quinta-feira, julho 26, 2007

Ele há coisas do camandro

Há dias atrás, comentando um post do Dragão, desencadeei uma série de comentários, não ao texto comentado, mas ao meu próprio comentário.
Chama-se a isto, em linguagem de mar, abordagem de sabre em riste. Ou seja:
Os microcéfalos que deambulam, sorridentes e satisfeitos, na calmaria morna da B.L.U.S.A. (Blogosfera Lusa) teimam em encontrar nas caixas de comentários sobre textos que não entendem, que lhes dão o insuportável trabalho de ler e , consequentemente, a inantingível tarefa de os compreender porque se tratam, repito, de microcéfalos, o lugar próprio para defecarem sem pejo o que lhes vai nas tripas. Vem isto a propósito deste texto e respectivos comentários.
Para além dos anónimos, essa estirpe acéfala e vampiresca que faz pasto da sua fome as ideias dos outros, vegeta uma tosca anglofonia que dá pelo sugestivo nome de lusgon, ou seja escuridão.
Associam tais criaturas Monarquia com Chulice com o à vontade de um sacristão soltando flatos em Catedral. É, de facto extraordinário.
Pois que se lambuzem primeiro no opróbrio chupista desta república de treta que alcandora a intocáveis vitalícios mentecaptos com oito anos de serviço na Assembleia da República.
Ou que enfiem suas doutas pencas nos entrefolhos do cú do funcionalismo público republicano e que, com isso, garantam para si e para os seus, comendas e prebendas à discrição e fartazana.
Nariz no cú tapa três buracos, diz a Sancha cheia de razão.
De facto, ele há coisas do camandro.

segunda-feira, julho 16, 2007

O Ovo da Serpente

Autárquicas : Lisboa 2007.
O primeiro facto que me ocorre é a monumental derrota do PSD.

O segundo, a magra vitória do PS.
O terceiro e em sequência dos dois primeiros, consumado na corrida que Telmo Correia levou face aos votos obtidos pelas candidaturas de Carmona Rodrigues e de Helena Roseta, os chamados independentes (Sá Fernandes durante a campanha referido como candidato-independente-do-bloco-de-esquerda não foi, de facto, independente coisíssima nenhuma), consiste no fartanço que alguns eleitores, poucos, quiseram demonstrar face à partidocracia vigente na pseudo democracia do pós vinte cinco de Abril.
Não é só o discurso oficial partidário que está gasto, vazio de conteúdo, estéril de objectivos e, por isso, impotente na sua realização. É cada vez mais a noção de aldrabanço e batota que os portugueses vêm sentindo face ao palavreado inconsequente e folclórico dos ícones partidários. A ideia de que "eles lá se arrranjam mais os amigos deles e a gente é que se lixa" passou a constituir uma realidade diária, omnipresente, na prepotência do aparelho de estado, na impunidade escandalosa de arguidos em processos gravíssimos, no desdém que a classe política perpassa na sua relação com os seus eleitores.
Vai grassando um descontentamento generalizado que não pactua com tranquilidades fofas em condomínios privados. A pouco e pouco a besta desperta, e boceja.
Só precisa de quem a acorde de vez, a conduza e lhe indique a quem morder.
É só uma questão de tempo.
A História repete-se. Como de costume.

Da Independência

A defesa da submissão da independência e soberania de Portugal aos castelhudos foi defendida hoje no Diário de Notícias por José Saramago, prémio Nobel de Literatura.
É a voz da república no seu melhor.
Uma das vacas sagradas da inteligentsia sinistra nativa, alcandorada a guru de cafres, citada a torto e a direito por mentecaptos e basbaques, um gajo que nem sabe escrever, que seguiu o exemplo sensacionalista de Rushdie com os versos satânicos (mais a fama e respectivos cobres que lhe renderam) adaptando-o às fezes lusas e inventando um Evangelho Segundo Jesus Cristo para depois, e por isso, fazer-se de perseguido e martirizado, faz eco do que vem zunindo há anos nas ocas caixas cranianas da inteligentsia indígena republicana: Se fossemos espanhóis é que era bom.
Depois venham-me dizer que não tenho razão.
Nunca a independência de Portugal esteve tão condenada como se de vergonha se tratasse.
Nem tantos se empenharam tanto em acabar com ela.

