terça-feira, novembro 13, 2007
Pergunta sem resposta
Chávez primeiro não percebeu que o rei tinha falado.
Depois disseram-lhe que que sim que o rei lhe tinha dito qualquer coisa.
Chávez não percebeu bem o quê e brincou com a altura do rei, o tamanho dele próprio e de Lula da Silva e o autocarro.
Os assessores insistem; que o rei o tinha mandado calar.
Chávez não acredita. Pensa que está a ficar surdo. Ou a ouvir mal.
Passado um dia sobre o sucedido Chávez lê a pergunta nas primeiras páginas de quase todos os jornais.
A angústia invade-o.
Decide contra atacar numa carga de rinoceronte furibundo vociferando qualquer coisa sobre quinhentos anos de imperialismo a rebentarem com um índio na cimeira de 2007, no Chile, através de Juan Carlos.
No entanto a pergunta persiste: "Porque no té callas?"
E Chávez não sabe a resposta.
quarta-feira, novembro 07, 2007
Os ministros da república e o povo
Num segundo "corte", abrangendo miúdas dos catorze aos deazsseis anos implicaria um custo muito maior: setenta e cinco milhões de euros/ano. O ênfase dado pelo ministro ao valor que a república está disposta a pagar para poupar ao cancro do colo do útero a população feminina indígena só é comparável ao destaque dado na parvónia às dádivas dadas pelos beneméritos locais em tempos da outra senhora. A república continua. Com Salazar e depois dele, a "caridade" sobrepõe-se à justiça social.
Ceuta
quarta-feira, outubro 31, 2007
...
Foi o apuramento do Sporting para a fase seguinte da Taça de Portugal, eufemisticamente apelidada de Taça da Liga, em linguagem própria de casa de alterne.
O Cartel falhado.
Protagonizado por Miguel Sousa Tavares e Vasco Pulido Valente em torno da incultura de um e do misantropismo de outro. Mais uma oportunidade perdida para a montagem de um grande negócio de que ambos poderiam sair ganhadores caso a recente disputa in Expresso e TSF tivesse sido previamente acertada entre eles em termos de alavancagem para a venda dos respectivos produtos literários, como se diz nos dias que correm. A acompanhar nas cenas dos próximos capítulos.
Falta de Estudos.
Alegava o ministro Lino para defender a OTA como única possibilidade aeroportuária face à ausência de alternativas devidamente documentadas. Agora há um, com a participação do Joe Berardo, dos estudantes de ecologia e contando com a cooperação de cegonhas, morcegos e outros pássaros. Com o beneplácito da bicharada, em resumo. É só comparar, decidir e pagar o preço. Político, bem entendido.
quarta-feira, outubro 10, 2007
O centenário
Aliás um dos motivos que contribuem de forma significativa para a grande quantidade de candidatos à presidência da Câmara de Lisboa sempre que há eleições é, precisamente, o aplauso anual que recebem por ocasião das comemorações do 5 de Outubro de 1910, independentemente de terem feito o que quer que seja no seu mandato.
Depois há que contar com os desfiles, militares por certo, e outros. Já agora atrevo-me a propor o mare nostrum, a outrora Doca dos Olivais, para servir de cenário à parada de submarinos, fragatas e helicóteros. A Guarda Republicana, entre outras actividades lúdico-educativas, poderia enrolar e embrulhar as ruas e estradas de todo o Reino, com aquela fita de plástico às riscas encarnadas e brancas com que se têm treinado com afinco nas recepções feitas a cada saída do 1º ministro rumo ao Portugal real. Em seguida viriam as figuras governantes de tesoura em punho cortando as ditas fitas sob ensurdecedores aplausos pré-gravados e transmitidos em directo, inaugurando os próximos cem anos de anedotário.
sexta-feira, outubro 05, 2007
segunda-feira, setembro 24, 2007
Reclamações
"Já vi o blog há três dias e o que vejo agora é o mesmo. Pouca coisa. Sempre o mesmo"
Foi o FN hoje a reclamar de viva voz. E eu a dizer-lhe "Chiu!" que é como quem diz que se isto de blogs não é coisa séria, o anonimato é-o de certeza. Em vão. Digo-lhe:
- Vá lendo os posts anteriores. Há coisas escritas que, de certeza, ainda não leu.
- Na. Já li tudo. Ainda por cima não há contador de visitas e os comentários ao que foi escrito são parcos, se não inexistentes.
- Não há tempo.- respondo-lhe
Enfim. Um fiasco este blog.
Um dia destes fecho a porta.
Não por falta de assunto (escrevo enquanto imagino a cara de espanto do Ministro Lino indignado com a insinuação de um qualquer pagamento a título de indemnização à Lusoponte caso seja construída nova ponte-sobre-o-tejo fora da sua alçada tributária) ou a indignação de Louçã, três vezes manifestada e três vezes contestada pelo governo, num esforço hercúleo que demonstre quão errado estava Vasco Pulido Valente ao prever a aliança táctica entre PS e BE para as legislativas de 2009. Sim, porque no que diz respeito à Câmara de Lisboa a marmelada é obscena.
Mas o pagode continua.
O Dailai Lama (Cavaco dixit) passou por cá e agitou as águas, o que teve como consequência a intranquilização das hostes indígenas e consequente introspecção pavloviana sobre o políticamente correcto de abrir os curros do reino a Robert Mugabe, para além da proibição "imposta" pela CE. Just Gordon (not flash) já disse: ou ele ou eu. Amado respondeu que já sabia.
E nós por cá? Tudo bem. Haja quem grite "Ai Timor"...
Obras são uma chatice. Mas sobre isso falo depois.
Para não falar das chamadas, óbviamente de valor acrescentado, que a PT cobra para quem quiser "ajudar" a maternidade Alfredo da Costa a juntar verbas que lhe permitam satisfazer a procura. É extraordinário.
Ao mesmo tempo o estádio do Algarve apodrece à mercê de varejeiras e ameijoas anfíbias.
O que é isto senão a república no seu melhor ?
quarta-feira, setembro 19, 2007
O castigo
Inuteis os protestos das ossadas "não! para aqui não! por favor! não merecemos tal desfeita!".
O castigo tardou mas veio.
Não lhes bastava apagar o que escreveu, retirando-o das bancas das escolas (com amianto e tudo). Até mesmo no tempo do Botas alguns dos seus escritos figuravam nos livros de Língua Portuguesa, essa espécie de víscera atrevida e incómoda para tanta gente.
Quando os lobos uivam, a carneirada assusta-se.
À república o que é da república.
Ámen.
quarta-feira, setembro 12, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
Acasos
Se da primeira vez se conseguiu forjar um encontro ao acaso entre o então PR e o Tibetano num Centro Cultural qualquer, num mercado ou coisa do género, à laia de "Olhem quem está aqui! Então não é que é o Dalai Lama" (terá dito Jorge Sampaio com ar estupefacto como se acabasse de dar de caras com o Papa a petiscar ovas de polvo na tasca de Cacela).
Desta vez poderia criar-se uma coincidência ainda mais elaborada, na linha da espectacular demolição das torres de Tróia (diz que Sócrates ainda está convencido de que foi mesmo ele que mandou aquilo tudo abaixo). Por exemplo num campo de milho transgénico, ou na banca do Público no Centro Comercial Colombo. Passaria a ser um costume que, a ser praticado com regularidade, poderia catapultar ainda mais a imagem de Portugal para os píncaros do mundo, local de onde se avista o Everest com dificuldade quando se olha para baixo.
