domingo, agosto 13, 2006

Mais um post

Há já largos dias, diametralmnte gigantescos, que tenho poupado a blogosfera em geral e certos hábitos particulares deste simulacro de democracia a que pomposamente os senhores do poder, e seus indefectíveis seguidores, teimam em chamar de república.
Comecemos pela retirada de cena de Fidel. Então não é que ouço e vejo Miguel Sousa Tavares comentando na TVI a tecer-lhe admirações como quem desenvolve tapetes de Arraiolos, "que era uma pessoa com convicções, que nunca se quis servir do poder para enriquecimento próprio que, enfim, nutria uma certa admiração por pessoas deste tipo, que quando comparados como a classe política de agora marcam uma diferença ...." etc, etc,. Não tivesse eu percebido que dissertava sobre Fidel e juraria que o discurso se aplicaria que nem uma luva ao velho botas, que massacrou estas gentes durante mais de quarenta anos, mercê precisamente das suas fortíssimas convicções e do seu desapego a fortuna própria. Ele há coisas do camandro.

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Passou a lei da paridade, e com ela mais um atestado paternalista de incompetência foi passado às mulheres portuguesas.

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Os fogos continuam. Postos por mão criminosa mas de imediato localizados os culpados: os aldeões que, com os foguetes que lançam nas suas festas de verão, são eles afinal os grandes responsáveis pela calamidade anual que assola o país.

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Curioso também que o coro dos que gritavam e berravam pelas ruas "Portugaliiiii ti ti ti pó pó pó",
tenha sido o mesmo que se ergueu indignado com a possível e justa isenção do pagamento de IRS sobre os prémios dos jogadores. O povo é assim: uma besta que vai para onde se lhe aponta o aguilhão. Se ao menos estivessem atentos às mudanças anuais de frota automóvel dos que falam em solidariedade perante a crise...

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Hove um avião israelita a caminho do Médio Oriente carregado de material não ofensivo (provavelmente panelas de pressão, esfregões bravo, revistas "Maria" e terços) que se serviu do aeroporto das Lajes para reabastecer. O Governo disse que foi um acontecimento de carácter excepcional. Exacto.

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Eduardo Prado Coelho afirma que não lê blogues. Faz mesmo questão de o repetir. Também afirmou, na Visão e com orgulho, que não faz a barba desde 1972. Para Taliban também já lhe falta muito pouco.

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Sobre o recente movimento "Não apaguem a memória" só tenho isto a dizer: A memória foi e é apagada diariamente neste país. Quer com a delapidação constante do património nacional, em que as armas com a coroa foram e têm sido sistemáticamente arrancadas dos frontões de fortes(*) ,castelos e monumentos, quer que com as comemorações do próprio 25 de Abril, em que só um pífio punhado de gente se juntou este ano na Praça do Município para as suas comemorações.
Enquanto o direito à propriedade não for respeitado neste país podem os senhores do poder ter a certeza que a memória não será apagada.

(*) Veja-se a recente "recuperação patrimonial e arquitectónica" do Forte de Caxias, em que permanecem vergonhosamente mutiladas as armas reais no frontão da sua entrada. Vê-se da Marginal.

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Só mais uma coisa: A Ponte de aço, suspensa, que liga Lisboa à outra margem é e será sempre A Ponte Sobre O Tejo. Nem Salazar a fez, nem a fizeram num só dia. Em memória dos que nela trabalharam e morreram.


segunda-feira, julho 31, 2006

Alentejo II

Esta já tem uns tempos, mas como estamos em época de reposições, aqui vai disto:


O fim de tarde ia acontecendo, com sol forte e sem vento, sobre as searas de trigo a perder de vista. A hora era de Alentejo em ponto. Atravessando essa paisagem, salpicada por azinheiras e sobreiros centenários, arrastavam-se devagar e silenciosos dois pastores conduzindo sem pressas o rebanho aos currais do Monte, que ficava aí a uns dois quilómetros para poente.
De olhos postos no chão, que o sol estava áspero e encadeante, um deles repara em uma ponta de charuto caída entre a erva seca, na berma do caminho. Pára, baixa-se lentamente e segura a beata de charuto com cuidado. Enquanto se endireita, com o vagar e perplexidade de quem tem todo o tempo do mundo mas acabou de fazer uma descoberta súbita, rola lentamente a beata de charuto entre o polegar e o indicador da mão direita. Diz:

- Sabes uma coisa Zé? Isto, isto é que é fumar. Olha bem p'ra isto. Igualzinho aos do Engenheiro.

Metendo a mão esquerda no bolso das calças, por debaixo dos safões encardidos, retira um velho isqueiro a gasolina com que acende a beata de charuto. Após inspirar profundamente duas longas fumaças, deixa sair o fumo devagarinho por entre os dentes descarnados pela piorreia e os beiços entreabertos. Observa por instantes o morrão aceso, as sobrancelhas arqueadas e, pensativo, diz:

- Um gajo pranta uma merda destas nas beiças e sente-se logo rico, pôceras!-
- Ah é? - respondeu o outro.
- É pois. Tás vendo além aquele olival entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva?
- Tou. Que é que tem?-
- Amanhã vou comprá-lo. Todinho.
- Porra, pá. passa-me aí essa merda e deixa-me cá experimentar também pra ver como é que é.-

O outro passa-lhe a beata de charuto e ele dá duas fumaças curtas seguidas de uma longa e bem puxada. Enquanto solta o fumo devagarinho, semicerra os olhos na direcção do olival entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva. Diz:

-É verdade Tói tu tens razão. Um gajo sente-se logo outro. Mas dizias tu...
- Disse que vou comprar aquele olival além, entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva.
-Nããã. Não me parece.
-Então porquê?
- Porque não to vendo.

quinta-feira, julho 06, 2006

Era só o que faltava!

Que Cunhas, Carinas e Codinhas, devidamente assessoradas por mercenários castelhanos e franceses e com o beneplácito do velho Mattoso se preparassem para devassar a cripta onde tem repousado o meu primeiro corpo, assim sem mais nem menos.
Primeiro munidas de uma micro câmara extensível, qual peepshow de trazer por casa para depois se aventurarem num frenesim que se adivinhava carregadinho de patrocínios, preparavam-se as indígenas criaturas para se dedicarem a mais uma variante do passatempo nacional republicano: a devassa do sossego alheio em nome sabe-se lá de que sombrios desígnios e inconfessáveis objectivos.
Ora aguentem-se lá durante mais um mesito ou dois, até preencherem os requesitos e papeladas necessárias que o caso não é para amadorismos de Pauleta, que é como quem diz, assim em jeitos de meia volta e força.
Tenho dito.

sexta-feira, junho 30, 2006

O Barril no Horizonte III

Hesita, aceita, sorri, escorrega, esbarra, desiquilibra-se e perde argumentos, caindo aceleradamente e a pique em direcção ao plano duro e frio da realidade que, lá do alto da sua tridimensional sapiência, julgava meramente bidimensional; coisa de cima ou de baixo, de esquerda ou de direita. Ver Aqui.
É por estas e por outras que se avolumam as suspeitas de negligência médica por parte do cirurgião que implantou a banda gástrica no rubicundo EPC. Ao que consta foi no cérebro e não no estômago que a referida banda terá sido aplicada.

