segunda-feira, maio 16, 2011

Histórias de encantar II - 2ª edição

Era uma vez um cão-lobo e um urso-formigueiro.
Embora vivessem na mesma floresta, nunca se dera o acaso de se encontrarem.
À medida que os anos decorriam, as probabilidades de isso acontecer cresciam de forma assustadora. Um dia encontraram-se.
O urso-formigueiro, de indole aprazível e comunicativa, encetou as apresentações:
- Ora viva! Quem és tu e como te chamas, que nunca te vi por aqui?- inquiriu o urso-formigueiro exibindo num esgar um olhar de vaca alucinada.
- Eu ? - disse incrédulo o cão-lobo. - Eu sou um cão-lobo .
- Um cão-lobo? E porque carga de água te chamas assim, ó cão-lobo? - retorquiu, berrando confuso e impaciente, o urso formigueiro aproximando as fauces descarnadas e babantes a dois centímetros do focinho do cão-lobo, que permanecia impassível.
- Ora, porque o meu pai era um cão e a minha mãe era uma loba. E tu, como te chamas?- retorquiu o cão-lobo.
- Eu ? Eu cá sou um urso-formigueiro! - afirmou com orgulho, endireitando-se, o urso -formigueiro.
- Estás a gozar...? - retorquiu-lhe o cão-lobo, virando-lhe as costas e partindo.
A confusão permanece, até hoje, no espírito do urso-formigueiro.
Anos decorridos, nunca mais se encontraram.

quinta-feira, maio 12, 2011

Histórias de encantar I - 2ª edição

Era uma vez um naufrágio. A ele sobreviveram dois tipos, ambos feridos: um ficara totalmente cego e o outro ficara cego de um olho e só via pelo cantinho do outro olho.

Tendo conseguido trepar para um escaler equipado com um par de remos e um leme à popa, o que via pelo cantinho do olho decidiu que o melhor para ambos seria ir ele ao leme e o cego que remasse. E assim foi. Ao fim de uma semana porém, o cego manifestava evidentes sinais de cansaço pelo que decidiram trocar. Passou o cego para o leme e o que via pelo cantinho do olho pegou nos remos. Os tubarões escoltavam a desgraça. De vez em quando o que via pelo cantinho do olho olhava com isso para trás e ia dando orientações ao cego sentado na popa do escaler, ao leme.

“Mais para a esquerda” ou “mais para a direita” berrava o remador que isso de “bombordo” e “estibordo” era conversa de navegantes e eles não passavam de meros candidatos a 1º Ministro, sobreviventes de umas férias num cruzeiro. A certa altura, num intervalo entre duas olhadelas, o escaler embateu em qualquer coisa o que fez com que o punho de um remo saltasse da mão e acertasse precisamente no cantinho do olho são do remador cegando-o por completo. “É o fim!!” berrou o remador. O cego pensou que tinham chegado à costa, e de pronto saltou do barco berrando “Boa! Boa!”.

Os tubarões mostraram-lhe quão errado estava.

O que via pelo cantinho do olho, com aquilo tudo de remar e olhar para trás, do impacto, do remo a saltar, a acertar-lhe no cantinho do olho e a cegá-lo ficou sem perceber patavina do que se passava. Ao ouvir o cego saltar para a água gritando “Boa!” julgou que tinham chegado à costa e saltou. Segundo e derradeiro esclarecimento por parte dos tubarões.

Silêncio no oceano.

