quarta-feira, julho 23, 2008

Actualidades da república - Julho 2008

Embora navegando à vista nas águas turvas da silly season, constato que sempre vão acontecendo coisas cá no planeta e no seu satélite siamês conhecido por Portugal que se metamorfoseiam lentamente em notícias em cada dia que passa. Com a lentidão própria dos dias quentes e suados, em que o chulé e o sovaco se misturam com outros aromas menos desagradáveis nos transportes públicos, nos cinemas, nos centros comerciais e no porta bagagens da minha carrinha.

Chipmania. É a mais recente versão do choque tecnológico ou, se preferirem, da colisão tecnocrática. Cada carro com seu chip para uma vida melhor e mais segura. Remédio santo para os casos de carjacking, se bem que me passe ao largo perceber o apetite que um Volkswagen Polo de 1987, por exemplo, possa despertar nos adeptos da modalidade. Até serve para passar na Via Verde e tudo o tal do chip. A seguir aos chips com que se é obrigado a ataviar os cães, segue-se o chip das matrículas dos carros. Seria interessante que, como publicava o último "Inimigo Público", bastasse ao comum cidadão pagador de impostos transportar um canídeo à janela, devidamente artilhado de chip, para que a sua viatura passasse na via verde sem problemas. Azar para os donos de São Bernardos com carros pequenos.

Contriminosos. Contracção (com c antes do ç, agora e na hora da minha morte) entre as palavras contribuinte e criminoso. Preparam-se os senhores das finanças para catalogar e classificar os cidadãos com base no perfil do contribuinte faltoso e aldrabão.
Também não percebo a indignação das gentes. De um regime que trata como criminosos todos os seus cidadãos, com aposição obrigatória de impressão digital no Bilhete de Identidade de Cidadão Nacional, não é de esperar muito menos.

João Moutinho. O Sporting desdenhou os vinte milhões oferecidos pelo Everton. Fez mal ?
Talvez. Tendo em conta que a escola de futebol do Sporting tem o monopólio do mercado fornecedor dos melhores jogadores das principais equipas europeias desde há alguns anos a esta parte.

Público. Tem alojado na última página um tal de Rui Tavares que tendo perdido sucessivas partidas de ping-pong com Helena de Matos, insiste em perorar dia sim dia não sobre o que lhe apetece. Hoje foi o Acordo Ortográfico, esse grande embuste, que lhe é tão querido que eu sei lá.
Além de não perceber a diferença entre estado e Estado, como também não deve perceber a diferença entre Históra e história, sugere um parágrafo do manual de instruções do referido Acordo, como mostra do próximo livro que irá publicar, digo eu. Diz ele (...) A partir de agora vai haver uma regra simples. No momento de escrever, pense-se: eu pronuncio aquele "c"? Se sim, escrevo. Caso contrário, não escrevo (ou em alternativa: se desejar continuar a escrevê-lo, devo pronunciá-lo). (...) Perceberam ? Nem eu. Como também não percebo porque é que os Rui Tavares cá da terrinha quando dizem foda-se escrevem ora bolas ou quando escrevem que maçada querem dizer que caralho. Esta mania de falarem das letras como quem escolhe entre amendoins, pevides ou tremoços para acompanhar uma imperial chateia-me.

sábado, julho 05, 2008

O síndroma do Outão

Quando Sócrates era ministro do Ambiente, aflito com as queixas de muita gente que via na cimenteira do Outão inserida em pleno parque natural da serra da Arrábida um cancro exposto que devorava, inexorável, o parque, a serra e arredores, em três tempos resolveu o problema: desafectou, por decreto, a cimenteira do Outão do parque natural da serra da Arrábida.
Os péssimos resultados apresentados anualmente pelos estudantes nos exames de matemática fizeram com que o governo da república tomasse medidas. Rápidas, de preferência. Nada que se compadecesse com a revisão dum método inteiro de ensino nem com reformas profundas que o tempo é curto e as eleições são já ao virar da esquina. No ano seguinte os resultados são espantosos. A percentagem de reprovações baixou drásticamente. Nada se deve, no entanto, a uma melhoria significativa no aproveitamento dos alunos. Antes a uma simplificação drástica dos exames.
Atente-se, por exemplo, neste "problema" posto em exame a alunos do 9º ano (antigo 5º ano):
Quantas filas de cadeiras tem uma sala sabendo que na primeira fila existem 23 cadeiras, na segunda menos três que na primeira, na terceira menos três que na segunda e assim sucessivamente e que a última fila tem oito cadeiras?

quarta-feira, julho 02, 2008

A entrevista de Sócrates

Não vi. Também não precisei.
Depois de fumar à varanda beberricando um tinto alentejano, enquanto trocava impressões com a Sancha sobre a merda que se aproxima a rajadas fartas turbo-propulsionada por subidas do preço do petróleo, acompanhada por investidas descabeladas de palestiniano retro-escavador de encontro a quem lhe aparecesse no caminho, preferi confiar no juízo sábio da sogra que do alto raso dos seus 87 anos tem o poder de síntese de uma sebenta de estudante de 1968, desci à sala para ouvir o óbvio:
Esteve a dar o Sócras na televisão. "Eu tenho uma grande responsbilidade", disse ele. "Não digo o que querem ouvir. Só faço o que a minha cabeça manda". Eu que até nem gosto dele, gostei de o ouvir e acho que falou bem.
Claro que falou bem. Nada como palavras que exalam confiança, que transpiram futuro para sossegar as hostes, que é como quem diz, o povo.
Hostes em vias de lhe garantir maioria absoluta em 2009.
Quem disse que a terceira via veio para ficar?
Eu , claro.

Interlúdio



Some folks are born made to wave the flag,
Ooh, theyre red, white and blue.
And when the band plays hail to the chief,
Ooh, they point the cannon at you, lord,

It aint me, it aint me, I aint no senators son, son.
It aint me, it aint me; I aint no fortunate one, no,

Yeah!
Some folks are born silver spoon in hand,
Lord, dont they help themselves, oh.
But when the taxman comes to the door,
Lord, the house looks like a rummage sale, yes,

It aint me, it aint me, I aint no millionaires son, no.
It aint me, it aint me; I aint no fortunate one, no.

Some folks inherit star spangled eyes,
Ooh, they send you down to war, lord,
And when you ask them, how much should we give?
Ooh, they only answer more! more! more! yoh,

It aint me, it aint me, I aint no military son, son.
It aint me, it aint me; I aint no fortunate one, one.

It aint me, it aint me, I aint no fortunate one, no no no,
It aint me, it aint me, I aint no fortunate son, no no no.
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Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!