sexta-feira, fevereiro 13, 2009

República de porteiras e merceeiros

Nada tenho contra uns e outros, note-se. Lembro-me bem do Sr. Joaquim, o merceeiro, me ter desenrascado uma vez quando ao sair de casa me deparei sem chaves nem carteira. Só tinha um livro de cheques no bolso interior direito do casaco. Dirigi-me à mercearia e disse-lhe : Sr. Joaquim, acabei de sair de casa, esqueci-me das chaves e da carteira e a única coisa que tenho é o livro de cheques. Troca-me um cheque de cinco contos ? E ele trocou. Pude assim comprar o bilhete de comboio, fui trabalhar, almocei e quando voltei para casa o problema da falta de chaves não se pôs porque a Sancha já estava em casa mai-los miúdos. Foi a Sancha que me deu ganas de escrever este post porque, segundo ela, Portugal encontra-se reduzido a uma república gerida por porteiras e merceeiros. De porteiras porque o diz-que-disse-que coiso-e-tal e-a-vizinha-que-até-é-doutora-parece-que-afinal-pôs-os-cornos-ao-marido-que-até-é-director-dum-banco-vá-lá-a-gente-saber é cada vez mais o pão nosso de cada dia. Daqui a chipar matrículas a eito é um ápice. Toda a gente fica a saber por onde anda e o que faz toda a gente. Ele é o fripór e o Santos Silva a ameaçar de malhar aqui e ali, ele é o foda-se (ai j'sus credo mais um palavrão), também conhecido por Mário Crespo, a desancar as hostes dissertando sobre um Supônhamos, ele é os bancos c'os cós das calças a entalarem a fruta que, por sua vez, entalam os desgraçados que recorreram a empréstimos para pagar a casa. Enfim. É uma barrigada de república tão grande, tão grande, tão grande que até os deputados à Assembleia acham normal e corriqueiro o controle de acessos biométrico à dita cuja.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Ferreira Leite demite-se

"A História vai dar-me razão" disse a líder do PSD em resposta às críticas de Marcelo Rebelo de Sousa. O que não falta à História são ocasiões em que esta frase foi proferida. Regra geral por derrotados. Ferreira Leite junta-se assim à lista dos que se reconhecem derrotados no seu tempo. Chutando a bola para o futuro, junta a sua à voz da restante oposição, impotente nas alternativas e sem soluções programáticas. A História é complexa e volúvel como uma mulher sabida, cheia de curvas e encantos; há-que saber seduzi-la. Prognosticar-lhe respostas é não só inútil como arriscado. O que transparece dessa atitude é a demissão pura e simples do papel que deveria ser o seu: líder do maior partido da oposição.
Quanto à restante oposição, fraca e desmotivada, resta-lhe o barulho, o ruído, o soundbyte e o conformar-se com uma terceira via que só existe porque sim. A almejada alternativa de esquerda é não só inviável como inútil.
Cada vez mais o futuro do regime republicano se confunde com o futuro de Portugal: apodrecer à chuva e ao sol, numa agonia lenta e dolorosa.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

No país dos bêpêenes

Vem o ministro da presidência exigir da presidente do PSD um esclarecimento público relativamente à campanha pinocrática da JSD. Diz ele, mais ou menos, que a campanha é baseada em mentiras.
Pois.
Digo eu que dizer isso equivale a dar um tiro no pé com uma caçadeira de canos semi-serrados.
A presidente do PSD não sei o que disse.
Dizem-me que Inglaterra, Letónia, Ucrânia e outros se encontram à beira da bancarrota. E que o Figo perdeu uma porrada de massa com a história do BPN. E que a CGD vai comprar o BPN. E o Figo ? Está incluído? E se à CGD lhe apetecer criar um clube de futebol ? Passará pela aquisição do passivo de Figo? digo, do passe de Figo ?
Daqui a nada vou emigrar rumo a l'America del sur. Cojones! Vou ali ao lado à Venezuela a casa do Chávez dizer-lhe que o populismo de esquerda é gajo para lhe aguentar 40 anos de presidência? Ou vou antes vender-lhe mais meia dúzia de Magalhães ? Ou mando-o para o caralho? Não sei. Farei o que me apetecer na altura. Se for à Venezuela.
Leio que Santana Lopes se sente lisonjeado com o apoio do CDS/PP à sua candidatura à presidência da CML. Sente-se lisonjeado por ter como apoiante um partido que contribuiu grande e fortemente para que Portugal fosse condenado por obstrução ao direito de liberdade de expressão. Em nome de Nossa Senhora de Fátima. Eu, que tenho pena de não tocar como Santana, sinto-me lisonjeado por não me chamar Lopes.
Um dia começo a escrever um livro. Já tenho uma filha e um filho. Já plantei várias árvores em variados sítios. E sinto-me cada vez mais novo.
Um dia vou dizer ao mundo um segredo em voz baixa.
Vou-lhe dizer num sussurro onde está a alegria. A felicidade insuportável. O riso que parte tudo.
E tu, que lês isto, ficas a saber em primeira mão.

