quinta-feira, outubro 30, 2008

Aquilo dos contentores

É uma vergonha. Claro que subscrevi a petição. Hoje, depois de ler no Público que os estivadores (malta que há mais de dez anos sacava mais de mil e quinhentos contos por mês, segundo me afiançou hoje um velejador olímpico) ameaçaram de porrada o Miguel Sousa Tavares por ter dito o que pensava sobre o assunto atestei os lúzios no jornal da noite da TVI. Para espanto dos espantos vejo que o tipo se fechou em copas quando chegou a altura de dizer ao que vinha, alegando não sei o quê sobre igualdade de condições e que a ele enquanto comentador isento não caberia defender uma causa que apoiava porque não havia contraditório e mais não sei quê e o camandro. Chateou-me. Depois percebi: avizinha-se debate aceso na TVI sobre a história dos contentores, com contraditório e tudo, com share nos píncaros e casa cheia a ver anúncios sobre detergentes e carros e o caraças, entre dois cigarros e copos de três. Pois que seja. Nem que seja assim. Acho suspeito e, por isso, digno de peixeirada à medida, que uma concessão que acaba em 2015 seja tão apressadamente renovada por mais 27 anos por adjudicação directa a uma empresa que tem à cabeça Jorge Coelho, assim como quem vai ali ao mercado comprar um molho de oregãos e uma cabeça de maruca. Tresanda à história do busto de Napoleão.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Introdução à política - Lição I

O tempo está instável, os ventos mudam, há que fazer bordos para manter a liderança na regata.
Desta vez o bordo é a bombordo, ou seja à esquerda, para os menos familiarizados com alguma da linguagem dos navegantes. Ao manter o aumento do salário mínimo nos € 450,00 Sócrates não só mantém o que ficou estabelecido na última concertação social/salarial como destrunfa à esquerda, atraindo para si muitas intenções de voto em 2009. Mais: a bancada do PS ao questionar a proposta do Governo relativamente ao pagamento dos salários em géneros para além da vontade expressa dos trabalhadores, assume o protagonismo evidenciando tiques oposicionistas tirando o tapete à suposta oposição de esquerda. Em duas penadas retira argumentos à esquerda enquanto espicaça a direita onde lhe dói mais nos tempos que se adivinham: no seu eleitorado.
Paulo Portas e Ferreira Leite têm trabalhos de casa com problemas difíceis.
Jerónimo de Sousa e frei Louçã idem aspas.
Sócrates, por seu lado, está cada vez mais perto de garantir uma maioria absoluta em 2009; parece que a terceira via veio para ficar.
Por outro lado, o mea culpa de Alan Greenspan, reconhecendo ter sido um erro confiar na liberalização absoluta dos mercados partindo do pressuposto que as entidades financeiras tudo fariam para defender os interesses dos seus acionistas, o que não aconteceu, é argumento considerável contra a babujice neoliberal.
Entretanto o Leixões lidera o campeonato nacional.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Reflexões & actualidades

A secretária-geral da Assembleia da República está feliz. A obra em curso na Sala do Senado não terá, espera-se, trabalhos a mais, e está a ser feita com tal cuidado que, além de durar cem anos, ninguém perceberá a dimensão da intervenção pois que ficará exactamente como está neste momento. A diferença será tecnológica. Desde computadores embutidos nas bancadas que providenciarão abrigo a ratos e teclados, à instalação de ecrãs gigantes que darão, ou melhor emprestarão, todo um outro dramatismo a acontecimentos tais como incêndios, cheias, terramotos, bombardeamentos nucleares e outras catástrofes. Ler aqui.


Fim de tarde em Lisboa. Sol amarelo razante, frio e duas imperiais na esplanada.
- Leste o Público de hoje?- diz um. - Sobre aquela história do computador do Sousa Tavares.- acrescenta.
- Lili!- responde alto o outro. O microcão de trela amarrada à perna da mesa o lado levanta-se e late. - Que merda mais estranha...-
- Acho que das três uma; - começa o um.
- ... - exprime o outro inclinando-se para a frente.
- Ou foi a ASAE, ou o Vasco Pulido Valente ou -
- Ou o quê ?- insiste o outro.
- Deixa-me acabar, foda-se. Ou então foi o gajo que simulou aquela história porque simplesmente não sabia como acabar ou continuar nem o conto nem a peça.

