Da mesma maneira que não consigo deixar de ser do Sporting apesar da inépcia insistentemente demonstrada pelos seus jogadores jogo após jogo, após jogo, após jogo, (apesar de ter ganho hoje por 3-0 ao Penafiel...) custa-me imenso perceber o frenesim de Saramago em dissertar sobre Deus e periferias sendo ele um ateu confesso.
Há coisas que me transcendem embora de uma forma suave e que me não tira o sono.
Não se vá dar o caso de o seu último livro não ser devidamente publicitado e consequentemente consumido, apressa-se inquieto em avisar que admite que o livro possa incomodar os judeus.
(Não sei o que se passa com o cab*** do blogger hoje que não destrava os bold nem as cores do texto).
De qualquer maneira (ah, bom, estava a ver que não) o envolvimento de Saramago com entidades em que não acredita é problema dele. O facto de Hermann Hesse ter publicitado a marca de Caim quando escreveu Demian há dezenas de anos atrás é, naturalmente, pura coincidência. Aliás até aposto em como Saramago nem se lembra de ter lido Hesse. Ou mesmo os versículos satânicos de Salman Rushdie antes de publicar o evangelho segundo Jesus Cristo. Agora desculpem lá mas vou jantar uns pézinhos de coentrada acompanhados de um excelente tinto alentejano.
domingo, outubro 18, 2009
segunda-feira, outubro 12, 2009
Mais do mesmo (**)
Embora portador do cartão do cidadão (expressão funesta que pressupõe a subtracção do cartão a outro cidadão que não eu e que, na verdade, se deveria chamar cartão de cidadão onde actualizei a minha residência para uma freguesia do concelho de Cascais), um solícito SMS em resposta ao meu demandar de bearings pôs-me a votar em Lisboa, na freguesia da minha antiga residência. O projecto "Lisboa com sentido" contou assim com mais um voto. Infelizmente insuficiente para defrontar o fervor formiguejante da esquerda niilitante que trocou os vários clubes de que é associada para entregar a Câmara ao Costa.
Mas não esteve só, a dita esquerda niilitante. Teve a companhia da direita diletante, monárkicos* incluídos, no cagar nas suas convicções e na dádiva empenhada do seu voto CONTRA Santana Lopes. Pacheco Pereira, por exemplo, podia ter sido um deles. Durão Barroso idem. E muitos mais. Quinze mil votos não é nada. Dava para encher o Estádio Nacional em dia de Jogo Grande mas fora isso não é nada. Não é nada mas foi o suficiente para garantir a vitória do Costa com um programa que prevê uma parada de contentores à beira rio, um "pulmão verde" no sítio do aeroporto da Portela com inauguração prevista para o 5 de Outubro de 3010, um Terreiro do Paço escalavrado e um aumento significativo do tráfego de Joaquins e de Rogérios pilotando os seus TIR à beira rio e por dentro da cidade, ou como é que pensavam que o conteúdo dos contentores seria distribuido a partir das docas? Li com o maior interesse o que escreveu Eduardo Cintra Torres no Público de hoje e pude constatar duas coisas: a primeira é o alegado plágio descarado que fez do título da sua crónica; o título Mais do mesmo(*) foi o título que eu dei ao post de 20 de Setembro em que escrevi como se estivesse na ressaca das eleições legislativas de 27 e, por isso, o uso no post de hoje. A segunda constatação é a de que apesar de estarmos ambos de acordo (os comentadores de serviço nas estações de TV durante a noite eleitoral nunca estão minimamente preparados para o trabalho para que foram contratados) , dizia eu que pelo facto de Eddy Sintra Torrez ter alegadamente plagiado o título do meu post eu não lhe guardo nenhum rancor; guardo-lhe antes umas pêras rocha cozidas em vinho tinto feitas cá em casa pela Sancha (a que deu o pomposo nome francês de puáre ou van) e que que estão um espectáculo. De fazer doer aquela zona dos maxilares entre as orelhas e o pescoço, só de as cheirar.
Por outro lado, e em jeito de quem assobia para o lado quando a tia dá um traque na Missa, O leit motiv de que está impregnado o facto de Barack Obama ter ganho o prémio Nobel está intimamente ligado com o que foi ganho pelo Saramago há uns anos atrás: um estímulo para começarem a fazer qualquer coisa de jeito.
(*) Monárkicos (s. m.)- Conjunto de protozuavos organizados em nomenklatura pró-activa, constituído por pessoas extremamente bem intencionadas e que têm a tendência de olhar fixamente o dedo de quem lhes aponta o futuro. Degeneração de monárquicos. Grupo esquizóide que parasita o ideal monárquico, que tão depressa se constitui em partidos políticos como logo de seguida, em frenesim incontrolável, adoptam lascivamente o comportamento que é próprio das espécies que praticam o laico hábito da autofagia compulsiva.
