sábado, junho 27, 2009

Eleições

Nenhum partido quis as eleições em simultâneo. O PSD só fez o papel de opositor solitário para sossego de Cavaco Silva, o Presidente da República, que assim fica com a sua imagem de imparcialidade reforçada ao mesmo tempo que, democraticamente, respeita a vontade da maioria dos partidos. Assim haverá mais dinheiro para distribuir pelos do costume. Como se a semana que separa as Legislativas das Autárquicas (tirando os cinco dias de ressaca após a divulgação dos resultados das primeiras) fosse considerada mais que suficiente para esclarecer o eleitorado. Evita-se ainda a confusão dos eleitores, esses atrasados mentais que embora pratiquem a separação do lixo, o Facebook e o Twitter, nunca conseguiriam discernir em quem votar se Legislativas e Autárquicas fossem em simultâneo. Sobe igualmente a abstenção, o que até dá jeito para que se vote mais depressa e a contagem de votos se processe rapidamente. O regime agradece.

sábado, junho 13, 2009

Da Liberdade de Expressão

O insulto, a difamação e a propagação das calúnias e boatarias mais reles que se podem imaginar têm sido os argumento de ouro da nomenklatura do regime republicano, sejam políticos ou comentadores, para que seja instituída a censura à liberdade de expressão na B.L.U.S.A. (*) . Escusado será dizer que o alcance de tais calúnias, boatos e difamações raramente atinge a borda da sarjeta de onde são proferidos(as). Acontece a muita gente pisar bosta de cão quando se passeia a pé pelas cidades e vilas cá do reino. Mas não passa disso; bosta de cão limpa-se com facilidade.
O que é insuportável para a nomenklatura republicana indígena é a proliferação de opinião livremente expressa em blogs de autor anónimo. Como este e outros. Sobretudo para os que se acham com o pelouro exclusivo da opinião paga por jornais e televisões. A mentalidade inquisitorial dessa gente, herdeira da obsessão persecutória da primeira república, não suporta a existência de pseudónimos; é-lhes mais difícil exercer represálias, seja a nível de emprego (leia-se subsistência) seja a nível pessoal, leia-se harassement.
Vem isto a propósito deste post de O Jumento, um blog de referência e que incomoda muita gente. Existe também a censura de comentários em blogs do regime, mas isso fica para outras núpcias. Também existe o flamingo rosa, o painel solar, a cerveja sem álcool e a águia de Bonnelli, mas são coisas não têm nada a ver com esta história.
Cá por mim, que escolhi o pseudónimo do primeiro Rei de Portugal quando criei Portugraal - Um blog Monárquico, vou mantê-lo enquanto me apetecer embora cada vez nais ciente do aburguesamento pastelão da aristocracia nativa, cada vez mais preocupada com a sua imagem social e cada vez mais afastada do povo que em tempos foi seu aliado incondicional. Dá-me ganas assistir ao apodrecimento ao sol deste país, como preconizou Vasco Pulido Valente, enquanto os que se reclamam monárquicos perdem o tempo e a tesão com discussões estéreis e paradas de vaidade. A recente polémica entre o dirigente do PCP-ex PPM (Partido dos Câmara Pereira) e os apoiantes de D. Duarte é o exemplo perfeito daquilo a que me refiro. A monarquia em Portugal morreu quando a aristocracia se aburguesou e só seria restaurável se o povo quisesse, o que parece cada vez mais longe de poder vir a acontecer.
Ó Duques, Condes e Viscondes deste reino, atrevam-se a descer dos pedestais onde os vossos antepassados vos puseram, metam as mãos na massa e mostrem o que valem e do ques são capazes. Mostrem-no com a prática diária e o exemplo das vossas vidas, com mais participação menos cagança e menos apelos a Nossa Senhora de Fátima.

domingo, junho 07, 2009

Sem comentários

Uma janela aberta com ar fresco a passa por ela, este post do besugo.