sábado, janeiro 31, 2009

1 de Fevereiro de 2009 - 101ª Despedida

Amanhã decorrerá mais um aniversário sobre a data do regicídio de 1908. Provavelmente o cheiro a naftalina exalado de peles e samarras guardadas o ano inteiro voltará a pairar no ar no Terreiro do Paço. Cada vez mais os monárquicos que se juntam no local da efeméride pouco ou nada têm a ver com o povo seu antepassado, o que foi buscar o Mestre à Ordem de Aviz e o fez Rei, o que deu a vida e o sangue numa guerra que durou 28 anos, o tempo que demorou a resgatar Portugal do domínio castelhano, o que correu com os franceses há duzentos anos. Os monárquicos em Portugal transformaram-se em membros de um clube elitista de entrada condicionada a pergaminhos e brazões, coisa de tias, percebe? dando-se ao luxo de alimentarem entre si tricas de comadres e partidinhos de bairro, desperdiçando no entretém o tempo útil disponível para o relançamento de uma verdadeira Causa, como a defendida por Barrilaro Ruas. Pois: A ordem é rica e os frades são poucos.
Gonçalo Ribeiro Telles terá dito um dia: "Se pudesse tomar uma bica com cada português, restaurava a monarquia em Portugal".
Miguel Esteves Cardoso terá dito um dia: "Os monárquicos em Portugal constituem o maior partido clandestino que existe". Esses dias estão cada vez mais longe.
Hoje é o dia em que Miguel Sousa Tavares escreve no Expresso: "Eu penso que Portugal não vale muito como nação e como povo - aquilo que nos separa da inviabilidade não é tanto como, por inércia, nos habituámos a pensar." Não descortino o que haverá de comemorável no centenário a 5 de Outubro de 2010 a não ser a ignorância colectiva, o desprezo pelo passado, a vergonha da História e o triunfo da propaganda fónix.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

As vacas do Bloco, oTGV, os ATM e outras actualidades da República

O Bloco de Esquerda tem um fraquinho por vacas que pastam nas zonas verdes do tecido urbano lisboeta, nomeadamente na Praça de Espanha, e que julga serem açorianas mas não são.
A sua preocupação com o bem-estar físico e emocional de tais animais é tão comovente tão comovente que eu sei lá. As vacas, por seu lado, provavelmente têm o Bloco em tanta consideração como o resto do espectro político da república que vai desde o Bloco, lui même, ao PNR. Ou seja: estão-se ruminantemente cagando.
Por outro lado, é fundamental o TGV Lisboa <-> Porto para facilitar o acesso dos Madrilenos à Invicta, assim como o dos galegos a Madrid. Sendo Portugal a pagar, ainda melhor. No que diz respeito à retirada dos ATM dos tribunais para evitar que sejam furtados, verifica-se mais uma vez o síndroma do Outão. Aliás, o síndroma do Outão é uma prática administrativa compulsiva da República portuguesa no estado actual; cimenteira do Outão, exames de Matemática, Freeport, etc. Há umas semanas queixava-se a Marinha que Portugal não dispunha de meios suficientes para defender a sua zona económica exclusiva (ZEE). A solução, segundo os preceitos do sindroma do Outão, passará provavelmente pela alienação da ZEE em nome de uma qualquer outra potência marítima Atlântica, quiçá o Triângulo das Barbudas, pelouro de Alberto João Jardim.
Depois da recomendação de D. José Policarpo no sentido de as portuguesas pensarem bem antes de cometerem matrimónio contra muçulmanos, surge no horizonte o Nobel Saramago recomendando que as mulheres do mundo civilizado, a começar pela secretária de Estado norte americana Hilária, se agarrem com unhas e dentes aos apelidos de nascença que lhes foram transmitidas pelo protagonista masculino no acto da concepçao.
Admirável mundo novo este em que, enquanto a economia cai de podre, milhares de pessoas morrem de fome e as gentes do planeta se interrogam sobre o seu futuro nele e com ele, a brigada geriátrica avisa, avisa e avisa.