Mas não esteve só, a dita esquerda niilitante. Teve a companhia da direita diletante, monárkicos* incluídos, no cagar nas suas convicções e na dádiva empenhada do seu voto CONTRA Santana Lopes. Pacheco Pereira, por exemplo, podia ter sido um deles. Durão Barroso idem. E muitos mais. Quinze mil votos não é nada. Dava para encher o Estádio Nacional em dia de Jogo Grande mas fora isso não é nada. Não é nada mas foi o suficiente para garantir a vitória do Costa com um programa que prevê uma parada de contentores à beira rio, um "pulmão verde" no sítio do aeroporto da Portela com inauguração prevista para o 5 de Outubro de 3010, um Terreiro do Paço escalavrado e um aumento significativo do tráfego de Joaquins e de Rogérios pilotando os seus TIR à beira rio e por dentro da cidade, ou como é que pensavam que o conteúdo dos contentores seria distribuido a partir das docas? Li com o maior interesse o que escreveu Eduardo Cintra Torres no Público de hoje e pude constatar duas coisas: a primeira é o alegado plágio descarado que fez do título da sua crónica; o título Mais do mesmo(*) foi o título que eu dei ao post de 20 de Setembro em que escrevi como se estivesse na ressaca das eleições legislativas de 27 e, por isso, o uso no post de hoje. A segunda constatação é a de que apesar de estarmos ambos de acordo (os comentadores de serviço nas estações de TV durante a noite eleitoral nunca estão minimamente preparados para o trabalho para que foram contratados) , dizia eu que pelo facto de Eddy Sintra Torrez ter alegadamente plagiado o título do meu post eu não lhe guardo nenhum rancor; guardo-lhe antes umas pêras rocha cozidas em vinho tinto feitas cá em casa pela Sancha (a que deu o pomposo nome francês de puáre ou van) e que que estão um espectáculo. De fazer doer aquela zona dos maxilares entre as orelhas e o pescoço, só de as cheirar.
Por outro lado, e em jeito de quem assobia para o lado quando a tia dá um traque na Missa, O leit motiv de que está impregnado o facto de Barack Obama ter ganho o prémio Nobel está intimamente ligado com o que foi ganho pelo Saramago há uns anos atrás: um estímulo para começarem a fazer qualquer coisa de jeito.
(*) Monárkicos (s. m.)- Conjunto de protozuavos organizados em nomenklatura pró-activa, constituído por pessoas extremamente bem intencionadas e que têm a tendência de olhar fixamente o dedo de quem lhes aponta o futuro. Degeneração de monárquicos. Grupo esquizóide que parasita o ideal monárquico, que tão depressa se constitui em partidos políticos como logo de seguida, em frenesim incontrolável, adoptam lascivamente o comportamento que é próprio das espécies que praticam o laico hábito da autofagia compulsiva.
segunda-feira, outubro 05, 2009
Aniversário de Portugal
No dia 5 de Outubro de 1143 nascia a mais antiga nação europeia. Hoje, por via da "implantação" da república, convertida na mais atrasada nacinha(*) europeia.(*) Expressão da autoria do Dragão, dono e autor do Dragoscópio, estabelecimento que recomendo vivamente a toda a gente, apenas e só por ser um blog de excepção, escrito no nevoeiro.
sábado, setembro 26, 2009
O caso das escutas de coiso
É só um exemplo, mais um, revelador da impossibilidade técnica da imparcialidade do chefe de Estado numa democracia partidocrática como a que rege o regime republicano português.
Nunca me convenceu a devolução do cartão partidário quando se candidatou. Até porque eu, por exemplo, que até sou adepto do Sporting, nunca precisei do cartão de sócio para o provar.
O "Estado de Graça" que caracterizava o comportamento, no primeiro mandato, dos presidentes da república do pós 25 de Abril caiu da cara de Cavaco abaixo. A postura de Rainha de Inglaterra, outra característica dos presidentes referidos durante o primeiro mandato, não a pôde suportar mais tempo: a saia era curta e viam-se-lhe os coisos.
Cavaco além disto tudo será outra excepção. Será o primeiro presidente pós 25 a não se recandidatar a segundo mandato. Cada vez mais ganha forma a noção de que chefe de Estado suprapartidário é indissociável de monarquia.
Nunca me convenceu a devolução do cartão partidário quando se candidatou. Até porque eu, por exemplo, que até sou adepto do Sporting, nunca precisei do cartão de sócio para o provar.
O "Estado de Graça" que caracterizava o comportamento, no primeiro mandato, dos presidentes da república do pós 25 de Abril caiu da cara de Cavaco abaixo. A postura de Rainha de Inglaterra, outra característica dos presidentes referidos durante o primeiro mandato, não a pôde suportar mais tempo: a saia era curta e viam-se-lhe os coisos.