Transmissões em directo pela Sky News e CNN a descabelarem-se desesperada e mutuamente na disputa dos melhores ângulos. A Betandwin lançando apostas sobre quais os locais mais prováveis para mais um extraordinário encontro casual entre os representantes da república portuguesa e o Dalai Lama que, já se tendo apercebido do potencial da coisa há muito tempo, não pára de sorrir quando cá vem, contendo-se a custo para não desatar às gargalhadas.
sábado, agosto 25, 2007
Verão
Desde o assalto e destruição de milho transgénico em Silves à vandalização de descrições na wikipédia, esta nova modalidade vai certamente ganhando adeptos entre os lusígenes, criaturas resultantes da manipulação genética de lusitanos e aborígenes.
Para quem gosta de ver o céu preto polvilhado de astros vários nas noites quentes de Verão, o Stellarium e a nova versão do Google Earth oferecem de borla guias estelares que após descarregados ajudam a interpretar o que se vê de noite quando se olha para o ar, sem nada que fazer. Ajudam, por exemplo, a distinguir entre Constelações e Galáxias, pelo que os recomendo vivamente à Clara Ferreira Alves antes de se espraiar a escrever disparates como os que foram publicados na Única do Expresso numa semana passada, por exemplo.
Uma das grandes vantagens do Algarve em Agosto é poder-se visitar, nas calmas e sossegadamente, o IKEA de Alfragide. Até os berros das criancinhas estão ausentes, enxameando como estão os restaurantes do sul, para castigo dos pais delas e dos das outras que berram ao lado delas.
Quanto ao de Matosinhos, não sei.
Canícula
Sempre que se mencionava um episódio de doping nas equipas do Benfica ou do Sporting a culpa era normalmente da mistela inclusa no Sumol ou na Laranjina "C" oferecidas, invariávelmente por adeptos do Sangalhos, aos corredores durante a prova.
Ininterruptamente perseguidos por enxames de veículos atestados de ébrios e cravejados de componentes velocipédicos, amavelmente acompanhados por escolta motorizada da GNR, circulavam a velocidades inconcebíveis atingindo mais de 120 km por hora na descida de algumas serras em várias ocasiões. Este fenómeno, entusiásticamente emoldurado no percurso por hordas de apoiantes indefectíveis, de fato de banho à borda da estrada, aproveitando o acontecimento, o local e o momento para soltarem os impropérios que lhes dessem na real gana mandando tudo para o caralho enquanto batiam palmas convencendo toda a gente que apoiavam os corredores, merecia honras de abertura no Telejornal a preto e branco, anunciado por um batedor de ovos que nunca entendi porque aparecia. Os lugares na primeira fila, perto das meta que se sucediam no final de cada etapa, eram os mais disputados visto serem os melhores para a prática do afinfar-cachação a eito e a preceito no lombo, ou onde calhasse, dos ciclistas en passant, à laia de empurrão, saudação ou incentivo.
Era por esta altura que o céu abrasador do Alentejo se cobria de nuvens e que caía uma chuva miudinha que fazia saltar para o ar o cheiro da terra com toda a força. As voltas à Casa Pequena na Vilar azul requeriam novas manobras de perícia acrescida tendo o piso adquirido vida e feitio próprios, tornado escorregadio e ganhando sulcos que se enchiam depressa com água cor de galão.
Era a canícula, diziam.
quinta-feira, julho 26, 2007
Ele há coisas do camandro
Chama-se a isto, em linguagem de mar, abordagem de sabre em riste. Ou seja:
Os microcéfalos que deambulam, sorridentes e satisfeitos, na calmaria morna da B.L.U.S.A. (Blogosfera Lusa) teimam em encontrar nas caixas de comentários sobre textos que não entendem, que lhes dão o insuportável trabalho de ler e , consequentemente, a inantingível tarefa de os compreender porque se tratam, repito, de microcéfalos, o lugar próprio para defecarem sem pejo o que lhes vai nas tripas. Vem isto a propósito deste texto e respectivos comentários.
Para além dos anónimos, essa estirpe acéfala e vampiresca que faz pasto da sua fome as ideias dos outros, vegeta uma tosca anglofonia que dá pelo sugestivo nome de lusgon, ou seja escuridão.
Associam tais criaturas Monarquia com Chulice com o à vontade de um sacristão soltando flatos em Catedral. É, de facto extraordinário.
Pois que se lambuzem primeiro no opróbrio chupista desta república de treta que alcandora a intocáveis vitalícios mentecaptos com oito anos de serviço na Assembleia da República.
Ou que enfiem suas doutas pencas nos entrefolhos do cú do funcionalismo público republicano e que, com isso, garantam para si e para os seus, comendas e prebendas à discrição e fartazana.
Nariz no cú tapa três buracos, diz a Sancha cheia de razão.
De facto, ele há coisas do camandro.
segunda-feira, julho 16, 2007
O Ovo da Serpente
O primeiro facto que me ocorre é a monumental derrota do PSD.
O segundo, a magra vitória do PS.
O terceiro e em sequência dos dois primeiros, consumado na corrida que Telmo Correia levou face aos votos obtidos pelas candidaturas de Carmona Rodrigues e de Helena Roseta, os chamados independentes (Sá Fernandes durante a campanha referido como candidato-independente-do-bloco-de-esquerda não foi, de facto, independente coisíssima nenhuma), consiste no fartanço que alguns eleitores, poucos, quiseram demonstrar face à partidocracia vigente na pseudo democracia do pós vinte cinco de Abril.
Não é só o discurso oficial partidário que está gasto, vazio de conteúdo, estéril de objectivos e, por isso, impotente na sua realização. É cada vez mais a noção de aldrabanço e batota que os portugueses vêm sentindo face ao palavreado inconsequente e folclórico dos ícones partidários. A ideia de que "eles lá se arrranjam mais os amigos deles e a gente é que se lixa" passou a constituir uma realidade diária, omnipresente, na prepotência do aparelho de estado, na impunidade escandalosa de arguidos em processos gravíssimos, no desdém que a classe política perpassa na sua relação com os seus eleitores.
Vai grassando um descontentamento generalizado que não pactua com tranquilidades fofas em condomínios privados. A pouco e pouco a besta desperta, e boceja.
Só precisa de quem a acorde de vez, a conduza e lhe indique a quem morder.
É só uma questão de tempo.
A História repete-se. Como de costume.
Da Independência
É a voz da república no seu melhor.
Uma das vacas sagradas da inteligentsia sinistra nativa, alcandorada a guru de cafres, citada a torto e a direito por mentecaptos e basbaques, um gajo que nem sabe escrever, que seguiu o exemplo sensacionalista de Rushdie com os versos satânicos (mais a fama e respectivos cobres que lhe renderam) adaptando-o às fezes lusas e inventando um Evangelho Segundo Jesus Cristo para depois, e por isso, fazer-se de perseguido e martirizado, faz eco do que vem zunindo há anos nas ocas caixas cranianas da inteligentsia indígena republicana: Se fossemos espanhóis é que era bom.
Depois venham-me dizer que não tenho razão.
Nunca a independência de Portugal esteve tão condenada como se de vergonha se tratasse.
Nem tantos se empenharam tanto em acabar com ela.
quinta-feira, julho 12, 2007
Comentário ao comentário
Ainda fui ao tegúrio do mostrengo, estabelecimento altamente recomendável por sinal, mas vi-me obrigado a comentar como um reles anónimo. A resposta foi esta:
Obrigado pela visita e comentário mas...
No mundo dos cavalos que falam, essas nobres criaturas incapazes de mentir, não só as Maxi Puch têm menopausa como os diesel têm carburador!
Cumprimentos,
Afonso Henriques
Já agora, e a talho de foice, também poderia ter sido:
Quer dizer, Vossa flamejante Senhoria, que lá que os cavalos falem e as Maxi Puch derrapem na menopausa, tudo bem , mas os diesel não podem ter carburador ?
Ou então:
Queres ver que afinal o Jaime era daltónico?
Ou ainda:
O gajo da bomba estava era enganado. Quem não percebia nada de mecânica era o Jaime.