O segredo

Mais mal guardado do planeta : Portugal campeão do mundo de futebol 2006.

quinta-feira, junho 08, 2006

Ai Timor II...


Quando o governo português fez questão em que ficasse escrito que as forças da GNR em Timor reportariam ao Presidente da República e ao Primeiro Ministro de Timor deveria ter tido a preocupação de traduzir o texto para Inglês para que os Australianos (espécimens antípodas e sem língua própria) pudessem perceber. Como não o fez, nem mandou fazer, os damned Aussies, imbuídos do espírito bélico que lhes permitiu infligir baixas significativas às hostes nipónicas há mais de sessenta anos atrás, desataram a mandar vir com os nossos GNR, ameaçando-os de fogo se não entregassem as armas. O governo português, quais pais zelosos, mandou os meninos GNR imediatamente para casa, o aquartelamento mais próximo, proibindo-os de se misturarem com os os outros meninos australianos enquanto não tivessem uma conversinha muito séria com os pais desses meninos, ou seja, com o governo australiano.
A conversinha muito séria estará a decorrer neste momento.

terça-feira, junho 06, 2006

Polémicas

Para apimentar a recente polémica entre o famosíssimo Vasco Pulido Valente e o tipo vestido de branco(*) que, periódicamente, acena de uma janela numa basílica enorme em Roma relativamente ao paradeiro de Deus, lembrei-me dum post antigo que publiquei aqui.

(*) Adivinha: Qual é coisa qual é ela que é branca e vai à janela?

Da Hipocrisia


Percebo que o tabaco possa fazer mal à saúde. A feira do cavalo na Golegã também pode fazer e não é por isso que é proibida. Nem as corridas de toiros (eufemísticamente apelidadas de touradas por aqueles que, vítimas de miopia genética, confundem gatos pretos e brancos com vacas, ao longe). Os ralis também têm o seu quê de pernicioso para a saúde. Basta revermos as varreduras que, a talho de foice, ceifam os Domingos a tantos incautos nas bermas do Reino.
A última lei persecutória da república nativa proclama a inimputabilidade dos proprietários de estabelecimentos de comes-e-bebes cá do reino face à proibição de se fumar em locais públicos.
A culpa e responsabilidade recai apenas e só sobre os prevaricadores, ou seja, no lombo de quem for apanhado a fumar em tais estabelecimentos.
A hipocrisia é tanto maior quando se constata que uma fracção significativa da receita dos produtos e derivados do tabaco vai para aos cafundós da tesouraria do Reino, perdão, da República.
Por um lado taxam-se os que fumam. Pelo outro perseguem-nos porque fumam.
Ou seja:
Na génese da legislatura republicana, o que é taxável é persecutável, ou seja, o que é colectável é, à partida ilegal, criminoso e, portanto, passível de perseguição.
Depois venham-me falar de esquizofrenia e tal e coiso e o caralho.
Face a mais este tique pombalino republicano cócó, anuncio em primeira mão a iniciativa que conduzirá à criação da Associação Portuguesa dos Fumadores de Tabaco.
Mais informo que só fumo tabaco de enrolar, Amsterdamer de preferência, servido em mortalhas Smoking Azuis Duplas, devidamente entubadas com filtro Rizla +, slimline 6mm, ou seja dos verdes.
E só a partir do fim da tarde, enquanto piloto os comandos do grelhador que espera a picanha, uruguaia de preferência, e outras iguarias preparadas com ternura e primor pela sempre presente Sancha, mulher D'Armas e Ofícios a quem devo o ainda viver agora.

P.S. Tentei postar os dois desenhos de contracapa dos livros de Lucky Luke, o antes e depois da limpeza Stalinista que substituiu o Lukcy Luke verdadeiro, o que fuma, por esta versão metrossexual que chupa palhinhas em formato tridente.
O cabrão do Blogger não deixou. Amanhã tentarei de novo. De qualquer maneira aqui fica a dica, à laia de treoria da conspiração: se repararem bem, é técnicamente impossível que a sombra da palhinha se localize do lado oposto do coldre. A sério. Reparem bem.

segunda-feira, junho 05, 2006

sábado, junho 03, 2006

Dias Nacionais vs Dias Mundiais

Sempre me chateou a ideia do dia mundial disto ou daquilo. Os dias nacionais disto ou daquilo são uma abordagem nacional do tema, ou melhor, uma nacionalização da ideia, certos que estão os portugueses de não terem sido criadores de nada que mereça ter um dia mundial.
Como só há 365 dias por ano, logo só podem existir 365 objectos ou razões merecedoras de dia mundial. A criação do dia nacional duplica as hipóteses. Mais para a frente surgirá certamente a peregrina ideia do dia regional. Mais para a frente não. Agora mesmo; a ideia foi minha e dou-a de barato.
O PSD achou por bem a criação do Dia Nacional do Cão. Seria em 6 de Junho. E ao cão? Perguntaram-lhe alguma coisa? E de que raça é o cão? Um cão não é uma entidade abstracta. Não é um conceito provisório à mercê das diatribes intelectuais de filósofos de pacotilha. Um cão, senhores, é um cão. Se fosse o Dia Nacional dos Cães, estaria assegurada a diversidade e acautelada a não discriminação. Mas sendo proposto o Dia Nacional do Cão já não. Talvez alguém se lembre de pedir ao Presidente da República que tome posição sobre o assunto, o analize, disseque, debata e, após profunda reflexão e consulta constitucional, sobre ele debite o que por bem entenda debitar.
Uma coisa é mais que certa: os cães, esses, estão-se bem cagando para o assunto. Os que venham atrás e lhes seguram a trela que apanhem.

quinta-feira, junho 01, 2006

Ai Timor...

Lorosae tem a ver com a decapitação de inimigos ao nascer do dia.
Não sonhei isto. Li algures.
A autoridade com que Jorges Coelhos e Pachecos Pereiras da vida regurgitam cerrtezas sobre o assunto é vómito. Só possível na impossibilidade técnica chamada Quadratura do Círculo.
Onde estavam em 1975 quando a Indonésia lá pôs a pata abençoada por Washington?
Eu digo-vos onde estavam os Timorenses em 1910 quando a República foi proclamada nestas paragens:
Com o Rei de Portugal. (*)

(*) O povo de Timor nunca reconheceu a República implantada em 1910 em Portugal.
Que vos doa isto onde pior vos sinta.

