segunda-feira, abril 04, 2005

Activismo da treta

Anda a circular por email um video cuja montagem apresenta alternadamente declarações de Fátima Lopes relativamente ao uso das peles de animais com imagens horríveis de sofrimento infligido a animais, incluindo esfolá-los vivos, tendo esse mesmo video sido exibido em alguns Blogs com o apelo à sua divulgação.
Esse video é obsceno e manipulador.
Não acredito nas "boas intenções" de quem divulga obscenidades para se auto-promover. Estou, obviamente, a falar da Associação Animal.
Também não conheço a referida Fátima Lopes nem me move nenhum interesse especial pela senhora.
No entanto, associar as horríveis imagens desse video com as declarações fora de contexto de UMA pessoa em particular, Fátima Lopes neste caso, é um acto que se reveste de todas as características de um ataque pessoal.
É muito mais fácil esfolar um animal morto do que fazê-lo em vida. Em 1978 a organização "ecológica" e "pró-animal" Greenpeace pagou a um caçador de focas para que pudesse obter um filme de alguém a esfolar uma foca bébé em vida. Foi esse caçador que referiu não ter percebido a razão de lhe terem pedido para fazer o que fez, visto a sua experiência lhe ter ensinado que é sempre muito mais fácil esfolar um animal morto do que fazê-lo com ele vivo. Está aqui documentado.
Não me admirava nada que os facínoras que criaram este video obsceno tivessem feito o mesmo.
Apelo aos internautas e bloggers que me leiam para que, antes de servirem de "caixa de ressonância" de toda a trampa que recebem via email , pensem e reflictam antes de o fazer.
Se conseguirem, claro.
É que pensar e relectir é coisa rara nos dias de hoje. As gentes são cada vez mais pavlovianamente manipuladas. O reflexo condicionado tornou-se uma característica desta humanidade moderna, que arvorada em sofisticada, culta e politicamente esclarecida, se tornou fraca, ociosa e tão manipulável pelos racionalistas do sec. XXI como o foi pelo clero no sec. XII.
Para a esquerda vale tudo. Mesmo a exibição obscena da violência exercida em animais indefesos.
Esses sicários, defensores dos direitos dos animais, que
não hesitam em pegar em armas para fazer valer os seus pontos de vista mesmo que não distingam um gato preto e branco de uma vaca leiteira ao longe, tornaram Pym Fortuyn na sua primeira vítima.
De objectores ao sofrimento inútil rapidamente se transformam em alarves da obscenidade e assassinos a sangue frio.
A cobardia, a manipulação da opinião pública e a exibição gratuita do sofrimento adquirem, para alguns, foros de virtuosismo e candura nos dias que correm.

10 comentários:

whitesatin disse...

Mui prezado Fundador desta nossa nação eternamente incumprida, tomei em consideração as suas palavras, e farei passar no meu "cantinho" esta sua perspectiva, efectivamente incómoda para mim, porque se há coisa que mais odeio, é sentir-me manipulada. Os meus cumprimentos pela forma como expôs a questão.

FDV disse...

boas para el-rei.

a perspectiva afonsina assemelha-se ao meu ponto de vista sobre a situação em causa. nada me move contra a senhora visada, no entanto não deixo de manifestar a minha preocupação para o facto, não-recente e inegável, que são os inúmeros maus tratos e acções grotescas que têm os animais como alvo. não visionei nem coloquei, sequer, uma ligação para o video. apenas li comentários ao mesmo e pouco me espantei com o conteúdo destes.

os melhores cumprimentos.

Gato Gaspar disse...