Blog Anónimo

Este blog não é anónimo; chama-se Por Tu Graal. O seu autor também não é anónimo. É de carne e osso e usa o pseudónimo de Afonso Henriques. Já agora, e não digo a talho de foice para não ferir canelas, aproveito para agradecer a referência no Dragoscópio e que fez disparar em flecha o rating de audiências no contador cá do estabelecimento.
No que respeita às actualidades na República, acho estranho que uma Procuradora dela diga que não há suspeitos nem arguidos no caso Feeport horas depois de ter sido feita uma busca a um escritório de advogados. Também acho estranho o maradona implicar tanto com a pontuação dos textos de alguns colegas, mas isso é outra conversa e fica para outro dia. Há muitas coisas que acho estranho mas isso deve-se ao facto de eu ser um tipo esquisito. Pelo sim pelo não aqui vai uma caterva de vírgulas e pontos para o caso de me esquecer de usar de tais temperos em cozinhados futuros.
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domingo, janeiro 25, 2009

O regresso da abetarda (*)

Hoje apetece-me escrever sobre o Expresso. Noutro dia apeteceu-me fazer umas aguarelas, mas hoje é mais sobre o Expresso. Uma das notícias do último Expresso refere que o presidente do IGESPAR Elísio Summavielle garante cara lavada em três anos ao património edificado que se tem aceleradamente degradado nos últimos vinte anos. O mesmo Summavielle que teceu elevadíssimas considerações à grua idealizada por João Soares para se aceder ao Castelo de S. Jorge. Acho extraordinário o prazo de degradação do património ser definido pelo intervalo de tempo decorrido entre 1989 e 2009. Também acho extraordinário que o presidente do IGESPAR considere vinte anos muito tempo.
Outra notícia refere que à banca não convém executar uma penhora de oitocentos milhões de euros sobre Joe Berardo porque isso se reflectiria em perdas que teriam que ser publicadas nas contas anuais dos bancos credores e a última coisa que os bancos hoje em dia querem é dar a sensação que estão à rasca. Mas se um tipo se atrasa numa puta duma prestação da casa são capazes de rapar todas as contas com o seu nome, mesmo que abertas com terceiros como primeiros titulares. Belmiro e Amorim, por seu lado, perderam dois mil milhões. Assim mesmo.
Imagino os dois a encontrarem-se num Posto de Abastecimento da Petrolífera Nacional:
- Então pá, ó Belmiro, como vai isso ?- pergunta o Amorim enquanto abastece o Daimler.
- Eh pá, ó Américo, isto está uma beca mal, dasse. Perdi dois mil milhões, tás a ver.
- Fogo meu! Também eu ólhó caralho!-
E pronto.
Outra notícia curiosa tem a ver com a doçura com que o Exresso fala da descarada cartelização das companhias petrolíferas em Portugal. Por cima de um gráfico onde se demonstra à saciedade a coincidência no tempo e no valor das subidas e descidas dos preços da gasolina e do gasóleo das quatro principais (GALP, CEPSA, BP e REPSOL) pode ler-se "Petrolíferas com preços alinhados". Alinhados? Quanto à obrigatoriedade de afixação de um painel com os preços dos combustíveis nos postos de abastecimento nas Auto-Estradas, subsiste aquela irritante e completamente inútil placa amarela onde se lê "Brevemente indicação de preços". É de uma inutilidade absoluta, ao nível da placa informativa nas saídas das Auto-Estradas indicando "Outros destinos". A estupidez é como as ervas: cresce com a chuva.

