O 4º segredo de Fátima.
Foi o apuramento do Sporting para a fase seguinte da Taça de Portugal, eufemisticamente apelidada de Taça da Liga, em linguagem própria de casa de alterne.
O Cartel falhado.
Protagonizado por Miguel Sousa Tavares e Vasco Pulido Valente em torno da incultura de um e do misantropismo de outro. Mais uma oportunidade perdida para a montagem de um grande negócio de que ambos poderiam sair ganhadores caso a recente disputa in Expresso e TSF tivesse sido previamente acertada entre eles em termos de alavancagem para a venda dos respectivos produtos literários, como se diz nos dias que correm. A acompanhar nas cenas dos próximos capítulos.
Falta de Estudos.
Alegava o ministro Lino para defender a OTA como única possibilidade aeroportuária face à ausência de alternativas devidamente documentadas. Agora há um, com a participação do Joe Berardo, dos estudantes de ecologia e contando com a cooperação de cegonhas, morcegos e outros pássaros. Com o beneplácito da bicharada, em resumo. É só comparar, decidir e pagar o preço. Político, bem entendido.
quarta-feira, outubro 31, 2007
quarta-feira, outubro 10, 2007
O centenário
A nomenklatura republicana nativa deveria estar empenhada em angariar festejos para o centenário que se aproxima. Mesmo que pouco, mas deveria. Por uma questão de princípio. Talvez daqui a três anos consiga assim reunir algumas dezenas de "manifestantes espontâneos" que, de alguma forma, seja a fazerem o pino, às cambalhotas e piruetas (em que se doutoraram ao longo dos anos), a vender sandes e cerveja ou em paradas proto vanguardistas devidamente acolitados por artistas subsídio-dependentes e a omnipresente chusma de parasitas, consiga substituir a patética presença dos oito ou doze calimeros que se juntam a cinco de Outubro, na praça de município, a bater palmas ao presidente da câmara de Lisboa. Qualquer que seja.
Aliás um dos motivos que contribuem de forma significativa para a grande quantidade de candidatos à presidência da Câmara de Lisboa sempre que há eleições é, precisamente, o aplauso anual que recebem por ocasião das comemorações do 5 de Outubro de 1910, independentemente de terem feito o que quer que seja no seu mandato.
Depois há que contar com os desfiles, militares por certo, e outros. Já agora atrevo-me a propor o mare nostrum, a outrora Doca dos Olivais, para servir de cenário à parada de submarinos, fragatas e helicóteros. A Guarda Republicana, entre outras actividades lúdico-educativas, poderia enrolar e embrulhar as ruas e estradas de todo o Reino, com aquela fita de plástico às riscas encarnadas e brancas com que se têm treinado com afinco nas recepções feitas a cada saída do 1º ministro rumo ao Portugal real. Em seguida viriam as figuras governantes de tesoura em punho cortando as ditas fitas sob ensurdecedores aplausos pré-gravados e transmitidos em directo, inaugurando os próximos cem anos de anedotário.
Aliás um dos motivos que contribuem de forma significativa para a grande quantidade de candidatos à presidência da Câmara de Lisboa sempre que há eleições é, precisamente, o aplauso anual que recebem por ocasião das comemorações do 5 de Outubro de 1910, independentemente de terem feito o que quer que seja no seu mandato.
Depois há que contar com os desfiles, militares por certo, e outros. Já agora atrevo-me a propor o mare nostrum, a outrora Doca dos Olivais, para servir de cenário à parada de submarinos, fragatas e helicóteros. A Guarda Republicana, entre outras actividades lúdico-educativas, poderia enrolar e embrulhar as ruas e estradas de todo o Reino, com aquela fita de plástico às riscas encarnadas e brancas com que se têm treinado com afinco nas recepções feitas a cada saída do 1º ministro rumo ao Portugal real. Em seguida viriam as figuras governantes de tesoura em punho cortando as ditas fitas sob ensurdecedores aplausos pré-gravados e transmitidos em directo, inaugurando os próximos cem anos de anedotário.
sexta-feira, outubro 05, 2007
segunda-feira, setembro 24, 2007
Reclamações
Há-as por todo o lado. Até aqui, ao Terreiro, chegam algumas. Do tipo:
"Já vi o blog há três dias e o que vejo agora é o mesmo. Pouca coisa. Sempre o mesmo"
Foi o FN hoje a reclamar de viva voz. E eu a dizer-lhe "Chiu!" que é como quem diz que se isto de blogs não é coisa séria, o anonimato é-o de certeza. Em vão. Digo-lhe:
- Vá lendo os posts anteriores. Há coisas escritas que, de certeza, ainda não leu.
- Na. Já li tudo. Ainda por cima não há contador de visitas e os comentários ao que foi escrito são parcos, se não inexistentes.
- Não há tempo.- respondo-lhe
Enfim. Um fiasco este blog.
Um dia destes fecho a porta.
Não por falta de assunto (escrevo enquanto imagino a cara de espanto do Ministro Lino indignado com a insinuação de um qualquer pagamento a título de indemnização à Lusoponte caso seja construída nova ponte-sobre-o-tejo fora da sua alçada tributária) ou a indignação de Louçã, três vezes manifestada e três vezes contestada pelo governo, num esforço hercúleo que demonstre quão errado estava Vasco Pulido Valente ao prever a aliança táctica entre PS e BE para as legislativas de 2009. Sim, porque no que diz respeito à Câmara de Lisboa a marmelada é obscena.
Mas o pagode continua.
O Dailai Lama (Cavaco dixit) passou por cá e agitou as águas, o que teve como consequência a intranquilização das hostes indígenas e consequente introspecção pavloviana sobre o políticamente correcto de abrir os curros do reino a Robert Mugabe, para além da proibição "imposta" pela CE. Just Gordon (not flash) já disse: ou ele ou eu. Amado respondeu que já sabia.