E por aí fora, alentejo adiante...
terça-feira, julho 10, 2007
Curiosidades
E Angola.
Ali ao lado.
Foi curioso assistir ao "perdão Presidencial" perpetrado por Bush sobre "Scooter" Libby, quando condenou à morte, sem apelo nem agravo, dezenas de concidadãos americanos enquanto Governador do Texas.
Foi curioso constatar nas paragonas publicitárias que patrocinaram o "Live Earth".
A começar pelo "Chevy" omnipresente no messenger e a acabar na patética participação publicitária nativa na RTP1 devidamente acolitada por Júlio Izidro, Edite Estrela e Carlos Malato. Entre outros.
Foi curioso assistir à apresentação de Teresa Salgueiro no Pavilhão Atlântico.
Eis Carla Salgueiro.
Foi curioso assistir à distribuição voluntária e voluntariosa de flyers da TMN às portas do Pavilhão Atlântico de onde nem se vislumbrava um reles caixote do lixo. On Earth's behalf.
Foi curioso como consegui adormecer a noite passada e estar a postos a estas horas para escrever isto.
sábado, julho 07, 2007
Histórias de Encantar X
"O Alentejo, porra!" começava ele, imediatamente a seguir à última colherada de sopa ou ao primeiro naco de pão demolhado nos coentros das ameijoas, dependendo da estação do ano.
"O Alentejo é que é!!" concluía após uma dissertação ininteligível sobre compra e venda de Montes abandonados em herdades desmanteladas, pequenos investimentos para "recuperar a traça" (ficávamos sempre sem saber se isso significaria "abrir o apetite" ou não) divulgação do produto, contactos e venda. Mas o Jaime estava-se era bem cagando para a possibilidade omnipresente da ininteligibilidade do seu discurso. Para ele o Alentejo é que era.
Certo dia, numa das suas deambulações pela planura alentejana empancou-se-lhe o carro. Pifou.
Debaixo de um Sol impiedoso dardejando um calor abrasador conseguiu encostá-lo à berma, a cerca de trezentos metros da sombra inútil proporcionada pelo único carvalho multicentenário do distrito.
"Foda-se" murmurou aos berros enquanto levantava o capot do velho Golf TDI.
Olhou lá para dentro, olhou e nada. Não percebia nada do que via: tubos, fios, latas com tampas, tampas sem nada por baixo, tubos e mais tubos e nada. Não fazia a mais pálida, esquálida ou confrangedora ideia do que carga de água ou o camandro tinha acometido o cabrão do carro.
Mal tinha tido plena consciência, naquele segundo interminável, do atascanço em que estava metido quando ouviu resfolegar à sua esquerda. Rodou a cabeça na direcção do som forte e próximo e deparou com as ventas de um imenso cavalo preto. Mal recuperara do cagaço e isso só para ouvir o cavalo dizer "Carburador. A tampa do carburador está solta." Dito isto, o cavalo desapareceu num galope completamente ridículo para a intensidade do calor e a dimensão da planura existentes.
Jaime voltou a mergulhar a cabeça no interior das entranhas do velho TDI com o pressentimento inquestionável e afiançado por uma adolescência parcialmente consumida em meses de wrestling com uma Maxi Puch na menopausa que, e isso de certeza, carburador tinha a ver com velas. Por fim lá deu com a merda da tampa do carburador desapertada. Sacou do Victorinox que o pai lhe dera quando perdeu uma aposta e apertou a tampa do carburador. Ansioso entrou no carro, rodou a ignição e o ronronar do diesel que se fez ouvir sossegou-o com a calma própria de uma história de embalar.
Enquanto o carro rolava pela estrada a única coisa que lhe estalava a realidade tórrida era a imagem daquele magnífico cavalo preto. A certa altura, avistando a silhueta inconfundível de uma decrépita bomba de combustível resolveu parar. Não que precisasse de reabastecer. Precisava só, mas desesperadamente, de falar com alguém. De contar o que lhe acontecera.
Abrandou e encostou à sombra, por baixo da canopy em forma de cogumelo da bomba. Desligou o motor e acendeu um cigarro. O homem da bomba apareceu devagar, como se tivesse saído debaixo do chão.
- Bs' tardes..- disse.
- Boa tarde.- respondeu Jaime apagando o cigarro de imediato. - É para atestar, s'fáxavor.-
Enquanto o homem da bomba dava início à complexa tarefa de reabastecer o terceiro carro da semana Jaime saíu do Golf aparentando sem esforço o ar de um latifundiário ocioso de mãos nos bolsos enquanto perscrutava desinteressadamente o horizonte dourado, seco e quente que envolvia a cena.
- Nem sabe o que me aconteceu.- atirou, partindo o silêncio sem cerimónia.
Nos cacos do silêncio recém quebrado o homem da bomba levantou a cabeça com um boné muito velho e olhou para cima, para a cara dele. Sem se conseguir conter Jaime contou o que lhe acontecera.
- Tive uma avaria no carro uns quilómetros lá para trás e de repente apareceu um cavalo preto vindo nem sei donde e disse-me "Carburador. A tampa do carburador está solta." Arranjei aquilo e o carro ficou bom...
- Pois.- disse o homem da bomba devolvendo o olhar à mangueira enquanto abastecia.
- Vomecê teve muita sorte. - acrescentou.
- Então porquê? - retorquiu Jaime com a certeza que tinha de que o homem da bomba não percebera patavina, ou não acreditava, naquilo que ele lhe acabara de contar.
- É que tem andado por aí um cavalo castanho que não percebe puto de mecânica.-
Esclarecimento
Publique-se.
(*) Prática batoteira compulsivo-obsessiva tão do agrado do neoconismo económico.
sábado, junho 30, 2007
Das Moscas
Tudo neste país está às moscas. O património, os museus, as ruas, aldeias, vilas e cidades.
Está tudo à mercê das moscas.
Umas são lustrosas e verdes. Outras zumbem em contrabaixo, varejeiras portanto. Outras ainda, compenetradas em danças misteriosas à contra-luz, súbitamente acometidas por impulsos inconfessáveis que se traduzem em trajectórias repentinas e sem sentido para logo regressarem à calma morna do calor no meio da sala, valsando. À contra-luz.
Às vezes uma, decerto contrafeita com o destino, investe decidida contra a vidraça de uma janela. Encantada talvez pelo brilho ofuscante de uma realidade que não conhece mas suspeita.
Têm em média uma semana de vida. Nesse tempo, que é o tempo de vida de uma mosca, têm que compreender o mundo em que cairam. Mas não conseguem. Uma semana é pouco tempo. Dedicam-se portanto à criação de nova geração de moscas, passando-lhes o testemunho.
Elas que descubram. Ou que se reproduzam até descobrirem. Ad aeternum.
Da indignação
Ou um canal de TV.
Sobretudo quando cerca de cem deles se encontram aparelhados com 50.000 € de equipamento estomatológico ao abandono desde 2004.
Depois ainda dizem que tenho mau feitio...
quarta-feira, junho 27, 2007
Verão
Já desesperavam as gentes com a falta de uso dos carros de bombeiros, das mangueiras, da gritaria, das reportagens da TVI, das aeronaves-duche e restante equipamento proto bélico de combate aos incêndios. É verdade que tem chovido até há pouco tempo e que o clima tem estado ameno. Mas aposto em como também é verdade que ficou muito por fazer no que respeita a prevenção: desbaste de matas, limpeza de aceiros, formação profissional de brigadas de intervenção, instalação de palanques e video câmaras nas florestas, enfim, um sem número de actividades parvas que poderiam pôr em sério risco as tradicionais negociatas sazonais de meia dúzia de oportunistas.
sexta-feira, junho 15, 2007
segunda-feira, junho 04, 2007
Da Matemática
Tese: Pianos = Chatos
Demonstração:
Pianos = Pi + anos
Pi + anos = Pi + ânus
Ânus = Olhos do cú
Logo: Pi + anos = Pi + olhos do cú = Piolhos do cú = Chatos
Da Língua Portuguesa e outros
Aquilo era o que se pode interpretar como "Se quiserem cagar nos erros tá-se bem ca malta liga beca a essas merdas".