Cavaco além disto tudo será outra excepção. Será o primeiro presidente pós 25 a não se recandidatar a segundo mandato. Cada vez mais ganha forma a noção de que chefe de Estado suprapartidário é indissociável de monarquia.
domingo, setembro 20, 2009
Mais do mesmo
É o que nos espera a partir de 27 de Setembro. Desenganem-se os que duvidam da maioria que Sócrates terá e persignem-se os que acham impossível uma maioria absoluta. Ela está a caminho, da mesma forma que aconteceu em 2005.
E mais ainda: emigrem para o Belize os que pensam que só a esquerda votará PS.
Com o Botas eleito como personalidade nacional mais relevante no concurso RTP é logicamente impossível que o que temos de mais parecido com ele em pleno século XXI não triunfe a 27/09 em toda a sua glória de plástico.
Quanto às sondagens, valem o que valem. Ou seja: nada.
Depois das eleições eu explico.
E mais ainda: emigrem para o Belize os que pensam que só a esquerda votará PS.
Com o Botas eleito como personalidade nacional mais relevante no concurso RTP é logicamente impossível que o que temos de mais parecido com ele em pleno século XXI não triunfe a 27/09 em toda a sua glória de plástico.
Quanto às sondagens, valem o que valem. Ou seja: nada.
Depois das eleições eu explico.
terça-feira, agosto 25, 2009
Nivelando...por baixo
Tem sido o mote do regime. A glorificação da mediocridade, a punição da iniciativa, o apego à censura verificam-se a cada dia que passa nesta república dos pequeninos em que vamos sobre- vivendo. Desde a novela do bio diesel que tem tido como protagonista o presidente da junta de freguesia da Ericeira até à "moderação" que a ERC aconselha à imprensa no que respeita aos textos de comentadores politicamente referenciáveis, tudo serve para manter as gentes na tal inércia denunciada por VPV no Público e corroborada por José Manuel Fernandes no Editorial de anteontem. Isto para não falar na Autoridade da Concorrência que insiste em que não existe cartel nas gasolineiras presentes no mercado, com a GALP a liderar a refilice pagando uma página inteira para desmentir o indesmentível. Há também a crescente onda anti-facebook , anti-twitter e anti-blog surfada em grande estilo pelos bem pensantes do regime e liderada pelos protagonistas do costume, de Sousa Tavares a Francisco José Viegas. Uma depressão, esta merda deste verão. Salva a honra do convento a intervenção de Gonçalo Ribeiro Telles chamando incompetentes aos responsáveis pelo ministério do ambiente a propósito do trambolhão assassino da falésia da praia Maria Luísa.
sexta-feira, agosto 14, 2009
Aljubarrota
10 de Agosto 2009 - Restauração II

Receita para boa disposição e optimismo:
Para ver aqui duas vezes ao dia, todos os dias, a seguir ao pequeno almoço e depois do jantar.
Contra-indicações : poderá causar cefaleia, náusea, impotência e soltura gastrointestinal a republicanos.
sábado, junho 27, 2009
Eleições
Nenhum partido quis as eleições em simultâneo. O PSD só fez o papel de opositor solitário para sossego de Cavaco Silva, o Presidente da República, que assim fica com a sua imagem de imparcialidade reforçada ao mesmo tempo que, democraticamente, respeita a vontade da maioria dos partidos. Assim haverá mais dinheiro para distribuir pelos do costume. Como se a semana que separa as Legislativas das Autárquicas (tirando os cinco dias de ressaca após a divulgação dos resultados das primeiras) fosse considerada mais que suficiente para esclarecer o eleitorado. Evita-se ainda a confusão dos eleitores, esses atrasados mentais que embora pratiquem a separação do lixo, o Facebook e o Twitter, nunca conseguiriam discernir em quem votar se Legislativas e Autárquicas fossem em simultâneo. Sobe igualmente a abstenção, o que até dá jeito para que se vote mais depressa e a contagem de votos se processe rapidamente. O regime agradece.
sábado, junho 13, 2009
Da Liberdade de Expressão
O insulto, a difamação e a propagação das calúnias e boatarias mais reles que se podem imaginar têm sido os argumento de ouro da nomenklatura do regime republicano, sejam políticos ou comentadores, para que seja instituída a censura à liberdade de expressão na B.L.U.S.A. (*) . Escusado será dizer que o alcance de tais calúnias, boatos e difamações raramente atinge a borda da sarjeta de onde são proferidos(as). Acontece a muita gente pisar bosta de cão quando se passeia a pé pelas cidades e vilas cá do reino. Mas não passa disso; bosta de cão limpa-se com facilidade.