E nós por cá? Tudo bem. Haja quem grite "Ai Timor"...
Obras são uma chatice. Mas sobre isso falo depois.
Para não falar das chamadas, óbviamente de valor acrescentado, que a PT cobra para quem quiser "ajudar" a maternidade Alfredo da Costa a juntar verbas que lhe permitam satisfazer a procura. É extraordinário.
Ao mesmo tempo o estádio do Algarve apodrece à mercê de varejeiras e ameijoas anfíbias.
O que é isto senão a república no seu melhor ?
"Já vi o blog há três dias e o que vejo agora é o mesmo. Pouca coisa. Sempre o mesmo"
Foi o FN hoje a reclamar de viva voz. E eu a dizer-lhe "Chiu!" que é como quem diz que se isto de blogs não é coisa séria, o anonimato é-o de certeza. Em vão. Digo-lhe:
- Vá lendo os posts anteriores. Há coisas escritas que, de certeza, ainda não leu.
- Na. Já li tudo. Ainda por cima não há contador de visitas e os comentários ao que foi escrito são parcos, se não inexistentes.
- Não há tempo.- respondo-lhe
Enfim. Um fiasco este blog.
Um dia destes fecho a porta.
Não por falta de assunto (escrevo enquanto imagino a cara de espanto do Ministro Lino indignado com a insinuação de um qualquer pagamento a título de indemnização à Lusoponte caso seja construída nova ponte-sobre-o-tejo fora da sua alçada tributária) ou a indignação de Louçã, três vezes manifestada e três vezes contestada pelo governo, num esforço hercúleo que demonstre quão errado estava Vasco Pulido Valente ao prever a aliança táctica entre PS e BE para as legislativas de 2009. Sim, porque no que diz respeito à Câmara de Lisboa a marmelada é obscena.
Mas o pagode continua.
O Dailai Lama (Cavaco dixit) passou por cá e agitou as águas, o que teve como consequência a intranquilização das hostes indígenas e consequente introspecção pavloviana sobre o políticamente correcto de abrir os curros do reino a Robert Mugabe, para além da proibição "imposta" pela CE. Just Gordon (not flash) já disse: ou ele ou eu. Amado respondeu que já sabia.
E nós por cá? Tudo bem. Haja quem grite "Ai Timor"...
Obras são uma chatice. Mas sobre isso falo depois.
Para não falar das chamadas, óbviamente de valor acrescentado, que a PT cobra para quem quiser "ajudar" a maternidade Alfredo da Costa a juntar verbas que lhe permitam satisfazer a procura. É extraordinário.
Ao mesmo tempo o estádio do Algarve apodrece à mercê de varejeiras e ameijoas anfíbias.
O que é isto senão a república no seu melhor ?
quarta-feira, setembro 19, 2007
O castigo
Sem ter como provado o envolvimento de Aquilino Ribeiro no assassinato d'El Rei Dom Carlos, a república espetou com as sua sobras físicas no Panteão Nacional.
Inuteis os protestos das ossadas "não! para aqui não! por favor! não merecemos tal desfeita!".
O castigo tardou mas veio.
Não lhes bastava apagar o que escreveu, retirando-o das bancas das escolas (com amianto e tudo). Até mesmo no tempo do Botas alguns dos seus escritos figuravam nos livros de Língua Portuguesa, essa espécie de víscera atrevida e incómoda para tanta gente.
Quando os lobos uivam, a carneirada assusta-se.
À república o que é da república.
Ámen.
Inuteis os protestos das ossadas "não! para aqui não! por favor! não merecemos tal desfeita!".
O castigo tardou mas veio.
Não lhes bastava apagar o que escreveu, retirando-o das bancas das escolas (com amianto e tudo). Até mesmo no tempo do Botas alguns dos seus escritos figuravam nos livros de Língua Portuguesa, essa espécie de víscera atrevida e incómoda para tanta gente.
Quando os lobos uivam, a carneirada assusta-se.
À república o que é da república.
Ámen.
quarta-feira, setembro 12, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
Acasos
A segunda vinda do Dalai Lama a Portugal volta a incomodar a nomenklatura republicana indígena.
Se da primeira vez se conseguiu forjar um encontro ao acaso entre o então PR e o Tibetano num Centro Cultural qualquer, num mercado ou coisa do género, à laia de "Olhem quem está aqui! Então não é que é o Dalai Lama" (terá dito Jorge Sampaio com ar estupefacto como se acabasse de dar de caras com o Papa a petiscar ovas de polvo na tasca de Cacela).
Desta vez poderia criar-se uma coincidência ainda mais elaborada, na linha da espectacular demolição das torres de Tróia (diz que Sócrates ainda está convencido de que foi mesmo ele que mandou aquilo tudo abaixo). Por exemplo num campo de milho transgénico, ou na banca do Público no Centro Comercial Colombo. Passaria a ser um costume que, a ser praticado com regularidade, poderia catapultar ainda mais a imagem de Portugal para os píncaros do mundo, local de onde se avista o Everest com dificuldade quando se olha para baixo.
Transmissões em directo pela Sky News e CNN a descabelarem-se desesperada e mutuamente na disputa dos melhores ângulos. A Betandwin lançando apostas sobre quais os locais mais prováveis para mais um extraordinário encontro casual entre os representantes da república portuguesa e o Dalai Lama que, já se tendo apercebido do potencial da coisa há muito tempo, não pára de sorrir quando cá vem, contendo-se a custo para não desatar às gargalhadas.