Após Setembro de 2007, alguém referiu e repetiu que as alterações ao código penal acarretariam consigo um agravamento significativo da criminalidade. Quase um ano depois, dá-se o Verão quente de 2008. Aposto que daqui a um ano, os efeitos da presente crise financeira a ser resolvida do pé para a mão à custa dos contribuintes europeus e americanos, postos no prego pelos seus governos, governos de países que há um ano achavam impossível resolver a fome no mundo com dezanove mil milhões de Euros, serão ainda mais complicados. A tomada de consciência de muita gente sobre muita coisa ao mesmo tempo faz sempre muito barulho. E isso incomodará e tirará o sono a muita gente. Daí à profusão de erros humanos vai um nada.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Portugal 0 - Albânia 0.... porquê ?

Talvez esta possa ser umas das razões:

Link recebido por email.

terça-feira, outubro 14, 2008

Duelo

Há muitos dias que me lembrei de um dia arranjar um pretexto para postar o que sai hoje, e assim acaba o dia.
Este é dedicado ao maradona por causa deste post.


domingo, outubro 12, 2008

Retrato de família

Quando vi esta fotografia na edição online do semanário Sol,

lembrei-me desta outra:


Espero que seja só coincidência a sua publicação aqui e agora.

Crisis ? What crisis?

Enquanto a caldeirada agora servida ao mundo ia apurando, era este o presidente da nação mais poderosa da Terra, o grande timoneiro dos costumes e virtudes, fardo que McCain e Palin tão estóicamente se empenham em carregar.

Pack I



Pack II

Celebration week

Segundo relata "The Washington Post" os executivos do gigante dos seguros A.I.G. resolveram gastar umas massas gordas a comemorar o facto dos contribuintes norte americanos terem evitado o inevitável colapso que se adivinhava.
Tomem nota:
Numa semanita no St. Regis Resort em Monarch Beach, California, estoiraram duzentos mil dólares em quartos, cento e cinquenta mil em refeições, vinte e três mil em spa.
Nada mau. Quem não acredita, pode ler aqui o resto da história.
E a malta ainda se queixa do preço da gasolina e o camandro.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Náusea

Reparem bem:

1. O Kosovo proclama a independência unilateralmente, ou seja, à margem do direito internacional.

2. A república portuguesa reconhece o novo país depois de se certificar que "a maioria esmagadora (a palavra não é inocente) dos seus parceiros na comunidade europeia já o tinha feito.

3. A coisa continua à margem do direito internacional, tal como a guerra do Afeganistão e a do Iraque. Martim da Cruz dixit.

4. A Sérvia questiona a legalidade da proclamação Kosovar na ONU.

5. A república portuguesa, apesar de saber e referir que a referida proclamação de independência está ferida de morte na legalidade, abstém-se.

6. Porquê ?

7. Porque a república portuguesa ambiciona um lugar sentado no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Conclusão: O mundo está fodido se a ONU tiver no seu Conselho de Segurança algo como a república portuguesa.

Portugal diria, como disse Marx, Groucho claro, "recuso o vosso convite. Jamais aceitaria fazer parte de um clube que convida para membros tipos como eu."

Cada vez mais a república portuguesa tem menos a ver com Portugal.

terça-feira, outubro 07, 2008

Angustia-me que...

... aterrem aqui no terreiro passaralhos que pespegam com acordo ortofônico como objecto de pesquisa no Google. É assustador, foda-se.