Para bom entendedor meia palavra basta. Para a geração "tá-se", de polegares hiperdesenvolvidos e vocabulário reduzido, meia letra basta.
Há que desencefalar as hostes, analfabetizar os nativos, convertê-los numa chusma de zombies de auricular atarrachado ao crânio portadores de cartão único. E pô-los a votar.
Sugestão para um dois em um : abrir a "Época Oficial dos Incêndios" fazendo-a coincidir com o "Dia da Árvore".
Da mesma maneira que nunca se soube quem andou com pézinhos de lã a comprar terrenos na orla da barragem do Alqueva nos últimos anos (e que foi depois choruda e lacrimejantemente indemnizado) jamais se saberá quem tem andado a fazer o mesmo pelas bandas da OTA.
Não basta aos povos lerem e entenderem a experiência de outros povos para rejeitarem liminarmente determinados regimes e ideologias. Como é normal, infelizmente devido a vicissitudes várias, esses povos são amplamente analfabetos e intrínsecamente iliteratos tendo que provar primeiro da gamela para se arrependerem depois. Os que forem a tempo.
Veja-se os apoiantes de Chávez, por exemplo.
Verdadeiros Porta-Chávez.
Luís Filipe Scolari não gostou de ouvir os "Olés" gritados pelo público português presente no último Bélgica-Portugal. Das três uma: ou não gosta de touradas ou não gosta do público português ou anda armado em parvo.
Definição de República: regime que, entre outras coisas, permite que um arguido em casos de pedofilia se torne juiz enquanto impede que arguidos em casos de corrupção se candidatem a Presidentes de Câmara.
sexta-feira, maio 25, 2007
E vão 7
Baliu o ministro e toda a gente ouviu.
Um tique albicastrense? À Castelo Branco? Talvez.
Vai-se a ver e na próxima exibe-se depilado, sobrancelhas aparadas e sapatinhos de crescer, de salto alto.
Se calhar.
Mas o ministro continua.
Do outro lado do mar, Jardim reduz a zero qualquer oposição com menos de cinco ou quatro ou três deputados. Expulsa-os. Tira-lhes o assento. E o acento.
Mas Jardim continua com assento e acento. Lá, na Madeira, e cá na piolheira, no Conselho de Estado.
É a República, a coisa, no seu melhor.
Imagine-se o que seria no seu pior.
Um professor de inglês (técnico? talvez) foi suspenso por ter dito um chiste, um remoque uma graçola sobre O Primeiro Ministro De Portugal.
Indignam-se as hostes. Descabelam-se furiosos os indígenas em espasmos de indignação. "É um atentado à liberdade de expressão", vocifera a nomenklatura ultrajada. Pois é. E depois?
Um dia destes ainda se lembram de atentar contra a liberdade de impressão.
Aí é que vão ser elas.
O sorriso de Portas
Desapareceu.
Há meses atrás era luminoso, cintilante, encadeante e, quiçá, cegante.
Agora não.
É bem patente o esforço com que, ginasticando ao limite a beiça superior, se esforça por ocultar o brilho resplandescente, autêntica cascata de luz, daquele sorriso sempre que uma Câmara se lhe atravessa na rota.
Agora percebo a minha sogra que, numa mafona de nubente, se desmultiplicava em manobras e rodopios à procura dos óculos escuros sempre que a Sancha dizia "Mãe, vai falar o Portas".
Resultado das investidas do Gato Fedorento? Talvez.
PPM.
Gonçalo da Câmara Pereira, eleito na Câmara de Arronches, candidata-se a Presidente da Câmara de Lisboa.
Para o ano, se calhar, candidata-se a espantalho num pomar.
De pêras.
BE.
Sá Fernandes, o candidato independente do Bloco de esquerda, evoca Ribeiro Telles a torto e a direito.
É obsceno? Não sei.
Mas que tem um não sei quê a ver com as atrocidades inquisitoriais cometidas pela Igreja em nome de Deus e as barbaridades taliban em nome de Alá, lá isso tem.
O Sol.
Não dá brindes? Não compro.
Constança Cunha e Sá.
Indigna-se no Público de hoje contra a manifesta inacção do Presidente da República.
Duuuhhh...(leia-se dââââââ..............)
Nota: Portugraal, sendo um blog monárquico, jamais pactuará com a calamidade a que o RREC (Regime Republicano Em Curso) vem encharcando esta terra a que, um dia há muitos anos, chamaram Portugal.
segunda-feira, abril 23, 2007
Diz que é uma espécie de coiso
- E então o que é que isso tem? Também não é Filósofo!
- Sócrates?-
- Diz que é nome próprio.-
domingo, abril 15, 2007
Mais 1
O país é pequeno, as cabeças pensantes julgam-se poucas e prenhes de jurisprudência e a vontade de perorar sobre códigos de conduta na blogos é indómita.
Quiçá incontinente.
Eis FJV na peugada de JPP(*).
Além de que tenho para mim que a retirada estratégica de caixa de comentários do alcance de mão comentadora é sintomático.
(*) JPP é, como sabem, autor de um blogue de que este terreiro se orgulha de jamais ter linkado.
Obrigado pela ajuda
A esta hora deve estar deambulando, descabelando-se aos urros e uivos no imenso limbo blogosferociberinternético ou lá como se chama o sítio.
Obrigado ao Foziber, à Riacho, ao JPG e ao Daniel Carrapa pelas sugestões e pela ajuda.
Segui a pontaria do Daniel e acertei no Geoloc.
Foi tiro e queda.
terça-feira, abril 10, 2007
Carraças, Carrapatos, Chatos, Pulgas e outros parasitas
Ou seja, alguém resolveu parasitar aqui o terreiro com reclames e outras merdas a que o autor deste espaço, registe-se, é inteiramente alheio.
Apreciaria com agrado que algum dos meus parcos leitores me fornecesse os meios e providenciasse a técnica cibernáutica necessária e suficiente para que pudesse recambiar este oportunista desescrupulado para o sítio de onde nunca deveria ter saído para me assombrar a existência. Ou seja, o inferno.
Dão-se alvíssaras, sob a forma de empenhadíssimos agradecimentos e , quiçá, um honroso link de primeira água, que é como quem diz, de primeira página, a quem possa ajudar.
Que merda.
segunda-feira, março 26, 2007
portugalinho dos pequenininhos
Acho que nem merecem melhor.
Nada a ver com a coragem e determinação dos antepassados que os precederam e que, com muito sangue, suor e lágrimas, fizeram esta Nação.
Quem sai aos seus não degenera, diz o povo, essa grande amálgama de cagaço e impotência.
Talvez não. Mas também não regenera.
sexta-feira, março 16, 2007
O homem que fuma extremamente pouco (Cap.II)
- Boa tarde.
- O senhor é que é o homem que fuma extremamente pouco, não é verdade?
- É. Outravez?
- Outravez o quê ?
- Essa pergunta. Já lhe respondi há dias atrás.
- Desculpe mas não me lembro.
- Pois é o que dá.
- É o que dá o quê?
- Isso de se ser jornalista.
Tecnofagia
As diferentes "caixas" do texto do post anterior são um capricho do novo blogger.
Uma chatice.
E isso sem falar da transformação dos links em expressões ininteligíveis empestadas de acentos e caracteres em aramaico clássico ou fenício arcaico ou criptografia achinesada aquando da transição do velho blogger para o novo blogger.