O que é insuportável para a nomenklatura republicana indígena é a proliferação de opinião livremente expressa em blogs de autor anónimo. Como este e outros. Sobretudo para os que se acham com o pelouro exclusivo da opinião paga por jornais e televisões. A mentalidade inquisitorial dessa gente, herdeira da obsessão persecutória da primeira república, não suporta a existência de pseudónimos; é-lhes mais difícil exercer represálias, seja a nível de emprego (leia-se subsistência) seja a nível pessoal, leia-se harassement.
Vem isto a propósito deste post de O Jumento, um blog de referência e que incomoda muita gente. Existe também a censura de comentários em blogs do regime, mas isso fica para outras núpcias. Também existe o flamingo rosa, o painel solar, a cerveja sem álcool e a águia de Bonnelli, mas são coisas não têm nada a ver com esta história.
Cá por mim, que escolhi o pseudónimo do primeiro Rei de Portugal quando criei Portugraal - Um blog Monárquico, vou mantê-lo enquanto me apetecer embora cada vez nais ciente do aburguesamento pastelão da aristocracia nativa, cada vez mais preocupada com a sua imagem social e cada vez mais afastada do povo que em tempos foi seu aliado incondicional. Dá-me ganas assistir ao apodrecimento ao sol deste país, como preconizou Vasco Pulido Valente, enquanto os que se reclamam monárquicos perdem o tempo e a tesão com discussões estéreis e paradas de vaidade. A recente polémica entre o dirigente do PCP-ex PPM (Partido dos Câmara Pereira) e os apoiantes de D. Duarte é o exemplo perfeito daquilo a que me refiro. A monarquia em Portugal morreu quando a aristocracia se aburguesou e só seria restaurável se o povo quisesse, o que parece cada vez mais longe de poder vir a acontecer.
Ó Duques, Condes e Viscondes deste reino, atrevam-se a descer dos pedestais onde os vossos antepassados vos puseram, metam as mãos na massa e mostrem o que valem e do ques são capazes. Mostrem-no com a prática diária e o exemplo das vossas vidas, com mais participação menos cagança e menos apelos a Nossa Senhora de Fátima.
O que é insuportável para a nomenklatura republicana indígena é a proliferação de opinião livremente expressa em blogs de autor anónimo. Como este e outros. Sobretudo para os que se acham com o pelouro exclusivo da opinião paga por jornais e televisões. A mentalidade inquisitorial dessa gente, herdeira da obsessão persecutória da primeira república, não suporta a existência de pseudónimos; é-lhes mais difícil exercer represálias, seja a nível de emprego (leia-se subsistência) seja a nível pessoal, leia-se harassement.
Vem isto a propósito deste post de O Jumento, um blog de referência e que incomoda muita gente. Existe também a censura de comentários em blogs do regime, mas isso fica para outras núpcias. Também existe o flamingo rosa, o painel solar, a cerveja sem álcool e a águia de Bonnelli, mas são coisas não têm nada a ver com esta história.
Cá por mim, que escolhi o pseudónimo do primeiro Rei de Portugal quando criei Portugraal - Um blog Monárquico, vou mantê-lo enquanto me apetecer embora cada vez nais ciente do aburguesamento pastelão da aristocracia nativa, cada vez mais preocupada com a sua imagem social e cada vez mais afastada do povo que em tempos foi seu aliado incondicional. Dá-me ganas assistir ao apodrecimento ao sol deste país, como preconizou Vasco Pulido Valente, enquanto os que se reclamam monárquicos perdem o tempo e a tesão com discussões estéreis e paradas de vaidade. A recente polémica entre o dirigente do PCP-ex PPM (Partido dos Câmara Pereira) e os apoiantes de D. Duarte é o exemplo perfeito daquilo a que me refiro. A monarquia em Portugal morreu quando a aristocracia se aburguesou e só seria restaurável se o povo quisesse, o que parece cada vez mais longe de poder vir a acontecer.
Ó Duques, Condes e Viscondes deste reino, atrevam-se a descer dos pedestais onde os vossos antepassados vos puseram, metam as mãos na massa e mostrem o que valem e do ques são capazes. Mostrem-no com a prática diária e o exemplo das vossas vidas, com mais participação menos cagança e menos apelos a Nossa Senhora de Fátima.