No regresso de Braga

Ouvindo a TSF, sou avisado de que, ao fim da tarde, no estabelecimento do Carlos Vaz Marques, também conhecido como a tasca do Pessoal e Transmissível será entrevistado Miguel Esteves Cardoso (MEC). Dei por mim a sorrir na espectativa. Chegada a hora apanhei uma barrigada de riso e boa disposição como há muito não acontecia. De repente aquele gajo dizia de si próprio qualquer coisa como "...aquele cabrão está gordo que eu sei lá..." com o à vontade de um político e a sinceridade de um jardineiro como se o importante fosse isso mesmo. Dizer o que nos apetece, quando nos apetece e o resto que se foda. Gostei de o ouvir dizer que os blogs estão na vanguarda da comunicação, sobretudo da imprensa. Escrita. Muito à frente de jornais, etc. É verdade mas sabe bem ouvi-la em broadscast. "E os blogs?" perguntou o Vaz Marques naquele tom de pergunta feita do alto de um trapézio (tenho uma fantasia que consiste no seguinte: O Carlos Vaz Marques executa todas aquelas entrevistas enquanto se baloiça sorridente em espaldares e argolas, num ginásio imaginário que é o seu habitat enquanto desencadeia perguntas e respostas naqueles minutos entre as sete e as oito da noite que é o tempo que lhe dão para entrevistar); "Adoro blogs" ripostou o MEC. "Estão na vanguarda da comunicação em Portugal. São dos melhores que há quando comparados com ingleses, americanos, etc. E, em Portugal, há pelo menos cem que são muito bem escritos, coerentes nas ideias, no grafismo" etc, etc.
Em Portugal não se come mal é o título do seu último livro. Depois de o ouvir dissertar sobre a eficácia da barreira sanitária anti-bacteriana que nos é gratuitamente disponibilizada através da ingestão de alho e wasabe face à prepotência inquisitorial de uma ASAE plenipotenciária ouvi tudo o que quis. Nunca nenhum português conheceu tanto os portugueses como aquele tipo.
Malgré o sotaque de menino da linha, quiçá paneleiróide, que tanto nos chateia, a mim e à Sancha, o MEC, sendo um dos maiores escritores que esta terrinha pariu nos últimos anos, é uma instituição. Já agora arranjem-lhe uma casinha aqui no burgo. Não é preciso uma Casa dos Bicos com Fundação e estacionamento à porta. Basta uma casa portuguesa, com pão e vinho sobre a mesa, no coração de cada um de nós.

O Fim ?

Talvez. Os Maias, os da América do Sul não os do d'Eça, alinhavaram um calendário até 2012 da nossa era. Pelo menos é o que garantem os entendidos na matéria. Mas só até 2012. Se calhar um deles, dos Maias, disse para os outros "estou mas é a ficar farto desta merda. Sempre a calcular fases da Lua, estações do ano e o camandro e ainda nem sequer temos telecomunicações de jeito. Vou mas é para casa comer um sarrabulho e o cabrão do calendário que se foda". E assim ficou o calendário a acabar em 2012. Poderia ter sido em 1921, ou 1456. Mas não. Foi mesmo mesmo até 2012.
Ou então descobriram uma merda qualquer e perceberam que não valia a pena continuar a calendarizar as voltas da Terrra para depois de 2012 porque não haveria vida nela depois disso.
Seja como for ando cá com uma vontade de mudar o template deste blog que não vos digo nada. Já mudei uma vez e tive uma trabalheira dos diabos a corrigir links. Não sei. Talvez um dia destes. Mas antes de 2012. Por causa das merdas.

domingo, outubro 05, 2008

865º aniversário


Em 5 de Outubro de 1143 nasce Portugal.
A 5 de Outubro de 1910 é imposto pelas armas o regime republicano, instaurada a 1ª república que, ao longo de vinte cinco anos de convulsões, perseguições inenarráveis e asneiras em cascata, desagua no Estado Novo, qual vómito incontinente.
Em 1926 a república passa de anarquista a fascista.

Desde então e até 1974, durante 48 anos, a 2ª república votou Portugal ao isolamento, ao atraso, à censura e ao desespero. Em nome da contabilidade. Das contas públicas.
De 1974 a 2008, a 3ª república preparou o caminho para Sócrates, o elo final na cadeia evolutiva do regime. Com Magalhães, recados à imprensa, choque tecnológico e tudo.
É normal que a república se comemore a si própria no centenário de 2010.
Mais ninguém se lembraria disso.

sábado, outubro 04, 2008

Coisas relevantes noticiadas nos últimos dias e que poderão ser utilizadas como aperitivo para as comemorações do centenário da república:

Casas da Câmara atribuídas por sorte (não por sorteio) a intelectuais, artistas, filhos de presidentes de junta, enfim, gente carenciada que deixará de deambular pela Baixa Pombalina à mercê das cagadas de pombo.

Independência do Kosovo reconhecida por Portugal será notícia surpresa e abertura de noticiários para a semana, depois de segredada aos ouvidos de toda a gente durante os últimos dias da semana passada. A razão é tão simples quanto apropriada: a maioria dos países amigos já o fez, portanto a república portuguesa também o fará.

A crise financeira internacional não afectará a república portuguesa devido à extraordinária solidez da economia indígena. Coitados dos espanhóis. Além de estarem enterrados numa tremenda crise financeira interna, levam com esta também e ainda por cima cometeram o pecado mortal de não reconhecerem a independência do Kosovo.