Se da primeira vez se conseguiu forjar um encontro ao acaso entre o então PR e o Tibetano num Centro Cultural qualquer, num mercado ou coisa do género, à laia de "Olhem quem está aqui! Então não é que é o Dalai Lama" (terá dito Jorge Sampaio com ar estupefacto como se acabasse de dar de caras com o Papa a petiscar ovas de polvo na tasca de Cacela).
Desta vez poderia criar-se uma coincidência ainda mais elaborada, na linha da espectacular demolição das torres de Tróia (diz que Sócrates ainda está convencido de que foi mesmo ele que mandou aquilo tudo abaixo). Por exemplo num campo de milho transgénico, ou na banca do Público no Centro Comercial Colombo. Passaria a ser um costume que, a ser praticado com regularidade, poderia catapultar ainda mais a imagem de Portugal para os píncaros do mundo, local de onde se avista o Everest com dificuldade quando se olha para baixo.
Transmissões em directo pela Sky News e CNN a descabelarem-se desesperada e mutuamente na disputa dos melhores ângulos. A Betandwin lançando apostas sobre quais os locais mais prováveis para mais um extraordinário encontro casual entre os representantes da república portuguesa e o Dalai Lama que, já se tendo apercebido do potencial da coisa há muito tempo, não pára de sorrir quando cá vem, contendo-se a custo para não desatar às gargalhadas.
sábado, agosto 25, 2007
Verão
A par do fenómeno sazonal dos incêndios, já devidamente interiorizado no modus operandi nativo como sendo inevitável e requerendo cada vez mais meios num crescendo de complexidade imparável, este Verão vem presenciando um novo fenómeno que consiste nos assaltos de Verão.
Desde o assalto e destruição de milho transgénico em Silves à vandalização de descrições na wikipédia, esta nova modalidade vai certamente ganhando adeptos entre os lusígenes, criaturas resultantes da manipulação genética de lusitanos e aborígenes.
Para quem gosta de ver o céu preto polvilhado de astros vários nas noites quentes de Verão, o Stellarium e a nova versão do Google Earth oferecem de borla guias estelares que após descarregados ajudam a interpretar o que se vê de noite quando se olha para o ar, sem nada que fazer. Ajudam, por exemplo, a distinguir entre Constelações e Galáxias, pelo que os recomendo vivamente à Clara Ferreira Alves antes de se espraiar a escrever disparates como os que foram publicados na Única do Expresso numa semana passada, por exemplo.
Uma das grandes vantagens do Algarve em Agosto é poder-se visitar, nas calmas e sossegadamente, o IKEA de Alfragide. Até os berros das criancinhas estão ausentes, enxameando como estão os restaurantes do sul, para castigo dos pais delas e dos das outras que berram ao lado delas.
Quanto ao de Matosinhos, não sei.
Desde o assalto e destruição de milho transgénico em Silves à vandalização de descrições na wikipédia, esta nova modalidade vai certamente ganhando adeptos entre os lusígenes, criaturas resultantes da manipulação genética de lusitanos e aborígenes.
Para quem gosta de ver o céu preto polvilhado de astros vários nas noites quentes de Verão, o Stellarium e a nova versão do Google Earth oferecem de borla guias estelares que após descarregados ajudam a interpretar o que se vê de noite quando se olha para o ar, sem nada que fazer. Ajudam, por exemplo, a distinguir entre Constelações e Galáxias, pelo que os recomendo vivamente à Clara Ferreira Alves antes de se espraiar a escrever disparates como os que foram publicados na Única do Expresso numa semana passada, por exemplo.
Uma das grandes vantagens do Algarve em Agosto é poder-se visitar, nas calmas e sossegadamente, o IKEA de Alfragide. Até os berros das criancinhas estão ausentes, enxameando como estão os restaurantes do sul, para castigo dos pais delas e dos das outras que berram ao lado delas.
Quanto ao de Matosinhos, não sei.
Canícula
Quando era puto, o Alentejo era enorme no Verão. Era impensável percorrê-lo de bicicleta, e o próprio acto de imaginar isso adquiria foros de arrogância indesculpável. Isso era só para os tipos da Volta, uma seita de alienígenas que viviam em tocas o ano todo e que, de repente no Verão, enquanto toda a gente ia para a praia deixando Lisboa entregue aos pombos, desatavam a pedalar furiosamente Lusitânia fora envergando camisolas de clubes de que nunca se ouvia falar durante o resto do ano como Flandria, Sangalhos, Caves Messias, e o camandro.
Sempre que se mencionava um episódio de doping nas equipas do Benfica ou do Sporting a culpa era normalmente da mistela inclusa no Sumol ou na Laranjina "C" oferecidas, invariávelmente por adeptos do Sangalhos, aos corredores durante a prova.
Ininterruptamente perseguidos por enxames de veículos atestados de ébrios e cravejados de componentes velocipédicos, amavelmente acompanhados por escolta motorizada da GNR, circulavam a velocidades inconcebíveis atingindo mais de 120 km por hora na descida de algumas serras em várias ocasiões. Este fenómeno, entusiásticamente emoldurado no percurso por hordas de apoiantes indefectíveis, de fato de banho à borda da estrada, aproveitando o acontecimento, o local e o momento para soltarem os impropérios que lhes dessem na real gana mandando tudo para o caralho enquanto batiam palmas convencendo toda a gente que apoiavam os corredores, merecia honras de abertura no Telejornal a preto e branco, anunciado por um batedor de ovos que nunca entendi porque aparecia. Os lugares na primeira fila, perto das meta que se sucediam no final de cada etapa, eram os mais disputados visto serem os melhores para a prática do afinfar-cachação a eito e a preceito no lombo, ou onde calhasse, dos ciclistas en passant, à laia de empurrão, saudação ou incentivo.