Caro Fundador, deverá ter mais cuidado com as referências que utiliza para suportar as suas acusações. A situação que aborda conheço-a bem e estou de acordo consigo. Os activistas dos direitos dos animais e natureza, por norma, regem-se pelas emoções e não pela razão. Na maior parte das vezes não sabem do que falam e a Animal é um bom exemplo disso. Há associações que manipulam informação e recorrem a métodos agressivos - como a Greenpeace. Mas o que me traz aqui é o link que utilizou. As refutações ali presentes são falsas. Há de facto um problema com as beleias; houve de facto um problema com as redes de pesca de atum e os golfinhos. Só após o boicote do próprio povo americano é que os pescadores passaram a utilizar dispositivos que evitasse a captura acidental. Os problemas são bem reais, o que normalmente prejudica a sua resolução é a forma desleal e desorganizada com que os activistas os divulgam.

Afonso Henriques disse...

Relativamnente aos links que indico e às refutações a que te referes, ó Gaspar, só tenho a dizer que, quanto muito, estão desactualizadas.
Acompanhei de perto a questão tuna-dolphin na altura.

BlueShell disse...

"Apelo aos internautas e bloggers que me leiam para que, antes de servirem de "caixa de ressonância" de toda a trampa que recebem via email , pensem e reflictam antes de o fazer.
Se conseguirem, claro."

"Se conseguirem, claro"...tudo o resto se me "varreu"...e fiquei presa nesta afirmação...

O que queres dizer com isto?
...

Eu até tinha mais perguntas...

mas...esquece...

Já não importa, não faz diferença.

Flávio disse...

Caro Rei Fundador, desta vez não estamos de acordo.

Concordo que a origem do controverso video e a forma da sua obtenção deveriam ser esclarecidas pela Animal: até aqui, tudo bem.

No resto, creio que não tens razão.

Apenas algumas perplexidades (em forma articulada e tudo, como os juristas!):

a) É paradoxal que condenes o sofrimento dos mais fracos e ao mesmo tempo te solidarizes com aqueles que o promovem.

b) Dizes que o video é manipulador, mas esqueces-te que a dita Lopes não só conhece perfeitamente a realidade denunciada pelas imagens, como também a defende publicamente.

c) Falas em ataque pessoal, quando na realidade a Animal apenas criticou as declarações públicas da Lopes, que foram vertidas na Imprensa.

d) E a Fátima Lopes não é uma pessoa qualquer, mas sim a maior representante da nossa indústria da vaidade e uma persondalidade que defende publicamente a barbárie.

e) Pelos vistos, o que te incomoda não é a existência do sofrimento, mas sim a sua denúncia pública. Ou seja, tudo estará bem desde que se esconda a porcaria debaixo do tapete.

f) Pretendes desacreditar a Animal quando não tens provas para tanto e invocas um acto de terceiros e com mais de duas décadas de idade.

g) Condenar o lucro a todo o preço e a tortura é um acto de lucidez e inteligência, que transcende as ideologia políticas. Aliás, a Animal é uma organização plural que reúne membros de todas as cores partidárias, credos e nacionalidades.

Flávio

www.a-bomba.blogspot.com

pandora disse...

ja tinha lido bastante sobre essa história dos activistas da Greenpeace e o seu caçador a soldo... tenho plena consciência das tentativas conseguidas de manipulação por parte de associações e dos media em geral... mas ainda assim publiquei no meu blog, a pedido de uma amiga, e por mais de uma vez, links para blogs e informação em defesa dos direitos dos animais, e não considero que tenha sido manipulada ou manipuladora pois de facto, seja a FL ou outro qualquer, o que é certo é os animais são mesmo vitimas de uma sociedade consumidora em excesso. isso é o que mais me preocupa!

Chita Catita disse...

