terça-feira, outubro 07, 2008
Angustia-me que...
... aterrem aqui no terreiro passaralhos que pespegam com acordo ortofônico como objecto de pesquisa no Google. É assustador, foda-se.
No regresso de Braga
Ouvindo a TSF, sou avisado de que, ao fim da tarde, no estabelecimento do Carlos Vaz Marques, também conhecido como a tasca do Pessoal e Transmissível será entrevistado Miguel Esteves Cardoso (MEC). Dei por mim a sorrir na espectativa. Chegada a hora apanhei uma barrigada de riso e boa disposição como há muito não acontecia. De repente aquele gajo dizia de si próprio qualquer coisa como "...aquele cabrão está gordo que eu sei lá..." com o à vontade de um político e a sinceridade de um jardineiro como se o importante fosse isso mesmo. Dizer o que nos apetece, quando nos apetece e o resto que se foda. Gostei de o ouvir dizer que os blogs estão na vanguarda da comunicação, sobretudo da imprensa. Escrita. Muito à frente de jornais, etc. É verdade mas sabe bem ouvi-la em broadscast. "E os blogs?" perguntou o Vaz Marques naquele tom de pergunta feita do alto de um trapézio (tenho uma fantasia que consiste no seguinte: O Carlos Vaz Marques executa todas aquelas entrevistas enquanto se baloiça sorridente em espaldares e argolas, num ginásio imaginário que é o seu habitat enquanto desencadeia perguntas e respostas naqueles minutos entre as sete e as oito da noite que é o tempo que lhe dão para entrevistar); "Adoro blogs" ripostou o MEC. "Estão na vanguarda da comunicação em Portugal. São dos melhores que há quando comparados com ingleses, americanos, etc. E, em Portugal, há pelo menos cem que são muito bem escritos, coerentes nas ideias, no grafismo" etc, etc.
Em Portugal não se come mal é o título do seu último livro. Depois de o ouvir dissertar sobre a eficácia da barreira sanitária anti-bacteriana que nos é gratuitamente disponibilizada através da ingestão de alho e wasabe face à prepotência inquisitorial de uma ASAE plenipotenciária ouvi tudo o que quis. Nunca nenhum português conheceu tanto os portugueses como aquele tipo.
Malgré o sotaque de menino da linha, quiçá paneleiróide, que tanto nos chateia, a mim e à Sancha, o MEC, sendo um dos maiores escritores que esta terrinha pariu nos últimos anos, é uma instituição. Já agora arranjem-lhe uma casinha aqui no burgo. Não é preciso uma Casa dos Bicos com Fundação e estacionamento à porta. Basta uma casa portuguesa, com pão e vinho sobre a mesa, no coração de cada um de nós.
Em Portugal não se come mal é o título do seu último livro. Depois de o ouvir dissertar sobre a eficácia da barreira sanitária anti-bacteriana que nos é gratuitamente disponibilizada através da ingestão de alho e wasabe face à prepotência inquisitorial de uma ASAE plenipotenciária ouvi tudo o que quis. Nunca nenhum português conheceu tanto os portugueses como aquele tipo.
Malgré o sotaque de menino da linha, quiçá paneleiróide, que tanto nos chateia, a mim e à Sancha, o MEC, sendo um dos maiores escritores que esta terrinha pariu nos últimos anos, é uma instituição. Já agora arranjem-lhe uma casinha aqui no burgo. Não é preciso uma Casa dos Bicos com Fundação e estacionamento à porta. Basta uma casa portuguesa, com pão e vinho sobre a mesa, no coração de cada um de nós.
O Fim ?
Talvez. Os Maias, os da América do Sul não os do d'Eça, alinhavaram um calendário até 2012 da nossa era. Pelo menos é o que garantem os entendidos na matéria. Mas só até 2012. Se calhar um deles, dos Maias, disse para os outros "estou mas é a ficar farto desta merda. Sempre a calcular fases da Lua, estações do ano e o camandro e ainda nem sequer temos telecomunicações de jeito. Vou mas é para casa comer um sarrabulho e o cabrão do calendário que se foda". E assim ficou o calendário a acabar em 2012. Poderia ter sido em 1921, ou 1456. Mas não. Foi mesmo mesmo até 2012.
