sexta-feira, fevereiro 13, 2009

República de porteiras e merceeiros

Nada tenho contra uns e outros, note-se. Lembro-me bem do Sr. Joaquim, o merceeiro, me ter desenrascado uma vez quando ao sair de casa me deparei sem chaves nem carteira. Só tinha um livro de cheques no bolso interior direito do casaco. Dirigi-me à mercearia e disse-lhe : Sr. Joaquim, acabei de sair de casa, esqueci-me das chaves e da carteira e a única coisa que tenho é o livro de cheques. Troca-me um cheque de cinco contos ? E ele trocou. Pude assim comprar o bilhete de comboio, fui trabalhar, almocei e quando voltei para casa o problema da falta de chaves não se pôs porque a Sancha já estava em casa mai-los miúdos. Foi a Sancha que me deu ganas de escrever este post porque, segundo ela, Portugal encontra-se reduzido a uma república gerida por porteiras e merceeiros. De porteiras porque o diz-que-disse-que coiso-e-tal e-a-vizinha-que-até-é-doutora-parece-que-afinal-pôs-os-cornos-ao-marido-que-até-é-director-dum-banco-vá-lá-a-gente-saber é cada vez mais o pão nosso de cada dia. Daqui a chipar matrículas a eito é um ápice. Toda a gente fica a saber por onde anda e o que faz toda a gente. Ele é o fripór e o Santos Silva a ameaçar de malhar aqui e ali, ele é o foda-se (ai j'sus credo mais um palavrão), também conhecido por Mário Crespo, a desancar as hostes dissertando sobre um Supônhamos, ele é os bancos c'os cós das calças a entalarem a fruta que, por sua vez, entalam os desgraçados que recorreram a empréstimos para pagar a casa. Enfim. É uma barrigada de república tão grande, tão grande, tão grande que até os deputados à Assembleia acham normal e corriqueiro o controle de acessos biométrico à dita cuja.

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