sábado, junho 06, 2009

Eleições amanhã

A graça que tem Paulo Rangel nas arruadas em que participa tem muito a ver com o facto de estar feliz por estar perfeitamente convencido de que será eleito. Isto significa que deixará de ter que viver em Portugal enquanto mantém a actividade política. O que o faz feliz. Torna-se numa espécie de Durão Barroso em ponto pequeno e ao contrário: fazia cá falta enquanto oposição mas dá mais jeito que esteja "lá fora". A elevadíssima abstenção que se prevê será obviamente justificada derivado das condições climáticas, ou seja, da chuva. Daí à instituição do voto obrigatório, prática corrente em países turbodesenvolvidos como o Brasil, vai uma unidade de tempo cagativa. Por isso e por mais voltas que dê em vários lados é-me extremamente difícil descortinar o que irá o regime comemorar em 2010 que não seja um chorrilho de aldrabices enquanto se entretém a re-escrever a História.

terça-feira, maio 19, 2009

Os combustíveis e a República

Com os placards informativos dos preços de combustíveis finalmente destapados, destapa-se outra realidade: a cartelização descarada. Quando a imprensa referiu, na semana passada, que as diferenças de preço andavam na casa das milésimas logo se apressaram as petrolíferas a desmentir esse facto passando os preços a ser iguais. Trata-se de paralelismo, disseram. Pois a mim parece-me outra coisa. A entidade reguladora da concorrência deixa de ter razão de existir pelo simples facto de não haver concorrência. A não ser nos postos dos hipermercados e grande áreas comerciais, onde a GALP diz que se vende combustível de baixa qualidade, o que para mim não deixa de ser um mistério uma vez que o produto base de todas as petrolíferas é o mesmo, quer venha de Sines ou de Matosinhos. Mistérios desta República que se quer festiva em 2010.
Já agora, e sem ser a talho de foice para não aleijar ninguém, seria honesto que ao comemorar os 100 anos de República o R.R.E.G.U.I.L.A., (Regime Republicano Em Grande Utilização Intensamente Loquaz e Aldrabão) não se esquecesse de referir a imposição da censura, a perseguição religiosa e de liberdade de expressão, de reunião e associação, a expropriação compulsiva e o desleixo generalizado como fazendo parte dos grandes feitos a comemorar em 5 de Outubro de 2010. Eu, por mim, prefiro comemorar na mesma data o 867º aniversário do nascimento de Portugal, no mesmo dia e mês mas de mil cento e quarenta e três.

quinta-feira, maio 07, 2009

Bloco Central

Já existe. Sempre existiu. Neste momento arruma-se a casa para a Festa das Legislativas. Atirar com Paulo Rangel para o Parlamento Europeu desvitalizará a oposição do PSD ao PS na Assembleia da República; cria mau ambiente, o tipo. É uma voz incómoda, não só pelo timbre como pelo que diz. E o que diz despoleta reacções disparatadas a membros do governo, o que é tudo o que um Bloco Central não precisa. Por muito que Sócrates não suporte Ferreira Leite e vice-versa, os que estão por detrás deles vão obrigá-los a entenderem-se. Em nome da sua-deles economia ou do que resta dela. Ou então rua; não haverá financiamento em dinheiro vivo para ninguém.
Por outro lado o tom majestático que Cavaco usa, quando o usa, referindo-se a si próprio com O Presidente da República, costuma ser sinal de tempestade no horizonte. Aconteceu quando dissertou sobre o uso da palavra pouco antes da questão do estatuto dos Açores. Voltou a usá-lo ontem quando respondeu a um jornalista O Presidente da República não tem que se pronunciar sobre as informações que lhe são dadas pelos que têm o dever de o fazer. Isto na sequência da questão Dias Loureiro vs Conselho de Estado.
Pelas bandas do PS, aguarda-se com alguma expectativa para dia 15 de Maio a mensagem do Vice-Presidente da República, Manuel Alegre. Não tanto pelo que dirá, que toda a gente já sabe, mas pela forma como o irá fazer. Alegre incomoda o PS. José Lello não resistiu a provocá-lo na sequência do episódio "Vital Moreira e o 1º de Maio".
O Bloco Central sempre existiu, nomeadamente na concordância tácita em manter Portugal refém de um regime pseudo-democrático que não aceita na sua Lei Fundamental, a Constituição da República, a possibilidade de existência de outro regime democrático que não o republicano, que proíbe a organização das eleições para o Parlamento em círculos uninominais, ou seja, responsabilizando cada deputado para com os eleitores do círculo eleitoral que o elegeu, como se fazia no fim do sec.XIX princípio do sec. XX, altura em que Portugal ombreava por direito próprio com os países mais desenvolvidos da Europa.