domingo, junho 07, 2009
sábado, junho 06, 2009
Eleições amanhã
A graça que tem Paulo Rangel nas arruadas em que participa tem muito a ver com o facto de estar feliz por estar perfeitamente convencido de que será eleito. Isto significa que deixará de ter que viver em Portugal enquanto mantém a actividade política. O que o faz feliz. Torna-se numa espécie de Durão Barroso em ponto pequeno e ao contrário: fazia cá falta enquanto oposição mas dá mais jeito que esteja "lá fora". A elevadíssima abstenção que se prevê será obviamente justificada derivado das condições climáticas, ou seja, da chuva. Daí à instituição do voto obrigatório, prática corrente em países turbodesenvolvidos como o Brasil, vai uma unidade de tempo cagativa. Por isso e por mais voltas que dê em vários lados é-me extremamente difícil descortinar o que irá o regime comemorar em 2010 que não seja um chorrilho de aldrabices enquanto se entretém a re-escrever a História.
terça-feira, maio 19, 2009
Os combustíveis e a República
Com os placards informativos dos preços de combustíveis finalmente destapados, destapa-se outra realidade: a cartelização descarada. Quando a imprensa referiu, na semana passada, que as diferenças de preço andavam na casa das milésimas logo se apressaram as petrolíferas a desmentir esse facto passando os preços a ser iguais. Trata-se de paralelismo, disseram. Pois a mim parece-me outra coisa. A entidade reguladora da concorrência deixa de ter razão de existir pelo simples facto de não haver concorrência. A não ser nos postos dos hipermercados e grande áreas comerciais, onde a GALP diz que se vende combustível de baixa qualidade, o que para mim não deixa de ser um mistério uma vez que o produto base de todas as petrolíferas é o mesmo, quer venha de Sines ou de Matosinhos. Mistérios desta República que se quer festiva em 2010.
Já agora, e sem ser a talho de foice para não aleijar ninguém, seria honesto que ao comemorar os 100 anos de República o R.R.E.G.U.I.L.A., (Regime Republicano Em Grande Utilização Intensamente Loquaz e Aldrabão) não se esquecesse de referir a imposição da censura, a perseguição religiosa e de liberdade de expressão, de reunião e associação, a expropriação compulsiva e o desleixo generalizado como fazendo parte dos grandes feitos a comemorar em 5 de Outubro de 2010. Eu, por mim, prefiro comemorar na mesma data o 867º aniversário do nascimento de Portugal, no mesmo dia e mês mas de mil cento e quarenta e três.
Já agora, e sem ser a talho de foice para não aleijar ninguém, seria honesto que ao comemorar os 100 anos de República o R.R.E.G.U.I.L.A., (Regime Republicano Em Grande Utilização Intensamente Loquaz e Aldrabão) não se esquecesse de referir a imposição da censura, a perseguição religiosa e de liberdade de expressão, de reunião e associação, a expropriação compulsiva e o desleixo generalizado como fazendo parte dos grandes feitos a comemorar em 5 de Outubro de 2010. Eu, por mim, prefiro comemorar na mesma data o 867º aniversário do nascimento de Portugal, no mesmo dia e mês mas de mil cento e quarenta e três.
quinta-feira, maio 07, 2009
Bloco Central
Já existe. Sempre existiu. Neste momento arruma-se a casa para a Festa das Legislativas. Atirar com Paulo Rangel para o Parlamento Europeu desvitalizará a oposição do PSD ao PS na Assembleia da República; cria mau ambiente, o tipo. É uma voz incómoda, não só pelo timbre como pelo que diz. E o que diz despoleta reacções disparatadas a membros do governo, o que é tudo o que um Bloco Central não precisa. Por muito que Sócrates não suporte Ferreira Leite e vice-versa, os que estão por detrás deles vão obrigá-los a entenderem-se. Em nome da sua-deles economia ou do que resta dela. Ou então rua; não haverá financiamento em dinheiro vivo para ninguém.
Por outro lado o tom majestático que Cavaco usa, quando o usa, referindo-se a si próprio com O Presidente da República, costuma ser sinal de tempestade no horizonte. Aconteceu quando dissertou sobre o uso da palavra pouco antes da questão do estatuto dos Açores. Voltou a usá-lo ontem quando respondeu a um jornalista O Presidente da República não tem que se pronunciar sobre as informações que lhe são dadas pelos que têm o dever de o fazer. Isto na sequência da questão Dias Loureiro vs Conselho de Estado.
Pelas bandas do PS, aguarda-se com alguma expectativa para dia 15 de Maio a mensagem do Vice-Presidente da República, Manuel Alegre. Não tanto pelo que dirá, que toda a gente já sabe, mas pela forma como o irá fazer. Alegre incomoda o PS. José Lello não resistiu a provocá-lo na sequência do episódio "Vital Moreira e o 1º de Maio".
O Bloco Central sempre existiu, nomeadamente na concordância tácita em manter Portugal refém de um regime pseudo-democrático que não aceita na sua Lei Fundamental, a Constituição da República, a possibilidade de existência de outro regime democrático que não o republicano, que proíbe a organização das eleições para o Parlamento em círculos uninominais, ou seja, responsabilizando cada deputado para com os eleitores do círculo eleitoral que o elegeu, como se fazia no fim do sec.XIX princípio do sec. XX, altura em que Portugal ombreava por direito próprio com os países mais desenvolvidos da Europa.