Ou então descobriram uma merda qualquer e perceberam que não valia a pena continuar a calendarizar as voltas da Terrra para depois de 2012 porque não haveria vida nela depois disso.
Seja como for ando cá com uma vontade de mudar o template deste blog que não vos digo nada. Já mudei uma vez e tive uma trabalheira dos diabos a corrigir links. Não sei. Talvez um dia destes. Mas antes de 2012. Por causa das merdas.
Ou então descobriram uma merda qualquer e perceberam que não valia a pena continuar a calendarizar as voltas da Terrra para depois de 2012 porque não haveria vida nela depois disso.
Seja como for ando cá com uma vontade de mudar o template deste blog que não vos digo nada. Já mudei uma vez e tive uma trabalheira dos diabos a corrigir links. Não sei. Talvez um dia destes. Mas antes de 2012. Por causa das merdas.
domingo, outubro 05, 2008
865º aniversário

Em 5 de Outubro de 1143 nasce Portugal.
A 5 de Outubro de 1910 é imposto pelas armas o regime republicano, instaurada a 1ª república que, ao longo de vinte cinco anos de convulsões, perseguições inenarráveis e asneiras em cascata, desagua no Estado Novo, qual vómito incontinente.
Em 1926 a república passa de anarquista a fascista.
Desde então e até 1974, durante 48 anos, a 2ª república votou Portugal ao isolamento, ao atraso, à censura e ao desespero. Em nome da contabilidade. Das contas públicas.
De 1974 a 2008, a 3ª república preparou o caminho para Sócrates, o elo final na cadeia evolutiva do regime. Com Magalhães, recados à imprensa, choque tecnológico e tudo.
É normal que a república se comemore a si própria no centenário de 2010.
Mais ninguém se lembraria disso.
A 5 de Outubro de 1910 é imposto pelas armas o regime republicano, instaurada a 1ª república que, ao longo de vinte cinco anos de convulsões, perseguições inenarráveis e asneiras em cascata, desagua no Estado Novo, qual vómito incontinente.
Em 1926 a república passa de anarquista a fascista.
Desde então e até 1974, durante 48 anos, a 2ª república votou Portugal ao isolamento, ao atraso, à censura e ao desespero. Em nome da contabilidade. Das contas públicas.
De 1974 a 2008, a 3ª república preparou o caminho para Sócrates, o elo final na cadeia evolutiva do regime. Com Magalhães, recados à imprensa, choque tecnológico e tudo.
É normal que a república se comemore a si própria no centenário de 2010.
Mais ninguém se lembraria disso.
sábado, outubro 04, 2008
Coisas relevantes noticiadas nos últimos dias e que poderão ser utilizadas como aperitivo para as comemorações do centenário da república:
Casas da Câmara atribuídas por sorte (não por sorteio) a intelectuais, artistas, filhos de presidentes de junta, enfim, gente carenciada que deixará de deambular pela Baixa Pombalina à mercê das cagadas de pombo.
Independência do Kosovo reconhecida por Portugal será notícia surpresa e abertura de noticiários para a semana, depois de segredada aos ouvidos de toda a gente durante os últimos dias da semana passada. A razão é tão simples quanto apropriada: a maioria dos países amigos já o fez, portanto a república portuguesa também o fará.
A crise financeira internacional não afectará a república portuguesa devido à extraordinária solidez da economia indígena. Coitados dos espanhóis. Além de estarem enterrados numa tremenda crise financeira interna, levam com esta também e ainda por cima cometeram o pecado mortal de não reconhecerem a independência do Kosovo.
Federação de cegos norte americanos apela ao boicote de filme "Ensaio sobre a cegueira".
Ficará na história como a maior adesão de sempre a um apelo mobilizador.
Representantes da fundação serão consultores pagos a peso de ouro pelos partidos da república portuguesa.
Nasceu um blog sobre Bola com textos que daqui a vinte anos farão parte da antologia dos melhores sobre o assunto: A dieta Rochemback.
E um canal novo que dá pelo nome de canal Benfica. Está finalmente explicada a diferença entre ZON e meo. O canal Benfica dá na meo.