Federação de cegos norte americanos apela ao boicote de filme "Ensaio sobre a cegueira".
Ficará na história como a maior adesão de sempre a um apelo mobilizador.
Representantes da fundação serão consultores pagos a peso de ouro pelos partidos da república portuguesa.

Nasceu um blog sobre Bola com textos que daqui a vinte anos farão parte da antologia dos melhores sobre o assunto: A dieta Rochemback.

E um canal novo que dá pelo nome de canal Benfica. Está finalmente explicada a diferença entre ZON e meo. O canal Benfica dá na meo.

terça-feira, setembro 30, 2008

Centenário da república

Avizinha-se, aproxima-se inexorável como o tempo que vem do futuro. Num instante é hoje e passado ficará para sempre. O centenário da implantação da república, daqui a uma ano, é razão necessária e suficiente para uma reflexão sobre a legitimidade do regime que condenou Portugal ao estatuto de república portuguesa.
Houve quem se lembrasse disso e resolvesse criar um espaço de reflexão aqui.
Bem hajam!

domingo, setembro 28, 2008

domingo, setembro 21, 2008

Rã três

As rentrées (em português de França) caracterizam-se pela profusão incontinente de fenómenos tais como declarações bombásticas, factos políticos assinaláveis, tomadas de posição inequívocas, divórcios assanhados, acidentes nucleares ou declarações de guerra. Vamos tendo de tudo isso um pouco ora espalhado nesta bola azul que orbita o Sol, carregando consigo a nano siamesa chamada República Portuguesa, ora concentrado em doses massivas em regiões tão díspares como a Abkásia ou a Bolívia.
A entrada de Saramago, O Iberista, na B.L.U.S.A.(*) é já de si um facto assinalável, independentemente do conteúdo dos seus posts ou da densidade das suas mensagens. A caixa de comentários está obviamente desactivada. Queriam o quê? Exacto.
Do outro lado do Atlântico, a entrada em cena de Barracuda Palin como vice de McCain na corrida presidencial é foguetório destacável. Foguetório porque ascendeu ao topo numa semana, explodiu e brilhou durante três dias e despenhou-se na semana seguinte. Destacável porque os republicanos estão sem vice presidente neste momento e quanto mais tarde perceberem isso pior. Quanto a Obama, o facto de a sua campanha ter recolhido perto do dobro das doações da de McCain garante-lhe à partida a próxima presidência dos EUA.
Isto se a excepção à regra não vencer. E se não houver batota (atentados, escândalos, etc., e o camandro).
Voltando ao lado de cá do Atlântico (esta tendência irreistível de andar para lá e para cá do Atlântico começou de barco há uma data de anos atrás; depois foi o Gago Coutinho e agora não há tuga que se preze que não o cruze cinco a dez vezes por ano) Churchill disse um dia o seguinte sobre a Rússia: é como um grande urso que nos entra pela casa adentro avançando de quarto em quarto até que alguém se lembre de lhe fechar uma porta nas ventas.

(*) blogosfera lusa.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Vanessa Olímpica

Merecia a medalha de ouro. Depois de nadar 1500 m (equivalente a 30 piscinas de 50m...), de percorrer 40 Km de bicicleta e de correr 10 Km, uma diferença de 1' 06'' para o 1º lugar não é nada. Equivale a um cagagésimo de segundo na prova dos 100 m. Grande Vanessa Fernandes.
Merece o nosso aplauso pela prova que disputou, pelo esforço que referiu ter feito durante a prova e pelas declarações que fez criticando abertamente a calonice de muitos dos atletas portugueses que participaram nesta edição dos Jogos. Ora atente-se neste fragmento de texto picado daqui:

Marco Fortes (lançamento do peso) disse, após a eliminação, que não se adaptou ao horário matinal da sua prova. "De manhã só é bom é na caminha, pelo menos comigo", disse o lançador do Sporting, de 25 anos, eliminado no passado dia 15, com dois lançamentos nulos e um lançamento a 18,05m, bem longe do seu melhor (20,13m).

No mesmo dia, também Jéssica Augusto, após a eliminação na prova dos 3.000 obstáculos, anunciou que iria de férias, justificando o abandono da corrida dos 5.000 metros dizendo que não participaria porque "não vale a pena", dada a forte concorrência africana.