Por outro lado o tom majestático que Cavaco usa, quando o usa, referindo-se a si próprio com O Presidente da República, costuma ser sinal de tempestade no horizonte. Aconteceu quando dissertou sobre o uso da palavra pouco antes da questão do estatuto dos Açores. Voltou a usá-lo ontem quando respondeu a um jornalista O Presidente da República não tem que se pronunciar sobre as informações que lhe são dadas pelos que têm o dever de o fazer. Isto na sequência da questão Dias Loureiro vs Conselho de Estado.
Pelas bandas do PS, aguarda-se com alguma expectativa para dia 15 de Maio a mensagem do Vice-Presidente da República, Manuel Alegre. Não tanto pelo que dirá, que toda a gente já sabe, mas pela forma como o irá fazer. Alegre incomoda o PS. José Lello não resistiu a provocá-lo na sequência do episódio "Vital Moreira e o 1º de Maio".
O Bloco Central sempre existiu, nomeadamente na concordância tácita em manter Portugal refém de um regime pseudo-democrático que não aceita na sua Lei Fundamental, a Constituição da República, a possibilidade de existência de outro regime democrático que não o republicano, que proíbe a organização das eleições para o Parlamento em círculos uninominais, ou seja, responsabilizando cada deputado para com os eleitores do círculo eleitoral que o elegeu, como se fazia no fim do sec.XIX princípio do sec. XX, altura em que Portugal ombreava por direito próprio com os países mais desenvolvidos da Europa.
sábado, maio 02, 2009
Novo Blog na B.L.U.S.A.(*)
Chama-se gravidade intermédia e é do Besugo.
Descobriu-o agora mesmo e agora mesmo lhe dou as boas vindas.
Mais boa escrita nesta tão livre e, por isso, amaldiçoada B.L.U.S.A.(*) faz sempre falta.
(*) Blogosfera Lusa
Descobriu-o agora mesmo e agora mesmo lhe dou as boas vindas.
Mais boa escrita nesta tão livre e, por isso, amaldiçoada B.L.U.S.A.(*) faz sempre falta.
(*) Blogosfera Lusa
sexta-feira, maio 01, 2009
E @ssim vai a república...
Ontem às 07:00 na TSF transmitia-se a voz do Sr. José Horta da associação de petrolíferas a apresentar mais um ramalhete de desculpas esfarrapadas sobre a grande complexidade em implementar o sistema de aviso de preços nos postos de combustível das auto-estradas indígenas.
Mesmo assim já vão estar proximamente concluídos os primeiros painéis avisadores na A1 e na A17. O facto de a A17 ser uma autoestrada deserta é irrelevante.
É claro que não há cartelização. É só uma obsessão minha, esta história da cartelização. O facto de todas as petrolíferas estarem a violar a lei desde Novembro de 2008 e nenhuma delas ter sido notificada pelo governo para pagar coimas também é irrelevante. Como é irrelevante existir um vogal da entidade reguladora da concorrência a fazer parte de um júri de concursos públicos. Ou, ainda, como é totalmente despiciendo o facto de o financiamento dos partidos políticos ter passado de 21.000 € para 2.000.000 € em dinheiro vivo em resultado de uma proposta aprovada por quase unanimidade em tempo record. António José Seguro, o único a votar não, tornou-se assim numa espécie de Manuel Alegre nouvelle vague com reminiscências de queijo Limiano.
Já agora para quem quiser Magalhães a bom preço é só ir à Feira da Ladra. É o que se deduz da notícia de 1ª página no Expresso de hoje.
Mesmo assim já vão estar proximamente concluídos os primeiros painéis avisadores na A1 e na A17. O facto de a A17 ser uma autoestrada deserta é irrelevante.
É claro que não há cartelização. É só uma obsessão minha, esta história da cartelização. O facto de todas as petrolíferas estarem a violar a lei desde Novembro de 2008 e nenhuma delas ter sido notificada pelo governo para pagar coimas também é irrelevante. Como é irrelevante existir um vogal da entidade reguladora da concorrência a fazer parte de um júri de concursos públicos. Ou, ainda, como é totalmente despiciendo o facto de o financiamento dos partidos políticos ter passado de 21.000 € para 2.000.000 € em dinheiro vivo em resultado de uma proposta aprovada por quase unanimidade em tempo record. António José Seguro, o único a votar não, tornou-se assim numa espécie de Manuel Alegre nouvelle vague com reminiscências de queijo Limiano.
