sexta-feira, outubro 05, 2012

5 de Outubro de 2012

O dia de hoje ficará na História de Portugal como o último cinco de Outubro feriado. E isto porque em 2013 calhará num Sábado e em 2014 num Domingo. Em 2015 Portugal já não existirá e, por isso, o dia da comemoração do nascimento da Nação mais antiga da Europa deixará de fazer sentido. Em 1910, no dia 5 de Outubro, um bando de jacobinos descabelados proclamou a implantação da República da varanda do município; desde então tem-se processado a lavagem cerebral das gentes desta terra culminando hoje com o presidente da República, Senhor Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, a hastear a bandeira de pernas para o ar. Ainda houve quem berrasse alto que a bandeira estava bem e que o presidente é que estava a fazer o pino, mas foram prontamente afastados pelas forças de segurança.

quinta-feira, maio 10, 2012

Ainda a treta do (des)acordo ortográfico de 1990

A "mixórdia acordesa", como chamou alguém e muito bem, à treta do denominado acordo ortográfico de 1990 está-se a tornar numa das linhas de fractura do regime; já se "contam espingardas" de cada lado, cavam-se trincheiras, cortam-se relações, exercem-se represálias, etc.
O mais extraordinário é o regime (leia-se república portuguesa) assistir com passividade bovina à total inversão do Estado de Direito de que se proclama acérrimo defensor; uma resolução de um conselho de ministros impõe-se despudoradamente à Lei em vigor, a que promulgou o Acordo de 1945. É de facto extraordinário. E já há jurisprudência sobre o assunto: quando o juiz Estrela do Tribunal de Viana do Castelo considerou uma comunicação escrita por um advogado ao abrigo do denominado acordo ortográfico de 1990 como tendo sido redigida com "erros ortográficos" solicitando ao mesmo o favor de a redigir no estrito cumprimento da Lei, ou seja, sem erros ortográficos, criou jurisprudência. No entanto, e apesar disto, vem o secretário do estado miserável da cultura afirmar que "o Acordo Ortográfico de 1990 está em vigor". Está em vigor mas é o caralho. O que está em vigor, a florescer, a dar frutos e peidos é a passividade bovina dos deputados da Assembleia da República, totalmente dependentes das directrizes das cúpulas dos partidos que representam, completamente desfasados da realidade do povo de que se reclamam representantes.
Vão mas é aqui subscrever a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra a "mixórdia acordesa". Vejam mas é se acordam! Quanto aos defensores do AO/90, por estarem à beira de perder muita coisa, estão mais ou menos fodidos, dependendo apenas do grau de envolvimento com os promotores da "mixórdia" e o o nível de atascanço em que nela se encontram.

quarta-feira, abril 25, 2012

25 de Abril sempre ?

Como data de calendário, sem dúvida. Como feriado, duvido: o frenesim anti-feriados que acometeu a nomenklatura republicana indígena poderá ter repercussões imprevisíveis. Além de que a tendência para privatizar tudo também já chegou aos feriados; por exemplo, a Associação 25 de Abril acha que é dona da data e vai daí decidiu não se associar às comemorações de hoje. Dois ex-candidatos à Presidência da República e um ex-Presidente da República, Mário Soares e Manuel Alegre (duas pessoas apenas, mas três cargos, o que demonstra como a república é prolixa a criá-los e a distribui-los) resolveram ser solidários um com o outro e com a referida Associação e decidiram não alinhar nas comemorações de hoje.
Curiosamente ainda há pouco tempo ambos protagonizaram dois episódios confrangedores: Soares, apanhado a circular num veículo a 199 km/h na Autoestrada encolheu os ombros e disse que quem pagava a multa era o Estado, ou seja, nós os contribuintes. Alegre deu graças a Deus por não ter ganho as presidenciais e ser assim poupado à humilhação de assistir à chegada da troika enviada pela "Europa" para pôr ordem cá no estabelecimento. Olha a sorte que ele teve!

sábado, março 24, 2012

Vamos a eles

Nada como uma destas para pôr o senhor doutor secretário do estado miserável da cultura, Francisco José Viegas, a dar pulos de corça.

Um estudante de computação de nome João Ricardo Rosa desenvolveu um script que ao ser instalado no Firefox corrige automáticamente os textos escritos em português "incorreto" para português correcto. O processo é simples:

1. Aceda ao endereço https://addons.mozilla.org/pt-pt/firefox/addon/foxreplace/ e “click” no botão “Transferir agora/Download Now”) e “Instalar Agora/Install Now”.
2. Re-inicie o Firefox.
3. No menu do Firefox, “click” na opção “Ferramentas/Tools”), seleccione “FoxReplace” e abra o sub-menu “Opções do FoxReplace/Options”).