Era por esta altura que o céu abrasador do Alentejo se cobria de nuvens e que caía uma chuva miudinha que fazia saltar para o ar o cheiro da terra com toda a força. As voltas à Casa Pequena na Vilar azul requeriam novas manobras de perícia acrescida tendo o piso adquirido vida e feitio próprios, tornado escorregadio e ganhando sulcos que se enchiam depressa com água cor de galão.
Era a canícula, diziam.
Sempre que se mencionava um episódio de doping nas equipas do Benfica ou do Sporting a culpa era normalmente da mistela inclusa no Sumol ou na Laranjina "C" oferecidas, invariávelmente por adeptos do Sangalhos, aos corredores durante a prova.
Ininterruptamente perseguidos por enxames de veículos atestados de ébrios e cravejados de componentes velocipédicos, amavelmente acompanhados por escolta motorizada da GNR, circulavam a velocidades inconcebíveis atingindo mais de 120 km por hora na descida de algumas serras em várias ocasiões. Este fenómeno, entusiásticamente emoldurado no percurso por hordas de apoiantes indefectíveis, de fato de banho à borda da estrada, aproveitando o acontecimento, o local e o momento para soltarem os impropérios que lhes dessem na real gana mandando tudo para o caralho enquanto batiam palmas convencendo toda a gente que apoiavam os corredores, merecia honras de abertura no Telejornal a preto e branco, anunciado por um batedor de ovos que nunca entendi porque aparecia. Os lugares na primeira fila, perto das meta que se sucediam no final de cada etapa, eram os mais disputados visto serem os melhores para a prática do afinfar-cachação a eito e a preceito no lombo, ou onde calhasse, dos ciclistas en passant, à laia de empurrão, saudação ou incentivo.
Era por esta altura que o céu abrasador do Alentejo se cobria de nuvens e que caía uma chuva miudinha que fazia saltar para o ar o cheiro da terra com toda a força. As voltas à Casa Pequena na Vilar azul requeriam novas manobras de perícia acrescida tendo o piso adquirido vida e feitio próprios, tornado escorregadio e ganhando sulcos que se enchiam depressa com água cor de galão.
Era a canícula, diziam.
quinta-feira, julho 26, 2007
Ele há coisas do camandro
Há dias atrás, comentando um post do Dragão, desencadeei uma série de comentários, não ao texto comentado, mas ao meu próprio comentário.
Chama-se a isto, em linguagem de mar, abordagem de sabre em riste. Ou seja:
Os microcéfalos que deambulam, sorridentes e satisfeitos, na calmaria morna da B.L.U.S.A. (Blogosfera Lusa) teimam em encontrar nas caixas de comentários sobre textos que não entendem, que lhes dão o insuportável trabalho de ler e , consequentemente, a inantingível tarefa de os compreender porque se tratam, repito, de microcéfalos, o lugar próprio para defecarem sem pejo o que lhes vai nas tripas. Vem isto a propósito deste texto e respectivos comentários.
Para além dos anónimos, essa estirpe acéfala e vampiresca que faz pasto da sua fome as ideias dos outros, vegeta uma tosca anglofonia que dá pelo sugestivo nome de lusgon, ou seja escuridão.
Associam tais criaturas Monarquia com Chulice com o à vontade de um sacristão soltando flatos em Catedral. É, de facto extraordinário.
Pois que se lambuzem primeiro no opróbrio chupista desta república de treta que alcandora a intocáveis vitalícios mentecaptos com oito anos de serviço na Assembleia da República.
Ou que enfiem suas doutas pencas nos entrefolhos do cú do funcionalismo público republicano e que, com isso, garantam para si e para os seus, comendas e prebendas à discrição e fartazana.
Nariz no cú tapa três buracos, diz a Sancha cheia de razão.
De facto, ele há coisas do camandro.
Chama-se a isto, em linguagem de mar, abordagem de sabre em riste. Ou seja:
Os microcéfalos que deambulam, sorridentes e satisfeitos, na calmaria morna da B.L.U.S.A. (Blogosfera Lusa) teimam em encontrar nas caixas de comentários sobre textos que não entendem, que lhes dão o insuportável trabalho de ler e , consequentemente, a inantingível tarefa de os compreender porque se tratam, repito, de microcéfalos, o lugar próprio para defecarem sem pejo o que lhes vai nas tripas. Vem isto a propósito deste texto e respectivos comentários.
Para além dos anónimos, essa estirpe acéfala e vampiresca que faz pasto da sua fome as ideias dos outros, vegeta uma tosca anglofonia que dá pelo sugestivo nome de lusgon, ou seja escuridão.
Associam tais criaturas Monarquia com Chulice com o à vontade de um sacristão soltando flatos em Catedral. É, de facto extraordinário.
Pois que se lambuzem primeiro no opróbrio chupista desta república de treta que alcandora a intocáveis vitalícios mentecaptos com oito anos de serviço na Assembleia da República.
Ou que enfiem suas doutas pencas nos entrefolhos do cú do funcionalismo público republicano e que, com isso, garantam para si e para os seus, comendas e prebendas à discrição e fartazana.
Nariz no cú tapa três buracos, diz a Sancha cheia de razão.
De facto, ele há coisas do camandro.
segunda-feira, julho 16, 2007
O Ovo da Serpente
Autárquicas : Lisboa 2007.
O primeiro facto que me ocorre é a monumental derrota do PSD.
O segundo, a magra vitória do PS.
O terceiro e em sequência dos dois primeiros, consumado na corrida que Telmo Correia levou face aos votos obtidos pelas candidaturas de Carmona Rodrigues e de Helena Roseta, os chamados independentes (Sá Fernandes durante a campanha referido como candidato-independente-do-bloco-de-esquerda não foi, de facto, independente coisíssima nenhuma), consiste no fartanço que alguns eleitores, poucos, quiseram demonstrar face à partidocracia vigente na pseudo democracia do pós vinte cinco de Abril.
