sexta-feira, janeiro 14, 2005

A frase da campanha

Disse-a Jorge Coelho, o guru, quando confrontado com a recusa do PS em aceitar o desafio para um debate televisivo sobre economia e finanças entre Pedro Santana Lopes e José Sócrates :
“O PS não tem medo de contactar com os eleitores e, por isso, não se refugia nos estúdios de televisão”. Vem na página 9 do PÚBLICO de 12 de Janeiro de 2005

Em 2000 António Guterres quando confrontado com o significado de email confessava às câmaras de televisão que tinha ideia que era qualquer coisa que tinha a ver com a internet embora não percebesse muito disso e , sorrindo, acrescentou que não era utilizador.

Como quem diz “Não fumo” quando alguém lhe pede um cigarro.

Um ano depois, uma campanha relâmpago contra a construção de um elevador para o Castelo de S. Jorge, iniciada precisamente na internet, conduziria irreversívelmente João Soares à condição de fóssil político. Três anos depois, para quem disso duvidasse (no PS pensa-se devagar e a memória é para esquecer) o congresso que elegeu Sócrates como novo paladino com mais de 80% dos votos concedeu 2% a João Soares que, ao minimizar o resultado, demonstrou ter enlouquecido em definitivo.

A frase de Jorge Coelho significa que:

1 – Daqui a 2 anos o PS estará a desdenhar a rádio.

2 – Para o PS, o e-governement, os blogs, as páginas electrónicas, os sites, a internet e todo espantoso potencial de comunicação que está, democráticamente, nas pontas dos dedos de cada português, de cada um de nós, de mim que o escrevo e do leitor que aqui chegou, é, no mínimo, desprezível. Coisa de putos. Ou de desempregados. Ou de reformados.

3 – Ao desprezar a importância da comunicação em democracia, o PS demonstra o profundo desprezo que tem pelo eleitorado. Para o PS os eleitores são estúpidos, não percebem nada de debates televisivos e só se interessam a sério pelos políticos quando assistem in loco, nos mercados, nas ruas etc., às promessas por eles feitas e que depois se estão nas tintas para cumprir. Em 1995 foi a promessa do PS de passar Canas de Senhorim a sede de concelho por exemplo. Até hoje.

4 – Para o PS, todo o mal que se disser de um governo que em 4 meses decidiu e fez mais do que tantos em trinta anos de políticamente correcto ousaram pensar, é pouco desde que contribua para a derrota da direita no próximo dia 20 de Fevereiro. Ao não desdenhar, inclusive, o serviço que alguma direita lhe tem feito de forma descarada na imprensa o PS vende-se de barato para recuperar o poder pelo poder. Veja-se como o Expresso, que defendeu em editorial uma posição contra a despenalização do aborto, vem trazendo, edição atrás de edição, o Absolut Sócrates nas palminhas. Será que o continuará a fazer após a proposta de Sócrates para a realização de novo referendo sobre o aborto a preceder o referendo sobre a Europa?

5 – Ao não conseguir propor nenhuma alternativa possível, credível, viável e inadiável num programa de governo que tem sido, decerto, a mais difícil redacção que António Vitorino teve que fazer em toda a sua rosada e rubicunda existência, o PS aguarda quietinho, caladinho, sem apelos ao contraditório, que o estrelai, o estardalhaço e o espavento feitos pelos jornais e pelos jornalistas que, de Equador debaixo do braço, não couberam no modesto Falcon que o Ministro Morais Sarmento usou para ir à ilha do Príncipe (contráriamente ao amplo espaço de que dispuseram e vêm dispondo nos Boeings utilizados por Soares e Sampaio) chegue para nos convencer que votar na direita é políticamente incorrecto.

2 comentários:

pindérico disse...

Isto dos debates é "porreiro". E toda esta gente, toda esta iluminada gente, se convence de que o zé povinho é burro e por isso pode fazer o que quer.
Quem está na mó de baixo...que ai Jesus,não pode ser,não há democracia sem debates.
Amanhã, na mó de cima,...vejam lá, queria debate, quer subir às minhas costas!

Mas olhem que o Zé percebe!!!!

Anónimo disse...

Por ser estrangeiro retiro-me sempre de comentar Portugal porém, não posso deixar de me espantar com conceitos tidos como definitivos como e para exemplo, o do Presidente da República no 1-

1- A maioria tem de ser absoluta para que o país singre... Será impressão minha ou isto ainda é fruto dos quarenta anos de ditadura?
2- Já Sócrates... Debates para quê? O povo não entende... Prefere-se, portanto, falar com o povo e no meio do povo. Claro aí o povo não faz perguntas e se algum as fizer fica perdido no silêncio do marejar dos beijos.
3- Ao perder as eleições só houve um político que se assumiu à viva voz «o povo merece a merda que escolhe...»
4- O homem foi aos mergulhos à conta do governo... o primeiro ministro não entende... depois já entendeu, o ministro não sabe... mas o ministério tinha conhecimento. Qu'é Isto?!!!
Que é isto?

Yochanan Hayash D'Affonseca

 
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