Meu caro fundador! Acho que deveria escolher melhor as suas fontes de informação. O artigo que utilizou está cheio de incorrecções e mesmo mentiras, para além de ser abertamente tendencioso! Como pessoa que actualmente estuda questões relacionadas com mamíferos marinhos, posso falar de forma mais esclarecida! Grande parte das espécies de grandes baleias que já foram ou são ainda caçadas (como no Japão ou Noruega) estão em perigo de extinção (se bem que a diferentes níveis). É verdade que muitas populaçãos estão a conseguir recuperar, mas outras não o conseguem, como a espécie Eubalaena glacialis, que conta com apenas cerca de 300 indivíduos no Atlântico Norte. Muito antes da formação da Greenpeace nos anos 70, já a International Whaling Commission, formada pelas nações com industrias baleeiras, proibía a caça de algumas espécies e tentava controlar a caça de outras! As populações de baleias foram sobreexploradas, e isso é irrefutável. A baleia-anã (minke whale em inglês) foi a única que não terá sido muito afectada, uma vez que é uma espécie pequena, e por isso interessava muito pouco aos caçadores. No entanto isso está a mudar, uma vez que cada mais sefala em retomar a caça a esta espécie, por ser actualmente a mais abundante. O que não deixa de ser engraçado porque esta espécie só passou a ser mais abundante porque não tinha de competir por recursos alimentares com as baleias de maior porte, uma vez que estas eram muito poucas por terem sido excessivamente caçadas. E o aumento dos números de indivíduos de cetáceos (baleias e golfinhos)e de pinípedes (focas e leões marinhos)para números que não se aproximam dos números existentes antes do início da caça, não é argumento lógico nem válido para servir de bode expiatório para a diminuição dos recursos pesqueiros. Essa diminuição é inteiramente causada pela industria pesqueira, essa sim que usa e abusa desses recursos. Por todo o mundo, há milhares de golfinhos, baleias e focas que morrem todos os anos em redes de pesca, e apesar da situação não ser tão crítica como há alguns anos atrás, ainda é um problema bastante real, mesmo na costa portuguesa! No Canadá, Gronelândia e Rússia, várias espécies de focas são caçadas todos os anos (como a foca-anelada ou foca de crista), e sim, são as crias que são caçadas, uma vez que a pelagem dos recém nascidos é bastante diferente da dos adultos, e de um ponto de vista estético, muito mais apelativa (branquinhas e azuis). No entanto, não posso dizer com toda a certeza que os indivíduos adultos não são caçados, mas duvido muito. E sim, as crias são mortas à paulada, para não danificar a pelagem! Muita gente não sabe disto, mas no arquipélago da Madeira existe uma pequeníssima população de focas-monge do Mediterrâneo, espécie que se encontra em perigo crítico de extinção, com um número total de indivíduos calculado entre os 200 a 600, espalhados por todo o Mediterrâneo e costa Atlântica do Norte de África. Existem variados motivos para esta situação, mas um deles foi a caça excessiva pelas peles e outros produtos. Só para finalizar, não concordo nem simpatizo de forma alguma com a Greenpeace nem com associações que adoptam a mesma filosofia. Tendem a simplificar questões muito complexas e a utilizar métodos extremos e muitas vezes pouco éticos, mas tenho de reconhecer que fizeram muito para que se começasse a pensar em questões como conservação da natureza e direitos dos animais. E continuo a achar que não gostaria de morrer com uma paulada na cabeça (se tivesse sorte e o caçador que me matasse fosse muito experiente e hábil, se não seriam 3 ou 4 pauladas) sóporque tinha nascido com um pêlo muito bonito!

Isatis disse...

Caríssimo,
Deixe-me só dizer-lhe uma coisita rápida: você não faz a mínima idéia do que fala, e quando assim é, devia abster-se. Ou ter tido a humildade de fazer o trabalho de casa...
O seu discurso anti-activista dos direitos dos animais (activistas em geral, à mistura com esquerdistas, radicais e sabe-se lá o que mais) está eivado de "clichés". Abra o seu espírito, aprenda, deixe entrar ar fresco nesse seu intelecto empoeirado... e sobretudo pense pela sua própria cabeça, não impinja a ninguém teorias que nem sequer são suas, mas fruto de mentalidades distorcidas...
E já me alonguei demais, pelo que me retiro.
Sempre sua,
Isatis

Catarina de Bragança disse...

Afonso,
Você viu bem onde se documentou? Conhece a palavra imparcialidade? Tenha dó de nós, por favor! E tente, de futuro, não servir de "caixa de ressonância" de toda a trampa que lê...
Do Porto, com carinho

 
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