sábado, junho 30, 2007

Das Moscas

Porque esta é a terra delas.
Tudo neste país está às moscas. O património, os museus, as ruas, aldeias, vilas e cidades.
Está tudo à mercê das moscas.
Umas são lustrosas e verdes. Outras zumbem em contrabaixo, varejeiras portanto. Outras ainda, compenetradas em danças misteriosas à contra-luz, súbitamente acometidas por impulsos inconfessáveis que se traduzem em trajectórias repentinas e sem sentido para logo regressarem à calma morna do calor no meio da sala, valsando. À contra-luz.
Às vezes uma, decerto contrafeita com o destino, investe decidida contra a vidraça de uma janela. Encantada talvez pelo brilho ofuscante de uma realidade que não conhece mas suspeita.
Têm em média uma semana de vida. Nesse tempo, que é o tempo de vida de uma mosca, têm que compreender o mundo em que cairam. Mas não conseguem. Uma semana é pouco tempo. Dedicam-se portanto à criação de nova geração de moscas, passando-lhes o testemunho.
Elas que descubram. Ou que se reproduzam até descobrirem. Ad aeternum.

4 comentários:

Lira de Terpsichore, mais Lira menos Lira disse...

Ad aeternum, não.
Desculpe-me o terrível sermão, mas - com licença: Portugal, só depende de nós - ou melhor, de Vós.

Vénia

Terpsichore disse...

Repetição: devo ter grifado mal...

Terpsichore disse...

Agradeço a amabilidade de eliminar a anterior, espero ter descoberto o que estava a fazer errado, e agora sair bem. Cumprimentos

Anónimo disse...

Não. Incrível. Afinal o erro não era meu. O que fiz foi tentar colocar, na janela onde é pedido, o endereço do meu blog que não é da Google: www.ailhadosamores.wordpress.com, em vez do meu que o é, e não consegui...

Cumprimentos

 
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