sábado, maio 02, 2009

Novo Blog na B.L.U.S.A.(*)

Chama-se gravidade intermédia e é do Besugo.
Descobriu-o agora mesmo e agora mesmo lhe dou as boas vindas.
Mais boa escrita nesta tão livre e, por isso, amaldiçoada B.L.U.S.A.(*) faz sempre falta.

(*) Blogosfera Lusa

sexta-feira, maio 01, 2009

E @ssim vai a república...

Ontem às 07:00 na TSF transmitia-se a voz do Sr. José Horta da associação de petrolíferas a apresentar mais um ramalhete de desculpas esfarrapadas sobre a grande complexidade em implementar o sistema de aviso de preços nos postos de combustível das auto-estradas indígenas.
Mesmo assim já vão estar proximamente concluídos os primeiros painéis avisadores na A1 e na A17. O facto de a A17 ser uma autoestrada deserta é irrelevante.
É claro que não há cartelização. É só uma obsessão minha, esta história da cartelização. O facto de todas as petrolíferas estarem a violar a lei desde Novembro de 2008 e nenhuma delas ter sido notificada pelo governo para pagar coimas também é irrelevante. Como é irrelevante existir um vogal da entidade reguladora da concorrência a fazer parte de um júri de concursos públicos. Ou, ainda, como é totalmente despiciendo o facto de o financiamento dos partidos políticos ter passado de 21.000 € para 2.000.000 € em dinheiro vivo em resultado de uma proposta aprovada por quase unanimidade em tempo record. António José Seguro, o único a votar não, tornou-se assim numa espécie de Manuel Alegre nouvelle vague com reminiscências de queijo Limiano.
Já agora para quem quiser Magalhães a bom preço é só ir à Feira da Ladra. É o que se deduz da notícia de 1ª página no Expresso de hoje.

sábado, abril 25, 2009

De volta

Estive quase a parar isto. Mas a quantidade de visitantes que se manteve estoicamente aqui à porta e a caterva de comentários (mais de 784) que carinhosamente depositaram na respectiva caixa cá do estabelecimento (comentários esses que, a pedido do blogger, tive que remover) levaram-me a pensar o seguinte:

Vou continuar.

Portanto aqui estou.
A quantidade de coisas que por cá permaneceram exactamente na mesma, enquanto eu deambulava indolentemente pelas mornas paragens da América do Sul entre caipiroscas e parrilladas, é absolutamente extraordinária. Ainda na 5ªfeira passada ao acabar de ler o Inimigo Público deparo com a notícia da golpaça do Vale e Azevedo em Inglaterra. Juro, mas JURO, que por segundos pensei que ainda estava a ler o Inimigo Público.
Hoje ao ler o Expresso tomei conhecimento (que maneira mais foleira de escrever: tomei conhecimento) de que (esta também) tinha sido dado o nome de um ginasta português a uma nova sequência de movimentos de ginástica de competição, mais propriamente na disciplina de cavalo com arções. Como o ginasta luso se chama Filipe Besugo, o movimento passará a ser conhecido por "Besugo". Nem mais. Parabéns portanto a este, que é o único que conheço.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

