domingo, novembro 26, 2006

Ai Portugal Portugal...

À medida que o tempo vai passando, a N.R.P. (*) vai inventando novos processos e aprimorando outros com o objectivo mal dissimulado de, em dificultando a vida de toda a gente, para usar um eufemismo, rebentar com o resto que resta disto. Podem dizer o que quiser, citar os peritos do costume, apresentar as mais elaboradas e ininteligíveis dissertações, evocar os mais altos desígnios, mas...TLEBS é uma treta.
Vou citar o estafado exemplo do cão, para quem até já foi proposto um dia nacional, mal sabendo o bicho que teimam em reciclar-lhe a designação. Os defensores do dia do cão deveriam promover uma manifestação do tipo "passeio do isso-é-que-era-bom" em que se juntasse o maior número de canídeos possível na Baixa Pombalina (chama-se assim por causa da chusma de pombos que a infestam) seguidos pelo seus defensores devidamente munidos de saquinhos de plástico, que enquanto se descabelavam aos urros e uivos iam recolectando os seus dejectos da via pública, dando assim o exemplo.

Mas há mais.

Enquanto em todo o país igrejas, capelas, conventos e castelos se vão degradando de ano para ano, a NRP promove e contribui para mais uma Maior Árvore de Natal da Europa, objecto de peregrinação para os basbaques e, quiçá, motivo para mais um almejado registo no Guiness Book of Records, inicialmente uma promoção de marca de cerveja irlandesa e que se tornou em mais uma obsessão nativa, a par dos Pais Natais enforcados nas janelas acompanhados por esfarrapadas bandeiras da República.
Das forças que dão vida a uma Nação, a Língua, o Território e o Património têm o destino traçado.
Quanto ao Povo, é o que se vê.

NRP - Nomenklatura Republicana no Poder

terça-feira, novembro 14, 2006

À vossa!

A teimosia da média de 14 visitas diárias a este terreiro, que o sitemeter mecanicamente me garante existirem, dá-me a vontade de continuar que não existiria se não as houvesse.

*****************************************************************************

O tempo encarregou-se da árdua tarefa de me fazer crescer semi acompanhado pela tragédia ambulante chamada Jaime que, por cruel opção de meus pais ou travessura ignóbil do destino, era o meu irmão. Chegada a altura da escolha por um curso superior entrei em profunda depressão sem conseguir ter a mínima dose de coragem que me fizesse dizer em voz alta e ao jantar: Não faço ideia do que fazer com o futuro da puta da minha vida.
O meu irmão Jaime, pelo contrário, optara pelo curso de Engenharia Civil, embasbacado como andava com os à vontades do Engenheiro do 2º Esquerdo com a filha do médico do 1º Dto.
Quando num país pobremente envelhecido como este, Engenharia Civil rima com patobravice assanhada, o futuro apresentava para o meu irmão os contornos volúveis de uma qualquer actividade envolvendo as palavras construção civil com pejo, enlevo e carinho.
Daí à criação da sua própria micro empresa de assentamento de tijolo enquanto frequentava o 3º ano do Técnico foi uma bufa.
Os operários, esses, recrutava-os em plena Marginal, a qualquer dia da semana. Bastava-lhe abrandar o Golf TDI podre e entrar nos recessos ao longo das praias de Carcavelos e Caxias enquanto apregoava: Carpinteiro...Pedreiro...Serralheiro... e as cabeças voltavam-se, recolhendo as linhas de pesca e acenando com os bonés na mão.
Mas o negócio correu mal ao meu irmão, essa chaga ambulante, e a parte dos trabalhos a mais, idêntica à fase de nulos ou positivos no King, veio provar que até aí o fracasso lhe dava o braço solidariamente.
Até que um dia o Jaime se passou. Foi à lota de Cascais e comprou uma dúzia de robalos pouco frescos, 2 Kg de lulas em estado pré-comatoso, uma dúzia e meia de anchovas do Yemen e 4 Kg de pescada de Cascais. Juntou tudo numa grande sacada e atacou. Começou por Carcavelos, abrandando o carro ao longo do recesso da Marginal e bombardeando as fronhas dos pescadores, esses eternos pescadores da Marginal, com o conteúdo da saca, distribuído sorteado e à discrição.
Calões!, berrava ele, cambada de calões! Vão mas é trabalhar, corja de malandros!
Um dos pescadores, atingido por sinal por uma potra em adiantado estado de decomposição, resolveu reagir rugindo: Foda-se-caralho-que-merda-é-esta?!
É o que tu pescas, grandessíssimo cabrão! É o que tu pescas! -
retorquia rindo à gargalhada.
Depois chateou-se e foi para África.
Powered By Blogger
 
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!