(*) Título que o último Expresso dá a uma série de notícias que vão desde a alegada corrupção de um engenheiro da Câmara de Góis que deu por concluída uma obra de pavimentação de uma estrada que nem sequer tinha começado, ao número de chamadas do Centro Social de Castelo Branco aberto há um mês, passando pelos dois milhões de prejuízo causados pelo apagão que "atingiu Moita, Martingança e Maceira". Ah, é verdade, o número de abetardas passou de 1150 em 2001 para 1600 em 2008, 80% das quais na zona de campo Branco em Castro Verde.


sexta-feira, janeiro 23, 2009

Paradoxo ou impossibilidade técnica

É ao que se resume esta história do casamento homossexual. E isto porque um casamento pressupõe um casal o que, na definição do Priberam é:

s. m.,
pequeno povoado;
lugarejo;
granja;
herdade;
conjunto das propriedades de uma família;
conjunto de pequenas propriedades rústicas;
par composto de macho e fêmea;
marido e mulher;

Tratando-se de par composto por dois machos ou duas fêmeas será um parelhamento, na melhor das hipóteses. Que tenham os mesmos direitos no que respeita à legalização de benefício ou usufruto de heranças e que um dos membros tenha a isso pleno direito na sequência da morte do outro, tudo bem. Mas não lhe chamem casamento. Não sejam preguiçosos. A Língua Portuguesa é suficientemente rica para fornecer um termo que defina a união homossexual legalmente assistida. Quem chama orçamento suplementar a um orçamento rectificativo decerto que não encontrará dificuldades de maior em encontrá-lo.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Reparem bem

O Ministro Manuelinho aparenta uma preocupação genuína com as trafulhices de que são vítimas os consumidores portugueses nomeadamente as praticadas pelo cartel das petrolíferas na República Portuguesa. As petrolíferas estão-se pura e simplesmente a cagar para a obrigação de afixação de preços na aproximação das áreas de serviço nas auto estradas em vigor desde meados 2008. Também se estão completamente cagando para o facto de serem um cartel porque sabem que estão acima da lei. Eu também sei que o Ministro Manuelinho não se chama assim mas é assim que soa quando falam dele na TSF. A tia Manuela, por outro lado, indignada com o facto de Gonçalo Amaral ter sido escolhido para se candidatar a presidente da Câmara de Olhão e isto porque não passou tempo suficiente entre a execução de funções na polícia e a candidatura a um cargo político de forma a afastar a sombra sempre desagradável da promiscuidade, não percebeu que o lugar do líder da oposição é no Parlamento e não nos estúdios de televisão. Mas isso também não percebeu o Pacheco Pereira, que não percebe uma data de coisas como por exemplo o que escreve o Vasco Pulido Valente. E é em português. Nem quero pensar no que seria a cara do Pacheco Pereira se o Vasco desatasse a escrever as crónicas em inglês. Em tempo de mudanças e de Ano Novo, é de referir a excelente troca que o PÚBLICO fez despachando o Rui Tavares e convidando o Miguel Esteves Cardoso. Para já porque um shot diário de MEC é sempre preferível a uma caneca de xerfexa cuxida servida dia sim dia não pelo Rui Tavares. Mas o MEC, ao contrário das petrolíferas instaladas na República Portuguesa, não está acima da lei. Neste caso a da gramática. Chamar D. Policarpo ao Cardeal Patriarca é como chamar D. Ximenes ao bispo de Timor Leste ou D. Bragança ao pretendente ao trono de Portugal. MEC corre o sério risco de se transformar a pouco e pouco num José Rodrigues dos Santos ou isso.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Introdução à política - Lição 3

O nervoso não é bom conselheiro, mas acontece. António Costa é a prova disso: Comparando a candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa contra ele próprio com a corrida entre a cigarra e a formiga confundiu as fábulas. E quem confunde fábulas, no mínimo, é propenso a baralhar realidades, chapinhar na história, atascar-se no tempo. A fábula da corrida, se bem me lembro, refere a lebre e a tartaruga. Na pior das hipóteses o coelho e o cágado. Nunca, mas nunca, a corrida entre a cigarra e a formiga. A fábula da cigarra e a da formiga, essa, é outra história, relembrada aqui de forma magistral pelo incandescente e incontornável Dragão, uma espécie de Fernando Pessoa do século XXI.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Introdução à política - Lição 2