República de porteiras e merceeiros

Nada tenho contra uns e outros, note-se. Lembro-me bem do Sr. Joaquim, o merceeiro, me ter desenrascado uma vez quando ao sair de casa me deparei sem chaves nem carteira. Só tinha um livro de cheques no bolso interior direito do casaco. Dirigi-me à mercearia e disse-lhe : Sr. Joaquim, acabei de sair de casa, esqueci-me das chaves e da carteira e a única coisa que tenho é o livro de cheques. Troca-me um cheque de cinco contos ? E ele trocou. Pude assim comprar o bilhete de comboio, fui trabalhar, almocei e quando voltei para casa o problema da falta de chaves não se pôs porque a Sancha já estava em casa mai-los miúdos. Foi a Sancha que me deu ganas de escrever este post porque, segundo ela, Portugal encontra-se reduzido a uma república gerida por porteiras e merceeiros. De porteiras porque o diz-que-disse-que coiso-e-tal e-a-vizinha-que-até-é-doutora-parece-que-afinal-pôs-os-cornos-ao-marido-que-até-é-director-dum-banco-vá-lá-a-gente-saber é cada vez mais o pão nosso de cada dia. Daqui a chipar matrículas a eito é um ápice. Toda a gente fica a saber por onde anda e o que faz toda a gente. Ele é o fripór e o Santos Silva a ameaçar de malhar aqui e ali, ele é o foda-se (ai j'sus credo mais um palavrão), também conhecido por Mário Crespo, a desancar as hostes dissertando sobre um Supônhamos, ele é os bancos c'os cós das calças a entalarem a fruta que, por sua vez, entalam os desgraçados que recorreram a empréstimos para pagar a casa. Enfim. É uma barrigada de república tão grande, tão grande, tão grande que até os deputados à Assembleia acham normal e corriqueiro o controle de acessos biométrico à dita cuja.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Ferreira Leite demite-se

"A História vai dar-me razão" disse a líder do PSD em resposta às críticas de Marcelo Rebelo de Sousa. O que não falta à História são ocasiões em que esta frase foi proferida. Regra geral por derrotados. Ferreira Leite junta-se assim à lista dos que se reconhecem derrotados no seu tempo. Chutando a bola para o futuro, junta a sua à voz da restante oposição, impotente nas alternativas e sem soluções programáticas. A História é complexa e volúvel como uma mulher sabida, cheia de curvas e encantos; há-que saber seduzi-la. Prognosticar-lhe respostas é não só inútil como arriscado. O que transparece dessa atitude é a demissão pura e simples do papel que deveria ser o seu: líder do maior partido da oposição.
Quanto à restante oposição, fraca e desmotivada, resta-lhe o barulho, o ruído, o soundbyte e o conformar-se com uma terceira via que só existe porque sim. A almejada alternativa de esquerda é não só inviável como inútil.
Cada vez mais o futuro do regime republicano se confunde com o futuro de Portugal: apodrecer à chuva e ao sol, numa agonia lenta e dolorosa.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

No país dos bêpêenes

Vem o ministro da presidência exigir da presidente do PSD um esclarecimento público relativamente à campanha pinocrática da JSD. Diz ele, mais ou menos, que a campanha é baseada em mentiras.
Pois.
Digo eu que dizer isso equivale a dar um tiro no pé com uma caçadeira de canos semi-serrados.
A presidente do PSD não sei o que disse.
Dizem-me que Inglaterra, Letónia, Ucrânia e outros se encontram à beira da bancarrota. E que o Figo perdeu uma porrada de massa com a história do BPN. E que a CGD vai comprar o BPN. E o Figo ? Está incluído? E se à CGD lhe apetecer criar um clube de futebol ? Passará pela aquisição do passivo de Figo? digo, do passe de Figo ?
Daqui a nada vou emigrar rumo a l'America del sur. Cojones! Vou ali ao lado à Venezuela a casa do Chávez dizer-lhe que o populismo de esquerda é gajo para lhe aguentar 40 anos de presidência? Ou vou antes vender-lhe mais meia dúzia de Magalhães ? Ou mando-o para o caralho? Não sei. Farei o que me apetecer na altura. Se for à Venezuela.
Leio que Santana Lopes se sente lisonjeado com o apoio do CDS/PP à sua candidatura à presidência da CML. Sente-se lisonjeado por ter como apoiante um partido que contribuiu grande e fortemente para que Portugal fosse condenado por obstrução ao direito de liberdade de expressão. Em nome de Nossa Senhora de Fátima. Eu, que tenho pena de não tocar como Santana, sinto-me lisonjeado por não me chamar Lopes.
Um dia começo a escrever um livro. Já tenho uma filha e um filho. Já plantei várias árvores em variados sítios. E sinto-me cada vez mais novo.
Um dia vou dizer ao mundo um segredo em voz baixa.
Vou-lhe dizer num sussurro onde está a alegria. A felicidade insuportável. O riso que parte tudo.
E tu, que lês isto, ficas a saber em primeira mão.