Já agora para quem quiser Magalhães a bom preço é só ir à Feira da Ladra. É o que se deduz da notícia de 1ª página no Expresso de hoje.
sábado, abril 25, 2009
De volta
Estive quase a parar isto. Mas a quantidade de visitantes que se manteve estoicamente aqui à porta e a caterva de comentários (mais de 784) que carinhosamente depositaram na respectiva caixa cá do estabelecimento (comentários esses que, a pedido do blogger, tive que remover) levaram-me a pensar o seguinte:
Vou continuar.
Portanto aqui estou.
A quantidade de coisas que por cá permaneceram exactamente na mesma, enquanto eu deambulava indolentemente pelas mornas paragens da América do Sul entre caipiroscas e parrilladas, é absolutamente extraordinária. Ainda na 5ªfeira passada ao acabar de ler o Inimigo Público deparo com a notícia da golpaça do Vale e Azevedo em Inglaterra. Juro, mas JURO, que por segundos pensei que ainda estava a ler o Inimigo Público.
Hoje ao ler o Expresso tomei conhecimento (que maneira mais foleira de escrever: tomei conhecimento) de que (esta também) tinha sido dado o nome de um ginasta português a uma nova sequência de movimentos de ginástica de competição, mais propriamente na disciplina de cavalo com arções. Como o ginasta luso se chama Filipe Besugo, o movimento passará a ser conhecido por "Besugo". Nem mais. Parabéns portanto a este, que é o único que conheço.
Vou continuar.
Portanto aqui estou.
A quantidade de coisas que por cá permaneceram exactamente na mesma, enquanto eu deambulava indolentemente pelas mornas paragens da América do Sul entre caipiroscas e parrilladas, é absolutamente extraordinária. Ainda na 5ªfeira passada ao acabar de ler o Inimigo Público deparo com a notícia da golpaça do Vale e Azevedo em Inglaterra. Juro, mas JURO, que por segundos pensei que ainda estava a ler o Inimigo Público.
Hoje ao ler o Expresso tomei conhecimento (que maneira mais foleira de escrever: tomei conhecimento) de que (esta também) tinha sido dado o nome de um ginasta português a uma nova sequência de movimentos de ginástica de competição, mais propriamente na disciplina de cavalo com arções. Como o ginasta luso se chama Filipe Besugo, o movimento passará a ser conhecido por "Besugo". Nem mais. Parabéns portanto a este, que é o único que conheço.
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
República de porteiras e merceeiros
Nada tenho contra uns e outros, note-se. Lembro-me bem do Sr. Joaquim, o merceeiro, me ter desenrascado uma vez quando ao sair de casa me deparei sem chaves nem carteira. Só tinha um livro de cheques no bolso interior direito do casaco. Dirigi-me à mercearia e disse-lhe : Sr. Joaquim, acabei de sair de casa, esqueci-me das chaves e da carteira e a única coisa que tenho é o livro de cheques. Troca-me um cheque de cinco contos ? E ele trocou. Pude assim comprar o bilhete de comboio, fui trabalhar, almocei e quando voltei para casa o problema da falta de chaves não se pôs porque a Sancha já estava em casa mai-los miúdos. Foi a Sancha que me deu ganas de escrever este post porque, segundo ela, Portugal encontra-se reduzido a uma república gerida por porteiras e merceeiros. De porteiras porque o diz-que-disse-que coiso-e-tal e-a-vizinha-que-até-é-doutora-parece-que-afinal-pôs-os-cornos-ao-marido-que-até-é-director-dum-banco-vá-lá-a-gente-saber é cada vez mais o pão nosso de cada dia. Daqui a chipar matrículas a eito é um ápice. Toda a gente fica a saber por onde anda e o que faz toda a gente. Ele é o fripór e o Santos Silva a ameaçar de malhar aqui e ali, ele é o foda-se (ai j'sus credo mais um palavrão), também conhecido por Mário Crespo, a desancar as hostes dissertando sobre um Supônhamos, ele é os bancos c'os cós das calças a entalarem a fruta que, por sua vez, entalam os desgraçados que recorreram a empréstimos para pagar a casa. Enfim. É uma barrigada de república tão grande, tão grande, tão grande que até os deputados à Assembleia acham normal e corriqueiro o controle de acessos biométrico à dita cuja.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Ferreira Leite demite-se
"A História vai dar-me razão" disse a líder do PSD em resposta às críticas de Marcelo Rebelo de Sousa. O que não falta à História são ocasiões em que esta frase foi proferida. Regra geral por derrotados. Ferreira Leite junta-se assim à lista dos que se reconhecem derrotados no seu tempo. Chutando a bola para o futuro, junta a sua à voz da restante oposição, impotente nas alternativas e sem soluções programáticas. A História é complexa e volúvel como uma mulher sabida, cheia de curvas e encantos; há-que saber seduzi-la. Prognosticar-lhe respostas é não só inútil como arriscado. O que transparece dessa atitude é a demissão pura e simples do papel que deveria ser o seu: líder do maior partido da oposição.