Não é só o discurso oficial partidário que está gasto, vazio de conteúdo, estéril de objectivos e, por isso, impotente na sua realização. É cada vez mais a noção de aldrabanço e batota que os portugueses vêm sentindo face ao palavreado inconsequente e folclórico dos ícones partidários. A ideia de que "eles lá se arrranjam mais os amigos deles e a gente é que se lixa" passou a constituir uma realidade diária, omnipresente, na prepotência do aparelho de estado, na impunidade escandalosa de arguidos em processos gravíssimos, no desdém que a classe política perpassa na sua relação com os seus eleitores.
Vai grassando um descontentamento generalizado que não pactua com tranquilidades fofas em condomínios privados. A pouco e pouco a besta desperta, e boceja.
Só precisa de quem a acorde de vez, a conduza e lhe indique a quem morder.
É só uma questão de tempo.
A História repete-se. Como de costume.
O primeiro facto que me ocorre é a monumental derrota do PSD.
O segundo, a magra vitória do PS.
O terceiro e em sequência dos dois primeiros, consumado na corrida que Telmo Correia levou face aos votos obtidos pelas candidaturas de Carmona Rodrigues e de Helena Roseta, os chamados independentes (Sá Fernandes durante a campanha referido como candidato-independente-do-bloco-de-esquerda não foi, de facto, independente coisíssima nenhuma), consiste no fartanço que alguns eleitores, poucos, quiseram demonstrar face à partidocracia vigente na pseudo democracia do pós vinte cinco de Abril.
Não é só o discurso oficial partidário que está gasto, vazio de conteúdo, estéril de objectivos e, por isso, impotente na sua realização. É cada vez mais a noção de aldrabanço e batota que os portugueses vêm sentindo face ao palavreado inconsequente e folclórico dos ícones partidários. A ideia de que "eles lá se arrranjam mais os amigos deles e a gente é que se lixa" passou a constituir uma realidade diária, omnipresente, na prepotência do aparelho de estado, na impunidade escandalosa de arguidos em processos gravíssimos, no desdém que a classe política perpassa na sua relação com os seus eleitores.
Vai grassando um descontentamento generalizado que não pactua com tranquilidades fofas em condomínios privados. A pouco e pouco a besta desperta, e boceja.
Só precisa de quem a acorde de vez, a conduza e lhe indique a quem morder.
É só uma questão de tempo.
A História repete-se. Como de costume.
Da Independência
A defesa da submissão da independência e soberania de Portugal aos castelhudos foi defendida hoje no Diário de Notícias por José Saramago, prémio Nobel de Literatura.
É a voz da república no seu melhor.
Uma das vacas sagradas da inteligentsia sinistra nativa, alcandorada a guru de cafres, citada a torto e a direito por mentecaptos e basbaques, um gajo que nem sabe escrever, que seguiu o exemplo sensacionalista de Rushdie com os versos satânicos (mais a fama e respectivos cobres que lhe renderam) adaptando-o às fezes lusas e inventando um Evangelho Segundo Jesus Cristo para depois, e por isso, fazer-se de perseguido e martirizado, faz eco do que vem zunindo há anos nas ocas caixas cranianas da inteligentsia indígena republicana: Se fossemos espanhóis é que era bom.
Depois venham-me dizer que não tenho razão.
Nunca a independência de Portugal esteve tão condenada como se de vergonha se tratasse.
Nem tantos se empenharam tanto em acabar com ela.
É a voz da república no seu melhor.
Uma das vacas sagradas da inteligentsia sinistra nativa, alcandorada a guru de cafres, citada a torto e a direito por mentecaptos e basbaques, um gajo que nem sabe escrever, que seguiu o exemplo sensacionalista de Rushdie com os versos satânicos (mais a fama e respectivos cobres que lhe renderam) adaptando-o às fezes lusas e inventando um Evangelho Segundo Jesus Cristo para depois, e por isso, fazer-se de perseguido e martirizado, faz eco do que vem zunindo há anos nas ocas caixas cranianas da inteligentsia indígena republicana: Se fossemos espanhóis é que era bom.
Depois venham-me dizer que não tenho razão.
Nunca a independência de Portugal esteve tão condenada como se de vergonha se tratasse.
Nem tantos se empenharam tanto em acabar com ela.
quinta-feira, julho 12, 2007
Comentário ao comentário
Como o blogger insiste em boicotar o meu acesso autenticado às várias caixas de comentários, mesmo no meu próprio blog, não tenho outra solução senão a de criar um post exclusivo para responder ao comentário do Dragão ao meu penúltimo post.
Ainda fui ao tegúrio do mostrengo, estabelecimento altamente recomendável por sinal, mas vi-me obrigado a comentar como um reles anónimo. A resposta foi esta:
Obrigado pela visita e comentário mas...
No mundo dos cavalos que falam, essas nobres criaturas incapazes de mentir, não só as Maxi Puch têm menopausa como os diesel têm carburador!
Cumprimentos,
Afonso Henriques
Já agora, e a talho de foice, também poderia ter sido:
Quer dizer, Vossa flamejante Senhoria, que lá que os cavalos falem e as Maxi Puch derrapem na menopausa, tudo bem , mas os diesel não podem ter carburador ?
Ou então:
Queres ver que afinal o Jaime era daltónico?
Ou ainda:
O gajo da bomba estava era enganado. Quem não percebia nada de mecânica era o Jaime.
E por aí fora, alentejo adiante...