terça-feira, maio 10, 2011

Histórias de Encantar III - 2ª Edição

Eu tenho um irmão três anos mais velho que, quando éramos putos, era um traquinas do caralho. Um capricho da natureza fizera com que toda a brutidade e falta de inteligência da família se tivesse concentrado numa só geração e numa só pessoa, o meu irmão Jaime, em vez de se ter diluído ao longo de vários membros em várias gerações. Fartava-se de fazer asneiras, o cabrão. Misturava o leite com o café na cozinha, enfiava peúgas na cabeça do gato, distribuia com esmero e dedicação bilhetinhos obscenos nas caixas de correio do prédio, atirava cubos de gelo ao cão da porteira deixando-o a ladrar furiosamente o que iniciava de pronto uma caldeirada de caralhadas e impropérios por parte da mesma, acompanhados pelo voo picado das botas do marido que era bombeiro. Eu sei lá.
Um dia foram lá jantar a casa uns tios. É claro que durante o jantar o Jaime (é assim que se chama o meu irmão) fartou-se de fazer merda; interrompia as conversas, fazia perguntas parvas, tossia altíssimo, dava peidos inacreditáveis, mexia nas pernas da criada e, sempre que podia e ninguém via, pontapeava-me nas canelas e nos joelhos. A certa altura, enquanto acontecia a segunda volta do rosbife com batata palha e esparregado, a tia, inspirada pela alucinante sucessão de asneiras que testemunhara durante o jantar, sugeriu aos meus pais que o Jaime passasse a frequentar a catequese.
- Fazia-lhe lindamente.- insistia ela perante a incredulidade da minha mãe e a indiferença do meu pai.
O Jaime, que julgava que a catequese era uma espécie de recreio santificado em que se entrava para se poder massacrar mais alguém para além da família e dos colegas da escola, seguia a conversa com a atenção de um cão sentado em frente de alguém a comer pão com manteiga.
Quando as visitas se foram embora, a decisão estava tomada. O Jaime iria para a catequese.
Eu iria com ele, para prevenir males dobrados.
Quando chegámos ao sítio da catequese, que era numa sala pequena numa dependência da Basílica da Estrela, o Jaime escolheu de imediato um lugar na primeira fila de cadeiras, abrindo caminho à pisadela e ao encontrão. Eu acabei por ficar lá atrás.
Estávamos todos sentados, quando entra o senhor Padre.
Subindo a um estrado que ficava à nossa frente, atira com uma pasta enorme para cima da mesa e lança um olhar fulminantemente periférico, cuja intensidade jamais esquecerei, àquela plateia de putos sentados e cheios de sono.
De súbito, adivinhando no meu irmão Jaime a candura de um novato, fita-o nos olhos e atira-lhe berrando:
- Onde está Deus?-
Fez-se um silêncio escuro, frio e profundo.
- Onde está Deus ?- insistiu o senhor Padre, sem desfitar o meu irmão.

Quando cheguei a casa, a minha mãe perguntou-me:
- O teu irmão ? Não veio contigo?-
- Não.- respondi.- Ele saiu primeiro.
Depois de virarmos a casa do avesso encontrámos o Jaime no quarto, dentro do armário.
- Que é que estás aí a fazer?- berrou o meu pai furioso por ter tido que largar o cigarro, o jornal a televisão e o camandro para aderir ao pequeno grupo de caçadores de broncos.
- É que... É que... - balbuciava o cabrão, trémulo e lacrimejante.
O meu pai segurou-o por um braço e arrastou-o para fora.
- É que o quê? Hein ? Responde imediatamente. Ouviste?
- É que Deus desapareceu e o senhor Padre pensa que fui eu.

segunda-feira, maio 09, 2011

O Bar

2ª Edição

Versão minimal:

Acabara o último cigarro há um quarto de hora. Lembrara-se na altura que tinha que comprar mais. Sem pensar, pegou no maço vazio e procurou lá dentro um cigarro.
Não havia nem um.
- Querida, disse, vou lá abaixo num instantinho comprar cigarros e volto já.
Até hoje, nunca mais apareceu.

Versão completa:

Acabara o último cigarro há um quarto de hora. Lembrara-se na altura que tinha que comprar mais. Sem pensar, pegou no maço vazio e procurou lá dentro um cigarro.
Não havia nem um.
- Querida, disse, vou lá abaixo num instantinho comprar cigarros e volto já.
Abriu a porta e desceu os 17 degraus a correr e de seguida. Chegado ao café, desilusão. Já estava fechado.
- Lá ao fundo desta rua, à sua direita, há um bar que ainda deve de estar aberto. – retorquiu o dono do café à sua pergunta enquanto fechava a porta.
A noite estava fria e ele estava com pressa. Dirigiu-se na direcção indicada a passo rápido. Quando chegou ao bar, entrou e apeteceu-lhe um trago de qualquer coisa forte e que aquecesse. Chegou-se ao balcão, e sentou-se ao lado de uma loira que falava ao telemóvel.
- Um Cutty Sark só com gelo, por favor. – Enquanto o empregado lhe servia o whisky pediu dois maços de cigarros.
A loira acabara o telefonema e fizera dos seus gestos e da sua cara o alvo da sua atenção nos segundos seguintes. De seguida abriu a carteira, retirando dela um estreito maço de Slims e, enquanto se voltava para ele cruzando as pernas, pediu-lhe, com voz rouca, semicerrando os olhos:

- Do you have a light? –
Meteu a mão no bolso direito das calças e retirou um pequeno isqueiro Bic. Enquanto lhe acendia o cigarro, olhou a cara dela com atenção e sorriu.
- Obrigada.
Não o tenho visto por aqui. – disse ela com ar casual enquanto expirava o fumo e guardava na carteira o estreito maço de Slims.
Palavra puxa palavra e meia hora depois estavam os dois em casa dela.
Algum tempo depois, ele olhou para o relógio que trazia no pulso esquerdo e disse:
- Meu Deus, distraí-me completamente... a minha mulher vai-me matar!
A loira soergueu as sobrancelhas enquanto, distraidamente, apertava o roupão.
- A menos que... tens por acaso pó de talco ?- perguntou-lhe
- Pó de talco?- inquiriu a loira soerguendo ainda mais as sobrancelhas,
- A-acho que sim. Porquê?-
- Vai-mo buscar, por favor. Rápido.-
A loira desapareceu e voltou calmamente segundos depois segurando uma embalagem de talco Johnson´s com que ele polvilhou um pouco as palmas das mãos, esfregando-as uma na outra de seguida.

Regressado a casa, muito devagarinho introduziu a chave na porta e abriu-a silenciosamente.
A luz e o som provenientes da sala prenunciavam a tempestade que, dali a nada, iria desabar. Estava f-o-d-i-d-o. Entrou na sala pé ante pé e perguntou-lhe, por entre os flashes da TV Shop e os do olhar dardejante dela:
- Querida, ainda está a pé? Mas é tardíssimo.-
- Tu tens cá um descaramento...Francamente! Onde é que estiveste até agora?
- Mas é que tu nem sabes o que me aconteceu.
- Ah pois não. E estou mortinha por saber. Ora vamos lá a ouvir a história que inventaste desta vez. Desembucha!
- Estou-te a dizer! Fui lá abaixo ao café para comprar cigarros como te disse antes de sair, só que o café estava fechado. Disseram-me que ao fundo da rua havia um bar que costumava ficar aberto até tarde e fui até lá. Acabei por conhecer uma rapariga loira muito simpática e fomos até casa dela beber um copo. Palavra puxa palavra e....
- Tu tens é uma grandessissima lata. Mostra-me as tuas mãos imediatamente. Ah-ha! Com que então uma loira hein?! Mas tu pensas que me enganas, meu sacana? Tu estiveste foi outra vez no bowling com os cabrões dos teus amigos!

quarta-feira, abril 20, 2011

Agora a sério

Ministério garante que ordenados no Exército são pagos amanhã

Convém ter atenção a estas coisas porque, como se sabe, a probabilidade de acontecerem surpresas quando a tropa não recebe, é considerávelmente alta nos regimes subdesenvolvidos.

domingo, abril 17, 2011

A lata do FMI...

sexta-feira, abril 15, 2011

Crisis ? What crisis?

Seria a pergunta que qualquer turista inglês, irlandês, americano, australiano, etc., poderia fazer se se deparasse com uma notícia destas:

Turismo

Portugueses esgotam destinos de férias na Páscoa

Mas não será exactamente por existir crise que os portugueses se lançam de cabeça numas férias a crédito que acham ser as últimas das suas vidas? Como se não existisse amanhã? Não será este fenómeno a manifestação derradeira do impulso suicidário de um povo que se sente traído, enganado, espoliado, capado, roubado, abusado, lixado, entijolado, etc., por um regime que não tem dinheiro para nada mas não se coíbe de esbanjar à tripa forra milhões de euros em estádios de futebol, em comemorações de centenários vergonhosos, etc, etc, etc,.?
Sugiro que se vendam os submarinos à Suiça, em cujos doces lagos poderão navegar, submergir e entreter a modorra helvética, sem o perigo de enferrujar e que se POUPE a verba assim conseguida. Sugiro que, como o Brasil dificilmente conseguirá ter os estádios prontos para o mundial de 2014, se aluguem ao Brasil os estádios do Euro 2004, o que, além de permitir encaixar umas coroas, seria uma forma inédita de sublinhar a verdadeira dimensão da língua portuguesa, sem a necessidade de acordos hortographycos serôdios.
Sugiro ainda que o meu vizinho após entalar a cabeça na retrete, enfie no olho do cú as bolas de bilhar que diariamente atira pela escada abaixo.