quinta-feira, julho 12, 2007

Comentário ao comentário

Como o blogger insiste em boicotar o meu acesso autenticado às várias caixas de comentários, mesmo no meu próprio blog, não tenho outra solução senão a de criar um post exclusivo para responder ao comentário do Dragão ao meu penúltimo post.
Ainda fui ao tegúrio do mostrengo, estabelecimento altamente recomendável por sinal, mas vi-me obrigado a comentar como um reles anónimo. A resposta foi esta:

Obrigado pela visita e comentário mas...
No mundo dos cavalos que falam, essas nobres criaturas incapazes de mentir, não só as Maxi Puch têm menopausa como os diesel têm carburador!
Cumprimentos,
Afonso Henriques

Já agora, e a talho de foice, também poderia ter sido:

Quer dizer, Vossa flamejante Senhoria, que lá que os cavalos falem e as Maxi Puch derrapem na menopausa, tudo bem , mas os diesel não podem ter carburador ?

Ou então:

Queres ver que afinal o Jaime era daltónico?

Ou ainda:

O gajo da bomba estava era enganado. Quem não percebia nada de mecânica era o Jaime.

E por aí fora, alentejo adiante...



terça-feira, julho 10, 2007

Curiosidades

Foi curioso ouvir hoje o Primeiro Ministro de Portugal perorando em Londres sobre as nefastas práticas do regime de Robert "Hitler" Mugabe, no Zimbabué.
E Angola.
Ali ao lado.

Foi curioso assistir ao "perdão Presidencial" perpetrado por Bush sobre "Scooter" Libby, quando condenou à morte, sem apelo nem agravo, dezenas de concidadãos americanos enquanto Governador do Texas.

Foi curioso constatar nas paragonas publicitárias que patrocinaram o "Live Earth".
A começar pelo "Chevy" omnipresente no messenger e a acabar na patética participação publicitária nativa na RTP1 devidamente acolitada por Júlio Izidro, Edite Estrela e Carlos Malato. Entre outros.

Foi curioso assistir à apresentação de Teresa Salgueiro no Pavilhão Atlântico.
Eis Carla Salgueiro.

Foi curioso assistir à distribuição voluntária e voluntariosa de flyers da TMN às portas do Pavilhão Atlântico de onde nem se vislumbrava um reles caixote do lixo. On Earth's behalf.

Foi curioso como consegui adormecer a noite passada e estar a postos a estas horas para escrever isto.