Ainda fui ao tegúrio do mostrengo, estabelecimento altamente recomendável por sinal, mas vi-me obrigado a comentar como um reles anónimo. A resposta foi esta:
Obrigado pela visita e comentário mas...
No mundo dos cavalos que falam, essas nobres criaturas incapazes de mentir, não só as Maxi Puch têm menopausa como os diesel têm carburador!
Cumprimentos,
Afonso Henriques
Já agora, e a talho de foice, também poderia ter sido:
Quer dizer, Vossa flamejante Senhoria, que lá que os cavalos falem e as Maxi Puch derrapem na menopausa, tudo bem , mas os diesel não podem ter carburador ?
Ou então:
Queres ver que afinal o Jaime era daltónico?
Ou ainda:
O gajo da bomba estava era enganado. Quem não percebia nada de mecânica era o Jaime.
E por aí fora, alentejo adiante...
terça-feira, julho 10, 2007
Curiosidades
Foi curioso ouvir hoje o Primeiro Ministro de Portugal perorando em Londres sobre as nefastas práticas do regime de Robert "Hitler" Mugabe, no Zimbabué.
E Angola.
Ali ao lado.
Foi curioso assistir ao "perdão Presidencial" perpetrado por Bush sobre "Scooter" Libby, quando condenou à morte, sem apelo nem agravo, dezenas de concidadãos americanos enquanto Governador do Texas.
Foi curioso constatar nas paragonas publicitárias que patrocinaram o "Live Earth".
A começar pelo "Chevy" omnipresente no messenger e a acabar na patética participação publicitária nativa na RTP1 devidamente acolitada por Júlio Izidro, Edite Estrela e Carlos Malato. Entre outros.
Foi curioso assistir à apresentação de Teresa Salgueiro no Pavilhão Atlântico.
Eis Carla Salgueiro.
Foi curioso assistir à distribuição voluntária e voluntariosa de flyers da TMN às portas do Pavilhão Atlântico de onde nem se vislumbrava um reles caixote do lixo. On Earth's behalf.
Foi curioso como consegui adormecer a noite passada e estar a postos a estas horas para escrever isto.
E Angola.
Ali ao lado.
Foi curioso assistir ao "perdão Presidencial" perpetrado por Bush sobre "Scooter" Libby, quando condenou à morte, sem apelo nem agravo, dezenas de concidadãos americanos enquanto Governador do Texas.
Foi curioso constatar nas paragonas publicitárias que patrocinaram o "Live Earth".
A começar pelo "Chevy" omnipresente no messenger e a acabar na patética participação publicitária nativa na RTP1 devidamente acolitada por Júlio Izidro, Edite Estrela e Carlos Malato. Entre outros.
Foi curioso assistir à apresentação de Teresa Salgueiro no Pavilhão Atlântico.
Eis Carla Salgueiro.
Foi curioso assistir à distribuição voluntária e voluntariosa de flyers da TMN às portas do Pavilhão Atlântico de onde nem se vislumbrava um reles caixote do lixo. On Earth's behalf.
Foi curioso como consegui adormecer a noite passada e estar a postos a estas horas para escrever isto.
sábado, julho 07, 2007
Histórias de Encantar X
Há cerca de quinze anos atrás, na sequência de uma desastrosa aventura pelos pantanosos caminhos da construção civil, o meu irmão Jaime, tomado de ares e de coragem, resolveu iniciar-se de primeira pelo não menos claro percurso da especulação imobiliária.
"O Alentejo, porra!" começava ele, imediatamente a seguir à última colherada de sopa ou ao primeiro naco de pão demolhado nos coentros das ameijoas, dependendo da estação do ano.
"O Alentejo é que é!!" concluía após uma dissertação ininteligível sobre compra e venda de Montes abandonados em herdades desmanteladas, pequenos investimentos para "recuperar a traça" (ficávamos sempre sem saber se isso significaria "abrir o apetite" ou não) divulgação do produto, contactos e venda. Mas o Jaime estava-se era bem cagando para a possibilidade omnipresente da ininteligibilidade do seu discurso. Para ele o Alentejo é que era.
Certo dia, numa das suas deambulações pela planura alentejana empancou-se-lhe o carro. Pifou.
Debaixo de um Sol impiedoso dardejando um calor abrasador conseguiu encostá-lo à berma, a cerca de trezentos metros da sombra inútil proporcionada pelo único carvalho multicentenário do distrito.
"Foda-se" murmurou aos berros enquanto levantava o capot do velho Golf TDI.
Olhou lá para dentro, olhou e nada. Não percebia nada do que via: tubos, fios, latas com tampas, tampas sem nada por baixo, tubos e mais tubos e nada. Não fazia a mais pálida, esquálida ou confrangedora ideia do que carga de água ou o camandro tinha acometido o cabrão do carro.
Mal tinha tido plena consciência, naquele segundo interminável, do atascanço em que estava metido quando ouviu resfolegar à sua esquerda. Rodou a cabeça na direcção do som forte e próximo e deparou com as ventas de um imenso cavalo preto. Mal recuperara do cagaço e isso só para ouvir o cavalo dizer "Carburador. A tampa do carburador está solta." Dito isto, o cavalo desapareceu num galope completamente ridículo para a intensidade do calor e a dimensão da planura existentes.
Jaime voltou a mergulhar a cabeça no interior das entranhas do velho TDI com o pressentimento inquestionável e afiançado por uma adolescência parcialmente consumida em meses de wrestling com uma Maxi Puch na menopausa que, e isso de certeza, carburador tinha a ver com velas. Por fim lá deu com a merda da tampa do carburador desapertada. Sacou do Victorinox que o pai lhe dera quando perdeu uma aposta e apertou a tampa do carburador. Ansioso entrou no carro, rodou a ignição e o ronronar do diesel que se fez ouvir sossegou-o com a calma própria de uma história de embalar.