4. Irá abrir uma nova “caixa” com as opções do FoxReplace.

5. Copie o endereço http://dl.dropbox.com/u/4967399/FoxReplace.xml e cole-o na linha em branco onde diz URL (como vê na imagem). Assinale as caixas de verificação “Update from Url/Actualizar de Url” e também “Auto-replace on page load/Substituir ao carregar página”. Por fim, “click” no botão “Ok”.
E pronto, já se pode, por exemplo, ler o Expresso on-line escrito como deve de ser.

Obrigado ao site http://ilcao.cedilha.net pela divulgação desta arma de arremesso cuja receita aqui transcrevi na íntegra.

segunda-feira, março 19, 2012

Os livros convertidos em produto de mercearia

A súcia de oportunistas que promovem sem cessar a banhada do denominado acordo ortográfico levou mais uma traulitada, desta vez de um juiz do firmamento de Viana do Castelo, a primeira cidade portuguesa a abolir as corridas de toiros o que, precisamente derivado a esse facto, impede os descabelados promotores do acordo ortográfico de classificarem a simpática cidade de reaccionária. Note-se, porém e contudo, que nada tenho contra as corridas de toiros. Como também nada tenho a favor. Trata-se de uma actividade que, pela evolução natural da espécie humana, terá os seus dias contados, de forma natural e não por imposição. Mas ainda sobre aquela merda do acordo hortographyco, vocês já repararam que tudo se resume à venda de mercadoria? Eu explico:
a mercadoria neste caso são as palavras, devidamentente acondicionadas em livros. Se se venderem as mesmas histórias escritas com menos letras - tan tan nanãããã - ganha-se mais dinheiro. Ou seja, aliviando as palavras de letras cuja utilidade sumáriamente se elimina, vende-se a mesma embalagem de palavras, pelo mesmo preço mas mais leve.
No fim de contas, o processo de transformação de livrarias em mercearias e de editores em marçanos atingiu uma evolução no nosso país que é digna de destaque internacional.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

O melhor texto de Rui Tavares

foi o que o Público deu à estampa ontem, dia 6 de Fevereiro.
Não tanto pelo conteúdo mas mais pela forma; não foi escrito conforme os preceitos do senhor professor doutor João Malaca Casteleiro, apesar da nota de pé de página dizer que sim.

sábado, fevereiro 04, 2012

Actualidades da República

Três episódios decorridos nas últimas 96 horas contribuíram de forma decisiva para voltar a publicar neste terreiro postas inebriantes e plenas de "irrelevância, presunção, arrogância, ignorância e pura tontice", mas que, não obstante, desempenham "um papel social ineludível", parafraseando a vocabulice do bibliotecário da Marmeleira, Pacheco Pereira.
O primeiro foi a divulgação nos média de referência do manifesto pro-monarquia subscrito por Gonçalo Ribeiro Telles, Miguel Esteves Cardoso e Pedro Ayres de Magalhães, entre outros. Obrigado.
O segundo episódio pertence à esotérica esfera do ininteligível, tecido mais ou menos orgânico que envolve caridosamente os cerebelos da inteligentzia indígena protegendo-a de eventuais choques violentos com a realidade e as merdas e que consiste no Exercício do Poder. A saber: o Doutor Vasco Navarro da Graça Moura resolveu pôr em ordem a casa que lhe entregaram e mandou às urtigas, para não dizer para o caralho, aquela merda inclassificável que dá pelo nome de Acordo Ortográfico. Tomara ao secretário da merda do estado em que está a cultura nativa ter um pintelho que fosse dos que dignamente recobrem os cojones do Doutor Vasco Navarro da Graça Moura, por exemplo. A talho de foice refira-se o total desnorte e falta de objectivos do inseguro secretário geral do partido socialista, condenado que está a pilotar o carro vassoura da volta a Portugal da novela do Obama de Massamá, o camisola amarela. O terceiro episódio consiste no palavreado da autoria do bibliotecário da Marmeleira que o Públicou deu à luz na edição de hoje e que tem por enigmático título "Perguntas que não levam a parte nenhuma II", do qual extraí, com cautelas redobradas e pinças de ourives, as expressões entre aspas que estão na introdução deste texto sendo que as mesmas se referiam a blogues-e-autores-de-blogues-e-outros-que-tal como este se estão positivamente cagando para as suas questões metafísicas.
Está frio em Portugal, mas o sol brilha.