quinta-feira, abril 14, 2011

sexta-feira, março 11, 2011

Do prec à precariedade - A evolução da espécie

Foram apenas umas escassas três e picos dezenas de anos. A precariedade é um prec mais desenvolvido, com pêlos púbicos e voz grossa e fina, às fífias, uma maturação natural de um germe aninhado no seio da República que se foi desenvolvendo alimentado pelos subsídios "de fora" e pelas sangrias desencadeadas pelas sanguessugas do regime, na forma de impostos directos, indirectos, subliminares, possíveis e imaginários. Ao contrário do que escreve Ricardo Araújo Pereira na Visão, nem que seja só por ser benfiquista. Além de que não fica bem dizer mal dos bancos depois de se ganhar dinheiro a publicitá-los. Mas como a malta é porreira, desmemoriada e gosta de rir não leva mal e até acha graça derivado ao facto. Agora outra coisa completamente na mesma linha de pensamento: a manif de dia 12 de Março, que é já amanhã .Um acontecimento que poderá descambar numa monumental cena de bernarda com o beneplácito, dirão alguns, do presidente da República, um mau aluno, porque repetente.
E tudo copiosamente noticiado nas TV nacionais com recurso a notas de rodapé de acordo com a nova norma de escrita cuidadosamente preparada e estudada por tipógrafos analfabetos e iletrados compulsivos. E viva o caralho!

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Virus informaticus

Afinal parece que "a coisa", ou seja, a monumental falha que impediu milhares de portugueses de votar nas últimas eleições presidenciais, se deveu a um ciber ataque perpretrado por um virus extraordinário que conseguiu enviar mais de 20.000 (vinte mil) mensagens em simultâneo como sendo provenientes de eleitores que não sabiam onde votar...
Os craques da Universidade do Minho que desenvolveram o sistema já receberam esclarecimentos do governo nesse sentido...
Cada vez mais este país está cheio de reticências...
Como se de um grande hangar vazio se tratasse, transformando suspiros e sussurros em trovoada e foguetório....

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

acordo ortográfico


O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em 1990, aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 26/91 e ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 43/91, ambos de 23 de Agosto, simplifica e sistematiza vários aspectos da ortografia e elimina algumas excepções ortográficas, garantindo uma maior harmonização ortográfica.

O Acordo Ortográfico visa dois objectivos: reforçar o papel da língua portuguesa como língua de comunicação internacional e garantir uma maior harmonização ortográfica entre os oito países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

[Extractos da "Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011", de 25 de Janeiro.]

1. «maior harmonização ortográfica»
Não há grande “harmonização” quando existem pelo menos 69.000 duplas grafias no VOP.

2. «elimina algumas excepções ortográficas»
Mas cria muitas outras duplas grafias que até agora não existiam. Apenas alguns exemplos:

3. «reforçar a língua portuguesa como língua de comunicação internacional»
Em que versão de “língua unificada”, a portuguesa ou a brasileira? ‎

Nota 1: os números de totais resultantes de cada pesquisa podem variar ligeiramente, dependendo de uma série de factores técnicos.
Nota 2: a base-de-dados VOP/ILTEC/PLP está em processo de fabrico, por assim dizer; ou seja, os resultados das pesquisas aumentarão certamente com o tempo, tanto em número absoluto de resultados como em número de erros absolutos.

N.R. Texto picado daqui.


sexta-feira, janeiro 14, 2011

O concurso

Insanity bei individuen ist selten - aber bei gruppen, parteien, nationen und epochen es ist die regel. (1)
Friedrich Nietzsche