Este planeta está a ficar insuportável. Depois de proibirem os foguetes, o álccol, o tabaco, as colheres de pau e os grelhados de carvão na rua fazem-se os arraiais e festas populares com quê? Água do Luso e peixe cozido?
Cidadão encartado

Cartão único, número único. É a prova, mais uma, em como a Constituição do regime é tão maleável como um junco sob mais leve brisa, sopro, ou bufa, desde que se mantenha imutável o artigo que obriga a que o mesmo seja uma República. A elasticidade desta Constituição e do regime que nela assenta é tal que, comparadas com ela, as cuecas da Bécassine parecem espartilhos.Que o reles indígena seja reduzido a um número, até dá jeito, dizem. Pergunte-se na rua e o povo dirá: “Acho muito bem!” Ou então: “ Já não era sem tempo! Tanto cartão, tanto cartão, tanto cartão para quê ?? Ele é o bê-ii, o passss, o mutibanc o c'rt'ão'd'studant a carta de condução, ou o camandro. Assim só com um cartão é tudo muito mais simples! O verdadeiro simpléksse”.
O povo é assim. Gosta de coisas simples. E que mandem nele. Simplesmente.
sábado, março 03, 2007
O homem que fuma extremamente pouco
- Boa tarde.
- O senhor é que é o homem que fuma extremamente pouco, não é verdade?-
- É.-
- Como é que se sente com esta nova lei que proíbe que se fume em lugares públicos, restaurantes e bares com menos de cem metros quadrados, etc.
- Sinto-me profundamente discriminado. Acho uma injustiça.
- Ora essa! Então sendo o senhor uma pessoa que fuma extremamente pouco deveria estar-se, como é que hei-de dizer, completamente nas tintas para isso, não lhe parece?
- Não. Claro que não. Eu fumo cerca de, mais ou menos a quantia aproximada de dois ou um cigarro por ano. Imagine que num certo dia estou num local desses onde é proibido fumar. Imagine que é precisamente nesse dia e nessa altura que me apetece fumar um cigarro. Não posso! Só por causa dessa lei! Acho isso uma injustiça.
- Eu acho essa merda toda uma parvoíce do camandro.
- Desculpe, mas quem é o senhor ?
- Eu ? Eu ia a passar por aqui e comecei a assistir a esta entrevista e acho isso tudo uma parvoíce do camandro.
- Isso o quê?
- Isso tudo. Você, o microfone, a cara de parvo do gajo que fuma extremamente pouco e a puta que os pariu aos dois.
- ...-
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Um post tipo Jerry Seinfeld
Geralmente nem são modelos novos, muitas vezes até são carros usados. Dizem -Olha-me aquela bomba!- Aproximam-se lentamente e miram-no como se estivessem a ver um protótipo de OVNI recém aterrado. Rodeiam-no, andam à volta dele, apontam para as rodas, espreitam lá para dentro, tocam-lhe, afagam-no, retiram folhetos informativos pejados de erros ortográficos e guardam-nos cuidadosamente, fazem perguntas parvas. Para quê? Podiam simplesmente dar uma volta pelo parque de estacionamento do Centro Comercial e viam não um mas dezenas de carros muitos deles iguais ao que está exposto e muitos outros diferentes! Mas não. Há qualquer coisa indefenível que as atrai para verem AQUELE carro. Como varejeiras à volta de uma carcaça.
Notícias.
Alberto João Jardim demitiu-se.
Uma má notícia:
Alberto João Jardim vai-se recandidatar.
Uma péssima notícia:
Alberto João Jardim vai voltar a ganhar as eleições.
Um Rei!
O desnorte a que a república nos conduziu é total.
Primeiro fecham as escolas. Depois as maternidades. Agora os centros de urgência regionais.
Sócrates e a nomenklatura republicana que continuem desenterrando o maior número possível de "causas fracturantes" que entretenham os massmérdia (CFA dixit) na sua predação incontinente. E não faltam sugestões: desde a IVG (este já foi) ao TGV, passando pelo matrimónio gay, pela adopção gay, via eutanásia, rumando ao aeroporto da Ota, etc., e o camandro.
Senão...o santo povo português ainda se põe a pensar em coisas estranhas e obstrusas tais como as inexistentes razões de ser de um regime tão empenhado, que está, em arruinar as gentes a que se impôs.
E não me venham com as tretas do costume que monarquia é sinónimo de reaccionarismo, de extrema direita, de coisa do passado, anacronismo, etc.; Monarquia é, cada vez mais, a alternativa, ilegalizada por uma Constituição proto fascista de regime único, empenhada no futuro de Portugal. Como o foi, quando o viu nascer, em 5 de Outubro de 1143.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
A verdade é esta
No próximo dia 11 de Fevereiro referendar-se-à o fim, ou não, do aborto clandestino.
sábado, fevereiro 03, 2007
Sentido de Estado
Há mais: Manuel Pinho disse alto na China o que se resmunga em surdina pelos becos cá do terreiro: que a maior competividade indígena reside nos baixos salários e que um dos travões ao deslizar eficaz dessa bendita competividade reside na acção reaccionária dos sindicatos. Pinho passou de imediato a constituir mais um número na lista negra da nomenklatura republicana. A dos que não têm o tal Sentido de Estado, ao dar a imagem de Portugal como sendo um país terceiro mundista. Como se não bastasse uma incursão atenta pelo território para se constatar o óbvio: noventa e seis anos de República consagraram Portugal no terceiro mundo. E sem retorno.
Eu explico: Sentido de Estado é ser-se coerente. Quem é pelos direitos humanos no café não pode espancar a família quando chega a casa. Qualquer Estado que não invista na educação, formação e qualificação dos seus cidadãos, além de não ter Sentido nenhum, também não tem ponta por onde se lhe pegue. Ao pé disto, qualquer campanha de regime, como a da remoção de simbologia religiosa das salas de aula, não passa de um tique de ecologista com tesão de mijo.
Mas tal Estado existe: Chama-se República Portuguesa.
Mas ainda há mais.
A nomenklatura republicana varre todo o espectro partidário nativo. A indignação contra Ana Gomes e Manuel Pinho veio de todos os quadrantes, desde o PS ao PSD. Por isso digo que questionar o prazo de validade do regime republicano não é uma utopia quixotesca. É um acto legitimado pelos sucessivos fracassos de um regime que, nunca reconhecendo o legítimo direito à propriedade cínicamente consagrado na sua própria Constituição, tudo tem feito para atrasar, retardar e impedir a resolução de questões inadiáveis submetido, como está, ao poder corporativo de meia dúzia de classes profissionais herdado do Estado Novo e obscenamente protegido no pós vinte cinco de Abril. O resto é conversa.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Um brinde...
La Lhéngua Mirandesa, doce cumo ua meligrana, guapa i capechana, nun yê de onte, detrasdonte ou trasdontonte mas cunta cun uito séclos de eijistência.
Sien se subreponer a la "lhéngua fidalga i grabe" l Pertués, yê tan nobre cumo eilha ou outra qualquiêra.
Hoije recebiu bida nuôba.
Saliu de l absedo i de l cenceinho an que bibiu tantos anhos. Deixou de s'acrucar, znudou-se de la bargonha, ampimponou-se para, assi, poder bolar, strebolar i çcampar l probenir.
Agarrou l ranhadeiro para abibar l lhume de l'alma i l sangre dun cuôrpo bien sano.
Chena de proua, abriu la puôrta de la sue priêça de casa, puso fincones ne l sou ser, saliu pa las ourriêtas i preinadas..
Lhibre, cumo l reoxenhor i la chelubrina, yá puôde cantar, yá se puôde afirmar.
A la par de l Pertués, a partir de hoije, yê lhuç de Miranda, lhuç de Pertual.
Que é, como quem diz, vão-se ....
(Vá...vá...leiam e classifiquem isto, seus literatos de água doce!)
domingo, janeiro 28, 2007
Agora a sério...
