terça-feira, janeiro 29, 2008

Fumo


Foi apenas desde que o primeiro ser humano descobriu o foguear que a tosse se instalou em definitivo na humanidade. De acordo, sempre houve uma gripezita de vez em quando, uma alergia ao pêlo de algumas presas mal esfoladas, enfim, um certo pigarrear comprometido, convenhamos. Mas tosse tosse, não. Essa só se instalou e espraiou em definitivo após a descoberta e domesticação do fogo, e consequente anárquica libertinagem e espavento do respectivo fumo. Na Lusitânia, território situado no extremo ocidental da Europa que impede físicamente o acesso dos espanhóis aos benéficos ares do Atlântico, a obrigatoriedade de gramar com o fumo alheio reinou impunemente e em despotismo absoluto até às vinte e quatro horas do passado dia 31 de Dezembro de 2007.Ano novo, ar novo e logo se levantam as vozes indignadas dos arautos e defensores da liberdade do costume. Os que defendem a liberdade inalienável que eles têm de lixar a liberdade dos outros.Ele houve de tudo. Ele escreveu-se, berrou-se e esgatanhou-se o que não lembrava ao caneco.Desde à comparação, no mínimo triste e de mau gosto, da proibição de fumar em recintos públicos fechados com a perseguição aos judeus durante o nazismo (MST-Expresso), aos benefícios do tabaco (VPV-Público) tudo, ou quase tudo, foi dito em defesa do cigarro do charuto, do cachimbo e respectivas combustões. Pacheco Pereira, como não podia deixar de ser, também juntou a sua voz ao coro. Não perceberam, as pouco diáfanas criaturas, que ninguém as proibe de fumar. Vitimizam-se por não poderem continuar a empestar o ar dos que preferem a sua liberdade de não fumadores. Eu também fumo, mas não ao ponto de não me importar com quem não fuma.
Há que dar espaço. A quem fuma e a quem não fuma.
É, tão só e apenas, uma questão de civilização.

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