sexta-feira, dezembro 05, 2008

À Vossa!

Tem crescido com força a marcação cerrada que os monárquicos portugueses têm feito à expectável comemoração do regime nos cem anos de República. Como já referi aqui, mais ninguém se lembraria de comemorar este centenário. Um centenário comemorável só pode ser o de alguém como o do Manoel de Oliveira, um gajo que faz cem anos hoje e que se apresentou ainda noutro dia na televisão com a cabeça cheia de cabelos pretos, uma postura juvenil e um casaco de cabedal fora de série. Também acho que alguns dos filmes dele são chatos: dez minutos de plano fixo podem fazer boa fotografia mas, caros amigos, não é cinema: cinema é imagem em movimento.
A República, por outro lado, é movimento sem imagem. Pensar que mais de metade do Parlamento se recusou a prestar homenagem a um Chefe de Estado assassinado com um miserável minuto de silêncio com o pretexto de que não se pode reescrever a história enche-me de pasmo. Essa é a imagem possível da República portuguesa: um regime de cinzentismo, encobrimento, que tresanda a hipocrisia e má fé.

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