Vai uma aposta?
sábado, janeiro 27, 2007
sexta-feira, janeiro 26, 2007
terça-feira, janeiro 23, 2007
Variedades I
A TvCabo anuncia com pompa e circunstância uma novidade de mercearia: 3 em 1.
Telefone, Net e TV num pacote por 60 € (sessenta euros) mensais.
Para concorrer directamente com a PT. De que faz parte.
É a concorrência nacional: o cú compete com as calças o tamanho e a medida.
Época de caça
Às multas. Com início previsto para Abril, inaugura-se nova modalidade de caça (grossa).
Os comedouros e portas já estratégicamente distribuídos pelas principais artérias da capital da república.
As presas : os contribuintes que decidam circular a mais do que 5% da velocidade autorizada.
Os caçadores: os do costume.
Hipocrisia
MST no Expresso passado revela: A Partners, empresa de publicidade, é responsável pela campanha dos apoiantes do Não. A mesma Partners foi a autora da campanha da TV Cabo em que um cara de cú desgraçado chega a casa todos os dias para saber que, em cada dia, um membro da sua família partiu porque não havia TV Cabo em casa. Até a sopeira abalou, de armas e bagagens, a caminho de Espanha e a cavalo numa aranha.
Espanto
A inteligentsia nativa indigna-se, arrepela-se, descabela-se e espuma de raiva com a co-habitação Salazar/Cunhal nos dez finalistas da última corrida de parvos patrocinada por Homo lava mais bronco.
Porquê? Afinal foi do melhor que a república produziu.
Polícia I
Um polícia agrediu à coronhada um suspeito em fuga. Como tinha disparado para o ar antes das coronhadas, tinha a arma destravada e acidentalmente matou o suspeito com um tiro na cabeça, entre duas coronhadas. Pena: uma multa.
Polícia II
Outro polícia conduzindo um Audi A6 ao efectuar uma ultrapassagem pela direita (leia-se berma) atropela um desgraçado que mudava um pneu. Duas senhoras dentro do carro terão dito olha lá acho que atropelaste o gajo.
Naaa... Terá dito o polícia que se entregou seis dias depois ao ler a notícia nos jornais.
António Costa, entre dois sorrisos, afirma que foi um caso isolado.
Graças a Deus.
Consta que a frequência com que condutores de provecta idade insistem em aceder às autoestradas em contramão não tem nada a ver com tendências suicidas mas sim com impulsos homicidas em massa.
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Figura do ano 2006
terça-feira, janeiro 09, 2007
Aborto
Persegui-las criminalmente por isso é um tique inquisitorial, quiçá pombalino.
Sim à despenalização.
Não ao aborto.
Agora aguentem-se.
Então é assim

António Costa no jornal da 2 diz a propósito de qualquer coisa em 2006: Isso foi no ano passado. Agora, ano novo vida nova.
Pois sim.
Depois ainda se admiram que, no curso superior de História, alunos se refiram a D. Nuno Álvares Pereira como o Conde Estável.
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O governo da república laica socialista preconiza a extinção de consulados que, por essa Europa fora, obrigará os remetentes de mais de mil milhões e meio de Euros (de Janeiro a Setembro de 2006) a percorrerem mais de 500 km para pagarem os emolumentos que rendem à supracitada república cerca de 12 milhõees de euros a tilintarem em saco azul (TSF- hoje).
Em compensação temos embaixador em Malta.
O Jaime, o traste que por ignomínia do destino é meu irmão, tinha um amigo que tinha uma perna mais curta do que a outra. Em compensação a outra era mais comprida.
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Cavaco avisou no Natal: a partir de 2008 é a doer.
Quem tiver ouvidos que oiça.
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Ratzinger welcomes Turkey to Europe Community, after all.
Muito antes dele já a bifalhada o instituira como prato de Natal.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
A trapalhada continua ou um post à arquitecto Saraiva
Durante os últimos meses, acometido por ímpetos introspectivos impulsionados pelas partes nórdicas do meu complexo ADN, decidi pensar menos, escrever pouco e ler ao acaso. As notícias, os posts doutros blogs, os comentários, etc e tal.
Mas não.
Não vale a pena.
Mesmo agora oiço um camurço de marca registada a arengar na SIC sobre as vantagens ou não de existir um psicólogo em áreas balneárias.
O futebol, portanto.
Ainda o futebol: FJV exorta as hostes a comemorarem em alcântara (porquê em alcântara caralho) a derrota do FCP na saga da Taça de Portugal.
Um portista ferrenho, como ele, a comemorar a derrota do seu próprio clube é o quê senão um suicida sazonal? Um verdadeiro espingarda de rolha, é o que é.
Em boa hora o post do Dragão sobre a arrogância da pena de morte: do melhor que alguma vez foi escrito sobre a matéria; estudiosos, lê-de, estudai e assimilai, se conseguirdes, foda-se
A propósito de foda-se registo duas coisas:
A primeira é que o Sítio Do Foda-se tem servido de porta aviões priveligiado às andorinhas de arribação que aterram cá no terreiro.
A segunda é que a opção pelo calão vernáculo em muita da minha escrita tem servido para dizer a muita gente que não tenho blog nenhum.
Ele há coisas do caralho.
terça-feira, dezembro 26, 2006
Redacção
Em Agosto é melhor porque se pode ir à praia e isso. Entre o Dia de Natal e o Dia de Ano Novo é pior porque está mais frio e é mais chato porque só há neve na Serra da Estrela mas em compensação há presentes e coisas boas para comer. É por isso que se diz que além das quatro estações Portugal tem também dois apeadeiros: um no Verão e outro no Inverno. No resto do ano Portugal também está parado mas nota-se menos. Há um grande esforço do governo, do presidente da república e de muitas pessoas que aparecem na televisão para nos convencer a todos que isto mexe.
Só que não mexe. Está parado. O que passa ao lado com muita mecha é o tempo, e é isso que nos dá a ilusão de movimento.
Um Bom Ano Novo para todos e, como disse o Micróbio II, que 2007 seja mesmo um ano ímpar.
sexta-feira, dezembro 01, 2006
domingo, novembro 26, 2006
Ai Portugal Portugal...
Vou citar o estafado exemplo do cão, para quem até já foi proposto um dia nacional, mal sabendo o bicho que teimam em reciclar-lhe a designação. Os defensores do dia do cão deveriam promover uma manifestação do tipo "passeio do isso-é-que-era-bom" em que se juntasse o maior número de canídeos possível na Baixa Pombalina (chama-se assim por causa da chusma de pombos que a infestam) seguidos pelo seus defensores devidamente munidos de saquinhos de plástico, que enquanto se descabelavam aos urros e uivos iam recolectando os seus dejectos da via pública, dando assim o exemplo.
Mas há mais.
Enquanto em todo o país igrejas, capelas, conventos e castelos se vão degradando de ano para ano, a NRP promove e contribui para mais uma Maior Árvore de Natal da Europa, objecto de peregrinação para os basbaques e, quiçá, motivo para mais um almejado registo no Guiness Book of Records, inicialmente uma promoção de marca de cerveja irlandesa e que se tornou em mais uma obsessão nativa, a par dos Pais Natais enforcados nas janelas acompanhados por esfarrapadas bandeiras da República.
Das forças que dão vida a uma Nação, a Língua, o Território e o Património têm o destino traçado.
Quanto ao Povo, é o que se vê.
NRP - Nomenklatura Republicana no Poder
terça-feira, novembro 14, 2006
À vossa!
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O tempo encarregou-se da árdua tarefa de me fazer crescer semi acompanhado pela tragédia ambulante chamada Jaime que, por cruel opção de meus pais ou travessura ignóbil do destino, era o meu irmão. Chegada a altura da escolha por um curso superior entrei em profunda depressão sem conseguir ter a mínima dose de coragem que me fizesse dizer em voz alta e ao jantar: Não faço ideia do que fazer com o futuro da puta da minha vida.
