segunda-feira, outubro 10, 2005

Ressaca

Estado pré comatoso de empastelamento existencial caracterizado por sede avassaladora e absoluta intolerância ao ruído acompanhados de embaciamento persistente de toda e qualquer actividade, sensata ou não, produzida por qualquer dos dois hemisférios cerebrais.
É assim que que se encontra Portugal no momento.
Desde o pretenso descomprometimento do PM (José Sócrates) para com os catastróficos resultados eleitorais obtidos pelo PS (Partido de Soares), até aos dislates ilegais proferidos pelo próprio Soares à boca das urnas, passando pela ajardinada exuberância de Valentim Loureiro e pelo desalento cabalístico de Avelino, perpassa uma imagem de fim de festa que ninguém percebe muito bem que acontecimentos pretendeu celebrar. A festa pela festa tornou-se o objectivo último das desorientadas populações deste país queimado, seco, alegremente à beira da bancarrota.
Estamos quase quase a ser o Brasil da Europa. O que nos falta em área, clima e gente sobra-nos em diversidade paisagística, secura e imaginação. Dizer bicha em vez de fila é politicamente incorrecto. Noventa e nove por cento das frases começam por é assim. Seja quem for que as diga.
O cinco de Outubro é a data da implantação do vinte cinco de Abril.
À asneira sucede a asneira, a
pessegada, o disparate.
Vale a pena dar uma vista de olhos à escolha de cartazes feita pelos Dolos Eventuais.
Depois dos sorrisos e/ou gargalhadas de que certamente serão acometidos, vejam os cartazes outra vez e pensem: Isto é a República portuguesa. Se conseguirem olhar para os cartazes segunda vez sem desatarem a chorar de raiva lembrem-se da exibição da selecção nacional frente à merda do Lichtenstein. Se, mesmo assim, as lágrimas não vos saltarem dos olhos como pulgas alucinadas esmagando-se contra os écrans, das duas uma: ou estão grossos, ou estão grossos. Ainda. A ressaca virá depois.

2 comentários:

garfanho disse...

é a vida e o país que somos, se calhar mais vale estar grosso (e evitar a ressaca).

abrilistasanonimos disse...

Ou será tudo... o início do fim do pesadelo de Abril?

 
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