Independência do Kosovo reconhecida por Portugal será notícia surpresa e abertura de noticiários para a semana, depois de segredada aos ouvidos de toda a gente durante os últimos dias da semana passada. A razão é tão simples quanto apropriada: a maioria dos países amigos já o fez, portanto a república portuguesa também o fará.
A crise financeira internacional não afectará a república portuguesa devido à extraordinária solidez da economia indígena. Coitados dos espanhóis. Além de estarem enterrados numa tremenda crise financeira interna, levam com esta também e ainda por cima cometeram o pecado mortal de não reconhecerem a independência do Kosovo.
Federação de cegos norte americanos apela ao boicote de filme "Ensaio sobre a cegueira".
Ficará na história como a maior adesão de sempre a um apelo mobilizador.
Representantes da fundação serão consultores pagos a peso de ouro pelos partidos da república portuguesa.
Nasceu um blog sobre Bola com textos que daqui a vinte anos farão parte da antologia dos melhores sobre o assunto: A dieta Rochemback.
E um canal novo que dá pelo nome de canal Benfica. Está finalmente explicada a diferença entre ZON e meo. O canal Benfica dá na meo.
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terça-feira, setembro 30, 2008
Centenário da república
Avizinha-se, aproxima-se inexorável como o tempo que vem do futuro. Num instante é hoje e passado ficará para sempre. O centenário da implantação da república, daqui a uma ano, é razão necessária e suficiente para uma reflexão sobre a legitimidade do regime que condenou Portugal ao estatuto de república portuguesa.
Houve quem se lembrasse disso e resolvesse criar um espaço de reflexão aqui.
Bem hajam!
Houve quem se lembrasse disso e resolvesse criar um espaço de reflexão aqui.
Bem hajam!
domingo, setembro 28, 2008
domingo, setembro 21, 2008
Rã três
As rentrées (em português de França) caracterizam-se pela profusão incontinente de fenómenos tais como declarações bombásticas, factos políticos assinaláveis, tomadas de posição inequívocas, divórcios assanhados, acidentes nucleares ou declarações de guerra. Vamos tendo de tudo isso um pouco ora espalhado nesta bola azul que orbita o Sol, carregando consigo a nano siamesa chamada República Portuguesa, ora concentrado em doses massivas em regiões tão díspares como a Abkásia ou a Bolívia.
A entrada de Saramago, O Iberista, na B.L.U.S.A.(*) é já de si um facto assinalável, independentemente do conteúdo dos seus posts ou da densidade das suas mensagens. A caixa de comentários está obviamente desactivada. Queriam o quê? Exacto.
Do outro lado do Atlântico, a entrada em cena de Barracuda Palin como vice de McCain na corrida presidencial é foguetório destacável. Foguetório porque ascendeu ao topo numa semana, explodiu e brilhou durante três dias e despenhou-se na semana seguinte. Destacável porque os republicanos estão sem vice presidente neste momento e quanto mais tarde perceberem isso pior. Quanto a Obama, o facto de a sua campanha ter recolhido perto do dobro das doações da de McCain garante-lhe à partida a próxima presidência dos EUA.
Isto se a excepção à regra não vencer. E se não houver batota (atentados, escândalos, etc., e o camandro).
Voltando ao lado de cá do Atlântico (esta tendência irreistível de andar para lá e para cá do Atlântico começou de barco há uma data de anos atrás; depois foi o Gago Coutinho e agora não há tuga que se preze que não o cruze cinco a dez vezes por ano) Churchill disse um dia o seguinte sobre a Rússia: é como um grande urso que nos entra pela casa adentro avançando de quarto em quarto até que alguém se lembre de lhe fechar uma porta nas ventas.
(*) blogosfera lusa.
A entrada de Saramago, O Iberista, na B.L.U.S.A.(*) é já de si um facto assinalável, independentemente do conteúdo dos seus posts ou da densidade das suas mensagens. A caixa de comentários está obviamente desactivada. Queriam o quê? Exacto.
Do outro lado do Atlântico, a entrada em cena de Barracuda Palin como vice de McCain na corrida presidencial é foguetório destacável. Foguetório porque ascendeu ao topo numa semana, explodiu e brilhou durante três dias e despenhou-se na semana seguinte. Destacável porque os republicanos estão sem vice presidente neste momento e quanto mais tarde perceberem isso pior. Quanto a Obama, o facto de a sua campanha ter recolhido perto do dobro das doações da de McCain garante-lhe à partida a próxima presidência dos EUA.