domingo, novembro 06, 2011

Os Evangelhos

Quando era puto imaginava os Evangelhos como sendo uns tipos muito muito velhos, sábios, de longas barbas brancas transmissores de verdades inatacáveis por serem tão velhas como eles.
Depois aprendi que eram Escrituras Sagradas, o que vem mais ao menos a dar no mesmo mas de sexo diferente. Fosse como fosse, era coisa séria.
Com o decorrer dos anos, da vida e doutras coisas, o tema tornou-se coisa apetecida por crentes, agnósticos e ateus; o segundo a dar sinal visível foi Saramago que, apercebendo-se do potencial mediático que o Salmão Rushdie revelou atacando a fé dos crentes seus conterrâneos, logo se apreçou a escrever um "Evangelho segundo Jesus Cristo" que lhe garantiu de imediato um lugar na grelha de partida para o grande prémio do Nobel, o gajo que inventou a pólvora.
Anos depois, Dan Brown retoma o filão e parte a loiça toda com o "Da Vinci Code", contribuindo de forma decisiva para uma retoma fantástica do turismo na Europa, nomeadamente em França e no Reino Unido. Com o seu último livro José Rodrigues dos Santos volta ao frigorífico e recupera o gosto pelas carnes frias revelando como verdades absolutas várias constatações entre as quais o facto de Jesus não ser cristão mas sim judeu, que tinha irmãos, que não ressuscitou, que não era filho de uma virgem, etc., etc., etc. A Igreja Católica através da contestação pública aos temas abordados no livro, numa notória publicidade pro bono, dá sinais de uma grande fragilidade ao mesmo tempo que acerta o passo com a sinistra herança da Congregação da Doutrina e da Fé, cujo chefe máximo era precisamente o cardeal Ratzinger, actual Papa.
Rodrigues dos Santos, por seu lado, voltou a ganhar uma notoriedade que jamais teria se só tivesse escrito livros a vida inteira, continuando a publicitar despudoradamente a marca MontBlanc, volteando frente às câmaras um exemplar sempre que pode.

quarta-feira, outubro 05, 2011

A data que hoje

se comemora deveria ser a do 868º aniversário da Fundação de Portugal. Mas para a maioria da população, com os miolos assepticamente higienizados por 101 anos de propaganda republicana, não é.
A data que o regime pretende que a população comemore hoje é a do 101º aniversário da sua própria implantação, num exercício estéril de mergulhar no universo através do próprio umbigo.
As dificuldades económicas da altura, uma altura em que Portugal tinha pela frente um conjunto inadiável de reformas económicas e sociais, a pouca credibilidade e aceitação que o "ideal republicano" tinha junto da maioria da população (nunca ultrapassando 7% dos votos) e a emergência de uma classe média urbana foram os três apoios principais para a implantação, à lei da bala, do regime republicano. Perante a ineficácia governativa do rotativismo dos dois principais partidos políticos, o Partido Regenerador e o Partido Progressista (bem diferente da eficácia demonstrada entre 1878 e 1890, em que Portugal saltou para a frente da Europa em várias aspectos do seu desenvolvimento chegando a ser, no final do sec. XIX, o país europeu com maior cobertura de caminho de ferro, por exemplo) o rei D.Carlos e o 1º Ministro João Franco implementaram em 1907 a Ditadura, que deveria durar até à realização de eleições em Maio do ano seguinte. Há que esclarecer as hostes para o significado de Ditadura no contexto da altura: significava que os poderes do Parlamento seriam suspensos temporáriamente para a implementação de medidas eficazes urgentes e pouco compatíveis com as diatribes e dislates de deputados pouco empenhados em governar...
É claro que à medida que as opções governativas de João Franco iam dando resultados e a data das novas eleições se aproximava, maior era o pânico da minoria republicana ao ver fugir-lhe em definitivo a conquista do poder. Prepararam então o assalto ao poder pela via das armas, iniciado com o atentado de Fevereiro de 1908. O que se passou nos dezasseis anos que decorreram após a implantação da República em 1910 e o Estado Novo de 1926 resume-se em poucas palavras: regabofe, banditagem, descalabro, censura, perseguições e caos económico.
Entre 1926 e 1974 a República manteve a censura as perseguições e o atraso generalizado do país até ao boom económico iniciado nos anos 1950 com as exportações do continente para as províncias ultramarinas. É certo que Oliveira Salazar fez um excelente trabalho contabilístico nos 10 primeiros anos do regime republicano do Estado Novo mas nada mais.
Em 25 de Abril de 1974 um pronunciamento militar de oficiais de média patente ajudou a pôr fim ao regime republicano do Estado Novo, que por si só já estava a cair de podre.
Entre 1974 e 2011, a República Democrática mantém um regime hipócrita, em que as nomeações ao Parlamento são ditadas de cima. Com a implantação da República deixou de existir a democracia representativa por círculos uninominais instituída por D. Pedro V, passando os deputados a ser nomeados pelos dirigentes partidários num processo do tipo de "tu que tens mau feitio vais representar Castelo Branco e tu, que tens cara de vaca, vais representar os Açores" etc..
Neste momento, nas condições em que Portugal se encontra, é perfeitamente legítimo questionar
a razão de ser de um regime que, com os 101 anos de existência que hoje perfaz, tão pouco fez por Portugal e pela Democracia Representativa.