sábado, janeiro 31, 2009

1 de Fevereiro de 2009 - 101ª Despedida

Amanhã decorrerá mais um aniversário sobre a data do regicídio de 1908. Provavelmente o cheiro a naftalina exalado de peles e samarras guardadas o ano inteiro voltará a pairar no ar no Terreiro do Paço. Cada vez mais os monárquicos que se juntam no local da efeméride pouco ou nada têm a ver com o povo seu antepassado, o que foi buscar o Mestre à Ordem de Aviz e o fez Rei, o que deu a vida e o sangue numa guerra que durou 28 anos, o tempo que demorou a resgatar Portugal do domínio castelhano, o que correu com os franceses há duzentos anos. Os monárquicos em Portugal transformaram-se em membros de um clube elitista de entrada condicionada a pergaminhos e brazões, coisa de tias, percebe? dando-se ao luxo de alimentarem entre si tricas de comadres e partidinhos de bairro, desperdiçando no entretém o tempo útil disponível para o relançamento de uma verdadeira Causa, como a defendida por Barrilaro Ruas. Pois: A ordem é rica e os frades são poucos.
Gonçalo Ribeiro Telles terá dito um dia: "Se pudesse tomar uma bica com cada português, restaurava a monarquia em Portugal".
Miguel Esteves Cardoso terá dito um dia: "Os monárquicos em Portugal constituem o maior partido clandestino que existe". Esses dias estão cada vez mais longe.
Hoje é o dia em que Miguel Sousa Tavares escreve no Expresso: "Eu penso que Portugal não vale muito como nação e como povo - aquilo que nos separa da inviabilidade não é tanto como, por inércia, nos habituámos a pensar." Não descortino o que haverá de comemorável no centenário a 5 de Outubro de 2010 a não ser a ignorância colectiva, o desprezo pelo passado, a vergonha da História e o triunfo da propaganda fónix.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

As vacas do Bloco, oTGV, os ATM e outras actualidades da República

O Bloco de Esquerda tem um fraquinho por vacas que pastam nas zonas verdes do tecido urbano lisboeta, nomeadamente na Praça de Espanha, e que julga serem açorianas mas não são.
A sua preocupação com o bem-estar físico e emocional de tais animais é tão comovente tão comovente que eu sei lá. As vacas, por seu lado, provavelmente têm o Bloco em tanta consideração como o resto do espectro político da república que vai desde o Bloco, lui même, ao PNR. Ou seja: estão-se ruminantemente cagando.
Por outro lado, é fundamental o TGV Lisboa <-> Porto para facilitar o acesso dos Madrilenos à Invicta, assim como o dos galegos a Madrid. Sendo Portugal a pagar, ainda melhor. No que diz respeito à retirada dos ATM dos tribunais para evitar que sejam furtados, verifica-se mais uma vez o síndroma do Outão. Aliás, o síndroma do Outão é uma prática administrativa compulsiva da República portuguesa no estado actual; cimenteira do Outão, exames de Matemática, Freeport, etc. Há umas semanas queixava-se a Marinha que Portugal não dispunha de meios suficientes para defender a sua zona económica exclusiva (ZEE). A solução, segundo os preceitos do sindroma do Outão, passará provavelmente pela alienação da ZEE em nome de uma qualquer outra potência marítima Atlântica, quiçá o Triângulo das Barbudas, pelouro de Alberto João Jardim.
Depois da recomendação de D. José Policarpo no sentido de as portuguesas pensarem bem antes de cometerem matrimónio contra muçulmanos, surge no horizonte o Nobel Saramago recomendando que as mulheres do mundo civilizado, a começar pela secretária de Estado norte americana Hilária, se agarrem com unhas e dentes aos apelidos de nascença que lhes foram transmitidas pelo protagonista masculino no acto da concepçao.
Admirável mundo novo este em que, enquanto a economia cai de podre, milhares de pessoas morrem de fome e as gentes do planeta se interrogam sobre o seu futuro nele e com ele, a brigada geriátrica avisa, avisa e avisa.