Isto se a excepção à regra não vencer. E se não houver batota (atentados, escândalos, etc., e o camandro).
Voltando ao lado de cá do Atlântico (esta tendência irreistível de andar para lá e para cá do Atlântico começou de barco há uma data de anos atrás; depois foi o Gago Coutinho e agora não há tuga que se preze que não o cruze cinco a dez vezes por ano) Churchill disse um dia o seguinte sobre a Rússia: é como um grande urso que nos entra pela casa adentro avançando de quarto em quarto até que alguém se lembre de lhe fechar uma porta nas ventas.
segunda-feira, agosto 18, 2008
Vanessa Olímpica
Merecia a medalha de ouro. Depois de nadar 1500 m (equivalente a 30 piscinas de 50m...), de percorrer 40 Km de bicicleta e de correr 10 Km, uma diferença de 1' 06'' para o 1º lugar não é nada. Equivale a um cagagésimo de segundo na prova dos 100 m. Grande Vanessa Fernandes.
Merece o nosso aplauso pela prova que disputou, pelo esforço que referiu ter feito durante a prova e pelas declarações que fez criticando abertamente a calonice de muitos dos atletas portugueses que participaram nesta edição dos Jogos. Ora atente-se neste fragmento de texto picado daqui:
Merece o nosso aplauso pela prova que disputou, pelo esforço que referiu ter feito durante a prova e pelas declarações que fez criticando abertamente a calonice de muitos dos atletas portugueses que participaram nesta edição dos Jogos. Ora atente-se neste fragmento de texto picado daqui:
Marco Fortes (lançamento do peso) disse, após a eliminação, que não se adaptou ao horário matinal da sua prova. "De manhã só é bom é na caminha, pelo menos comigo", disse o lançador do Sporting, de 25 anos, eliminado no passado dia 15, com dois lançamentos nulos e um lançamento a 18,05m, bem longe do seu melhor (20,13m).
No mesmo dia, também Jéssica Augusto, após a eliminação na prova dos 3.000 obstáculos, anunciou que iria de férias, justificando o abandono da corrida dos 5.000 metros dizendo que não participaria porque "não vale a pena", dada a forte concorrência africana.
Hoje mesmo, Arnaldo Abrantes, eliminado nos 200m com um dos piores tempos, e Vânia Silva, eliminada na prova do lançamento do martelo, também fizeram declarações que estão a suscitar reacções diversas. Abrantes justificou a sua fraca prestação com o facto de ter "bloqueado" quando viu o estádio olímpico cheio, enquanto Vânia Silva admitiu que "não é muito dada a este tipo de competições" [os Jogos Olímpicos].
Uma vergonha.
quinta-feira, agosto 07, 2008
Deambulações
Patrulhando as autoestradas indígenas tento não adormecer, ou pelo menos não entalar o queixo no cinto de segurança, enquanto bocejo em voz alta de 15 em 15 km. Alterno o Jack Johnson, a TSF e o RCP e dou comigo aos berros para o mostrador do conta kms. "Não é Calamarés, chiça! É Galamares!!", isto a propósito de um acidente radiodifundido esta tarde. Às tantas um caramelo garante que "...a bandeira portuguesa já foi hasteada em Pequim, juntamente com a Rosa Mota e o ministro Silva Pereira...". Juro que o gajo disse isto. O stress aumenta quando penso que vão sobrepôr a transmissão em directo do fim do assalto assalto ao BES da Marquês da Fronteira com a cerimónia de abertura dos Jogos amanhã.
quarta-feira, julho 23, 2008
Actualidades da república - Julho 2008
Embora navegando à vista nas águas turvas da silly season, constato que sempre vão acontecendo coisas cá no planeta e no seu satélite siamês conhecido por Portugal que se metamorfoseiam lentamente em notícias em cada dia que passa. Com a lentidão própria dos dias quentes e suados, em que o chulé e o sovaco se misturam com outros aromas menos desagradáveis nos transportes públicos, nos cinemas, nos centros comerciais e no porta bagagens da minha carrinha.