sábado, julho 07, 2007

Histórias de Encantar X

Há cerca de quinze anos atrás, na sequência de uma desastrosa aventura pelos pantanosos caminhos da construção civil, o meu irmão Jaime, tomado de ares e de coragem, resolveu iniciar-se de primeira pelo não menos claro percurso da especulação imobiliária.
"O Alentejo, porra!" começava ele, imediatamente a seguir à última colherada de sopa ou ao primeiro naco de pão demolhado nos coentros das ameijoas, dependendo da estação do ano.
"O Alentejo é que é!!" concluía após uma dissertação ininteligível sobre compra e venda de Montes abandonados em herdades desmanteladas, pequenos investimentos para "recuperar a traça" (ficávamos sempre sem saber se isso significaria "abrir o apetite" ou não) divulgação do produto, contactos e venda. Mas o Jaime estava-se era bem cagando para a possibilidade omnipresente da ininteligibilidade do seu discurso. Para ele o Alentejo é que era.
Certo dia, numa das suas deambulações pela planura alentejana empancou-se-lhe o carro. Pifou.
Debaixo de um Sol impiedoso dardejando um calor abrasador conseguiu encostá-lo à berma, a cerca de trezentos metros da sombra inútil proporcionada pelo único carvalho multicentenário do distrito.
"Foda-se" murmurou aos berros enquanto levantava o capot do velho Golf TDI.
Olhou lá para dentro, olhou e nada. Não percebia nada do que via: tubos, fios, latas com tampas, tampas sem nada por baixo, tubos e mais tubos e nada. Não fazia a mais pálida, esquálida ou confrangedora ideia do que carga de água ou o camandro tinha acometido o cabrão do carro.
Mal tinha tido plena consciência, naquele segundo interminável, do atascanço em que estava metido quando ouviu resfolegar à sua esquerda. Rodou a cabeça na direcção do som forte e próximo e deparou com as ventas de um imenso cavalo preto. Mal recuperara do cagaço e isso só para ouvir o cavalo dizer "Carburador. A tampa do carburador está solta." Dito isto, o cavalo desapareceu num galope completamente ridículo para a intensidade do calor e a dimensão da planura existentes.
Jaime voltou a mergulhar a cabeça no interior das entranhas do velho TDI com o pressentimento inquestionável e afiançado por uma adolescência parcialmente consumida em meses de wrestling com uma Maxi Puch na menopausa que, e isso de certeza, carburador tinha a ver com velas. Por fim lá deu com a merda da tampa do carburador desapertada. Sacou do Victorinox que o pai lhe dera quando perdeu uma aposta e apertou a tampa do carburador. Ansioso entrou no carro, rodou a ignição e o ronronar do diesel que se fez ouvir sossegou-o com a calma própria de uma história de embalar.
Enquanto o carro rolava pela estrada a única coisa que lhe estalava a realidade tórrida era a imagem daquele magnífico cavalo preto. A certa altura, avistando a silhueta inconfundível de uma decrépita bomba de combustível resolveu parar. Não que precisasse de reabastecer. Precisava só, mas desesperadamente, de falar com alguém. De contar o que lhe acontecera.
Abrandou e encostou à sombra, por baixo da canopy em forma de cogumelo da bomba. Desligou o motor e acendeu um cigarro. O homem da bomba apareceu devagar, como se tivesse saído debaixo do chão.
- Bs' tardes..- disse.
- Boa tarde.- respondeu Jaime apagando o cigarro de imediato. - É para atestar, s'fáxavor.-
Enquanto o homem da bomba dava início à complexa tarefa de reabastecer o terceiro carro da semana Jaime saíu do Golf aparentando sem esforço o ar de um latifundiário ocioso de mãos nos bolsos enquanto perscrutava desinteressadamente o horizonte dourado, seco e quente que envolvia a cena.
- Nem sabe o que me aconteceu.- atirou, partindo o silêncio sem cerimónia.
Nos cacos do silêncio recém quebrado o homem da bomba levantou a cabeça com um boné muito velho e olhou para cima, para a cara dele. Sem se conseguir conter Jaime contou o que lhe acontecera.
- Tive uma avaria no carro uns quilómetros lá para trás e de repente apareceu um cavalo preto vindo nem sei donde e disse-me "Carburador. A tampa do carburador está solta." Arranjei aquilo e o carro ficou bom...
- Pois.- disse o homem da bomba devolvendo o olhar à mangueira enquanto abastecia.
- Vomecê teve muita sorte. - acrescentou.
- Então porquê? - retorquiu Jaime com a certeza que tinha de que o homem da bomba não percebera patavina, ou não acreditava, naquilo que ele lhe acabara de contar.
- É que tem andado por aí um cavalo castanho que não percebe puto de mecânica.-

Esclarecimento

Antes que as hostes republicanas, devidamente acolitadas por enxames furibundos de papoilas satitantes, decidam mover-me alguma acção fundamentada em inside trading (*) afirmo desde já, e que fique claríssimo como a resplandescente alvura das brancas pombas da paz, que o post de 15 de Junho publicado neste blog nada tem a ver com as notícias vindas a público, hoje, sobre uma hipotética OPA hostil da Terra de Mu (vulgo China) ao TMN, perdão SLB.
Publique-se.

(*) Prática batoteira compulsivo-obsessiva tão do agrado do neoconismo económico.
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