Enquanto o carro rolava pela estrada a única coisa que lhe estalava a realidade tórrida era a imagem daquele magnífico cavalo preto. A certa altura, avistando a silhueta inconfundível de uma decrépita bomba de combustível resolveu parar. Não que precisasse de reabastecer. Precisava só, mas desesperadamente, de falar com alguém. De contar o que lhe acontecera.
Abrandou e encostou à sombra, por baixo da canopy em forma de cogumelo da bomba. Desligou o motor e acendeu um cigarro. O homem da bomba apareceu devagar, como se tivesse saído debaixo do chão.
- Bs' tardes..- disse.
- Boa tarde.- respondeu Jaime apagando o cigarro de imediato. - É para atestar, s'fáxavor.-
Enquanto o homem da bomba dava início à complexa tarefa de reabastecer o terceiro carro da semana Jaime saíu do Golf aparentando sem esforço o ar de um latifundiário ocioso de mãos nos bolsos enquanto perscrutava desinteressadamente o horizonte dourado, seco e quente que envolvia a cena.
- Nem sabe o que me aconteceu.- atirou, partindo o silêncio sem cerimónia.
Nos cacos do silêncio recém quebrado o homem da bomba levantou a cabeça com um boné muito velho e olhou para cima, para a cara dele. Sem se conseguir conter Jaime contou o que lhe acontecera.
- Tive uma avaria no carro uns quilómetros lá para trás e de repente apareceu um cavalo preto vindo nem sei donde e disse-me "Carburador. A tampa do carburador está solta." Arranjei aquilo e o carro ficou bom...
- Pois.- disse o homem da bomba devolvendo o olhar à mangueira enquanto abastecia.
- Vomecê teve muita sorte. - acrescentou.
- Então porquê? - retorquiu Jaime com a certeza que tinha de que o homem da bomba não percebera patavina, ou não acreditava, naquilo que ele lhe acabara de contar.
- É que tem andado por aí um cavalo castanho que não percebe puto de mecânica.-
"O Alentejo, porra!" começava ele, imediatamente a seguir à última colherada de sopa ou ao primeiro naco de pão demolhado nos coentros das ameijoas, dependendo da estação do ano.
"O Alentejo é que é!!" concluía após uma dissertação ininteligível sobre compra e venda de Montes abandonados em herdades desmanteladas, pequenos investimentos para "recuperar a traça" (ficávamos sempre sem saber se isso significaria "abrir o apetite" ou não) divulgação do produto, contactos e venda. Mas o Jaime estava-se era bem cagando para a possibilidade omnipresente da ininteligibilidade do seu discurso. Para ele o Alentejo é que era.
Certo dia, numa das suas deambulações pela planura alentejana empancou-se-lhe o carro. Pifou.
Debaixo de um Sol impiedoso dardejando um calor abrasador conseguiu encostá-lo à berma, a cerca de trezentos metros da sombra inútil proporcionada pelo único carvalho multicentenário do distrito.
"Foda-se" murmurou aos berros enquanto levantava o capot do velho Golf TDI.
Olhou lá para dentro, olhou e nada. Não percebia nada do que via: tubos, fios, latas com tampas, tampas sem nada por baixo, tubos e mais tubos e nada. Não fazia a mais pálida, esquálida ou confrangedora ideia do que carga de água ou o camandro tinha acometido o cabrão do carro.
Mal tinha tido plena consciência, naquele segundo interminável, do atascanço em que estava metido quando ouviu resfolegar à sua esquerda. Rodou a cabeça na direcção do som forte e próximo e deparou com as ventas de um imenso cavalo preto. Mal recuperara do cagaço e isso só para ouvir o cavalo dizer "Carburador. A tampa do carburador está solta." Dito isto, o cavalo desapareceu num galope completamente ridículo para a intensidade do calor e a dimensão da planura existentes.
Jaime voltou a mergulhar a cabeça no interior das entranhas do velho TDI com o pressentimento inquestionável e afiançado por uma adolescência parcialmente consumida em meses de wrestling com uma Maxi Puch na menopausa que, e isso de certeza, carburador tinha a ver com velas. Por fim lá deu com a merda da tampa do carburador desapertada. Sacou do Victorinox que o pai lhe dera quando perdeu uma aposta e apertou a tampa do carburador. Ansioso entrou no carro, rodou a ignição e o ronronar do diesel que se fez ouvir sossegou-o com a calma própria de uma história de embalar.
Enquanto o carro rolava pela estrada a única coisa que lhe estalava a realidade tórrida era a imagem daquele magnífico cavalo preto. A certa altura, avistando a silhueta inconfundível de uma decrépita bomba de combustível resolveu parar. Não que precisasse de reabastecer. Precisava só, mas desesperadamente, de falar com alguém. De contar o que lhe acontecera.
Abrandou e encostou à sombra, por baixo da canopy em forma de cogumelo da bomba. Desligou o motor e acendeu um cigarro. O homem da bomba apareceu devagar, como se tivesse saído debaixo do chão.
- Bs' tardes..- disse.
- Boa tarde.- respondeu Jaime apagando o cigarro de imediato. - É para atestar, s'fáxavor.-
Enquanto o homem da bomba dava início à complexa tarefa de reabastecer o terceiro carro da semana Jaime saíu do Golf aparentando sem esforço o ar de um latifundiário ocioso de mãos nos bolsos enquanto perscrutava desinteressadamente o horizonte dourado, seco e quente que envolvia a cena.
- Nem sabe o que me aconteceu.- atirou, partindo o silêncio sem cerimónia.