Chipmania. É a mais recente versão do choque tecnológico ou, se preferirem, da colisão tecnocrática. Cada carro com seu chip para uma vida melhor e mais segura. Remédio santo para os casos de carjacking, se bem que me passe ao largo perceber o apetite que um Volkswagen Polo de 1987, por exemplo, possa despertar nos adeptos da modalidade. Até serve para passar na Via Verde e tudo o tal do chip. A seguir aos chips com que se é obrigado a ataviar os cães, segue-se o chip das matrículas dos carros. Seria interessante que, como publicava o último "Inimigo Público", bastasse ao comum cidadão pagador de impostos transportar um canídeo à janela, devidamente artilhado de chip, para que a sua viatura passasse na via verde sem problemas. Azar para os donos de São Bernardos com carros pequenos.
Contriminosos. Contracção (com c antes do ç, agora e na hora da minha morte) entre as palavras contribuinte e criminoso. Preparam-se os senhores das finanças para catalogar e classificar os cidadãos com base no perfil do contribuinte faltoso e aldrabão.
Também não percebo a indignação das gentes. De um regime que trata como criminosos todos os seus cidadãos, com aposição obrigatória de impressão digital no Bilhete de Identidade de Cidadão Nacional, não é de esperar muito menos.
João Moutinho. O Sporting desdenhou os vinte milhões oferecidos pelo Everton. Fez mal ?
Talvez. Tendo em conta que a escola de futebol do Sporting tem o monopólio do mercado fornecedor dos melhores jogadores das principais equipas europeias desde há alguns anos a esta parte.
Público. Tem alojado na última página um tal de Rui Tavares que tendo perdido sucessivas partidas de ping-pong com Helena de Matos, insiste em perorar dia sim dia não sobre o que lhe apetece. Hoje foi o Acordo Ortográfico, esse grande embuste, que lhe é tão querido que eu sei lá.
Além de não perceber a diferença entre estado e Estado, como também não deve perceber a diferença entre Históra e história, sugere um parágrafo do manual de instruções do referido Acordo, como mostra do próximo livro que irá publicar, digo eu. Diz ele (...) A partir de agora vai haver uma regra simples. No momento de escrever, pense-se: eu pronuncio aquele "c"? Se sim, escrevo. Caso contrário, não escrevo (ou em alternativa: se desejar continuar a escrevê-lo, devo pronunciá-lo). (...) Perceberam ? Nem eu. Como também não percebo porque é que os Rui Tavares cá da terrinha quando dizem foda-se escrevem ora bolas ou quando escrevem que maçada querem dizer que caralho. Esta mania de falarem das letras como quem escolhe entre amendoins, pevides ou tremoços para acompanhar uma imperial chateia-me.
Chipmania. É a mais recente versão do choque tecnológico ou, se preferirem, da colisão tecnocrática. Cada carro com seu chip para uma vida melhor e mais segura. Remédio santo para os casos de carjacking, se bem que me passe ao largo perceber o apetite que um Volkswagen Polo de 1987, por exemplo, possa despertar nos adeptos da modalidade. Até serve para passar na Via Verde e tudo o tal do chip. A seguir aos chips com que se é obrigado a ataviar os cães, segue-se o chip das matrículas dos carros. Seria interessante que, como publicava o último "Inimigo Público", bastasse ao comum cidadão pagador de impostos transportar um canídeo à janela, devidamente artilhado de chip, para que a sua viatura passasse na via verde sem problemas. Azar para os donos de São Bernardos com carros pequenos.
Contriminosos. Contracção (com c antes do ç, agora e na hora da minha morte) entre as palavras contribuinte e criminoso. Preparam-se os senhores das finanças para catalogar e classificar os cidadãos com base no perfil do contribuinte faltoso e aldrabão.
Também não percebo a indignação das gentes. De um regime que trata como criminosos todos os seus cidadãos, com aposição obrigatória de impressão digital no Bilhete de Identidade de Cidadão Nacional, não é de esperar muito menos.
João Moutinho. O Sporting desdenhou os vinte milhões oferecidos pelo Everton. Fez mal ?
Talvez. Tendo em conta que a escola de futebol do Sporting tem o monopólio do mercado fornecedor dos melhores jogadores das principais equipas europeias desde há alguns anos a esta parte.