O meu irmão Jaime, pelo contrário, optara pelo curso de Engenharia Civil, embasbacado como andava com os à vontades do Engenheiro do 2º Esquerdo com a filha do médico do 1º Dto.
Quando num país pobremente envelhecido como este, Engenharia Civil rima com patobravice assanhada, o futuro apresentava para o meu irmão os contornos volúveis de uma qualquer actividade envolvendo as palavras construção civil com pejo, enlevo e carinho.
Daí à criação da sua própria micro empresa de assentamento de tijolo enquanto frequentava o 3º ano do Técnico foi uma bufa.
Os operários, esses, recrutava-os em plena Marginal, a qualquer dia da semana. Bastava-lhe abrandar o Golf TDI podre e entrar nos recessos ao longo das praias de Carcavelos e Caxias enquanto apregoava: Carpinteiro...Pedreiro...Serralheiro... e as cabeças voltavam-se, recolhendo as linhas de pesca e acenando com os bonés na mão.
Mas o negócio correu mal ao meu irmão, essa chaga ambulante, e a parte dos trabalhos a mais, idêntica à fase de nulos ou positivos no King, veio provar que até aí o fracasso lhe dava o braço solidariamente.
Até que um dia o Jaime se passou. Foi à lota de Cascais e comprou uma dúzia de robalos pouco frescos, 2 Kg de lulas em estado pré-comatoso, uma dúzia e meia de anchovas do Yemen e 4 Kg de pescada de Cascais. Juntou tudo numa grande sacada e atacou. Começou por Carcavelos, abrandando o carro ao longo do recesso da Marginal e bombardeando as fronhas dos pescadores, esses eternos pescadores da Marginal, com o conteúdo da saca, distribuído sorteado e à discrição.
Calões!, berrava ele, cambada de calões! Vão mas é trabalhar, corja de malandros!
Um dos pescadores, atingido por sinal por uma potra em adiantado estado de decomposição, resolveu reagir rugindo: Foda-se-caralho-que-merda-é-esta?!
É o que tu pescas, grandessíssimo cabrão! É o que tu pescas! - retorquia rindo à gargalhada.
Depois chateou-se e foi para África.
quarta-feira, outubro 04, 2006
Os Herdeiros
Uma mudança do comportamento cívico dos portugueses e alterações no
modelo de combate aos incêndios, agora assente no comando único,
explicam, na opinião do ministro da Agricultura, Jaime Silva, que em
2006 as chamas tenham consumido 72 mil hectares, ou seja, abaixo da meta
dos 100 mil estabelecida pelo Governo a partir de 2012.
Os números actualizados da área destruída pelos fogos florestais foram
ontem apresentados aos deputados da Comissão Parlamentar de Economia.
Houve um aumento de dois mil hectares relativamente ao que tinha sido
divulgado a 20 de Setembro, que se explicam pela verificação dos dados
que entretanto foi feita, uma vez que não se registaram mais ocorrências
desde essa altura.
Os deputados não deixaram, porém, de criticar que a meta do Governo se
situe nos 100 mil em vez dos 44 mil propostos pelos técnicos e
questionaram se o investimento financeiro que tem sido feito no combate
compensa face aos resultados. O ministro anunciou ainda que nenhuma mata
gerida pelo Estado foi afectada este ano pelas chamas.
Uma questão de mais mil ou menos mil hectares, afinal de contas que merda é essa num país de analfabetos e de morangos com açucar? Cagativo, meus amigos, cagativo.
O sururu do Beato provocado pelos fasssistas do Compromisso Portugal agitou as hostes e, ó senhores , se agitou. Serviu até para que a bola semiótica, aka Prado Coelho, proclamasse pelos quatro costados aos quatro ventos a morte da direita, sem se aperceber, o pobre coitado, quão alquebrado de costas e, espanto dos espantos, direito ele é. Quadrado mesmo, numa perspectiva geométrica completa.
O cinzentismo socratiano e a sua política populista é o mais parecido com o salazarismo desde que Salazar morreu.
A glorificação da nomenclatura do pensamento único anima estertores de última hora pela boca de Helena Roseta.
A terceira via de Anthony Giddeons, que começou na prática com Blair, arrasta a sua baba retardadora na terra de Camões. Em Londres os ventos estão em vésperas de mudar. Em Portugal, as vontades são mortas à nascença.
Cinco de Outubro ? Sempre. Mas o de 1143.
Que o de 1910 está podre e cheira mal.
segunda-feira, agosto 28, 2006
Histórias de Encantar IX
O jornalista abrandou e encaracolou o carro no pequeno largo com laranjeiras da vila, encostando-o de topo contra o lancil do passeio. As janelas escancaradas e o tecto de abrir do velho Renault eram inúteis contra o braseiro parado daquelas sete horas da tarde em Beja.
Abriu a porta e descolou o cu das calças da napa encharcada do assento, enquanto arrastava para fora do carro uma pasta com um portátil, um bloco, algumas canetas e um transformador.
Com a mão em pala sobre os olhos, rodou lentamente sobre si próprio à procura das fitas de plástico multicolores penduradas de alguma porta, sinónimo regional de tasca e possível cerveja fresca. Avistou-as e para lá se dirigiu, devagar e pela sombra.
Afastadas as tiras de plástico atirou um “boa tarde” lá para dentro, enquanto habituava os olhos à escuridão, como quem atira um osso para dentro de um escuro canil de galgos quando lhes quer encher as malgas com água fresca.
Devolveram-lhe alguns b’tard que ouviu em semiuníssono enquanto descia os dois degraus em direcção ao balcão.
- Uma Imperial se faz favor.- pediu, enquanto deitava a pasta sobre o balcão.
- A imperial hoxe extá um’ocadinho cuxida. - desculpou-se o homem por detrás do balcão sibilando correntes de ar a custo por entre as laterais da língua, das bochechas e o palato, tudo isto acompanhado de um esgar como se padecesse de cólicas crónicas.
– Mas temos fresquinha engarrafada.
- Pode ser.
Enquanto aguardava a fresquinha engarrafada, o jornalista perscrutou o ambiente, agora que os olhos por detrás das lentes encardidas de um par de óculos sem aros se iam habituando à pouca luz que boiava sobre o ar parado. Ao fundo, dois velhos apostavam sobre o tampo de uma mesa dividido em quatro por dois traços feitos com giz. O jogo era simples: cada um detinha a propriedade de dois quadrados em diagonal, o mais próximo do lado esquerdo e o mais afastado do lado direito. E vice-versa. Quando uma mosca pousasse num dos quadrados, o seu proprietário tinha direito a uma “renda” paga pelo outro. As moscas eram tantas e a falta de asseio do tabuleiro de jogo era tal que se perderam nas contas entregando-se, calmamente e com dedicação, a uma discussão parva e sem sentido nenhum. Duas mesas mais à direita estava sentado um cantoneiro beberricando uma gasosa e fumando em silêncio. O jornalista dirigiu-se para lá e disse:
- Boa tarde, posso sentar-me aqui a conversar um bocadinho com o senhor?
O cantoneiro olhou o desconhecido com desconfiança. Aquilo das duas uma: ou eram modos de pide, o que não fazia sentido nenhum, já lá iam tantos anos, ou era um daqueles paneleiros de Lisboa com profissões esquisitas e que acabavam sempre por arranjar lugares de mando nas Câmaras onde eles, velhos cantoneiros, trabalhavam há tanto tempo.
– Permita que me apresente, chamo-me Paulo e sou jornalista de Lisboa. Tenho andado aqui pelo Alentejo a fazer um trabalho de pesquisa sobre o impacto que a regionalização poderá vir a ter, caso venha a ser votada favoravelmente no referendo que se aproxima.