sábado, setembro 24, 2011

Carta do Egas Moniz. Recebida ontem por email

Meu querido Afonso,

Ou Afonsinho, como eu te chamava no tempo em que te educava junto às margens do rio Douro, quando foi do milagre. Eras tão pequenino e enfezadinho.
Afonsinho, em que estavas a pensar quando mais tarde te zangaste com o teu Tio e fundaste Portugal?
Olha só no que deu essa tua travessura:

No exame final de 12º ano, és apanhado a copiar, chumbas o ano; o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa, mandou por fax e é engenheiro.

Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto, mas não pode pôr um'piercing' (um prego nas trombas, mas em inglês diz-se assim).

· Um jovem de 18 anos recebe 200 do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 € depois de toda uma vida do trabalho.

Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco. O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.

Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2.000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.

Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais.

O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados. No Fórum Montijo, o WC da Pizza Hut fica a 100mts e não tem local para lavar as mãos.

O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).

Nas prisões, são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!

Um jovem de 14 anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!

A uma família a quem a casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme pode. 6 presos que mataram e violaram idosos vivem numa cela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e aí aassociação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.

Aos militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa do território nacional não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa das Pátrias DO KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE, não da Pátria que fundaste.

Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem; não pagas às finanças a tempo e horas, passado um dia, já estás a pagar juros.

Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal. Constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num ofício respeitável, é exploração de trabalho infantil. Se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!

Numa farmácia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosses drogado, não pagavas nada!

Afonsinho, de novo te pergunto e por favor responde-me: em que estavas a pensar quando fundaste Portugal? Carago, foi uma diarreia mental que tiveste, confessa lá que foi. Agora todos estão desiludidos. Já te falarei um dia na corrupção. O Gonçalo Mendes da Maia que tu tanto criticavas por querer tudo, era um ingénuo, não era nada ao lado desta gangada, nossos descendentes.

Se vires a senhora tua Mãe, dá-lhe recados.

Um beijo do teu servidor sempre fiel,
Egas Moniz

sexta-feira, setembro 02, 2011

Os extremistas e o Ricardo Carvalho

Recebi hoje uma foto num email, alegadamente tirada durante os recentes desacatos em Londres, onde se viam alguns tipos de punho erguido solicitando, com veemência, o extermínio dos chacinadores do Islão. O texto do email também solicitava veementemente a divulgação do mesmo, inclusive pelos meus amigos muçulmanos, que por acaso até nem tenho.

Ora extremistas há-os em todo o lado e para todos os gostos.
Como eu não me considero um extremista, não simpatizo com extremismos e considero o extremismo um sintoma, mais um, da manifesta falta de inteligência e bom senso que se vai propalando por este planeta afora a uma velocidade crescente, darei a minha contribuição para lhe tolher a progressão não divulgando este mail.
Nem aos meus amigos muçulmanos, que por acaso até nem tenho.
Posto isto, há que encaralhar as hostes com atitudes pragmáticas próprias de um frontalismo actuante, e sempre incomodativo, reforçado com frases do tipo das que são tão caras ao nosso povo tais como as do teor que se seguem:
- Viva o Rei! e mai nada!
- S. Bento nos valha q'a selecção só come palha! -
- Ó Ricardo (Carvalho) vai pró caralho! -