Nos cacos do silêncio recém quebrado o homem da bomba levantou a cabeça com um boné muito velho e olhou para cima, para a cara dele. Sem se conseguir conter Jaime contou o que lhe acontecera.
- Tive uma avaria no carro uns quilómetros lá para trás e de repente apareceu um cavalo preto vindo nem sei donde e disse-me "Carburador. A tampa do carburador está solta." Arranjei aquilo e o carro ficou bom...
- Pois.- disse o homem da bomba devolvendo o olhar à mangueira enquanto abastecia.
- Vomecê teve muita sorte. - acrescentou.
- Então porquê? - retorquiu Jaime com a certeza que tinha de que o homem da bomba não percebera patavina, ou não acreditava, naquilo que ele lhe acabara de contar.
- É que tem andado por aí um cavalo castanho que não percebe puto de mecânica.-
Esclarecimento
Antes que as hostes republicanas, devidamente acolitadas por enxames furibundos de papoilas satitantes, decidam mover-me alguma acção fundamentada em inside trading (*) afirmo desde já, e que fique claríssimo como a resplandescente alvura das brancas pombas da paz, que o post de 15 de Junho publicado neste blog nada tem a ver com as notícias vindas a público, hoje, sobre uma hipotética OPA hostil da Terra de Mu (vulgo China) ao TMN, perdão SLB.
Publique-se.
(*) Prática batoteira compulsivo-obsessiva tão do agrado do neoconismo económico.
Publique-se.
(*) Prática batoteira compulsivo-obsessiva tão do agrado do neoconismo económico.
sábado, junho 30, 2007
Das Moscas
Porque esta é a terra delas.
Tudo neste país está às moscas. O património, os museus, as ruas, aldeias, vilas e cidades.
Está tudo à mercê das moscas.
Umas são lustrosas e verdes. Outras zumbem em contrabaixo, varejeiras portanto. Outras ainda, compenetradas em danças misteriosas à contra-luz, súbitamente acometidas por impulsos inconfessáveis que se traduzem em trajectórias repentinas e sem sentido para logo regressarem à calma morna do calor no meio da sala, valsando. À contra-luz.
Às vezes uma, decerto contrafeita com o destino, investe decidida contra a vidraça de uma janela. Encantada talvez pelo brilho ofuscante de uma realidade que não conhece mas suspeita.
Têm em média uma semana de vida. Nesse tempo, que é o tempo de vida de uma mosca, têm que compreender o mundo em que cairam. Mas não conseguem. Uma semana é pouco tempo. Dedicam-se portanto à criação de nova geração de moscas, passando-lhes o testemunho.
Elas que descubram. Ou que se reproduzam até descobrirem. Ad aeternum.
Tudo neste país está às moscas. O património, os museus, as ruas, aldeias, vilas e cidades.
Está tudo à mercê das moscas.
Umas são lustrosas e verdes. Outras zumbem em contrabaixo, varejeiras portanto. Outras ainda, compenetradas em danças misteriosas à contra-luz, súbitamente acometidas por impulsos inconfessáveis que se traduzem em trajectórias repentinas e sem sentido para logo regressarem à calma morna do calor no meio da sala, valsando. À contra-luz.
Às vezes uma, decerto contrafeita com o destino, investe decidida contra a vidraça de uma janela. Encantada talvez pelo brilho ofuscante de uma realidade que não conhece mas suspeita.
Têm em média uma semana de vida. Nesse tempo, que é o tempo de vida de uma mosca, têm que compreender o mundo em que cairam. Mas não conseguem. Uma semana é pouco tempo. Dedicam-se portanto à criação de nova geração de moscas, passando-lhes o testemunho.
Elas que descubram. Ou que se reproduzam até descobrirem. Ad aeternum.
Da indignação
Indignam-se as hostes com a recente história do centro de saúde de Vieira do Minho.
Eu também acho mal que os centros de saúde tenham um jornal de parede. Deviam era ter um blog. Ou dois.
Ou um canal de TV.
Sobretudo quando cerca de cem deles se encontram aparelhados com 50.000 € de equipamento estomatológico ao abandono desde 2004.
Depois ainda dizem que tenho mau feitio...
Ou um canal de TV.
Sobretudo quando cerca de cem deles se encontram aparelhados com 50.000 € de equipamento estomatológico ao abandono desde 2004.
Depois ainda dizem que tenho mau feitio...
quarta-feira, junho 27, 2007
Verão
Vem aí a calorina, os fogos, o Verão.
Já desesperavam as gentes com a falta de uso dos carros de bombeiros, das mangueiras, da gritaria, das reportagens da TVI, das aeronaves-duche e restante equipamento proto bélico de combate aos incêndios. É verdade que tem chovido até há pouco tempo e que o clima tem estado ameno. Mas aposto em como também é verdade que ficou muito por fazer no que respeita a prevenção: desbaste de matas, limpeza de aceiros, formação profissional de brigadas de intervenção, instalação de palanques e video câmaras nas florestas, enfim, um sem número de actividades parvas que poderiam pôr em sério risco as tradicionais negociatas sazonais de meia dúzia de oportunistas.
Já desesperavam as gentes com a falta de uso dos carros de bombeiros, das mangueiras, da gritaria, das reportagens da TVI, das aeronaves-duche e restante equipamento proto bélico de combate aos incêndios. É verdade que tem chovido até há pouco tempo e que o clima tem estado ameno. Mas aposto em como também é verdade que ficou muito por fazer no que respeita a prevenção: desbaste de matas, limpeza de aceiros, formação profissional de brigadas de intervenção, instalação de palanques e video câmaras nas florestas, enfim, um sem número de actividades parvas que poderiam pôr em sério risco as tradicionais negociatas sazonais de meia dúzia de oportunistas.
sexta-feira, junho 15, 2007
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