1,2, Esquerda, Direita

A NKN (Nomenklatura Kultural Nativa) achou por bem criar um organismo não sei dos quantos encimado por uma Comissão de Honra com o confesso objectivo de providenciar a criação de hábitos de leitura nas hostes cá do Reino. Vasco Pulido Valente foi um dos convidados mas declinou o convite. E disse porquê.
Entre outras razões, o convite era escrito num português arrazoado, com erros ortográficos e tudo.
Entre ainda outras razões, o convite era a despropósito porque, segundo ele, nunca se lera tanto em Portugal como nos últimos tempos. Basta ver os números de vendas do Código e do Equador.
Escusada iniciativa portanto, é a opinião do autor de Os Devoristas.
Do outro lado da barricada assentou armas o laureado Saramago. Pronunciando-se com a douta autoridade que é conferida aos cágados pelas ervas do pasto por onde deambula, Saramago afirmou que iniciativas deste tipo são tudo menos úteis porque a sua inutilidade é manifestamente irrefutável. Segundo Saramago, o evangelista, a leitura é, e continuará a ser, um hábito de minorias imune a quaisquer tentativas que objectivem a sua divulgação. Todavia aceitou o convite. Ou seja, aceitou ser parte da inutilidade tornando-se parte dela.
A vida tem destas coisas. E ainda há quem se babe quando lhe aperta a mão. À vida, claro.

quarta-feira, maio 31, 2006

Cinema

O último filme da realizadora de Lost in Translation foi apupado em Cannes.
A visão de Sofia Coppola de uma Maria Antonieta a ouvir rock enquanto deambula um corpo adolescente de 14 anos pelos corredores de Versailles foi insuportável para a nomenklatura republicana francesa.
O reaccionarismo progressista da velha esquerda europeia em choque.
A não perder.

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A estreia de O Código de Da Vinci, numa sala perto de si, no passado dia 18 de Maio, foi o sinal de partida para que a inteligentsia cá do Reino desarvorasse num frenesim opinativo sobre o assunto, suas causas, implicações e consequências.
Nem o Bouillon de Culture indígena, a.k.a. Francisco José Viegas, resistiu ao estampido.
É vê-los, senhores, perorando e opinando sobre um livro que, até há muito pouco tempo, era por eles considerado desprezível, um mero romance de aeroporto. VPV dixit.


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Paul Auster ganhou hoje o prémio Príncipe das Astúrias.
A SIC esteve lá. No set onde têm decorrido as filmagens de The Inner Life Of Martin Frost, nos arredores de Lisboa.
A TV do governo Sócrates nem por isso. No jornal da 2, nada.
Ou muito me engano ou a esta hora está reunido o conselho superior para os Altos-Assuntos-de-Carácter-Cultural especialmente
criado pelo aparatchik PS com o objectivo de dar uma resposta condigna a eventos desta natureza.
Parabéns à equipe que tem trabalhado neste filme, trazendo The Inner Life of Martin Frost até aqui, à distância de um abraço. Mesmo que a inteligentsia nativa não ligue pevas ao assunto. Como vem sendo hábito por parte de quem considera o próprio umbigo um postigo para o Universo.

domingo, maio 21, 2006

Ás de Trunfo

Foi o que jogou o PS ao propor que a Igreja Católica deixasse de estar representada no protocolo de Estado em Portugal.
Era uma ideia engatilhada, há muito, para o caso de, um dia,a esquerda vir a perder a Pesidência da República. O facto de tal proposta de lei nunca ter sido avançada enquanto Jorge Sampaio foi Presidente e ainda na época Guterres é sintomático e revela um certo revanchismo à Carrilho, criando um facto político ao pretender encostar à parede o mais alto magistrado da Nação. Se Cavaco deixar passar a lei trai o seu eleitorado católico. Se vetar a lei, coloca-se numa posição delicada face ao ideário ateu republicano de que se assumiu como mais alto representante ao aceitar ser Presidente da República.
A hipocrisia deste tipo de iniciativas legislativas está bem patente se considerarmos que já houve muito tempo e oportunidade para o poder republicano de esquerda avançar com legislação neste domínio. Mas isso não foi feito por uma razão muito simples: um ás de trunfo tem o seu tempo para ser jogado.
E esse tempo chegou.

sexta-feira, maio 19, 2006

Amanhã

Completam-se 500 anos que morreu Cristóvão.
Cristóbal, afirmam os castelhanos, esses sempre em pé arvorados em tusa ibérica.
Já encomendaram, visionaram e pagaram não sei quantos filmes e documentários que vendessem a ideia de que o tipo era espanhol.
O caralho (*).

(*) O que significa caralho? Segundo a Academia Portuguesa de Letras, caralho é a palavra com que se denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas e de onde os vigias, essa espécia de suricatas, perscrutavam o horizonte em busca de sinais de terra. O caralho, dada a sua situação ou seja, localizado numa área de muita instabilidade (no alto do mastro), é o lugar onde se manifesta com maior intensidade o rolamento ou movimento lateral de um barco. Também era considerado um lugar de castigo, punição e tortura para os que, marinheiros ou não, cometiam alguma infração a bordo. O castigado era enviado para cumprir horas e até dias inteiros no caralho e quando descia, ficava tão enjoado que se mantinha sossegado por um bom par de dias. Daí vem a célebre expressão: mandar para o caralho. Caralho é o termo comparativo que se usa para definir toda uma gama de sentimentos humanos e quase todos os estados de alma. Quantas vezes, ao apreciar uma coisa que é boa ou que nos agrade, não exclamámos, mesmo que em voz baixa, inaudível, pensamento mudo mas intenso: isto é do caralho! Se nos chateamos com alguém, manda-mo-lo para o caralho. Rápidamente e em força. Se alguma coisa não nos interessa, nem por um caralho. Mas, se alguma coisa, por muito aparentemente insignificante aos olhos de terceiros, nos interessa muito, então é do caralho. Também são comuns as expressões: Essa é boa p'ra caralho. Esse gajo é do caralho. Isso é longe pra caralho. CARALHO! E não há nada que não se possa definir, explicar ou enfatizar sem juntar um caralho. Se um merceeiro (**) se sente deprimido pela situação actual do seu negócio vocifera: estamos a ir para o caralho! Quando se encontra alguém que há muito tempo não se vê, onde caralho te meteste, caralho?! (caralho usado como pontuação, algumas vezes enfatizado por um rotundo foda-se). É por isso que envio esta saudação do caralho, e se vomecês não são do caralho, espero que este texto vos saiba bem e agrade pra caralho. É chique e fica bem poderemos dizer caralho ou mandar alguém para o caralho imbuídos de um espírito com mais de cultura e autoridade académica.
E que tenhais um fim de semana feliz. Um dia fim de semana do caralho.

(**) Negociantes, vendedores, ciganagem e liberais neoconas que vêm infestando o planeta em chusmas ininterruptas, autênticas catadupas de inúteis que almejam impingir uns aos outros mercadoria inútil, vulgo lixo, enquanto declamam poemas neoliberais como quem caga postas de pescada.


sexta-feira, maio 12, 2006

IRS

Último dia para entrega da declaração via internet.
O sujeito B não está inscrito nas declarações electrónicas.
Fiquei lixado.

Próximo filme de Ron Howard

Chamar-se-à Sob O Signo Da verdade e é baseado no último livro de Manuel Maria Carrilho.
Howard confessou ter estado indeciso por segundos entre esta obra e o livro de Rosa Casaco, uma edição de autor ininteligível que teve até agora uma única crítica, da autoria de Ricardo Araújo Pereira, saída na Visão da semana passada.