Blog Anónimo

Este blog não é anónimo; chama-se Por Tu Graal. O seu autor também não é anónimo. É de carne e osso e usa o pseudónimo de Afonso Henriques. Já agora, e não digo a talho de foice para não ferir canelas, aproveito para agradecer a referência no Dragoscópio e que fez disparar em flecha o rating de audiências no contador cá do estabelecimento.
No que respeita às actualidades na República, acho estranho que uma Procuradora dela diga que não há suspeitos nem arguidos no caso Feeport horas depois de ter sido feita uma busca a um escritório de advogados. Também acho estranho o maradona implicar tanto com a pontuação dos textos de alguns colegas, mas isso é outra conversa e fica para outro dia. Há muitas coisas que acho estranho mas isso deve-se ao facto de eu ser um tipo esquisito. Pelo sim pelo não aqui vai uma caterva de vírgulas e pontos para o caso de me esquecer de usar de tais temperos em cozinhados futuros.
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domingo, janeiro 25, 2009

O regresso da abetarda (*)

Hoje apetece-me escrever sobre o Expresso. Noutro dia apeteceu-me fazer umas aguarelas, mas hoje é mais sobre o Expresso. Uma das notícias do último Expresso refere que o presidente do IGESPAR Elísio Summavielle garante cara lavada em três anos ao património edificado que se tem aceleradamente degradado nos últimos vinte anos. O mesmo Summavielle que teceu elevadíssimas considerações à grua idealizada por João Soares para se aceder ao Castelo de S. Jorge. Acho extraordinário o prazo de degradação do património ser definido pelo intervalo de tempo decorrido entre 1989 e 2009. Também acho extraordinário que o presidente do IGESPAR considere vinte anos muito tempo.
Outra notícia refere que à banca não convém executar uma penhora de oitocentos milhões de euros sobre Joe Berardo porque isso se reflectiria em perdas que teriam que ser publicadas nas contas anuais dos bancos credores e a última coisa que os bancos hoje em dia querem é dar a sensação que estão à rasca. Mas se um tipo se atrasa numa puta duma prestação da casa são capazes de rapar todas as contas com o seu nome, mesmo que abertas com terceiros como primeiros titulares. Belmiro e Amorim, por seu lado, perderam dois mil milhões. Assim mesmo.
Imagino os dois a encontrarem-se num Posto de Abastecimento da Petrolífera Nacional:
- Então pá, ó Belmiro, como vai isso ?- pergunta o Amorim enquanto abastece o Daimler.
- Eh pá, ó Américo, isto está uma beca mal, dasse. Perdi dois mil milhões, tás a ver.
- Fogo meu! Também eu ólhó caralho!-
E pronto.
Outra notícia curiosa tem a ver com a doçura com que o Exresso fala da descarada cartelização das companhias petrolíferas em Portugal. Por cima de um gráfico onde se demonstra à saciedade a coincidência no tempo e no valor das subidas e descidas dos preços da gasolina e do gasóleo das quatro principais (GALP, CEPSA, BP e REPSOL) pode ler-se "Petrolíferas com preços alinhados". Alinhados? Quanto à obrigatoriedade de afixação de um painel com os preços dos combustíveis nos postos de abastecimento nas Auto-Estradas, subsiste aquela irritante e completamente inútil placa amarela onde se lê "Brevemente indicação de preços". É de uma inutilidade absoluta, ao nível da placa informativa nas saídas das Auto-Estradas indicando "Outros destinos". A estupidez é como as ervas: cresce com a chuva.

