sexta-feira, março 24, 2006

Fogos 2006


Há dois dias a televisão noticiava, com pompa e circunstância, as medidas que o governo adoptou para o combate aos incêndios na open season que se avizinha. A mobilização da GNR em grupos helitransportados não me pareceu má ideia. Tem algumas semelhanças com a abordagem que as autoridades andaluzas fizeram do problema, como eu referi aqui. No entanto, a "passagem de comando após a primeira intervenção" cheira a desmultiplicação de esforços e à diluição de responsabilidades, correndo-se o risco dispensável de mais uma abordagem ineficaz do problema. Mais uma vez.
No Público de hoje podia ler-se que o grande objectivo do governo, com o inevitável recurso a um "sobressalto cívico", consiste na redução, até 2007, da depredação resultante do flagelo anual de incêndios em Portugal para a espantosa cifra de cem mil hectares de Portugal ardido/ano (?).
É pouco ambicioso, e é pena. A instalação de postos de vigia, munidos de câmaras de vigilância e a sua articulação com a utilização instantânea de brigadas de intervenção rápida helitransportadas constituídas por profissionais exclusivamente treinados para o efeito seria um meio eficaz para se conseguir o objectivo: a erradicação do flagelo incendiário em definitivo.
A solução adoptada na Andaluzia é eficaz há mais de doze anos.
Por cá continua-se a inventar a roda.
Definitivamente, a postura perante o património das duas nações da Península Ibérica é consequência da diferente na leitura que os regimes políticos dele fazem. Eficazmente defendido em monarquia. Displicentemente abandonado em república.
Os factos falam por si.

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