Porque esta é a terra delas.
Tudo neste país está às moscas. O património, os museus, as ruas, aldeias, vilas e cidades.
Está tudo à mercê das moscas.
Umas são lustrosas e verdes. Outras zumbem em contrabaixo, varejeiras portanto. Outras ainda, compenetradas em danças misteriosas à contra-luz, súbitamente acometidas por impulsos inconfessáveis que se traduzem em trajectórias repentinas e sem sentido para logo regressarem à calma morna do calor no meio da sala, valsando. À contra-luz.
Às vezes uma, decerto contrafeita com o destino, investe decidida contra a vidraça de uma janela. Encantada talvez pelo brilho ofuscante de uma realidade que não conhece mas suspeita.
Têm em média uma semana de vida. Nesse tempo, que é o tempo de vida de uma mosca, têm que compreender o mundo em que cairam. Mas não conseguem. Uma semana é pouco tempo. Dedicam-se portanto à criação de nova geração de moscas, passando-lhes o testemunho.
Elas que descubram. Ou que se reproduzam até descobrirem. Ad aeternum.
Tudo neste país está às moscas. O património, os museus, as ruas, aldeias, vilas e cidades.
Está tudo à mercê das moscas.
Umas são lustrosas e verdes. Outras zumbem em contrabaixo, varejeiras portanto. Outras ainda, compenetradas em danças misteriosas à contra-luz, súbitamente acometidas por impulsos inconfessáveis que se traduzem em trajectórias repentinas e sem sentido para logo regressarem à calma morna do calor no meio da sala, valsando. À contra-luz.
Às vezes uma, decerto contrafeita com o destino, investe decidida contra a vidraça de uma janela. Encantada talvez pelo brilho ofuscante de uma realidade que não conhece mas suspeita.
Têm em média uma semana de vida. Nesse tempo, que é o tempo de vida de uma mosca, têm que compreender o mundo em que cairam. Mas não conseguem. Uma semana é pouco tempo. Dedicam-se portanto à criação de nova geração de moscas, passando-lhes o testemunho.
Elas que descubram. Ou que se reproduzam até descobrirem. Ad aeternum.