Quanto à restante oposição, fraca e desmotivada, resta-lhe o barulho, o ruído, o soundbyte e o conformar-se com uma terceira via que só existe porque sim. A almejada alternativa de esquerda é não só inviável como inútil.
Cada vez mais o futuro do regime republicano se confunde com o futuro de Portugal: apodrecer à chuva e ao sol, numa agonia lenta e dolorosa.
Quanto à restante oposição, fraca e desmotivada, resta-lhe o barulho, o ruído, o soundbyte e o conformar-se com uma terceira via que só existe porque sim. A almejada alternativa de esquerda é não só inviável como inútil.
Cada vez mais o futuro do regime republicano se confunde com o futuro de Portugal: apodrecer à chuva e ao sol, numa agonia lenta e dolorosa.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
No país dos bêpêenes
Vem o ministro da presidência exigir da presidente do PSD um esclarecimento público relativamente à campanha pinocrática da JSD. Diz ele, mais ou menos, que a campanha é baseada em mentiras.
Pois.
Digo eu que dizer isso equivale a dar um tiro no pé com uma caçadeira de canos semi-serrados.
A presidente do PSD não sei o que disse.
Dizem-me que Inglaterra, Letónia, Ucrânia e outros se encontram à beira da bancarrota. E que o Figo perdeu uma porrada de massa com a história do BPN. E que a CGD vai comprar o BPN. E o Figo ? Está incluído? E se à CGD lhe apetecer criar um clube de futebol ? Passará pela aquisição do passivo de Figo? digo, do passe de Figo ?
Daqui a nada vou emigrar rumo a l'America del sur. Cojones! Vou ali ao lado à Venezuela a casa do Chávez dizer-lhe que o populismo de esquerda é gajo para lhe aguentar 40 anos de presidência? Ou vou antes vender-lhe mais meia dúzia de Magalhães ? Ou mando-o para o caralho? Não sei. Farei o que me apetecer na altura. Se for à Venezuela.
Leio que Santana Lopes se sente lisonjeado com o apoio do CDS/PP à sua candidatura à presidência da CML. Sente-se lisonjeado por ter como apoiante um partido que contribuiu grande e fortemente para que Portugal fosse condenado por obstrução ao direito de liberdade de expressão. Em nome de Nossa Senhora de Fátima. Eu, que tenho pena de não tocar como Santana, sinto-me lisonjeado por não me chamar Lopes.
Um dia começo a escrever um livro. Já tenho uma filha e um filho. Já plantei várias árvores em variados sítios. E sinto-me cada vez mais novo.
Um dia vou dizer ao mundo um segredo em voz baixa.
Vou-lhe dizer num sussurro onde está a alegria. A felicidade insuportável. O riso que parte tudo.
E tu, que lês isto, ficas a saber em primeira mão.
Pois.
Digo eu que dizer isso equivale a dar um tiro no pé com uma caçadeira de canos semi-serrados.
A presidente do PSD não sei o que disse.
Dizem-me que Inglaterra, Letónia, Ucrânia e outros se encontram à beira da bancarrota. E que o Figo perdeu uma porrada de massa com a história do BPN. E que a CGD vai comprar o BPN. E o Figo ? Está incluído? E se à CGD lhe apetecer criar um clube de futebol ? Passará pela aquisição do passivo de Figo? digo, do passe de Figo ?
Daqui a nada vou emigrar rumo a l'America del sur. Cojones! Vou ali ao lado à Venezuela a casa do Chávez dizer-lhe que o populismo de esquerda é gajo para lhe aguentar 40 anos de presidência? Ou vou antes vender-lhe mais meia dúzia de Magalhães ? Ou mando-o para o caralho? Não sei. Farei o que me apetecer na altura. Se for à Venezuela.
Leio que Santana Lopes se sente lisonjeado com o apoio do CDS/PP à sua candidatura à presidência da CML. Sente-se lisonjeado por ter como apoiante um partido que contribuiu grande e fortemente para que Portugal fosse condenado por obstrução ao direito de liberdade de expressão. Em nome de Nossa Senhora de Fátima. Eu, que tenho pena de não tocar como Santana, sinto-me lisonjeado por não me chamar Lopes.
Um dia começo a escrever um livro. Já tenho uma filha e um filho. Já plantei várias árvores em variados sítios. E sinto-me cada vez mais novo.
Um dia vou dizer ao mundo um segredo em voz baixa.
Vou-lhe dizer num sussurro onde está a alegria. A felicidade insuportável. O riso que parte tudo.
E tu, que lês isto, ficas a saber em primeira mão.
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