Aviso

Avisam-se os enlatados motorizados e motoqueiros cá do Reino que a ausência de sinal de mudança de direcção quando se efectua uma mudança de direcção é sinónimo de desorientação crónica ou estupidez intensa.

O quê?

Depois de Portugal ter ardido de Norte a Sul várias vezes por ano e com grande intensidade nos últimos cinco anos o pessoal de combate aos fogos, para treinar, achou por bem criar um simulacro de incêndio em Sesimbra. Mas estes gajos são parvos ou quê?

quarta-feira, maio 03, 2006

De 25 Abril a 1de Maio

O povo é quem mais ordena.
O povo é que manda.
O povo é soprano.

sexta-feira, abril 28, 2006

Da Actualidade

Isto vai mal. O intervalo entre posts vai-se dilatando e o conteúdo dos mesmos empobrecendo galopantemente, acompanhando a subida do preço do petróleo.
Isto de se ter um computador a diesel só tem desvantagens.
Segundo o Inimigo Público de hoje, o presidente da república apareceu às tropas portugueseas acantonadas na Bósnia provido de um Bolo-Rei de plástico. Para além de não ter sobrado nada, tal não foi a determinação e voracidade com que se lhe dedicou no intuito de evitar responder em inglês às perguntas que os jornalistas bósnios lhe dirigiram, não consta que alguém se tenha interrogado sobre a extemporaneidade de semelhante pitéu.
Quanto a facto de ser de plástico, é puramente cagativo.

sábado, abril 15, 2006

Nada É Por Acaso


Nestas duas últimas semanas falou-se e viu-se muito sobre o Evangelho de Judas. Descoberto por um pastor no Egipto em 1978, consiste em um papiro escrito há cerca de 1700 anos relatando episódios da vida de Jesus sob uma luz diferente da quem vem sendo vertida sobre o assunto pelos quatro Evengelhos, ditos Canónicos, ou seja, com força de lei, da autoria de Marcos, Lucas, Mateus e João. O documentário, feito pela National Geographic Society e apresentado ontem na 2, revela não só que Judas afunal não traiu Jesus como se limitou a cumprir ordens suas para que fosse entregue aos romanos. Vamos direitos ao assunto: Se a Igreja Católica vigente, que se assume com única herdeira da palavra de Cristo, quiser condenar alguém por suicídio deverá fazê-lo na pessoa de Jesus, que planeeou a sua própria prisão, julgamento e condenação mas nunca Judas Iscariotes. Segundo os ditos textos, tidos como apócrifos e coisa de gnósticos, Judas limitou-se a cumprir o que Jesus lhe pedira. O timing era o mais certo. Para isso e para o resto, que incluia a sua remoção da cruz, ainda vivo, e posterior fuga para terras da Gália onde daria origem à linhagem dos Saint-Clair, ou Sinclair, segundo afirma quem inspirou Dan Brown. Vem também remover o fardo da culpa da condenação à morte de Jesus atribuída aos Judeus, amiúde referidos como pencudos, e outros mimos do género, ao longo de centenas de anos. Os mesmos que, certamente por ignorância visto a estupidez nunca lhes ter sido reconhecida, nunca perceberam que Jesus, ele próprio, lui-même, himself, era Judeu.
Ao apresentar a salvação do homem como resultado do conhecimento e da meditação e não como a ressurreição pura e simples do corpo feito cadáver, o Evangelho de Judas vem devolver ao cristianismo um significado e uma origem há muito usurpados por sacerdotes de púrpura com relacões de grande à vontade com o poder instituído, num mundo excessivamente material.
Enfim.
Uma Páscoa diferente, esta, com revelações que dão que pensar a quem tem cabeça e não se importa com isso.
Bem hajam.

quinta-feira, abril 13, 2006

O Festival Da Asneira

O que se passou ontem na Assembleia da República, ou melhor, o que não se passou devido à falta de quórum, enquadra-se perfeitamente no perfil da classe política republicana, em que a falta de respeito pelos votos de confiança recebidos e que os alcandorou à posição de deputados do regime, a falta de vergonha total para com o dever de tratar a tempo e horas dos assuntos de Estado que, mais uma vez, ficaram por resolver devido a diplomas que não foram publicados por falta de quórum para uma votação, tudo isto junto passa e passará impune num país em que a conivência corporativa se empenha, cada vez mais, numa inconfessável campanha para desacreditar a democracia.
O regime republicano está podre.
Haja quem o sepulte.

Estive a reler o que escrevi aí em cima, não que seja alguma coisa de especial ou tenha conteúdo que preste ou seja novidade. Estive a reler porque me apeteceu. E cheguei a uma conclusão: num país em que dois terços dos habitantes nunca acedeu à internet, a fracção de nativos que se dedica a deambular pela B.LU.S.A. - odiosa designação para a blogosfera lusa - é tão ínfima, tão minúscula, tão rara e insignificante que constitui, por si só, uma relíquia de valor incalculável.

segunda-feira, abril 10, 2006

10 de Abril

A Coroa Espanhola correu com os corruptos da Edilidad de Marbella. Em três tempos, sem apelo nem agravo: demitidos em bloco.
A diferença de tratamento que levam os autarcas corruptos em Espanha e em Portugal é sintomática.
O facto, incontestável, de o regime espanhol ser uma monarquia e o português ser uma república não tem nada a ver. Ou terá ?

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O jogging de Sócrates na marginal de Luanda cercado de guarda costas enquanto pretendia demonstrar que não há insegurança em Angola também é sintomático. Mostra que a distância entre a compra de ouro alemão pelo governo de Salazar durante a II Guerra Mundial e a apetência negocial da classe político/empresária portuguesa da actualidade em Angola não se mede em unidades de tempo. A memória é curta. Sobretudo quando dá jeito.

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O preço do petróleo atingiu hoje em Londres novo valor record: 68 US$ por barril. Tudo porque alguém se lembrou de repetir em voz alta o que muitos pensam baixinho: a intervenção norte americana no Irão está para breve; contra o nuclear ou com ele. Mais uma vez a economia mundial refém dos senhores do petróleo. Sejam árabes ou se chamem Bush.

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Ninguém sabe quantos bombeiros existem em Portugal.
Num país cujo património natural tem sido ano após ano, consecutivamente, delapidado pelas chamas, o poder indígena encara com naturalidade o facto de o número de bombeiros, entre sapadores e voluntários dever andar à volta dos quarenta mil.
Nada de certezas.
Espantoso.

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Quando inquirido pelo jornalista da TSF sobre a ideia da criação de um partido do Papa, no rescaldo das últimas eleições em Itália, o bispo português Saraiva Martins, há mais de meio século a viver em Itália, esclareceu, para sossego dos nativos cá da terra, que não havia o menor perigo de isso acontecer. A Igreja não se envolve na política.

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A recente, e provavelmente impune, descoberta da atribuição de casas a funcionárois da câmara de Oeiras em 2003 vem na linha do primeiro post de hoje: em república, o Estado é da república.
Tem sido assim desde 1910. Até quando?

