas com a coroa foram e têm sido sistemáticamente arrancadas dos frontões de fortes(*) ,castelos e monumentos, quer que com as comemorações do próprio 25 de Abril, em que só um pífio punhado de gente se juntou este ano na Praça do Município para as suas comemorações.
Enquanto o direito à propriedade não for respeitado neste país podem os senhores do poder ter a certeza que a memória não será apagada.

(*) Veja-se a recente "recuperação patrimonial e arquitectónica" do Forte de Caxias, em que permanecem vergonhosamente mutiladas as armas reais no frontão da sua entrada. Vê-se da Marginal.

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Só mais uma coisa: A Ponte de aço, suspensa, que liga Lisboa à outra margem é e será sempre A Ponte Sobre O Tejo. Nem Salazar a fez, nem a fizeram num só dia. Em memória dos que nela trabalharam e morreram.


segunda-feira, julho 31, 2006

Alentejo II

Esta já tem uns tempos, mas como estamos em época de reposições, aqui vai disto:


O fim de tarde ia acontecendo, com sol forte e sem vento, sobre as searas de trigo a perder de vista. A hora era de Alentejo em ponto. Atravessando essa paisagem, salpicada por azinheiras e sobreiros centenários, arrastavam-se devagar e silenciosos dois pastores conduzindo sem pressas o rebanho aos currais do Monte, que ficava aí a uns dois quilómetros para poente.
De olhos postos no chão, que o sol estava áspero e encadeante, um deles repara em uma ponta de charuto caída entre a erva seca, na berma do caminho. Pára, baixa-se lentamente e segura a beata de charuto com cuidado. Enquanto se endireita, com o vagar e perplexidade de quem tem todo o tempo do mundo mas acabou de fazer uma descoberta súbita, rola lentamente a beata de charuto entre o polegar e o indicador da mão direita. Diz:

- Sabes uma coisa Zé? Isto, isto é que é fumar. Olha bem p'ra isto. Igualzinho aos do Engenheiro.

Metendo a mão esquerda no bolso das calças, por debaixo dos safões encardidos, retira um velho isqueiro a gasolina com que acende a beata de charuto. Após inspirar profundamente duas longas fumaças, deixa sair o fumo devagarinho por entre os dentes descarnados pela piorreia e os beiços entreabertos. Observa por instantes o morrão aceso, as sobrancelhas arqueadas e, pensativo, diz:

- Um gajo pranta uma merda destas nas beiças e sente-se logo rico, pôceras!-
- Ah é? - respondeu o outro.
- É pois. Tás vendo além aquele olival entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva?
- Tou. Que é que tem?-
- Amanhã vou comprá-lo. Todinho.
- Porra, pá. passa-me aí essa merda e deixa-me cá experimentar também pra ver como é que é.-

O outro passa-lhe a beata de charuto e ele dá duas fumaças curtas seguidas de uma longa e bem puxada. Enquanto solta o fumo devagarinho, semicerra os olhos na direcção do olival entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva. Diz:

-É verdade Tói tu tens razão. Um gajo sente-se logo outro. Mas dizias tu...
- Disse que vou comprar aquele olival além, entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva.
-Nããã. Não me parece.
-Então porquê?
- Porque não to vendo.

quinta-feira, julho 06, 2006

Era só o que faltava!

Que Cunhas, Carinas e Codinhas, devidamente assessoradas por mercenários castelhanos e franceses e com o beneplácito do velho Mattoso se preparassem para devassar a cripta onde tem repousado o meu primeiro corpo, assim sem mais nem menos.
Primeiro munidas de uma micro câmara extensível, qual peepshow de trazer por casa para depois se aventurarem num frenesim que se adivinhava carregadinho de patrocínios, preparavam-se as indígenas criaturas para se dedicarem a mais uma variante do passatempo nacional republicano: a devassa do sossego alheio em nome sabe-se lá de que sombrios desígnios e inconfessáveis objectivos.
Ora aguentem-se lá durante mais um mesito ou dois, até preencherem os requesitos e papeladas necessárias que o caso não é para amadorismos de Pauleta, que é como quem diz, assim em jeitos de meia volta e força.
Tenho dito.

sexta-feira, junho 30, 2006

O Barril no Horizonte III

Hesita, aceita, sorri, escorrega, esbarra, desiquilibra-se e perde argumentos, caindo aceleradamente e a pique em direcção ao plano duro e frio da realidade que, lá do alto da sua tridimensional sapiência, julgava meramente bidimensional; coisa de cima ou de baixo, de esquerda ou de direita. Ver Aqui.
É por estas e por outras que se avolumam as suspeitas de negligência médica por parte do cirurgião que implantou a banda gástrica no rubicundo EPC. Ao que consta foi no cérebro e não no estômago que a referida banda terá sido aplicada.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!