Ontem ao ser mais uma vez incomodado com as perguntas sempre maçadoras dos senhores jornalistas Cavaco Silva falou dele próprio como sendo o Presidente de Portugal. Não é.
O cargo institucional que ele desempenha, e mal, é o de Presidente da República. Aliás é a República Portuguesa (e não Portugal) que ultimamente tem sido alvo dos "ataques dos especuladores" e dos "ataques do mercado" e que está com tão baixa cotação "lá fora".
Ao não vetar a lei do casamento homossexual Cavaco deitou as suas convicções pela janela fora. Mesmo, como ele referiu, que a lei voltasse a ser votada e passasse com a aprovação da maioria de esquerda no parlamento, Cavaco nunca se deveria ter demitido da posição que os seus eleitores sempre acreditaram que tomaria.
Nada tenho contra a união homossexual legalmente assistida. Só não lhe chamem casamento porque não o é. Já o tinha escrito aqui. Não seriam mais seis meses ou duas semanas que iriam dificultar a vida aos portugueses se o Presidente se tivesse afirmado de acordo com as suas convicções. Quem abandona as convicções para não atrapalhar a vida dos outros tipifica um facilitismo serôdio que não se coaduna com o cargo de Chefe de Estado. É mais consentâneo com, sei lá,com um cargo como o de administrador de condomínio.
Com o adiamento do seu apoio ao candidato Manuel Alegre o PS tem mostrado o mais possível que prefere Cavaco como Presidente. A variável Nando, oportunamente lançada a jogo por Mário Soares, se encarregará de fazer estragos suficientes no processo para garantir a re-eleição de Cavaco. Provavelmente à primeira volta.
Ou isso ou Cavaco anuncia publicamente a sua intenção de não se recandidatar, o que também não deixaria de ser interessante: o primeiro candidato ao cargo a não cumprir two rounds in a row.
sábado, maio 29, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
O blog do João Gonçalves
O João Gonçalves posta regularmente num blog que se chama PORTUGAL DOS PEQUENINOS, assim mesmo em maiúsculas. Ao post do passado dia 15 de Maio resolveu dar o título de "Parabéns à prima", ilustrando o mesmo com uma coroa de conde. O texto diz assim:
O eterno candidato a um trono que não existe, Duarte de Bragança, faz hoje sessenta e cinco anos. Já se podia reformar sem penalizações.
Meu Deus, quando eu for grande, não me deixes ficar parecido com o João Gonçalves.
O eterno candidato a um trono que não existe, Duarte de Bragança, faz hoje sessenta e cinco anos. Já se podia reformar sem penalizações.
Meu Deus, quando eu for grande, não me deixes ficar parecido com o João Gonçalves.
quarta-feira, maio 12, 2010
çrsi vqpigto
Muitas vezes deixei de escrever posts porque não me vinha à ideia um título para o que me apetecia escrever. Depois de ter visto o Papa esta manhã a caminho do meu local de trabalho (eu, o Papa vinha em sentido contrário) e de ter pensado o dia todo em várias coisas incluindo o desastre de o Braga não ter sido campeão no Domingo passado, descobri o método arreia. O método arreia consiste em largar, deixar cair, soltar o peso. Isso tudo aplicado à postagem em blogs significa deixar cair as mãos sobre o teclado deixando os dedos saltarem em fuga para onde lhes apetecer para não serem esmagados pelo peso dos antebraços que os perseguem na queda e, assim, obter um título a todos os ditos espontâneo, cheio de graça e, simultâneamente, perfeitamente incompreensível. Passe a irrelevância aparente do que atrás foi escrito (quem posta é que sabe)encontro-me a meio de uma semana em que três coisas extraordinárias aconteceram: a primeira foi a notícia do aumento de impostos no dia em que o Benfica ganhou o campeonato. A segunda foi a extraordinária ideia de lançar a Feira do Livro para o meio do Parque Eduardo VII no princípio de Maio para que quando as pessoas perguntassem porque-é-que-a-Missa-do Papa-em-Lisboa-não-é-no-Parque-Eduardo-VII-como-de-costume alguém lhes dissesse, com naturalidade, porque-está-lá-a-Feira-do-Livro. A terceira tem a ver com o extraordinário sentido de oportunismo político que consistiu em consagrar a república ao sagrado coração de Maria em pleno Terreiro do Paço em ano de centenário. Dessa nem o Botas se lembraria.
domingo, maio 09, 2010
Imponderabilidades...