As manobras ou exercícios que se vêm desenrolando nas altíssimas esferas da política nativa, atmosferas portanto, quer pelas bandas do CDS/PP quer pela bandas do Movimento que deu um segundo lugar a Manuel Alegre para a eternidade, são sazonais: acontecem em fase de preparação para o campeonato eleitoral. O objectivo de Portas, se conseguir arrebanhar inscrições no partido e roubar votos ao PSD, depois de uma eleições internas que lhe garantiram uma maioria terceiro-mundista na liderança com mais de 90% de votos, é colocar o seu partido como única alternativa de direita. O PSD, embora seja o único que já não esconde o jogo, alinhando de facto ao lado da maioria Socrática como se viu com a pseudo gazeta dos deputados à AR no passado dia 5, pagará caro nas urnas a estratégia sonsa que adoptou. Ou o desnorte em que mergulhou. O pêcêpê está no seu melhor: zangado e isolado. A esquerda caviar está à toa e procura namorado depois de perder a virgindade com a deserção de Sá Fernandes.
O PS prepara-se pois para disputar um campeonato eleitoral em excelente posição, beneficiando da balbúrdia em que se encontra mergulhada a oposição à esquerda e à direita, mantendo o seu rumo de terceira via, com os trabalhos de casa feitos e uma pipa de massa no horizonte sob a forma de subsídios antecipados. Com a ajuda do Zé Manel, claro.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Síndroma do Outão II

Almeida Santos sugeriu hoje que deixasse de haver plenários na Assembleia da República às sextas feiras, o que resolveria de imediato o problema do absentismo que se verifica nesses dias de votação. É a segunda versão do síndroma do Outão, lembram-se? Aquela história de destacar por decreto a cimenteira do Outão do Parque Natural da Serra da Arrábida? Relembro: foi o que Sócrates fez quando era Ministro do Ambiente, resolvendo com isso o problema da existência de um cancro a céu aberto numa Reserva Natural.
Melhor ainda seria fechar a Asembleia da República às sextas feiras, assim os deputados poderiam juntar-se mais cedo às suas famílias porque, como todos deveríamos saber, as sextas feiras são véspera de fim de semana. Acho que seria uma medida querida, terna e que cai bem em época de Natal.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

D. Manoel de Oliveira


Homenagem à profundidade deste olhar intemporal que nos deu a ver tanto de Portugal.
Foto de Pedro Ferreira tirada daqui.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Museus

Depois da ideia peregrina de se criar um Museu Fernando Pessoa sem nada a ver com a existente Casa Fernando Pessoa, ao que parece será agora criado o Museu de Arte Africana, ali ao lado do Museu das Janelas Verdes, também conhecido por Museu de Arte Antiga, segundo anúncio do próprio primeiro ministro previsto para hoje. Correspondendo obviamente ao preenchimento de uma lacuna gravíssima no panorama cultural nacional, dada a procura insaciável de museus por parte da população, correndo o sério risco de deixar às moscas Centros Comerciais e Hipermercados, a iniciativa abre um precedente interessante que poderá conduzir à criação de mais inutilidades tais como o Museu de Arte Europeia, o Museu de Arte Americana, o Museu de Arte Asiática, o Museu de Arte da Oceania e, porque não, o Museu de Arte da Antártida.

domingo, dezembro 07, 2008

O cancro de África

Tem um nome: Zimbabué. E alastra metásteses pelos vizinhos. África está a tornar-se um lugar perigoso. Sendo o último continente carregadinho de recursos por explorar constitui um alvo apetitoso para o desporto favorito norte americano: defecar bombas. África está cada vez mais perto de se tornar o palco de um novo conflito multinacional em cada dia que passa. As portas de entrada são várias e os pretextos ainda mais. O que se passa com os piratas da Somália é só e apenas mais um.

Elegância Socrática

O sexto lugar na elegância atribuído não sei por quem a Sócrates a semana passada fez mais pela sua reeleição em 2009 do que qualquer campanha eleitoral que venha a ser feita. Sendo um personagem de plástico, amante do Chávismo e adepto ferrenho da epidemia Magalhenesca, Sócrates deverá estar impante, com o seu ego nos píncaros, que é o local de onde se avista o Everest quando se olha para baixo. A esfrangalhada ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que cometeu o pecado mortal de defender e tentar aplicar um modelo de avaliação de professores para além da dúbia auto-avaliação, está mais desgastada que os pistons de um autocarro da carris dos verdes, de porta atrás, dos que já nem existem. Deixá-la cair, como eu já referi aqui, já nem é maldade: é caridade. Talvez em Março/Abril como profetizou Vasco Pulido Valente sexta feira passada na TVI, ou talvez mais cedo. Se calhar ela própria bate a porta um dia destes, antes do fim do ano. O cargo de ministro de educação é sempre ingrato num país pejado de gente mal educada e malcriada. Um cargo destinado à guilhotina, como referiu Miguel Sousa Tavares no Expresso de ontem, aparelho pilotado desde sempre por gente malcriada e mal educada.