Público. Tem alojado na última página um tal de Rui Tavares que tendo perdido sucessivas partidas de ping-pong com Helena de Matos, insiste em perorar dia sim dia não sobre o que lhe apetece. Hoje foi o Acordo Ortográfico, esse grande embuste, que lhe é tão querido que eu sei lá.
Além de não perceber a diferença entre estado e Estado, como também não deve perceber a diferença entre Históra e história, sugere um parágrafo do manual de instruções do referido Acordo, como mostra do próximo livro que irá publicar, digo eu. Diz ele (...) A partir de agora vai haver uma regra simples. No momento de escrever, pense-se: eu pronuncio aquele "c"? Se sim, escrevo. Caso contrário, não escrevo (ou em alternativa: se desejar continuar a escrevê-lo, devo pronunciá-lo). (...) Perceberam ? Nem eu. Como também não percebo porque é que os Rui Tavares cá da terrinha quando dizem foda-se escrevem ora bolas ou quando escrevem que maçada querem dizer que caralho. Esta mania de falarem das letras como quem escolhe entre amendoins, pevides ou tremoços para acompanhar uma imperial chateia-me.
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sábado, julho 05, 2008
O síndroma do Outão
Quando Sócrates era ministro do Ambiente, aflito com as queixas de muita gente que via na cimenteira do Outão inserida em pleno parque natural da serra da Arrábida um cancro exposto que devorava, inexorável, o parque, a serra e arredores, em três tempos resolveu o problema: desafectou, por decreto, a cimenteira do Outão do parque natural da serra da Arrábida.
Os péssimos resultados apresentados anualmente pelos estudantes nos exames de matemática fizeram com que o governo da república tomasse medidas. Rápidas, de preferência. Nada que se compadecesse com a revisão dum método inteiro de ensino nem com reformas profundas que o tempo é curto e as eleições são já ao virar da esquina. No ano seguinte os resultados são espantosos. A percentagem de reprovações baixou drásticamente. Nada se deve, no entanto, a uma melhoria significativa no aproveitamento dos alunos. Antes a uma simplificação drástica dos exames.
Atente-se, por exemplo, neste "problema" posto em exame a alunos do 9º ano (antigo 5º ano):
Quantas filas de cadeiras tem uma sala sabendo que na primeira fila existem 23 cadeiras, na segunda menos três que na primeira, na terceira menos três que na segunda e assim sucessivamente e que a última fila tem oito cadeiras?
Os péssimos resultados apresentados anualmente pelos estudantes nos exames de matemática fizeram com que o governo da república tomasse medidas. Rápidas, de preferência. Nada que se compadecesse com a revisão dum método inteiro de ensino nem com reformas profundas que o tempo é curto e as eleições são já ao virar da esquina. No ano seguinte os resultados são espantosos. A percentagem de reprovações baixou drásticamente. Nada se deve, no entanto, a uma melhoria significativa no aproveitamento dos alunos. Antes a uma simplificação drástica dos exames.
Atente-se, por exemplo, neste "problema" posto em exame a alunos do 9º ano (antigo 5º ano):
Quantas filas de cadeiras tem uma sala sabendo que na primeira fila existem 23 cadeiras, na segunda menos três que na primeira, na terceira menos três que na segunda e assim sucessivamente e que a última fila tem oito cadeiras?
quarta-feira, julho 02, 2008
A entrevista de Sócrates
Não vi. Também não precisei.
Depois de fumar à varanda beberricando um tinto alentejano, enquanto trocava impressões com a Sancha sobre a merda que se aproxima a rajadas fartas turbo-propulsionada por subidas do preço do petróleo, acompanhada por investidas descabeladas de palestiniano retro-escavador de encontro a quem lhe aparecesse no caminho, preferi confiar no juízo sábio da sogra que do alto raso dos seus 87 anos tem o poder de síntese de uma sebenta de estudante de 1968, desci à sala para ouvir o óbvio:
Esteve a dar o Sócras na televisão. "Eu tenho uma grande responsbilidade", disse ele. "Não digo o que querem ouvir. Só faço o que a minha cabeça manda". Eu que até nem gosto dele, gostei de o ouvir e acho que falou bem.
