quinta-feira, junho 01, 2006

1,2, Esquerda, Direita

A NKN (Nomenklatura Kultural Nativa) achou por bem criar um organismo não sei dos quantos encimado por uma Comissão de Honra com o confesso objectivo de providenciar a criação de hábitos de leitura nas hostes cá do Reino. Vasco Pulido Valente foi um dos convidados mas declinou o convite. E disse porquê.
Entre outras razões, o convite era escrito num português arrazoado, com erros ortográficos e tudo.
Entre ainda outras razões, o convite era a despropósito porque, segundo ele, nunca se lera tanto em Portugal como nos últimos tempos. Basta ver os números de vendas do Código e do Equador.
Escusada iniciativa portanto, é a opinião do autor de Os Devoristas.
Do outro lado da barricada assentou armas o laureado Saramago. Pronunciando-se com a douta autoridade que é conferida aos cágados pelas ervas do pasto por onde deambula, Saramago afirmou que iniciativas deste tipo são tudo menos úteis porque a sua inutilidade é manifestamente irrefutável. Segundo Saramago, o evangelista, a leitura é, e continuará a ser, um hábito de minorias imune a quaisquer tentativas que objectivem a sua divulgação. Todavia aceitou o convite. Ou seja, aceitou ser parte da inutilidade tornando-se parte dela.
A vida tem destas coisas. E ainda há quem se babe quando lhe aperta a mão. À vida, claro.

1 comentário:

Bic Laranja disse...

Convites à leitura com erros não espanta; o escritor Saramago também não consegue pontuar devidamente o que escreve e recebeu o Nobel. Se calhar foi ele que redigiu os convites... Cumpts.

 
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