quarta-feira, novembro 05, 2008

Colour Purple

Para quem não saiba, o novo presidente da república dos E.U.A. é Barack Obama. "No more reds or blues. Colour Purple is now the true colour of the United States", foi mais ou menos isto o que disse Michelle Obama após a confirmação dos resultados eleitorais. Tendo 70% dos eleitores do estado de Virgínia, maioritáriamente brancos, votado Barack Obama, isso significa o trambolhão de uma das certezas mais propaladas nas antevésperas desta eleição; a de que que na intimidade do exercício do voto, o americano branco médio seria tomado de pânicos irracionais e acabaria por dar o seu voto a McCain.
Desenganem-se todavia os que pensam que a política externa norte americana não sofrerá grandes alterações com este resultado: a aposta em África marcará a diferença de anteriores administrações.
Por outro lado, há que lembrar as ofensivas militares na Somália e nos Balcãs protagonizadas pela administração democrata de Bill Clinton; o facto de ser um democrata a ganhar estas eleições não significa o abandono da política intervencionista dos E.U.A., nomeadamente em zonas sensíveis onde abunda o petróleo e o gás natural. Quanto muito uma movimentação das peças e reajustamento táctico no tabuleiro dos conflitos que se vêm desenrolando no médio oriente.
Duas coisas que me impressionaram nas últimas 24 horas: o contraste entre a abundante tecnologia ao serviço das estações de TV americanas comparativamente ao tempo perdido por milhares de votantes amarrados em bichas durante 7 horas ou mais. A outra foi a sonegação de informação relativa às previsões no QG de McCain, o que fez com que centenas de pessoas estivesem a pensar na vitória até ao desmentido proferido pelo próprio McCain. Por cá, a colagem da esquerda e da direita lusas a Obama e a McCain respectivamnte, não deixa de ser típica de quem não consegue lidar com o facto de ter feito a 1ª Comunhão com sete anos e tido posters do Guevara na parede do quarto na adolescência. No entanto tanto a esquerda como a direita nativas ficam contentes: a esquerda porque o "seu" candidato ganhou e o da direita perdeu; a direita porque o candidato da esquerda embora vencedor terá uma trabalheira do camandro pela frente, à laia de castigo.

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