Agora que está oficialmente aberto o concurso para o cargo público de Presidente da República é que começa a parte menos desinteressante. Podem ouvir-se verdadeiras bojardas provenientes de qualquer candidato independentemente da proximidade percentual da vitória em que se encontra. O concurso está à partida ganho pelo senhor professor doutor Aníbal Cavaco Silva. Como em todas as situações semelhantes que ocorreram no pós 25 de Abril, o povo português, intrinsecamente monárquico, detesta escolher alternativa para o cargo e re-elege o Presidente cessante. Curiosamente o cargo de Presidente da República só tem dois mandatos consecutivos, ao contrário dos dos Presidentes de Câmara. No fundo no fundo os gajos sabem que se o Presidente fosse consecutivamente eleito a coisa dava nas vistas, então vai e marcam prazo máximo de 10 (dez) anos consecutivos para o cargo. Ainda se tivesse algum poder efectivo, como nas repúblicas a sério, onde também existe um Senado ou câmara alta, ainda se percebia. Mas para um cargo em que o personagem que o desempenha tem aproximadamente o mesmo poder que tinha antes de ser eleito é ligeiramente incompreensível a caducidade do mesmo a não ser por razões de carácter tão profundo tão profundo que obviamente desconheço. Esta merda do blogger que não deixa uma gajo escrever como quer está-me a irritar. Não quero escrever mais em itálico mas o gajo está-se nas tintas. Se pensa que é por causa disso que não escrevo mais, olha: já está bom. A ver se se aguenta.
Por causa das merdas mudei de parágrafo. É mais ou menos como quando um tipo vai na rua à noite a pé; vê um grupo de três ou quatro bípedes com ar suspeito e por causa das merdas, lá está, atravessa para o outro lado.
O Nuno Quadros escreveu noutro dia, e o Bruno Nogueira declamou, que se trata da eleição da primeira dama. Mas também se poderia chamar o concurso para primeira dama. Agora a sério. Quando passar a euforia desta espécie de campeonato regional que é a campanha presidencial e a reeleição de Cavaco for consumada, reinará a paz. Mas não por muito tempo. A dívida externa a uma taxa de 6,7% é uma brutalidade inviável sem a ajuda dos cem mil milhões da mama europeia. E em Abril já vão ter que ser pagos vinte mil milhões.
Assim sendo, é provável que na próxima Primavera o primeiro ministro se demita alegando que não o deixam salvar Portugal. Sócrates é tão autoritário que jamais admitirá que o demitam.
Só mais uma coisa: vão aqui abaixo, cliquem no link e mandem o "acordo ortográfco" às ortigas.

(1) A loucura individual é rara - mas nos grupos, partidos, nações e épocas é a regra.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Tolerância zero

É extraordinário o teor das afirmações de alguns personagens que ocupam lugares de poder na república portuguesa quando entrevistados pela "imprensa estrangeira". Eis o que afirmou o Sr. José Calheiros, membro da Direcção Geral de Saúde (DGS), quando lhe foi solicitada opinião sobre a iminente proibição de fumar em todo o lado:
"Tirando algumas indústrias e associações ligadas à restauração, hotéis e turismo, estamos todos a favor de uma proibição total. Esta é a única maneira de salvar vidas sem quaisquer custos".
(Ler aqui . Na rubrica General, sexta linha, da edição de 08/01/2011.)
Outra maneira de salvar vidas sem quaisquer custos seria, por exemplo, mandar encerrar todos os postos de combustível. Ou equipar a tropa com espingardas de rolha e granadas de penas de ganso.
Aceitam-se sugestões para posterior publicação, aqui no estabelecimento.


sábado, janeiro 08, 2011

Mais da República

Os comemoralistas(1) do costume não esquecerão certamente o 101º aniversário da implantação da República Portuguesa neste ano de 2011, o primeiro da segunda década do século vinte e um da era cristã. A República Portuguesa, que é um regime que não funciona, que não reconhece os direitos civis, o direito à propriedade, e que nunca reconheceu a ilegitimidade da sua imposição aos portugueses pela força das armas, sem recurso ao sufrágio universal, sem ponta nenhuma de democracia por onde se lhe queira pegar tem, pasme-se, uma Constituição e um Presidente. Neste momento, e até 2016, o Presidente da República Portuguesa é senhor professor doutor Aníbal Cavaco Silva. Mas não é, como ele ainda ontem referiu, o Presidente de Portugal. É apenas o Presidente da República Portuguesa. Confundir República portuguesa com Portugal é um erro que, por ser comum, é amplamente difundido como verdade insofismável, e que, por isso, não carece de reflexão. Nada mais errado.
Sobre a Constituição da República, há várias opiniões. Uma delas, a de Francisco José Viegas, pode ser lida aqui.

(1) comemoralista - s.m. Pessoa ou entidade que comemora por pulsão; que é propênsica a festejos compulsivos; aquele que come maristas, jesuítas e outros moralistas; safardana; republicano.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Previsões para 2011

1. A Deutsche Angela vai manter o discurso duro tipo os-países-latinos-são-endemicamente-caloteiros-pelo-que-a-Vaterland-não-lhes empresta-nem-mais-um-tusto mas só até saber que ganhou as eleições de Março.