– Ahhh...- retorquiu o cantoneiro após o doloroso esforço de se decidir sobre que tipo de mamífero se lhe sentara na mesa e qual as verdadeiras intenções do mesmo.
– Então, continuou o jornalista, vamos começar pelo senhor que é um habitante de Beja, não é verdade ?
– Sou sim senhores. Sou de Beja desde que nasci. Já lá vão...
– Então diga-me cá uma coisa, se souber. Enquanto os habitantes de Évora se chamam Eborenses, ou os de Estremoz Estremocenses, ou mesmo os de Santarém, imagine-se, Escalabitanos, como se chamam então os habitantes de Beja?
Um silêncio profundo caiu sobre a mesa, arrastando-se às outras mesas e subindo pelas paredes até ao tecto imundo, até que a pouca actividade existente e diálogo que havia cessaram por completo. Só o zumbido das moscas certificava que ninguém ensurdecera de repente.
- Como se chamam os habitantes de Beja? – repetiu incrédulo o cantoneiro. – Mas o quê? Todos ?-
domingo, agosto 13, 2006
Mais um post
Comecemos pela retirada de cena de Fidel. Então não é que ouço e vejo Miguel Sousa Tavares comentando na TVI a tecer-lhe admirações como quem desenvolve tapetes de Arraiolos, "que era uma pessoa com convicções, que nunca se quis servir do poder para enriquecimento próprio que, enfim, nutria uma certa admiração por pessoas deste tipo, que quando comparados como a classe política de agora marcam uma diferença ...." etc, etc,. Não tivesse eu percebido que dissertava sobre Fidel e juraria que o discurso se aplicaria que nem uma luva ao velho botas, que massacrou estas gentes durante mais de quarenta anos, mercê precisamente das suas fortíssimas convicções e do seu desapego a fortuna própria. Ele há coisas do camandro.
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Passou a lei da paridade, e com ela mais um atestado paternalista de incompetência foi passado às mulheres portuguesas.
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Os fogos continuam. Postos por mão criminosa mas de imediato localizados os culpados: os aldeões que, com os foguetes que lançam nas suas festas de verão, são eles afinal os grandes responsáveis pela calamidade anual que assola o país.
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Curioso também que o coro dos que gritavam e berravam pelas ruas "Portugaliiiii ti ti ti pó pó pó",
tenha sido o mesmo que se ergueu indignado com a possível e justa isenção do pagamento de IRS sobre os prémios dos jogadores. O povo é assim: uma besta que vai para onde se lhe aponta o aguilhão. Se ao menos estivessem atentos às mudanças anuais de frota automóvel dos que falam em solidariedade perante a crise...
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Hove um avião israelita a caminho do Médio Oriente carregado de material não ofensivo (provavelmente panelas de pressão, esfregões bravo, revistas "Maria" e terços) que se serviu do aeroporto das Lajes para reabastecer. O Governo disse que foi um acontecimento de carácter excepcional. Exacto.
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Eduardo Prado Coelho afirma que não lê blogues. Faz mesmo questão de o repetir. Também afirmou, na Visão e com orgulho, que não faz a barba desde 1972. Para Taliban também já lhe falta muito pouco.
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Sobre o recente movimento "Não apaguem a memória" só tenho isto a dizer: A memória foi e é apagada diariamente neste país. Quer com a delapidação constante do património nacional, em que as armas com a coroa foram e têm sido sistemáticamente arrancadas dos frontões de fortes(*) ,castelos e monumentos, quer que com as comemorações do próprio 25 de Abril, em que só um pífio punhado de gente se juntou este ano na Praça do Município para as suas comemorações.
Enquanto o direito à propriedade não for respeitado neste país podem os senhores do poder ter a certeza que a memória não será apagada.
(*) Veja-se a recente "recuperação patrimonial e arquitectónica" do Forte de Caxias, em que permanecem vergonhosamente mutiladas as armas reais no frontão da sua entrada. Vê-se da Marginal.
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Só mais uma coisa: A Ponte de aço, suspensa, que liga Lisboa à outra margem é e será sempre A Ponte Sobre O Tejo. Nem Salazar a fez, nem a fizeram num só dia. Em memória dos que nela trabalharam e morreram.
segunda-feira, julho 31, 2006
Alentejo II
O fim de tarde ia acontecendo, com sol forte e sem vento, sobre as searas de trigo a perder de vista. A hora era de Alentejo em ponto. Atravessando essa paisagem, salpicada por azinheiras e sobreiros centenários, arrastavam-se devagar e silenciosos dois pastores conduzindo sem pressas o rebanho aos currais do Monte, que ficava aí a uns dois quilómetros para poente.
De olhos postos no chão, que o sol estava áspero e encadeante, um deles repara em uma ponta de charuto caída entre a erva seca, na berma do caminho. Pára, baixa-se lentamente e segura a beata de charuto com cuidado. Enquanto se endireita, com o vagar e perplexidade de quem tem todo o tempo do mundo mas acabou de fazer uma descoberta súbita, rola lentamente a beata de charuto entre o polegar e o indicador da mão direita. Diz:
- Sabes uma coisa Zé? Isto, isto é que é fumar. Olha bem p'ra isto. Igualzinho aos do Engenheiro.
Metendo a mão esquerda no bolso das calças, por debaixo dos safões encardidos, retira um velho isqueiro a gasolina com que acende a beata de charuto. Após inspirar profundamente duas longas fumaças, deixa sair o fumo devagarinho por entre os dentes descarnados pela piorreia e os beiços entreabertos. Observa por instantes o morrão aceso, as sobrancelhas arqueadas e, pensativo, diz:
- Um gajo pranta uma merda destas nas beiças e sente-se logo rico, pôceras!-
- Ah é? - respondeu o outro.
- É pois. Tás vendo além aquele olival entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva?
- Tou. Que é que tem?-
- Amanhã vou comprá-lo. Todinho.
- Porra, pá. passa-me aí essa merda e deixa-me cá experimentar também pra ver como é que é.-
O outro passa-lhe a beata de charuto e ele dá duas fumaças curtas seguidas de uma longa e bem puxada. Enquanto solta o fumo devagarinho, semicerra os olhos na direcção do olival entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva. Diz:
-É verdade Tói tu tens razão. Um gajo sente-se logo outro. Mas dizias tu...
- Disse que vou comprar aquele olival além, entre a arceada do pasto e o cabeço da viúva.
-Nããã. Não me parece.
-Então porquê?
- Porque não to vendo.
quinta-feira, julho 06, 2006
Era só o que faltava!
Primeiro munidas de uma micro câmara extensível, qual peepshow de trazer por casa para depois se aventurarem num frenesim que se adivinhava carregadinho de patrocínios, preparavam-se as indígenas criaturas para se dedicarem a mais uma variante do passatempo nacional republicano: a devassa do sossego alheio em nome sabe-se lá de que sombrios desígnios e inconfessáveis objectivos.
Ora aguentem-se lá durante mais um mesito ou dois, até preencherem os requesitos e papeladas necessárias que o caso não é para amadorismos de Pauleta, que é como quem diz, assim em jeitos de meia volta e força.
Tenho dito.
sexta-feira, junho 30, 2006
O Barril no Horizonte III
É por estas e por outras que se avolumam as suspeitas de negligência médica por parte do cirurgião que implantou a banda gástrica no rubicundo EPC. Ao que consta foi no cérebro e não no estômago que a referida banda terá sido aplicada.
quinta-feira, junho 08, 2006
Ai Timor II...
A conversinha muito séria estará a decorrer neste momento.
terça-feira, junho 06, 2006
Polémicas
(*) Adivinha: Qual é coisa qual é ela que é branca e vai à janela?