Posto isto, que é tudo uma redundante estupidez mas que me apeteceu pôr aqui e como este espaço é meu e eu ponho aqui o que bem me apetecer ao contrário do Miguel Sousa Tavares que não põe nada em net nenhuma, desejo-vos a todos um excelente fim de semana e que Deus queira que não se note a falta do Ricardo Carvalho na defesa. Caso contrário sugiro ao Paulo Bento a adopção imediata da nacionalidade cipriota.

quarta-feira, julho 06, 2011

Se me sair o euromilhões

Faço duas agências de rating: a "normal & teso" e "a modos que" inspiradas na standard & poor e na moody's respectivamente. Serão bilingues, em português e em chinês, e terão como único objectivo recolher o lixo americano. Chrysler? Lixo. General Motors? Uma merda. Omaha? Um estado abaixo de lixo. A parte do chinês é para publicar os relatórios sobre a dívida soberana dos EUA.

sexta-feira, julho 01, 2011

Perguntas difíceis

Como é que o actual Secretário de Estado da Cultura defende a continuidade do governo anterior quando o actual Primeiro Ministro sempre se apresentou como alternativa?

quarta-feira, junho 29, 2011

Era uma piada...

...aquilo do anterior primeiro ministro da república portuguesa dizer que ia para Paris estudar filosofia. É que chamando-se Sócrates...
Imaginem que se em vez de José Sócrates se chamasse José Maria, ia fazer o quê para Paris? Hã? Vá lá, então então, não vale ordinarices!

terça-feira, junho 28, 2011

Terça Feira de cinzas

Hoje ouvi pela primeira vez a voz do escritor Gonçalomtavares. O escritor Gonçalo Eme Tavares foi entrevistado pelo Carlos Vaz Marques na TSF e disse muitas coisas entre as quais se salienta o aspecto do seu próprio reconhecimento de que padece de amnésia. Disse ele, entre outras coisas sobre as quais se me apetecer escreverei mais adiante, que não se lembrava do título do primeiro romance que escreveu, com a tenra idade de 15 anos. E eu, que me lembro do título de redacções que escrevi na 3ªclasse e de composições escritas no 1º ano do liceu, não me senti nada confortável ao ouvir isso. O escritor Gonçaloemetavares também não se lembrava de ter mandado ao António Lobo Antunes uma cópia de um livro que tinha escrito para saber da douta opinião do recordista candidato falhado ao Nobel da Literatura. Afirmou que não o surpreendia nada ter publicado doze livros em 3 anos e que gostaria de ser desafiado a publicar 100 livros no mesmo dia, após ter afirmado que se interessava pela actividade de conhecer pessoas inteligentes. O escritor GT, como passarei a designá-lo doravante para a frente, revelou-se um mamífero dotado de flutuações vocais próprias de um adolescente tardio, um convencido do caralho e um grandessissimo chato.
Agradeço ao Carlos Vaz Marques que, entre os sorrisos que afivela durante as habituais piruetas que faz nos espaldares propositadamente montados em estúdio enquanto entrevista personagens intransmissiveis, me deu a conhecer um pouco mais do escritor que classificou como infantil a arquitectura da praça de touros do Campo Pequeno.
No que diz respeito ao momento político que atravessamos, chamo a vossa atenção para a hipótese de pelo menos 10% dos novos secretários do estado em que se encontra esta merda não perdurarem nos respectivos cargos mais do que 6 meses que é mais coisa menos coisa o tempo de gestação de um arrependimento profundo.