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Só para terminar: é falso que eu tenha tido as pernas coladas acima dos joelhos, como afirma a escritora Agustina Bessa Luís, tendo por isso sido incapaz de pelejar ou montar em ginete.
Isso só aconteceu quando me borrei todo na sequência duma paella feita com marisco podre, confecionada pela chefe de cozinha de minha malograda mãe. Tinha oito anos na altura e a caganeira foi fulminante. Até à próxima.


quinta-feira, março 30, 2006

Da Paridade À Força E Outros Tiques

A paridade de quotas por sexo na participação da vida política, agora com força de lei, é paternalista, anti-democrática e machista.
Passo a explicar:
Genericamente, as mulheres portuguesas com cargos públicos/políticos não se sentem descriminadas por isso. As que os ocupam fazem-no por que querem. Foi esse o caminho que escolheram, a vocação que sentiram. Os homens idem. Ninguém obrigou ninguém a coisa nenhuma. A partir do momento em que uma lei obriga ao cumprimento de quotas mínimas de participação na vida pública/política por parte das mulheres, essa lei, sendo de autoria predominantemente masculina dado que a maioria dos deputados na AR são homens, acaba por colidir com o direito inalienável de todo e qualquer cidadão seja homem ou mulher, de não querer (repito: de não querer) participar na vida pública/política do seu país. A partir do momento em que a lei obriga, a opção deixa de existir e, consequentemente, a democracia sai a perder. O argumento de José Sócrates segundo o qual se não fôr à força de lei nunca mais lá se chega (à tal almejada paridade) é mais uma demonstração da abundância de tiques pombalinos de que padece a classe política portuguesa. Mas há mais: o não reconhecimento do direito à propriedade, consagrado por escrito na última lei do arrendamento, em que demagógicamente se protegem inquilinos quando na realidade se está a endividar aos bancos gerações inteiras de portugueses obrigados à compra da primeira habitação por falta de alternativas é outra. Com a agravante de promover o crescimento desordenado das periferias dos centros urbanos, condenando-as, e aos seus habitantes, a uma existência sem qualquer tipo de qualidade de vida, transformando ciclópicas aglomerações de betão em tocas e dormitórios. Os centros urbanos, por seu lado, continuam entregues à voracidade dos bancos, companhias de seguros e grandes empresas, que disfrutam, esses sim, de espaços de qualidade a custos baixos, mercê de rendas ridículas. A resistência à descentralização efectiva, não por decreto, e o consequente despovoamento de largas áreas do território de Portugal são o resultado desse tipo de medidas que na realidade acabam por atentar contra a capacidade de mobilidade dos cidadãos, resultando num crescimento económico atrofiado e inconsequente.
A intenção do governo de querer pegar de novo no famigerado tema da regionalização à socapa, pretendendo reduzir a cinco as áreas de decisão administrativa do território sem que isso passe por uma revisão constitucional, é ainda outro exemplo de tique pombalino. A exigência histérica de um referendo-à-regionalização-outravez-já manifestada pelo PSD é o grito impotente de uma oposição hipócrita que, tendo tido de mão beijada a oportunidade de inverter o curso das coisas aquando da primeira fuga do PM (Guterres) deitou tudo a perder quando, na sequência da segunda fuga do PM (Barroso), não soube colocar os interesses reais do país acima das quezílias feudais internas tão caras a uma classe política de formação republicana e cariz oportunista.

quarta-feira, março 29, 2006

Ben' OO' Bar

Penalti ? Onde ? Lá estão vocês a reclamar do árbitro...

terça-feira, março 28, 2006

Apelo

Pelo Dragão soube disto.
A quem possa interessar e queira alinhar, aqui fica o apelo.

sábado, março 25, 2006

Histórias de encantar VIII

O meu irmão Jaime, no seu percurso alucinado a que os nossos pais eufemisticamente chamavam vida e que, segundo eles, ele devia mudar o mais depressa possível sob pena de se ver em severos apuros existenciais e, quiçá, a contas com a justiça, tinha um amigo cujo nome nem ele nem nós jamais soubemos mas que era conhecido pelo Rôsca.
O Rôsca aparecia lá em casa de vez em quando, normalmente nas vésperas de programas mais ou menos obscuros com objectivos inconfessáveis mas que eram considerados pelo meu irmão Jaime como rituais necessários à inevitável passagem à idade adulta.
Certa noite os meus pais tinham ido ao cinema e, bem depois de jantarmos, o Rôsca apareceu num estado lastimável. Parecia que tinha sido atropelado por uma enceradora a diesel, tal não era a quantidade de rasgões na roupa e feridas sangrando, tudo embrulhado num fedor nauseabundo a gasóleo e naftalina.
- Então pá? Que foi que te aconteceu? - indagou meio assustado e meio irritado o meu irmão Jaime perante a frustrante perspectiva de não ter sido convidado para mais um programa de culto viril mas simultaneamente vergonhosamente satisfeito por não ter tido que partilhar com o Rôsca violência semelhante.
- Foi há bocado..-começou o Rôsca em voz baixa.
- Fui ao armazém do outro lado da praceta, nas traseiras dos prédois, e como vi que tinham deixado a janela aberta tentei escapulir-me lá para dentro a ver se conseguia sacar alguma coisa.
Assim que pus os pés no chão ouvi uma vozinha esganiçada a dizer-me assim: "jesus está-te a ver, jesus está-te a ver".
Fui habituando os olhos à escuridão e a vozinha continuava "jesus está-te a ver, jesus estáte a ver".
- Jesus está-te a ver ?- perguntou o meu irmão Jaime aos urros, reforçando com desdém o está-te.- Jesus está a ver-te, caralho! Nem sabes falar português, meu cabrão!- rematou triunfante, ciente como estava que o facto de não ter participado em tal raid, obviamente fracassado, lhe dava um ascendente imediato sobre a condição de macho derrotado que transparecia em todo o quadro visual e auditivo apresentado pelo malogrado Rôsca.
- Olha lá ó esperto: eras tu que estavas lá?- retorquiu o Rôsca de semblante carregado.
- Caga no gajo. Continua lá a contar. - disse-lhe eu.
- Bom. Então foi assim. A certa altura consigo perceber que a vozinha vinha de dentro dum papagaio que estava empoleirado num poleiro daqueles que parecem um T, estão a ver, com uma cena de zinco em cada ponta, uma com comida numa ponta e uma com água na outra ponta e o gajo estava empoleirado, estão a ver, ao meio do T, em cima daquela merda e a dizer-me aquilo do Jesus e tal. E eu disse-lhe assim:
- Olha lá. O teu dono deve ser um grandessissimo paneleiro para chamar Jesus a um papagaio.-disse-lhe eu.
- Isso não é nome de papagaio nem é nada. E o que é que tu queres? Queres levar com esta vassoura pelos cornos abaixo?- disse-lhe eu outravez enquanto agarrava numa vassoura que estava ali ao pé. E vai o papagaio e vira-se para mim e diz:
- Não me chamo Jesus. Chamo-me Jacob. Jesus é como o meu dono chama ao rottweiler que está deitado aí atrás de ti.
- A próxima coisa que me lembro é de estar a tocar à campainha da vossa porta.