Hoje mesmo, Arnaldo Abrantes, eliminado nos 200m com um dos piores tempos, e Vânia Silva, eliminada na prova do lançamento do martelo, também fizeram declarações que estão a suscitar reacções diversas. Abrantes justificou a sua fraca prestação com o facto de ter "bloqueado" quando viu o estádio olímpico cheio, enquanto Vânia Silva admitiu que "não é muito dada a este tipo de competições" [os Jogos Olímpicos].


Uma vergonha.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Deambulações

Patrulhando as autoestradas indígenas tento não adormecer, ou pelo menos não entalar o queixo no cinto de segurança, enquanto bocejo em voz alta de 15 em 15 km. Alterno o Jack Johnson, a TSF e o RCP e dou comigo aos berros para o mostrador do conta kms. "Não é Calamarés, chiça! É Galamares!!", isto a propósito de um acidente radiodifundido esta tarde. Às tantas um caramelo garante que "...a bandeira portuguesa já foi hasteada em Pequim, juntamente com a Rosa Mota e o ministro Silva Pereira...". Juro que o gajo disse isto. O stress aumenta quando penso que vão sobrepôr a transmissão em directo do fim do assalto assalto ao BES da Marquês da Fronteira com a cerimónia de abertura dos Jogos amanhã.

quarta-feira, julho 23, 2008

Actualidades da república - Julho 2008

Embora navegando à vista nas águas turvas da silly season, constato que sempre vão acontecendo coisas cá no planeta e no seu satélite siamês conhecido por Portugal que se metamorfoseiam lentamente em notícias em cada dia que passa. Com a lentidão própria dos dias quentes e suados, em que o chulé e o sovaco se misturam com outros aromas menos desagradáveis nos transportes públicos, nos cinemas, nos centros comerciais e no porta bagagens da minha carrinha.

Chipmania. É a mais recente versão do choque tecnológico ou, se preferirem, da colisão tecnocrática. Cada carro com seu chip para uma vida melhor e mais segura. Remédio santo para os casos de carjacking, se bem que me passe ao largo perceber o apetite que um Volkswagen Polo de 1987, por exemplo, possa despertar nos adeptos da modalidade. Até serve para passar na Via Verde e tudo o tal do chip. A seguir aos chips com que se é obrigado a ataviar os cães, segue-se o chip das matrículas dos carros. Seria interessante que, como publicava o último "Inimigo Público", bastasse ao comum cidadão pagador de impostos transportar um canídeo à janela, devidamente artilhado de chip, para que a sua viatura passasse na via verde sem problemas. Azar para os donos de São Bernardos com carros pequenos.

Contriminosos. Contracção (com c antes do ç, agora e na hora da minha morte) entre as palavras contribuinte e criminoso. Preparam-se os senhores das finanças para catalogar e classificar os cidadãos com base no perfil do contribuinte faltoso e aldrabão.
Também não percebo a indignação das gentes. De um regime que trata como criminosos todos os seus cidadãos, com aposição obrigatória de impressão digital no Bilhete de Identidade de Cidadão Nacional, não é de esperar muito menos.

João Moutinho. O Sporting desdenhou os vinte milhões oferecidos pelo Everton. Fez mal ?
Talvez. Tendo em conta que a escola de futebol do Sporting tem o monopólio do mercado fornecedor dos melhores jogadores das principais equipas europeias desde há alguns anos a esta parte.

Público. Tem alojado na última página um tal de Rui Tavares que tendo perdido sucessivas partidas de ping-pong com Helena de Matos, insiste em perorar dia sim dia não sobre o que lhe apetece. Hoje foi o Acordo Ortográfico, esse grande embuste, que lhe é tão querido que eu sei lá.
Além de não perceber a diferença entre estado e Estado, como também não deve perceber a diferença entre Históra e história, sugere um parágrafo do manual de instruções do referido Acordo, como mostra do próximo livro que irá publicar, digo eu. Diz ele (...) A partir de agora vai haver uma regra simples. No momento de escrever, pense-se: eu pronuncio aquele "c"? Se sim, escrevo. Caso contrário, não escrevo (ou em alternativa: se desejar continuar a escrevê-lo, devo pronunciá-lo). (...) Perceberam ? Nem eu. Como também não percebo porque é que os Rui Tavares cá da terrinha quando dizem foda-se escrevem ora bolas ou quando escrevem que maçada querem dizer que caralho. Esta mania de falarem das letras como quem escolhe entre amendoins, pevides ou tremoços para acompanhar uma imperial chateia-me.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!