terça-feira, maio 17, 2011

Histórias de encantar IV - 2ª edição

A viver no Brasil há um bom par de anos, o meu tio Henrique e a mulher foram convidados para o casamento do filho de um importante cliente. O meu tio Henrique, mulherengo incorrigível e incompetente profissional, herdara uma pequena fábrica no Brasil e para lá se deslocara com o objectivo de endireitar a vida, estragando-a o menos possível. Dirigir uma pequena fábrica de componentes industriais, em perfeito funcionamento, com um rendimento mensal certo e razoável, dirigida por uma administração competente e de confiança foi o melhor que lhe poderia ter acontecido em toda a puta da sua vida.
O local onde se realizaria o casamento era uma fazenda grande e muito antiga, na família do noivo havia várias gerações, bem no interior do pantanal. A viagem seria longa e por isso iam preparados para lá pernoitarem. A sogra do meu tio Henrique também ia.
A certa altura da viagem, a minha tia e a mãe dela ressonavam profunda e alternadamente, dando a impressão que o carro se transformara num barco, subindo e descendo imensos vagalhões invisíveis à medida que o ronco delas se intensificava e alternava. Com os movimentos que fizera enquanto dormia, a sogra do meu tio Henrique descalçara um sapato que, com outros movimentos seguintes mas ainda a dormir, fora empurrando para debaixo do banco do meu tio Henrique. A certa altura, o meu tio Henrique sentiu que o seu pé tocara em qualquer coisa. Enfiando a mão por debaixo do banco sentiu, e adivinhou de imediato, os contornos e textura inconfundíveis de um sapato feminino de cetim e salto alto. Aquilo só poderia ter sido esquecimento de uma das últimas parceiras de regabofe e fodilhanço a quem ele dera boleia.
Da última vez quase tinha sido descoberto quando a mulher, ao baixar a pala para se ver ao espelho, levara nas trombas com um par de cuecas de renda pretas.
- Aquele cabrão-, vociferara de imediato o meu tio Henrique arrancando as cuecas da cara da mulher e aventando-as pela janela fora.
- Aquele mecânico de um cabrão, é a terceira vez que arruma ali a puta da camurça dos vidros. Filho da puta.
- A camurça dos vidros ? - , repetira a mulher tentando recompôr-se do cagaço que aquela cegueira súbita seguida de impropérios e corrente de ar lhe provocara.
- Sim, filha. A camurça que eles usam para limpar os vidros do carro por dentro. É diferente das que usam do lado de fora.-
- Ahh..Suspirou sossegada a mulher. - Se calhar devias mudar de mecânico.-
Mas agora era diferente. Nenhum mecânico, por muito paneleiro que fosse, usaria sapatos de cetim e salto alto. Certificando-se que a mulher dormia profundamente, olhou no retrovisor e confirmou que a sogra também dormia. Muito devagar abriu o vidro e, acto contínuo, arremessou fora o dito sapato.
Suspirando de alívio, fechou o vidro até meio, recostou-se no banco, acendeu um cigarro e, confiante, sorriu. Estava safo.
Chegados ao local do casamento assistiu, impávido e sereno, à maior descompostura que alguma vez presenciara a mulher dar em alguém, na pessoa da sua própria sogra.

segunda-feira, maio 16, 2011

Histórias de encantar II - 2ª edição

Era uma vez um cão-lobo e um urso-formigueiro.
Embora vivessem na mesma floresta, nunca se dera o acaso de se encontrarem.
À medida que os anos decorriam, as probabilidades de isso acontecer cresciam de forma assustadora. Um dia encontraram-se.
O urso-formigueiro, de indole aprazível e comunicativa, encetou as apresentações:
- Ora viva! Quem és tu e como te chamas, que nunca te vi por aqui?- inquiriu o urso-formigueiro exibindo num esgar um olhar de vaca alucinada.
- Eu ? - disse incrédulo o cão-lobo. - Eu sou um cão-lobo .
- Um cão-lobo? E porque carga de água te chamas assim, ó cão-lobo? - retorquiu, berrando confuso e impaciente, o urso formigueiro aproximando as fauces descarnadas e babantes a dois centímetros do focinho do cão-lobo, que permanecia impassível.
- Ora, porque o meu pai era um cão e a minha mãe era uma loba. E tu, como te chamas?- retorquiu o cão-lobo.
- Eu ? Eu cá sou um urso-formigueiro! - afirmou com orgulho, endireitando-se, o urso -formigueiro.
- Estás a gozar...? - retorquiu-lhe o cão-lobo, virando-lhe as costas e partindo.
A confusão permanece, até hoje, no espírito do urso-formigueiro.
Anos decorridos, nunca mais se encontraram.

quinta-feira, maio 12, 2011

Histórias de encantar I - 2ª edição

Era uma vez um naufrágio. A ele sobreviveram dois tipos, ambos feridos: um ficara totalmente cego e o outro ficara cego de um olho e só via pelo cantinho do outro olho.

Tendo conseguido trepar para um escaler equipado com um par de remos e um leme à popa, o que via pelo cantinho do olho decidiu que o melhor para ambos seria ir ele ao leme e o cego que remasse. E assim foi. Ao fim de uma semana porém, o cego manifestava evidentes sinais de cansaço pelo que decidiram trocar. Passou o cego para o leme e o que via pelo cantinho do olho pegou nos remos. Os tubarões escoltavam a desgraça. De vez em quando o que via pelo cantinho do olho olhava com isso para trás e ia dando orientações ao cego sentado na popa do escaler, ao leme.