Parabéns

A O Pasquim da Reacção, pilotado pelo Corcunda, e a O Micróbio II, metamorfose bioesférica de O Micróbio.
Pelos respectivos aniversários, na semana que hoje acaba.

sexta-feira, março 24, 2006

Fogos 2006


Há dois dias a televisão noticiava, com pompa e circunstância, as medidas que o governo adoptou para o combate aos incêndios na open season que se avizinha. A mobilização da GNR em grupos helitransportados não me pareceu má ideia. Tem algumas semelhanças com a abordagem que as autoridades andaluzas fizeram do problema, como eu referi aqui. No entanto, a "passagem de comando após a primeira intervenção" cheira a desmultiplicação de esforços e à diluição de responsabilidades, correndo-se o risco dispensável de mais uma abordagem ineficaz do problema. Mais uma vez.
No Público de hoje podia ler-se que o grande objectivo do governo, com o inevitável recurso a um "sobressalto cívico", consiste na redução, até 2007, da depredação resultante do flagelo anual de incêndios em Portugal para a espantosa cifra de cem mil hectares de Portugal ardido/ano (?).
É pouco ambicioso, e é pena. A instalação de postos de vigia, munidos de câmaras de vigilância e a sua articulação com a utilização instantânea de brigadas de intervenção rápida helitransportadas constituídas por profissionais exclusivamente treinados para o efeito seria um meio eficaz para se conseguir o objectivo: a erradicação do flagelo incendiário em definitivo.
A solução adoptada na Andaluzia é eficaz há mais de doze anos.
Por cá continua-se a inventar a roda.
Definitivamente, a postura perante o património das duas nações da Península Ibérica é consequência da diferente na leitura que os regimes políticos dele fazem. Eficazmente defendido em monarquia. Displicentemente abandonado em república.
Os factos falam por si.

sábado, março 18, 2006

Os Blogs E Isso

De vez em quando analiso a coisa. Reflicto. Penso. Etc.
Isto dos Blogs por exemplo. Os que escrevem e o que lêem. Confesso que tenho negligenciado de forma imperdoável a assiduidade dos que vêm cá a casa e se dão ao trabalho de lerem/verem o que por cá se vai escrevendo/fazendo. O caso mais recente de Barragem foi O Espectro. Fulminante como um raio que parta o que lhe apeteça, O Espectro apareceu disse e foi-se.
Com ele arrastou aproximadamente 15.345 comentários em qualquer coisa como dois meses, facto suficiente para deixar um Abrupto saudável numa caganeira quinzenal.
Os Blogs indígenas são de extremos.
Referi O Espectro como Barragem a propósito de um post do Dragão que referia o serviço comunitário prestado por tais Blogs que, fruto do seu inoxidável desempenho, das cascatas de luz emergentes da omnisapiência dos seus autores, filtravam naturalmente a blogosfera purificando-a dos lixos e dejectos que, sem a sua presença, dariam inevitavelmente à costa de Blogs decentes e equilibrados como o ar. Como o Atmosfera. E outros. Esses Blogs, como o Murcon, o Abrupto e outros, desempenhavam o papel de rins cibernáuticos, autênticos fígados virtuais, contribuindo para uma Blogosfera saudável e desvampirizada.
Amanhã faço os links. Hoje não me apetece. É 6ªfeira e a Sancha está cheia de saudades minhas.

sexta-feira, março 17, 2006

Conivências

Perante os impropérios, diatribes, insultos e básica falta de educação de grande parte dos deputados regionais do PSD-Madeira e do seu líder Alberto João Jardim, o PSD e o Poder Central só têm duas posções possíveis: a condenação ou a conivência. Dado o lapso longo de tempo em que vêm decorrendo as degradantes cenas protagonizadas por essa gentalha sem que medida alguma tenha sido tomada para combater a situação é legítimo considerar que se optou pela conivência. E tudo isso sob o estandarte da República.

Propaganda

Provavelmente no próximo Dia Mundial da Árvore o governo da República fará anunciar, com pompa e circunstância, a plantação de cerca de 100.000 (cem mil) árvores. Bestial, dirá o povo, contente com o seu governo. Cem mil árvores é muita árvore carago! (*)

(*) Cem mil árvores reflorestarão cerca de 100 ha (Cem hectares).
Só no ano passado arderam em Portugal mais de 300.000 ha (Trezentos mil hectares).
Uma gota de esperança num oceano de trapalhice?

quinta-feira, março 16, 2006

quarta-feira, março 08, 2006

Hoje Fui Benfiquista

- I do beg your pardon...

Or how to shut up forty five thousand jerks at their own playground.

Parabéns Benfica!


terça-feira, março 07, 2006

Todos Diferentes, Todos Iguais

Há uns anos atrás, Prado Coelho e Boaventura Sousa Santos davam as mãos em ataques alternados a Maria Filomena Mónica no Público.
Esta semana Vasco Pulido Valente, de mãos postas porque não tem a quem as dar, ataca Clara Ferreira Alves pelo que escreveu na última ÚNICA, do Expresso.
De facto, a misogenia não tem cor. Mas cheira mal.

sábado, março 04, 2006

Dos Tempos Que Correm





Algumas mercearias do III milénio, como o Carrefour, e retrosarias sofisticadas como a Bershka, cada uma por razões diferentes, sentiram necessidade de intervir na forma de fazer marketing para não só não hostilizar os



seguidores do Islão, como também para criar uma onda de simpatia para com os seus produtos. A pressão do dinheiro, a contagem de tostões, o desejo de bons negócios leva a repensar o marketing, a justificar boicotes por parte de grupos económicos europeus aos produtos de países membros da Europa comunitária.

Segundo li aqui, as autoridades do Dubai não gostaram da imagem que a Bershka usou para publicitar a sua campanha para 2006. A Bershka alterou a imagem nas 368 lojas que detém no mundo inteiro, pedindo desculpas pelo acontecido.

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A Carrefour, por seu lado, publicita orgulhosamente no Egipto o seu boicote aos produtos dinamarqueses.
O políticamente correcto é sempre bom para o negócio. Seja ele a venda de trapos ou hortaliça.
É indiferente que o boicote da Carrefour se limite ao interior das fronteiras de países islâmicos; a hipocrisia será sempre politicamente correcta e, por isso, benvinda; enquanto o Ocidente precisar de petróleo e o petróleo estiver onde está, os pedidos de desculpa serão os que forem precisos, e a lambujice subserviente dos que, de parte a parte, dele precisam para manter o poder será omnipresente.
O resto é conversa.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Brinca, brinca...

"Ele dizia de Barroso o que Maomé não diz do toucinho".

Isaltino de Morais sobre Marques Mendes, em entrevista ao Jornal de Notícias de hoje.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Rome

Daqui a meia hora. Na 2.