(*) Título que o último Expresso dá a uma série de notícias que vão desde a alegada corrupção de um engenheiro da Câmara de Góis que deu por concluída uma obra de pavimentação de uma estrada que nem sequer tinha começado, ao número de chamadas do Centro Social de Castelo Branco aberto há um mês, passando pelos dois milhões de prejuízo causados pelo apagão que "atingiu Moita, Martingança e Maceira". Ah, é verdade, o número de abetardas passou de 1150 em 2001 para 1600 em 2008, 80% das quais na zona de campo Branco em Castro Verde.


sexta-feira, janeiro 23, 2009

Paradoxo ou impossibilidade técnica

É ao que se resume esta história do casamento homossexual. E isto porque um casamento pressupõe um casal o que, na definição do Priberam é:

s. m.,
pequeno povoado;
lugarejo;
granja;
herdade;
conjunto das propriedades de uma família;
conjunto de pequenas propriedades rústicas;
par composto de macho e fêmea;
marido e mulher;

Tratando-se de par composto por dois machos ou duas fêmeas será um parelhamento, na melhor das hipóteses. Que tenham os mesmos direitos no que respeita à legalização de benefício ou usufruto de heranças e que um dos membros tenha a isso pleno direito na sequência da morte do outro, tudo bem. Mas não lhe chamem casamento. Não sejam preguiçosos. A Língua Portuguesa é suficientemente rica para fornecer um termo que defina a união homossexual legalmente assistida. Quem chama orçamento suplementar a um orçamento rectificativo decerto que não encontrará dificuldades de maior em encontrá-lo.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Reparem bem

O Ministro Manuelinho aparenta uma preocupação genuína com as trafulhices de que são vítimas os consumidores portugueses nomeadamente as praticadas pelo cartel das petrolíferas na República Portuguesa. As petrolíferas estão-se pura e simplesmente a cagar para a obrigação de afixação de preços na aproximação das áreas de serviço nas auto estradas em vigor desde meados 2008. Também se estão completamente cagando para o facto de serem um cartel porque sabem que estão acima da lei. Eu também sei que o Ministro Manuelinho não se chama assim mas é assim que soa quando falam dele na TSF. A tia Manuela, por outro lado, indignada com o facto de Gonçalo Amaral ter sido escolhido para se candidatar a presidente da Câmara de Olhão e isto porque não passou tempo suficiente entre a execução de funções na polícia e a candidatura a um cargo político de forma a afastar a sombra sempre desagradável da promiscuidade, não percebeu que o lugar do líder da oposição é no Parlamento e não nos estúdios de televisão. Mas isso também não percebeu o Pacheco Pereira, que não percebe uma data de coisas como por exemplo o que escreve o Vasco Pulido Valente. E é em português. Nem quero pensar no que seria a cara do Pacheco Pereira se o Vasco desatasse a escrever as crónicas em inglês. Em tempo de mudanças e de Ano Novo, é de referir a excelente troca que o PÚBLICO fez despachando o Rui Tavares e convidando o Miguel Esteves Cardoso. Para já porque um shot diário de MEC é sempre preferível a uma caneca de xerfexa cuxida servida dia sim dia não pelo Rui Tavares. Mas o MEC, ao contrário das petrolíferas instaladas na República Portuguesa, não está acima da lei. Neste caso a da gramática. Chamar D. Policarpo ao Cardeal Patriarca é como chamar D. Ximenes ao bispo de Timor Leste ou D. Bragança ao pretendente ao trono de Portugal. MEC corre o sério risco de se transformar a pouco e pouco num José Rodrigues dos Santos ou isso.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Introdução à política - Lição 3

O nervoso não é bom conselheiro, mas acontece. António Costa é a prova disso: Comparando a candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa contra ele próprio com a corrida entre a cigarra e a formiga confundiu as fábulas. E quem confunde fábulas, no mínimo, é propenso a baralhar realidades, chapinhar na história, atascar-se no tempo. A fábula da corrida, se bem me lembro, refere a lebre e a tartaruga. Na pior das hipóteses o coelho e o cágado. Nunca, mas nunca, a corrida entre a cigarra e a formiga. A fábula da cigarra e a da formiga, essa, é outra história, relembrada aqui de forma magistral pelo incandescente e incontornável Dragão, uma espécie de Fernando Pessoa do século XXI.
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!