“Mais para a esquerda” ou “mais para a direita” berrava o remador que isso de “bombordo” e “estibordo” era conversa de navegantes e eles não passavam de meros candidatos a 1º Ministro, sobreviventes de umas férias num cruzeiro. A certa altura, num intervalo entre duas olhadelas, o escaler embateu em qualquer coisa o que fez com que o punho de um remo saltasse da mão e acertasse precisamente no cantinho do olho são do remador cegando-o por completo. “É o fim!!” berrou o remador. O cego pensou que tinham chegado à costa, e de pronto saltou do barco berrando “Boa! Boa!”.

Os tubarões mostraram-lhe quão errado estava.

O que via pelo cantinho do olho, com aquilo tudo de remar e olhar para trás, do impacto, do remo a saltar, a acertar-lhe no cantinho do olho e a cegá-lo ficou sem perceber patavina do que se passava. Ao ouvir o cego saltar para a água gritando “Boa!” julgou que tinham chegado à costa e saltou. Segundo e derradeiro esclarecimento por parte dos tubarões.

Silêncio no oceano.

terça-feira, maio 10, 2011

Histórias de Encantar III - 2ª Edição

Eu tenho um irmão três anos mais velho que, quando éramos putos, era um traquinas do caralho. Um capricho da natureza fizera com que toda a brutidade e falta de inteligência da família se tivesse concentrado numa só geração e numa só pessoa, o meu irmão Jaime, em vez de se ter diluído ao longo de vários membros em várias gerações. Fartava-se de fazer asneiras, o cabrão. Misturava o leite com o café na cozinha, enfiava peúgas na cabeça do gato, distribuia com esmero e dedicação bilhetinhos obscenos nas caixas de correio do prédio, atirava cubos de gelo ao cão da porteira deixando-o a ladrar furiosamente o que iniciava de pronto uma caldeirada de caralhadas e impropérios por parte da mesma, acompanhados pelo voo picado das botas do marido que era bombeiro. Eu sei lá.
Um dia foram lá jantar a casa uns tios. É claro que durante o jantar o Jaime (é assim que se chama o meu irmão) fartou-se de fazer merda; interrompia as conversas, fazia perguntas parvas, tossia altíssimo, dava peidos inacreditáveis, mexia nas pernas da criada e, sempre que podia e ninguém via, pontapeava-me nas canelas e nos joelhos. A certa altura, enquanto acontecia a segunda volta do rosbife com batata palha e esparregado, a tia, inspirada pela alucinante sucessão de asneiras que testemunhara durante o jantar, sugeriu aos meus pais que o Jaime passasse a frequentar a catequese.
- Fazia-lhe lindamente.- insistia ela perante a incredulidade da minha mãe e a indiferença do meu pai.
O Jaime, que julgava que a catequese era uma espécie de recreio santificado em que se entrava para se poder massacrar mais alguém para além da família e dos colegas da escola, seguia a conversa com a atenção de um cão sentado em frente de alguém a comer pão com manteiga.
Quando as visitas se foram embora, a decisão estava tomada. O Jaime iria para a catequese.
Eu iria com ele, para prevenir males dobrados.
Quando chegámos ao sítio da catequese, que era numa sala pequena numa dependência da Basílica da Estrela, o Jaime escolheu de imediato um lugar na primeira fila de cadeiras, abrindo caminho à pisadela e ao encontrão. Eu acabei por ficar lá atrás.
Estávamos todos sentados, quando entra o senhor Padre.
Subindo a um estrado que ficava à nossa frente, atira com uma pasta enorme para cima da mesa e lança um olhar fulminantemente periférico, cuja intensidade jamais esquecerei, àquela plateia de putos sentados e cheios de sono.
De súbito, adivinhando no meu irmão Jaime a candura de um novato, fita-o nos olhos e atira-lhe berrando:
- Onde está Deus?-
Fez-se um silêncio escuro, frio e profundo.
- Onde está Deus ?- insistiu o senhor Padre, sem desfitar o meu irmão.