O Insurgente


Ao Insurgente.
Um blog que faz um ano, mas que eu pensei que fosse muito mais antigo. De séculos.
Parabéns, pelas insurgências, pelas palavras and the awareness.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

A República no seu "melhor"

A atribuição de quotas em alternativa à meritocracia sempre me pareceu de uma injustiça extrema. Seja o caso das mulheres em cargos públicos seja o da avaliação de desempenhos no marasmo indígena que comodamente se acoita na administração pública.
O Governo da República portuguesa resolveu estipular que, no vasto e extenso oceano pútrido da incompetência nativa, deveria ser estipulada uma quota mínima e obrigatória de 25% (vinte e cinco por cento) em excelência de desempenho. Ou seja, numa sala com cem funcionários públicos, vinte e cinco deles são obrigatoriamente, por força de lei portanto, excelentes. Nada mais errado. Em primeiro lugar porque jamais se conseguiria aglutinar tamanha quantidade de asneiras numa sala só. No máximo dos máximos oitenta e três. E isto porque ou estavam doentes uns, ou tinham ido tomar a bica outros ou estavam na casinha, ou tinham ido buscar o tabaco ao carro, ou tinham sido chamados pela chefia, ou estavam a comer a Francelina das cópias no economato. Uma impossibilidade técnica, essa dos tais 25%.
No entanto, ao que consta, o Conselho Superior de Magistratura atribuiu no Verão passado o qualificativo de excelente desempenho a 95% dos juízes. 95% meus amigos. É obra!
Portugal tem assim o maior ratio de excelentes juízes por m2 de justiça. Só igualado pelo ratio de campos de golfe por m2 de terra queimada.
O critério da atribuição arbitrária de quotas, seja qual for o número e área em que seja aplicado, não é critério coisa nenhuma. É uma desculpa esfarrapada de incompetentes e, por isso, natural e endemicamente incapazes de avaliar o que desconhecem por completo: competência.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

O Guerra

Era velho e tinha barbas grandes. Diziam que tinha lido a Bíblia de uma vez só e que, depois disso, tinha fugido para a serra da Jordana e por lá ficara, enjaulado em monólogos, pasto do silêncio e a comer o que apanhava. Gafanhotos, diziam. Um ano ou dois, pelo menos. Sozinho como um profeta.Um ermita.
Depois desceu da serra e apareceu lá no Monte.
O Guerra andava curvado, a empurrar um carrinho de mão encarnado com quatro argolas onde levava bilhas de alumínio com leite lá dentro. Não falava. Usava um chapéu de feltro castanho sujo, umas calças de fazenda cinzentas grossas e olhava para nós lá de cima, sem falar, com uns olhos que, diziam, metiam medo. Depois ia-se embora, curvado, a arrastar as botas curtas na poeira do chão. Um dia morreu. Ninguém sabe quando.

Interlúdio

-Mas porque é que escreves isso?
-Eu escrevo isto porque me apetece escrever o que me apetece, que é o que escrevo quando escrevo isto.
-Egoísta.

Histórias de encantar VIII

Numa tasca à tarde, no largo de uma aldeia alentejana, um velho enrola-se e esfrega as mãos em volta dos cotovelos nus encostado ao balcão.
- Mais um...!- urrou para a porta escura entreaberta na parte detrás do balcão. Outro velho menos velho que o primeiro assomou-se à porta e disse:
- Pôceras ti Jaquim! Vomecê hoje tá danado! Olhe que ainda tem que ir para casa e da maneira que está despachando bagaços tem que ter cuidado. É o quarto e último!
- Cala-te e avia-me mas é...- rosnou o velho enquanto insistia em retirar um estreitíssimo Definitivos do maço encardido e amachucado. -...que esta vida é uma puta e um gajo tem que se arrimar a ela enquanto tiver tesão. Depois acabou-se!
- Atão mas diga lá o que se passa, homem! Vomecê sempre bem disposto e agora anda para aí com uma cara que até parece sei lá o quê.
- Eh pá. É a nha Maria, pôceras. Já não me consigo chegar a ela a tempo. As mais das vezes quando estamos no campo e sinto vir aquela febre que dá vontade de agarrá-la toda e deitá-la ao chão, tás a perceber, quando a chamo e ela vem ter comigo já a puta da tesão se me foi.
- Mas olha que isso tem remédio.- ouviu-se dizer do fundo mais escuro da tasca.
Ti Jaquim rodou lentamente o corpo franzindo a fronha e prescrutando o ar carregado de cheiros vários e aromas abrangentes que iam do presunto no fumeiro às cebolas passando pelo tabaco, álcool, suor, merda, e ervas de cheiro de onde se destacavam os orégãos.
- Agarras na espingarda e combinas c'a m'lher que quando ela ouvir um tiro está na hora. Verás vê-la aos saltos e cangochas por essas arceadas de saias arregaçadas na pressa de ir ter contigo.
Ti Jaquim ergueu o copo na direcção da voz e tragou o quarto e último bagaço. - Não é tarde nem é cedo. Vou-me embora que amanhã é outro dia.
O tempo foi passando e Ti Jaquim tardava em aparecer, ocupado como andava aos tiros pr'ó ar na caça da sua Maria.
O Outono chegou à tasca e com ele o Ti Jaquim.
- Avia-me um penalte de bagaço e é para já!- vociferou batendo com força com a palma da mão esquerda no balcão.
- Eh pá, ó Jaquim! Então agora é todo duma vez por modos dos que não bebeste, não? E a Ti Maria? Tá boazinha de sal ou nem por isso?
- Atão e não é que a coisa resultou mesmo? - respondeu o velho. -Havia dias que me deitava sem ceia, tão derreado que ficava.
- Atão e agora? acabaram-se a pilhas?
-Não pôrra! A gaita é que abriu a caça, tás a perceber? e o raio da m'lher não pára em casa!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

E agora uma coisa completamente diferente

O escritor australiano Patrick Wilcken falou do seu último livro Império à deriva no programa Pessoal e...transmissível transmitido no passado dia 8 de Fevereiro na TSF. O livro relata-nos os acontecimentos que ocorreram na altura da partida da família real portuguesa para o Brasil em 1808 e no seu regresso em 1821, 13 anos depois. Um dos episódios relatados foi o da carradinha de piolhos que infestou o barco onde viajava D. Carlota Joaquina acabando a Raínha e suas acompanhantes por desembarcarem em S. Salvador da Bahia com as cabeças completamente rapadas. Para além do facto assaz relevante, mas nem por isso abonatório, de se tratar do primeiro desembarque conhecido de skinheads em terras de Vera Cruz, o que tornou o acontecimento inesquecível é o facto de o traje das Baianas conservar até aos nossos dias um pequeno, mas determinante, apontamento que evoca esses tempos de outrora: o lenço na cabeça. Bom fim de semana.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

O Barril No Horizonte II


Blues inspirado na barba esférica que diáriamente parasita o PÚBLICO e que (se) assina Eduardo Prado Coelho:

É sempre com cautelas de ourives que aborda temas da actualidade. Temas e assuntos que ainda não tiveram tempo para se tornarem objecto de estudo por parte de intelectuais de renome. Franceses, de preferência.
Enquanto espera dispersa-se.
Ora se socorre de lucubrações melancólicas que o saudosismo lhe suscita, ora salta para o terreiro brandindo a pena em defesa do indefensável.
Mas a tentação da abordagem pessoal está lá! Pequenina, nervosa, inquieta.
Ineficaz mas exigente; a dúvida metódica: O que será uma caricatura? Interroga-se inquieto, na edição do PÚBLICO de hoje, fremente, ansioso.
Enquanto as doutas frases dos provectos sábios e intelectuais, franceses de preferência, não são publicadas, traduzidas comentadas e criticadas, ao dispôr do vácuo voraz da sua mente oca, para prontamente serem sugadas para o interior do vazio escuro que é a sua caixa craniana, ele disserta. Ensimesma-se. Interroga-se. Arrisca-se a responder. É legítimo caricaturar o sagrado? Questiona angustiado para logo responder. Choque de culturas, afirma Prado.
De um lado Maomé e a realidade religiosa. Do outro a cultura ocidental, que vai além de todos os valores e é cada vez mais um universo onde tudo é possível e estamos à mercê da deriva sem limites (sic).
Com a delicadeza relojoeira de um “gourmand” a dissecar acepipes milimétricos, o espesso e barbudo barril opina, diz, escreve, sugere, impõe, massacra, desdenha, elogia, regurgita enfim enfastiado aquilo que acha por bem pendurar do seu nome.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Reflexões

Tenho para mim que grande parte das razões, causas e consequências dos males que abundam por este Reino afora, e fora dele, se devem à entrega do poder nas mãos da Estupidez, da Ignorância e da Teimosia. A Estupidez, mais do que ausência de inteligência, caracteriza-se pela glorificação do absurdo, defesa intransigente do autismo pavloviano e total incapacidade de reconhecimento de alternativas. A Ignorância, alcandorada a condição divina e repetidas vezes rebaptizada de Inocência, manifesta-se pela ausência total de qualquer fragmento de conhecimento e consequente incapacidade de reflexão sobre a existência, suas razões e objectivos.
A Teimosia, sendo a mais básica de todas, não é a menos maléfica. Perante a falta de lógica da Estupidez e a ausência de conhecimentos da Ignorância, reduz as razões da existência a meros Porque Sim ou Porque Não, ciente que está da inutilidade argumentativa face ao statuos quo diáriamente comprovado da vida como algo que não vale a pena entender porque as coisas são como são, assim como são, desde sempre e ad eternum.


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Há muito que se sabe que o fundamentalismo (político e/ou religioso) se caracteriza pela total ausência de sentido de humor. Há três ou quatro anos atrás na sequência da última Intifada em Israel, a Autoridade Palestiniana apresentou queixa formal das autoridades Israelitas, nomeadamente da Mossad, por estarem alegadamente por detrás de uma campanha de anedotas, chistes e piadas que tinham como principal objectivo denegrir e ridicularizar os activistas palestinianos, nomeadamente o seu líder, Arafat. Umas das anedotas referia o pedido que fora feito ao líder palestino pelas autoridades israelitas no sentido de instruir os seus seguidores para estarem quietos e não prosseguirem na Intifada, ao que o líder palestiniano terá respondido "Eu ? Pois se eu nem os meus beiços consigo manter quietos..."

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A recente polémica levantada pelos cartoons de Maomé deve-se, entre outras razões, à simultaneidade da coisa. Ao aparecer em diferentes publicações europeias, em diferentes países e ao mesmo tempo, terá tido a aparência de uma conspiração ocidental concertada para desacreditar e ridicularizar a religião islâmica. A reacção dos fundamentalistas islâmicos (religiosos e políticos) não se fez esperar. A ausência de sentido de humor, e a célebre postura de que "Com Coisas Sérias Não Se Brinca" pretende trazer para primeiro plano a seriedade de conceitos como a legitimidade de chacinar inocentes em nome da fé e a presença expectante de 70 virgens no céu para cada muçulmano mártir, relegando como pouco sérios assuntos como a paridade sexual, a liberdade de expressão e de religião.
Não me lembro de ter havido ruído comparável na Europa quando os Monty Python produziram, realizaram e levaram a um cinema perto de si "A Vida de Brian".



terça-feira, janeiro 31, 2006

O Regicídio


Esta é a primeira imagem que surge no Google (pt) quando se pesquisam imagens sobre regicídio.
É uma ilustração de um cromo, feita por Carlos Alberto, e que pertence à colecção História de Portugal.
Podia ser a "Heróis Lendários", "Epopeia do Oeste", "Branca de Neve" ou outra coisa qualquer. É triste. Reuzidos a uma colecção de cromos.
Amanhã será descerrada uma lápide no Terreiro do Paço assinalando o evento. Noventa e oito anos depois, a República digna-se reconhecer a importância da tagédia que aconteceu nessa manhã de 1 de Fevereiro de 1908 e que enlutou Portugal. Até hoje. Noventa e oito anos depois.
Incapaz de ganharem as eleições que estavam marcadas para Maio desse ano ( os 7% que o Partido Republicano vinha conseguindo nas urnas era manifestamente insuficiente à criação de massa crítica necessária para implementar as reformas que, achava, deviam ser tomadas em Portugal) os republicanos optaram pela solução radical.
Todos sabemos o que isso significou. Soluções radicais não faltaram nos anos subsequentes. De Estaline a Hitler.
Até hoje, noventa e oito anos depois.
VIVA O REI, CARAGO!



segunda-feira, janeiro 30, 2006

A República Em Debate

Ontem morreu O Eleito. Assim foi designado o blog arespublicaemdebate.blogspot.com
Notabilizou-se ao criar um espaço de debate, de troca de ideias e opiniões de discussão, tendo inclusive sido "eleito" pela revista Visão como o blogue sobre as presidenciais mais isento da blogosfera.
Pela iniciativa da sua criação e pelo espaço que ocupou na B.L.U.S.A. (blogosfera lusa) estão os seus proprietários, e também os seus colaboradores, de parabéns. Eu inclusive, claro.
No entanto a coisa(*) não pára, e a vontade de lhe zurzir ainda menos.
A República tem agora dois Presidentes. Portugal tem agora dois chefes de Estado. Como se não bastasse o pouco à vontade com que Presidentes e Palácios se têm entendido ao longo destes 96 anos, multiplicaram o problema por dois. Um em Belém e outro em Queluz.
Os Dr (ou seja Dons da República) que nada têm de aristocrático dispõem de dois Palácios para o exercício das suas superiores funções.
O ideal republicano é aqui mais uma vez contradito pela prática.
Extraordinário.
Lá diz o povo: Quem desdenha quer comprar.

(*)
República
do Lat. re + publica, coisa pública

s. f., negócios públicos;
regime em que que se tem em vista o interesse geral de todos os cidadãos e em que o Chefe de Estado é eleito, exercendo um mandato temporário;
esc., conjunto de estudantes que vivem em comum;
deprec., fig., anarquia;
agremiação sem chefe e sem disciplina.
(Definição do Priberam - Dicionário online)





A Promessa

Por tu graal saúda a promessa da chegada de VPV à blogosfera via O Espectro.
Nada ficará como dantes. De certeza. Agarrem-se às amuradas, ó dragões, tripulantes de Abruptos, evolucionistas e quejandos, pois que se adivinham impiedosas abordagens, tinir de sabres e saques vários.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!