...são variáveis acometidas de leveza intrínseca. Coisas que flutuam no ar como a penugem dos plátanos entre o 7 e 15 de Maio de todos os anos. Cá na terra como em Londres.
Neste momento ainda há uma esperança domingueira oculta dentro de muitos portugueses: que o Braga seja campeão; Portugal precisa de transpôr a depressão causada pelas notações financeiras à República portuguesa; vamos ser um bocadinho de nada bem educados e fazer um esforço para não confundir regime com nação. Além dos malabarismos trapalhões feitos com a massa que alemães franceses ingleses e outros nos deram, também ajudaram à depreciação da imagem da República outros factos decorrentes da pantanosa justiça em que nos atascaram e da total ausência de educação/formação com que diligentemente alienam as gerações emergentes: o caso da absolvição de Domingos Névoa e o caso dos enunciados dos exames de Matemática do 6º ano onde pontuavam problemas complicadíssimos como calcular a quarta parte de oito e descobrir quanto é a soma de cinco mais dois. Casos como estes figuram por direito próprio no calendário das comemorações do centenário da República.
................................................................* * *
O texto do discurso de apresentação da candidatura de Manuel Alegre continha entre outras a palavra cemitério, o que, só por si, denota uma grandessissima falta de tacto. Para além disso não desiludiu ninguém: satisfez os amigos e tranquilizou os adversários.
................................................................* * *
Sócrates disse a semana passada que nunca quis ser Primeiro Ministro. Há uns anos atrás Ramalho Eanes foi o centro das atenções em Inglaterra quando disse à Rainha que nunca quis ser Presidente da República.
................................................................* * *
Para acabar, e enquanto o Braga ainda pode ser campeão nacional, o que se passou em Inglaterra com o fim da terceira via será o futuro mais ou menos próximo de Sócrates e do partido socialista. Entretanto, a penugem dos plátanos continua a cair.
Neste momento ainda há uma esperança domingueira oculta dentro de muitos portugueses: que o Braga seja campeão; Portugal precisa de transpôr a depressão causada pelas notações financeiras à República portuguesa; vamos ser um bocadinho de nada bem educados e fazer um esforço para não confundir regime com nação. Além dos malabarismos trapalhões feitos com a massa que alemães franceses ingleses e outros nos deram, também ajudaram à depreciação da imagem da República outros factos decorrentes da pantanosa justiça em que nos atascaram e da total ausência de educação/formação com que diligentemente alienam as gerações emergentes: o caso da absolvição de Domingos Névoa e o caso dos enunciados dos exames de Matemática do 6º ano onde pontuavam problemas complicadíssimos como calcular a quarta parte de oito e descobrir quanto é a soma de cinco mais dois. Casos como estes figuram por direito próprio no calendário das comemorações do centenário da República.
................................................................* * *
O texto do discurso de apresentação da candidatura de Manuel Alegre continha entre outras a palavra cemitério, o que, só por si, denota uma grandessissima falta de tacto. Para além disso não desiludiu ninguém: satisfez os amigos e tranquilizou os adversários.
................................................................* * *
Sócrates disse a semana passada que nunca quis ser Primeiro Ministro. Há uns anos atrás Ramalho Eanes foi o centro das atenções em Inglaterra quando disse à Rainha que nunca quis ser Presidente da República.
................................................................* * *
Para acabar, e enquanto o Braga ainda pode ser campeão nacional, o que se passou em Inglaterra com o fim da terceira via será o futuro mais ou menos próximo de Sócrates e do partido socialista. Entretanto, a penugem dos plátanos continua a cair.
Subscrever:
Comentários (Atom)