2. Após saber que ganhou as eleições de Março muda de registo e reconhece o grande esforço de contenção despesista dos mesmos e referidos países. Mesmo que esse esforço não tenha existido, atenção.

3. Sócrates é sumariamente dissolvido em conjunto com a AR, permitindo a Cavaco Silva deter o recorde de menos tempo entre a reeleição e o lançamento da bomba atómica, deixando definitivamente de ser comparável à Rainha de Inglaterra.

4. Fica-se a saber pelo uikilicks que a maioria dos comentários da caixa do blog do maradona são da autoria do próprio.

5. Desfaz-se a Gonelândia.

6. Kadhafi ameaça bombardear o Vaticano.

7. Portugal, enquanto membro provisório do conselho de segurança da ONU, promove a autodeterminação e independência de várias zonas do globo até então desconhecidas.

8. José Mourinho será a próxima representação de caganero nos presépios catalães.

9. Crsitiano Ronaldo também.

10. O edificio Moutinho, em Viana do Castelo, manter-se-à de pé por mais uma década.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

A República portuguesa...

...converteu-se na maior sala de chuto da Europa e, portanto, do mundo.
Também noticiado aqui, em português do Brasil, e aqui.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

F... Xmas

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Os blogs e isso

Há dias em que as caixas de comentários dos blogs são tascas amenas, onde a boa disposição é permanente, onde mesmo os comentários mais desabridos têm a piada daquelas coisas giras que fazem um gajo rir alto, mesmo estando sózinho. Acontece com o blog do maradona, por exemplo. Um tipo que além de escrever bem é baixo, culto e inteligente, como é amplamente demonstrado pela abrangente amplitude temática que manifesta assim como o sentido de humor com que embrulha as postas bem como aqueloutro com que avia comentários. O maradona tem uma bela tasca onde dá gosto um tipo aparecer para beber um copo ou dois, fumar umas cigarradas, uns charros e dizer umas caralhadas. É a tasca cibernética mais portuguesa cá cá, ou seja, que há cá.
Também há alturas em que as caixas de comentários se transformam em latrinas inacreditáveis, sobretudo quando os autores dos blogs aos quais elas pertencem resolvem debitar com fervor contra aquilo em que acreditam, em datas que são especiais para os que acreditam naquilo que o autor do blog não acredita. Aconteceu isso no Bic Laranja no dia 1 de Dezembro de 2010. Note-se que nada tenho contra o Bic laranja. Aliás o Bic Laranja é, também, uma das minhas paragens obrigatórias nas deambulações que faço pela B.L.U.S.A. (*), embora o identifique mais como uma espécie de museu interactivo onde se recomenda algum recato quando se visita, devendo abster-se o visitante de falar muito alto, de tossir, pigarrear, fumar , etc. Um dia entrei lá grosso e primeiro que descobrisse a saída foi uma chatice. Não acreditam ? Vão lá perguntar-lhe. Mas prosseguindo com a linha de pensamento que me fez postar hoje, dizia eu que muitas vezes, quando se gosta muito do sporting não vale muito a pena vir para a rua gritar que o benfica é uma merda. Ou seja, quando se é intrínsecamente republicano, o que só por si constitui uma raridade nos dias que correm, ou manifestamente anti monárquico, não merece a pena, como dizia a minha avó, vir para a rua gritar aqui-del-rei-que-o-trono-está-vazio-e-Portugal-não-existe. Quer dizer, digo eu.

(*) Blogosfera Lusa, para os mais distraídos.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Altos vôos

Numa altura em que uma aeronave das TAAG é acometida de diarreia em pleno vôo, defecando sobre as gentes de Almada algumas peças mais ou menos essenciais à sua manutenção nos sucessivos espaços aéreos que vão de Lisboa a Luanda , convém relembrar que, segundo notícia daqui, "(...)o Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) português informou que o Comité de Segurança da Comissão Europeia vai recomendar que a companhia aérea angolana possa retomar os voos entre Luanda e Lisboa, (...) comprometendo-se o INAC a fazer inspecções às aeronaves que irão operar os voos nesta rota". (...)
Isto em Julho de 2009...

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Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!