Claro que falou bem. Nada como palavras que exalam confiança, que transpiram futuro para sossegar as hostes, que é como quem diz, o povo.
Hostes em vias de lhe garantir maioria absoluta em 2009.
Quem disse que a terceira via veio para ficar?
Eu , claro.
Depois de fumar à varanda beberricando um tinto alentejano, enquanto trocava impressões com a Sancha sobre a merda que se aproxima a rajadas fartas turbo-propulsionada por subidas do preço do petróleo, acompanhada por investidas descabeladas de palestiniano retro-escavador de encontro a quem lhe aparecesse no caminho, preferi confiar no juízo sábio da sogra que do alto raso dos seus 87 anos tem o poder de síntese de uma sebenta de estudante de 1968, desci à sala para ouvir o óbvio:
Esteve a dar o Sócras na televisão. "Eu tenho uma grande responsbilidade", disse ele. "Não digo o que querem ouvir. Só faço o que a minha cabeça manda". Eu que até nem gosto dele, gostei de o ouvir e acho que falou bem.
Claro que falou bem. Nada como palavras que exalam confiança, que transpiram futuro para sossegar as hostes, que é como quem diz, o povo.
Hostes em vias de lhe garantir maioria absoluta em 2009.
Quem disse que a terceira via veio para ficar?
Eu , claro.
sexta-feira, junho 27, 2008
Do Euro2008
Chateou-me a derrota da selecção nacional frente à selecção alemã, Die Mannschaf, como eles dizem.
E por várias razões. Primeiro porque a vitória estava perfeitamente ao alcance da selecção que derrotou checos e turcos, bem diferente da que saiu derrotada na 5ªfeira passada.
A coisa chateou-me tanto que só me apetecia mandar esta merda deste Toshiba ranhoso em que teclo pacientemente posts para serem lidos pelos indefectíveis habituais pela janela fora. Do carro. Na A17, que é uma autoestrada feita de propósito para mim e mais dois ou três portugueses com quem me cruzo quando por lá passo. Ia fazer companhia às carcaças da fauna nacional em vias de extinção que atapetam as bermas de 5 km em 5 km, o cabrão do Toshiba.
E ainda por cima ter que gramar com as bocas do costume, redutoras, culpando o guarda redes. O mesmo que eliminou a Inglaterra há quatro anos, defendendo um penalty sem luvas e marcando ele próprio o penalty decisivo. Magistral. E os outros meninos? Borrados de medo, a falharem à boca da baliza, a oferecerem livres pré-estudados como quem estende uma arma carregada a um psicopata. A jogarem sem alma, sem gana, sem coisa nenhuma tão preocupados estavam com o destino do mister no Chelsea (Chélssia, dizem os gajos, o comentador 1 e o comentador 2) e o de cada um no clube para onde irão. Uma merda, foi o que foi.
Em compensação o jogo de ontem foi um duche fresco no deserto. Viram o que é uma equipa a jogar? Oh comentadores de turno, perceberam que um colectivo a jogar não tem nada a ver com o somatório dos jogadores-vedetas-artistas que o compõem?
A selecção de Espanha, La Roja como eles dizem, será campeã da Europa. Olé! Com gana, mérito, e salero.
Senão, acabo com o blog.
Este não. O de um gajo qualquer. Risco um blog dos links, por exemplo. Só para chatear.
E por várias razões. Primeiro porque a vitória estava perfeitamente ao alcance da selecção que derrotou checos e turcos, bem diferente da que saiu derrotada na 5ªfeira passada.
A coisa chateou-me tanto que só me apetecia mandar esta merda deste Toshiba ranhoso em que teclo pacientemente posts para serem lidos pelos indefectíveis habituais pela janela fora. Do carro. Na A17, que é uma autoestrada feita de propósito para mim e mais dois ou três portugueses com quem me cruzo quando por lá passo. Ia fazer companhia às carcaças da fauna nacional em vias de extinção que atapetam as bermas de 5 km em 5 km, o cabrão do Toshiba.