sábado, dezembro 06, 2008

Chumbar por faltas

Ele há coisas do caralho. Não percebo, juro que não percebo, o porquê da indignação de tantos portugueses com a falta ao trabalho de trinta funcionários públicos incompetentes e excedentários (por puro acaso todos eles deputados do PSD) que se verificou na passada sexta feira. Porquê as manifestações de rua que tiveram lugar hoje em todo o país? A indignação vociferada em altos berros nas praças, pracetas e becos da Nação; o tempo de antena que isso ocupou; os posts, os milhares de posts pespegados por bloguistas anónimos na sempre aberta e disponível B.L.U.S.A. (*) Porquê ? Afinal de contas só foram trinta gajos, foda-se. Em setecentos e cinquenta e oito mil trezentos e vinte e três funcionários públicos trinta gajos? Isso é o quê? É menos que um cagagésimo, equivalente temporal ao instante que medeia a mudança de um semáforo para verde e a buzinadela do fogareiro atrás de nós. Aos deputados faltosos deveria ser aplicado, sem contemplações, um rotundo chumbo por faltas.

(*) Blogosfera Lusa

sexta-feira, dezembro 05, 2008

À Vossa!

Tem crescido com força a marcação cerrada que os monárquicos portugueses têm feito à expectável comemoração do regime nos cem anos de República. Como já referi aqui, mais ninguém se lembraria de comemorar este centenário. Um centenário comemorável só pode ser o de alguém como o do Manoel de Oliveira, um gajo que faz cem anos hoje e que se apresentou ainda noutro dia na televisão com a cabeça cheia de cabelos pretos, uma postura juvenil e um casaco de cabedal fora de série. Também acho que alguns dos filmes dele são chatos: dez minutos de plano fixo podem fazer boa fotografia mas, caros amigos, não é cinema: cinema é imagem em movimento.
A República, por outro lado, é movimento sem imagem. Pensar que mais de metade do Parlamento se recusou a prestar homenagem a um Chefe de Estado assassinado com um miserável minuto de silêncio com o pretexto de que não se pode reescrever a história enche-me de pasmo. Essa é a imagem possível da República portuguesa: um regime de cinzentismo, encobrimento, que tresanda a hipocrisia e má fé.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Novo template

Pois foi. Mudei o template da merda do blog. Este é um template que se consegue após profiados esforços na escritação. Há já um tempo largo gordo e fundo que ansiava por mudar o template da merda do blog.
Agora já está.
Hoje foi dia de greve de professores, o que descobri na ausência de trânsito a caminho do Algarve, zona norte e ultramarina de Marrocos & Cia. Gosto da ideia de que as greves de professores servem para o fluir do trânsito, para desanuviar os vários caminhos que conduzem Portugal a outros sítios de Portugal. Esta greve de professores vem no alinhamento do último congresso do PCP; enquanto no congresso do PCP se aplaudiam regimes como o da Coreia do Norte, da China e de Cuba, a greve de professores contra qualquer tipo de avaliação faz eco na obscenidade do silêncio que acoitou a avaliação administrativa deles, professores, na Madeira. Passo a explicar: É sintomático do laxismo mental em que se encontra mergulhada a classse de funcionários públicos e partidários deste país (leia-se professores e filiados no PCP) quando penso na simultaneidade da passagem em claro da "avaliação" de professores na Madeira e o bezerranço que aconteceu este fim de semana no Campo Pequeno. Deve ser por tiradas destas que este blog é, erradamente, classificado como de extrema direita. Que se foda.
A caminho do Algarve, vi uma águia calmamente poisada num dos dez mil seiscentos e quarenta e dois postes que seguram uma vedação entre as áreas de serviço de Grândola e Aljustrel.
Com a máquina fotográfica ao alcance de um sopapo não vislumbrei todavia ocasião em que lhe pudesse deitar a mão e disparar. A águia percebeu isso e permaneceu, majestática e com a tranquilidade soberana que é apanágio de rapaces, poisada no poste enquanto passei por ela a trinta e quatro quilómetros por hora, entalado entre uma carrinha Renault e a buzinadela furibunda de um camião Luís Simões pilotado por um fanático do FCP. As merdas que se vêem e acontecem a caminho do trabalho davam para encher metade de um livro de receitas para dietéticos compulsivos.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!