Quando cheguei a casa, a minha mãe perguntou-me:
- O teu irmão ? Não veio contigo?-
- Não.- respondi.- Ele saiu primeiro.
Depois de virarmos a casa do avesso encontrámos o Jaime no quarto, dentro do armário.
- Que é que estás aí a fazer?- berrou o meu pai furioso por ter tido que largar o cigarro, o jornal a televisão e o camandro para aderir ao pequeno grupo de caçadores de broncos.
- É que... É que... - balbuciava o cabrão, trémulo e lacrimejante.
O meu pai segurou-o por um braço e arrastou-o para fora.
- É que o quê? Hein ? Responde imediatamente. Ouviste?
- É que Deus desapareceu e o senhor Padre pensa que fui eu.

segunda-feira, maio 09, 2011

O Bar

2ª Edição

Versão minimal:

Acabara o último cigarro há um quarto de hora. Lembrara-se na altura que tinha que comprar mais. Sem pensar, pegou no maço vazio e procurou lá dentro um cigarro.
Não havia nem um.
- Querida, disse, vou lá abaixo num instantinho comprar cigarros e volto já.
Até hoje, nunca mais apareceu.

Versão completa:

Acabara o último cigarro há um quarto de hora. Lembrara-se na altura que tinha que comprar mais. Sem pensar, pegou no maço vazio e procurou lá dentro um cigarro.
Não havia nem um.
- Querida, disse, vou lá abaixo num instantinho comprar cigarros e volto já.
Abriu a porta e desceu os 17 degraus a correr e de seguida. Chegado ao café, desilusão. Já estava fechado.
- Lá ao fundo desta rua, à sua direita, há um bar que ainda deve de estar aberto. – retorquiu o dono do café à sua pergunta enquanto fechava a porta.
A noite estava fria e ele estava com pressa. Dirigiu-se na direcção indicada a passo rápido. Quando chegou ao bar, entrou e apeteceu-lhe um trago de qualquer coisa forte e que aquecesse. Chegou-se ao balcão, e sentou-se ao lado de uma loira que falava ao telemóvel.
- Um Cutty Sark só com gelo, por favor. – Enquanto o empregado lhe servia o whisky pediu dois maços de cigarros.
A loira acabara o telefonema e fizera dos seus gestos e da sua cara o alvo da sua atenção nos segundos seguintes. De seguida abriu a carteira, retirando dela um estreito maço de Slims e, enquanto se voltava para ele cruzando as pernas, pediu-lhe, com voz rouca, semicerrando os olhos:

- Do you have a light? –
Meteu a mão no bolso direito das calças e retirou um pequeno isqueiro Bic. Enquanto lhe acendia o cigarro, olhou a cara dela com atenção e sorriu.
- Obrigada.
Não o tenho visto por aqui. – disse ela com ar casual enquanto expirava o fumo e guardava na carteira o estreito maço de Slims.
Palavra puxa palavra e meia hora depois estavam os dois em casa dela.
Algum tempo depois, ele olhou para o relógio que trazia no pulso esquerdo e disse:
- Meu Deus, distraí-me completamente... a minha mulher vai-me matar!
A loira soergueu as sobrancelhas enquanto, distraidamente, apertava o roupão.
- A menos que... tens por acaso pó de talco ?- perguntou-lhe
- Pó de talco?- inquiriu a loira soerguendo ainda mais as sobrancelhas,
- A-acho que sim. Porquê?-
- Vai-mo buscar, por favor. Rápido.-
A loira desapareceu e voltou calmamente segundos depois segurando uma embalagem de talco Johnson´s com que ele polvilhou um pouco as palmas das mãos, esfregando-as uma na outra de seguida.

Regressado a casa, muito devagarinho introduziu a chave na porta e abriu-a silenciosamente.
A luz e o som provenientes da sala prenunciavam a tempestade que, dali a nada, iria desabar. Estava f-o-d-i-d-o. Entrou na sala pé ante pé e perguntou-lhe, por entre os flashes da TV Shop e os do olhar dardejante dela:
- Querida, ainda está a pé? Mas é tardíssimo.-
- Tu tens cá um descaramento...Francamente! Onde é que estiveste até agora?
- Mas é que tu nem sabes o que me aconteceu.
- Ah pois não. E estou mortinha por saber. Ora vamos lá a ouvir a história que inventaste desta vez. Desembucha!
- Estou-te a dizer! Fui lá abaixo ao café para comprar cigarros como te disse antes de sair, só que o café estava fechado. Disseram-me que ao fundo da rua havia um bar que costumava ficar aberto até tarde e fui até lá. Acabei por conhecer uma rapariga loira muito simpática e fomos até casa dela beber um copo. Palavra puxa palavra e....
- Tu tens é uma grandessissima lata. Mostra-me as tuas mãos imediatamente. Ah-ha! Com que então uma loira hein?! Mas tu pensas que me enganas, meu sacana? Tu estiveste foi outra vez no bowling com os cabrões dos teus amigos!
 
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