E ainda por cima ter que gramar com as bocas do costume, redutoras, culpando o guarda redes. O mesmo que eliminou a Inglaterra há quatro anos, defendendo um penalty sem luvas e marcando ele próprio o penalty decisivo. Magistral. E os outros meninos? Borrados de medo, a falharem à boca da baliza, a oferecerem livres pré-estudados como quem estende uma arma carregada a um psicopata. A jogarem sem alma, sem gana, sem coisa nenhuma tão preocupados estavam com o destino do mister no Chelsea (Chélssia, dizem os gajos, o comentador 1 e o comentador 2) e o de cada um no clube para onde irão. Uma merda, foi o que foi.
Em compensação o jogo de ontem foi um duche fresco no deserto. Viram o que é uma equipa a jogar? Oh comentadores de turno, perceberam que um colectivo a jogar não tem nada a ver com o somatório dos jogadores-vedetas-artistas que o compõem?
A selecção de Espanha, La Roja como eles dizem, será campeã da Europa. Olé! Com gana, mérito, e salero.
Senão, acabo com o blog.
Este não. O de um gajo qualquer. Risco um blog dos links, por exemplo. Só para chatear.
segunda-feira, junho 16, 2008
domingo, junho 15, 2008
Perdemos...
Não me vou alongar com conversas de penalties contra a Suiça que ficaram por marcar, nem com um golo anulado a Portugal por fora de jogo inexistente nem pelo facto do sr. Conrado ser austríaco, portanto da nacionalidade de um dos países organizadores do Euro 2008 arbitrando um jogo com um dos países organizadores, portanto advogando bem em causa própria.
Que se lixe. Era a feijões, o cabrão do jogo.
O bife à portuguesa acompanhado por um bom tinto alentejano, em contrapartida, estava um espectáculo.
Que se lixe. Era a feijões, o cabrão do jogo.
O bife à portuguesa acompanhado por um bom tinto alentejano, em contrapartida, estava um espectáculo.
Download Day
Avizinha-se o record mundial de downloads de software num só dia.Trata-se da versão 3.0 do Firefox, o melhor browser do mundo.
É já no dia 17, 3ªfeira, depois de amanhã.
sexta-feira, junho 13, 2008
Pay TV
Começa a segunda parte.
A Holanda a ganhar por 2-0. Marca a França. Em três tempos a Holanda marca o 3º. "...a França, que nem chegou a estar um minuto à frente do marcador..." grunhe o comentador 1. Para logo a seguir acrescentar "...e a Holanda marca seis golos em dois jogos...", raciocínio fulgurante que despoleta o seguinte comentário do comentador 2: "Impressionante!"
E eu sentado a ver o jogo e a ter que ouvir estas merdas.
Olhei em volta à cata de um marcador para atirar aos cornos do comentador 1 e do comentador 2.
Nada sólido ao alcance. Só a gata. Adivinhou os meus pensamentos e afastou-se de um salto seguido de um trote sorridente.
A Holanda a ganhar por 2-0. Marca a França. Em três tempos a Holanda marca o 3º. "...a França, que nem chegou a estar um minuto à frente do marcador..." grunhe o comentador 1. Para logo a seguir acrescentar "...e a Holanda marca seis golos em dois jogos...", raciocínio fulgurante que despoleta o seguinte comentário do comentador 2: "Impressionante!"
E eu sentado a ver o jogo e a ter que ouvir estas merdas.
Olhei em volta à cata de um marcador para atirar aos cornos do comentador 1 e do comentador 2.
Nada sólido ao alcance. Só a gata. Adivinhou os meus pensamentos e afastou-se de um salto seguido de um trote sorridente.
i gcás ar bith
Que é como quem diz : in no circumstances
Votaram os irlandeses. E lá se vai o Tratado de Lisboa.
"É porque é bom para a Europa", era o grande argumento dos partidários do sim. Pífio até à náusea.
Os do não tinham outros argumentos. Não aceitavam um presidente europeu não eleito, por exemplo.
Por cá também se tomam medidas justificadas "porque é bom para os portugueses".
Até ao dia.
Votaram os irlandeses. E lá se vai o Tratado de Lisboa.
"É porque é bom para a Europa", era o grande argumento dos partidários do sim. Pífio até à náusea.
Os do não tinham outros argumentos. Não aceitavam um presidente europeu não eleito, por exemplo.
Por cá também se tomam medidas justificadas "porque é bom para os portugueses".
Até ao dia.
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